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História How I can love you again (Parte 2) - Capítulo 34


Escrita por:


Notas do Autor


*link para a playlist da fanfic no spotify nas notas finais

OLÁ! VOLTEI! GLÓRIA, GLÓRIA ALELUUUUUIA...

E aí gente, como vocês estão?! Espero que todos estejam bem e se cuidando :)
Agora que entrei de férias vou ter tempo para voltar a atualizar How I Can e pretendo até mesmo finalizar a história durante esse período. Criei o objetivo de tentar postar um capítulo por dia, porém se vou conseguir cumprir será outra história... hahahahaha. Mas espero de verdade que eu consiga cumprir esse objetivo, e após o fim de How I Can vou dar inicio ao projeto de Little Things. Além disso ainda tenho It's all about secrets, ao qual ainda não me decidi se continuarei a história ou vou acabar engavetando, já que como a situação está caótica em nossas vidas, escrever duas histórias ao mesmo tempo não anda sendo uma opção viável nesse momento, enfim, espero logo me decidir.

Bom, chega de xurumelas e vamos ao capítulo que espero que vocês gostem!
Desculpa pelos eventuais errinhos que podem aparecer!

Good read, lavem as mãos, usem máscara quando precisarem sair e fiquem em casa se possível! ♡

Capítulo 34 - Capitulo 34 - Apologies


Fanfic / Fanfiction How I can love you again (Parte 2) - Capítulo 34 - Capitulo 34 - Apologies

NANCY ON.

O vento abafado do começo da manhã quente de verão me conforta em meio a quantidade de pensamentos que venho carregando desde a madrugada. Não bastasse toda a preocupação que estou tendo por causa da visita dos Carter a nossa casa, o dia de hoje me lembrou de outra preocupação que estava guardada.

- Você está bem? – Me assusto com a aproximação repentina de Jeffrey – Pelo visto não. – Ele sorri antes de me dar um beijo na testa e envolver seus braços ao redor do meu corpo. Dou um leve sorriso.

- Papai e Clark também voltaram? – O pergunto.

- Sim, viemos todos juntos. – Jeff ajeita uma mecha solta do meu cabelo – Ainda não respondeu minha pergunta. – Me diz. Suspiro antes de voltar a olhar para o pequeno jardim nos fundos da casa.

- Estava pensando em algumas coisas e tentando relaxar um pouco. – O digo.

- Está preocupada com os Carter? – Faço que sim – Não precisa estar por perto se não quiser...

- E não dar apoio ao Clark?! – Falo um pouco indignada – Não vou deixar minha família por causa de uma amizade boba do passado.

- Ok, tudo bem, esquece o que eu disse. – Ele se aconchega em mim apoiando seu queixo em meu ombro – Clark me contou que ele te ajudou a ir para Nova York. – Viro minha cabeça para encará-lo.

- Por acaso ele disse algo sobre eu estar devendo uma grana a ele? – Jeff ri.

- Você não deve nada.

- Devo sim. – Mesmo com o discurso de Clark me sinto endividada com ele de alguma forma. Ainda preciso recompensá-lo pelo que me fez – Talvez não em dinheiro, mas ainda o devo de alguma forma. Fui muita má com ele.

- Ele não parece guardar magoa. Clark é bem resolvido.

- Eu sei. – Mordo os lábios – Mas eu não sou bem resolvida.

- Hm, tenho que concordar. – Entorto os olhos para Jeffrey – Foi você quem disse. – Me dá um beijo na bochecha – Vamos entrar, sua mãe me mandou aqui para te chamar para o café. – Ele me leva pela mão.

- Não estou com fome.

- Sem fome ou com fome, coloque alguma coisa nesse estômago. – Diz antes de abrir a porta dos fundos.

- Impressão minha ou estamos invertendo os papéis? – Paro na entrada da porta, Donavan se virar para me olhar.

- Acho que podemos estarmos invertendo os papéis. – Jeffrey me analisa por um tempo – E agora estou começando a ficar preocupado.

- Eu sou mais fácil de lidar. – Dou um pequeno sorrisinho, ele balança a cabeça.

- Não é não. – “Eu sei.”

(...)

- Você não está me ajudando. – Nicole reclama após tirar minha mão da boca. Olho para os meus dedos mordiscados – Achei que tinha parado de roer unha. – Me diz após voltar a se aconchegar na outra ponta do sofá.

- Eu também achei. – Cruzo os braços para manter minhas mãos escondidas – Clark está lá em cima? – A pergunto.

- No quintal. – Me diz – Jeffrey e o papai estão ocupando a cabeça dele com conversas entre rapazes.

- Credo. – Meu pai não tem as conversas masculinas mais agradáveis, na verdade ele nunca sabe sobre o que conversar e como fazer graça entre amigos. Olho para o pequeno relógio na parede da sala – Que horas eles iam chegar mesmo?

- Às 17 horas. – Nick também encara o relógio, falta pouco menos de uma hora – Estou começando a ficar agoniada.

- Eu também. – “Na verdade estou agoniada desde que soube sobre a visita.”

- Então o que acha de ficarem menos agoniadas me ajudando aqui?! – Mamãe aparece na entrada da sala segurando o pote de café – Me ajudem a preparar o café, o bolo que coloquei para assar está quase pronto. – Levanto do sofá rapidamente.

- Salvas por mamãe. – Nick diz ao se levantar também.

- Vocês que pensam, também estou tentando me salvar. – Ela nos dá uma piscadinha.

