História House Of Wolves - Capítulo 28


Escrita por: ~

Postado
Categorias My Chemical Romance
Personagens Frank Iero, Gerard Way, Personagens Originais
Tags Frank Iero, Gerard Way, Mpreg
Visualizações 76
Palavras 12.467
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Amores da minha vida!!!!!

Eu sei, eu sei que tô sumida, que não respondi nenhum comentário do capítulo passado, mas é que o trabalho tá tão corrido, que eu não tive um dia de folga ainda. Escapei agora pra vir postar, porque sabe lá Deus quando eu ia conseguir de novo. Então não me abandonem, por favorzinho!

Bem, não quero dar spoilers mas recomendo um suco de maracujá e uns lenços antes de lerem esse capítulo.

A gente se vê lá embaixo!

Capítulo 28 - Amor Além da Vida


Fanfic / Fanfiction House Of Wolves - Capítulo 28 - Amor Além da Vida

JJ bufa, frustrada, enquanto desce as escadas de casa. A campainha e as constantes batidas na porta despertaram, não só seu sono, como todo seu mau humor. Esfregando o rosto, ela segue até a porta, imaginando quem é o degenerado que está batendo na porta da casa dos outros no meio da madrugada.

Abrindo a porta, ela de depara com Gerard.

- Urgh, qual o seu problema? O que você tem contra dormir? - ela pergunta, grunhindo.

- JJ... - Gerard começa, mas a jovem está irritada demais pra prestar atenção.

- É meio da madrugada, Gerard!

- Eu sei, mas eu preciso falar com o Frank.

- O Frank está dormindo, assim como eu estava. Não dava pra esperar até o sol nascer, pelo menos?

- Infelizmente não. Eu preciso falar com ele agora. E eu preciso falar com você! - de repente, algo no tom de voz do homem chama a atenção da jovem, e enfim, ela se permite prestar atenção nele.

Gerard está com uma expressão, ao mesmo tempo, ansiosa e consternada. Há uma urgência em sua voz e sua postura indica que algo está errado.

- O que houve? - ela pergunta, enfim.

--------------------------------

Com 28 semanas e alguns dias de gestação, tarefas simples, como levantar da cama, se tornaram um esforço hercúleo para Frank. Então, quando as primeiras batidas na porta e o som da campainha ressoaram pela casa, Frank deu graças a Deus ao ouvir a porta do quarto de JJ se abrir, ao mesmo tempo em que sentiu pena do pobre coitado que interrompeu o sono da jovem, libertando o Kraken.

Ainda deitado, Frank aguardou o som da porta do quarto de JJ se fechar, indicando que o ocorrido foi resolvido, mas nada aconteceu. Ele aguardou por 10 minutos, e nada. Erguendo o corpo e sentando-se na cama, ele tentou focar a audição, na tentativa de ouvir alguma coisa, mas sem sucesso. Foi então que sua curiosidade falou mais alto e ele resolveu checar o que estava acontecendo.

Dando graças a Deus por não ter ninguém por perto para testemunhar seu humilhante processo de se arrastar para fora da cama, Frank, enfim se pôs de pé. Desde que sua filha resolveu que a melhor posição no momento é a sentada, o peso de sua barriga parece ter dobrado, então, sempre que se levanta, o rapaz precisa de, pelo menos, alguns segundo para que seu corpo se ajuste ao peso causado pela mudança de posição.

Assim que sente que está pronto para se movimentar, Frank vai fazendo seu caminho, lentamente, até o primeiro andar da casa.

Chegando ao topo da escada, ele ouve vozes. Uma conversa. Bem baixa. Quase em sussurros. Conforme vai descendo os degraus, ele vai tendo acesso à entrada de sua casa. JJ está parada de costas para a escada, a porta ainda está aberta e ela conversa com um homem. Gerard? Não, a mente de Frank deve estar lhe pregando peças. Gerard não estaria aqui, no meio da madrugada, e conversando aos sussurros com JJ.

Mais dois degraus pra baixo e sua presença é notada pelo homem, que olha diretamente em sua direção, se relevando ser, de fato, Gerard. O que deixa Frank ainda mais confuso. JJ também nota sua presença e olha para trás. Há algo errado. A jovem mantém uma mão no peito e a outra cobrindo a boca. Seus olhos parecem vermelhos, mesmo de uma certa distância.

Gerard sussurra algo para ela novamente. JJ concorda com a cabeça e fecha a porta, enquanto Gerard avança na direção de Frank, que parou no pé na escada. Gerard se aproxima, põe as mãos nos ombros do rapaz, o guia até o sofá e o faz sentar-se. Frank sabe que há algo errado. Ele quer perguntar o que houve. Ele quer saber por que JJ parece estar chorando. Por que Gerard o olha com compaixão e pesar. Mas ele se sente incapaz de abrir a boca.

Ele olha para o lado e vê JJ se aproximar com uma garrafa de água na mão e sua bolsa de remédios, enquanto fala no telefone fixo. Ela entrega os dois para Gerard e se afasta. Frank a ouve soluçar. Ele sente a mão de Gerard em seu rosto, fazendo-o voltar sua atenção para o senador e o tirar de seu transe.

- Frank, amor... - Gerard fala, com a voz suave.

- O que... O que tá acontecendo?

- Meu príncipe, eu preciso conversar com você, e preciso que você preste muita atenção em mim.

- Eu estou, mas... - ele diz, girando a cabeça para buscar pela amiga. - Cadê a JJ? O que houve?

- A JJ está no telefone, ela vai voltar aqui em um minuto. - ele diz, e então toma uma das mãos do rapaz e coloca dois comprimidos nela. - Aqui, toma isso. Tem água aqui.

- Gerard, o que está acontecendo? Por que eu preciso tomar remédio? Onde diabos está a JJ? - ele pergunta, nervoso.

- Amor, eu juro que vou te explicar. Mas faz o que eu tô te pedindo primeiro, por favor. - pede Gerard, com toda calma do mundo. Ele observa Frank colocar os comprimidos na boca e tomar dois goles grandes de água.

- Pronto. - diz o rapaz, ansioso. - Agora me fala, o que tá acontecendo?

- Meu amor, há pouco menos de uma hora atrás a sua mãe ligou para o meu celular. - Gerard começa, e antes que Frank possa interrompê-lo, ele segura as duas mãos do rapaz e olha fundo em seus olhos. - Ela me disse que o seu avô sofreu um infarto.

- Quando? - pergunta Frank.

- No início da noite.

- Em que hospital ele está? Eu posso falar com ele? - diz Frank, de forma automática. - É melhor eu ir pra Jersey. Eles devem estar precisando de mim. - ele diz, e se levanta do sofá.

- Frank. - Gerard tenta chamar sua atenção.

- Você pode me levar pra casa? Eu preciso falar com o meu avô.

- Eu vou levar você e a JJ pra casa. Mas eu preciso que você me escute.

- Como isso aconteceu? Ele estava bem, estava tomando os remédios. Aposto que eram essas saídas misteriosas. Ele deve ter esquecido de tomar os remédios. Até agora ele não me disse o que anda aprontando. - Frank se agita e Gerard tenta contê-lo.

- Amor, se acalma e me ouve.

- Eu perguntei pra ele no domingo e ele desconversou. Mas agora ele vai ter que me dizer o que anda aprontando. Chega de mistérios. 

- Frank. - Gerard chama de novo, e dessa vez Frank o olha com os olhos marejados.

- Eu preciso falar com o meu avô, Gerard. Por favor. - ele pede, com uma súplica quase infantil. Os olhos de Gerard se enchem de lágrimas. Ele puxa o rapaz para um abraço.

- Eu sinto muito, amor. - ele aperta Frank contra o corpo. - Sua mãe disse que os médicos tentaram de tudo, mas ele não resistiu. Ele se foi, amor. Eu sinto muito.

Abraçado a Gerard, Frank sente como se o mundo tivesse parado de girar. Como se o planeta tivesse saído de órbita. Nada faz sentido. Ele ouve as palavras. Ele sente seu coração se apertar, seus pulmões se comprimirem, seus olhos marejarem. Mas nada faz sentido. É como se ele estivesse preso em outra dimensão, em mundos paralelos.

- Frankie... - a voz chorosa de JJ chama sua atenção, e ele sente seu corpo ser movimentado.

Ele não está mais envolvido pelos braços protetores de Gerard. O senador dá um passo pra atrás, permitindo a aproximação de JJ. A moça cruza os braços ao redor dele e enterra o rosto na curva de seu pescoço. O choro dela é alto, sofrido e compulsivo. Ele não se sente protegido nos braços de JJ. Ele sente necessidade de protegê-la, de abrigá-la, confortá-la.

- Nosso vô, Frankie... - a jovem chora, copiosamente. - Nosso vô.

- Eu vou ligar para o comandante e verificar em quanto tempo nosso avião ficará pronto, depois vou ligar para o Jason, para saber onde ele está. Com licença.

Após um bom tempo abraçados, JJ se afasta. A vermelhidão e inchaço em seu rosto contrastam com a palidez e apatia do rosto de Frank. Tentando controlar os soluços, ela limpa as lágrimas que continuam caindo. Ela prende os cabelos em um coque alto, respira fundo e abana o rosto, tentando recuperar a compostura.

