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História House of Memories - Capítulo 1


Escrita por: FuckingSwen

Notas do Autor


Olha quem voltou com mais uma one! E talvez tenha mais umas 3 vindo depois dessa kkkkk

Enfim, algumas ideias acabaram vindo a minha mente e pensei em colocá-las no papel. Como não muito futuramente estarei me aposentando das fanfics, vou aproveitar para escrever o que der vontade.

Sobre More Beautiful: ainda não sentei para escrever o próximo cap, mas quem sabe semana que vem eu não consiga finalmente fazer isso :)

Espero que gostem! Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


“Then will you remember me in the same way

As I remember you?”

 

    — Sente falta do passado? — a morena foi pega de surpresa pela súbita questão. Kara retornou a sua posição inicial ao lado da outra, sentando por sobre as pernas e puxando a barra da camiseta, brincando com o fio que se soltava da costura — digo, da Terra 38, do mundo antes da crise. Antes de tudo mudar — timidamente encarou-a e Lena arqueou a sobrancelha, considerando qual seria a resposta apropriada para aquilo. 

    Nunca havia realmente parado para pesar as trágicas mudanças que a crise trouxe para sua vida, apesar de senti-las diariamente, a cada tiquetaquear do relógio. A essas horas, a Lena 38 estaria provavelmente na L-Corp, a cabeça enfiada em milhões de pilhas de papéis, contratos e inutilmente tentando finalizar antes de ver o sol nascer no horizonte e só restar tempo para ir para casa tomar banho, comer e voltar para cumprir outro dia como CEO. Sua secretária lhe entregaria a agenda do dia, lhe avisaria sobre as reuniões com os sócios e outros fornecedores. Kara, caso fosse considerar sua rotina pré desastre, que foi exatamente no que sua vida se tornou ao ter a melhor amiga se debulhando em lágrimas a sua frente, enquanto contava sobre sua identidade secreta, então sim, apareceria para o almoço — sem avisar, como sempre — e usaria de desculpa o fato de que sabia que ela esquecia-se de se alimentar com frequência. 

    Era um pouco irônico e ao mesmo tempo triste pensar que nada daquilo existia. Sua posição de CFO foi abandonada após perceber que aquela guerra entre ela e seu irmão jamais acabaria, ou que a única forma de finalizá-la de uma vez por todas, seria um deles abrindo mão ou morrendo. E morrer não estava nos seus planos. A L-Corp voltou a ser Luthor-Corp, com Lex Luthor sendo o CEO, sua mãe estando numa posição de sócia majoritária, como costumava ser antes, o sobrenome não tinha tanto peso e talvez essa fosse uma das poucas vantagens que a Terra Prime lhe oferecesse, em troca de tirar todas as suas conquistas e colocá-las nas mãos da pessoa que mais odiava no mundo. 

    — Às vezes — deu de ombros, dando uma última colherada na torta de chocolate que comprou para a sobremesa — sinto falta do meu trabalho, por mais absurdo que isso soe, afinal eu nunca quis realmente me tornar a CEO de uma empresa e acabei tendo que assumir quando menos esperava — riu, inclinando-se para deixar o prato sobre a mesa de centro e então recostou-se de volta no sofá. Kara aproveitou a deixa para mover-se para mais perto, agora colocando as pernas sobre as da outra e, deitando a cabeça no estofado, sorriu empática — acho que sinto mais falta da segurança que a rotina me trazia, do que do trabalho em si. Hoje eu não tenho muito controle do que vou fazer no dia seguinte e isso me assusta. 

    — Agora você é exclusiva da Torre, dos super amigos! — brincou, arrancando uma risada gostosa da melhor amiga — mesmo eu não gostando de dividir — fez um enorme bico, um que Lena achava adorável. 

    — Sinto falta de algo meu — continuou, ignorando o olhar inquisitivo e intenso que a loira cravou em si, ignorando as dúvidas que pairavam sobre si como nuvens, preste a chover perguntas para as quais não tinha certeza se queria obter a resposta — quando acordei no pós crise, pensei… bom, pensei que seria muito pior do que realmente foi e a primeira coisa que quis fazer foi te procurar, mas eu lembrava de tudo. Lembrava das suas palavras, dos meus planos, da minha dor e então não tive muito para onde ir — suspirou e de repente sentiu uma mão quente entrelaçar-se a sua, carinhosamente — queria ter ido procurar a minha melhor amiga Kara, mas então me lembrei que ela era a Supergirl e que jamais seria amiga de uma Luthor, principalmente depois de Lex ter conseguido o que queria com o Monitor, depois de ter mudado absolutamente toda a nossa realidade ao seu bel prazer. 

    — Oh — piscou algumas vezes, como se tal ato pudesse ajudá-la a processar melhor toda aquela nova informação — Lena, eu não sabia…

    — Daí então você apareceu… — a encarou, o fôlego preso na garganta ao se deparar com a imensidão daquele vasto oceano a sua frente, contido na íris azulada da mulher que aprendeu a amar durante todos aqueles anos. 

