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História Huang Soldier Taoris - Capítulo 18


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Capítulo 18 - The Middle 15


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A primeira vez que viu Zhang Yixing, no caso, reparou nele, a forma que ele olhava as coisas, às vezes, parecendo meio confuso, ele lhe chamou um pouquinho a atenção, além é claro, das marcas em seu tronco.

Um lobo com um rasgo em um dos olhos, da casa dos Huang.

Um dragão negro, que segundo a lenda, possuía olhos amarelos, da casa dos Zhang.

E além desses dois pontos, bem marcantes, Zhang Yixing tinha um modo adorável de tratar o primo mais novo, e de lhe tratar também.

Apesar do olhar meio receoso quando Yifan está por perto, nunca deixou de falar consigo, se quer, lhe cumprimentar, nem que fosse de longe, e tem um sorriso tão lindo com suas covinhas. Havia contado, são seis covinhas ao total, e as duas delas, as mais marcantes, ficam em sua bochecha quando sorri.

E mesmo com essas, e tantas outras coisas, existe uma ômega capaz de "trai-lo".

Se tivesse um pingo da atenção que ela tinha, jamais olharia para o lado, esperaria por ele, até que ele voltasse, e até prepararia o caminho para falar com o histérico do seu pai alfa que tem a certeza que se no dia arrumar um alfa, vai esquecer dele.

Mas nem ao menos tinha isso, para ele, era o irmãozinho de seu superior, e só.

E pelo jeito, ainda estava interessado em outra.

Será que ela era mais bonita que si?

Bom, por ser ômega tinha certos traços típicos de ômegas.

Não era tão forte quanto o irmão, longe disso, tinha a cintura mais bem definida e o odor mais adocicado.

Vai ver, Yixing preferia ômegas mulheres, alguns alfas preferem.

De qualquer forma, assim que o visse novamente, devolveria a sua carta, como pensou, não foi uma boa ideia lê-la, e por ser curioso, agora, estava triste e um tantinho magoado.

– Tu realmente gostas de ficar aqui.

Por ser assustar fácil, Junmyeon fechou os olhos e seu corpo se arrepiou todo ao escutar a voz, de quem sequer, notou a aproximação, ou sentiu o odor.

– Desculpe, não quis lhe assustar, enfermeiro Junmyeon.

– Eu não lhe vi se aproximar.

Junmyeon apenas disse um pouco mais calmo e discretamente, colocando a mão no bolso, onde, levava a carta deixada para trás, de Yixing.

– Bom dia.

O alfa disse mostrando aquele seu sorriso lindo, e as suas covinhas.

Como queria apertar essas covinhas lindas com seus polegares.

– Bom dia. – Disse de volta, e se afastou um pouquinho em cima da mesa para dar espaço para o alfa sentar-se, e assim, Yixing fez.

E nesse momento, Junmyeon notou que ele não estava usando a farda do exército, estava com roupas normais, bom, usava um suéter preto com um dragão bordado.

O dragão da família Zhang.

– Enf...

– Tu esqueceste isso aqui ontem.

Interrompendo qualquer coisa que o alfa fosse falar, Junmyeon tirou a carta do bolso, perfeitamente dobrada para não amassar muito, e a estendeu para ele.

Antes de qualquer coisa, precisava devolver ela para Yixing. Nunca foi um ômega invasivo – é certo com Yifan, mas está no seu direito em saber tudo da vida dele –, e não seria agora que começaria a ser.

Um pouco surpreso por ver o papel em poses de Junmyeon, pois jurava que tinha o rasgado e jogado fora, Yixing o pegou e como achado antes, o rasgou, o partindo em dois.

– Obrigado, mas isso é lixo... tu chegaste a ver?

Mentindo descaradamente, Junmyeon negou com a cabeça, e mesmo tendo a certeza que o ômega mentia, talvez por achar que acharia ruim caos tenha lido, Yixing apenas afirmou com a cabeça.

– Era uma carta de um amigo me alertando sobre algo... ainda bem que ele a mandou, e que tu me desde aquele concelho.

– Concelho?

Confuso, por não lembrar de concelho nenhum, Junmyeon questionou.

– Ontem, as coisas que tu me disseste... me ajudaram muito, então obrigado, lhe devo uma.

Surpreso, a feição de Junmyeon mudou.

Ficou tão preso no que leu na carta, de Yixing ter alguém lá fora e não ter nenhuma chance que, se esqueceu do resto.

Como diria Minseok: era um ômega emocionado quando se trava dele.

– Fico feliz por ter lhe ajudo.

Um tantinho tímido e com um sorriso contido, Junmyeon respondeu.

– Me perdoe a intromissão, mas tu fizeste o que exatamente?

– Como um ômega bem inteligente me disse: "se uma pessoa gosta de outra pessoa, gosta o tempo que for", então não vale a pena insistir em algo que não é verdadeiro.

Um pouco corado por ser chamado de inteligente por Yixing, e sentindo o coração bater mais forte, e queira os seus lobos ancestrais, de maneira discreta, Junmyeon deu duas longas piscadas.

– Mas, que bom que te achei, queria lhe fazer uma pergunta.

Mais do que pronto para dizer sim para – quase – qualquer coisa que o alfa perguntasse, mas se contendo pois era um príncipe e tinha que já ir se acostumando a se portar como um, Junmyeon levantou uma sobrancelha.

– Que pergunta? – Questionou, mantendo a pose somente de curiosa por fora, já que por dentro, estava em um surto.

– Antes dela, queria saber se está de folga hoje.

Teoricamente, não estava de folga, mas, por ser domingo e ter algumas folgas para ser compensadas, e sabendo que nas próximas, as mais longas, iria para casa ou o general Wu teria um colapso por jurar que já tinha esquecido que tem um pai alfa.

Sim, às vezes, o poderoso general Wu Minfan, age apenas como um pai ciumento de seu único filhote ômega e tende a fazer chantagem emocional para que passasse mais tempo em casa.

Particularmente, Junmyeon acha que deve ser um combinado entre o general e sua mãe para terem seus filhotes por perto, cada uma chantageava um filho para ficar tudo equilibrado.

