História Hurt - Capítulo 9


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Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 9 - Decisão


Hurt 

TaoziLee


 

Pegou a caneta de ouro também, a pressionando contra a folha, mas ainda sem assinar. Ao menos sabia o motivo do seu receio, afinal, era aquilo o que queria, certo? Era o correto a se fazer para enfim ser livre de Sehun e todo o sofrimento que ele tinha lhe causado, mas era um pouco complicado dado ao fato da confissão que ele tinha feito mais cedo. Sabia que as palavras dele e nem o beijo que trocaram anulava o fato de seu sofrimento, nada iria, mas estava tão nervoso ao ponto de ao menos conseguir agir direito.


 

Sentia uma sensação de sufoco em sua garganta que lhe tirava o ar e deixava desnorteado. Seu coração batia de forma rápida e dolorosa, como se ele estivesse responsável por aguentar toda a pressão que assinar aquele papel exigia, e receber os olhares das pessoas na mesa não ajudava em nada. Todos pareciam na expectativa para enfim ver qual a sua decisão, e aquilo o prejudicava ainda mais. Sabia que Dongyul pedia internamente para que não fizesse aquilo, seu pai aparentemente o apoiaria em qualquer que fosse sua decisão, Yixing ansiava que assinasse e Jongin estava imparcial, mas não era a opinião deles que contava, e sim unicamente a sua.


 

Seu olhar automaticamente recaiu sobre Sehun, este que aparentemente já estava o encarando. Ele mantinha uma expressão que Luhan ao menos conseguia decifrar, parecia mais um misto de sensações embaralhadas como um jogo de cartas cujo cada carta puxada seria uma surpresa diferente, e certamente o Oh era uma surpresa, daquelas que te pega no momento mais impróprio e lhe faz perder todos os sentidos, ficando completamente perdido. E era assim que Luhan estava... pedido.


 

Ou talvez sempre estivesse. Teve que enfrentar assédio da imprensa a todo momento e lidar com aquilo era difícil. 


 

Quando finalmente pensou no que faria, sentiu seu coração bater um pouco mais forte e uma leve vontade de vomitar vir, tudo isso causado pelo nervosismo em excesso. Pegou o copo com água à sua frente recebendo um olhar impaciente do senhor Oh, mas não se importou com aquilo, ele não era um homem muito simpático. Talvez Sehun tivesse herdado aquilo dele.


 

Respirou fundo uma, duas, três vezes e logo se perdeu na contagem. Talvez tivesse feito mais vezes que o que seria considerado normal, mas o ajudou um pouco. Voltou à encarar os papéis à sua frente lendo brevemente o nome assinado em azul do Oh. Suas letras estavam tremidas, talvez pelo fato dele estar também nervoso. Voltou a pressionar o objeto na folha ignorando a todos e logo seu nome ia sendo cravado no papel como uma pá de terra jogada sobre um caixão e enterrando todo um passado, toda uma história, deixando para trás. 


 

Era aquilo o que precisava fazer, deixar tudo para trás, viver sua vida, mas sentiu algo em seu coração, não sabendo se foi um alívio ou um pesar, porém... queria aquilo afinal. 


 

Ouviu dois suspiros próximos a si, mas sabia que só um deles foi dado com alívio, o outro foi dado com um pouco de pesar, e tinha sido do pai de Sehun, seu ex sogro. O suspiro de alívio tinha sido de Yixing, que sorriu para si, mas Luhan se limitou a sorrir minimamente e de forma forçada. Não se atreveu levantar o olhar para Sehun, já que quando assinou os papéis, foi uma forma de tirá-lo de sua vida. Não queria aquele homem o afetando mais e nem lembrar do que ele disse. Se Sehun gostava sim ou não dele, era um problema que ele próprio teria que resolver.


 

Ouviu o barulho da cadeira à sua frente sendo arrastada e viu o corpo grande se pondo de pé, mas, novamente, não teve coragem de o fitar. Sehun saiu da sala acompanhado do advogado, sendo esse último o único a se despedir. 


