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História House of Cards - Capítulo 11


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Notas do Autor


Ciaoooo
Nem sei o que dizer aqui uheueheuheue só que toda vez que reposto um cap, fico rindo de mim mesma pq acho as coisas q eu escrevo bregas aaaaaaaaa
Mas, é isso aí, a autocrítica com a gente é sempre muito maior do que com o outro uheuheuehe
Enfim, recomendo as músicas que citei aqui, baladas italianas são muito delicinha pra ouvir no depresso.

Capítulo 11 - Just a phase in our little lie


Hoseok estava me encarando de um modo estranho, enquanto eu encarava Jimin com agonia. Por que ele não desligava o telefone? Por que ele estava rindo? Minha pulsação acelerou quando Jimin saiu para a sacada, impedindo ainda mais que eu ouvisse sua conversinha. Hoseok pigarreou, trazendo minha atenção para a realidade.

-Aconteceu alguma coisa, Marie? – ele perguntou educado.

-Essa... Essa Liu Le, – suspirei – vocês são amigos faz muito tempo?

-Nós não somos amigos. Mas, Jimin e ela estudaram juntos em dois MBAs.

-Ah. – bem, a vagabunda tinha dois MBAs. – e ela e Jimin são muito próximos?

-Ela é a paixão colegial dele, digamos assim. – Hoseok pareceu escolher as palavras com um cuidado cirúrgico. – acredito que sejam muito amigos, mas Liu Le só o vê deste modo.

Então quer dizer que Jimin gostava dela. Que lindo. Romântico. Esplêndido. Excepcional. Ele me beijava e me comia, mas seu coração batia por outra. Nossa! Como isso era maravilhoso. Eu dei uma risada nervosa, quase cedendo à raiva, porém me controlei. Hoseok não disse mais nada, claramente consciente de meu estado. Nada disto teria acontecido se ele simplesmente tivesse chegado para mim e dito "Olha Marie, quero te foder enquanto não consigo foder a menina que eu gosto". Beleza, eu teria aceitado tranquilamente. As aulas eram para usar com ela? Querendo conquistá-la? Eu fui um mero peão... Fui usada.

-Vou a um encontro. – Jimin estava de volta. – obrigado. – ele me olhou.

Eu conhecia muitas pessoas que levavam centenas de meses para notar, muitos casos e namorados para descobrir. Mas, o meu durou um óbvio segundo de horror. Jimin iria a um encontro com alguém que não era eu! Outra mulher. Outro corpo, outra boca.

Então soube que precisava foder. Rápido e com força. Foder até sentir meus membros paralisarem de cansaço. Foder até que minha cabeça e coração expulsassem Jimin. Sim, eu disse coração. Parecia cristalino enquanto eu o observava contar da nojentinha que ocuparia meu lugar em alguma noite: o amava. Amava a Jimin. Ponto final.

Urlarò. Urlarò. Urlarò.

Eu iria gritar.

Caralho, eu estava muito assustada.

-Preciso ir embora. – me levantei depressa. – com licença.

-Ma? – Jimin já estava atrás de mim. – aonde você vai? E seus irmãos?

-Você pode deixá-los em casa? Eu realmente... – não conseguia encará-lo. – com licença.

Era notável que eu estava alterada. Primeiro a raiva por ter sido usada, depois... A constatação do motivo real dela. Minha primeira vez apaixonada e o imbecil apaixonado por outra. Uau, Maria Chiara, você deveria ganhar uma coroa de "Maior Sorte do Mundo". Andei por alguns quarteirões até encontrar um bar, e me enfiei dentro dele sem nem ler o nome do local. O balcão estava parcialmente cheio, mas arrumei um lugar para me sentar.

-Com licença, posso ver seu cardápio? – cutuquei o homem ao meu lado, pois todos os outros menus estavam sendo usados. – quer dizer, assim que você terminar.

-Que isso, fique à vontade. – ele respondeu em um cantonês com sotaque.

Virei-me para olhá-lo e tive uma surpresa. O cara era ocidental. Ele possuía o cabelo ondulado e curto, como se fossem pequenos cachos abertos, olhos azuis-piscina e pele bronzeada. Parecia um deus grego, quase a estátua viva de Apolo.

