História Hunger - Capítulo 7


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Categorias Jeff The Killer, Slender (Slender Man)
Personagens Personagens Originais
Tags Charlotte, Eyeless Jack, Proxy, Slender
Visualizações 50
Palavras 1.295
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Pós trauma


Era como ter voltado no tempo, desde o primeiro dia em que a crise havia começado, no shopping, quando Charlotte direcionou o olhar a um rapaz aleatório sentado no banco. Isto, ou melhor, ele, já foi o suficiente para disparar uma enxurrada de memórias do passado.

As batidas do seu coração eram tão disparadas quanto as rodas daquele carro no momento em que Hoodie havia decidido pisar fundo no acelerador durante o acontecimento de dois dias atrás. E a fome...A fome era tão certa quanto a gravidade, era como se fosse parte de Charlotte, inquebrável, insaciável e imutável, a mesma que a violentou naquele tempo, naquela primeira vez.

-Jack, vamos voltar. – Suplicou Charlotte apavorada, observando que o garoto, ou coisa, ou fantasma – até aquele momento ainda era difícil de assimilar – estava bem determinado em suas pretensões bem claras, sem serem acobertadas por qualquer tipo de filtro.

-Pra que? O que você vai fazer se voltar? Ficar trancada pela vida toda deixando com o que te controlem como se fosse um animal? – Questionou friamente, lhe encarando com aquelas duas órbitas negras e vazias em seu rosto coberto por uma máscara azul, o que de certa forma, lhe dava um aspecto enfaticamente ameaçador e imprevisível.

-Não...- Charlotte se encolheu, olhando em volta e com o medo terrível de ser descoberta por um dos proxies.

Era como se um deles fossem brotar em qualquer canto, as vezes a mente de Charlotte a fazia cogitar na possibilidade de Ticci Toby surgir da terra como se fosse uma toupeira, porque isso era típico dele. Qualquer coisa sem sentido conseguia o definir perfeitamente.

-Fique tranqüila, sei para onde estamos indo. –Disse Jack em uma apatia sutil.

Um detalhe bizarro era o fato do garoto estar morto e mesmo assim Charlotte poder senti-lo muito bem, bem o suficiente para que seu tato captasse o gélido daquela pele cinzenta. Estar de mãos dadas com ele não estava a ajudando se acalmar, é claro.

Isso era um mistério, receber ajuda repentinamente, estar conectada a um ser que até então desconhecia por completo, e que por acaso parece ter o mesmo “fascínio” por carne. Era caótico e incoerente, e Jack havia deixado claro que havia a procurado só pelo fato de ter achado toda essa situação estranha interessante de ser explorada.

Enquanto Eyeless bancava a “poetiza” com toda essa história, Charlotte fazia cara de quem tinha acabado de receber a notícia de que o Natal foi cancelado.

-Eu ainda não sei porque você acha que devo ficar confiando no que diz. –Charlotte rebateu impulsiva, entregando-se ao leve histerismo que aquela fome lhe proporcionava.

A garota tinha que confessar que estava irritada por Eyeless ter esfregado um animal morto no seu rosto apenas para tentá-la a sair daquele porão. Funcionou completamente, o gosto do sangue em seus lábios lhe dava delírio e inconsciência do que fazia.

-Porque você não tem outra escolha. – Disse confiante. –E seu inglês me da agonia. – Comentou aleatório, passando por debaixo de uns galhos após incliná-los um pouco para cima, mas como Charlotte era lerda, logo os mesmos voltaram ao seu rosto quando Jack os soltou.

-Isso doeu! – Reclamou massageando a bochecha, agora avermelhada e com um pequeno arranhão.

-Eu sei, eu senti. – Disse Jack com um ar perceptivelmente extasiado, o que foi estranho.

-Jack, você até agora não me disse para onde estamos indo. – Apreendeu Charlotte em um murmúrio, começando a desconfiar ainda mais ao perceber que estavam indo para uma parte mais oculta da floresta.

Era necessário descer alguns morrinhos, existiam várias arbustos e árvores baixas e grossas de tronco escuro. Uma mata mais densa, e tão úmida que causava certo abafamento apesar da neblina baixa e macabra demais para uma noite tão escura quanto aquela.

