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História House of Cards - Capítulo 22


Escrita por:


Notas do Autor


Ciao fiori!!!!
Nada mais justo do que postar o último capítulo logo no aniversário de 5 anos do melhor show de Bangtan que eu fui (e da minha vida): The Red Bullet 2015.07.31.
Obrigada à todos que acompanharam a fic e pelo carinho, sempre <3

Capítulo 22 - Love Story


Era um déjà vu em sua total literalidade.

Aquilo já havia acontecido.

Assim que voltamos do cinema, havia um sapato extra na entrada e a luz do hall estava acesa. Jimin me encarou, provavelmente querendo saber se eu estava irritada.

-Acho que sua mãe chegou. – murmurei.

-Eu imagino que sim. – ele assentiu. – parece que ela gosta dessa entrada dramática.

Eu não me atrevi a concordar em voz alta, porque não gostaria que Jimin fizesse comentários ácidos sobre os meus pais. Entretanto, meus pais não eram criaturas enviadas do Inferno para atormentar meros mortais.

-Você vai ficar aqui parado ou vai recebê-la? – ergui uma sobrancelha.

-Nós vamos. – ele segurou minha mão.

A mãe de Jimin estava sentada no nosso sofá, como se o apartamento todo fosse dela. Eu respirei fundo, tentando não sentir raiva apenas pela existência da mulher. Nós havíamos começado errado e de nada adiantaria continuar assim, afinal, ninguém quer entrar em uma família já causando desavenças. Então, forcei o meu melhor sorriso e segui em frente. Jimin falou em coreano e a mulher se virou. Eu imaginei a cena de Psicose, quando a mãe de Norman se vira na cadeira, mas resolvi ficar quieta, porque precisava me esforçar para não criar um caso e não aborrecer Jimin.

-Marie. – era a primeira vez que eu a ouvia falar meu nome.

-Sra. Park. – eu fiz uma reverência.

-Desculpe chegar de surpresa, mas tentei avisar ao Jimin e o celular estava desligado.

-Sem problemas. Por favor, fique à vontade. – sinalizei o sofá. – vou preparar um chá.

Saí antes que ela pudesse dizer outra coisa. Abri o armário com ervas e escolhi um chá de camomila e lavanda. Eu separei três xícaras e esperei quietamente. Não queria atrapalhar a conversa dos dois, e também não queria fazer Jimin ficar traduzindo cada palavra para que eu não me sentisse excluída. Quando o ruído de vozes cessou, peguei a bandeja e voltei para a sala. Haeun estava sentada e Jimin deitado com a cabeça em seu colo.

-É um chá relaxante, afinal, a senhora deve estar cansada da viagem. – comentei e servi a primeira xícara, enquanto Jimin falava algo para a mãe.

Haeun olhou para mim e aceitou a bebida, então fez uma coisa estranha: sorriu. Não aquele sorriso cínico e cheio de superioridade, mas um sorriso caloroso que a fazia parecer uma avó divertida. Um sorriso que lembrava meus pais e me deu saudades deles. Sem jeito, sorri em resposta, mas muito mais forçada do que confortável.

-Obrigada por cuidar de Jimin. – ela falou em seu inglês carregado.

-É o mínimo que eu poderia fazer. – comentei sem saber exatamente como responder.

-Eu gostaria de me desculpar pelo jeito que a tratei. – oh, aquilo sim foi estranho. – acho que estava tão obcecada com a ideia de Jimin em uma família influente que não pensei no que ele realmente gostaria. – ela deu um toque no ombro dele, que se levantou e me lançou uma piscadela antes de sumir para o corredor. – Jimin é meu único filho, sabe? Eu só quero o melhor para ele. E o pobrezinho ficou tão desnorteado quando você foi sequestrada, parecia que o mundo tinha acabado. Quando eu vi tudo acontecendo, finalmente consegui entender que você e ele se amam e não há nada que eu possa fazer quanto a isso... E nem quero. Respeito o amor, porque é o mínimo que meu filho merece.

Senti o impacto das palavras, mas não soube responder. Ela queria que eu dissesse o que? Que mesmo se ainda insistisse em nos separar eu não iria embora? Que não imaginava um futuro sem Jimin? Que a perdoava e seríamos as melhores amigas do mundo?

-Entendo que talvez você ainda se sinta desconfortável comigo, mas gostaria de pedir para que tentássemos criar um vínculo daqui para frente.

-Se a senhora... – pigarreei, incerta. – se a senhora me permitir falar uma coisinha antes.

-Claro, por favor, diga. – ela assentiu.