 

Sehun estava se sentindo estranho. Talvez triste fosse a definição mais correta, mas ele era confuso demais para entender o que se passava pela própria cabeça, e, por mais que tivesse daquela forma, não culpou Luhan, pois a culpa era unicamente sua. Ele foi egoísta, grosseiro, babaca e imaturo, tudo isso de uma vez só. Se o Lu tinha assinado os papéis, era porque ele provocou aquilo. Estava lidando com as consequências de seus atos irresponsáveis. 


 

O Oh sempre teve a todos e tudo o que queria em suas mãos, não precisava se preocupar com nada, mas agora ele sentia na pele o quanto valorizar e respeitar as pessoas era necessário. Sentia a culpa lhe corroer e juntamente a ela o arrependimento, arrependimento de ter feito tão mal a Luhan e só ter se dado conta das merdas feitas tarde demais. No lugar dele, também teria tido a mesma reação, no lugar dele, também teria assinado o divórcio. Ninguém merecia aquilo... ninguém. 


 

Porém ainda era doloroso. 


 

Entrou no seu carro e ao menos falou algo para Jongin, apenas dirigiu de forma automática para sua casa, esta que ficaria ainda maior sem a presença do chinês lá. 


 

Luhan passou as mãos pelos fios escuros, os bagunçando e tentando controlar a maldita dor de cabeça que estava sentindo, mas de nada iria adiantar. Sabia que ela não iria embora por tão cedo. 


 

-Está tudo bem? - Ouviu Yixing falar em mandarim consigo, coisa que o fez franzir o cenho, mas imaginou que seria para o senhor Oh, que ainda estava ali conversando com o seu pai, não ficasse bisbilhotando a sua conversa. 


 

-Não sei... - Respondeu de forma sincera também na sua língua materna, ouvindo um suspiro do mais velho.


 

-Você está livre agora. Deveria ficar feliz.


 

-É, eu sei... só preciso pensar um pouco, tudo bem? - Tentou sorrir, mas não conseguiu muito bem. Yixing balançou a cabeça em concordância, tentando entender o lado do outro. Não queria ser invasivo, não como no dia anterior. Tinha beijado Luhan mesmo sabendo que ele gostava de Sehun e se sentia péssimo agora, por mais que tivesse gostado de ver a cara de espanto do outro quando saiu do quarto. Sehun era um idiota que merecia pagar por tudo que fez ao chinês. 


 

-Tudo bem, entendo. - Respondeu. 


 

-Quando irá anunciar o divórcio? - Dongyul questionou, as expressões duras e marcantes como as do filho. Eles eram muito parecidos, inclusive na personalidade. Estar diante dele era como estar diante do Sehun que foi casado consigo e que fez de sua vida um grande caos.


 

-Hoje mesmo, senhor Oh. - Arqueou a sobrancelha, fitando o outro assim como ele lhe fitava. 


 

-Você é tão cabeça dura... - Praticamente rosnou, algo que fez Luhan se levantar irritado e ser contido pelos outros dois chineses presentes na sala.


 

-Você diz isso logo a mim? - Perguntou mostrando toda sua indignação. -Você não reconhece o próprio filho que tem?


 

-Se o Sehun errou, certamente você também deve ter errado. - E então Luhan ficou ainda mais agitado, se debatendo para que fosse solto pelo seu pai e pelo seu amigo. 


 

-Cala a boca, Dongyul! - Lu Quon disse. -Você acha que seu filho é quem? Você realmente o conhece? 


 

Luhan fitou o pai de fios grisalhos e olhar tão doce quanto o seu. O amava, sabia que ele faria de tudo para o seu bem, até reconhecer a droga do erro que tinha sido lhe casar com Sehun. 


 

-Claro que sim, oras! Ele é meu filho. - Lu Quon riu. 


 

-Se você conhece o seu, eu conheço o meu. Ele não teve culpa de nada. - Falou sério, vendo o amigo coreano revirar os olhos. 


 

-É mais fácil viver no seu mundo fictício perfeito feito de dinheiro do que perceber a realidade, não é? - Luhan perguntou para o homem de fios escuros, contendo menos fios brancos que os do pai. -Você não sabe o quanto eu sofri durante esse um ano, Dongyul. Realmente não sabe... sempre foi mais fácil para você ficar nadando na merda do dinheiro do acordo do que priorizar o próprio filho. O Sehun parece um garoto mimado!