    — Como Supergirl e não Kara — grunhiu, chateada e desapontada consigo mesma — me desculpe. Você precisava de uma amiga e eu… droga, Lena. Me perdoe — levou a mão dela até seus lábios e depositou um breve beijo ali, marcando sua pele para sempre. 

    A Luthor engoliu o ar para dentro dos pulmões e eles protestaram em dor, a fazendo engasgar com todos os outros sentimentos que fizeram o caminho inverso juntamente com o oxigênio. Ultimamente seus dias vinham terminando assim: um jantar simples na Torre ou no apartamento da kryptoniana, elas assistiam algum filme, conversavam até tarde e então iriam para o quarto, onde trocariam de roupa, fariam a higiene pessoal e se deitariam juntas, com Kara inventando as desculpas mais esfarrapadas possíveis para conseguir dormir abraçada na outra. Havia momentos onde Lena se pegava imaginando uma vida exatamente assim, onde o status de seu relacionamento com a outra não se limitasse apenas a amizade. 

Onde os beijos fossem dados em seus lábios, as roupas não se fizessem necessárias e o fôlego perdido seria pelas noites onde mergulhariam uma na outra, conhecendo seus corpos e se dando prazer. 

E era por isso que sabia que uma hora ou outra, teria que voltar para o vazio de seu apartamento abandonado — não se recordava sequer da última vez que dormiu lá — e enfrentar seus fantasmas sozinha. Mais uma vez. 

    — Tudo bem — afirmou. Estava sendo sincera — nós temos uma a outra de novo e no fim tudo foi resolvido. 

    — Mesmo assim, eu podia ter reparado antes, ter agido diferente — murmurou ressentida por coisas que não tinha o poder de mudar, infelizmente — nunca parei para pensar no quão difícil foi para você. Fiquei brava por saber que Lex tinha realmente conseguido o que queria, principalmente porque desde o início, quando o Monitor manteve somente a mim e os outros heróis, minha maior surpresa foi ver que ele havia sido escolhido e não você — passou a brincar com os dedos da amiga — tinha que ter sido você. E aceitar o contrário foi extremamente doloroso, ao ponto de… ugh, deixa para lá…

    —  Ei, querida — chamou-a, seu tom melódico atingindo em cheio o coração da heroína — olhe para mim — ela o fez — o que passou, passou. Nós estamos aqui e é o que importa. 

    — Tem razão — suspirou, seus olhos caindo sobre os lábios rosados de Lena. 

    Um silêncio gritante inundou a sala, ao passo que as batidas de dois corações desesperados escreviam nos papéis de parede as palavras nunca proferidas em voz alta, tornando-os testemunhas oniscientes e silenciosas de um amor que se levantava vagarosamente. 

    De repente, a loira riu e então franziu o cenho, debatendo consigo mesma mentalmente. 

    — Do que está rindo? — apoiou o cotovelo no topo do sofá e deitou a cabeça numa das mãos. Ambas agora frente a frente, Kara ainda mantendo refém a outra mão da amiga. 

    — Já quis saber como nos conhecemos aqui, ou como viramos amigas, como é a nossa dinâmica nessa Terra? Digo… — pigarreou — não tem curiosidade de ir atrás?

    — Não… — Lena respondeu de imediato, se questionando em seguida dos porquês. Como nunca pensou nisso antes? Claro, as memórias da Terra 38 eram tão vivas e claras ainda para ela, dificultando as outras de saírem da caixinha onde foram enfiadas e enxotadas para o campo do esquecimento. Mas mesmo assim, como pode deixar sua dor falar mais alto? — acabei só aceitando que trabalhávamos juntas, com Lex e Lillian. Porém não cogitei a ideia de saber o que mudou entre nós, afinal eu ainda estava… 

    — Chateada comigo, eu sei — suspirou tristemente e em seguida afastou tais pensamentos para longe — lembro quando decidi que ia contar meu segredo para você, assim que acordei nessa realidade e então Alex me disse que nós éramos… qual foi a palavra… parceiras! — disse contente — uh, mas ela usou um tom diferente e por isso fiquei curiosa. 

    — Como assim um tom diferente? — a outra encolheu os ombros. 

    — Eu não sei! — se defendeu, mesmo sem ter sido atacada. Culparia aquele par de sobrancelhas intimidantes que arquearam para ela — ugh, Alex só meio que ficou um pouco receosa com o meu plano de te falar a verdade, como se isso fosse arruinar alguma coisa importante. Mas quando cheguei na L-Corp você já sabia, então não descobri o que era. 

    — Hmm — murmurou pensativa — talvez devêssemos ir atrás, agora fiquei interessada também. 