– Digamos que sim, por quê?

Yixing sorriu com a resposta.

Há algum tempo, queria retribuir a gentileza de Junmyeon por cuidar de si em seu dia de folga, mas, não sabia como, ou temia ser mal interpretado, além disso, havia Xia, o que poderia gerar se alguém o visse na companhia de outro ômega um mal entendido, mesmo que apenas de forma cordial, então deixou isso de lado e fez a nota mental de falar com a sua mãe ou tio ômega para que mandassem algum agradecimento formal para filho mais novo do general Wu.

Contudo, mais uma vez, Junmyeon havia lhe ajudado, e como estava de folga hoje e não poderia passar o dia com Zitao que, teve a sua folga no dia anterior e a essa hora deveria estar dormindo, tomou coragem, se arrumou apropriadamente, e foi atrás do enfermeiro Wu.

– Gostaria de comer alguma coisa na cidade?

O alfa perguntou por fim, mesmo achando que receberia um não.

Afinal, Junmyeon é filho e irmão de seus superiores e, também, poderia achar que estava com outras intenções.

– Sair contigo?

Mais surpreso ainda, Junmyeon perguntou, e Yixing afirmou com a cabeça. – Isso é claro, se não tiver...

– Não tenho, eu quero sim.

Contendo o tom para não ser afoito, Junmyeon respondeu, e desviou o olhar de Yixing para si.

Não estava apresentável para sair.

– Só me de dez minutos, preciso me trocar.

Yixing concordou.

Junmyeon não estava com o uniforme de trabalho, mas estava com roupas que remetia a sua função no exército.

O mais rápido que pode, sem parecer que estava correndo. Junmyeon se levantou de cima da mesa, desceu o banquinho e seguiu para o espaço entre os dois galpões, e assim que sentiu que estava fora do alcance do olhar de Yixing, começou a correr feito um doido em direção ao seu alojamento.

Assim que entrou no corredor de seu alojamento, o ômega começou a tirar a roupa, e assim que entrou no pequeno cômodo, correu até o  armarinho que guardava a suas roupas, e foi direto nas que evitava usar por ser bem chiques, segundo a sua omma.

Tentava chamar o mínimo de atenção possível aqui, então sempre usava roupas normais, nada extravagante, mas hoje, hoje iria sair com Zhang Yixing, e Zhang Yixing, iria sair com o verdadeiro Wu Junmyeon, com o ômega por de baixo da sua farda de enfermeiro.

O mais rápido que conseguiu, Junmyeon tirou os calçados, pegou uma calça mais justa, sapatos que combinassem, um camisa para vestir  e por último, um casaco com o brasão dos Wu.

O lobo negro de olhos vermelhos.

Vestiu-se, ajeitou o cabelo e por último, passou perfume e pegou sua carteira.

Pronto, deu a última olhada no espelho, juntou as vestimentas espalhadas em seu quarto e as deixou em cima da cama, deixou um bilhetinho para caso alguém – Yifan – fosse lhe procurar e saiu.

Ao sair do quarto, o ômega fechou trancando a porta e respirou fundo, e com um sorrisinho seguiu pelo corredor, agora, andando devagar e com calma para não se amarrotar.

Ao sair do prédio do seu alojamento, o ômega começou a seguir o caminho de volta até aonde havia deixado Zhang Yixing lhe esperando, contudo, na metade do caminho, parou, ao ver o alfa com os cabelos perfeitamente jogados para trás e um pouco grandes vindo em sua direção com as mãos no bolso.

– Tu estás lindo.

Yixing disse, pensou em voz alta, para Junmyeon que, um tantinho tímido – por dentro adorado que o alfa tenha reparado que é lindo – apenas agradeceu.

– Obrigado, peguei a primeira roupa que vi.

Disse de forma modesta, tecnicamente tinha sido mesmo as primeiras vestias que viu, porém, do lado que guarda suas roupas mais bonitas no armário.

Yixing olhou de cima abaixo Junmyeon, novamente, sem intenção, exatamente como fez quando se conheceram e o ômega perguntou se parecia alguma criança quando disse que achava que o filhote mais novo o general Wu, era um ômega filhote.

E novamente, Junmyeon percebeu esse modo de olhar do alfa.

– Tem alguns carros para alugar aqui perto para ir para cidade.

Junmyeon pronunciou, contudo, Yixing negou com a cabeça. – Não será necessário, vem comigo.

Sem saber para onde, mas sabendo que ia, Junmyeon concordou e começou a seguir o alfa pelo quartel.

Pela hora, mesmo não sendo exatamente cedo, não havia tanta movimentação, o que não queria dizer que algumas pessoas não viram Junmyeon e Yixing andando lado a lado conversando.

Dentre esses olhares para os dois, haviam aqueles que eram de curiosidade, malícia, sentimento de pêsames para o jovem soldado alfa quando Wu Yifan souber disso, e inveja.

Junmyeon é um ômega belo, muito belo e além disso, é de uma  ômega de uma das maiores famílias de casa militar de Celesrio, e filho de um dos generais mais próximo ao rei alfa.

O sonho e desejo de muitos dos alfas nesse quartel.

Ao chegar na parte de trás do quartel, onde ficava a garagem, a que podia ser usada pelos soldados, recrutas e oficiais com seus carros particulares, Yixing seguiu junto a Junmyeon até um carro sedã.

Yixing tirou a chave do carro do bolso, destravo as portas e olhou para Junmyeon que, ainda tinha o olhar no carro.

O tipo de carro que seus pais usariam.

E notando o olhar do ômega, Yixing sorriu de lado e disse:

– Às vezes se tem alguma vantagem em ser sobrinho de um general.

Junmyeon desviou o olhar do carro, e olhou para o alfa.

– Este carro é de vosso tio? O que ele faz aqui?

Até onde sabia, Huang Leehyun não tinha posto em Damage, sua função, como general era outra, logo, não teria porquê um carro seu estar aqui.

– Digamos que, o general Huang tem seus contatos e mandou esse carro para cá.

Yixing limitou-se a dizer.

