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História How Find Out A Liar - Capítulo 9


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Notas do Autor


Eu na verdade atualizei no começo do mês, dia primeiro, mas esqueci de postar aqui.

Capítulo 9 - Emoções.


Não era comum que fosse à escola ao sábado.

Naquele, entretanto, lá estava ele banhando-se no maior tédio possível, sem pressa alguma.

Seus sentimentos estavam numa mescla entre felicidade e mágoa. Seus pais finalmente, depois de um longo tempo, resolveram dar sinal de vida e isso era ótimo, era incrível.

E eles conversaram sobre muitas coisas, mostraram fotos que tiraram e sua mãe reclamou do pirulito de escorpião que se prestou a provar.

– Mamãe! – Os irmãos e exclamaram juntos.

– Não tive culpa, quando eu vi já estava na minha mão e eu estava mordendo! – Se explicou, erguendo as mãos ao alto.

– Aqui é tudo muito agitado. Eu já comprei uns sete chapéus de palha e nem sei porque. Os vendedores são ótimos! – Seu pai contou, sorrindo grande.

Até essa altura, tudo estava ótimo - perfeito, chegava pensar -, até chegarem aquele fatídico assunto que Jungkook tentou (e conseguiu) evitar a todo custo durante todo o ano e pretendia fazê-lo até se formar, mas dessa vez não pode escapar.

Claro que tentou desligar a vídeo chamada e até parou de respirar só para fingir que ela havia travado. Mas não teve jeito, seu pai foi insistente e não o deixou fugir mais uma vez.

– Jungkook-ah, você precisa se escrever em um curso, só suas notas não serão o suficiente. – O senhor Jeon suspirou, já cansado daquele assunto.

– Voce vai gostar, Ggukie. Tem tanta coisa legal nessa escola! Por que não tenta o clube de teatro com a Jennie? – Sua mãe tentou, mordendo sem perceber os lábios em expectativa.

– Ah, não. De jeito nenhum, esse povo é tudo doido, mãe!

– Hei! – Jennie lhe acertou um tapa na nuca. – Nós somos normais, ta legal?

– Voce sai pela casa com um ursinho imitando a branca de neve! – Acusou, causando risadas aos mais velhos.

– Mas de verdade, Jungkook, você tem que achar algo. – O Jeon mais velho voltou ao assunto, fazendo o mais novo automaticamente suspirar.

– Amanhã é sábado, vá com sua irmã e visite as oficinas. – Sua mãe sorria morno, amolecendo o coraçãozinho frágil do adolescente, que mordeu o lábio inferior antes de soltar um fungar, estava derrotado. A mulher sorriu grande. – Tente, juro que caso não se identifique com nada, não iremos mais te perturbar!

– Mulher! – O homem ralhou enquanto o garoto comemorava - estava certo que não gostaria de nada la.

– Ja esta dito, não volto atrás em minha palavra! – Deu as costas ao marido, andando apartamento a fora, enquanto o outro corria atrás dela cheio de poréns.

– Você vai amar, Gguk-ah. Os instrutores são uns amores! – Foi oque Jennie lhe disse quando foram dormir.

E ele acreditou, até precisar acordar às cinco e meia num sábado.

Jungkook odiava, com todas as suas forças, acordar cedo aos sábados. Era por isso - além do sono - que ele só desligou o chuveiro quando as batidas na porta soaram alto e o despertaram do pequeno cochilo em pé.

Ele bocejou enquanto secava o cabelo e parava de frente ao espelho embaçado pelo vapor, usando a própria toalha para limpar e enxergar seu reflexo.

Ali, parado, ele pode sorrir um pouco para si mesmo; sua aparência estava indescritívelmente melhor, os tais 'cuidados de pele' de Jennie realmente faziam milagres. E talvez não tenha sido má ideia acompanhar a mais velha na academia e yoga - e ele também estava de olho no taekwondo.  Sorrindo um pouquinhos mais, jogou água gelada no rosto e depois de secar, passou o protetor solar, já que passaria o dia todo andando pela escola e a previsão era de temperatura alta.

