1. Spirit Fanfics >
  2. Humano >
  3. Profundamente, humano

História Humano - Capítulo 1


Escrita por: Ssinful

Notas do Autor


Oi, meus consagrados!

Recentemente achei um vídeozinho com uma música maravilhosa (estarei deixando nas Notas finais o link), e tive essa ideia!

Boa leitura

Capítulo 1 - Profundamente, humano



Levi depois de muito procurar, encontra Eren sentado no chão de terra, em meio às flores, com os joelhos entre as pernas, fungando ora ou outra, enquanto seu corpo parecia tremer.

— Vai... Vai embora. — Jaeger diz, baixinho.

O capitão nada disse, e, honestamente, achou que não era necessário. Assim como si, Eren também tinha suas dores, e temores. O moreno parecia tão frágil, que Levi sentiu seu eu interior tremer. Ainda mais depois do que havia presenciado minutos atrás.

Memórias de Levi

— Capitão, o senhor precisa de mais alguma coisa? — Eren indaga, carregando algumas sacolas. Levi levava outras.

— Eu vou apenas pegar uma vassoura nova, e já te encontro naquele banco. — Levi murmura, apontado com a cabeça para um banco no canto da praça. Eren ri, admirando mais uma vez a mania insistente de limpeza do capitão.

"Ele nunca perde certos hábitos, no fim das contas". — pousou as coisas no assento.

Ambos estavam em um feira que ocorria em Trost. Levi queria comprar produtos de limpeza, e alguns alimentos, e claro, levou Eren junto para ajudá-lo a carregar as sacolas.

Eren estava feliz. O dia estava ensolarado, e sem nenhum sinal de chuva. Era primavera, e as flores começaram a saltar para fora nas árvores, deixando aquele lugar que parecia ser tão sórdido, bonito. Jaeger amava Girassóis. A forma com que eles sempre se voltavam para o sol, fazia-o ter uma ideia de liberdade. Como se o céu fosse o limite, e nada mais.

— Olha, mamãe! Um pássaro! — Eren ouve a voz doce de uma garotinha, que acabara de se agachar a poucos centímetros de um passarinho. A mãe vinha logo atrás conversando com uma amiga, e parecia não dar atenção para a filha. — Como é bonito...

A garota se levanta, e corre até o animal, no intuito de pegá-lo, mas este se assusta, levantando voou. A criança cai, aparando o peso nas mãos, mas aquilo não foi o suficiente para impedir um joelho ralado.

— Você está bem? — Jaeger corre até ela rapidamente, preocupado.

A menina o olha, sorrindo. Não havia vestígios de uma possível vontade de chorar, ou de dor. Ela apenas sorria, enquanto acolhia o ursinho cujo segurava, ao peito.

— Estou! — Eren sorriu, estendendo a mão que a menina logo pegou, e se levantou. — Passarinho malvado. Eu só queria fazer carinho nele, e ele fugiu!

— Ele é um animal que não se pode prender, ou cortar suas asas. — o moreno se agacha na altura da criança, achando adorável o bico emburrado que a mesma fazia. Passou a mão sobre o joelho dela delicadamente, tentando pelo menos tirar o excesso da terra.

— Hm? Mas por quê, moço?

— Porque ele é livre. Nasceu livre, e ninguém pode tirar isso dele, e de ninguém, entende? — respondeu, e sorriu de lado. Aquela menina não tinha medo dele, e aquilo o deixava feliz.

— É tipo a gente, não é moço? Esses muros nos tiram a liberdade. — disse, e Eren adotou uma expressão surpresa. Era raro encontrar crianças com pensamentos abertos como aquele.

Ela pensava como Eren.

— Sim, isso mesmo. Você é esperta...

— Vanda! Meu nome é Vanda. — complementou a dúvida do rapaz.

— Parabéns, Vanda. — sorriu, e se distanciou por míseros minutos até voltar com um Girassol. — Para você. Sou o Eren.

— Obrigada, tio Eren! — os olhos brilharam, e o coração do moreno se aqueceu. O olhar da menina era puro, como se aquele fosse um presente que nunca houvesse ganhado. — Eu adoro Girassóis. São bonitos.

— São mesmo. Gosto deles porque...

— Vanda! — um grito estridente cortou o ar, fazendo com que a menina se assustasse por ter sido chamada daquela forma tão rude. — O que faz aí?

Em questão de minutos, uma mulher pega a garota pelo braço — mulher que Eren deduziu ser a mãe de Vanda —, tentando tirá-la de perto do moreno. Seu olhar era acusador, e pior, parecia ter um certo nojo nele.

— Mamãe, está machucando! — choramingou, esticando o braço para Eren. Esse que tentou pegar, mas falhou pois Vanda foi puxada novamente. — O que foi, mamãe?

— Não quero que fique perto desse monstro! — gritou mais alto, e Jaeger arregalou os olhos. Um amontoado de pessoas passaram a formar-se em volta dos três.