-Eu não acreditava no amor até seu filho. Posso não ser a mais qualificada para o cargo de esposa, porém o amo até minha última célula e moveria montanhas por ele. – fui sincera. Se estávamos lavando os panos, então que fosse direito. – infelizmente criei certa relutância quanto à senhora, mas Jimin a ama e seria infantilidade minha não perdoá-la. Acho que ambos começamos de uma maneira errada. – estiquei a mão direita, um gesto completamente normal para os ocidentais. – sou Maria Chiara, prazer.

-Park Haeun. – ela apertou minha mão. – é uma honra recebê-la em nossa família.

Dessa vez o sorriso cresceu natural. Claro que não me tornaria a confidente número um dela em uma noite, mas só de saber que o clima pesado acabaria, fiquei aliviada.

-Sra. Park, existe um impasse quanto ao casamento que eu gostaria de decidir com a senhora. – comentei ao tomar uma xícara de chá. Jimin ainda não voltara. – como moramos em Hong Kong, qual seria o melhor lugar para realizarmos a cerimônia? Porque minha família está na Itália e no Brasil, a dele, na Coréia.

-Vocês querem uma coisa mais íntima?

-Sim. – assenti. – como isso reduziria o número de convidados, pensei que fazer aqui não teria problema. É só uma suposição, ainda preciso ver com Jimin direito...

-Não se preocupe, onde decidirem é onde iremos.

-Obrigada. – sorri outra vez. – a senhora já se hospedou aqui? Quer comer alguma coisa?

-Não, não. Estou pensando em ir dormir...

-Tudo bem. – voltei a beber meu chá. – só a título de curiosidade, Sra. Park, o julgamento de Liu Le acontece depois de amanhã. – pigarrei. – Jimin precisará muito do seu apoio.

-Estarei aqui. – ela assentiu, se levantando. – apoiando vocês dois, Marie.

-Obrigada novamente.

Meus pais e irmãos queriam participar do julgamento, mas pedi que ficassem na Itália. Seria desnecessário causa ainda mais alvoroço... E se havia algo que os Ongarattos faziam bem era bagunça. Observei Haeun sumir pelo corredor e relaxei.

Tudo estava se encaixando.

●●●

Minha garganta estava seca e eu olhava para trás a cada segundo, buscando o rosto de Jimin. Havia prestado meu depoimento, o advogado e os detetives mostraram todas as provas e falaram a meu favor, porém nada conseguia me acalmar. Depois, foi a vez da discussão entre acusação e defesa. Meu medo era que Liu Le conseguisse dobrar o pessoal e saísse impune, mas, como as provas eram muito fortes, havia esperança.

-Obrigado pelos depoimentos, nós iremos nos reunir para tomar a decisão. – o juiz recolheu seus papéis e levantou-se.

-Vamos Marie, você precisa de um chá. – meu advogado tocou meu ombro.

Quando saímos, Jimin veio acompanhado de Mimi, Yoongi e Harry. O corredor estava com policiais a cada dois metros, o que diminuiu meu pânico por ficar perto de Liu Le.

-Hoseok levou mamãe para tomar um café, ela não estava se sentindo bem desde que você começou a depor. – Jimin me abraçou. – está conseguindo aguentar?

-Estou. – assenti, me aconchegando no abraço. – só com um pouco de medo, mesmo.

-Nada de ruim vai acontecer com você, Marie. Eu não vou deixar.

-Obrigada. – sorri fraco. – que tal se formos encontrar sua mãe?

-Tem certeza? – ele me encarou, desconfiado.

-Tenho sim. Ficar aqui não vai fazer com que eles decidam mais rápido, não é? Bo Chau e Rick estão lá dentro, mas Tzu foi designado para me acompanhar, então não tem problema se sairmos do corredor. – dei de ombros. – e um chá me acalmaria bastante.

-Chantagista. – Jimin beijou minha testa. – então vamos.

A cafeteria do fórum ficava no primeiro piso. Quando chegamos nele, eu olhei para a portaria, que estava abarrotada de jornalistas, pessoas e policiais. Antes de o júri começar, havia apenas um grupinho, mas agora, ela estava repleta de gente. Segurei a mão de Jimin com força, desconfortável pela atenção.

-Pare de pensar nisso. – ele sussurrou. – eu sei que é difícil, porém você precisa se distrair ou senão terá um ataque antes do final. – Jimin entrelaçou nossos dedos, deixando que seu polegar fizesse um carinho gostoso em mim. – tenho uma surpresa para você, se tudo der certo. – isso capitou minha atenção, fazendo com que eu o olhasse.

-Que surpresa? – perguntei como uma criança.

-Você verá... Se tudo der certo.