- É, estamos todos desesperados aqui. – Comento com Nick. A campainha da porta toca, congelo por um momento – Eles não...

- A mãe de Clark. – Nick dispara até a porta, vejo a mulher loira e magra e de aparência sempre cansada entrar na sala. Ela e minha irmã se abraçam – Que bom que pode vir.

- Consegui sair mais cedo do trabalho. – A diz antes de me olhar – Nancy?! Você está linda, a quanto tempo!

- Olá senhora Lewis. – Me aproximo para cumprimentá-la com um abraço – Não sabia que vinha.

- Clark só me contou hoje cedo, não podia deixar de estar ao lado do meu filho nesse momento. Ainda tenho garras afiadas para defender minha cria. – Ela ri.

- Também afiei as minhas, acho que podemos fazer um estrago juntas caso seja necessário. – Nick comenta.

- Acho que sim, seria divertido, não acha?! – Rimos do comentário antes de voltarmos para a cozinha para ajudar mamãe. A senhora Lewis e ela entram em um papo animado enquanto Nick e eu nos ocupamos em terminar o café.

- Ela sabe disfarçar muito bem. – Nick sussurra de maneira quase incompreensível.

- O quê?! Repete. – A digo, ela revira os olhos.

- Laura sabe disfarçar muito bem, ela está uma pilha de nervos, senti a tensão nela assim que a abracei. – Acho estranho, pois eu não percebi nada.

- Isso é bom ou ruim? – Pergunto, ela apenas balança a cabeça.

- Não sei, vai depender do que rolar aqui. – Volto a ficar preocupada.

(...)

Sinto vontade de sair correndo da sala enquanto a tensão aumenta com os minutos passados no relógio. Já passa das 17 horas e os Carter ainda não apareceram.

- E se eles não vierem? – Nick pergunta quebrando o silêncio na sala. Clark a olha nervoso ao seu lado, mas a ideia parece relaxá-lo um pouco, ao contrário de mim que continuo tensa.

- Carter é um homem de palavra, só estão um pouco atrasados. – A campainha toca assim que papai termina de falar. Todos nós olhamos ansiosos, meu coração dispara.

- Calma. – Jeffrey diz deslizando suas mãos sobre os meus ombros – Estou ao seu lado. – Me aproximo ainda mais dele, mas me mantenho em pé próximo à entrada da cozinha. É uma rota de fuga perfeita caso eu precise. Papai nos olha por um momento antes de se levantar e ir até a porta para abri-la. Vejo o senhor Carter entrar com cara de poucos amigos seguido pela senhora Carter de cabeça baixa e envergonhada. Respiro fundo para me preparar ao ver a cara de Brad, porém paro de respirar no meio do caminho ao ver o seu rosto machucado. Nossos olhos se cruzam por um momento, mas Brad desvia o olhar e o rosto rapidamente. Olho de relance para Jeffrey que estreita os olhos.

- Sentem-se, fiquem à vontade. Fizemos um café. – Meu pai indica um dos sofás da sala com lugares vagos. Mamãe deixou o café e uma travessa com pedaços de bolo na mesa de centro.

- Queremos ser rápidos, nada de enrolação aqui David. – O senhor Carter diz enquanto se senta no sofá ao lado da senhora Carter. Brad se mantém próximo a porta, ele também parece ter uma rota de fuga – Já podemos começar? – O senhor Clark diz impaciente.

- Claro. – Papai volta a se sentar ao lado de mamãe. O senhor Carter coça a garganta antes de se dirigir a Clark sentado do lado oposto.

- Clark, viemos aqui para pedirmos desculpa pelo modo como o tratamos e o acusamos por causa do acidente. Sentimos muito. – O senhor Carter é direto.

- Sentimos muito Clark, me desculpe por tê-lo destratado como eu fiz. – A senhora Carter começa a falar, está bastante constrangida – Perdi muito a cabeça com tudo o que aconteceu e...

- Já chega, é o suficiente. – O senhor Carter a corta. Ele encara Brad de pé próximo a porta e faz um gesto com a cabeça para que ele diga alguma coisa. Brad descruza os braços e enfia as mãos nos bolsos da calça.

- Desculpa Clark. Nós erramos. – Ele o diz com a cabeça abaixada. Olho para Clark, seu rosto está indecifrável. Ele respira fundo antes de olhar para Nick ao seu lado e pedir para que ela o acompanhe.

- ‘Eu sei que não vieram aqui de boa vontade.’ – Nicole diz traduzindo os sinais – ‘Sei que estão aqui porque Donavan colocou medo em vocês.’ – Ele olha para Jeffrey que apenas escuta tudo atentamente, mas sem desviar os olhos de Brad – ‘Apesar disso... sei que você, senhora Carter, é uma boa pessoa e compreendo sua atitude em relação a dor que sentiu. Eu aceito as suas desculpas e perdoo a senhora. Até mesmo peço desculpas se fui alguma vez rude com a senhora, na época também não compreendia bem seus ataques.’ – A senhora Carter aperta os lábios e balança a cabeça enquanto tenta segurar as lágrimas.

- Obrigada. – Ela o diz com a voz fraca.

- ‘E você Brad. Não tem pelo o que me desculpar com relação a isso, você nunca fez nada contra mim na época. Suas desculpas se devem a outras coisas que você sabe bem quais são.’

- Eu sei, desculpa. – Brad volta a dizer. Meu estômago embrulha, volto a respirar fundo.