- Você está bem? Precisa de alguma coisa? - ela pergunta, tentando parecer forte e segura, mas o tremor em sua voz a entrega.

- Eu tô bem. - diz Frank, de forma mecânica.

- Nós precisamos arrumar nossas coisas. A gente deve passar uns três dias em casa. Minhas coisas cabem numa mochila, eu sempre viajo com pouca coisa. Mas você vai precisar de uma bolsa maior, você sempre leva mais coisa do que eu. - ela diz, rápido demais para parecer natural, mas Frank não está prestando atenção. - E eu acho que vamos ter que levar o seu terno no cabide. O que você vai usar no... - ela interrompe o pensamento. - Gerard! - ela chama. O senador encerra a ligação e se aproxima.

- O Jason está virando o quarteirão. E eu acabei de falar com o comandante, o avião fica pronto em duas horas.

- Ótimo! Você fica com o Frank, enquanto eu arrumo as nossas coisas?

- Fico, claro! Mas você não prefere esperar o Jason chegar? Ele já está quase aqui. - ele pergunta, preocupado com a jovem.

- Não, eu prefiro ir adiantando logo as coisas. Eu tenho muito que fazer. Eu tenho as nossas bolsas para arrumar e ver mais o que a gente precisa levar. As pessoas costumam fazer comida, não é? A gente deveria preparar alguma coisa pra levar?

- Sim, as pessoas costumam levar comida, vocês não precisam preparar nada. - diz Gerard, enquanto coloca Frank sentado de volta no sofá, mas dividindo sua atenção com JJ.

- Talvez seja melhor passar em um mercado e comprar algumas coisas para levar pra casa.

- JJ, eu tenho certeza que a mãe de vocês tem tudo que precisa lá, e se estiver faltando alguma coisa, eu ou o Jason podemos providenciar.

- O Jason! Eu acabei de me lembrar. Ele tem clínica nesse final de semana. Eu falei com ele tão rápido, eu preciso avisar a ele que ele tem clínica, tem consultas. Ele vai precisar reagendar. - conforme as lágrimas ameaçam voltar, JJ vai parecendo mais desnorteada.

- Eu aposto que ele já resolveu isso, não se preocupe. - diz Gerard, dividido entre amparar JJ, que está perdendo a luta contra a compostura, e Frank, que parece em estado catatônico.

- Eu deveria estar fazendo mais alguma coisa, certo? Eu deveria estar fazendo mais alguma coisa. Eu deveria... - ela repete, olhando ao redor, parecendo sem rumo.

- JJ. JJ? - Gerard hesita, mas deixa Frank no sofá e se aproxima de JJ, chamando sua atenção. - Ei, olha pra mim. JJ, por favor, olha pra mim. - ele pede.

- Eu deveria... eu... eu... - ela balbucia, e, enfim, foca os olhos em Gerard. - Eu não sei o que fazer. - ela confessa, arrasada.

- Tudo bem. - Gerard se aproxima mais e toma uma das mãos da moça. - Está tudo bem.

- Eu quero ajudar, mas eu não sei como. - ela diz, caindo em lágrimas novamente.

- É pra isso que eu estou aqui. - ele diz, trazendo-a para um abraço. - Jason e eu estaremos aqui pra vocês e pra sua família. Vocês não estarão sozinhos. Okay? Eu prometo. - ele diz, esfregando as costas da moça, num gesto de conforto.

Algumas batidas são ouvidas e logo em seguida a porta de abre. Ainda abraçando JJ, Gerard olha para a entrada e vê Jason. Ele faz um gesto silencioso com a mão, pedindo para o médico se aproximar. Jason se apressa na direção dos dois e abre os braços, para acolher JJ, que se aconchega no peito do namorado. Jason e Gerard trocam um aceno de cabeça e o senador logo volta para perto de seu amado.

Ajoelhando-se na frente de Frank, Gerard toma as mãos do rapaz nas suas. O jovem permanece em choque, com o olhar perdido e marejado. Gerard beija as mãos do rapaz, chamando sua atenção.

- Eu estou bem aqui, meu amor. Okay? Eu não vou sair do seu lado, nem por um segundo. Tá me ouvindo? - ele diz, de forma suave, então senta-se ao lado de Frank e o puxa para seus braços.

--------------------------------

Mesmo sabendo que deveriam ir logo para New Jersey, nem Gerard e nem Jason se atrevem a apressar as coisas com Frank e JJ. Os dois homens cumprem perfeitamente os seus papeis como excelentes companheiros, confortando-os, consolando-os e lhes dando o tempo necessário para processarem sua dor. Apenas quando JJ indica estar mais estabilizada emocionalmente e declara o desejo de ir logo pra casa, é que as coisas começam a se movimentar dentro da residência.

Para otimizar o tempo e poupar Frank o máximo possível, Jason sugere que ele próprio arrume as coisas de JJ, enquanto a namorada arruma as coisas de Frank. O rapaz reclama de início, alegando estar se sentindo bem, mas Jason insiste que Frank permanecesse no sofá, sob a supervisão de Gerard, pois assim eles evitarão qualquer tipo de incidente. Sem condições emocionais para argumentar, Frank prefere acatar a sugestão do médico e ficar sob os cuidados de Gerard.

O senador se acomoda no sofá, trazendo Frank para se acomodar em seu peito. De tempos em tempo, o homem toma o pulso do jovem gestante entre os dedos, tentando medir sua pulsação de forma discreta, para que Frank não se sinta sufocado com excesso de zelo. Apesar de acelerado, Gerard já tem em mente o que Jason considera normal em Frank e o que ele considera como sinal de alerta.

Acariciando os cabelos do amado, Gerard sente impotente diante da tristeza que toma conta de Frank, e a forma como o rapaz está reagindo a tudo o preocupa. Frank permanece em silêncio, oscilando entre momentos de absoluta apatia e pequenas crises de choro silenciosas. Olhando para a escada, Gerard vê JJ descer, já de roupa trocada, trazendo nas mãos uma muda de roupa para o amigo. Ela entrega as roupas nas mãos de Gerard e avisa que está quase tudo pronto.

Ajudando Frank a se levantar do sofá, Gerard o guia até o banheiro do andar de baixo e o supervisiona, enquanto ele troca sua calça de pijama e uma camiseta surrada, por uma calça de flanela cinza escura, camiseta de manga comprida e um casaco de moletom e um par de All Stars. Frank deixa o banheiro ao mesmo tempo em que Jason e JJ descem as escadas, dessa vez, carregando uma mochila, uma bolsa média de viajem e um cabide com uma capa de proteção, onde Frank presume que esteja o terno que ele usará no velório do avô.

Gerard avisa que o motorista dele está aguardando o grupo do lado de fora e todos seguem, em silêncio, em direção ao carro.

--------------------------------

O trajeto até o aeroporto é curto devido ao horário. Rapidamente um dos membros da tripulação ajuda Robert a embarcar com a bagagem de todos, enquanto Gerard conduz o trio para dentro da aeronave. Assim que Gerard acomoda Frank em um dos assentos, Jason faz um exame rápido no rapaz e se alivia ao ver que, apesar do ocorrido, Frank segue bem, na medida do possível. O médico toma seu lugar ao lado de JJ, enquanto Gerard se acomoda ao lado de Frank. Com Robert e o resto da tripulação embarcada, o comandante anuncia que eles decolarão em alguns segundos.

Assim que sente o avião começar a taxiar na pista, Frank puxa Gerard mais pra perto e se enterra no peito do senador. Gerard envolve o rapaz em um abraço acolhedor e os dois permanecem assim por grande parte da viagem.

--------------------------------

O sol está nascendo no horizonte, quando o avião particular aterrissa no aeroporto de Newark. Jason e JJ conseguiram tirar um cochilo de alguns minutos, mas Gerard e Frank permaneceram acordados. Frank, preso em seu luto, e Gerard em vigília constante. Não demora muito para o grupo ser liberado para desembarcar.

Com as bagagens dentro da SUV previamente alugada, Robert parte com o grupo em direção à casa dos Iero, em Bellevue.

 --------------------------------

A SUV mal estaciona na frente da casa dos Iero e Christine já está na porta. Sua fisionomia cansada e abatida denuncia seu estado emocional. De dentro do carro, dois suspiros ansiosos são ouvidos. Cumprindo seu trabalho, Robert desce do carro, mas JJ não espera o motorista cumprir o protocolo. Abrindo a porta, ela salta do carro e corre em direção aos braços da mãe postiça, que estão abertos, prontos para recebê-la.

Gerard é o segundo a descer do carro, imediatamente ajudando Frank a desembarcar. Assim que se vê em terra firme, Frank segue a passos apressados em direção à mãe, que repete o gesto de segundos atrás e abre os braços para receber o filho. Juntos, os três permanecem abraçados na frente da casa, enquanto Gerard e Jason assistem, consternados.

Após beijar e abraçar os filhos, acalmar JJ e limpar as poucas lágrimas que rolaram pelo rosto de Frank, Christine se vira para os dois homens parados ao seu lado.

- Me desculpem. - ela diz, limpando as próprias lágrimas. - Gerard, Jason, como vão?

- Não se preocupe. - diz Jason, dando um leve abraço na mulher. - Sinto muito pela sua perda, Sra. Iero.