Na verdade, desconfiava que era obra de sua omma e tio ômega, já que junto com a chave que lhe foi entregue, havia um bilhete para que assim que fosse dispensado para sua folga mais longa, buscasse Zitao, e retornassem para casa.

O que era bom, ainda acreditavam que Zitao estava recluso como forma de protesto por ter ido para o exército.

– O famoso privilégio por ser filho de um general.

Yixing sorriu do dito do ômega, pois, esse era o único privilégio que realmente tinha – ao contrário do que pensam – em ser filho de um general.

O alfa seguiu até a porta do passageiro do carro, e o abriu e com um gesto, deu passagem para Junmyeon, que o agradeceu pela gentileza de forma tradicional, como um príncipe deve agradecer, e entrou no carro.

Após a sua entrada, Yixing fechou a porta e deu a volta no carro, e abriu a do motorista.

– Coloque o cinto de segurança, não quero ser caçado pelo general e oficial Wu.

Negando com a cabeça enquanto ria, mas sabendo que seria viável conhecendo seu pai e irmão, caso algo acontecesse e estivesse sem cinto de segurança, sem falar em seu tio alfa, Junmyeon colocou o cinto, assim como Yixing que, ligou o carro.

Estava mesmo dentro de um carro com Zhang Yixing?

Estava!

Estava com aquele friozinho na barriga?

Estava!

Estava considerando isso como um primeiro encontro?

Claro que sim!

Yixing deu a entender, disse com quase todas as palavras, faltando ser mais claro só se falasse que rompeu qualquer coisa com a ômega naquele mesmo momento que saiu tão rápido que deixou a carta para trás, que, não havia mais ninguém agora com seu interesse, e não era burro, sabia quando um alfa o olhava, o olhava como ômega, como a minutos atrás o alfa fez – não tendo percebido –, logo, o caminho estava livre.

Olhando para Yixing agora focado em manobrar o carro para fora dos enormes portões de Damage, não podia mais mentir para si mesmo, sentia algo além de uma atração por ele, talvez, fosse a carinha de lerdo dele, ou o modo quase infantil que sorri, isso é claro, quando não parece o alfa pronto para matar qualquer um com as próprias mãos.

– Tem uma loja de bolos no centro da cidade que tem uns bolos ótimos, podemos ir lá, ou prefere ir para outro lugar?

Yixing virou-se para si, e Junmyeon sorriu sem mostrar os dentes.

– Podemos ir para lá... eu adoro bolos.

– Então vai adorar os de lá, meu ômega adora, ou melhor, adorava quando íamos comer lá.

E ao ouvir essas palavras, que além do tom carinho usado para pronuncia-las, vieram acompanhadas por um lindo sorriso, fazendo o que estava tímido na face do ômega, desaparecer.

Por mais tempo que fizesse, Yixing ainda lembrava a festa que era quando sua mãe arruma si e Zitao para virem visitar seu tio alfa nos dias de folga dele, não dava para o alfa ir sempre para casa naquela época, e como quarteis não são lugar para filhotes, o alfa sempre marcava na loja de bolos e quando chegavam, haviam um pai alfa morrendo de saudades de si e do seu primo e um delicioso bolo para comerem enquanto contavam tudo que fizeram durante o tempo que estiveram longe.

A vida tinha lhe tirado seu pai alfa, mas lhe deu um outro maravilhoso que mesmo nunca tentando ocupar o lugar dele em seu coração, era o melhor pai que alguém poderia ter.

Yixing olhou de relance para o lado, e ao notar a face um tanto séria de Junmyeon, certamente pelo dito por si, e por já ter deixado claro que não tinha nada com uma certa ômega que queria distância agora, e por talvez – em seu achar – tinha mais outro ômega, tratou de se explicar.

Junmyeon lhe aparenta ser um ômega gentil e, não via porque não poderiam ser amigos.

– Meu ômega no caso, é meu irmão... – o alfa riu. – Sempre o chamo assim, coisa de irmão mais velho.

Se sentindo um tolo por certos pensamentos, Junmyeon negou com a cabeça.

– Entendo bem.

Disse apenas, Yifan sempre se referia a si como ômega dele também.

– Quando éramos mais novos, e meu tio ficou uma época em Damage, víamos o visitar sempre, e como ele não gostava que tivéssemos contato com o exército por sermos bem novos, nos encontrávamos nessa loja, e Zitao comia bolo até passar mal.

As doces e nostálgicas lembranças invadiram a mente de Yixing.

Zitao sempre foi um ômega que comia demais quando se empolgava.

– Tu falas com tanto carinho dele. – Junmyeon encostando a cabeça no banco do carro, com o olhar na estrada.

– Além de minha mãe, meus tios e Zitao são toda a família que eu tenho, e mesmo com o jeitinho dele, Zitao é frágil.

– Frágil por ser um ômega?

Junmyeon questionou levantando uma sobrancelha, pois dependendo da resposta do alfa, já tinha um lindo e belo discurso pronto, e na ponta da língua, para responder.

Entretanto, Yixing negou.

Em primeiro lugar, essa história que ômegas eram fracos era balela, podiam ter menos força física que alfas, mas tinha o dobro de força em muitos outros aspectos.

Em segundo, sabia como seu ômega é sensível,

– Zitao é mais forte que muito alfa que conheço, e só coisa de irmão mais velho.

Yixing disse e olhou para o lado mexendo as sobrancelhas, e Junmyeon aconchegou-se melhor a cabeça no apoio do banco.

O caminho até a pequena cidade de Groove foi feito com os dois conversando, com Junmyeon, tirando informações de Zitao de Yixing, as quais, seriam úteis para Yifan saber mais sobre o ômega.

Já que particularmente, já até sentia simpatia por Huang Zitao de tanto que Yixing falava dele, na clara demonstração que o ômega lhe fazia falta.

Também falou um pouco sobre Yifan, dando a melhor impressão do irmão possível, pois ele não fazia a menor questão de suavizar aquela face séria dele, capaz de assustar qualquer um, sem a menor intenção – com toda a intenção – de já fazer uma campanha do alfa para o irmão do ômega com quem ele teria um encontro.

Pelo jeito, Yixing não sabia desse encontro ainda, ou estava evitando tocar no assunto.