- Você está bem? – Jeffrey sussurra em meu ouvido. Faço que sim e o doou um sorriso fraco.

- ‘Agora, você, senhor Carter...’ – O rosto de Clark muda, ele parece bem irritado – ‘Suas desculpas eu não aceito.’

- Hora seu moleque...

- Sente-se! – Meu pai diz ao vê-lo se levantar – Ouço o que ele tem a te dizer, só falta você. – Ele volta a se sentar de malgrado.

- ‘Eu não aceito suas desculpas senhor Carter. Porque sei o homem cruel que o senhor é, e sei como o senhor é muito mais culpado nessa história do que qualquer um de nós.’ – O senhor Carter encara Clark furioso, o que não é muito diferente de Clark – ‘A ação de Beau foi resultado de suas ações com ele e sua família. Você os machuca, você fere sua família, Brad está aí para dar o exemplo.’ – Clark aponta para Brad, que balança a cabeça.

- Não se mete nisso cara...

- ‘Ele bate na sua mãe! Como você aguenta isso cara?!’ – Brad fica sem palavras, apenas o olha assustado

- O que você está dizendo?! – O senhor Carter explode irritado – O que você pensa que está insinuando?! – Clark o ignora.

– ‘Sabe quem não aguentou tudo isso? Beau! Beau não aguentou e fez o que fez, porque ele estava cansado de ser maltratado dentro da própria casa e se sentia culpado por não poder ajudar a própria mãe.’ – Um barulho de sufocamento vem da direção da senhora Carter que coloca as mãos sobre a boca tentando calar o choro – ‘No dia do acidente ele me contou tudo na festa, eu vi nos olhos dele o quanto ele estava sofrendo.’

- Eu não vim até aqui para ser acusado de algo que nunca fiz e não faço...

- ‘Seu irmão se matou...’ – Nicole para de falar. Ela olha para cara Clark assustada, todos nós o olhamos – Como assim se matou? – Ela o pergunta.

- ‘Eu te explico em outro momento.’ – Nick apenas assente. - ‘Você sabia disso?’ – Volta a traduzir os sinais. A pergunta é feita diretamente a Brad.

- É claro que eu sei, eu conhecia bem o meu irmão, não precisa me dizer isso como se fosse novidade. – Brad o diz ficando incomodado.

- Já terminou sua agressão garoto?! Já que não quer minhas desculpas sinto que só perdi meu tempo vindo aqui para gastar palavras com um imbecil. – O senhor Carter o diz.

- Imbecil?! – Laura levanta, está aparentemente irritada – O único imbecil que enxergo nessa sala é você! Seu homem escroto, você é repugnante Carter!

- Ah, que ótimo, mais ofensas! – Ele se levanta aparentemente irritado, fico ainda mais tensa – Não vim aqui para ser ofendido por uma puta que engravidou de sei lá quem! Vamos Mary! – Tudo acontece tão rápido que mal vejo o instante que Jeffrey saiu do meu lado para segurar Clark que parte para cima do senhor Carter.

- Não, Clark! Não vale a pena! – Laura se coloca na frente de Clark.

- Estou indo! Espero nunca mais ver sua família cruzando meu caminho de novo David! – Ele grita furioso – Anda Mary! – Ele puxa a mulher ainda abalada pelo braço, meu sangue ferve com o gesto. Corro depressa até Brad antes que ele deixe a casa, o seguro pelo braço, o assustando por um momento. Vejo o senhor Carter andar até o carro do lado de fora, ainda agarrando com força ao braço da mulher.

- Faça alguma coisa! – Digo a ele – Salve a sua, vocês precisam sair daquela casa! Por favor! – Encaro o rosto abatido de Brad, sua mão desliza até a minha a tirando do seu braço.

- Nós vamos ficar bem. – Me diz antes de dar as costas e andar depressa até o outro carro.

- Nancy? – Jeff se põe ao meu lado.

- A gente precisa fazer alguma coisa. – O digo – A gente tem que ajudar Brad e a senhora Carter.

- Não há muito o que possamos fazer, podemos denunciá-lo a polícia por violência doméstica mas precisaríamos de provas.

- O que todos viram aqui não são provas?! – Abro os braços.

- Não é tão simples...

- Nós precisamos ajudá-los. – Volto a dizê-lo – Você é Jeffrey Donavan, você consegue tudo, agora consiga isso! Tire Brad e a senhora Carter daquela casa! – Ele respira fundo.

- Vou ver o que posso fazer. – Me diz – Agora vamos todos nós acalmar... Mas que... – Jeff olha assustado para Clark que o empurra.

- ‘Vamos atrás de Brad! Eu e você!’ – Traduzo os sinais, enquanto ele volta a empurrar Jeff em direção a porta.

- Espera, que porra é essa agora Clark?

- Também quero saber. – Me ponho na frente de Clark.

- ‘Só estou preocupado.’ – Me diz.

- Preocupado com o quê? – O pergunto.

- ‘Não sei, só é um mal pressentimento.’ – Um frio na minha barriga se instala.

- Vou junto. – Digo.

- Não, você fica. – Jeff me diz. O olho irritada.

- Você não vai me dizer o que devo fazer. – Minhas palavras deixam Jeffrey abalado por alguns instantes.

- Tudo bem. – Me diz – Mas se alguma coisa sair fora do controle por favor me escute.

- Tudo bem. – Digo – Agora vamos atrás de Brad.

(...)

JEFF ON.