- Obrigada, Jason.

- Minhas mais sinceras condolências, Sra. Iero. - diz Gerard, seguindo o gesto de Jason. - Jack era um grande homem. Essa é uma perda irreparável.

- Ele era mesmo. - ela diz, emocionada. - Obrigada, Gerard. Mas venham, vamos entrar.

- Cadê o meu pai? - pergunta Frank.

- Ah, filho, ele precisou voltar ao hospital, para levar a roupa do seu avô e acertar os últimos detalhes com o pessoal da funerária.

- Eu acho que nós devíamos... - Frank começa, mas Gerard o interrompe, já sabendo o que ele iria dizer.

- Vocês dois fiquem com a mãe de vocês. Jason e eu iremos ao hospital, ver se o Sr. Iero precisa de alguma ajuda.

- Oh, Gerard, vocês fariam isso, por gentileza? - pergunta Christine. - Os tios do Harry só chegarão na hora da missa e o irmão dele está fora do país com a família, então ele está tendo que resolver tudo sozinho.

- Claro, Sra. Iero, não se preocupe.

- Você tem certeza? - pergunta Frank. Gerard se aproxima e segura uma das mãos do rapaz.

- Absoluta. Eu prefiro que você fique com a sua mãe. Coma alguma coisa, descanse. Teremos um dia longo e pesado pela frente.

- Obrigado. - diz Frank, forçando um sorriso.

- Liguem, se precisarem de alguma coisa. - diz JJ.

- Nós ligaremos. Agora entrem e descansem. Os três. - diz Jason, dando um leve beijo em JJ e seguindo Gerard de volta para a SUV.

Assim que o carro parte, Christine guia os filhos para dentro de casa. Eles passam pelas bagagens que Robert deixou na entrada da casa e seguem direto pra sala. Christine muda de rota e vai até a cozinha, enquanto JJ deixa o corpo cair em um dos sofás da sala, e Frank segue até o aparador em cima da lareira, onde há fotos de toda a família. Com os olhos marejados, ele observa uma foto em especial. Jack segura um Frank de, no máximo, dois anos de idade no colo. Ele veste uma jardineira branca, com seus braços gordinhos à mostra, enquanto olha diretamente para a câmera, já Jack mantém os olhos fixos no neto e um enorme sorriso no rosto. Essa sempre foi uma das fotos favoritas de sua infância.

Ele se vira pra trás ao ouvir a aproximação da mãe. Christine trás uma bandeja com uma jarra de suco e três copos.

- É suco de maracujá. Tomem. - diz a mulher, servindo os copos.

- O que aconteceu? - pergunta Frank. Christine olha para o filho com tristeza.

- Querido...

- Eu quero dizer... Como... Como aconteceu? - ele pergunta, angustiado.

- Amorzinho, é melhor você se sentar. Se acalma, meu anjo. - Christine se aproxima, mas Frank se afasta da mãe.

- Não, eu não quero me sentar. Eu não quero me acalmar. Eu quero entender. Eu quero saber. - ele diz, sentindo o peito pesado. - Mãe, eu preciso saber. Por favor. Me conta o que aconteceu?

- Meu amor, não tem nada pra contar. Ele chegou para o jantar, como fazia toda sexta feira. Nós conversamos por algum tempo. Seu pai ligou, dizendo que estava fechando a loja e chegaria em meia hora, como sempre. Seu avô sentou na poltrona dele para ouvir um pouco de rádio antes do jantar, como sempre. Mas quando seu pai chegou e foi chamá-lo... - a voz de Christine embarga. JJ fecha os olhos, sentindo-os marejar novamente. - Os médicos disseram que foi um infarto fulminante. Eles tentaram ao máximo, mas seu avô já tinha partido.

- Mas... isso não faz sentido. Ele estava bem. - diz Frank. - Eu o vi no domingo, e ele estava bem. Eu não entendo.

- Eu sei, querido. - Christine tenta uma nova aproximação, e dessa vez Frank não recua. Ela traz o filho para um abraço. - Esse é o tipo de coisa que nunca vamos entender. Não estamos preparados pra compreender a morte, especialmente das pessoas que amamos.

- Não faz sentido.

- E nunca vai fazer, meu amor. - ela diz, beijando sua têmpora. - Vem, meu anjo, senta aqui.

Ela guia o filho até o sofá e lhe entrega um copo de suco de maracujá, repetindo o gesto com JJ. Ela faz menção de deixar o ambiente, mas JJ a chama.

- Aonde a senhora vai?

- Pra cozinha. Eu vou preparar alguma coisa pra gente comer. Daqui a pouco o pai de vocês está de volta com os rapazes. A gente precisa comer alguma coisa, antes de irmos pra missa.

- Não precisa fazer isso agora. - diz Frank. Christine abre a boca para responder, mas JJ emenda.

- Fica aqui com a gente. Só um pouco. - ela pede, e Christine não tem como negar. Voltando para o sofá, ela se senta no meio dos filhos, puxando-os para perto e aconchegando um em cada lado, como ela costumava fazer quando eles eram pequenos. 

--------------------------------

Duas horas se passam. Christine está na cozinha, preparando uma refeição reforçada para a família. Frank está deitado no sofá, com a cabeça no colo de JJ, enquanto a jovem acaricia os cabelos dele. A porta da frente se abre, chamando a atenção do trio. Harry é o primeiro a entrar. Apesar do semblante abatido, ele dá um sorriso leve ao ver os filhos. Mesmo em luto pela perda do pai, Harry sabe que precisa ser o alicerce dos filhos.  JJ ajuda Frank a se levantar do sofá, e eles seguem para abraçar o pai.

- Eu sinto muito, Papa! Eu sinto muito mesmo. - diz JJ, chorosa.

- Eu sei, minha linda. Mas olha, chega de lágrimas, viu? O avô de vocês não ia querer esses rostinhos tristes. Ele ia querer que vocês lembrassem dele como o homem alegre e cheio de vida que ele sempre foi, tá bom? - ele diz, limpando as lágrimas de JJ.

Vendo Gerard e Jason entrarem em casa, JJ segue para buscar conforto nos braços do namorado, deixando Harry e Frank sozinhos em seu abraço. Harry levanta o rosto do filho e o olha nos olhos.

- Como você está? - ele pergunta, baixinho. Frank dá de ombros, sem saber o que responder ao pai. Harry dá um beijo na testa do filho e faz um carinho em sua barriga. - Você precisa se cuidar, okay? Por você e por essa princesa. É o que o seu avô ia querer.

- Eu sei. - diz o rapaz.

Harry olha pra trás e vê Gerard se aproximando. Ele estica o braço, chamando o homem para mais perto, e então guia Frank para seus braços. Gerard envolve Frank em um abraço protetor e beija o topo de sua cabeça. Harry sorri.

- Cuida dele. - Harry murmura para Gerard, recebendo um aceno de cabeça como resposta.

Vendo os filhos devidamente amparados, Harry segue para a cozinha, para ajudar Christine a arrumar a mesa para a refeição. Com a mesa posta, toda a família se reúne para comer. Mas, ao contrário das refeições normais na casa dos Iero, onde o bate papo é animado e sempre tem risadas, dessa vez o silêncio impera. Apenas o som dos talheres batendo nos pratos e os suspiros profundos são ouvidos.

Ao final da refeição, Christine e Harry mandam Frank, Gerard, Jason e JJ descansarem um pouco, antes de precisarem partir para a missa. Mesmo insistindo para ajudarem em algo, o grupo se dá por vencido e segue para o segundo andar.

Gerard abre a porta e dá passagem para Frank passar, que segue direto para se sentar em sua cama. Colocando suas bagagens no canto do quarto e pendurando os cabides com os ternos, Gerard segue para a cama e se senta ao lado de Frank.

- Quer se deitar um pouco? - ele pergunta, mas Frank balança a cabeça, negativamente. - Meu príncipe, você deveria descansar um pouco.

- Não... Eu não sei. - ele diz, com o olhar perdido. Gerard usa as pontas dos dedos para virar o rosto de Frank na sua direção.

- Do que você precisa? Me diz. Qualquer coisa. Do que você precisa?

- Só... só me abraça. - ele pede, com os olhos marejados. Gerard sente seu coração se partir.

Puxando Frank para seus braços, ele se deita na cama e acomoda o rapaz em seu peito.

--------------------------------

Gerard não percebeu que havia dormido, até batidas na porta o despertarem pouco mais de uma hora depois. Colocando a cabeça para dentro do quarto, Harry avisa que eles partirão para a missa em ás 13:30h. Olhando para o relógio, Gerar vê que são 12:20h. Eles têm um pouco mais de uma hora para se arrumarem.

Ao baixar os olhos, ele que Frank continua adormecido em seus braços, o que lhe dá um certo alívio. Frank está acordado desde ás 2:30h, que foi o horário em que Gerard chegou em sua casa. O cansaço e o stress de toda a situação não fazem bem nem pra Frank e nem para sua filha, e um cochilo, por mais breve que seja, é sempre bem vindo para ajudar a recarregar as energias para o que ainda está por vir.

Acomodando Frank na cama, Gerard resolve começar a se arrumar primeiro, dando mais uns minutos extra de descanso para o amado. Só quando já está de banho tomado e parcialmente vestido, é que ele acorda Frank e o guia até o banheiro, onde supervisiona seu banho.