– Jennie, que roupa eu visto? – Gritou de seu quarto, para que sua irmã ouvisse do dela.

E ela não demorou chegar, olhando da porta o garoto ainda de toalha e cabelos úmidos. Jennie Kim usava sapatilhas baixas com meia calça escura, uma saia preta levemente rodada que chegava próximo aos joelhos e uma blusa de manga coladinha, com as costas à mostra. Caminhos apressadinha até o guarda-roupas e bastou passar os olhos para escolher uma bermuda de tecido fresco e uma camisa de manga curta, em tons claros, procurou por sapatênis confortáveis e jogou tudo em cima da cama.

– Seca o cabelo e desce para comer, vamos sair logo. – Disse caminhando para a porta, sem olhar para ele.

Jungkook fez oque foi pedido, vestiu-se e secou os cabelos com um secador, calçando os sapatos e descendo apressado com seu estômago reclamando mais alto que um grupo de elefantes famintos.

– Come rapidinho, nós vamos andando. – A garota disse colocando um prato com torradas no balcão para ele.

– Andando? – Suas sobrancelhas se juntaram, em confusão. – Mas e o motorista?

Jennie não tomava café pela manhã, dizia que fazia mal, então se limitava a chá de capim-limão. Mas ainda assim, serviu com leite, o líquido preto fumegante, ao irmão - sabia que era capaz dele se dormir sentado na cadeira sem uma pequena dose de cafeína.

– Caminhar faz bem. – Disse por fim. – Beba tudo.

O restante do café da manhã seguiu em silêncio.

No instante em que o carro particular parou diante dos portões abertos da escola, o menino sentiu seu estômago pesar uma tonelada. Aquele lugar estava mais cheio do que nunca viu, parecia até início de ano, quando novas turmas eram apresentadas, ele não imaginava que tantas pessoas acordavam cedo aos sábados, para vir participar das oficinas que a escola oferecia.

– Bom dia, Jennie. – Uma garota cumprimentou assim que os seus pés e os de sua irmã pisaram o primeiro passo para dentro das limitações da instituição. E claro, seguido de muitos outro, Jennie Kim era conhecida e conhecia muita gente, parava o tempo todo para conversar com as pessoas, perguntar como andava a família e se a dona Néia havia acertado a receita daquele pudim.

Jungkook se sentia um bicho.

Muitas pessoas olhavam para ele, curiosas:
– Ah, esse é o seu irmão?

Foi a frase que ele mais escutou durante o curto percurso, que certamente durou muito além do que duraria normalmente. Ele faria o mesmo caminho em, talvez, quatro minutos? Mas seus olhos arregalados e assustados se abriram ainda mais quando chegaram a sala de teatro - que era o próprio teatro da escola - e Jennie pediu "desculpa pelo atraso". Os olhões de corça foram para num grande relógio de chão, um tanto antiquado: 08h30. Como isso era possível? Não saíram de casa às sete? O percurso de carro demorava uns, sei lá, oito minutos? 

– Jennie Kim, minha querida princesinha! – Um homem provavelmente nas casa dos quarenta, se aproximando de braços e sorriso abertos. – Que bom que chegou, estávamos esperando para ensaiar a peça de boas vindas para a turma do ano que vem!

– Bom dia, contador de histórias! – Jennie abraçou-o apertado, como se não o visse a anos - mesmo que tivesse visto no sábado anterior. – Ah, já temos o roteiro? – Seus olhos brilhavam quando eles se separaram.

– Sim, sim. O 'homem pequeno' fez, esta incrível! – Eles riram um pouco, até os olhos pequenos, sob uma sobrancelha enorme e grisalha, do homem alcançarem o menino tímido atrás da garota exuberante. – Princesa, quem é o cavaleiro de armadura reluzente aí atrás?