    — Amanhã J’onn disse que não precisa de nós na Torre e que podemos tirar o dia de folga, o que acha de irmos brincar de detetives? — a outra gargalhou e rolou os olhos — qual é, vai ser divertido!

    — Claro que vai, qualquer coisa ao seu lado sempre é — cutucou uma das bochechas da heroína, recebendo um sorriso largo e radiante em troca — amanhã então levantamos cedo e vamos às buscas para conhecer a Lena e Kara desta Terra. 

    — Fechado! — comemorou, puxando a outra consigo para se deitar no sofá e abrindo espaço para que Lena se encaixasse entre ela e o estofado. A Luthor sequer protestou, jamais iria negar ficar abraçada na melhor amiga, por quem estava perdidamente apaixonada, até que adormecesse e fosse carregada para a cama — agora… a gente tem que acordar cedo mesmo? — choramingou e sentiu dedos gelados cutucarem sua barriga — ei!

    — Não precisa ser tão cedo, boba — moveu-se um pouco mais, procurando uma posição confortável e a encontrou quando pode descansar a cabeça debaixo do pescoço da outra, agarrando seu corpo esguio e musculoso com possessividade e inalando o doce aroma de seu perfume até que ficasse cravado na carne de sua alma. Kara relaxou ao ter a respiração quente de Lena tão perto e fazendo toda sua pele se arrepiar. Elas entrelaçaram as pernas e imergiram naquela calorosa sensação de pertencer — o que vamos assistir?

    — Pensei em deixar Friends rolar até você apagar e eu ter que te carregar para o quarto — sugeriu presunçosa, um meio sorriso malicioso cortando seus lábios. 

    — Minha heroína — sussurrou, beijando a linha da mandíbula da outra — o que seria de mim sem você — riu. 

    Kara sequer teve condições de responder a altura. 

    ***

    Na manhã seguinte, como combinado, a Luthor e a kryptoniana saíram em busca da história delas mesmas, de sua amizade. Começaram primeiro pelo próprio apartamento da Kara, pois ela havia dito com toda convicção do mundo que, se eram tão próximas como no passado, com certeza haveriam fotos, recordações e até mesmo algo escrito no diário dela. Todavia, nada foi encontrado, o que talvez tenha deixado não só Lena um pouco aborrecida e preocupada com o status de seu relacionamento com a amiga, mas também a outra não pode acreditar que seu eu não manteria nada referente a sua melhor amiga em lugar nenhum daqueles cômodos. A única coisa encontrada foi uma foto antiga, do primeiro ano em que se conheceram e tal porta retrato já estava lá antes da crise, então não contava como vitória. 

    O próximo passo foi ir até o apartamento de Lena, onde a mesma afirmou que não encontrariam nada além de poeira, solidão e algumas garrafas de uísque abandonadas. Não era segredo para ninguém que as duas praticamente moravam juntas, mesmo não tendo conversado sobre, ou chegado aquela decisão depois de considerarem os prós e contras. Não, Lena simplesmente começou a levar suas coisas pouco a pouco. E pouco a pouco Kara foi encontrando espaço em suas gavetas, seu armário, no pote de escova de dente em cima da pia, ou na estante do box onde ficavam seus shampoos. Foi natural e nenhuma delas queria tocar naquele tópico sensível, pois tinham medo que desmoronasse sobre suas cabeças. 

    Dito e feito: não havia nada lá para ser visto, encontrado. A sala em tons brancos tediosos e vazios ornava não só com os móveis da mesma cor, mas também com a gélida sensação que abraçou a alma de Lena tão de repente. Como pode morar por tanto tempo ali sem jamais notar o quão deprimente era um lugar cujas paredes não guardavam nenhuma memória sequer? Era como se toda a alegria tivesse sido sugada para fora daqueles cômodos, restando somente a dura realidade de que esteve só até encontrar alguém que trouxesse o verdadeiro significado de lar para a sua vida. 

    — Tem tanto tempo que não volto aqui, me esqueci como é grande e frio do lado de dentro — comentou mais para si mesma, do que para a loira concentrada em algo aleatório do outro lado da sala — não vamos encontrar o que procuramos. 

    — Olha! Achei uma foto nossa daquele dia que fomos ao zoológico! — exclamou como quem tivesse encontrado o pote de outro no final do arco íris — que saudade de ver os pinguins — fez um beicinho meigo, um que fez Lena ter a urgência de desfazer com um beijo. O que ela, obviamente, não o fez — podíamos voltar lá de novo. 

    — É uma ótima ideia — concordou, indo até onde estava e então encarando o porta retrato. O único que jazia na estante — Kara. 

    A kryptoniana virou o rosto imediatamente e murmurou:

    — Hum. 

    — Tem algo muito estranho — ela franziu a testa, ajeitando o óculos sobre o nariz e colocando o objeto em cima da marca onde a poeira não havia encostado. 

    — Como assim?