Já completamente vestido, Gerard está sentado na cama, verificando algumas mensagens em seu celular, enquanto Frank termina de dar o nó em sua gravata. A atenção de Gerard é atraída ao ouvir um gemido, seguido de um suspiro alto. Erguendo os olhos, ele vê Frank apoiado na cômoda com uma das mãos, enquanto a outra esfrega círculos na barriga. Gerard salta da cama e se põe ao lado do amado em um segundo.

- Ei, ei, ei. O que foi? O que você está sentindo?

- Não é nada. - ele diz, respirando calculadamente. - Ela só... Ela só está chutando forte. Só isso. - ele completa. Colocando a mão sobre a barriga do rapaz, Gerard pode sentir os chutes fortes da filha.

- Ela está estressada. Está sentindo tudo que você está sentindo.

- Eu sei. - ele diz, fazendo uma careta ao sentir outro chute forte.

- Eu vou chamar o Jason.

- Não precisa. Eu tô bem.

- É óbvio que você não está bem.

- Eu sei, mas não tem muito o que se possa fazer, não é? - ele diz, dando um sorriso amargo. Gerard passa o braço ao redor de seus ombros e o guia de volta para a cama.

- Vem, senta um pouco.

- Gerard, eu preciso terminar de me arrumar. Nós já estamos saindo.

- Eu sei, mas você precisa se sentar, nem que seja por cinco minutos. Se não por você, pela nossa filha. Por favor. - ele pede, e Frank não tem como argumentar. Ele se senta na cama e leva as duas mãos à barriga. Aos poucos, sua bebê diminui a intensidade dos chutes, até restarem apenas movimentos leves e delicados. Com a mão sobre a barriga de Frank, Gerard sorri. - Muito bem, filha. Isso aí! O papai precisa de muito carinho hoje. - ele diz, dando um beijo na têmpora do rapaz.

- Obrigado. - ele diz, deitando a cabeça no ombro do homem.

- Ela só precisava que você relaxasse por um segundo.

- Me desculpa, filha.

- Ela vai ficar bem, desde que você esteja bem. E eu vou me certifica de que você fique bem. O tempo todo. - ele diz, segurando a mão do rapaz.  Frank respira fundo e olha para Gerard.

- Sobre isso... Você precisa lembrar que não podemos interagir muito em público. Demonstrações de afeto, que eu quero dizer. Você pode me cumprimentar, talvez um abraço, mas nada além disso. - ele diz, deixando Gerard confuso.

- Frank, eu não me importo com o que as pessoas pensam. Você precisa de mim e eu estarei ao seu lado.

- Eu preciso de você e preciso que esteja seguro.

- Eu não acredito que você está pensando nisso nesse momento.

- Eu penso nisso em todos os momentos, e esse não é diferente.

- Frank...

- Gerard, por favor. Eu não posso fazer isso se estiver preocupado com você.

- Você não precisa se preocupar comigo.

- Preciso sim. Nós não podemos arriscar. São só algumas horas. Por favor. - ele pede, ansioso.

Gerard sabe que essa racionalização excessiva, nada mais é, do que uma reação do rapaz à perda do avô. Frank está em choque desde que recebeu a notícia, ele mal chorou, mal esboçou qualquer reação condizente com o luto, e Gerard sabe que, quando o momento chegar, e o rapaz já não conseguir mais segurar suas emoções, ele precisará estar ao seu lado. Mas, se no momento, o que Frank precisa é ter a sensação de controle, é isso que Gerard irá lhe dar.

- Okay. Eu vou me controlar. Não precisa se preocupar com isso. - ele diz, dando mais um beijo na têmpora do rapaz.

- Promete?

- Prometo.

- Obrigado. - ele diz. Gerard, então, o ajuda a se levantar da cama e a terminar de se arrumar.

--------------------------------

Ás 13:30 em ponto, Frank, JJ, Christine e Harry seguem para a igreja no Sedan preto disponibilizado pela funerária, enquanto Gerard e Jason seguem atrás, na SUV. Aproveitando que está sozinho com Jason, Gerard expressa sua preocupação.

- Você deu uma olhada no Frank antes de sairmos da casa. Como você acha que ele está?

- Clinicamente falando, ele está bem, na medida do possível. A pressão dele está levemente mais alta do que o "normal", os batimentos cardíacos estão acelerados. Mas mediante ao que ele está passando, isso já era de se esperar. Eu não pude dar uma olhada mais profunda na bebê, mas me pareceu tudo bem.

- Bom. Bom.

- Mas eu acho que não é com a saúde física dele que você está preocupado no momento, certo? - ele diz, e Gerard suspira.

- Ele mal chorou. Ele continua com o olhar perdido, ou pensando de forma racional e automática demais.

- Ele está em choque, Gerard. Ele está reprimindo as emoções, porque não sabe lidar com elas ainda. Ele ainda não se permitiu ter consciência do que aconteceu.

- Isso é que me assusta. Quando essa ficha cair, quando o racional dele não conseguir mais controlar o emocional...

- Quando isso acontecer, ele vai precisar de você. - diz Jason.

Gerard pensa na promessa que fez a Frank e se será capaz de cumpri-la.

--------------------------------

Estar dentro daquela igreja, sentado em seu lugar na terceira fileira, há poucos metros do caixão aberto, posicionado no centro do altar, faz Gerard lembrar porque odeia funerais. Frank e sua família estão parados na porta da igreja, cumprimentando uma fila interminável de parentes, amigos e conhecidos e recebendo todo o tipo de palavras de consolo. Das mais profundas e carinhosas, até as mais genéricas, quando não se tem muito o que dizer. Nesses casos, Gerard sempre preferiu apenas um abraço do que palavras decoradas de um livro de etiquetas sociais. 

Olhando para Frank, ele não pôde evitar se colocar no lugar do rapaz. Triste e vulnerável, mas sendo obrigado a usar sua melhor máscara para cumprir um rito de passagem longo e desgastante, exigido pela sociedade, que poderia, muito bem, ser realizado de forma rápida e privada. Mas algumas tradições ainda persistem e precisam ser cumpridas, e só resta a Gerard fazer o que lhe é esperado: ser o porto seguro de Frank, para quando tudo isso acabar.

Após 45 minutos, a igreja está lotada e o padre determina que está na hora do início da missa. Frank, Harry, Christine e JJ tomam seus lugares na primeira fila, enquanto o padre toma seu lugar no púlpito. Gerard não consegue prestar atenção em uma palavra sequer que sai da boca do padre. Toda sua atenção está voltada para Frank.

Ele já conhece o rapaz tão bem, que mesmo Frank estando de costas pra ele, Gerard consegue captar o sofrimento do rapaz. Sua postura, seus ombros caídos, a cabeça baixa e o fato dele estar praticamente imóvel. Frank quase nunca fica imóvel. Nem sentado ele consegue ficar parado. Está sempre se mexendo, balançando uma das pernas, esticando a coluna, gesticulando com as mãos. Esse Frank inerte, em nada se parece com o Frank que Gerard ama.

A missa transcorre e Gerard tem apenas consciência de alguns momentos, como as primeiras frases do sermão, as belas palavras que o padre usou para se referir a Jack, o que mostra como o senhor era conhecido e bem quisto na comunidade. Em algum momento, um senhor subiu ao púlpito para ler um salmo. Gerard não sabe quem era o homem, mas a julgar pelo uniforme militar, ele imagina que seja algum veterano, companheiro de guerra de Jack.

Automaticamente, Gerard levantou, sentou e ajoelhou, conforme se seguia a liturgia. Mas em nenhum momento, ele tirou os olhos de Frank. Nem quando Harry subiu ao altar e fez um belo discurso sobre o homem incrível que o pai era. Nem quando o pai de Frank deu lugar para um dos tios, que continuou a tecer elogios ao velho Iero. Nem quando o padre se aproximou do caixão e deu a benção ao corpo exposto.

Nem para saber o horário, Gerard desvia seu olhar de Frank. Discretamente, ele sussurra a pergunta para Jason, e sente um grande alívio quando o médico informa que são 15:18h. Ele se recorda de Christine comentar que a missa iria até ás 15:30. Então deve estar faltando somente mais algum salmo ou coisa do tipo, antes de fecharem o caixão e encerrarem a liturgia.

No entanto, o alívio de Gerard dura pouco, pois quando o padre pergunta se mais alguém gostaria de dizer algumas palavras sobre Jack, Frank se levanta quase que instantaneamente. Christine faz menção de impedir o filho, mas Frank põe a mão no ombro da mãe e segue direto para o altar. O coração de Gerard dispara.

Frank se posiciona no púlpito e, pela primeira vez, dá uma olhada de relance para o caixão ao seu lado. Apenas por alguns instantes. Ele volta sua atenção para a igreja lotada à sua frente. Olhos vermelhos e expressões consternadas. Seu peito se comprime e ele se segura no púlpito com as duas mãos. Respirando fundo, ele busca um ponto no mar de rostos pesarosos. Um guia. Um porto seguro. E ele o encontra, na terceira fila, com os olhos fixos em seus olhos. Ele pigarreia e mantém o foco em Gerard.