Jungkook arregalou os olhos e levantou as sobrancelhas quando foi notado. Ele estava esperando que ficasse apenas observando, até poder dizer que não se interessou e ir atrás de outro curso.

– Ah, esse é o meu irmão Jungkook. – Ela o pegou gentilmente pelo pulso e o colocou ao seu lado. – Jungkook, esse é o professor Edward, mas nós o chamamos de Contador de História. – Ela sorriu, seus olhos se tornando linhas brilhantes.

– Oh, então você é o famoso Jungkook? – O professor fez uma pose como se cumprimentasse alguém da realeza e estendeu a mão. – Estou muitíssimo honrado em conhecê-lo, cavaleiro!

Jungkook não pode conter o riso, mostrando seus dentinhos avantajados enquanto aceitava a mão alheia, com suas bochechas rosadas de vergonha.

– É um prazer conhecê-lo. – Respondeu tímido, desviando os olhos para os sapatos.

– Exelente! – Imitou o movimento de continência. – Vamos, meus queridos, a aula vai começar! – Ele se virou de costas aos irmãos, rígido, e foi marchando para o palco.

A aula começou e Jungkook não pode fazer menos que admirar. Ele achou encantador como todas aquelas pessoas conseguiam mudar e se transformar em personagens tão diferentes, mas tão realistas. Sorrindo mais que tudo, o menino nem viu a hora passar e já era nove e meia quando sua irmã vaio ter consigo.

– Ei, acorda. – Estalou o dedo na frente de seu rosto, tirando-o da atenção do palco. – Você pode ir visitar outros cursos agora, nos encontramos no almoço, é só procurar pela mesa mais legal.

Jungkook não se demorou muito ali, logo ele estava vagando pelos corredores em busca de outras turmas para assistir. Andando por aí, ele pode ouvir o som de vários instrumentos juntos, tinha uma melodia boa e foi para lá que ele resolveu ir. Alcançou a porta fechada e espiou pelas janelinhas, estava certo, havia um grupo de jovens, com instrumentos de vários os tipos - agora sem tocar -, olhando parabo maestro e parecia explicar algo.

– Do começo! – Pode ouvir o moço de roupa engomada, com uma varinha na mão e logo a música voltou. O menino resolveu que seria melhor continuar ali, para não interromper o ensaio que provavelmente era para o baile de formatura.

– É legal, não é? – O garoto teve um pequeno sobressalto com o susto que levou ao ouvir uma voz ao seu lado, assim de repente. Se virou com os olhos arregalados e encontrou um sorriso divertido, que sorria de sua reação.

Era uma garota, mais ou menos da sua altura. Os cabelos escuros caiam por seus ombros como cascata e seus rosto era como de um anjo.

– A-ah, sim... – Respondeu envergonhado por ter sido pego espiando.

– Vamos apresentar em breve, você verá. O clube de teatro se prestou a construir um cenário deslumbrante. – Ela falava como quem conta uma estória fantástica. – A propósito, sou Kim Jisoo! – Estendeu a destra e ofereceu um sorriso singelo.

– Jeon Jungkook. – Cumprimentou, sorrindo mínimo. – Você faz parte do clube de música? – Perguntou curioso.

– Sim, sim. – Ela se aproximou da pequena abertura na porta, apontou para uma cadeira vazia atrás de um instrumento circular. – Toco tamborim! – Sorriu orgulhosa.

Jungkook sorriu também, mas então voltou sua atenção para a turma e a cadeira vazia. Ela...

– Não devia estar lá dentro? – Perguntou de cenho franzido.

Jisoo então sorriu novamente - e ele notou que ela fazia isso frequentemente - e deu de ombros, antes de responder.

– Ah, daqui a pouco eu entro. – Fez pouco caso. – Gosto de observar de fora as vezes, para saber como as pessoas nos virão.

Os dois permanecem ali em silêncio, apenas assistindo, até os alunos fazerem uma pausa e o maestro encontrar Jisso enquanto ia ao banheiro.

– Mocinha, por que esta aqui fora? Vamos, entre, o próximo ensaio será pra valer!

