1. Spirit Fanfics >
  2. Hunting The Hunter >
  3. Tempo perdido

História Hunting The Hunter - Capítulo 35


Escrita por:


Notas do Autor


Por mais que o nome do capítulo seja uma música de legião, em nada em a ver, eu juro kkkkk
Agora que terminei meus projetos paralelos, tenho quase certeza que as atualizações vão se tornarem menos espaçadas.
Ainda mais se continuar nesse ritmo, visto que antes mesmo de revisar esse capítulo, eu já comecei o próximo e isso não acontecia faz um tempinho, rs.
É isso, vejo vocês lá em baixo!

Capítulo 35 - Tempo perdido


_ Vire essa boca pra lá! - Lexi pediu de olhos arregalados. - Muito pelo contrário, ela voltou. 

_ Você está tirando uma com a minha cara? 

_ Eu nunca falei tão sério em toda a minha vida.

_ E por que essa cara de velório?

_ Ela tá mal, Seb. Nunca vi a Z desse jeito, nem quando a Kate morreu.

_ Eu posso vê-la? E aquele desgraçado? 

_ Calma, respira. 

_ Respirar? Pelo amor de Deus, Lexi!

_ Macmillan, você pode gritar um pouquinho menos? Que inferno, assim você acorda a casa inteira.


O mundo parecia estar girando rápido demais, Sebastian se sentia tonto, havia algo revirando em seu estômago e ele no fundo orava para que Lexi estivesse mesmo falando a verdade, mesmo que parecesse uma piada de muito mal gosto.


Do lado de dentro do quarto, Zara se recompunha da torrente de lágrimas que havia chorado. Sentia fraqueza e fome, mas não hesitou em tirar o scalp quando viu que o soro da bolsa havia acabado. Levantou-se da cama sentindo os pés agora cobertos por curativos reclamarem. Se não fosse toda aquela dor, Zara diria que estava morta. 


Caminhou devagar e se apoiando nos móveis até chegar ao banheiro, onde encontrou suas toalhas felpudas e sentiu o cheiro do sabonete que gostava. Precisava de um banho, precisava vestir suas próprias roupas e ver seu cachorro e suas tuteladas. Além de ter uma refeição digna.


Voltou para o quarto e trancou a porta que Lexi havia apenas fechado, ouviu uma conversa no corredor mas não queria ver mais ninguém, pelo menos não enquanto estivesse naquele estado. 


Se sentia destruída e ocupando um corpo que não era o seu, era como se tivesse alugado um Airbnb* sujo e esquisito e estivesse louca para voltar para sua própria casa.


Tirou as roupas vendo os respingos de sangue acastanhados e seu estômago revirou ao se lembrar do instante em que puxou o gatilho. Sacudiu a cabeça para se desfazer desses pensamentos e entrou no banheiro já completamente nua. 


Na frente do espelho, pode ver todos os hematomas que cobriam sua pele agora marcada pela protuberância de seus ossos, os olhos fundos e o rosto marcado pelos golpes que havia levado durante todo aquele tempo. As manchas roxas, azuis, verdes e amarelas em seus braços, pernas, costas e barriga. 


Zara se via como uma das vítimas resgatadas na operação de tráfico humano em que trabalhou na Interpol anos atrás. Mas diferente daquelas mulheres e crianças, ninguém conseguiu salvá-la. Ninguém lhe abraçou no exato momento de liberdade e lhe disse que tudo havia acabado. Mas ela se salvou. E tinha plena consciência de que não haviam poupado esforços para tentar lhe encontrar.


Mas tudo parecia mais difícil, mais dolorido, mais solitário.


Ligou o registro e colocou uma mão debaixo do jato quente. Sentiu a água quente aquecer sua pele ao ponto de arder, mas não realmente queimar. Manter os pés para fora seria muito desconfortável, então sentou-se na tampa do vaso e desfez o trabalho da amiga. Os pés doeram ainda mais no contato contra o chão frio e ela precisou juntar todas as forças que ainda tinha para ir até o box.


Entrou debaixo do chuveiro de cabeça, sentindo o calor ir do couro cabeludo até os pés. Suspirou pesadamente ao sentir a água quente nos ferimentos, mas agora já se sentia anestesiada. 


Pegou o vidro de shampoo e aplicou o mesmo nos cabelos sem nem fechar o registro, apenas tirando a cabeça do rumo da água.


Quando se sentiu limpa de verdade, saiu do box e se enrolou na toalha. Deixou uma trilha de água no caminho entre o banheiro e o armário. Revirou tudo procurando roupas que lhe deixassem com um aspecto mais vivo. 