- Eu não sei bem como começar ou o que falar... Eu só sei que meu avô teria odiado isso aqui. Ele teria dito que somos todos um bando de bobos de estarmos aqui, dentro dessa igreja quente, chorando, ao invés de estarmos ao redor de uma lareira, bebendo, comendo e contando histórias engraçadas e vergonhosas sobre ele. - diz Frank, conseguindo arrancar uma leve risada de todos, pois essa é a mais pura verdade. Jack teria detestado toda essa formalidade. - Meu avô sempre disse que não queria que chorássemos a morte dele, mas eu acho que ele subestimava a falta que ele faria... que ele fará em nossas vidas. Eu acho que ele nunca entendeu como nossas vidas giravam ao redor dele. Como ele era nosso norte, nossa segurança, nosso porto, nosso céu... Céu... Eu sei que é errado, que ele teria me dado uma bronca se me ouvisse falar isso, mas... Eu estou com tanta raiva dos céus nesse momento. Com raiva de Deus. Ele não podia ter feito isso. Ele não podia ter tirado você de nós, não agora, que nós precisamos tanto de você. Que eu preciso tanto de você. Eu não sei o que fazer agora. Eu não sei como continuar sem você. - ele diz, com a voz embargada. Finalmente virando-se para o caixão, Frank encara o avô. - Você esteve lá a minha vida toda. Você me levantou, quando eu caí. Você me ensinou a ser melhor a cada dia, mas nunca me disse que eu não era bom o bastante. Você foi meu melhor amigo, meu herói, a melhor pessoa que eu já conheci na vida. E agora você se foi, deixando esse vazio enorme no meu peito, na minha vida... - e o momento finalmente chegou. O entendimento, que estava preso e amordaçado, finalmente se libertou e trouxe consigo uma avalanche esmagadora de emoções, e Frank já não é capaz de segurar o pranto que implode suas emoções. - Eu quero ser forte, do jeito que você me ensinou a ser... Eu quero que você tenha orgulho de mim... Mas agora... tudo que eu queria... era ouvir a sua voz, só mais uma vez... Eu daria tudo que eu tenho para sentir o seu abraço... só mais uma vez... Eu não acredito que você se foi, e me deixou aqui... - ele soluça, em seu choro desesperado. - Por favor, não me deixa aqui sem você... Por favor, vô, por favor, não se vá...

O choro de Frank ecoa pela igreja. Seu desespero e agonia atravessam a alma de todos os presentes, trazendo lágrimas aos olhos dos espectadores. De seu lugar no altar, Frank se segura ao púlpito como se sua vida dependesse dele, mas tudo que ele quer é se aproximar do avô. Olhá-lo de perto. Tocar em seu rosto. Pedir que abra os olhos e volte pra ele.

Frank dá um passo experimental em direção ao caixão, mas suas pernas falham. Christine leva a mão ao peito, vendo o filho prestes a desabar no chão. Mas antes que qualquer pessoa possa reagir, Gerard está ao lado de Frank, sustentando seu peso, segurando-o de pé. Ele não se importa de ter quebrado a promessa de se manter longe, e Frank parece não se importar também, pois seu rosto logo se enterra no peito do senador.

- Shhhh, tá tudo bem. - sussurra, Gerard. - Eu peguei você, está tudo bem. Tente andar junto comigo. Eu te seguro, não se preocupe. Eu não vou te deixar cair. Só ande comigo, vamos.

E com todo cuidado e calma, o senador conduz Frank para fora do altar. Apesar de todas as células de seu corpo gritarem para que ele tome Frank em seus braços e o conforte como deseja fazer, Gerard tenta ser o mais racional possível nesse momento. Então, com o coração pesado, ele conduz Frank de volta ao banco e o entrega nos braços de seus pais, que se apressam em acolher o filho. Respirando fundo, Gerard retorna para seu lugar, recebendo um olhar empático de Jason.

- Você pode...? - Gerard nem precisa terminar a frase. Jason levanta de seu lugar e segue para a primeira fila.

Sentindo o coração batendo forte contra o peito, Gerard vê Jason se ajoelhar na frente de Frank e prestar toda a assistência necessária. Gerard nunca se sentiu tão impotente em toda sua vida.

--------------------------------

Após uma pausa de alguns minutos, para que Frank recebesse os cuidados necessários, que incluíram um copo de água com açúcar e algumas palavras de conforto do padre, a missa seguiu seu curso. O padre tomou seu lugar de volta no altar, de onde conduziu mais um salmo e a oração do Pai Nosso, e então, solicitou que o caixão fosse fechado. Mesmo com a música tocando ao fundo, era possível ouvir o choro de amigos e familiares. Até mesmo Gerard se emocionou ao ver o rosto de Jack pela última vez, antes de ser selado pela tampa do caixão.

Com o caixão fechado, a missa chega ao fim, e todos seguem para o cemitério.

--------------------------------

Gerard não pôde ver Frank antes de seguir para o cemitério, pois, a pedido da família, um tempo foi reservado para que os Iero se despedissem de seu patriarca de forma privada. Então, mesmo contra sua vontade, Gerard seguiu com Jason para o cemitério Glendale.

Aproximadamente 15 minutos depois o carro funerário, seguido pelos carros trazendo a família Iero chega ao cemitério. Há poucos metros de distância, Gerard vê Frank sair do carro e logo ser acolhido por Christine e JJ, enquanto Harry, os tios e mais alguns membros da família seguem ao lado do caixão de Jack.

O cortejo segue, em silêncio, por alguns metros, até chegar ao local onde Jack será sepultado. Mais uma vez o padre que conduziu a missa declama algumas palavras em um belo e comovente discurso. Ele chama a família para prestarem suas últimas homenagens a Jack e, um por um, os Iero depositam uma rosa branca sobre o caixão do homem. Sob forte comoção, o caixão é baixado para a sepultura onde Jack Iero descansará em paz.

--------------------------------

A casa dos Iero está cheia. Após o enterro, grande parte dos presentes seguiu para a casa da família. Cada pessoa que chega traz consigo uma caçarola, uma travessa de comida, comida reconfortante, para alimentar o corpo e aquecer a alma nesse momento difícil. Gerard sempre soube que Jack era um homem querido, mas ver a casa lotada de pessoas lamentando sua partida lhe deu a real dimensão da falta que o homem fará, não só para sua família, como para sua comunidade.

Incansável, Christine transita pela casa, se certificando que todos estão com um prato de comida ou uma bebida nas mãos, enquanto Harry, JJ e Frank continuam recebendo condolências dos presentes. De seu lugar no sofá, ao lado de Jason, Gerard observa Frank com olhos de águia. Após o pequeno "resgate" na igreja, Gerard manteve o combinado e permaneceu a uma distância segura do amado, mas sempre mantendo a vigilância. E é graças a esse monitoramente, que Gerard vê o momento exato em que Frank recolhe uma pilha de pratos e segue para a cozinha. Sem perder tempo, o senador levanta do sofá e o segue.

Ajudar a mãe a recolher a louça suja é uma excelente desculpa para desviar das pessoas e evitar mais conversa. Frank está exausto. Exausto de receber condolências, exausto da expressão de pena no rosto das pessoas, exausto das justificativas aleatórias para a partida de Jack. "Era a hora dele", "foi a vontade de Deus", "ele está em um lugar melhor". Pro inferno com tudo isso! Não era a hora dele. Não há lugar melhor do que a casa dele, ao lado da família dele. E que se dane a vontade de Deus. Frank tem certeza que se ouvir mais alguma baboseira dessa, ele vai começar a gritar. Então, para evitar qualquer escândalo, ele prefere evitar as pessoas.

Recolhendo uma pilha de pratos sujos, ele desvia de parentes, amigos e conhecidos, como Neo desviou das balas em Matrix. Chegando na segurança da cozinha, ele coloca os pratos dentro da pia e apoia as duas mãos na bancada, respirando fundo algumas vezes e buscando serenidade para enfrentar o resto do dia.

Seu coração pula uma batida ao ouvir a voz de Gerard atrás dele.

- Você deveria descansar um pouco.

- Não posso. - ele diz, sem se virar.

- Você já cumpriu suas obrigações. Você fez mais do que deveria, pra dizer a verdade. Tá na hora de desacelerar. As pessoas vão entender se você se retirar.

- Eu não posso, Gerard. Ainda tem muita coisa pra fazer.

- Nada que seja preciso ser feito por você.

- Eu preciso ajudar a minha mãe a lavar a louça.

- Eu posso fazer isso.

- Eu não posso deixar você fazer isso.

- Eu disse que estava aqui pra ajudar. Então me deixa ajudar. - ele diz, e finalmente Frank se vira para encará-lo. Os dois se olham por alguns segundos, e a tristeza estampada no rosto do rapaz faz o coração de Gerard se partir. - Frank, por favor. Você precisa pensar um pouco em você e na neném.

- Gerard...

- Você sabe que seu avô detestaria te ver assim, se arrastando até a exaustão.

- Gerard está certo. - a voz de Christine surge atrás de Gerard, chamando a atenção dos dois homens. - Já chega pra você por hoje. Hora de subir e descansar.

- Mas e todas essas pessoas?

- Não se preocupe com isso. Daqui a pouco estão todos vão embora.