- Não estou nada gostando disso. – Digo enquanto sigo com o carro por uma estrada sem asfalto. A vegetação cresce alto ao nosso redor e já está escurecendo. Clark segue com o carro mais à frente.

- Nem eu. – Nancy diz – Mas estou realmente preocupada com Brad. Olha o que o pai dele fez com ele, eu sabia que o senhor Carter era rígido, mas não a esse ponto.

- Talvez ele tenha merecido. – Me arrependo das minhas palavras assim que Nancy volta a me olhar com o mesmo olhar mortal de minutos atrás. As palavras dela me pegaram em cheio, acho que abalou o pouco da masculinidade tóxica que ainda reside em mim.

- Você parece a Nicole agora. – Me diz – Ela com certeza diria isso sem pensar duas vezes.

- O cara é um idiota...

- Brad nem sempre foi um idiota. – Ela me corta – Algo aconteceu nos últimos anos em que ainda éramos amigos, eu sei que ele não é tão péssimo assim.

- As pessoas mudam Nancy. Brad fez as escolhas dele. – Nancy fica em silêncio por um tempo, apenas mordendo os lábios.

- Porque sinto que Clark e Nicole sabem de alguma coisa? – Se pergunta, e então me olha – E porque sinto que agora você também parece saber de alguma coisa?

- Clark me contou o que Brad fez com você no restaurante, o quanto ele foi um IDIOTA com você aquele dia.

- Não é só isso. – Balança a cabeça – Sei que tem mais coisa, e eu ainda vou descobrir. – Faço uma nota mental para impedir que isso aconteça. Clark entra com o carro em uma clareira a esquerda, estaciono o carro ao seu lado – Estamos em um dos lagos, eu acho que era aqui que os meninos e os nossos pais se reuniam para pescar. – Nancy diz enquanto descemos do carro. Noto o outro carro estacionado mais ao lado.

- ‘Vamos com calma e com cuidado.’ – Nancy traduz os sinais – Ótimo, então eu vou na frente. – Diz disparado em direção ao caminho longo que leva até o deque.

- Nancy! – Ela se vira para nos olhar.

- Me deixe ir, é melhor que eu vá ver como ele está.

- É perigoso, não quero que você vá sozinha. – Nancy não me diz nada, apenas fica me olhando em silêncio. Clark coloca uma das mãos em meus ombros e assente com a cabeça, indicando que é melhor assim – Ok, mas estaremos logo atrás de você. – Nancy anda rápido pelo caminho de tábuas de madeira. Eu e Clark nos aproximamos um pouco mais, ficamos em um local próximo a vegetação alta onde consigamos vê-los. Consigo ver Brad sentado em uma das pontas do deque, ele percebe a aproximação de Nancy que para no meio do caminho, ela parece dizer alguma coisa antes de se aproximar e se sentar ao lado dele.

- Não estou gostando nada disso. – Murmuro. A tela do celular de Clark ilumina meu rosto.

‘Deixa de ciúmes. Vai ficar tudo bem.’ Leio a mensagem escrita.

- Mesmo assim, ainda não estou gostando disso.

(...)

NANCY ON.

Encaro Brad que me olha surpreso.

- Nancy?! – Diz sem entender.

- Posso me sentar? – Pergunto, ele apenas assente. Me sento ao lado de Brad no deque. Percebo o quanto o deque envelheceu, a madeira parece mais frágil.

- O que está fazendo aqui?

- Me faço a mesma pergunta. – O digo – Ficamos preocupados. – Brad ri.

- Olha, tenho os meus motivos para não fazer a mesma merda que o meu irmão. Então fica de boa e volta pra casa, antes que aquele seu noivo de nariz empinado venha com mais alguma ameaça para cima de mim.

- Desculpa pelas ameaças. É o jeito que ele aprendeu a lidar com as coisas.

- Percebi. – Ele fica em silêncio por alguns segundos – Mas foi bom ver aquele velho do meu pai assustado.

- Brad... – Espero ele voltar a olhar para mim – Por favor, saia daquela casa com a sua mãe.

- E você acha que eu nunca quis isso?! Vocês parecem achar que nós escolhemos isso.

- Mas é o que parece. – O digo – Como você e sua mãe aguentam isso por todos esses anos?

- Porque temos que aguentar. Não temos outra saída.

- Tem sim Brad, se me deixar ajudá-los...

- Não quero sua ajuda. – Ele me corta – Não quero nada seu.

- Brad...

- Você conseguiu Nancy. Foi embora daqui, fez faculdade, tem uma carreira e ainda teve sorte ao encontrar um ricaço para casar. Você conseguiu a vida perfeita, parabéns. Agora deixe quem não teve a mesma sorte seguir a vida em paz por aqui.

- E isso que você vem vivendo é paz? – Solto um riso irônico – Isso pelo qual você vem passando é loucura para mim, não faz sentindo Brad. Seja sincero comigo e me diz porque não sai daquela casa?

- Porque minha mãe está lá, ok?! Minha mãe sempre aceitou viver essa vida infeliz. Beau e eu sempre tentávamos convencê-la de sair de lá, de pedir o divórcio, mas ela vivia dizendo que não podia, que era a única forma de termos uma vida boa. Mamãe vive dizendo que não serve para fazer nada já que não terminou os estudos para casar com o nosso pai.

- Sua mãe está errada, precisa mostrar a ela que há sempre uma possibilidade de uma vida melhor.

- Minha mãe não consegue olhar as coisas assim, já tentei. – Brad suspira.