Jungkook não se demorou ali, deu no pé para longe e acabou na quadra de vôlei, onde garotos de coletes amarelos e azuis disputavam. Sentou-se na arquibancada e assistiu a bola voar de um lado para o outro. Com um pouco mais de atenção, conseguiu reconhecer dois rostos familiares - Taehyung e Seokjin. Ele ergueu as sobrancelhas em espanto, sabia que os garotos jogavam bem e já haviam ganhado diversos troféus e medalhas para a escola, mas nunca os vira jogar realmente, sem evitou a aglomeração.

Eles pareciam ter muita técnica, batiam na bola sem dó, sempre gritando comenados uns aos outros.

Não levou muito tempo para que Jungkook chegasse a conclusão de que vôlei não era para ele. Então se levantou e saiu sem ser notado.

Estava chateado, enquanto andava sem rumo pela grande escola. Não havia visitado muitos cursos, mas também não queria visitar mais, estava farto! Parecia que nada ali era para si! Respirou fundo pelo nariz e soltou forte pela boca, se reencostando na parede ao lado, fechando os olhos por um momento. Mas seu momento de paz não durou muito, sobressaltou-se ao som de um apito próximo e olhou ao redor assustado, procurando quem tinha feito tamanha maldade. Foi quando notou estar do lado de uma porta dupla, entreaberta. Nela, uma placa em negrito: Natação. Fora isso, o apito provavelmente foi soprado pelo treinador.

Curioso, se enfiou pelo vão da porta pesada, sem querer fazer barulho e se esgreirou pelos cantos, achando um lugarzinho para espiar a turma cheia de energia.

– De novo! – O treinador - Jungkook concluiu pelas vestes e apito em mãos - gritou, alto. – Natasha, levanta mais esse braço!

Água espirrava para fora, saltos de vários tipos e braçadas largas; como eles conseguiam ficar tanto tempo sem respirar? Todos pareciam ter uma energia imensa, saiam da água para dar a volta na piscina e se jogar novamente, velozes e vorazes, com garra e em algum momento, Jungkook se pegou sem respirar, seus olhões de corça arregalados e a boca aberta, as pupilas seguindo todos os movimentos sincronizados e aquilo era lindo. Estava fascinado.

– Ei, garoto! – Deu um saltinho no lugar quanto sua distração se dissipou, com a aproximação daquele que ele julgou ser o treinador. Se levantou apressado, pronto para correr para fora, mas o outro foi mais rápido, se colocando no caminho alheio. – Estava assistindo a aula? – Não obteve resposta. – Ah, você deve ter vindo para se candidatar a turma do ano que vem. Sou Jhoseph, o treinador. – Estendeu a mão, sorrindo aberto.

Jungkook hesitou, observando a mão grande e calejada, antes de estender a sua em um cumprimento. – Jeon Jungkook...

– Eai, Jungkook. Tudo bem? – Esperou para ver o menino concordar com um aceno. – Chega mais, vamos conversar um pouco.

Enquanto caminhavam para a beira da piscina, Jungkook sentia suas pernas tremerem e um frio tão grande na barriga, não sabia explicar.

– Ja entrou na água alguma vez?

– Quando eu era menor, fazia natação... – Respondeu acanhado, mordendo o lábio inferior.

Não era só verdade, como também ele era um ótimo nadador, participou de vários campeonatos mirins e ganhou algumas medalhas. As coisas esfriaram quando ele começou a ganhar idade, a vontade de entrar na água somados a vergonha de usar uma sunga. Ele sentia vergonha de que vissem seu corpo magrelo, tão diferente dos seus companheiros. Sentia-se deslocado.

Seus pais até tentaram convencê-lo a continuar, mas já era tarde demais. A paixão havia se acabado.