-Isso é cruel, Jimin. – fiz bico. – não se fala sobre uma surpresa se você não tem intenções de esclarecer as dúvidas alheias. E que papo é esse de "se tudo der certo"?

-A surpresa vai acontecer de qualquer modo, mas, se tudo der certo hoje, ela vai acontecer em um futuro bem próximo.

-Existem milhões de possibilidades para uma surpresa, amore, seja mais especifico.

-Não. – negou com um sorrisinho infantil. – senão perde a graça.

-Está sendo engraçado só para você. – rolei os olhos.

Nós nos sentamos com o pessoal. Mimi já havia pedido um chai gelado para mim, porque sabia que era o que eu gostaria de beber.

-Você mandou muito bem, Marie. – Yoongi segurou minha mão.

-Obrigada. – sorri fraco. – espero que o juiz também ache.

-Ele vai achar, pode ter certeza. As provas são praticamente incontestáveis. – Hoseok sorriu encorajador. – logo, logo estaremos livres desse caos.

-Que Buda te ouça, querido. – levei as mãos à testa, uma pose típica de reza budista.

 

Após duas horas, nós fomos chamados de volta à sala. Eu gelei de nervosismo, porém fiz o possível para aparentar calma. Como se as divindades quisessem testar meu autocontrole, o juiz só apareceu meia hora depois, com uma poker face de arrepiar. Por míseros segundos, senti toda a esperança se esvair.

-Boa tarde a todos. – ele ajeitou o terno e se sentou, então fizemos o mesmo. – as duas partes estão presentes, certo? – assentimos. – sendo assim, daremos prosseguimento ao Processo Número 009187234. – ele fez um breve resumo do julgamento e de nossos depoimentos, sempre dando espaço para que os advogados falassem uma coisinha ou outra. Jimin estava ao meu lado, a mão apertando firmemente minha perna, querendo me passar algum tipo de tranquilidade. – a senhora Chang Liu Le foi acusada de injúria, difamação, danos corporais graves, danos morais, sequestro e tentativa de homicídio qualificada. – eu arregalei os olhos, pois não sabia que danos morais e homicídio qualificado seriam incluídos. – neste caso, a promotoria apurou qualificadores 2, 4 e 5; estes sendo, tentativa de homicídio por meio torturante/cruel, crime cometido por vingança e uso de emboscada, respectivamente.

-É muita coisa. – sussurrei para Jimin e ele assentiu.

-Mediante evidências e testemunhas, declaro Chang Liu Le culpada de todas as acusações. A sentença emitida é de prisão perpétua sem direito à condicional e indenização de HK$ 22,000. – ele anunciou, batendo com seu martelinho.

Meu coração subiu a boca. Prisão perpétua! O mundo começou a se mexer de forma esquisita, como se um peso saísse de minhas costas e a gravidade torna-se nula.

-Conseguimos. – Jimin me puxou para um abraço, que eu retribuí automaticamente.

Recebi abraços de meus amigos e dos delegados, enquanto o juiz sorria contente para a pasta do processo, fechando-o. Apesar da euforia, eu sentia uma pequena vontade de chorar pelo excesso de emoções. Mas não tive tempo.

-Jimin? Vocês ainda não saíram? – Sra. Park perguntou brava.

-Desculpe mãe, Bo Chau ainda não apareceu e... Ah, lá está ele. Vem, Ma. – puxando minha mão, Jimin me levou até a porta.

-O que vocês estão aprontando? Por que estamos indo embora? – ergui uma sobrancelha.

-Faz parte da surpresa. Sh, vem logo, Ma.

Fiquei ainda mais desconfiada quando Bo Chau entrou no carro conosco. Ele e Jimin ficavam conversando sobre assuntos aleatórios e o delegado não desgrudava do celular. Jimin estacionou fora do prédio e apenas ele desceu.

-Vocês têm trinta e cinco minutos. – Bo gritou da janela.

-Jimin, que diabos está acontecendo?

-Precisamos nos arrumar, linda. Tudo faz parte da surpresa, relaxa. – ele apertou nosso andar e se apoiou na parede do elevador, sorrindo tranquilo.

-Estou começando a me irritar muito com essa história de surpresa. – fui sincera. – como tenho que me vestir? Você pode ao menos dizer onde vamos?

-Vamos andar de barco. – Jimin respondeu prático.