- Então você passa por tudo isso por causa dela? – Passo um dedo de leve pela lateral do rosto machucado de Brad.

- É o jeito. – “É o jeito?!”, respiro fundo.

- Parece um jeito bem covarde para mim. – Brad ri.

- Pode pensar o que quiser, eu não me importo. – Ele me olha por um momento antes de voltar a olhar para o logo cada vez mais escuro com o fim do pôr do sol – É melhor você ir Nancy, aqui não é o seu lugar.

- E onde é o meu lugar?

- Vai pra casa Nancy! – Diz um pouco impaciente.

- Não. – Cruzo os braços – Não vou sair daqui enquanto você não me dizer tudo o que está rolando. Você continua o mesmo ao esconder as coisas.

- Mas eu não sou mais seu amigo para te contar sobre essas coisas. – Me encara firme – Então para com essa bobagem que você veio fazer aqui e só vai embora Nancy, estou perdendo a paciência.

- E vai fazer o que se perder a paciência? – Provoco.

- Te jogar no lago é uma opção, e só para avisar esse lago é bem fundo.

- E vai assumir a culpa pela segunda morte por afogamento de um dos filhos dos Adams?

- Não, tenho motivos para ficar quieto.

- Que motivos? – Brad me olha de cara feia.

- Você é esperta, mas não vou abrir minha boca para você. – Ele se levanta – Já que você acabou com o meu momento de paz é melhor eu ir. Bom te ver.

- Quando Nath morreu os motivos ainda eram os mesmos? – Sinto meu corpo suar frio e o meu coração disparar. “Guardei por tempo demais isso.” – Hein, Brad? – Me viro para olhá-lo parado atrás de mim. Brad me encara assustado, parece prestes a vomitar.

- Que porra é essa agora Nancy?

- Acontece, que eu sempre me perguntei porque Beau sabia sobre os garotos estarem pulando os muros das casas para brincarem nas piscinas. Acho que Beau não tinha mais idade para isso, e se pensar que eu e você na época tínhamos 12 anos, ainda era algo que podíamos fazer, que você fazia. – Brad olha para os lados e fecha as mãos.

- Porque nunca me perguntou isso enquanto éramos amigos? – Apenas levanto os ombros.

- Porque você não me parecia tão ruim assim para ter feito aquilo. – Brad passa as mãos pelo rosto e respira fundo antes de voltar a se sentar ao meu lado.

- Eu não matei Nath...

- Não estou dizendo que você matou meu irmão. – O digo – Só estou dizendo que você sabia o que tinha acontecido aquele dia e que poderia ter avisado. Uma pessoa afogada ainda tem chances de viver se os primeiros socorros são feitos a tempo Brad.

- Eu sei. – Ele abraça as pernas – Eu avisei alguém. – Seus lábios se apertam em constrangimento – Mas essa pessoa era o meu pai então...

- Seguiram o conselho do Carter de ficarem quietos. – Deduzo – Viu como você não é uma pessoa ruim? – O olho – Seu pai é. Por isso você precisa sair de lá com a sua mãe.

- Não é simples...

- Só me diga o que mais impede de você e sua mãe saírem de lá droga! – Digo impaciente. Ele fica um momento em silêncio antes de concordar com a cabeça.

- Ok. – Me diz – Mas é melhor que você veja.

(...)

JEFF ON.

Olho para Nancy ao meu lado no carro enquanto estaciono ao lado do carro de Brad em sei lá que inferno de lugar.

- Esperem aqui. – Brad nos diz após sair rapidamente do carro e ir em direção a casa a frente. A casa está com a pintura toda gasta e uma das calhas está caindo.

- Só espero que não seja uma armadilha. – Olho para Nancy que parece olhar para o lugar sem entender – O que foi? É uma armadilha?

- Não, essa casa... – Ela começa a falar no mesmo instante que Clark estaciona ao nosso lado e abaixo o vidro do carro, ele faz os sinais – Eu sabia! – Nancy diz após ler os sinais – É a casa dos Greene! – Levanto os ombros, não faço ideia de quem são – Se lembra da outra garota da foto no mural na cozinha?! A de tranças no topo do escorregador?!

- Ela mora aqui?

- Morava. – Nancy volta a olhar para Clark – Annabel foi embora daqui certo?! – Clark afirma – Encontrei com ela em Nova York cerca de três anos atrás, ela disse que estava trabalhando em uma lanchonete para juntar dinheiro e se mudar para a Califórnia. Nunca mais a vi depois daquele dia. – Ela volta a olhar para a casa como se a analisa-se.

- O que está pensando? – A pergunto.

- Porque os Greene seriam o moti... – Nancy para de falar assim que a porta da casa se abre. Brad desce a pequena escada segurando um embrulho e logo percebo as pequenas perninhas balançando em seu colo. Ele vem até Nancy, e se abaixa para falar com ela pela janela.

- Quer conhecer a Mia? – Ele a pergunta.

- Claro. – Nancy desce do carro para pegar a garotinha que dorme tranquilamente – Isso é o que eu estou pensando? – Ela pergunta para Brad que apenas levanta os ombros.

- Aconteceu. – Ela afasta o cobertor do rosto da garotinha para olhá-la.

- Ela se parece bastante com você, mas o cabelo com certeza é da Anna... Espera, ela abandonou a filha?! – Nancy olha para Brad indignada.

- Meio que isso. – Brad diz, mas não fala mais nada.

- Conta essa história direito Brad. – Nancy o pede.