Ao entrarem nas dependências da cidade, Yixing dirigiu o carro até onde costumava estacionar quando vinha até a cidade, parou o veículo, tirou o cinto de segurança e junto a Junmyeon, saiu do carro.

E lado a lado, seguiram pela pequena cidadezinha.

Relativamente, o ômega conhecia a cidade, sabia onde ficava algumas coisas, mas hoje, não sabia de nada, se quer, como voltava para o quartel.

Hoje, aproveitaria o dia.

– E aquela ali.

Yixing apontou com o queixo, e Junmyeon olhou para frente.

– Eu conheço essa loja, appa me trazia aqui... aqui tem aquele bolo de chocolate com creme de recheio, não é? – O ômega perguntou incerto.

Tinha uma vaga lembrança de seu appa na lhe trazendo para comer bolo com Yifan, escondido por que se sua mamãe Subin desconfiasse que estava enchendo seus filhotes de doces, era capaz de ter um general alfa a menos no reino.

– Tem sim...

– Vamos logo!

Junmyeon ao menos deixou o alfa terminar a frase, segurou o braço dele e saiu o puxando em direção a loja.

Há anos não comia esse bolo, não se lembrava bem aonde havia o experimentado, foram tanto os locais que seu pai esteve que era difícil ser preciso.

E deixando ser puxado, Yixing seguiu o ômega.

Assim que passou pela porta, o ômega olhou em volta, e ao avistar a bancada de vidro, ainda arrastando o alfa de uma forma quase cômica, ainda mais, pelo jeitinho que Yixing sorria olhando o ômega todo eufórico por causa de um bolo, foi até ela e assim que viu o bendito bolo, seus olhos brilharam.

– Bom dia, posso ajudá-lo?

O olhar de Junmyeon foi do bolo, para o rapaz ao outro lado do balcão com avental e touquinha com o logo da loja, e somente então, se endireitou.

– Bom dia, pode sim, eu... – Junmyeon se interrompeu ao notar que ainda segurava o braço de Yixing, e virou a cabeça para atrás encontrando olhar do alfa que, somente afirmou com a cabeça, então, virou a cabeça para frente, sem soltar o braço do alfa, – a gente vai querer esse bolo e dois cafés.

– Os senhores podem sentar-se que, já levo os pedidos.

O rapaz disse, e ainda segurando o braço de Yixing, Junmyeon seguiu para uma mesinha mais ao fundo da loja.

E somente quando chegaram nela, soltou o braço do alfa.

– Não acredito que achei esse bolo! Faz tanto tempo que o procuro.

– Essa loja é um pouco escondida, deve ser por isso que nunca a achou. – Yixing disse olhando para o ômega que, parecia que tinha os olhos brilhando ao esperar o desejado bolo.

Lindos olhos castanhos com um tom negro em torno na íris brilhando.

Wu Junmyeon tem olhos lindos.

– Com licença.

Os dois se viraram para o lado, onde o rapaz que atendeu Junmyeon no balcão estava com uma bandeja com duas fatias generosas de bolo e duas xícaras de café.

– Caso precisem de mais alguma coisa, é só chamar. Com licença.

O rapaz disse e se afastou, e após ele se afastar, Junmyeon olhou para frente, e se aproveitando que Yixing estava distraído, pego o garfo e pegou um pedacinho do bolo dele.

Quando o alfa se deu conta do que estava acontecendo, o ômega já estava com o garfo na boca e com um sorriso travesso.

– Ei! É feio pegar o bolo de outra pessoa!

Segurando o riso, o ômega colocou a mão no peito, em uma pose perfeita e dramática. – Mas eu não fiz nada, não faço ideia do que esteja falando.

Yixing levantou as sobrancelhas e Junmyeon lhe deu uma piscadela, qual, foi retribuída por outra vinda do alfa, que ainda completou mexendo as sobrancelhas.

E fazendo os olhinhos do ômega, se arregalarem um tantinho.

Não que já tivesse flertado com muitos alfas em sua curta vida, também não era como se alfas se aproximassem de si ao ponto de fazer isso, porém, isso foi um flerte, né?

De forma automática, Yixing fez o que fez, e pela reação do ômega à sua frente, ele havia o entendido. Ou quase, já que esse flete foi mais na brincadeira.

Pelo menos era o que achava.

Tudo que aconteceu com Xia era muito recente e mexeu muito consigo, tinha, literalmente, acontecido ontem, mas, não era cego, ou tão distraído para não reparar a beleza de um ômega, mesmo ele sendo um possível amigo.

Em outras palavras, Wu Junmyeon era algo além do que poderia um dia ter.

Como vingança, o alfa esticou o braço sobre a mesa, e "pegou" um pedaço do bolo do pratinho à frente do ômega.

– Zhang Yixing!

O ômega exclamou em um tom quase sério e olhar estreito, e descaradamente, Zhang Yixing, apoiou o cotovelo na mesa, e pegou outro pedaço de bolo do ômega.

– Sim, Wu Junmyeon?

– Tu és muito abusado. – Ômega respondeu.

– Eu? Mas eu não fiz nada. – Usando as mesmas palavras do ômega, o alfa retrucou.

Junmyeon revirou os olhos, voltou, começou a comer o próprio bolo, e uma vez ou outra, "pegava" um pedacinho do bolo do alfa a sua frente que, se limitava a lhe olhar de canto, não de forma brava por fazer isso, mas em uma falsa tentativa de lhe intimidar, enquanto conversavam.

Agora, sobre Junmyeon, para não levantar suspeitas sobre tantas perguntas sobre Huang Zitao.

– Tu só tens dezoito anos? – Yixing perguntou incrédulo.

Pelo posto de Junmyeon, achou que ele era bem mais velho, enquanto falavam da profissão do ômega.

– Sim, eu terminei o ensino regular mais cedo, eu estuava em casa, então comecei o curso de enfermagem com catorze anos, fui um dos alunos mais novos da escola de enfermagem e assim que em formei, vim para Damage estagiar, tecnicamente, ainda estou em estudo porque quero me especializar.

– Nossa, tu és um prodígio.