-Obrigada. – agradeci em inglês.

-Não precisa falar comigo em inglês só porque não sou oriental. – ele sorriu. Britânico.

-Desculpe. – soltei uma risadinha. – é que supomos que estrangeiros prefiram.

-Supomos? Então você é daqui?!

-Pior que não. – ri. – vim de bem longe.

-Muito longe? – franziu o cenho. – seu sotaque não é britânico... Estados Unidos?

-Brasil e Itália. – dei de ombros. – meu sotaque é uma mistura estranha desses dois.

-Quase australiano. - brincou.

-Bem perto. – assenti. – o seu é britânico. Inglaterra? Não é tão forte como um escocês, mas mais aberto que um irlandês. Ainda não tenho certeza.

-Você é boa nisso. – ele sorriu. – sou de Bristol, mas criado em Mégara, na Grécia.

-Oh, cidade de Skins! – sorri animada. – então você também é grego?

-Você não notou pela beleza? – ele me encarou divertido. – Harry Saint Aubyn.

-Maria Chiara Ongaratto. – trocamos uma pequena reverência. Um grego! Minha noite deveria estar melhorando. – e o que te traz a Hong Kong, Harry?

-Trabalho. E a senhorita? – perguntou chamando o barman.

-Trabalho também. – assenti. – quero uma dose de absinto. – pedi ao moço que chegou.

-Whisky. – Harry lhe entregou o cardápio.

Harry era fascinante. Compartilhávamos de muitas opiniões iguais, e ficamos muito tempo conversando, pois os amigos dele nos deixaram sozinhos. Consegui me esquecer de Jimin até Harry me perguntar por que eu estava naquele bar sozinha.

-Veja só, – ri sem humor. – parece que me apaixonei pela primeira vez na vida.

-E não sabe como lidar com o sentimento?

-Além disso. Ele é apaixonado por outra.

-Cruel. – Harry suspirou. – e você acha que bebendo tudo se resolverá?

-Não. – neguei com a cabeça. – mas queria um porre para aliviar a tensão. Estou assustada, sabe?! Não sei o que fazer, nem por onde começar.

-Tenho permissão para aconselhar? – assenti. – talvez você ache que ele não gosta de você, mas ele gosta. Nós, homens, somos meio confusos para tomar decisões.

-Vocês, meninos, porque né. Homem que é homem não tem medo de sentimento.

-Então você é uma garotinha? Porque mulheres também não.

-Touché. – ri baixo. – você é um gênio, Harry.

Harry me deliciou com encantos sobre se apaixonar. Pareceu uma coisa maravilhosa, porém não funcionaria comigo. Qual era a graça de nutrir sentimentos por Jimin sendo que ele estava gostando de outra? A pergunta girou em minha cabeça, mas foi substituída por uma ideia incrível: Harry tinha opiniões e valores tão bem formados, era inteligente, lindo, e trabalhava. Fong Mimi estava precisando de um Harry Saint Aubyn.

Credo, Marie, você levaria sua amiga para a ruína do amor? Claro! Se eu estou sofrendo, ela também sofre comigo. Brincadeira, eu não era egoísta. Estava apenas visando uma felicidade a longo prazo para Mimi. Os dois combinariam, eu tinha certeza.

 

Ao voltar para casa, eu possuía um novo amigo e o telefone dele. Subi para meu andar muito melhor do que havia saído da casa de Hoseok, ainda sentindo o gostinho da última dose de absinto na boca. Jimin estava encostado na parede da porta, a cabeça erguida para o teto e todo o corpo apoiado sensualmente. Eu respirei fundo, inconformada que ele estivesse ali e não bem longe, me deixando ilusoriamente em paz.

-Onde você estava? – ignorei o tom sério na voz de Jimin e continuei digitando minha senha para abrir a porta. – Maria Chiara. – sua mão estava em meu pulso.

-Jimin. – falei baixo. – me solta.

-Onde você foi? – ele perguntou outra vez. – por que saiu daquele jeito?