- Nós tivemos um lance cerca de quatro anos atrás e um dia ela apareceu lá em casa dizendo que estava grávida. Eu disse que assumiria sem problemas, mas pode crer que meu pai não gostou nada. Ele me mandou guardar segredo.

- Óbvio. – Nancy diz com desdém.

- Meu pai aumentou meu salário da loja para que eu mandasse dinheiro para ajudar, só que acontece que Annabel não estava nenhum pouco feliz com a gravidez. Até achei que ela iria abortar já que se dizia infeliz e que isso não estava nos planos dela, mas a senhora Greene não a deixou fazer isso. Enfim, resumo da história, Annabel deu à luz a Mia e ficou apenas uns meses com ela para amamentar, então foi embora fazer a vida que ela sempre quis.

- Não acredito que ela pôde ser tão fria assim.

- Annabel não tem jeito para ser mãe. Já pode me dar ela. – Brad pega Mia de volta.

- E você tem jeito para ser pai? - Nancy o pergunta.

- Se não tivesse a senhora Greene não me deixaria vir aqui todos os dias para ver minha filha. – Ele aninha melhor a garotinha em seus braços – Entende porque não posso sair daqui? – Ouço Nancy suspirar.

- Ainda não me dei por vencida. – Nancy caminha em direção a casa.

- Hey, Nancy?! – Pulo para fora da casa.

- O que vai fazer?! Ficou maluca?! – Brad pergunta enquanto anda rápido atrás dela. Nancy nos olha.

- Ver se essa casa tem condições para criar uma criança.

(...)

Fica evidente que a casa não tem condições, mas Mia tem tudo o que precisa graças ao pai. A casa e simples, cheia de problemas e com muitos móveis bem gastos, quase caindo aos pedaços, mas a senhora Greene parece se esforçar para fazer o melhor pela neta.

- Então você viu ela em Nova York? – A mulher de aparência muito mais velha do que a idade pergunta a Nancy enquanto ela gentilmente nos oferece um café.

- Eu encontrei com ela enquanto andava na rua. Ela me reconheceu e parou para me dar um abraço, foi uma conversa rápida, apenas me disse que estava de passagem por Nova York e que iria terminar de juntar o dinheiro para se mudar para a Califórnia.

- Entendo. – A senhor diz de cabeça baixa – Tenho amargura pelo o que minha filha fez, mas ainda sou mãe dela, ainda me preocupo já que não tenho mais notícias. – Diz esfregando as mãos – Bom, o que vocês queriam conversar?

- Bem... – Nancy parece tentar achar as palavras certas – A gente se envolveu em uma situação complicada com a família de Brad. Descobrimos tudo pelo qual ele e a mãe vem passando com o senhor Carter...

- Aquele homem é uma praga! – A senhora Carter nos diz e então olha para Brad – Eu nunca te contei, mas, seu pai já veio aqui algumas vezes para ver a Mia e todas vezes em que veio ele me ameaçou caso eu contasse sobre ela, como se eu fosse contar! Não quero Mia perto daquele homem, ele a destrata.

- Porque nunca me contou isso? – Brad a pergunta – Deveria ter me contado Ivana.

- E o que você iria fazer? Hum?! Gosto de você Brad, mas te acho bunda mole. – Acabo rindo. Nancy me acerta com um tapa no ombro.

- Desculpa. – Digo.

- E por ser bunda mole a senhora e a Mia tem o que comer. – Ele rebate.

- Não precisa jogar na cara. – Ela o diz.

- O que aconteceu com o senhor Greene? – Nancy a pergunta.

- Meu marido teve um infarto dois meses depois que Annabel foi embora. Não consegui ter direito a aposentadoria dele, alguns problemas com papéis que eu não entendi muito bem. Só ganhei a pensão pós morte.

- Então ela não sabe que o pai faleceu? – A senhora Greene faz que não.

- Às vezes parece que quem morreu na família foi Anna e não ele. – A afirmação é pesada – Bem, o que vocês iam dizendo sobre os Carter?

- Descobrimos pelo o que Brad e a mãe dele vem passando todos esses anos naquela casa. Pedi para Brad sair daquela casa com a mãe, disse que ajudaríamos, mas então descobrimos sobre Mia. – A mulher balança a cabeça compreendendo.

- Então querem levar Mia? – Ela nos olha, e então olha para Brad.

- Não, não vou levar a Mia. Isso tudo é uma loucura, não tem como...

- Leve-a. – A senhora Greene o diz.

- O que?

- Leve a Mia. – Volta a dizê-lo – Se ela pode ter um futuro melhor do que viver em uma casa velha, que minha neta tenha um futuro melhor. Não quero que essa casa influencie ela a ser como a mãe.

- Mas, Ivana...

- Leve-a Brad. – O diz – Você é um bom pai e uma boa pessoa. Sei que de vez em quando pode trazê-la para que eu possa vê-la.

- Você pode continuar mandando o dinheiro para ajudar a senhora Greene...

- QUE DINHEIRO?! – Brad esbraveja para Nancy. Devoro o cara com os olhos – Se esqueceu de onde vem o dinheiro?! – Ela abaixa a cabeça.

- Droga, não pensei nisso.

- Não tem como, não rola. – Brad abre os braços – Valeu pela intenção, mas não dá. – Seguro a mão de Nancy que me olha um pouco sem saída.

- Tem alguma ideia? – Me pergunta esperançosa.

- Se eu disser que não estaria mentindo. – Nancy pisca sem entender.