    — Não acha… incomum que sejamos parceiras nesta Terra, levando em conta a teoria que somos tão próximas como éramos na outra realidade, e não tenhamos mais recordações em nossos apartamentos? — arqueou a sobrancelha — não que no meu caso faça qualquer diferença, mas no seu… quero dizer, não estou assumindo que porque somos melhores amigas então você obrigatoriamente teria que ter fotos nossas espalhadas em seu apartamento, mas…

    — Olhe só quem está divagando — provocou, recebendo um tapa no braço. Gargalhou alto com aquela reação espontânea. 

    — Estou tentando provar um ponto aqui! Pode me levar a sério ou não, Kara Zor-El? — bufou, fingindo estar brava. Isso estava longe de ser verdade.

    — Claro, claro — riu — e entendi o que quer dizer. Também fiquei… desapontada, eu acho? Comigo mesma, por não ter mais de nós no meu apartamento e mesmo que você não seja do tipo de manter porta retratos espalhados aqui, ainda sim me soa… esquisito. 

    — Talvez devêssemos ir mais a fundo nesta história — sugeriu, a outra entrando no modo jornalista investigativa no mesmo instante — talvez Lex tenha mudado mais do que isso, afinal ele me contou que me manteve na mansão Luthor durante um tempo — desacordada, sendo drogada contra sua vontade até ele a trazer de volta para cá, quis adicionar. Porém Kara já tinha consciência daquilo e sempre acabava num estado de nervos e completa fúria ao se lembrar, por isso ela evitava entrar no assunto. 

    — Não me lembre — rosnou, suspirando pesadamente e cruzando os braços na defensiva. Lena sorriu carinhosamente e pousou as mãos sobre os ombros da amiga, deslizando até chegar no antebraço e ali permanecer — odeio saber o que ele fez contigo. 

    — Eu sei, querida — num ato impulsivo, beijou sua bochecha e a forma como o brilho nos seus olhos azuis favoritos se intensificou foi o suficiente para que o rebuliço em seu estômago aumentasse drasticamente. Havia uma comunidade inteira de borboletas fazendo morada ali — mas passou. Agora estamos tentando descobrir sobre outra parte do passado. 

    — Okay, você tem razão — assentiu, descruzou os braços e sorriu um pouco sem graça — você sempre tem. 

    — Eu sempre tenho — piscou divertida — vamos sair daqui e ir almoçar, o que acha?

    Um ronco alto e estrondoso respondeu pela loira. 

    E suas bochechas, uma ainda com a marca do beijo, coraram na mesma cor do batom. 

    — Uh, estou faminta! — disse em sua defesa. Lena gargalhou e o mero som que saiu de seus lábios fez o coração da outra dar uma cambalhota no peito. 

    Rao, amava aquela risada. 

    — E quando não está?

    Guiou ambas pela mão até a porta e a trancou assim que pisou no corredor. No caminho até o térreo, dentro do elevador, Kara teve uma súbita ideia que poderia mudar o rumo daquela busca e facilitar a jornada até o fim daquele mistério. 

    — Sei como podemos achar respostas de uma maneira mais rápida — foi o que proclamou assim que o toque indicou que as portas se abririam. 

    ***

    De barriga cheia e totalmente satisfeita após devorar nada menos que uma pilha de batatas fritas e um prato de macarrão, a kryptoniana avisou que a próxima parada seria a CatCo e Lena não discordou, confiando piamente que a melhor amiga tinha alguma ideia genial para a resolução daquele problema que nem era tão sério assim. Estava servindo mais de distração do que qualquer outra coisa. Pensou que talvez Alex pudesse auxiliá-las em algo, talvez se lembrasse ou tivesse algum vislumbre do passado delas juntas, no entanto, com as memórias da Terra 38 restauradas, era muito improvável que fosse recordar de qualquer detalhe, principalmente referente ao seu relacionamento com a irmã mais nova dela. 

    Como era feriado nacional, poucos estavam trabalhando na maior empresa de multimídia de National City. Apenas alguns azarados tiveram que comparecer para cumprir seus afazeres, enquanto outros curtiam a tarde com suas respectivas famílias, ou em algum lugar perto da praia. 

    Nem mesmo Andrea Rojas estava presente, deixando a responsabilidade nas mãos de suas duas assistentes. 

    — Pensei que poderia rastrear alguns emails, correio e coisas que possam nos dar qualquer dica do porquê não termos tanto vínculo com nossos apartamentos — comentou enquanto digitava rapidamente no seu laptop, com Lena parada atrás de si a acompanhando no raciocínio — reparei também que não tenho muitas fotos  da Alex, o que é impossível já que eu sempre tive várias e não seria doida de jogar fora, ou guardar — continuou — talvez tenha algum noticiário, entrevista minha e sua, qualquer coisa literalmente que nos leve a uma e… ahá!

    — O que encontrou? — inclinou-se, apoiando as mãos na superfície da mesa — eu não me lembro dessa foto — apontou para a tela. 

