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História How I felt when I saw that woman - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá pessoas! Vamos abrir a história dessas duas mulheres poderosas. Boa leitura!

Capítulo 1 - Minha Felicidade


A tarde ensolarada de terça-feira anunciava que estava no seu início, enquanto da janela do 5o andar do prédio dava para visualizar a movimentação mínima do lado de fora. Em geral às 14h o trânsito era bem mais calmo e com poucas pessoas nas ruas. Renata Fernandes Vasconcellos passeava seu olhar atento em um conteúdo no laptop, fazendo anotações breves. Deu um gole na caneca de café sem tirar os olhos do texto. Sua atenção se volta para o celular que irrompe a vibrar na sua mesa. Calmamente a morena atende o aparelho e uma voz amigável a chama pelo nome alegremente:

- Renatinha meu bem, como você está?

Renata sorriu e conversou com a moça. Conhecia aquela voz divertida, que era uma das pessoas favoritas de sua vida. Amy Lee era a amiga que possuía sempre um conselho, um sorriso no rosto e disposta a ajudar quem ela gosta. Era professora de canto lírico da Universidade de Magdalena. Estava convidando a amiga pra ir a um restaurante na cidade que nunca haviam frequentado, apesar de estar na cidade há um bom tempo.

- Queria te convidar pra ir naquele restaurante que te falei que a gente nunca tinha ido lá, uma vez? O Arturito. Todo mundo fala bem de lá, mas sempre a gente esquece de ir. - Amy dá uma risada lembrando da última frase.

- Ai eu vou sim viu! Dessa vez vamos lembrar. - risos - Que horas você passa por aqui?

- Assim que você sair do expediente me manda uma mensagem, vou fazer alguns planejamentos das aulas práticas e só.

- Tudo bem. - Concordou a amiga - Assim que terminar por aqui te chamo. Pierre vai conosco?

Pierre Bouvier era o namorado de Amy. Era engenheiro eletricista na mesma empresa que Renata, porém mal se viam no local por conta de suas funções bem distintas, contudo sempre o trio fazia programas juntos.

- Acredito que não. Ele disse que hoje vai ficar até mais tarde por aí para concluir umas planilhas.

- Então está bem. Irei te chamar assim que sair daqui. Vou ter que terminar uns textos aqui. Um beijo. - Renata se despediu de Amy que também fez o mesmo. Colocou o celular de volta na mesa e retornou para o laptop.

Renata era jornalista e o seu cargo na empresa era de editora executiva. Uma mulher de uma elegância e beleza estonteante, com um carisma que conquistava e acolhia qualquer um que se dispõe a tomar um café e manter uma boa conversa. Discreta, curtia estar em casa lendo bons livros e degustando biscoitinhos com café. Nada mais a fazia ficar mais feliz do que a sua própria paz, a própria companhia. Já faziam anos que Renata não tinha um relacionamento amoroso, e por enquanto estava sossegada com isso.

***

O clima no Arturito era agradável e para o horário estava bem lotado, com conversas ao tempo, música de fundo bem leve, deixava o ar do local descontraído. Na cozinha, os funcionários estão concentrados no preparo da comida e todo o cuidado minucioso em sabores, temperos, temperaturas. Paola Florencia Carosella, a dona de uma daquele local  olhava cuidadosamente de longe, analisando todo o sistema fluindo tranquilamente, sempre dando a devida atenção aos detalhes. De nacionalidade argentina e ascendência italiana, Paola era uma mulher requintada, elegante e forte. Possuía uma simpatia única, além do olhar profundo e intimidador. Paola morava sozinha num apartamento que ficava a 30 minutos de seu trabalho. E gostava de estar ali, seu ambiente natural. A cozinha, sua paixão desde a pré adolescência era o que tinha lhe salvado em meio ao caos familiar que foi presente por boa parte de sua infância.

- Mantenham sempre a atenção as temperaturas, às texturas, sabor. - a argentina falava com seus colaboradores sobre as observações - Daqui há 10 minutos sai o próximo pedido.

***

A noite estava estranhamente com uma temperatura mais baixa, para a estação. O que agradou em cheio quem passeava nas ruas da cidade. Amy e Renata desceram do carro e atravessaram o estacionamento rumo à entrada do restaurante.

- Nossa mesa por favor. - Renata falou ao garçom.

O garçom as guiou até sua reserva. Pediram uma entrada e ficaram por grande parte do tempo jogando conversa fora, falando do dia de trabalho.

Paola nunca ficava até a noite no restaurante, porém hoje resolveu permanecer até mais um pouco e depois iria para casa. Resolveu ir dar uma volta discreta no restaurante para ver se estava tudo sob controle, felizmente sua equipe era uma das mais competentes e eficazes tanto no atendimento, quanto na condução do sistema. Carosella passou o olhar satisfeito pelas mesas, esta noite tinha muitos rostos conhecidos seus, porém ao observar uma mesa em especial, viu que tinha duas pessoas novas, sorriu e instantaneamente foi o momento que uma das mulheres virou o rosto para observar o local.