Um largo sorriso surgiu na face do ômega por essas palavras, elas foram ditas com admiração, não com o tom de deboche que muitos – alfas – falam ao se referir a sua inteligência.

– Mas e tu, serás o mais novo general da casa dos Zhang e Huang?

Yixing suspirou com a pergunta, e pensou um pouco.

– Eu tinha planos para depois de minha convocação acabar, voltar para casa e assumir os negócios da família, meu pai, o general Zhang, deixou muitos negócios que eram de um lado da família da minha avó, e também os da minha omma e todo o resto, mas agora, eu não sei... esse tempo que estou passando aqui, me fez repensar sobre seguir ou não a carreira militar.

– Então podemos ter um futuro general Zhang.

– Talvez sim, talvez não, general é um cargo muito importante e não é dado para qualquer um, nem mesmo por pertencer a uma família, ou duas no caso, famílias militares.

Junmyeon afirmou com a cabeça guardando essa preciosa informação.

– Mas algo me diz que seria um ótimo general... general Zhang Yixing.

O alfa riu.

– O general Huang amaria ouvir isso.

– Imagino, por mais que negue até a morte, um dos maiores orgulhos do meu appa é o Fan ser um oficial das tropas do rei. – Junmyeon bebeu um gole de sua bebida e olhou para o alfa ao outro lado da mesa.

Seu tio nunca demostrou – nitidamente – que queria que fosse um militar, assim como a linhagem dos Huang, e as dos Zhang, mas sempre fez questão de lhe preparar para tudo. Segundo o mesmo, um alfa – e ômega – completo, deveria saber agir em qualquer situação, tanto que, quando foi convocado, quis fazer de tudo para não lhe envolver nisso, e até quis voltar ativa.

Algo que particularmente, tinha uma curiosidade em ver.

Huang Leehyun era uma lenda viva, seus feitos são conhecidos em todo o continente.

Mas não deixou, quis fazer isso, e mesmo com sua preocupação, viu aquele brilho no olhar do alfa quando disse que assumiria seu lugar como Zhang e Huang.

– Entendo bem isso.

Yixing se limitou a dizer, e fez um gesto com a mão para chamar o rapaz que atendeu Junmyeon, e ao ver o gesto, o rapaz, que pelo jeito era um ômega, se aproximou.

– Por favor, poderia trazer duas fatias de bolo de cereja e chocolate?

Yixing pediu para o rapaz.

– Claro senhor, gostariam de mais um xícara de café?

Yixing olhou para frente, e Junmyeon afirmou com a cabeça.

– Sim, por favor.

– Eu já trago os pedidos, com licença.

O rapaz disse, e voltou pelo caminho que veio até o balcão.

– Tu vais amar este bolo. – Yixing virou-se para Junmyeon que, nada vez além de terminar de bebé o café que ainda restava em sua xícara.

Isso por fora, já que por dentro, estava em eufórica.

Yixing escolheu o bolo que mais gosta para que comecem juntos no primeiro encontro dos dois.

Mesmo que, tecnicamente não fosse um encontro, e soubesse que só estavam aqui por ser o modo que o alfa achou para lhe agradecer por toda a ajuda.

Mas fingiria que era um encontro.

Seu primeiro encontro com um alfa.

Alguns minutos depois, o rapaz trouxe mais duas fatias de bolo, e duas xícaras de cafés, recolheu os pratinhos e xícaras usadas e antes de ir embora, olhou para Junmyeon e depois para Yixing, e deu um sorrisinho.

Não aquele sorrisinho malicioso ao ver uma pessoa que tem interesse, mas, aquele ao ver algo que lhe agrada.

Mesmo notando isso, Junmyeon não disse nada e apenas pegou a colher e com fez com o bolo passado, se esticou um pouco por cima da mesa e mirou da fatia do alfa a sua frente.

Todavia, o ômega não foi o único a notar essa reação do rapaz.

Yixing já havia reparado que, desde que chegaram e foram para mesa, o ômega os olhavam com um sorrisinho bobo apoiando a cabeça nas mãos lá do balcão.

– Junmyeon, coma o seu bolo.

Yixing disse fingindo uma voz séria,  Junmyeon, com o garfo já na boca, lhe eu uma piscadela.

Foi a primeira vez que Yixing lhe chamou pelo nome, sem um enfermeiro antes.

– Que delícia!

O ômega exclamou ignorando o alfa e seu olhar "sério".

Já tinha comido bolos de cereja e chocolate antes, mas esse, esse estava divino.

– É o melhor que já comi, mas não conta para Zitao.

Se o seu não tão pequeno ômega sonhasse que achava outro bolo de cereja melhor que o dele, era capaz de nunca mais fazer um bolo para si.

Sim, Zitao é ciumento a esse nível.

– Hum, então agora tenho uma barganha para usar.

Um sorriso travesso se formou na face do ômega.

– Tu não farias isso.

Yixing disse entrando na brincadeira, ou pelo menos, era melhor achar que era uma.

Seus lobos ancestrais o livrem de uma coisa dessas cair nos ouvidos de Zitao.

– Por enquanto, guardarei essa informação, pode me ser útil no futuro, soldado.

Junmyeon disse, e "pegou" mais um pedacinho da fatia do alfa.

Após comerem ambas fatias, e o ômega dizer que já estava mais que satisfeito.

Na verdade, aguentava mais algumas fatias, mas era apenas o primeiro encontro dos dois, e Yixing não precisava saber que come feito um lobo esfomeado agora.

O alfa pediu a conta, e mesmo o ômega querendo dividir, pagou tudo, e deixou uma gorjeta para o rapaz que ainda olhava daquela forma boba para si e Junmyeon.

Uma forma parecida a de seus ômegas quando vê ou lê, algo romântico.

Com a conta paga, os dois seguiram para fora da loja, começaram a andar pela cidade.

Yixing olhando as coisas em volta, e Junmyeon olhando para Yixing olhando as coisas em volta.

Para qualquer pessoa que observasse os dois, seria nítido o interesse no olhar do ômega pelo alfa, contudo, por mais claro que isso aparecesse agora, o alfa, ao que parecia, não se dava conta.