    Na imagem um pouco borrada, ela e Kara estavam em algum lugar da costa da Califórnia, em frente a uma casa à beira da praia. Era claramente uma foto tirada por algum paparazzi e que estampou a capa de uma revista de fofoca que seguia a CatCo como fonte de suas mentiras infundadas. No texto, o colunista perguntava a seus leitores se eles tinham alguma opinião sobre a nova casa comprada pela irmã mais nova do cara mais importante da cidade e se isso significava que Kara Danvers — sim, estava escrito em negrito, com letras garrafais — finalmente obteria o que tanto almejava. Nenhuma delas tinha sequer noção do que aquilo se tratava, no entanto encontraram mais alguns tablóides referente a seu relacionamento. 

    — Parece, uh… — não sabia ao certo como falar, ou explicar — parece…

    — Que estavam especulando sobre nós duas — finalizou pela outra, que acenou concordando — mas não sei, o tom não é muito de…

    — Especulação — desta vez a Luthor assentiu — todas as matérias que dizem respeito a nós, ou falam sobre “o que Lena Luthor estava fazendo sozinha às dez da noite num restaurante”, ou perguntam “porque Kara Danvers nunca mudou seu sobrenome” — chacoalhou a cabeça e franziu o cenho — o que isso quer dizer, afinal? Porque eu mudaria meu nome? Nunca assumi minha identidade secreta nesta realidade, porque mudaria?

    — Não sei — deu de ombros, os pensamentos a mil por hora — nessa primeira capa aqui — tomou a liberdade de voltar para a primeira página — dá a entender que eu estava procurando por alguma casa, veja, eles até citam um corretor de imóveis. 

    — Hmmm, podemos ir atrás dele e perguntar sobre a casa de praia — era uma boa saída — nessa foto aqui aparece nós duas na frente dela e não sei… algo me diz que vamos encontrar algo lá. 

    — Como é mesmo o nome do corretor? — retirou o celular do bolso da calça e Kara logo jogou no google o nome do indivíduo. 

    — Leonard Bittner — achou uma foto do rapaz, era novo, nas casa dos trinta e tinha os cabelos castanhos — aqui está o telefone dele. 

    — Não conheço nenhum Leonard Bittner, mas suponho que se eu estive em contato com ele, provavelmente deveria saber quem era — ou pelo menos era o que pensava. 

    — Se era para ser uma compra secreta, talvez você não quisesse que fosse divulgado — comentou, a observando digitar o número e então colocar a ligação no viva voz. Não demorou mais que três chamadas para que fosse atendida. 

    — Senhorita Luthor, em que posso ajudá-la — a voz serena e amistosa só comprovou o fato de que sim, ele era alguém de confiança — há tempos que não tenho o prazer de receber uma ligação sua. Pretende adquirir mais um imóvel? Talvez uma casa de veraneio na Itália?

    Kara rolou os olhos para aquela interação, um pouco (ou muito) enciumada com a liberdade que aquele estranho achava que tinha com a sua melhor amiga. 

    — Senhor Bittner.

    — Leonard, por favor. 

    — Leonard — repetiu — queria saber se tem como me enviar a apólice de seguro da casa de praia que comprei com você em… — gesticulou para a outra, que rapidamente rolou as páginas da revista até encontrar a manchete de novo — sete meses atrás — uau, pensou consigo, era realmente muito recente. 

    — Claro, estou encaminhando agora para o seu email pessoal — respondeu — pronto. Espero que não esteja tendo problemas com a aquisição. 

    — E porque eu teria? — encarou Kara e ela fez uma careta confusa. 

    — Você explicitamente disse que não queria rastros desta compra e que também era para ser uma surpresa — explicou despretensioso — todavia, os motivos para tal privacidade não me foi compartilhada.

    Interessante. 

    — Obrigada por me enviar os documentos, se puder me mandar tudo referente a compra, eu agradeço — Bittner afirmou que iria e nem tentou arrancar qualquer informação de sua cliente, pois seu único trabalho era garantir que estivesse satisfeita, o restante não era da sua conta. 

    — Uh, ele mandou o email para mim — Kara sentiu o celular vibrar no bolso do casaco e o tirou. A notificação mostrava tanto nome como sobrenome do corretor. 

    — Como… — céus, que labirinto era aquele que tinham se enfiado — enfim, depois resolvemos essa parte. Abra o documento e ache o endereço. 

    E assim foi feito. 

    E o que mais surpreendeu a kryptoniana, não foi o fato de que a casa estava localizada em Midvale, não muito longe de onde Eliza morava e sim que o imóvel estava em seu nome. 

E se referia a ela como senhora Danvers, ao invés de senhorita. 