Rolei os olhos, porque aquilo não sanava em nada minhas dúvidas. Decidida a ter minha surpresa o mais rápido que fosse, corri para o chuveiro enquanto pensava em uma roupa. Acabei optando por um vestido com um cardigã grande e quentinho (caso esfriasse). Resolvi passar uma maquiagem clara, porque (provavelmente) Jimin estaria organizando um jantar romântico e eu deveria estar bonita para a ocasião. Quando terminei, o encontrei na sala, vestido com uma calça camelo e uma de suas inúmeras camisas brancas de linho. Ele parou de mexer no celular e me encarou, sorrindo.

-Sei belíssima, amore. – eu soltei uma risadinha pelo italiano.

-Ainda bem que você reconhece! Gastei muita energia me arrumando rápido.

-Vai gastar muito mais durante a noite. – ele piscou. – vem, temos um passeio a fazer.

Bo Chau nos levou até o porto de Victoria, na ala dos iates particulares. Eu nem tive que fingir encanto, porque adorava iates e adorava ainda mais iates de gente rica.

-Bom, pombinhos, até amanhã. – Bo Chau sorriu.

-Amanhã? – olhei para Jimin.

-Faz parte da surpresa. – ele deu de ombros. – obrigado cara, por tudo.

-Que isso, Jimin. Foi um prazer! – os dois fizeram um toquinho.

Jimin me guiou para dentro do barco enquanto Bo Chau desfazia a corda que ancorava ele ao porto. Enquanto eu inspecionava o local, Jimin pilotou até ficarmos entre Kowloon e Central; descobri, na ala superior, uma mesa posta cheia de velas, pétalas e dois pratos tampados. Sabia. Era um jantar romântico!

Aproveitei a brisa marítima e olhei para Hong Kong, imensamente satisfeita por estar ali, naquele exato momento. Agradeci, de coração, a todas as divindades possíveis pelo dia que tivemos, pela vitória no julgamento e pelo fim de um pesadelo.

-Champanhe? – ouvi a voz de Jimin.

-Uau, até isso? – sorri. – não posso negar uma taça.

-Eu imaginei que se tudo desse errado, você iria querer ficar sozinha e acalmar a cabeça; mas, se tudo desse certo, você gostaria de comemorar. – ele começou. – então, achei legal se pudéssemos sair de Hong Kong, mas ficar em Hong Kong, entende?

-Você é exatamente meu número, Jimin. – assenti. – me sinto mal de não ter pensado em nenhuma surpresa para você, afinal, o afetado não foi só eu.

-Por favor, não se sinta. – ele abanou uma mão, me oferecendo a taça. – esse fim de dia é só nosso. Esquece tudo o que estava lá fora e se concentra aqui.

-Como você conseguiu essa proeza?

-Você ficaria impressionada com o filme de amor que eu e Harry escreveríamos juntos se pudéssemos. Minha mente brilhante com a dele dá muito certo.

-Pobre Mimi. – ri. – ela está perdida nas mãos dele.

-Tomara, linda, tomara. – nós brindamos. – a nós dois.

-A nós dois. – sorri e tomei um gole.

-Agora vem a melhor parte: a comida. Você está com fome, né?

-Claro! Quando passa o caos eu fico uma draga.

Jimin deu um sorriso encantador, com um pingo de malicia. Eu rolei os olhos, divertida, e me sentei à mesa. Ele ligou o som e uma melodia suave, como Nocturno – Chopin, preencheu o ambiente, contrastando com o barulho das ondas. O sol começava a descer e o céu estava em um tom alaranjado maravilhoso.

-Ah... Jimin? – o chamei ao notar uma coisa estranha na mesa. – não temos talheres.

-Que bobeira a minha. – ele deu um tapinha na testa, aumentando o sorriso. – vou buscar, espera só um pouquinho. – se virando, faltou alto. – nada de espionar, hein!

-Quantos anos você acha que eu tenho? – retruquei.

Jimin voltou em menos de cinco segundos. Ele se aproximou e retirou o cloche do prato, me matando de susto. Meus olhos se arregalaram na mesma proporção que meu rosto corou. Soltando uma risadinha, ele esticou uma caneta a minha frente.

-Só falta você. – sussurrou.

Certidão de Casamento – Região Administrativa Especial de Hong Kong

E o nome dele assinado onde o marido deveria escrever.

-Você não existe! – gaguejei, tremendo da cabeça aos pés. – essa era minha surpresa?

-Era. – Jimin assentiu.  – fiz bem?

-Você me estragou para todos os outros, Jimin. – senti os olhos marejarem.

-Aceito a responsabilidade, afinal, não vão existir outros.

Eu ri, incrédula, enquanto assinava meu nome com a mesma confiança que usei para beijá-lo após jogar a caneta na bandeja.

-Parabéns aos noivos. – ele murmurou contra minha boca, beijando-me outra vez.


Notas Finais


Beijocas!


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