- O que foi Jeffrey? – Ela me pergunta. Respiro fundo.

- Eu só não sei se posso ajudar ele. – A digo.

- Porque não? – Apenas balanço a cabeça. Clark que ficou o tempo todo afastado na entrada na cozinha se aproxima, faz os sinais para Nancy.

- O que ele disse? – Pergunto a ela.

- Para ao menos tentar. – Olho para Clark e faço que não, ele apoia as mãos na cintura.

- Olha, já chega, ok?! Eu também não quero a ajuda dele, então, só vamos fingir que nada disso aconteceu, beleza?! – Brad nos diz antes de sair da cozinha – Vou colocar Mia na cama e podemos ir embora.

- Melhor a gente ir. – Acaricio o ombro de Nancy que não me olha.

- Você tentou, agradeço por isso. – A senhora Greene à diz. Sei que estou errando por ela e Mia, mas não tem como separar Brad disso.

- Desculpa. – Nancy à diz antes de se levantar. Nos despedimos da senhora Greene na entrada da casa, Brad faz o mesmo e pede para não tentarmos ajudá-lo mais uma vez. Entro no carro e dou a partida, Nancy entra logo em seguida. Ficamos em silêncio todo o caminho até chegarmos na casa dos Adams.

- E aí? – Nicole dispara até nós após entrarmos na sala. Clark faz sinal para ela – Que droga. – Ela diz – Bem, ao menos tudo isso acabou. – Nicole olha preocupada para a irmã – Nancy?!

- Agora não. – Ela diz andando rápido em direção as escadas. Vou atrás dela, mas Clark me impede, faz que não.

- ‘Lamento dizer, mas você a magoo...’ Como assim magoou minha irmã Donavan? – Nicole pergunta antes mesmo de terminar a traduzir os sinais. Me sento em um dos sofás da sala.

- Se quiser saber senta aí, só vou contar uma vez. – Nicole praticamente se joga ao meu lado – Me olhando desse jeito não vai ajudar.

- Pode ter certeza que estou fazendo minha melhor cara. – Volta a me fuzilar.

- Ok... – Suspiro.

(...)

Termino a noite com as duas irmãs Adams chateadas comigo. Havia me esquecido o quão devota das crianças Nicole é. Ela repetiu um milhão de vezes durante a explicação toda o quanto eu deveria ter pensando em Mia em primeiro lugar, o que acaba me deixando ainda mais culpado. Volto para o quarto após tomar um banho. Nancy foi deitar antes de mim para que não pudéssemos conversar. Me ajeito ao seu lado na cama tomando cuidado para não a acordar. Demoro para conseguir dormir, minha cabeça não para de pensar nas inúmeras possibilidades de ter feito diferente. Mesmo assim, ainda não consigo afastar a sensação de desagrado em ajudar Brad, mesmo que seja indiretamente.

Acordo no meio da noite com a sensação de vazio ao meu lado. Nancy mais uma vez não está na cama. Me levanto em direção as escadas e logo a encontro sentada no lugar de sempre. Me aproximo com calma para evitar acordá-la. Percebo o olhar parado de Nancy enquanto ela se mantém encolhida e em silêncio.

- Nancy? – A chamo, mas Nancy não responde e nem se vira para me olhar – Está tudo bem? – Ela continua na mesma. Ouço o barulho de alguém andando no andar de cima, Nicole para no topo da escada.

- Sonambula? – Sussurra, faço que sim. Ela se aproxima de nós.

- Nancy? – Nick a chama, ela responde ao chamado da irmã virando a cabeça para olhá-la – Está tudo bem? – Ela faz a mesma pergunta que fiz, mas dessa vez Nancy responde fazendo que não e começa a chorar. Nick a abraça e acaricia a sua cabeça – Aconteceu alguma coisa?

- Nath morreu... – Diz entre soluços.

- Eu sei. – Nick à diz com calma – Sente falta dele? – Ela faz que sim.

- Foi minha culpa...

- Não. – Nick a repreende – O que aconteceu com Nath não foi culpa de ninguém, foi um acidente, aconteceu Nancy

- É minha culpa, sempre foi minha culpa. – Ela continua a chorar – Me desculpa Nath. Eu disse que não queria brincar com ele, que não era mais criança. Se eu tivesse ficado com ele aquilo não teria acontecido.

- Ninguém esperava que uma coisa como aquela acontecesse Nancy. Você não tem culpa, assim como eu não tenho culpa pelo o que aconteceu com Beau e Clark. – Encaro Nicole, ela levanta os ombros – Na época não teve como eu me sentir um pouco culpada. – Me diz.

- Ele me odeia. – Nancy chora ainda mais.

- Ah, qual é?! Você sempre foi a favorita de Nath e a que mais se dava bem com ele. Eu é que deveria me sentir mal por ter acabado rejeitando ele de alguma forma desde que ele tinha nascido. – Nicole diz meio ressentida, mas tenta soar de forma doce.

- Ele me odeia... – Nancy diz as palavras já meio cansada. Por estar nos braços de Nicole acho que está voltando a cair em um sono mais tranquilo – Eu abandonei ele. – Ela funga durante um tempo antes de fechar os olhos e adormecer completamente. Nicole suspira alto.

- Isso está me deixando cada vez mais preocupada. – Ela me diz.

- Sei como se sente. – Observo Nancy dormindo tranquilamente nos braços da irmã.