    ***

    Foi necessário uma hora e meia de viagem até a costa e mais quinze minutos até encontrarem a entrada que dava acesso a casa de praia. Kara lembrava-se perfeitamente de ter vindo ali algumas vezes com a irmã, onde os rochedos se encontravam com um paredão de areia e as ondas se quebravam ali durante a noite, quando o mar ficava agitado e na manhã seguinte, quando a maré baixava, ficava apenas uma piscina cristalina de corais e alguns peixinhos laranja. Alex sempre a impedia de querer colocá-los numa garrafa e levá-los para casa, com a desculpa de que iria cuidar deles. Foi uma das melhores épocas de sua vida, pois finalmente havia conquistado o coração da garota mais rabugenta da casa e elas passaram a ficar mais juntas, sair para tomar sorvete, ter quase o mesmo grupo de amigos. Eliza era eternamente grata pela paz que se instalou tão de repente na casa. 

    Irônico pensar que havia ganhado um de seus lugares favoritos como presente, mas soava tanto como algo que sua melhor amiga faria.

     Lena escutou a outra tagarelar sobre sua infância, rir enquanto contava sobre uma de suas aventuras que acabou em desastre, claro e, surpreendentemente, acabou concordando em terminar o dia na casa de sua mãe, já que tinham dirigido o caminho todo até Midvale. Quis tanto poder ter essa oportunidade de visitar sua mãe também, isso se Lillian tivesse assumido o papel maternal que lhe foi entregue numa noite de sábado, há mais de vinte anos,  sem qualquer aviso prévio. Entretanto, saber que alguém como Kara havia sido bem recebida por uma família que a amava e fez questão de cuidá-la com o apreço e atenção que merecia, fazia seu coração vibrar em felicidade. Era o mínimo que ela merecia. 

    Estacionou em frente ao que parecia ser uma varanda. Havia um balanço pendurado no canto esquerdo e um sofá ao centro, dois vasos de flores mortas, uma de cada lado do móvel, indicando que ninguém vinha ali desde… desde quando? Não tinha certeza. Ambas percorreram o caminho marcado por pedras brancas e foi só quando se depararam com a porta trancada, que pensaram sobre procurar uma chave. 

    — Bom, já que a casa é minha né — sorriu divertida, forçando a maçaneta um pouco mais para a direita até escutar um creck. 

    — A casa é sua, mas eu quem comprei, então por favor, não vamos quebrar mais nada — havia um tom de brincadeira em suas palavras misturado ao de seriedade que fez a loira querer rir e ao mesmo tempo tirar aquele sorriso malicioso de seus lábios — precisamos urgentemente mandar alguém vir limpar — foi a primeira coisa que veio a sua mente. 

    — Realmente — observou os móveis todos milimetricamente posicionados e minuciosamente escolhidos para combinar com toda a estética da decoração dos cômodos. A cozinha no bom e belo estilo americano tinha seus balcões e utensílios cobertos por poeira. As janelas trancadas não permitiam que o ar vindo de fora entrasse, o que criou uma atmosfera úmida do lado de dentro, por conta do oceano. O cheiro era tão denso que foi possível sentir o sabor do sal — olhe! — apontou para onde a televisão estava — meus porta-retratos! — correu até lá e acenou com eles na mão. 

    — Dois dos meus casacos estão aqui também — exclamou de dentro do closet ao lado da porta — meus sapatos que achei que tinha perdido, bolsas e acredito que o resto sejam suas coisas. 

    — Sério? — usou da super velocidade e o vento levantou uma onda de poeira assim que alcançou a amiga — Rao, esse lugar está imundo! — tossiu — oh, eu achei que tinha jogado isso fora — agachou e puxou uma caixa onde estavam seu diário, alguns desenhos, pincéis e tintas — fiquei uma semana vasculhando meu apartamento atrás disso — encarou a outra. 

    — Fico feliz que tenha encontrado — disse sincera, no entanto tudo sobre aquele ambiente, sobre a compra da casa, a mudança no pronome de tratamento no contrato, a estava deixando cada vez mais nervosa e não sabia mais se queria ou não descobrir a resposta. Seu cérebro ia, pouco a pouco, juntando as peças e ficava cada vez mais claro que, naquela realidade, ou ela e Kara eram muito mais próximas do que imaginava, o que em sua concepção era algo impossível, ou havia uma verdade dolorosa sobre o motivo por detrás daquele presente. 

    E se sua melhor amiga tivesse se casado e perdido essa pessoa? Então justificaria ela ter gasto tanto dinheiro num imóvel que aparentemente não usava. Explicaria também a mudança do “senhorita” para “senhora” antes do sobrenome Danvers. 

    Dan Brown costuma dizer que negação nada mais era que um mecanismo primitivo de autodefesa, que nega qualquer realidade estressante demais para o cérebro. Mas até nisso ela se negava a acreditar. 

    Em silêncio, ela assistiu a melhor amiga distraidamente organizar tudo novamente na pequena caixa e enfiar de volta no espaço entre os sapatos. Sapatos esses que também eram seus. Que estavam juntos com seus casacos. Com seus pertences. 