-Porque eu tinha um compromisso. – suspirei cansada. – me solta, Jimin.

-Compromisso? Com quem? Por que eu não sabia? – ele me soltou.

-Eu tenho que te falar tudo o que eu faço, por acaso? – ergui uma sobrancelha. – e quer saber de uma coisa? – eu já estava dentro do apartamento. – você está liberado de nossa amizade colorida. Eu não quero mais. – antes que Jimin conseguisse pronunciar meu nome, a porta já estava trancada e meu corpo escorria contra ela.

Será que era esse vazio ridículo que as pessoas sentiam quando terminavam com alguém que gostassem? Essa tristeza desnecessária? Meus olhos ficaram marejados e eu precisei puxar o ar com força para não deixar que as lágrimas caíssem. Eu precisava de meus irmãos ali, urgente. Disquei o ramal da recepção e pedi para ligaram no quarto deles.

-Chi? – foi Rocco quem atendeu. – tá tudo bem?

-Vocês podem descer aqui rapidinho?

Rocco falou em um italiano embolado, que não entendi. Abri um pouco a porta e fui para a sala, me jogando no sofá. Meu coração parecia menor do que sempre foi, todo apertado e sem vontade de bater. Jimin havia me usado. Ele gostava de outra, e eu o amava. As forças divinas haviam me dado um alerta quando nos conhecemos, ele parecia perigoso, eu tinha notado! Os mais fofos sempre são custosos.

-Chi! – minha irmã foi quem chegou primeiro. – cazzo, cosa c'è?

-Oi Oli. – minha voz saiu abafada, pois meu rosto estava enfiado entre almofadas.

-Maria Chiara levanta daí! – ela pediu brava. – que diabo aconteceu?

-Pode rir de mim, sorellina. – eu sabia que ela se irritaria com o "irmãzinha", mas estava arrasada demais para me importar. – estou apaixonada.

-Ai meu Deus! – este era Rocco, todo maricas. – do que você ta falando?

-Vocês não notaram ainda? Estou terrivelmente apaixonada por Jimin! – me levantei. – e ele tem um encontro com a menina que gosta. Não é incrível?

-Shhh! – minha irmã tampou minha boca. – o Jimin está lá fora, você enlouqueceu?!

-Larga de ser idiota, Olivia. – Rocco rolou os olhos. – o mundo está acabando para ela, você acha que Chi está ligando se ele ouviu ou não?

-Idiota é você! – ela retrucou brava. – sou três minutos e meio mais velha, me respeita.

-Olivia! – Edoardo apareceu, finalmente. – o que aconteceu, Chi?

-Ela se descobriu apaixonada por Jimin... E parece não lidar muito bem com isso. – meu irmão mais novo se sentou ao meu lado. – mas, é tudo o que entendemos.

-Pegue o Scalabroni na adega. – Edo pediu a Olivia. – Rocco, busque as taças. Nós vamos ter uma reunião de família. – o abraço que ganhei foi revigorante. – você cresceu, ciccia. Pensei que não estaria vivo no dia em que Maria Chiara Ongaratto se apaixonasse. Agora, eis a questão: por que não sabe lidar com isto?

-Por que será? – o encarei. – Fiorella destruiu sua vida, Edo. Nicola piorou as frescuras românticas de Rocco. O que será de mim? E se eu ficar babona de amor como ele? E se Jimin for a minha Fiorella? E se eu não souber amar direito?

-Você já notou quantos "e se's" me perguntou? – ele sorriu. – Chi, ninguém sabe amar direito. Não existe um jeito específico, cada um sente a seu modo. Compreendo você estar assustada com a descoberta, mas... Correr dele? Dispensar Jimin?

-Quando chegamos, – os gêmeos estavam de volta, e Olivia começou a falar enquanto servia as taças. – Jimin estava com a cabeça apoiada na porta e uma mão na maçaneta. Eu pedi licença e a abri, depois perguntei por que ele ainda não havia entrado. – ela me olhou com um misto de pena e confusão. – Jimin disse que você não o queria aqui.

-E eu pedi que ele te desse um tempinho, depois vocês conversariam. – Edo completou.