- Ok, eu sou forte mais nem tanto, pegue sua bela adormecida. – Me levanto e ajeito Nancy em meus braços para carrega-la até de volta ao quarto. Nick abre a porta para que eu possa coloca-la na cama – Jeffrey?

- Hum? – Me viro para olhar Nicole que ficou parada em frente à porta.

- Vê se repensa sem tanta amargura sobre Brad. Eu sei o que Clark te contou e como eu me sinto com relação a ele, mas no fim deu tudo certo. Brad correu a tempo para consertar a falha que cometeu, então... vê se corre a tempo também.

- Vou pensar nisso. – A digo. Volto a me deitar na cama ao lado de Nancy após a porta se fechar. Fico olhando para uma Nancy tranquila e adormecida. “Porque você quer ajudá-lo tanto?! Porque se aproximar daquilo que te machucou?!”, pergunto mentalmente a ela, algo que talvez nunca saberei a resposta.

(...)

NANCY ON.

Desço as escadas sozinha para tomar o café da manhã, está tudo bem silencioso lá em baixo. Jeffrey levantou antes, acho que também está querendo me evitar. Acabei ficando magoada com a sua atitude de ontem em não querer ajudar Brad, não vejo nossa briga no passado como um motivo tão forte para ele acabar recusando a ajuda. O cheiro de café passado invade minhas narinas.

- Bom di-... – Paro de falar assim que percebo que temos visita em casa – Senhora Carter? – Pergunto estranhando a presença da mulher na cozinha. Percebo que está bem abatida, e conforme me aproximo da mesa percebo os hematomas em seu rosto.

- B-bom dia Nancy, espero não incomodar. – Sorri envergonhada.

- Você não incomoda de jeito nenhum Mary, fico feliz que tenha nos procurado. – Mamãe diz a ela. Me sento ao lado da senhora Carter.

- Ele fez isso ontem à noite com a senhora? – Pergunto me referindo aos hematomas. Ela faz que sim.

- Ele aproveita a ausência de Brad. – Acabo me condenando mentalmente. Por conta da nossa ideia de ontem acabamos deixando Brad muito tempo afastado de casa.

- Então ele não sabe que está aqui? – Minha mãe a pergunta.

- Não, ele acha que fui a missa. – Ela à diz – Ele parou de me acompanhar faz algum tempo.

- Porque a senhora está aqui? – A pergunto. A mulher baixa o olhar.

- Brad me contou sobre o que vocês tentaram fazer ontem, mas, acho que seu noivo não gostou muito.

- Jeffrey pega rancor fácil, ele não gosta de Brad por conta da forma como me distratou aquela vez que rompemos nossa amizade. – Ela balança a cabeça compreendendo.

- Eu... – Ela começa a dizer, mas para. Passa as mãos no rosto meio embaraçada – Eu vim até aqui para conversar com ele, gostaria... gostaria de pedi-lo para nos ajudar, ao menos tentar convencê-lo. – Faço que sim.

- Acho que pode ser uma boa ideia se a senhora falar com ele. – Admito, mas lembro que há um problema – Só que, acontece que Jeffrey aparentemente não está em casa. – Olho ao redor – Mãe, você viu Jeff? – A pergunto.

- Ele e Clark saíram cedo, mas não me disseram para onde. Seu pai está lá fora cortando lenha.

- E Nick?

- Ainda não acordou. – Me levanto da mesa.

- Vou ver se ela sabe de alguma coisa enquanto ligo para Jeffrey. – Corro até o andar de cima, pego meu celular no meu quarto antes de ir até o quarto de Nicole. Fico parada olhando a cama vazia no quarto da minha irmã enquanto a ligação apita em um dos meus ouvidos. Jeffrey não atende. Tento mais algumas vezes, mas nada. Volto até o andar de baixo e dou de cara com Jeff e... – Mia?! – Digo confusa ao ver a garota nos braços de Nicole.

- Ela é a cara do Brad, mas o cabelo é com certeza o da Anna. – Ela diz a mesma coisa que pensei ao ver a garotinha pela primeira vez. A senhora Carter vai até elas com os braços estendidos, Nick entrega Mia a ela.

- Ai meu Deus, como você cresceu. – A senhora Carter diz visivelmente emocionada, abraçando a garotinha que nos olha sem entender. Olho para Jeffrey próximo a mim.

- Mudou de ideia? – Ele faz que não e olha em direção a sala.

- Ele mudou. – Diz enquanto vejo Brad deixar algumas malas na sala – Ele não é tão covarde assim. – Jeff diz antes de subir as escadas. Vou atrás dele.

- Jeff?! – O chamo enquanto entro no quarto – Jeff o que foi? – Ele se senta sobre a cama de cabeça baixa e mãos unidas.

- Estou fazendo isso por Mia e Mary, fui bem claro? – Me pergunta como se eu duvida-se. Me sento ao seu lado.

- Sim. – Fico um momento em silêncio antes de fazê-lo uma pergunta – O que realmente te faz ter tanta raiva assim de Brad?

- Não é raiva, é ciúmes. – Diz virando o rosto. A ideia quase me convence, mas as atitudes de Jeff estão longe de ser devido a ciúmes.

- Não é isso. – O digo – O que é? Por favor me fala.

- Já disse que é ciúmes Nancy! – Ele diz mais alto.

- Não é ciúmes. – Nicole entra no quarto sem bater. Para em frente a nós com os braços cruzados – Acho que chegou a hora de contar para a Nancy.

(...)

 


Notas Finais




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