Os olhos de Paola encontraram os olhos da mulher e por algum motivo ela sentiu algo, uma paz tão grande naquele olhar, algo familiar. Sentiu algo que nunca havia sentido. A sensação de pertencimento que há muito tempo ela não sabia.

Renata ao olhar aqueles olhos escuros, persuasivos, penetrantes sentiu por um momento que aqueles olhos viam a sua alma, e que entendia tudo sobre ela. Não sabia se já a conhecia, quando percebeu o ato, corou e voltou-se para a amiga que a observava.

- Aqui é muito agradável. Acho que vou querer voltar mais vezes. A comida é deliciosa. - Amy comenta saboreando a comida - O que você achou?

Renata teve um pequeno sobressalto quando notou que a amiga dirigia a pergunta a ela, porém Amy não percebeu.

- Eu simplesmente adorei. Tudo possui uma sintonia maravilhosa, clima, comida, pessoas...

Paola percebeu que a mulher se voltou para mesa dando atenção à sua acompanhante e desviou o olhar para as outras mesas. Sentiu -se leve e ficou pensando naqueles olhos, tranquilos. Uma coisa era certa: queria conhecer a dona daquele olhar.

As duas mulheres voltaram ao restaurante nas noites seguintes. Renata observava a chef da mesa, já Paola sempre fazia questão de ir no mesmo horário dar uma volta breve no restaurante somente para observar a jornalista. Em uma certa noite, Renata se dirigia ao toalete e por algum motivo acabou esbarrando levemente com a dona do local. A jornalista pediu desculpas sorrindo e a chef devolveu o sorriso de forma simpática e acolhedora:

- Perdão, acabei me distraindo e esbarrei em você. Desculpe. - Renata fala suavemente à argentina.

- Tudo bem, relaxe. Acontece. - Paola responde com um sorriso alegre, e Renata segue seu caminho. A chef não conseguiu esconder o sorriso que se formava nos lábios e voltou para cozinha do restaurante satisfeita por ter pelo menos falado com a mulher misteriosa.

***

Passaram -se alguns dias. Era sábado e o dia estava lindo, sol a pino, céu limpo. Manhã de praia. Renata foi caminhar sozinha pela orla. Caminhar a ajudava a pensar, a ordenar o que tinha de fazer. Tinha vezes que só uma ida pra olhar o mar trazia esse momento de reflexão. Tomou uma água de coco e seguiu com a caminhada. Passou pelos seus pensamentos o olhar da mulher do restaurante em que foram jantar. Riu e ficou imaginando que ela devia conhecer a Amy. Apesar do vento forte que fazia naquele dia, o vento trazia também sons, e Renata ouviu a música da Roberta Campos, "Minha Felicidade". Começou a cantarolar baixinho e resolveu sentar um pouco debaixo de um coqueiro pequeno que havia próximo à areia da praia. Olhou pro mar e sorriu, deixando aquela música fazer parte do momento.

Paola foi tomar banho de mar, a manhã estava espetacular e trazia uma sensação boa de acolhimento. Não sabia porque esses dias estava se sentindo assim. Deixou as ondas atravessarem seu corpo, sentindo sua vibração. Estava feliz, e preenchia por inteiro. Paola estava saindo do mar em direção a areia da praia e iria para um coqueiro sentar por lá. Quando estava bem perto, avistou a imagem que seu subconsciente queria demais. A mulher que havia olhado em seus olhos no restaurante, que havia esbarrado. Por alguma magia do universo ela estava exatamente no local que ela iria se sentar para contemplar o mar. Ouviu a música ao fundo, reconhecia aquela voz. Roberta Campos era uma de suas cantoras favoritas. Abriu um sorriso quando chegou perto da mulher.

Renata de repente notou quem estava se aproximando era a mulher misteriosa do restaurante. Ela vinha sorridente, e Renata não pode deixar de retribuir o sorriso como cortesia.

- Olá. Nos encontramos de novo! Você foi ao Arturito nas últimas semanas. Meu nome é Paola Carosella. - Paola iniciou a conversa.

- Prazer, Paola. Sou Renata Vasconcellos. Sim, a convite de minha amiga. É um lugar muito agradável.

- Obrigada. Que bom que lhe agradou, fico feliz com o feedback dos visitantes. Você mora aqui por perto?

- Não sabia que era proprietária, parabéns pelo trabalho. E sim, sempre venho caminhar pela orla. É muito gostoso, revigora. Ainda mais quando se tem como música de fundo essa canção da Roberta Campos. - Renata fecha os olhos e abre um sorriso.

- Sim - Paola responde com seu sotaque carregado. - É uma das minhas favoritas.

- Você não é daqui, né?

- Não. Sou argentina. Estou há quase 13 anos no Brasil. Gosto demais daqui, me sinto realmente em casa.