Wu Junmyeon é um belo ômega, mas é o tipo de ômega que, qualquer mal entendido, poderia ter graves consequências, logo, era melhor não ser atrevido.

E também, mesmo não devendo, o alfa ainda se perguntava o motivo de ser praticamente traído como foi.

O que também não queria dizer que o ômega desistiria.

O caminho estava livre, tanto para si, quanto para outro ou outra, e não perderia tempo.

Como aprendeu com a sua omma, às vezes, a iniciativa deve ser do ômega, quando o alfa é devagar.

– Yixing, está sabendo do baile que o rei vai realizar?

O alfa voltou o olhar para o ômega. – Baile?

– O rei vai dar um baile em breve, e segundo soube, todas as famílias militares e demais e seus membros serão "convidados".

Junmyeon disse a última parte da frase, fazendo aspas com as mãos.

– "Convidados"?

Yixing repetiu o gesto do ômega que, riu.

A face confusa do alfa foi deverás fofa.

– "Convidados"... – o ômega repetiu o gesto – não há opção de não ir, por isso as aspas, todos as famílias militares e seus membros terão que ir.

O ômega explicou se referindo apenas as militares, já que as demais não tinha vínculo consigo, e no reino, nobres em sua maioria tinham algum vínculo com famílias militares.

– Todos os membros das famílias militares?

Novamente, o ômega afirmou com a cabeça, e Yixing arregalou os olhos.

Todos os membros das famílias militares, em outras palavras, Zitao teria que ir para o mesmo lugar onde seus superiores que já o conheciam como Taozin estariam.

– Como assim todos os membros? Não são somente os membros ativos e seus cônjuges?

– Não, são todos os membros. – O ômega reafirmou o dito.

Por talvez, ter um dedinho nisso.

Ao contrário do que até seus pais pensavam, a ideia desse baile tinha sido unicamente sua. Queria que o momento que seu irmão fosse corado príncipe herdeiro fosse algo belo, igual aos bailes de seu tio e omma foram.

As recordações que viu daquelas noites, em especial a que seu pai ômega recebeu a sua coroa de príncipe ômega, foram magníficas e belas, e queria isso também, queria que da mesma forma, fosse a sua e de Yifan, principalmente por ser algo que o falecido príncipe Junhoo gostaria que fosse belo e memorável.

Seu amado omma iria gostar da festa que estava planejando com seu tio alfa, com quem a propósito, mantinha contato quase diário, e já tinha vários e vários planos de como fazer a festa, inclusive, um baile de máscara.

Isso foi uma algo que pensou, para que em primeiro momento, manter em segredo o verdadeiro motivo do baile, mesmo alguns mais próximos, já saibam.

Tanto que, também queria uma companhia de uma pessoa especial para esse dia, e, agora, olhava para essa tal pessoa.

– Por isso me mandaram buscar ele...

Yixing pronunciou em um pensamento alto.

As peças se encaixaram em sua cabeça.

De fato, sua família ainda acreditava que seu ômega estava na propriedade de campo, porém, queriam a presença dele, de ambos.

– Buscar quem?

Junmyeon perguntou como quem não quer nada. E Yixing balançou a cabeça, e focou no ômega que lhe olhava com seus belos olhos castanhos.

– Meu primo... Zitao está na casa de campo da família, meu tio solicitou que o buscasse quando retornar para casa.

– Entendo... pelo que fiquei sabendo, o baile deve ser no próximo mês, ou algo assim.

Yixing abriu a boca, mas logo a fechou ao notar uma coisa.

Até mesmo para um ômega de uma família militar, Junmyeon sabia demais sobre o que se passava na nobreza.

– Como sabes de tudo isso?

O alfa questionou sem voltas.

É um tanto quanto interessante, Junmyeon saber de tantas coisas.

E um tanto sem graça, por realmente não pode falar nisso, o ômega sorriu.

Não se fosse proibido ou algo assim, mas lá no fundo, queria que Yixing comece a conhecer apenas Wu Junmyeon, e não o príncipe ômega Wu Junmyeon.

– Aí já é outro assunto, e um dia prometo que te conto.

O ômega resolveu dizer apenas.

– Mas, voltando ao assunto do baile, talvez seja de máscaras. – Emendou dizendo para deixar a pergunta do alfa para atrás.

O que em certo ponto deu certo, o foco de Yixing era outro.

– Isso seria maravilhoso! – O alfa exclamou.

Seria perfeito, poderia esconder Zitao o máximo possível, nem que só deixasse a boca e os olhos para fora, e o odor dele, poderia enche-lo de perfume, já que o mesmo possui mais perfumes e essas coisas de ômegas que podia contar.

Como Junmyeon disse, não teria muito alternativa a não ser irem ao baile.

E notando a animação do alfa, Junmyeon sorriu contente.

Seu engenhoso plano, estava começando a dar certo.

– Então Yixing... já que não temos outra opção a não ser ir... tu me farias companhia, claro, junto ao vosso primo?

O ômega questionou ponderado, com o maior cuidado para não parecer que estava com interesse no alfa – coisa que estava, e até com muito –, e mencionando também o primo ômega do alfa, para dar mais convicção em seu pedido.

Yixing não sabia do baile, tão pouco, deve saber do encontro que o primo terá com seu irmão mais velho, o que por cadeia de acontecimentos, os deixariam as sois em um longo – se Yifan não assustar o ômega – tempo durante o baile.

O alfa lhe olhou um tanto surpreso, e o ômega prosseguiu.

– Eu sempre fico só nesses eventos... bom, eu ficava mais em companhia de Kyungsoo, mas sem a menor dúvida ele vai com o Jongin, e Yifan, certamente vai ficar em algum canto isolado ou falando sobre exército com outros oficiais.

O ômega fez um biquino.

E essa parte, era verdade, quase, já que raramente participava de eventos a não ser que fosse estritamente necessário, e sobre Kyungsoo, era a mais pura verdade.

Quando o amigo estava com o noivo, poderia chover fogo que para ele tudo bem, tudo muito lindo, e sobre Yifan, bom, todos conheciam a fama do oficial Wu, e também, ele estará ocupado conhecendo Huang Zitao, e queira os seus lobos ancestrais, não o assustando e estragando tudo.

