História Humano - Capítulo 1


Escrita por: e HopeInVhope

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jung Hoseok (J-Hope), Kim Taehyung (V)
Tags Hopeinvhope, Hoseok, J-hope, Taehyung, Taeseok, Vhope
Visualizações 28
Palavras 1.249
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), LGBT, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, pessoal! :D

Estou extremamente feliz e satisfeita em postar minha primeira história com esse projeto incrível que é @HopeInVhope. *Surtando e incrédula de estar participando da equipe de escritores até os dias atuais*

Queria agradecer muito por essa equipe linda, que foi super acolhedora e fofa, e que tem capistas, betas e escritores sensacionais. Fico honrada em ser um membro de vocês.

Também reitero meu muito obrigada à @Sam_B3ar pela betagem, que é ícone por si só. (Sério, vão ler as fics dela!) e à @Sue_toraY que me presenteou com essa capa incrível que ainda me dá uma sensação de euforia quando vejo.

Boa leitura <3

Capítulo 1 - Capítulo Único


A tarde vaga carregava uma dose de nostalgia. A liberdade de horário e destino indeterminado não beneficiaram; os pensamentos rodeando minha calmaria e lentamente desrespeitando seu perímetro. Girei o registro de água quente, sentando à margem da banheira branca delimitada pelo mármore escuro.

Me despi ainda alheio ao entorno. Primeiro as camadas de tecido, iniciando pelo par de meias brancas e finalizando com o desabotoar da camisa exageradamente larga. Coloquei os brincos e anéis distantes da cuba da pia, com a corrente não tão longa. Enfim interrompi a saída do líquido, pisando no fundo com cautela, cruzando as pernas e abaixando o tronco até que descansasse contra a borda. Uni as mãos, envolvendo um pouco da água, para banhar o rosto. A maquiagem dissolveu-se gradualmente, pigmentando a transparência a cada momento que repetia o gesto.

Agora eu era apenas Kim Taehyung.

Não haviam flashes, luzes direcionadas ou companhias. Era permitido me comportar sem convenções ou etiquetas; jogar com as emoções administradas sem muita habilidade ao longo da semana; sem negligências ou censuras. Sem privilégios. Era como gostaria que fosse.

Às vezes, a disposição não despertava com um abrir de cortinas ou com um chamar completo por honoríficos. Tinham instantes em que o silêncio mal podia se ouvir, devido ao número incontável de vozes. E eu sempre sentia saudades do seio familiar.

Em uma constância travava um conflito em explicitar minha gratitude para com a plateia ainda que estivesse abatido, mas isso poderia pender ao desgastante. Vestir grifes, ter a aparência associada à beleza, graciosidade; é simples deslumbrar-se, acostumar com elogios vazios.

Eu era um menino ingênuo por conta de sonhos, os mesmos que concretizei com outros seis. Os mesmos que levaram o direito de voltar e ir sem camuflar-se, de me apresentar sem carregar títulos, e resultaram em críticas por vezes insensíveis ao homem que portava minha imagem, ao V.

Quando minha mãe telefonou durante um ensaio, soube que era um anúncio negativo. Quis que fosse outro equívoco de muitos, porém a perda fora real. Minha avó havia falecido sem meu último olhar doce voltado a sua figura maternal; minhas mãos estavam quilômetros do enlace das dela, assim como meus lábios para esclarecer meu amor e apreço.

Era irônico como acontecia novamente, com Jin, e também como não selecionei palavras para dizer mesmo compreendendo. Questionamentos foram desencadeados: por que eu fazia o que fazia? Por que a ganância bebia minha humildade? Haviam muitos detrimentos como resultado.

Todos os meninos sentiam esse impasse, coberto de incertezas. Nos escoramos por vezes nos ombros de nossos irmãos, entramos em muitas discussões, assistimos as derrotas e triunfamos. A unidade era remontada e constituída pelos eventos e emoções que partilhamos. E desde o marco inicial, Hoseok me segurava, sustentando com delicadeza, instruindo para que eu caminhasse driblando as rachaduras. Ele sempre foi exato, austero e brilhante. Em proteger e zelar outrem, desprezava a si. Reforçava a positividade, embora dentro fosse chuva. Era admirável, e incrivelmente triste aos poucos que acessava sua alma e a encontrava cansada.