De longe, Charlotte familiarizou-se com uma grande, e por mais que faltasse metros para criar proximidade com a mesma, ela pode reparar na placa que indicava para não ultrapassar. E assim era, vermelha e preta, bem enfática com uma pontuação exclamativa.

-Não posso continuar. – Determinou engolindo a seco, parecendo ter cravado os pés naquele barro molhado e de consistência um tanto “pastosa”.

O macio da terra causava certo conforto em seus pés descalços, mas em sua cabeça, aonde o ar era mais propenso a ser sentido em sua volta, sinalizava puro alarme. Não passe, não siga, pare! Pare! Gritava o pânico que circundava sua mente.

-Charlotte, não temos tempo. – Alertou Jack severo.

-Não importa! – Bradou Charlotte com prontidão.

-O que houve? – Indagou curioso, largando sua mão e virando-se a ela.

Charlotte tentou respirar diante de toda aquela umidade e adrenalina que parecia percorrer em cada parte de seu corpo que queimava em necessidade, mas ao mesmo tempo em constante duvida, em constante medo de ser perseguida por alguma coisa...por alguém.

Isto a fez se perguntar por um momento se os meninos eram responsáveis por tal alarme efêmero, porém uma intuição gritante lhe dizia o ao contrário. Não era eles...era ele, um algo no singular que Charlotte desconhecia, como se a sua mente fechasse tal informação em segurança, semelhante a um trauma profundo e que se manifesta de maneira inconsciente.

-Eu vim daqui. – Charlotte firmou sem que notasse. –Foi para cá que fugi porque estavam me procurando. – Continuou encarando fixamente a placa, lendo e relendo atentamente o aviso de não ultrapassar.

Com isto, veio o leve relance em mente de luzes semelhante as de lanternas, todas apontadas para ela, tremulas e persistentes, acompanhada de gritos, de passos. Isto lhe pesou tanto que a deixou em um estado hipnótico.

Eyeless por estar sob efeitos de conexão com um corpo material, que ainda sentia de maneira tão nua e sensível as interações do mundo – apesar de aparentar ser tão morto quanto ele devido a desnutrição -, franziu levemente o cenho, tendo a impressão de que sentia algo palpitar em seu peito, algo que produzia nervosismo, terror e a inquebrável insegurança.

Mas esse palpitar não era Jack, era Charlotte.

-Olha, eu imagino o quanto deve estar sendo difícil para você andar até aqui depois de ter ficado trancada por tanto tempo naquela cabana. – Jack disse compreensivo, mas ao mesmo tempo tendo consciência de que aquilo a deixaria vulnerável para continuar a fazer o que ele mandava. –Tudo isso é apenas um borrão Charlotte, precisa seguir em frente e deixar ir.  – Aproximou-se, atento a expressão chorosa que formava-se aos poucos no rosto da garota.

-Eles não param de me seguir. – Lágrimas começaram a rolar, e Charlotte se sentou no chão e abraçou-se como uma criatura bizarra e ao mesmo tempo indefesa. –Parem com isso! Me deixem em paz! – Balançava de um lado para o outro em prantos.

Eyeless incomodou-se profundamente ao sentir que a substancia viscosa e preta que contornava a parte onde deveriam estar os seus olhos começara a escorrer por baixo da mascara, como se realmente fossem lágrimas, e isso lhe deu uma agonia ao ponto de estremecer-se.

-Charlotte. – Ele disse sério, querendo que aquilo acabasse o quanto antes. – Não tem ninguém aqui, seja quem for já se foi. – Agachou-se em sua frente.

Mas a única coisa que a fez voltar ao mundo real e parar de reviver um trauma passado, foi o toque. Aquele toque gelado e firme, determinado a alguma coisa, e era Jack a segurando pelos braços, e quando ela levantou a cabeça para o olhar com aqueles olhos castanhos arregalados, as mãos haviam passado para o seu rosto.

-Você precisa confiar em mim. – Disse bem baixo, e por um momento, para Charlotte, foi como se aquelas órbitas vazias estivessem criando um olhar, indistinguível porém notável.

-Não deixe com o que eles me encontrem de novo. – Implorou ao engolir a seco.

E foi sua única exigência para que ela voltasse a segui-lo e a última antes de ultrapassarem aquela grade circundada pela neblina acinzentada.

 

 



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