 

-Não fale assim dele!


 

-Falo sim! Eu tenho direito de falar! - Gritou, não se importando se iria chamar atenção. -Se você tivesse passado pelo que passei, não iria apontar o dedo para mim dizendo que sou cabeça dura. - A dor de cabeça o fez apertar os olhos com força antes de prosseguir. -Sabe o quão difícil foi para mim...? Eu era o garotinho apaixonado convivendo com um cara que não dava a mínima para mim e que chegava praticamente todos os dias em casa cheirando a sexo e marcado. Eu era o garotinho que tinha que aguentar tudo calado... eu... - Lágrimas começaram a descer e sua voz ficou quebradiça. -Eu era o garotinho que tinha que fingir estar bem quando por dentro eu estava quebrado.


 

-Lu... - Yixing chamou, mas ele continuou fitando o mais velho.


 

-Há quanto tempo não convive com o seu filho, hm? Desde o ensino superior? - Indagou, como se não soubesse ao certo. -É mais do que o suficiente para não saber NADA sobre ele! - Ao final da frase, Lu Quon olhava surpreso e orgulhoso para o filho. Sentia que tinha criado ele da maneira certa, do tipo que não se rebaixava para comentários dos outros. 


 

-Não preciso ficar aqui ouvindo isso! - Respondeu o único Oh presente.


 

-Pode ir, fuja assim como o seu filho faz. - Passou a mão pelos olhos e viu o outro se retirar irritado. Sentiu os braços acolhedores do pai e se aconchegou lá, precisava daquilo depois de colocar tanta coisa para fora. Já tinha passado a hora de alguém calar Dongyul com toda aquela pose de superioridade, aquela mesma que Sehun tinha.


 

-Vou deixar vocês à sós... - O Zhang disse, recebendo apenas uma confirmação sussurrada de Luhan. 


 

Sentir os braços do seu pai estava o acalmando de uma forma absurda, podia jurar que até sua dor de cabeça estava indo embora. Talvez a causadora dela fossem os Oh. A carícia feita em seus fios castanhos escuros o trazia tanta paz que desejou ficar daquela forma com o pai durante várias horas, mas infelizmente não podia. 


 

-Obrigado... - Sussurrou, notando a confusão do mais velho. 


 

-Pelo que?


 

-Pelo apoio, pai. - Sorriu fraco, ato não notado por ele.


 

-Não precisa agradecer, Han, isso é o mínimo que posso fazer. - O Lu mais novo levantou o rosto lhe fitando, coisa que fez o Quon sorrir por lembrar da sua mulher. Aqueles dois eram iguaizinhos até nos gestos. 


 

-Te amo, pai... - Sussurrou envergonhado, mas o mais velho apenas riu.


 

-Também te amo, filho. - A resposta alheia veio com um beijo na testa. -Para onde irá agora? 


 

-Procurar um hotel para passar a noite... - Suspirou. -Amanhã vou procurar um apartamento. 


 

-Por que não fica com sua mãe e eu?


 

-Acho que preciso de um pouco de espaço... - Sussurrou, vendo o mais velho fazer uma expressão desgostosa. -Amo vocês, mas preciso disso. - Soltou um risinho. 


 

-Tudo bem... - Respondeu emburrado. -Mas passe essa noite conosco. Sua mãe e eu sentimos a sua falta...


 

-Okay. - Sentiu o mais velho bagunçar seus fios. Agradeceu por ter seu pai ao seu lado naquele momento. Precisava de todo apoio que pudesse. 


 

Hurt 


 

A mansão estava quieta e escura, mas Sehun não se deu ao trabalho de acender nenhuma das luzes além do seu quarto, já que não tinha mais ninguém ali na imensidão que era a casa. Quando o cômodo foi iluminado, observou tudo desarrumado por conta do que Luhan tinha feito e suspirou, relembrando de toda a cena; de como discutiram mais uma vez e de como se beijaram uma segunda vez. Suspirou alto e sentou na cama apoiando os cotovelos nas próprias coxas e bagunçou seus fios loiros. Sua mente estava um caos e sabia que não tinha nada no momento capaz de lhe ajudar. 