– Ah, que bom, isso ajuda muito! – Sorriu, apoiando as mãos na cintura. – Nossa escola tem grade potencial, Jungkook. Estamos sempre apoiando nossos alunos a investirem em seus sonhos e mesmo que isso aqui seja só um hobby, um passa tempo – Indicou ao redor, insinuando as piscinas. – Estaremos aqui também, vamos fazer o possível para que se sinta da família!

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios do menino, que tratou de baixar a cabeça para esconder, mas que os olhos atentos de Jhoseph conseguiram capturar.

O treinador conteve um suspiro. Tinha uma longa carreira na natação e era comum que surgissem adolescentes e crianças assim, até mesmo adultos. Quando escolheu ser professor e ensinar aquilo que era sua paixão, percebeu que essa profissão estava além de ditar para que os outros ouvissem, estava em aprender também. Aprender a interpretar pequenos gestos e entoação de voz, a desvendar tudo oque aqueles olhinhos atentos guardavam atrás da curiosidade, o medo, o receio, a vontade. Quando se deparou com isso pela primeira vez, foi seu primeiro obstáculo e ele prometeu a si mesmo que deticaria sua vida a tornar os dias, mesmo que algumas horinhas deles, daqueles jovens algo para se guardar, um momento de alegria e algo para se orgulhar.

Jungkook deixou a sala com um panfleto em mãos e um sorriso no rosto, o coração saltitava no peito enquanto lia data e hora no papel, estava ansioso para o próximo ano.

Quando se deu por si, era hora do almoço e como combinado, devia encontrar sua irmã no refeitório.

O almoço foi leve, nada de emocionante se não pela empolgação de sua irmã, que acabou lhe contagiando um pouco, fazendo-lhe sorrir abobado para oque quer que fosse.

– Já escolheu o curso que vai fazer? – Ela perguntou em um momento de pausa para comer a comida que havia esfriado por causa da tagarelice.

– Sim, acho que... vou fazer natação. – Respondeu sem olha-la nos olhos, um pouco envergonhado por voltar atrás com sua promessa de que nunca mais faria natação em sua vida. Parece que o universo estava gostando de brincar com sigo.

– Sério? Eu... – A garota não tinha palavras para expor sua alegria e claro, estava chocada. – Que bom, isso é incrível! Tenho certeza que você vai deixar todo mundo de boca aberta!

E assim o almoço seguiu e terminou, com Jennie Kim falando mais que a boca sobre como seu irmão havia feito uma ótima decisão e que iria impressionar a todos com suas riquíssimas agilidades de nado. Isso fez, pelo menos naquele instante, Jungkook se sentir confiante, com uma chaminha aquecendo o peito e fazendo fogos de artifício voarem de seu coração e explanarem em forma de um enorme sorriso orelha a orelha, tão grande que faziam suas bochechas doer em e deus, ele descobriu amar essa sensação.

Mais uma vez nos corredores, Jungkook andava por andar, seu curso já havia sido escolhido e ele só não queria ficar parado com cara de bobo, sorrindo para o nada. Pouco adiante, pode ouvir um som baixo que lhe chamou a atenção (e parecia que aquela escola era movida a melodias), atiçando sua curiosidade que não era pouca. Ele se aproximou da porta entreaberta, espiando pela fresta; um chão de madeira, janelas grandes com cortinas longas, espelhos enormes e uma rádio no chão - que ele notou ser a fonte da música - e claro, uma pessoa. Pessoa esta que se mexia no ritmo da música, seu corpo parecia leve como uma pluma, a calça preta colada e a blusa branca marcavam suas curvas e davam balanço aos paços espontâneos. Sua cabeleira loira parecia brilhar como ouro, refletindo a luz do sol. Estava de costas para si, mas graças a ajuda dos espelhos nas paredes, Jeon pode ver seu rosto.