    Não. 

    Respirou fundo e contou até três. 

    Não seria possível, Kara nunca…

    — Vamos abrir aqueles armários ali — foi tirada de seus devaneios, sentindo uma mão puxar a sua até a sala de estar — Eliza costumava guardar alguns álbuns de fotografia num negócio parecido com esse. 

    — Rack. 

    — Isso — Lena riu e rolou os olhos, tomando um lugar no tapete, ao lado da outra, ao se sentar — hmmm, que tal esse?

    — Pode ser — assentiu e, ao começar a folhear as páginas plastificadas, as duas notaram que o álbum nada mais era que uma coleção das poucas fotos de infância que tanto Lena como Kara tinham, depois de terem sido adotadas. Haviam notas de rodapé supondo a data em que foram tiradas, post-its com comentários de ambas sobre o que se lembravam daquele dia e até mesmo figurinhas coladas ao redor — não sabia que Lillian tinha guardado isso. 

    — Porque acha que ela guardou? — perguntou, sem tirar os olhos de uma garotinha de longos cabelos negros e assustados olhos verdes, que segurava um ursinho de pelúcia nas mãos. 

    — Não sei, só sei que eu nunca guardei, então presumi que isso estivesse em algum canto do porão na mansão de meu pai, ou que tivesse sido queimado — explicou casualmente, como se a mera ideia de queimar fotos fosse algo corriqueiro na família Luthor — quanto anos tinha aqui?

    — Treze, foi logo quando cheguei na Terra — aproximou-se da outra, suas pernas agora se tocando — demorou quase seis meses para eu ter coragem de posar em frente a uma câmera de novo, o barulho do flash me deixou apavorada — riu de si mesma. 

    — Imagino que tudo tenha sido intimidante numa primeira impressão — tocou levemente seu braço, num afago terno. 

    — Sim, mas Eliza me ajudou bastante com isso e depois Alex também — Rao, sentia falta de estar com elas todos os dias — bom, quer escolher o próximo?

    A Luthor assentiu e tirou uma pasta grossa, de capa dura, do quadrado oco do rack. 

    — Isso parece… — a loira ajeitou o óculos — parece um álbum de casamento. 

    — É porque é um álbum de casamento — sussurrou, as letras em prateado do título gritando estridentemente contra ela. Seus dedos trêmulos só não estavam mais nervosos que seu próprio estado de pânico. 

    Um álbum de casamento. 

    — Abre logo! — insistiu, sequer se preocupando com o que aquilo poderia significar — Lena, você está bem? — percebeu como a outra ficou repentinamente mais pálida, quieta e seus batimentos cardíacos praticamente a impediam de escutar qualquer outro barulho — Lena. 

    — Kara e se… você não… — engoliu seco as lágrimas que forçavam seu caminho para fora. 

    — Hey, respire fundo — a envolveu num abraço desajeitado, com a amiga escondendo o rosto em seu pescoço, uma mania que tinha sempre que estava com medo — me fala o que está se passando nessa sua cabecinha de gênio, porque seu coração não está acompanhando muito bem — murmurou, se afastando somente para segurar o rosto dela numa das mãos. 

    — Olhe ao seu redor, Kara — fechou os olhos, não querendo encarar aquela realidade — eu comprei uma casa para você, mas você não mora sozinha nela — suspirou — nossas coisas estão todas aqui, fotos nossas por todos os cômodos que vimos até agora e…

    — Lena, olhe para mim — pediu, acariciando sua bochecha com o polegar — por favor. 

    — Não — meneou a cabeça, uma lágrima teimosa escorreu — os tablóides falam de nós duas como… como se não fôssemos só amigas, como… — pausou, retomando o fôlego e então abrindo os olhos — Kara e se…

    — Fôssemos casadas? Mais do que amigas? — mordeu o lábio inferior, desta vez escolhendo focar num ponto aleatório do álbum ainda fechado no colo da outra. 

    — Então… — franziu o cenho. Ela também tinha chegado a aquela conclusão e não falado nada. 

    — É… eu pensei sobre isso quando juntei a pergunta do sobrenome com o pronome de tratamento que usaram comigo no contrato da casa — a barra de sua camiseta subitamente se tornou interessante. Rao, estava tão nervosa — não é difícil, sabe? Quando se vem aqui e vê como sua vida poderia ter sido, ou era, antes de acordar e se lembrar de tudo o que não pode ter e viver, não é difícil notar que houve algo a mais entre nós duas. 

    — E por que não disse nada? Por que não me contou? — e então lá estava aquela intensidade imensurável lhe fitando como se todos os planetas orbitassem ao seu redor. Aquele límpido e cristalino azul engoliu sua alma de uma vez só.     