Jimin havia ficado ali. Ele queria entrar, mas não o fez.

-Já sei o que vai te animar um pouco. – Olivia sorriu. – karaokê!

Aquilo realmente me faria melhor. Rocco correu para procurar os microfones e Olivia se preocupou com os DVD's, enquanto Edo me entregava uma taça cheia até a metade. Aceitei o álcool de bom grado, sentindo-o descendo agridoce com a lembrança de que Jimin havia escolhido aquele vinho em nosso primeiro jantar juntos. Escolhi uma balada italiana antiga, a letra tinha um pouco a ver com minha situação, e eu adorava a música.

E'iniziato tutto per un tuo capriccio
(Tudo começou por um capricho teu)
Io non mi fidavo... Era solo sesso
(Eu não confiava... Era só sexo)
Ma il sesso è un'attitudine
(Mas o sexo é uma atitude)
Come l'arte in genere
(Geralmente como a arte)
E forse l'ho capito e sono qui
(E talvez eu tenha entendido e aqui estou)
Scusa sai se provo a insistere
(Desculpa se tento insistir)
Divento insopportabile
(Eu fico insuportável)
Ma ti amo...Ti amo...Ti amo
(Mas te amo... Te amo... Te amo)
Ci risiamo... Vabbè, è antico, ma ti amo
(Nos sorrimos... Tudo bem, é antiquado, mas te amo)

Eu estava com vontade de chorar, verdade fosse dita. Na hora do refrão, eu queria desesperadamente gritar aos quatro ventos, que toda Hong Kong me ouvisse. Que Jimin ouvisse e entendesse porque agi como agi. Porque estava fugindo.

*E scusa se ti amo e se ci conosciamo
(E desculpa se te amo e se nos conhecemos)
Da due mesi o poco più
(Há dois meses ou pouco mais)
E scusa se non parlo piano
(E desculpa se não falo baixo)
Ma se non urlo muoio
(Mas se eu não grito, morro)
Non so se sai che ti amo
(Não sei se sabes que te amo)
E scusami se rido, dall'imbarazzo cedo
(E desculpe se rio, me entrego ao embaraço)
Ti guardo fisso e tremo
(Te olho fixamente e tremo)
All'idea di averti acanto
(À ideia de te ter do meu lado)
E sentirmi tuo soltanto
(E me sentir somente teu)
E sono qui che parlo emozionato
(E estou aqui e falo emocionado)
E sono un imbranato... E sono un imbranato
(E sou um atrapalhado... E sou um atrapalhado)

Ciao, come stai? Domanda inutile!
(Oi, como vai? Pergunta inútil!)
Ma a me l'amore mi rende prevedibile
(Mas o amor me torna previsível)
Parlo poco, lo so, è strano, guido piano
(Falo pouco, eu sei, é estranho, dirijo devagar)
Sarà il vento, sarà il tempo, sarà fuoco?
(Será o vento, será o tempo, será fogo?)

*repete

Olivia nem esperou que eu me recuperasse, foi logo colocando Laura Pausini – Non C'è para cantar comigo. Virei a taça e encarei a música que Jimin me viu cantar durante o banho, meu coração pesando ainda mais. Eu ainda não sabia qual ele tinha cantado para mim, mas Non C'è fazia todo o sentido naquele momento.

●●●

Quando Edoardo terminou com Fiorella, ele ficou duas semanas sendo inacessível. Nós conversávamos durante as refeições, mas depois ele se trancava no quarto e só saia para necessidades vitais. Foram as duas semanas que mudaram minha vida. Eu nunca tinha visto o amor como algo maldoso, porém mudei de concepção após tudo que meu irmão passou. Acredito que Fiorella jamais encontrará alguém que sentisse por ela tudo que Edo sentiu, todo aquele amor grandioso e puro. Quando falei sobre isso com meus pais, eles me disseram uma frase muito comum nos livros de romance histórico que eu sou grande fã: "O amor, Chi, não destrói nem machuca. Ele cria.". Claro que eu dei uma risada e não acreditei. Então por que o amor machucou Edo? Por que estava me machucando?