- E quem vai te ajudar a arrumar tudo?

- Eu não preciso... - a frase de Christine é interrompida por Gerard.

- Eu ajudo a sua mãe, não se preocupe.

- Viu? Tudo sob controle. Agora vai, meu amor. Vá se deitar um pouco. Você já passou muito tempo de pé. Eu lembro quando estava grávida de você, a essa altura, minhas costas doíam o tempo todo e qualquer 15 minutos de descanso, eram um paraíso.

- Você... você tem certeza?

- Obsoluta, meu amorzinho. Vá pro seu quarto, daqui a pouco eu subo e levo um chá pra você.

- Gerard, você tem certeza que...

- Não é a minha primeira vez lavando louça. - diz o senador, com um sorriso no rosto. - Agora vá se deitar, por favor.

- Está bem. Com licença. - apesar da hesitação, o alívio por se retirar do recinto está estampado no rosto do rapaz, o que fez Gerard e Christine também se sentirem aliviados.

Assim que se certificou de que Frank realmente seguiu para o quarto, Gerard fez seu caminho para a pia, onde o rapaz deixou os pratos sujos.

- Oh, Gerard, você não precisa... - no meio do caminho para interceptar o senador, Christine sente uma mão em seu ombro.

- Christine, querida, você pode vir aqui um minuto? - pergunta uma senhora de cabelos grisalhos, que Gerard imagina ser uma das tias de Frank.

- Estou indo, Elsie, só um minuto.

- Pode ir. Não se preocupe, eu dou conta aqui. 

- Tem certeza? Você realmente não precisa fazer isso.

- É bom que eu me distraio. - ele diz, com um sorriso no rosto, o que faz a mulher sorrir também.

- Eu já volto.

- Sem pressa. - ele diz. Christine sorri mais uma vez para o homem e deixa o recinto com a senhora.

Sozinho na cozinha, Gerard começa a terapêutica tarefa de lavar a louça.

--------------------------------

Pouco mais de uma hora depois, o último presente foi acompanhado até a porta por Harry, que recebeu um abraço carinhoso de despedida. Fechando a porta, o homem respira fundo e segue para a cozinha, onde Christine e Gerard estão. O senador entrega mais um prato limpo para a mãe de Frank, que o seca e guarda no armário. Ela sorri ao ver o marido se aproximar.

- Pronto, finalmente acabou. - diz Harry.

- Como você está, meu bem?

- Um pouco melhor do que eu imaginei. Como eu sabia que as crianças iriam precisar de suporte, isso me ajudou a ficar firme.

- O senhor é um ótimo pai, Sr. Iero. - diz Gerard, fazendo Harry sorrir.

- Falando nas crianças, onde estão?

- A JJ foi levar seus tios no hotel junto com o Jason.

- Ainda não voltaram?

- Não. Eles devem ter ficado um pouco pra conversar.

- Sim, verdade. E o Frank?

- Ah, eu pedi que ele fosse se deitar há mais ou menos uma hora.

- Ele está bem?

- Sim, ele só estava cansado. Foi um dia cheio, especialmente pra ele.

- Eu vou dar uma olhada nele. - diz Harry.

- Ah, querido, aproveita e leva esse chá pra ele, por favor? - diz Christine, entregando uma caneca de chá recém-feito.

- Claro! Eu já volto. - ele diz, seguindo para o segundo andar.

Gerard termina de lavar o último prato e o entrega para Christine. A mulher o seca, o guarda no armário e se apoia na bancada, soltando um suspiro. Seguindo para a chaleira de água quente, ela serve duas canecas de chá. Entregando uma para o senador, a mulher sorri.

- Muito obrigada, Gerard.

- Não se preocupe com isso. Eu disse ao Frank que faria o que fosse necessário para ajudar, e lavar a louça estava incluído no pacote. - ele diz, bebericando o chá. Christine olha pra ele com carinho.

- Eu não estou falando apenas da louça. Estou falando do apoio que você tem dado ao Frank durante esse período difícil. Pra dizer a verdade, eu não sei o que teria sido do meu filho, se você não estivesse com ele hoje. - ela diz, e é a vez de Gerard de sorrir.

- Se depender de mim, a senhora nunca vai precisar se preocupar com isso.

- Eu sei. - ela diz, e Gerard paralisa. Essa é a primeira vez que Christine abraça o relacionamento deles de forma completa. - Venha, vamos nos sentar lá fora. Pegar um ar. Estamos precisando. - ela diz, e os dois seguem para o jardim.

--------------------------------

Assim que chegou ao quarto, Frank tirou o terno, tomou um banho, vestiu uma roupa confortável e se aconchegou na cama, mas sua mente está tão agitada, que ele não conseguiu dormir. Também foi difícil encontrar uma posição confortável na cama. O dia estressante e as horas em pé cobraram seu preço e, não só suas costas estão pedindo clemência, como sua filha parece estar fazendo um motim dentro da barriga.

Então, foram precisos bons 35 minutos entre acalmar a bebê, relaxar as costas e encontrar uma boa posição. Deitado de lado, com um travesseiro embaixo da barriga e outro entre as pernas, Frank faz uma retrospectiva desse dia e a sensação de que tudo não passou de um filme. Como se outra pessoa estivesse vivendo uma versão alternativa de sua vida. Suspirando, ele pensa que tudo que mais deseja nesse momento é acordar e descobrir que tudo não passou de um pesadelo.

Batidas na porta o tiram de seu devaneio.

- Posso entrar? - pergunta Harry, colocando a cabeça pra dentro do quarto.

- Claro, pai. Entra. - ele diz, mudando de posição, sentando-se na cama e apoiando as costas na cabeceira.

- Aqui, sua mãe fez esse chá pra você.

- Obrigado. Como estão as coisas lá embaixo?

- Todo mundo já foi embora. A JJ foi com o Jason deixar meus tios no hotel, e o Gerard está ajudando a sua mãe a arrumar tudo lá embaixo. Não se preocupe.

- Okay. - diz Frank, forçando um sorriso. Abaixando a cabeça, ele mantém os olhos fixos na caneca de chá que repousa em seu colo. Harry percebe que algo incomoda o filho.

- Ei, filho, tudo bem? - ele pergunta. Frank suspira e levanta o rosto, olhando para o pai com olhos melancólicos.

- Pai, me desculpa.

- Pelo quê?

- Eu... eu deveria estar te consolando, te levando chá, cuidando de você. Não o contrário.

- Frank, do que você está falando?

- Eu tô me sentindo tão inútil, tão impotente.

- A tristeza é incapacitante, meu filho. Você acabou de perder alguém a quem você amava demais. É normal se sentir assim.

- Você também perdeu. Ele era seu pai. Eu deveria estar consolando você, não te impedindo de chorar a sua perda.

- Mas o meu luto não é maior do que o seu. Seu avô era importante para todos nós. Pra mim, pra você, pra JJ, pra sua mãe, para todos nós, Frank. E cada um de nós encara a perda de uma maneira. Eu estou fazendo o que fui ensinado a fazer, o que o seu avô me ensinou. Eu estou cuidando dos meus filhos, dando suporte a eles, ajudando a passar por esse momento difícil. Mas isso não me impede de sofrer a minha perda, Frank. Cuidar de você não me impede de sofrer, de chorar a minha perda. Muito pelo contrário. Cuidar de você, te trazer um chá, te dar um abraço ou o que mais você precisar só reforça tudo que eu aprendi com o seu avô e me ajuda a manter a memória dele sempre viva dentro de mim. No dia que eu me casei com a sua mãe, seu avô me disse "A partir de hoje, você vive em função da sua família. A única função mais importante do que ser um bom marido, é ser um bom pai. E eu te criei para ser melhor marido e o melhor pai do que eu." Isso sempre me soou impossível, porque o seu avô era o melhor marido e o melhor pai que eu já conheci na minha vida. - ele diz, e Frank sorri.

- Engraçado, eu acho a mesma coisa sobre você.

- Mais uma prova de que seu avô vai ver pra sempre nos nossos corações. - diz Harry, sorrindo, e então coloca a mão na barriga do filho. - Quando essa princesa nascer, você vai entender do que eu estou falando. Você nunca deixa de sentir as coisas, mas a dor do seu filho machuca em dobro no coração, então você precisa se certificar de que seu filho esteja bem, só assim você encontra um pouco de paz. - diz Harry, deixando Frank emocionado.

- Se eu for pra minha filha, metade do pai que você é pra mim... - ele começa, mas Harry o interrompe.

- Você vai ser melhor, meu filho. Você vai ser melhor. E o seu avô vai estar te observando, de onde ele estiver, e eu tenho certeza de que ficará muito orgulhoso de você. - ao ouvir as palavras do pai, Frank cai em pranto. Harry traz o filho para se aconchegar em seu abraço.

- Eu ainda não acredito que ele se foi.

- Eu sei, filho.

- Eu não sei o que vamos fazer sem ele.

- Nós vamos nos esforçar a cada dia para sermos os homens que ele nos criou pra sermos. É assim que vamos honrar a memória dele. É assim que vamos deixá-lo orgulhoso. - diz Harry, beijando a cabeça do filho. Pai e filho continuam abraçados, dando suporte e carinho um ao outro, exatamente do jeito que Jack gostaria que eles estivessem.