É claro que tinha Minseok, mas algo lhe diz que seu amigo terá outro interesse do que ficar junto a si, sem falar que, com toda a certeza os pais dele irão e nenhum lobo em sã consciência se aproxima do filhote do chefe médico o exército de Celesrio.

Surpreso com tal pedido, Yixing demorou um pouco para raciocinar se seria mesmo uma boa ideia.

Wu Junmyeon não é qualquer ômega, e se Zitao foi arremessado, e até hoje era – apesar de modo mais "suave" – encarado pelo oficial Wu, fazer companhia para o ômega em baile, poderia ser mais arriscado, por assim dizer.

Todavia, não estará lá como subordinado, e sim como "convidado", e tecnicamente, já está saindo com o ômega agora.

– Será um enorme prazer ir ao baile acompanhado por dois belos ômegas.

O alfa respondeu por fim, fazendo nascer, um belo e genuíno sorriso de felicidade na face do ômega.

Iria para o baile com Yixing, tinha o par que queria para o seu baile de coroação.

E se ele irá consigo, não poderá ir com uma certa ômega.

Os dois seguiram andando pelas as ruas da pequena cidade até que o alpino do dia chegou e ambos, a convite de Junmyeon, seguiram para um restaurante onde, almoçaram juntos e depois, tomaram um sorvete e – infelizmente para Junmyeon – voltaram para onde Yixing havia estacionado o carro, e retornaram para o quartel.

O caminho de volta, Junmyeon fez cantarolando baixinho, não era nenhuma música especifica, mas é algo que gostava de fazer em trajetos consideráveis de carro, e por estar também um tantinho nervoso pelo dia maravilhoso que teve.

Teve seu primeiro encontro, que não era encontro, com um alfa.

Com Zhang Yixing.

E ao seu lado, escutando a sua melódica voz, Yixing o olhava de canto apreciando a doçura nas notas que sai de sua boca.

Além de lindo, Wu Junmyeon canta bem.

Entretanto, sabia bem como são ômegas bonitos.

São bonitos e ótimos em esconder o que são por dentro.

Embora Junmyeon não aparecesse ser assim, mas Xia também não parecia.

E mesmo notando a forma que, às vezes, ele lhe olha, não era tão alheio as coisas ao ponto de não perceber, porém, é melhor não ter nada além de uma amizade com ele, afinal, ele é um Wu, filho de um general e irmão de um oficial, e que souber o seu segredo, poderia colocar em risco seu precioso ômega.

Além disso, não estava em seus planos nenhum ômega tão cedo.

Coisa mesmo sendo óbvia para Junmyeon, era dotado de uma inteligência invejável, não queria dizer que iria desistir, não agiria igual um doido atrás do alfa, porém, até ver que isso não dará certo, continuaria seguindo seu plano de se aproximar devagar.

– Chegamos.

O alfa disse ao estacionar o carro na vaga que anteriormente, o mesmo estava, e o ômega desencostou a cabeça do banco e levou as mãos até o cinto de segurança.

– Obrigado pela companhia, Wu Junmyeon.

Yixing pronunciou ao tirar o cinto de segurança.

– Agradeço pelo convite, Zhang Yixing... adorei esse dia longe de tudo...

O ômega disse omitindo que esse tudo era.

Em breve a sua vida irá mudar para sempre, e passeios como este, serão quase impossíveis de serem feitos.

Em cada pedacinho do reino dos Lobos Celesrio, conhecerão o seu rosto, saberão o seu nome.

– Nos vemos pelo quartel, soldado Zhang. – Ômega completou, e um tantinho tímido, virou-se para abrir a porta do carro, contudo, conteve o movimento, mordeu a pontinha do lábio inferior e fechou os olhos.

Em um surto de coragem, o ômega abriu os olhos e virou-se para o lado do alfa, se esticou um pouquinho, e lhe deu um beijinho na bochecha, e somente então, abriu a porta do carro e desceu do mesmo a fechando.

Com um sorriso contido, Junmyeon seguiu o caminho a algumas horas feitos, para a saída da garagem, deixando para trás, o alfa com o olhar vidrado em si, e um sorriso de lado.

– Nem pense nisso Yixing, ou terás um fim precoce.

O alfa disse para si mesmo, e saiu do carro.

Rodando a chave do carro na mão, o Yixing atravessou o pátio, e seguiu para o dormitório de Zitao, que pela hora, deveria estar em alguma atividade ou o mais provável, por ser domingo, em algum canto com Kim Jongdae.

Tinha mais isso para se preocupar, Kim Jongdae, que, a todo lugar que seu primo ia, ele estava logo atrás.

Yixing ainda queria ter uma certa conversa com o alfa sobre algo lhe dito há algum tempo atrás, sobre esse lobo magrelo ter visto seu ômega se trocando.

– Yixing ainda bem que te encontrei, tu precisas vir comigo, acho que o Huang está passando mal.

Se ao menos viu de onde o alfa veio, não, Yixing não viu, mas ao escutar as palavras dele, saiu correndo em direção aos vãos entre os alojamentos.

Tudo na mente de Zitao se resumia no que Jongdae havia lhe tido.

Você só sabe que um plano bom foi para o fundo do poço, quando a água chega em seu pescoço, e era exatamente assim que Zitao estava se sentindo agora, atolado em seu próprio plano, assustado, com medo.

Se já tinha entrado em pânico ao saber do baile e que teria que ir nele, um baile cheio de oficiais que poderiam lhe reconhecer, ser informado, ainda mais por Jongdae, que terá um encontro que ninguém mais e ninguém mesmo que Wu Yifan, nesse mesmo baile, lhe causou um surto de ansiedade e agora, estava sem saber o que fazer.

Entretanto, esses dois fatos já suficientes para lhe causar pânico, não era o maior causador dessa reação que estava tendo agora, e sim, saber que seu pai alfa foi capaz de armar um encontro para si, sem o seu consentimento, coisa que lhe prometeu que jamais faria.

– Tao, tudo bem? O que está sentindo?