— Ele não é monstro! Ele é o Eren, e o Eren é legal. — Vanda tentou argumentar do seu jeitinho e inocência. Porque Vanda ainda era criança, e nunca se verá maldade nos olhos de uma criança.

— Senhora, eu... — Eren deu um passo, mas logo recebeu outro grito. Sentiu a mulher lhe jogar uma pedra, que provavelmente havia achado no chão.

— Não chegue perto, aberração! — acolheu a filha ao peito, vendo um machucado em seu joelho. — Você... Você machucou ela, seu nojento!

— O... Quê? Eu não...

— Mãe, ele não fez nada, foi quando o passarinh...

— Cale a boca, Vanda. Não tente defender esse monstro! — seu olhar transmitia fúria. Logo, o resto da população passou a voltar-se contra Eren, o xingando da mesma forma. O jovem vendo aquilo, encolheu os ombros. — Por que não morre logo? Por que vive e causa medo as pessoas? — com aquele grito, Jaeger sentiu os olhos encherem-se de lágrimas. Olhou para Vanda, e viu os olhos castanhos dela repletos de água. Seu rosto se contorceu num pedido mudo de desculpas.

Pedras e alimentos passaram-se a ser atirados em sua direção, junto de xingamentos que Eren sequer fazia ideia de que poderiam existir.

Nesse momento, Eren só queria sumir dali. Queria desaparecer, e nunca mais voltar. Estava humilhado, fragmentado em mil e um pedaços. Seu coração doía tanto, tanto...

Ele apenas correu. Não sabia para onde iria, e nem estava com cabeça para pensar em tal, então apenas correu.


Parado atrás de algumas pessoas, estava Levi. Sua expressão contorcida em puro desgosto. Nojo era um substantivo que não era capaz de dizer o suficiente sobre aquelas pessoas tão hipócritas.

Memórias de Levi, fim.

Vendo o estado miserável do moreno, o capitão apenas se sentou ao seu lado. Levi nunca fora bom em reconfortar ninguém. Ele tinha vários talentos, mas pecava totalmente ao tentar ajudar quem quer que fosse.

E ele tinha medo que magoasse mais ainda Eren.

— Eren, não me diga que você acreditou no que aquela retardada disse... — começou, temeroso.

Eren mal se moveu, apenas limpou o nariz e rosto com a manga da jaqueta. Visão que Levi em uma outra ocasião acharia extremamente nojenta, mas ele sabia que não era hora para aquilo.

— Como não quer que eu acredite? Não foi só ela, mas todo mundo. Eu sou tão detestável assim, capitão? — as lágrimas brotaram em mais quantidade, passando por suas bochechas, e morrendo no vão de seu pescoço. — Eu só trago desgraça para as pessoas.

— Não sei quem é mais idiota: você, ou essas pessoas. — suspirou, recebendo um olhar do garoto. — Eren, você acha mesmo que eles têm, ou podem ter o direito de dizer algo sobre você?

— Às vezes acho que todos têm razão. Eu sou uma besta abestalhada quê...

— Se não quiser perder os dentes, acho bom não repetir isso. Pelo menos não na minha frente. — virou-se para o castanho. — Aqueles filhos da puta só sabem falar merda, e encher a barriga o dia todo, enquanto há soldados que estão dispostos a salvá-los. É por isso que eles estão tranquilos, e se acham na autorizadade de dizer-te coisas horríveis, ou não se preocupam com titãs. Eles te xingam, mas sabem que sem você, estariam todos fodidos.

Surpreso, Eren até mesmo solta um riso latente. Sentiu um frio incerto no estômago, e rapidamente a vontade de chorar pareceu se esvair.

— Eu... Eu não entendo. — fungou. — Como eles...

— Não precisa ficar chorando como um porra todas as vezes que te disserem isso. Na verdade, você pode chorar o quanto quiser, porque você é apenas um humano. Você sente dor, felicidade e tristeza. Isso te torna tão humano quanto aparenta. — a mão direita de Levi foi ao queixo de Jaeger, o erguendo. Seu polegar passou-se por ali, num afago carinhoso. — Você, debaixo de toda essa pele e ossos, é humano. Assim como Annie, Bertholdt e Reiner são.

— Capitão... — chorou mais. O ranho desceu-lhe pelo nariz, ao mesmo passo das lágrimas. Abraçou o Ackerman, que retribuiu apertando Eren forte. — Obrigado.

— Conte comigo sempre, Eren. Estou aqui por você, e com você. — beijou os cabelos castanhos, sentindo a maciez contra seus lábios, descendo e deixando um casto beijo na boca de Eren. — Agora, quer voltar lá e xingar aquela velha do caralho? — Eren sorri, sentido seu coração fragmentado se juntar novamente.


Notas Finais


É isso ai.

Link do vídeo e música: https://youtu.be/LXAfLjzlgmg
Estão tudo em um só.

Qualquer coisinha, só gritar nos comentários que eu venho correndo!

Beijão.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...