Levou tempo para que ele descamasse até sua essência, e ainda mais para escancarar seus medos, angústias e planos; tudo isso sob fio de luz opaco. Contudo, me voluntariei a encarar seu íntimo, porquê meu interesse era enorme; porquê Jung era intrigante quando se tinham vestígios de sua pele descoberta, porque me enamorei e nossos próprios mundos colidiram. Todavia, jamais poderia ultrapassar das paredes do dormitório que nos amávamos, nunca seria possível vagar ruas lado a lado distribuindo algum carinho, — o que machucava —, então os momentos eram seletos e escassos, e exigiam um grande esforço para o relacionamento se manter saudável. E o fazíamos, aos acertos e tropeços.

— Tae? — Uma brecha deixou a voz passar. — Tudo bem? — Falou no batente da porta agora aberta.

— Sim, tudo bem. — Dei um esticar de lábios falho, e ele trancou a entrada.

Em passos curtos, Hoseok andou até alcançar a banheira, dando um pequeno beijo no centro da minha testa, sentando onde eu estava antes de começar o banho. Seu corpo orientado para ficar direcionado a mim, me oferecendo um olhar sereno. Era bom o ver confortável em sua sobriedade.

— Posso lavar seu cabelo? — Perguntou. Recebendo meu aval em um monossílabo resmungado, pegou um frasco de shampoo depositando uma pérola do produto na palma da destra e a massageando na raiz dos meus fios. — Você tá’ tão quieto, amor. — Sorri genuíno com o tratamento.

— Adoro quando você me chama assim. — Falei me sentindo aquecido com o carinho. Ele riu, espalhando a espuma em minha cabeça e esfregando com as unhas curtas.

— Se eu pudesse chamaria sempre. — Suspirei, concordando. — O que foi, Tae? — Parou de esfregar e enxaguar o couro cabeludo, e ficou com a postura ereta para me ver.

— Eu tava’ pensando nas coisas… — Suas mãos foram lavadas na água parada.

— Tem a ver com a vó do Jin? — Expressou com cautela, ajeitando uma mecha molhada para longe dos meus olhos.

— Também. — Toquei sua destra e a deixei junto da minha, apoiadas na beira. — Fiquei me perguntando se tudo isso vale a pena. — Ele alongou a pausa sem se pronunciar. — A gente abre mão de tanta coisa pra estar aqui. Pra ser o idol, o exemplo a ser seguido. — Baixei o olhar para um ponto qualquer. — Eu perdi minha vó sem dizer adeus porque estava trabalhando; nem pude ficar triste e chorar o suficiente; não deu tempo. Eu sempre tô’ tão longe da minha família. — Sua mão apertou. — Eu não tenho liberdade pra ser seu namorado fora daqui. — Hoseok se remexeu, desconfortável. — Sinto que a gente vive duas vidas completamente diferentes. — Tornei a fitá-lo. — Parece que é… — Revisei os poucos adjetivos que serviam àquilo, sem nenhum descrevendo com suficiência.

— Injusto? — Hoseok sugeriu, e assenti com lentidão por conta do pesar em assumir como verdade.

— É… — Pela segunda vez, suspirei.

— Pode ser que eu não tenha as palavras certas pra dizer, mas lembra de como a gente começou? Não foi nada fácil. A gente foi desprezado, e tem pessoas que ainda não gostam de nós, porém somos família. — Sorriu gentilmente, me fazendo replicar o ato. — Ficamos juntos, passamos pelos momentos ruins e vencemos. A gente precisa lembrar do início, amor. — Firmou o entrelaçar. — Nós merecemos porquê trabalhamos para isso, o bom e o ruim, porque nada é fácil, mas sempre estarei com você; não falo isso da boca pra fora. — Os cantos da minha boca se apartaram ainda mais. — E a carreira de idol não vai durar para sempre. Um dia vamos ser só Jung Hoseok e Kim Taehyung de novo, todos os dias, o tempo todo, e eu quero que a gente esteja junto. — Estendeu a palma da mão livre.

Saí com cuidado, colocando os pés no tapete. Ele pegou um roupão antes estendido no cabideiro e o abriu, indicando para que eu me abrigasse no tecido felpudo. Assim fiz, enroscando a fita em cada casa e puxando suas pontas para dar um laço frouxo. Hoseok tinha uma toalha nas mãos e tratou de a roçar nos fios úmidos, a contendo entre os dedos, a ponta da língua à amostra pelo foco terno na tarefa.

— Hobi? — Parou de secar os cabelos, me fitando profundamente. — Eu te amo. — O sorriso largo e encantador surgiu enquanto seus braços se punham ao redor da minha cintura.

— Eu também te amo, Tae Tae. — Corei com a lateral do rosto em seu peito, o aconchegando mais próximo. — Sempre vou cuidar de você. — Pressionou a boca contra o topo da minha cabeça.

No final, eu sou humano.



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