Evitar Jimin foi muito complicado, porque trabalhávamos no mesmo lugar e porque Sra. Lau realizou um almoço de negócios com o intuito de expor o progresso do projeto. Nós não trocamos nada além de cumprimentos e reverências... Talvez olhares, mas isto não vinha ao caso. Eu enviei uma mensagem pedindo desculpas por meu comportamento odioso para Hoseok e Yoongi, mas eles foram educados e me asseguraram de não teve problema algum, que cada um "tem daqueles dias".  Hoseok ainda foi mais longe e me perguntou se foi o que ele disse sobre Liu Le, porém menti que não. Eu não deveria fazê-lo se sentir mal por me contar a verdade, certo?

A vergonha por ter sido usada se dissipou, afinal, eu não me importava com estas coisas. Infelizmente, a traição que senti ainda não havia passado. Era como se Jimin tivesse quebrado um juramento vital. Nada daquilo teria acontecido caso ele me contasse seus propósitos desde o início. A parte de meu cérebro regida pelo coração (se é que ela existe) tentava me fazer acreditar que talvez Liu Le não fosse nada demais, pois uma "paixão colegial" geralmente indica algo que já acabou. Se conseguiu? Não.

-Marie, – Mimi rodopiou o cartão de Harry nos dedos. – não tenho certeza se devemos fazer isto. Quer dizer, você deveria se preocupar com sua vida amorosa no momento.

-Não seja estúpida, Mimi. – rolei os olhos. – confie em mim! Harry é um bom partido.

-Não duvido, amiga. Mas estou falando de sua vida.

-Que vida? Voltaremos nesse assunto outra vez? – suspirei. – gosto de Jimin, sim, já aceitei. Só que não quero fazer nada a respeito. Dá para ligar ou ligo eu?!

-Liga você. – ela me entregou o cartão.

Meu apartamento estava silencioso, pois meus irmãos haviam ido embora na quinta. Era minha primeira sexta-feira quieta em casa, curtindo com minha melhor amiga. Havíamos pedido comida árabe e bebíamos refrigerante (que fazia anos que não tomava). Convenci Mimi a conhecer Harry, portanto bolamos um plano que não seria tão horrível e constrangedor para eles: um encontro duplo. Só que ele deveria me apresentar algum amigo bonito. Não que eu tivesse interesse, mas não deixaria Mimi sozinha nessa situação.

-Amanhã no Sky Lounge Bar, nove horas. – sorri ao desligar.

-Meu Deus! – ela suspirou. – devo me vestir normalmente ou mais recatada?

-Vá como a Mimi iria, Harry é um cara tranquilo. Vocês vão se dar bem.

-Por que essa preocupação toda comigo, Marie? Acha que minha família me pressionará para casar, afinal já passei dos 25 e continuo solteira?! – riu.

-Na verdade, – peguei um falafel. – enquanto conversávamos, ele me lembrou muito de quando nos conhecemos, daí pensei "Nossa, ele seria perfeito para Mimi".

Mimi foi embora por volta das duas da manhã. Eu lavei a louça que sujamos e organizei a casa, satisfeita com a noite e animada para o sábado. Tinha boas expectativas para aquele "casal", então fui me deitar um pouco mais feliz do que fiz a semana toda. Ao desbloquear o celular para jogar, notei que havia uma mensagem de Jimin.

Jimin: Podemos nos encontrar amanhã para conversar?

Caralho. Ele queria conversar sobre o quê?!

Marie: Não tem como você me falar por aqui?

Jimin: Não. Amanhã, 3:30PM aqui em casa?

Marie: Vou ver o que posso fazer.

Jimin: Maria Chiara...

Mas eu apenas visualizei e não respondi. Não queria ir até a casa dele, não queria correr o risco de pagar de boba, ou de me apaixonar ainda mais. Porém, estava curiosa com o que ele queria me dizer. Havia dado o assunto como encerrado, então, saber que ele ainda não tinha dado sua palavra final fez meu estômago revirar em ansiedade.