Ele estava de olhos fechados, mas o cenho franzido denunciava sua concentração e seus corpo bem posicionado seguia a melodia que começava a ficar cada vez mais densa, graças aos sons de violinos que começavam a surgir de maneira inesperada e Jungkook sentia como se estivesse sem ar a cada novo arranjo. Os passos que antes eram leves, agora estavam cada vez mais decididos, os braços guiavam o corpo e seus pés seguiam o levando cada vez para mais longe como se estivessem rumando para a beira de um precipício e então... Jungkook soltou forte a respiração presa, apenas quando o dançarino pousou seus pés no chão após um salto gracioso, aquele havia sido o grande final.

Jeon só percebeu que havia adentrado a sala e batia palmas alto quando notou os olhos verdes levemente arregalados em sua direção e o espanto nada disfarçar do garoto a frente.

– Perfeito, perfeito hyung! – Ele não controlava se sorriso ou pernas, que se aproximavam do mais velho ali. – Você foi incrível, como você conseguir fazer aquilo? – Gestificou com as mãos,  mesmo que seus gestos não fizessem sentido.

– Jungkook! – Exclamou, antes de correr para o radio no chão e desligar antes que a música recomeçasse. – O que, eu... obrigado. – Agradeceu se recompondo. – O que veio fazer aqui? – Perguntou fechando a porta e sentando-se no chão, dando batidinhas no espaço ao lado para que o garoto se senta-se ali.

E assim Jungkook fez, sentando-se meio virado para que pudesse olhar para o outro enquanto conversavam.

– Eu estava andando quando ouvi a música e então vim espiar. – Admitiu, coçando a nuca envergonhado. – A propósito, eu nunca ouvi aquela música, de onde é? É bem legal.

– Mas o que veio fazer na escola no sábado? – Rebateu, ignorando a pergunta alheia.

Jimin tinha para si que suas danças secretas eram seus maiores tesouros que deveriam ser guardados as setes chaves e por isso se encontrava tão alarmado com a ideia de que outro alguém estivesse saboreando algo tão íntimo como aquilo.

– Ah... bom, meus pais meio que me convenceram a me inscrever num curso esse ano. – Cruzou as mãos sobre os joelhos. – Então, cá estou eu.

– Entendi. Você não queria fazer isso? – Perguntou de maneira delicada, tentando não soar invasivo.

– É... não queria. Então nós fizemos um trato que se eu não gostasse de nenhum curso, eles nunca mais insistiriam!

– E então você escolheu algo? – Reprimiu um sorriso, já sabendo do desfecho daquela história.

– Escolhi. – Admitiu, abaixando a cabeça para admirar o chão riscado.

– Hm... e escolheu o quê?

– Natação! – Seus olhos ganharam um brilho a mais, Jimin não pode deixar de notar. – Eu já fazia quando era menor, mas parei porque... Mas eu acabei me interessando quando vi os alunos na sala de natação.

– Sentiu vontade de voltar?

– É, eu... Sabe quando sei lá, a gente sente algo e... aquilo... parece que você vai explodir e seus pés formigam e da vontade de sair correndo e não parar mais?

– Sei sim.

– Então, foi tipo isso! – Bateu no chão, para descontar suas emoções. – Ai eu pensei que devia tentar, porque... sei lá.

– Sei... – Jimin não tinha muito oque dizer. Na verdade, acreditava que o melhor seria deixá-lo falar, porque era como se ele só estivesse todo esse tempo procurando alguém para ouví-lo.

– Ai então vou voltar, ano que vêm. – Mordeu o lábio inferior, sentindo-se um pouco exposto, mas não queria parar. – Eu tenho medo. – Soutou e Jimin pensou que talvez os pensamentos estivessem vazando pela sua boca.

– Medo de que? – Perguntou baixinho, manso, se aproximando devagarinho para não assusta-lo.

– De desapontar todo mundo. Porque... parece que tá todo mundo esperando tudo de mim, mas eu não sou nada. – Sua voz tremeu um pouco e ele fez uma pausa antes de proceguir. – Eu tenho medo de decepciona-los. – Disse por fim.

Houve um momento de silêncio, onde os pensamentos de Jimin estavam em brando enquanto ele tentava pensar no que dizer àquele garoto. Ele parecia tão quebrado, parecia que suas partes estavam sendo seguradas por um único fio de vontade apenas.