--------------------------------

No dia seguinte, Harry e Christine acordaram bem cedo e saíram para encontrar com os tios de Harry, para o café da manhã e um encontro com o advogado de Jack, para discutir assuntos burocráticos, relacionados ao testamento do velho Iero. Mesmo sendo domingo, o advogado de Jack se prontificou em encontrar a família e tirar todas as dúvidas que eles tivessem.

Quando Harry e Christine chegaram em casa, eles encontraram Frank, JJ, Gerard e Jason tomando café da manhã na mesa da cozinha.

- Bom dia, meus amores. - diz Christine, beijando Frank e JJ, e seguindo para cumprimentar os "genros". - Bom dia, queridos.

- Bom dia, Mama. Bom dia, Papa. - diz JJ, recebendo um beijo no topo da cabeça de Harry. - Onde vocês estavam?

- Nós fomos encontrar os meus tios para o café da manhã e discutir algumas coisas burocráticas. - diz Harry, cumprimentando Gerard e Jason com um aperto de mão, e dando um beijo na cabeça do filho, seguido por um carinho na barriga.

- Como o quê, por exemplo? - pergunta Frank.

- Como o testamento do seu avô.

- Ah, pai, tá muito cedo pra se conversar sobre isso.

- Sim, eu sei. Só vamos abrir o testamento na semana que vem. O que nós resolvemos mesmo foi a questão da casa dos seus bisavós, lá no Maine. O Tio Spencer mora na casa, então eu quis garantir que, se depender de nós, ele não precisa se preocupar. Apesar do seu avô possuir uma parcela do imóvel, eu não tenho nenhum interesse em me mudar pro Maine, e acredito que você também não.

- Não mesmo. - diz Frank.

- Então nós decidimos passar a parte do seu avô para a sua filha. - ele diz, chamando a atenção de Frank e Gerard.

- O quê? Pai, você não precisava fazer isso.

- Não é uma propriedade espetacular, mas está na família há gerações, e nós queremos que continue assim. Um dia, quando ela crescer, poderá conhecer, e quem sabe até morar na casa em que a primeira geração americana dos Iero nasceu. Parte da casa é dela por direito.

- É muita generosidade sua, Sr. Iero. Obrigado. - diz Gerard, sorrindo. Ele toma a mão de Frank e beija os nós de seus dedos.

- Obrigado, pai. - Frank sorri para o pai, e retribui o carinho de Gerard.

- Meus queridos, vocês estão comendo bem? Está faltando alguma coisa? - pergunta Christine.

- Está tudo ótimo, Sra. Iero. - diz Jason.

- Maravilha. Depois do café eu quero que vocês descansem, okay? Ontem foi muito desgastante, vocês precisam recuperar as energias. - ela diz, e Frank e JJ se olham.

- Mãe, pai, a JJ e eu conversamos... - ele começa, chamando a atenção dos pais. - Nós gostaríamos de limpar a casa do vovô depois do almoço. Só nós dois. - ele diz, deixando Harry e Christine surpresos.

- Meu filho, você acha que isso é uma boa ideia? Está tudo muito recente, vocês dois nem processaram a perda direito. - diz Harry.

- Justamente por isso, Papa. Limpar a casa do vovô vai nos dar uma espécie de encerramento. - diz JJ.

- Mas precisa ser hoje? Depois de tudo que vocês passaram nem há 24 horas? Pelo menos levem os rapazes com vocês. - pergunta Christine.

- Nós vamos ficar bem, não se preocupem. Além do mais, a casa do vovô fica há menos de 10 minutos daqui. Qualquer coisa nós ligamos, pedindo socorro. - diz Frank.

- Eu não gosto disso nem um pouco. Acho que não é trabalho pra vocês e, muito menos, trabalho pra hoje, um dia depois de enterrarmos o seu avô. Mas eu sei que vocês já enfiaram essa ideia na cabeça, e ninguém vai tirar. - diz Christine. - Eu só peço que vocês se preservem. Não ultrapassem seu limite. Se sentirem que está pesado demais, por favor, nos liguem.

- Pode deixar! - diz JJ, dando um beijo na mãe postiça.

--------------------------------

A família passou o resto da manhã reunida na sala, dividindo lembranças sobre Jack. Harry contou sobre os conselhos que o pai lhe deu antes do seu primeiro encontro com Christine. A professora de artes compartilhou as belas palavras que o sogro lhe proferiu no dia de seu casamento. Frank contou como o avô o consolou após seu primeiro coração partido. JJ contou à família que costumava ligar para o avô postiço, pelo menos, uma vez por semana, sempre que viajava para longe. Como teve pouco contato com o avô de Frank e JJ, Jason contou sobre as dicas musicais que o velho Iero lhe deu. Já Gerard contou a todos a conversa que teve com Jack em sua primeira visita à casa dos Iero e o que o patriarca disse em relação à Christine. A revelação emocionou a todos, em especial, Frank e Christine.

A pedido de Frank, Christine preparou uma típica macarronada italiana, o prato favorito de Jack. Ao contrário do dia anterior, o almoço de hoje foi mais leve. Apesar da tristeza ainda imperar, a família parece mais conformada e pronta para começar a seguir a vida sem a presença de Jack. Após o almoço, Frank e JJ se arrumaram e se prepararam para seguir para a casa do avô.

Pegando o carro do pai emprestado, Frank recebe beijos e abraços de Harry e Christine, junto com a promessa de ligar, caso precisem de ajuda. Enquanto Jason e JJ trocam carinhos, Gerard acompanha Frank até a porta.

- Tem certeza que não quer que eu vá com você? - pergunta Gerard.

- Tenho. JJ e eu precisamos fazer isso sozinhos.

- Pelo menos deixe que o Robert leve vocês. Ele pode ajudar a carregar as coisas mais pesadas.

- Gee, não se preocupe. - diz Frank, colocando a mão no rosto ansioso do senador. - Vai dar tudo certo. Eu prometo que não vou levantar peso. Se a gente achar que não vai dar conta, eu ligo pra você na hora.

- É claro que eu me preocupo. Eu te amo.

- Eu também te amo. E estou muito agradecido de ter você ao meu lado nesse momento.

- Eu estarei ao seu lado em todos os momentos.

- Eu sei. Eu sou o cara mais sortudo do mundo. - diz Frank, sorrindo. Ele se ergue nas pontas dos pés e dá um beijo doce nos lábios de Gerard. Ele separa o beijo ao sentir uma mão em seu ombro. Olhando pra trás, ele vê JJ.

- Vamos? - ela diz, abrindo a porta e seguindo para o carro. Frank acena com a cabeça e volta sua atenção para Gerard.

- Daqui a pouco eu tô de volta.

- Se cuida, tá? - pede Gerard, dando mais um beijo nos lábios do rapaz. Ele, então, se ajoelha e coloca as duas mãos na barriga de Frank. - Cuida do seu pai pra mim, tá bom, princesa? Papai te ama.

- Ela também te ama. Nós dois amamos. - diz Frank.

Gerard se levanta, dá mais um beijo em Frank e então o vê seguir para o carro e partir em direção à casa do avô.

--------------------------------

Frank abre a porta da casa do avô e logo o aroma tão característico de imóvel invade suas narinas e aguça seus sentidos, transportando-o ao passado, quando ainda era só um garotinho e passava horas na casa dos avós, enquanto os pais trabalhavam. Sua avó, Diane, costumava preparar bolos e doces para animar as tardes de Frank e JJ, e mesmo após a sua morte, a casa continuou com aquele cheiro de bolo recém-saído do forno.

Jack, que nunca foi um bom cozinheiro, precisou de criatividade para continuar a tarefa da esposa, então apelou para a música, jogos e fotografia. Todas as tardes ele recebia as crianças depois da escola e preenchia os dias dos netos com jogos de cartas e álbuns de fotografias, enquanto jazz e blues tocavam no fundo.

JJ tem absoluta certeza que foi Jack quem despertou sua paixão por fotografia. Ela se lembra de ficar fascinada pelas fotos antigas do avô postiço. As fotos da lua de mel de Jack e Diane na Itália, mais especificadamente na Toscana. Sem nenhuma surpresa, a Toscana foi o primeiro destino da jovem em sua aventura ao redor do mundo.

Agora, ali, parados na entrada da casa, tudo parece tão distante, como algo que aconteceu há séculos atrás, ao mesmo tempo em que a dor ainda é bastante recente, como uma ferida aberta. Com os olhos marejados, Frank olha ao redor. Todas as coisas de Jack estão no lugar, do jeitinho que ele guardava, e isso faz seu coração se apertar.

Ele sente uma mão em seu ombro e olha pra trás, encontrando os olhos igualmente marejados de JJ.

- Você tá bem? - ela pergunta. Ele funga e seca os olhos.

- Sim, tudo bem. E você?

- Eu tô bem. Pronto pra fazer isso? - ela pergunta, e ele suspira.

- Pronto. Vamos começar no andar de cima, o que acha?

- Por mim, tudo bem.

- Então vamos nessa. - ele diz, e os dois sobem para o segundo andar.

Jack nunca foi um homem de muitas posses materiais. Tirando seus livros, discos, baralhos e álbuns de fotografia, Jack possuía muito pouca coisa, então Frank e JJ não tiveram muito trabalho para encaixotar as roupas e objetos pessoais do homem. E assim como os pertences de Diane, os de Jack foram separados para doação.