 

Hong Kong amanheceu nublada e mais fria do que antes. Eu e Mimi almoçaríamos juntas e depois iríamos ao salão-de-beleza fazer a unha e arrumar o cabelo (cortar, hidratar, etc). Às três da tarde, meu celular vibrou. Mimi estava experimentando um vestido e eu a esperava para dar o feedback da roupa. Olhei o nome de Jimin e suspirei.

Jimin: Você vem?

Marie: Estou fazendo compras com Mimi.

Jimin: Isso quer dizer que você não vem?

Marie: Quer dizer que não sei.

Encarei minha amiga e fiquei surpresa. Ela estava linda em um vestido curto de renda azul. Harry com certeza ficaria encantado, portanto insisti que ela comprasse a peça. Ao menos uma de nós teria uma noite maravilhosa! Pouco antes das três e meia, Mimi disse que ia embora para ter o resto da tarde de "beleza e descanso".

-Preciso preservar minha beleza pura e virginal, você sabe.

-Com certeza. – assenti rindo. – vou dar mais uma volta e devo ir também.

-Não se canse muito e não me dê bolo!

Apertei-me contra o casaco quando uma rajada de vento gelado soprou. Olhei para a rua e depois para o K11 Shopping Mall, onde fomos. Eu sei, eu sei. Mimi morava em Kowloon também. Jimin estava logo ali, se eu tomasse coragem para seguir através da ala do Hyatt Regency Hotel e dos apartamentos do The Masterpiece, o prédio dele. Em uma mistura de frio, cansaço e curiosidade, entrei no elevador, apertando o 56º andar.

-Você veio. – Jimin disse ao abrir a porta.

-Vim. – assenti. – sua prima estava aqui para ver um vestido... E eu subi.

Jimin me levou até o sofá... O maldito sofá em que fizemos sexo. Fingi não estar recordando tal lembrança e me concentrei na vista proporcionada pelas janelas da sala. Minhas mãos tremiam um pouco enquanto Jimin me encarava inexpressivo.

-Por que você fugiu? – ele foi direto.

-Não fugi. – ralhei os dentes.

-Claro que fugiu! Em um segundo estava toda risadas com Hoseok e depois, puff! Tinha um compromisso. Aí não volta para casa até quatro da manhã, e como se não bastasse, termina comigo! – ele arfou, buscando ar após vomitar tudo em minha cara. – agora vem me dizer que não fugiu? Que está acostumada a fazer isso com todos?

Engoli em seco, envergonhada. Como explicaria a ele minhas razões sem expor os sentimentos? Sem pôr ênfase no ciúme?! Não saberia mentir e não havia criado nenhuma desculpa plausível, pois não achei que voltaríamos a nos falar.

-Foi logo depois que anunciei que sairia com Liu Le.

-E daí? Eu não posso esquecer um compromisso aqui e ali?

-Compromisso com quem, Ma? Mimi me contou sobre o encontro que tem hoje, com o cara que você conheceu aquela noite. Para de mentir para mim, caramba!

-Para você, Jimin, só para. Chega. – neguei com a cabeça. – já deu para nós dois. Você continua saindo com sua amiga e eu fico na minha, ok? Me deixa em paz.

-O que tem Liu Le que te irrita tanto? Porque é a terceira vez que age estranhamente só com a menção dela. – ele franziu o cenho. – você não queria que eu saísse com ela?

Ele me irritou ao extremo. A semana havia sido péssima, meus irmãos voltaram para a Itália, e ainda tinha a droga do sentimento não correspondido. Se eu soubesse que asiáticos eram tão complicados a este ponto, jamais teria me envolvido com Jimin. Meu exagero e minha inexperiência em assuntos do coração começaram a me sufocar, portanto explodi. O sangue italiano falava bem alto nessas horas.

-Não, ok?! Não queria. Satisfeito? – me levantei, com raiva.

-Um pouco hipócrita de sua parte, Ma. Porque quando eu pedi compromisso nos beijos também, o que foi que você me disse? – ele fingiu pensar. – ah é, "Isso é tudo o que eu posso oferecer, Jimin.". – afinou a voz como se me imitasse.