Yixing caiu de joelhos na frente do primo e levou as mãos para face dele que, tanto chorava quando se tremia.

– Xing...

O ômega pronunciou baixinho com o biquinho tremendo com as mãos do alfa em sua face, o deixando, ainda mais afito.

– Appa mentiu, ele arrumou um encontro, ele disse que jamais faria isso e fez Xing, ele mentiu.

Sem entender bem o que estava acontecendo, porém já vendo que não teria uma resposta de clara de Zitao, Yixing olhou para trás, para Jongdae, que se aproximou.



>><<



"– Zitao não tem dezoito anos ainda para ter um encontro.

O general retrucou, de forma educada, ao seu convidado que, mais uma vez, insistia nesse assunto.

Nesse mórbido assunto.

– Eu sei disso, tu repetiste umas cinco vezes isso na carta que me mandou como resposta sobre a minha proposta. Contudo, insisto, não há ninguém melhor para isso do que vosso filho, claro, se for do agrado dele.

– Ele não aceitará nenhum encontro arranjado, muito menos, com alguém que ele ao menos conhece... para vossa ciência, por conta de o primo ir para o exército, ele se insolou na casa de campo e se recusa a falar com o resto da família.

Uma sonora e um tanto alta gargalhada escapou da garganta de seu notório convidado.

O alfa chegou no meio da madrugada, sem qualquer aviso, mas por conhece-lo bem, sabia que não se importaria de acordar, tão pouco, em ter vindo sem avisar.

Longe disso, era até melhor, ninguém o veria aqui, ou saberia que se passou por aqui.

– Zitao puxou a ti, meu amigo. Desde pequeno, lembro-me de ti falando do gênio dele.

Leehyun olhou bem para o seu amigo e rei, ao outro lado da mesa de seu escritório rindo e bebendo tranquilamente uma xicara de chá e respirou fundo.

– Não faça essa face, sabes bem que és verdade, mas o meu alfa também não gosta desse tipo de... forma de conhecer pessoas, mas o conheço bem e, pelo menos quero que conheça uma pessoa boa e confiável.

– Tu realmente achas que Yifan agirá diferente de todas as outras tentativas, as que chegou a comparecer no encontro?

Deixando o protocolo e formalidade de lado, pois essa não era conversa de um general com o seu rei alfa, e sim, de um tio alfa com o pai alfa do ômega que tinha interesse que seu sobrinho conhecesse, Leehyun questionou.

– Claro que sim, Yifan não seria louco de fazer o que sempre faz se tratando do filhote ômega do impetuoso general Huang Leehyun.

Seunhoo respondeu e bebeu mais um gole de seu delicioso chá.

– Seunhoo, isso não é uma boa ideia para nenhum dos lados, sabemos que, tanto Yifan, e garanto que Zitao, não vão concordar com isso. O aconselho a procurar outro ômega para apresentar ao vosso sobrinho.

– Qualquer outra pessoa... – o rei deixou a xícara no pires em cima da mesa. – Em vosso lugar, não pensaria duas vezes antes de aceitar a proposta de vosso ômega ter um encontro com o príncipe herdeiro, e possivelmente, se tornar um dia, o rei ômega. Mas tu... – o soberano apontou para o amigo – além de recusar, me fez sair de meu palácio e vir até aqui tentar lhe convencer em pelo menos, permitir que ambos se conheçam formalmente, e é por isso que insisto em ser Zitao. Lhe conheço a vida toda Huang, e sei bem a criação que deu para vosso filho e para o filho de Hyoen, e por isso que sei que se, Zitao gostar de Yifan, ficará com ele, e não insistirá por causa de minha coroa, e também, caso Yifan goste dele, terá um bom ômega para conquistar.

– Seunhoo... as chances de isso não dar certo são enormes...

– Mas a chance de dar certo, seja otimista Leehyun, e qualquer coisa, tu ainda és superior de Yifan e eu faço vista grossa.

Os dois alfas iriam.

– Eu darei um baile em algumas semanas para coroar Yifan e Junmyeon... já era para ter feito isso há muito tempo, desde que... – rei alfa se alto interrompeu.

Desde que perdeu seu amado marido e o filhote dos dois, e decidiu nunca mais se casar.

– Eles são filhos de Junhoo e por direito, os herdeiros diretos ao trono.

– Junhoo vivia dizendo que iria os criar afastado de tudo que envolvia a realeza e hoje, o filhote mais velho dele é o futuro rei.

As palavras do general foram saudosas e nostálgicas. Wu Junhoo era um bom amigo e que fazia muita falta.

– Em partes, não os coroei antes por conta disso. Junhoo queria que Yifan e Junmyeon crescessem sem tanto assedio, era o que ele mais fala antes de dar à luz a Junmyeon... porém ele ficaria orgulho em ver os dois filhos sendo corados e um deles se tornando rei alfa... e também, adoraria ter vosso filho como genro.

O soberano completou.

Era golpe baixo usar seu amado irmão ômega para isso, mas já estava sem argumentos para convencer o teimoso general.

– Um encontro, e nada mais.

O rei alfa sorriu satisfeito e vitorioso, e em seus pensamentos, agradeceu a Junhoo.

Como sempre, seu ômega havia salvado o dia.

– O encontro será no baile da coroação, esteja em LIT na data próxima.

O rei alfa pronunciou, desta vez não em tom de conversa, pelo menos a última parte.

Como segue a tradição, antes da coroação oficial tinha algo a fazer, tinha que ver seus generais e pessoas de poder em seu reino jurando lealdade aos seus herdeiros, em especial, ao seu sucessor.

E também, seria uma ótima oportunidade – como lhe disse seu doce e engenhoso sobrinho ômega – de Leehyun e Yifan terem um contato mais próximo, além de o de general e oficial, e de um general e príncipe herdeiro. 



◾◾



Notas Finais


Oi gente, tudo bem?

Antes de qualquer coisa: aprendemos a como chamar o crush para sair de forma discreta e sem chamar tanta atenção sobre seu interesse.

Junmyeon é a própria definição de gênio.

E segura o forninho do Zitao, Geovana.

Esse baile promete!

Até o próximo capítulo.


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