Frank e JJ se separaram para arrumar os dois quartos restantes. Os dois encontram mais pertences deles e do restante da família, do que algo que seja de propriedade de Jack. Enquanto JJ está quase finalizando o seu cômodo, Frank está indo mais devagar, por conta da barriga. Assim que termina a cômoda, ele segue para o armário. Assim que retira alguns cabides de roupa, ele se surpreende ao encontrar uma caixa no fundo do armário, com os dizeres "Para JJ" escritos com a letra de Jack.

- JJ! - chama Frank, se agachando para olhar melhor a caixa.

- Oi! Você está bem? - ela pergunta, assustada, entrando no quarto.

- Sim, eu tô bem. Mas eu achei isso aqui. Acho que é pra você.

- O que é isso?

- Não sei, mas a letra é do vovô. - ele diz, se levantando com a ajuda da amiga. 

Frank observa JJ pegar a caixa e seguir para a cama. Ela olha em volta, em busca de alguma coisa pra ajudar a cortar a fita adesiva que veda a caixa. Quando ela não acha, Frank saca o molho de chaves e entrega para a amiga, que usa a chave do portão da casa de Jack para rasgar a fita. Assim que abre a caixa, JJ sente o coração acelerar.

- Oh, meu Deus! - ela diz, retirando uma câmera fotográfica antiga de dentro da caixa. - É uma Yashica Mat 124G.

- Olha, tem mais aqui. - diz Frank, vasculhando a caixa.

- Essa é uma Hasselblad 500 C/M. Essa aqui é uma Pentax K1000. E uma Polaroid SX, e uma Mamiya RZ67.

- Tem, pelo menos, umas oito câmeras antigas dentro dessa caixa. Será que funcionam?

- Acho que sim. Parecem ter sido restauradas. Eu não acredito que ele lembrava.

- Do que?

- Um dia, muitos anos atrás, eu mostrei pra ele uma revista de fotografia com as 20 melhores câmeras vintage de todos os tempos. Nós ficamos encantados com o artigo. Eu disse pra ele que meu sonho era conseguir colecionar todas aquelas câmeras.

- E todas essas câmeras estavam no artigo?

- Sim, todas essas e... - mexendo na caixa, JJ sente que seu coração pulou uma batida. - Oh, meu Deus!

- O que foi?

- A revista. Ele guardou a revista. - ela diz, tirando a publicação de dentro da caixa. Ela folheia as páginas e sente seus olhos se encherem de lágrimas. - Olha, ele fez anotações. Ele marcou as câmeras que ele conseguiu encontrar e onde e como encontrar as outras. Eu não acredito! - ela diz, espantada, e já sem condições de segurar as lágrimas. Frank abraça a irmã postiça e lhe dá um beijo na têmpora.

- Ele estava juntando as câmeras para te dar de presente. Ele te amava demais.

- Eu o amava também. Eu o amava muito. Eu não acredito que ele se foi. - ela diz, caindo em pranto e sendo acolhida por Frank.

--------------------------------

Após uns minutos para se recomporem, Frank e JJ descem para o primeiro andar e começam a arrumar a sala. JJ fica com a missão de encaixotar os livros, enquanto Frank guarda os discos e porta-retratos. Os dois estão concentrados nas tarefas, quando batidas na porta chamam a atenção. Frank se levanta da poltrona e segue para ver quem está na entrada da casa de seu avô.

- Oi, Frank! - diz Ralph, amigo de Jack e proprietário da loja de antiguidade em que o velho Iero gostava de passar as tardes.

- Oi, Ralph. Tudo bem?

- Sim, na medida do possível, não é? E vocês, como estão?

- Estamos levando, tentando fazer as coisas do jeito que ele ia querer.

- O bom é que vocês têm um ao outro para se apoiar, isso faz a maior diferença. Especialmente para você.

- Pois é, eu tenho sorte de fazer parte dessa família, e ainda mais por ter tido ele como avô.

- Jack era um grande homem, que amava demais a família, especialmente os netos. Ele era louco por vocês.

- E nós por ele. - diz Frank, sorrindo. Ele vê JJ se aproximar e abre espaço para a moça.

- Oi, JJ! - diz Ralph, ao ver a jovem chegar à porta. E, para sua surpresa, JJ avança sobre o senhor, dando-lhe um abraço.

- Obrigada, Ralph. Muito obrigada.

- Pelo que? - ele pergunta, ao separar o abraço.

- Nós encontramos a caixa com as câmeras. Imagino que ele tenha tido sua ajuda para encontrá-las.

- Ah, sim. - ele diz, sorrindo. - Ele já deixou encomendadas duas câmeras que nós encontramos uns dois meses atrás. Devem chegar na semana que vem. Eu mando por Fedex pra você.

- Obrigada.

- Imagina. Inclusive, foi por isso que eu vim aqui falar com vocês.

- E como você sabia que estávamos aqui? - pergunta Frank.

- Eu liguei pra casa dos seus pais. A Christine disse que vocês estavam aqui. Eu tenho algo pra você. - ele diz, se abaixando e pegando um grande embrulho de presente que estava no chão. - Onde eu posso colocar isso?

- Na mesa de centro. - diz Frank, abrindo espaço para o homem passar.

- Seu avô e eu estávamos trabalhando há semanas. Nós suamos para conseguir as peças. A última chegou na terça, então o Jack disse que iria na loja nesse fim de semana para terminarmos, mas aconteceu o que aconteceu... - ele diz, colocando a caixa sobre a mesa de centro. - Então ontem, depois do enterro, eu sabia que precisava voltar para a loja e terminar o projeto. 

- Ralph, o que é isso?

- É um presente pra você, Frank. Na verdade, é um presente pra sua filha. O Jack me contou que é uma menina. Parabéns!

- Obrigado.

- Bem, eu espero que você goste. Seu avô construiu do zero, do jeito que ele achou que você fosse curtir, com todo o carinho e amor que ele tinha por você. - diz Ralph, deixando Frank ansioso. - Eu vou nessa. Qualquer coisa, por favor, me liguem. E assim que as máquinas chegarem, eu mando pra Washington.

- Obrigada, Ralph. Vem, eu te acompanho até a porta. - diz JJ, seguindo com o homem em direção à saída, enquanto Frank continua encarando o grande pacote à sua frente.

Assim que fecha a porta, JJ volta para a sala e se coloca ao lado de Frank.

- Você vai abrir? - ela pergunta, tirando o rapaz de seu transe.

- Vou. - ele diz, sacudindo a cabeça e respirando fundo. - Eu só... eu não sei se estou pronto pra ver o que tem aí.

- Você ouviu o Ralph. O vô fez isso pra você, então é algo que ele queria que você tivesse. Vai, abre. - diz JJ.

Respirando fundo mais uma vez, Frank rasga o papel de presente. Imediatamente um nó se forma em sua garganta e seus olhos se enchem d'água. Em cima da mesa de centro está uma linda vitrola no melhor estilo retrô, com o corpo em mogno, painel original, capsula da agulha em cerâmica e tampa de acrílico. Exatamente do jeito que Jack dizia que uma vitrola tinha que ser.

Ajoelhado no chão, Frank olha, vidrado, para a vitrola, enquanto lágrimas rolam por seu rosto.

- Oh, vô, então era isso que o senhor andava fazendo às escondidas? - ele sussurra, entre as lágrimas. - Obrigado.

- Nossa! É linda, Frankie.

- Sim, é linda mesmo. - ele diz, emocionado, passando a mão pela vitrola.

- Devíamos testá-la, o que você acha?

- Boa ideia. Você pode pegar um disco pra mim, por favor?

- Claro! - diz JJ, se levantando da poltrona e seguindo até a estante de discos.

Após procurar um pouco, a jovem escolhe um dos discos favoritos de Jack. Voltando para o lado de Frank, ela entrega o disco para o amigo, que lhe entrega a tomada da vitrola. Frank sorri ao ver o LP escolhido por JJ. Ele tira o vinil da capa e o coloca na vitrola, posicionando a agulha no lugar exato onde sua música favorita começa. Quando JJ senta no chão, ao seu lado, ele se acomoda e se aconchega com ela.

Assim que os primeiros acordes de "Father and Son" começam a tocar, Frank fecha os olhos. Nunca essa música fez tanto sentido, quanto agora. E a falta de Jack nunca será tão sentida, quanto nesse momento.

"It's not time to make a change

Just relax, take it easy

You're still young, that's your fault

There's so much you have to know

Find a girl, settle down

If you want, you can marry

Look at me, I am old

But I'm happy

 

I was once like you are now

And I know that it's not easy

To be calm when you've found

Something going on

But take your time, think a lot

I think of everything you've got

For you will still be here tomorrow

But your dreams may not

 

How can I try to explain

When I do he turns away again

And it's always been the same

Same old story

From the moment I could talk

I was ordered to listen

Now there's a way and I know

That I have to go away

I know I have to go..."


Notas Finais


RIP VOVÔ JACK!!! :'(

Pra quem quiser, segue a música que eles ouviram: https://www.youtube.com/watch?v=i3AQG09E0WA


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...