Entrou numa calça de moletom preta que ficou larga demais e ela teve de dar um laço na corda que antes servia apenas de enfeite. Numa camiseta qualquer que também estava larga e um casaco quentinho, pois se havia uma coisa que Zara Higgins nunca mais queria sentir em sua vida, era frio.


Calçou os chinelos e agora mais leve destrancou a porta do quarto e assim que abriu-a deu de cara com Sebastian sentado no chão do lado oposto do corredor. Um sorriso iluminou o rosto dele, que agora parecia mais cansado e abatido que antes dela sumir.


_ Oi, Seb. - Ela cumprimentou subitamente sem saber como agir. 


Seria mentira se dissesse que não havia pensado nele nos últimos dias. 


Uma mentira muito descarada e que ninguém acreditaria. Nem mesmo ela.


Mas estando ali, frente a ele, vendo seus olhos de verdade e não apenas um fruto de sua imaginação lhe fez perder um pouco o rumo.


Sebastian parecia ainda mais bonito do que sua mente lembrava e seu sorriso lhe contagiou.


_ Você é real? - Ele perguntou se levantando.

_ Sou. Mas não sei se sou a mesma coisa que saiu daqui.

_ Tem uns hematomas novos, mas continua a mesma mulher pela qual eu me apaixonei. - Ele falou num impulso só, agora com as mãos segurando o rosto dela com cuidado. A necessidade de garantir que ela estava de volta e viva era muito maior do que a de respeitar o espaço pessoal dela. 

_ Você o quê? 

_ Z! - A voz de Hailee gritou na ponta do corredor e eles se separaram. 


Seu apelido sendo gritado criou um alvoroço dentro do quarto das irmãs e em instantes, quatro criaturas corriam em direção a mulher.


Zara Higgins nunca escondeu seu fraco por crianças ou negou a facilidade que elas tinham de reividicar seu coração. Mas por aquelas três (Hailee Stan inclusa na contagem) ela moveria céus e terras, visitaria o inferno e voltaria. 


Seu coração pareceu perder todo o peso que um dia carregou quando ela sentiu todos aqueles pares de braços lhe apertando ao mesmo tempo com um cachorro fazendo festa ao redor. Havia valido a pena sobreviver, afinal.


Caiu de joelhos no chão, ainda sentindo todo o carinho que aqueles abraços lhe ofereciam e segurou o choro mesmo tendo plena consciência de que tinha os olhos marejados. Mas ela não era a única.


Madison chorava copiosamente, aliviada demais, feliz demais, preocupada demais. Finalmente estava colocando os olhos em sua tutora e não era mais através do noticiário. Mas ela estava muito diferente.


Os ossos do rosto começavam a marcar através da pele, além dos hematomas que ela viu no pescoço e rosto. Ela parecia tão cansada e os cabelos molhados com aparência seca em nada condiziam com a mulher tão cheia de vida que Zara Higgins era.


_ Eu estava com tanto medo de você não voltar. - Madison murmurou entre apertos e lágrimas. 


Madison era baixinha para sua idade. Tipo, realmente baixinha. Nenhuma garota de 16 anos devia ter 1,51 de altura. Mas com Z ajoelhada, ela ficava grande demais e aquilo não condizia como se sentia. Então ela se ajoelhou também.


As quatro ficaram amontoadas por quanto tempo acharam suficiente e Bullet ao redor estava tão feliz que não conseguiu segurar o xixi.


_ Ah, garoto, eu entendo a alegria, mas poxa vida. - Sebastian disse com uma careta e Zara olhou para o animal de estimação. 


Seu rosto se contorceu em preocupação assim que viu a poça de urina no chão. Isso nunca havia acontecido, devia levá-lo ao veterinário? 


Sebastian percebeu e riu. Meneando com a cabeça antes de pedir para as meninas que deixassem a mulher respirar.


_ Mas pai, a gente tava com saudade dela. - Marie falou e Zara ficou sem entender nada.

_ Pai?

_ A gente vai conversar sobre isso, ok? - Ele disse. - Agora deixem a Zara respirar e vamos tomar café porque a Lexi me contou que a vovó está muito inspirada na cozinha. 


As duas menores soltaram a mulher e correram para a cozinha. A cabeça de Zara ainda girava enquanto ela se sentou no chão e afagou Bullet e a adolescente que ainda estava agarrada a si. 


Parecia que haviam se passado anos desde que havia saído daquele apartamento com uma bomba remota nas mãos. 


Notas Finais


Muito soft, não é?
Estou dando os merecidos biscoitos a todos que sofrem com essa história junto comigo.
Encontro com vocês nos comentários!
BRB


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...