    — Porque… porque para mim fazia todo o sentido eu ter me casado contigo — confessou em voz alta — porque você é minha melhor amiga, a pessoa… uh, a pessoa que eu mais amo no mundo e consigo ver exatamente o porquê a Kara desta Terra escolheria você, dentre todas as outras pessoas, para ser sua parceira da vida — suspirou tristemente, se impedindo de chorar. Não queria chorar — mas não faz sentido algum alguém como você me escolher e por isso… por isso não disse nada. Quem sou eu para desejar tal coisa e ficar feliz em saber que o meu eu aqui fez o que eu nunca tive coragem de admitir. 

    — Oh Kara — sorriu compassiva, colocando as fotos de lado e se movendo para agora segurar o rosto da outra em suas mãos — em qualquer Terra, em qualquer realidade e qualquer versão de mim — enxugou a gotinha que rolou pela bochecha da amiga — sempre vai escolher você. Sempre, Kara. 

    — Mas…

    — Eu te amo — a interrompeu — e venho guardando isso há tanto tempo, por medo de te perder, medo das consequências e acho que a Lena e a Kara teriam muito a nos ensinar, e mesmo que não estejam mais aqui, figurativamente falando, nos deixaram memórias suficiente para nos ajudar a chegar onde chegamos. 

    — Elas são tão mais corajosas. A Kara daqui é muito mais forte e corajosa que eu — bufou. Lena tomou a liberdade para tirar seu óculos, o colocar no chão e voltar a segurar seu rosto — eu também te amo, Lena. Tanto. 

    Com aquela verdade finalmente livre, a Luthor inclinou-se o restante que faltava para anular todo e qualquer espaço que ainda as separava. Seus lábios selaram-se com os da kryptoniana num beijo doce, suave e repleto de outras tantas verdades que ainda viriam à tona, mas que podiam esperar mais um tempinho. Agora, tudo o que precisavam era sentir o sabor uma da outra, degustar a sensação de amar e ser amada, de saber que, por mais que não estivessem tão à frente naquele relacionamento como suas outras versões, ainda podiam escolher trilhar aquele caminho, caso fosse um desejo mútuo.  

    Kara se entregou de alma e coração para aquele ato, gemendo baixo ao sentir a língua da outra contornar seu lábio inferior e ela dar passagem. O mundo pareceu parar e a única gravidade capaz de mantê-la sem flutuar era a que emanava do corpo da mulher mais extraordinária que conhecia, e que a estava beijando com tanta paixão e sede quanto a sua. Suas mãos viajaram pelos braços dela até pousarem seu pescoço e irem para a nuca, onde passou a brincar com os novos fios negros de cabelo que nasciam. Antes que aquilo escalasse rapidamente para outra coisa, Lena quebrou o ato e respirou fundo, arfando quente e sôfrega sobre a boca da amiga. 

Não sabia ao certo quanto tempo haviam passado se beijando, só podia afirmar que durou o suficiente para ser inesquecível. 

— Sabe se a gente precisa se casar de novo ou vamos ir atrás do certificado de casamento já existente antes? — brincou e ambas riram. 

— Que tal darmos uma olhada no álbum primeiro e depois decidirmos o que vamos fazer? — Lena sugeriu e Kara fez um bico enorme, como de praxe. Mas dessa vez, a Luthor realizou seu sonho de desfazê-lo com um beijo e aquela liberdade fez seu estômago dançar — por mais que eu esteja desesperada para colocar uma aliança no seu dedo e acabar com toda a competição que tenho que enfrentar quando vamos ao bar alienígena, acho que podemos ir mais devagar, por enquanto. 

— Você está certa — concordou um pouco a contragosto. 

— E também quero perguntar a Alex o que ela já sabia, ter uma ou duas palavras com minha mãe — acrescentou — algo me diz que só nós não sabíamos desse casamento. 

Havia tanto ainda para cavar naquele mistério, principalmente sobre em qual momento do passado seus destinos se cruzaram, já que naquela Terra ela não precisou escapar de Metrópolis e ir para National City. 

— Okay, mas assim… isso significa que você pelo menos é minha namorada? — céus, como era fofa. 

— Kara, até onde sabemos, estamos casadas — pontuou espertamente. 

— Lena Luthor, minha querida esposa — a heroína se ajoelhou e segurou a mão esquerda da amiga, ou esposa — aceita ser minha namorada até nos casarmos de novo? 

Lena gargalhou e também se ajoelhou, e a beijou. 

— Só se você finalmente trocar seu sobrenome. 

— Sempre foi meu sonho ser uma Luthor — disse ao rir e selar seus lábios novamente. 

— Que assim seja, Kara Danvers Luthor. 

 


Notas Finais


Na minha cabeça isso é canon e só minha opinião importa. A cw que lute

Talvez essa onde peça uma continuação, não sei. Talvez sim, talvez não. Veremos!

Até a próxima e comentem o que acharam! (comentários são importantes, pois eu escrevo de graça hehe)


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