-E era, cazzo! Mas ao menos eu fui sincera. Você nem para me dizer que tudo não passava de um treinamento até Liu Le, ela seria seu objetivo final. Eu teria continuado com as aulas se você fosse um pouco mais corajoso e verdadeiro. – cuspi o que estava entalado.

-Treinamento até Liu Le? Se eu fosse corajoso e verdadeiro? – Jimin arregalou os olhos rasgados. – por acaso você nota os absurdos que fala?!

-Hoseok me contou que você é apaixonado por ela. Paixão colegial, como ele mesmo disse. Não me importaria de ser usada se ao menos você tivesse me dito antes! – fechei as mãos em punho. – esta conversa está encerrada, Sr. Park. Com licença.

Andei apressada até o hall, pronta para sair daquele lugar e surtar sozinha em minha casa. Não entendia mais o que estávamos fazendo, só queria ir embora. Era minha primeira vez apaixonada, caramba. Como eu deveria reagir a uma rejeição quando a aceitação era tudo o que eu precisava?! Ninguém podia me julgar por não saber como reagir. Jimin empurrou a porta com força, trancando-a em seguida. Seus dedos me trouxeram para perto, mas eu estava determinada a não me deixar vencer por ele. Por que o idiota ainda insistia nisso quando, provavelmente, já tinha saído e se dado bem com Liu Le? Era tão complicado para garotos largarem os brinquedinhos e crescerem um pouco?

-Gostei de Liu Le sim, Ma. – ele falou baixo, sua voz fazendo cócegas em minha nuca. – só que foi há muito tempo, quando eu ainda era ingênuo demais. Queria me casar com ela.

Um soco na barriga ou um tapa na cara doeria incrivelmente menos. Mexi o corpo, tentando me afastar, porém o aperto de Jimin ficou ainda mais forte.

-Você deve saber que aqui na Ásia é muito comum nos casarmos cedo, ainda mais quando se é de família rica. Liu Le é milionária. – ele fez uma pausa, como se me desse espaço para palpitar. – nós saímos juntos por alguns meses, mas então ela apareceu noiva de um empresário tailandês e largou o MBA para trás. Quando comprei minhas ações no Pacific Place e vim tomar posse de meu lugar, nós nos encontramos. Ela descobriu sobre minha riqueza e disse que eu estava "muito mais bonito do que se lembrava", então ontem, quando saímos, ela perguntou se eu não poderia ser seu amante.

Tossi de nervosismo. Amante? A menina era louca?!

-Você jantou com ela quando eu estava com Finn.

-Sim, com ela e a mãe. Sra. Chang queria colocar umas obras de arte que possuía aqui no K11 e pediu para que Liu Le falasse comigo. – suas mãos me soltaram e senti uma falta imensa do toque. – porque agora que sou bem sucedido eu mereço conviver com Liu Le.

Entendi o sarcasmo e o desprezo naquela frase. Fiquei surpresa com o pequeno relato, ainda mais por Jimin ter se disposto a tamanha barbaridade. Então era por aquele motivo que ele procurava "aulas de sedução": vingança. Adoraria provar para Liu Le o homem incrível que Jimin era e como o dinheiro não subia em sua cabeça nem ditava suas relações. Virei-me para ele, sem saber o que dizer.

-Aí você apareceu, Ma. Senti a química, a curiosidade entre nós dois. Vi como você faz com todos os homens ao seu redor, vi como Finn estava pronto para se deitar no chão e deixar que o pisasse se isto a fizesse feliz. – ele sorriu fraco. – e eu te quis. Mas, acima de tudo, queria ser igual a você; fazer todas as mulheres me ovacionarem. – Jimin se aproximou minimamente, colocando-me contra a porta e sem opção de fugir. – até nos beijarmos. – fechei os olhos, recordando a primeira vez em que aconteceu.  – por que você acha que fui embora? Eu não estava preparado para aquilo.

-Aquilo o quê? – perguntei em um fiapo de voz, zonza de um misto de nervosismo e tesão. Jimin estava perto, falando frases bonitas e complexas... Era natural que eu me excitasse.

-A paixão, o desejo, o fogo. – ele tocou meu lábio inferior. – você.


Notas Finais


Beijocas!


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