As duas mulheres sorriram. Era inegável a cumplicidade das duas e como impressionamente elegantes as duas eram. Era como se conhecerem há anos. As duas seguiram com uma conversa amigável, conhecendo um pouco sobre suas vidas, suas histórias. Paola encantada com a sutileza da Renata.

Mal viram o tempo passar, e quando se deram conta já era quase meio dia. As duas saíram para comer algo, enquanto iam trocando ideias sobre o que trabalhavam, gostavam em comum.

- Sério que você é jornalista? Acho muito bonito, pois carrega um dom de um bom contador de histórias. Admiro demais.

- É a essência do ofício. Acho que hoje estamos um pouco carentes de bons contadores de história, por conta de alguns modelos engessados. Mas sempre vai surgindo gente boa que faz a diferença, e consegue levar a emoção de uma forma tocante.

- Bem poético. - Paola ri. - Mudando de assunto você tem cara de que curte fotografia, estou certa?

- Parece que as pessoas que curtem fotografias se conhecem só no olhar. Não me estranha que você goste também, porque tá meio na sua cara dizendo que sim. - Renata responde rindo da análise.

O momento delas estava uma maravilha, até que Renata olhou para o relógio e notou que já eram 14h, nem viu o tempo passar! A companhia de Paola, fazia o tempo parar, e a conversa fluindo normalmente. A jornalista sentia um friozinho gostoso na barriga quando pairava seu olhar no olhar da cozinheira.

- Paola tenho que ir agora. - Renata fala dando a entender que não queria ir. - Adorei sua companhia.

- Mas já, acho que poderia ficar mais um pouco, está tão legal. Posso te acompanhar até a sua casa, se não se importar, claro. - Paola lança um olhar quase irrecusável.

- Se não for incomodar você, pode vir. - Renata nem se deu conta mas estava convidando uma estranha pra lhe acompanhar até sua casa. Se sentia tão confortável na presença da argentina.

- Você veio de carro ou caminhando mesmo? - Foi a vez de Paola perguntar.

- Venho caminhando, é bem próximo da orla, por isso venho com frequência aqui. - Ela esboçou um sorriso fofo, que derreteu Paola na mesma hora.

- Eu vim de carro, então hoje vou lhe dar uma carona até seu aconchego. - Paola abriu a porta do T-Cross e a jornalista entrou. Toda a cumplicidade, a sutileza que afloravam de ambas, deixava o clima gostoso e aconchegante. O cuidado que uma tinha com a outra era tão nítido, que caberia em qualquer filme mamão com açúcar de romance.

Por todo o caminho, apesar de curto as duas foram conversando. Paola estacionou na portão do condomínio onde Renata morava.

- Está entregue sã e salva. - A chef brincou. - Quando podemos nos ver de novo para tomar um cafezinho?

- No seu restaurante, podemos nos ver sempre que você quiser.

Paola Carosella olha para a Renata profundamente em seus olhos. A jornalista por um momento se concentra naquele olhar hipnotizante da mulher, e de repente volta do transe. A cozinheira faz uma pergunta pretensiosa porém sem soar como.

- É... se não for incomodar muito, gostaria de pedir seu número pra trocar uma ideia.

Renata assentiu entorpecida e sem se dar conta, pegou um post-it e anotou seu número de celular e entregou à Paola.

- Pronto.

As duas se olham novamente dentro do carro, e Renata quebra o silêncio.

- Bom agora tenho que ir, não posso abusar também do seu tempo. - Ela riu.

Paola ficou surpresa por conta que Renata deu seu número. Geralmente nem todo mundo tem essa confiança logo num primeiro encontro. Espera, primeiro encontro? A chef ficou um pouco apreensiva só de pensar no termo. Tinha que ir com muita calma. Esperava que a jornalista a convidasse para entrar, porém não aconteceu. Renata era bem discreta, e Paola não queria forçar nada com a mulher. Era uma companhia muito agradável, e queria a ver muito mais vezes. Antes de se despedirem, se abraçaram. O contato foi tão diferente para ambas, que Renata sentiu seu frio na barriga voltar com força total e Paola sentiu um arrepio gostoso percorrer-lhe seu corpo. Após o contato terno, se despediram e Renata entrou para o condomínio. A chef manobrou e seguiu para sua casa. A lembrança daquele sábado iria ser o carro chefe de seus pensamentos nos próximos dias.

Quando Renata abriu a porta de casa, estava com um brilho no olhar e um sorriso lindo no rosto. Aquela mulher aquecia seu coração de uma forma, não entendia o porquê. Em tão pouco tempo de conversa, pareciam que já se conhecia. A sintonia entre as duas era quase poesia.


Notas Finais


Trilha sonora: "Minha Felicidade", Roberta Campos
Link: https://open.spotify.com/track/6vARbzVXg90V8fYmgks5u3?si=Ff2Cs6ayRbqEWOGnJ8-qdw


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