– Você... não precisa viver por eles. – Comentou, ganhando olhos arregalados do garoto a sua frente. Pode ver quando os grandes botões brilhantes dele ficaram envidraçados, repletos de emoções não ditas e talvez, gratidão, Jimin não saberia dizer.

– Eu... mas eu não sei fazer outra coisa. – A primeira lagrima veio sem que ele pudesse conter. Então o primeiro soluço sucedeu.

Jimin aproveitou a proximidade para abraça-lo e deixar que colocasse tudo para fora. E ele o fez, chorou como uma criança, chorou como se seu corpo fosse um rio cheio e seus olhos duas cachoeiras de tristeza reprimida. Chorou sem nem saber mais o porquê.

E longos minutos se passaram antes que ele estivesse tremendo sem lágrimas para chorar, seu corpo descontrolado sendo segurado por um desconhecido que nem tinha culpa de nada e então chorou mais um pouco, por se sentir fraco ao permitir-se ser fraco e chorou por se sentir culpado ao descontar suas frustração em quem nem tinha culpa de nada.

Quando terminou, Jimin beijou-lhe o topo da cabeça e acariciou suas costas por mais alguns minutos, até que ele estivesse estável novamente e quando isso aconteceu, ele focou suas grandes esmeraldas brilhantes naqueles pequenos universos cansados e Jungkook soube que ali havia seu porto seguro, alguém com quem podia contar.

Após toda a emoção, Jungkook se sentia envergonhado, caminhando como uma criança ao lado do mais velho que lhe segurava pela mão, pelos corredores da escola. Sentia seu rosto quente mas seu peito aquecido fazia-lhe entender que não havia problema nisso e que chorar faz parte. Nós choramos quando nascemos e choramos quando nos machucamos, choramos quando caímos de bicicleta pela primeira vez e choramos quando liberamos todos os sentimentos reprimidos. Chorar era natural, era como a chuva que vinha para lavar, era o não querer com precisar.

E Jeon sorriu quando viu sua irmã lhe esperando na frente dos portões, quando o sol já se punha. Ela tinha os olhos preocupados atentos em cada rosto que saia e eles se iluminaram quando encontraram os seus. Jungkook não soltou das mãos do Park até que fosse entregue a irmã e então pudesse segurar as mãos dela.

– Obrigado por trazê-lo ate mim, Jimin-ah. – Agradeceu, apertando as mãos alheias nas suas.

– Não por isso, Jennie-nuna. – Sorriu para ela, antes de virar-se para o garotinho acanhado a abraçá-lo mais uma vez. – Te vejo segunda-feira, Kookie-ah.

Jungkook devolveu o sorriso e não parou de sorrir durante todo o percurso para cara, não parou de sorrir durante o banho e nem mesmo enquanto deitava-se para dormir, enquanto admirava o teto do quarto e não parou de sorrir nem mesmo em seus sonhos.


[#DescobrindoMentirosos🔍]


Notas Finais


(A parte: era como a chuva que vinha para lavar, era o não querer com precisar é uma referência a música "Desci a ladeira", do Cantor e Rapper PROJOTA, recomendo muito!)

[Edit - 23/02/2021]: Para quem leu aquilo ali, publiquei essa capítulo dia primeiro desse mês, não esperava me decepcionar tanto com alguém que admirei imensamente desde sempre kk... A música eu recomendo, é muito boa. A pessoa... bom, o tempo dirá.



Volteeeei depois de três longos meses de bloqueio criativo, consegui finalizar esses capítulo! Pelo menos veio ai um 4k de palavras para compensar. Esse capítulo não era exaaatamente oque eu queria mas fiquei satisfeito com o resultado final e espero que vocês gostem tanto quanto eu.

Deixem uma estrelinha aqui pra mim, eu mereço vai, sai do bloqueio! E se puderem comentem e compartilhem! Obrigado 💜💜💜


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