 

Suas línguas se tocaram de uma forma que demonstrou toda a saudade que sentiram daquilo, de ter a boca colada com a outra, de se provarem, de demonstrar os sentimentos que guardavam incapazes de dizer em voz alta, mas aquele beijo dizia, dizia muito mais que a covardia deles permitiam. 


 

Sentiu novamente Luhan agarrar a sua blusa como naquela noite, e aquilo quase o fez sorrir. Luhan estava sendo capaz de lhe afetar com tão pouco...


 

-Por que fez isso...? 


 

-Porque eu gosto de você. 


 

-Sehun, PARA!


 

-Sai daqui, por favor! - Gritou.


 

As lembranças vieram como uma tempestade. Lembrar de tudo aquilo fazia sua mente ficar ainda mais confusa e abalada. Queria poder apagar aquilo tudo e seguir em frente, mas não seria nenhum pouquinho fácil... assim como também gostaria que tudo sumisse da cabeça de Luhan. Queria que a mente de ambos fossem apagadas e reiniciadas, voltando tudo para o início, mas de forma certa. Porém não seria possível, a vida não era tão fácil assim. 


 

As pessoas vivem se machucando, mas de nada adianta se arrepender tarde demais, e era isso o que tinha ocorrido, tinha se arrependido quando não tinha mais chances para Luhan e ele darem certo. Novamente, tudo aquilo era sua culpa, merecia passar por isso.


 

Sentou-se no chão e passou a pegar as peças de roupa jogadas por ali catando uma por uma e as dobrando. Faria o que Luhan não tinha conseguido, já que certamente ele voltaria em algum momento para pegar tudo aquilo, e, enquanto as dobrava, sentia o cheiro do chinês nelas, o que contribuia para o caos em sua mente ficar pior. 


 

Queria parar, já que mais parecia uma tortura ficar daquela forma, mas não parou. 


 

Mal notou quando suas lágrimas começaram a cair e seu coração passou a pesar, só sabia que agora não se sentia muito bem, mas como já estava no fim, só guardou tudo de forma correta e deixou ao lado da cama onde Luhan dormia. Não sabia quando ele ia voltar para pegar aquilo, mas desejava que não estivesse na hora, não aguentaria encará-lo.


 

Foi interrompido de seus pensamentos quando seu celular tocou. O pegou com má vontade e viu "Do Kyungsoo" brilhando na tela. Atendeu o aparelho enquanto tentava se manter calmo.


 

-Hun... 


 

-Oi, Soo. 


 

-Você está bem? 


 

-Sim. - Sua voz vacilou.


 

-Tem certeza? - A pergunta alheia o fez parar durante um bom momento, pensando no que responder.


 

-Não...


 

-Jongin me disse que você pareceu bem chateado após o... - Kyungsoo pausou por um momento, mas logo completou, temendo deixar o outro abalado. -Divórcio...


 

-Diga a ele para não se preocupar com isso.


 

-Somos seus amigos, idiota. Claro que nos preocupamos. - Após a fala alheia, Sehun riu contido. Mesmo em um momento como aquele, Kyungsoo conseguia perder toda a sensibilidade. 


 

-Obrigado, mas vou ficar bem. 


 

-Estamos indo para aí. - E então encerrou a ligação, sem esperar Sehun reagir ou negar a presença deles, que era o que faria. Eles não precisavam se preocupar consigo, tinha certeza que ficaria bem... 


 

De qualquer forma, foi para o banheiro depois de ajeitar o quarto que também estava um caos e tomou um banho a fim de aliviar o estresse. A água quente serviu como uma terapia, esta que parecia carregar com ela toda a tensão que sentia em seus músculos, mas não serviu para tirar sua melancolia. Nada iria. 


 

Vestiu roupas mais leves enquanto secava os fios loiros que já precisavam retocar pela raiz estar um pouco crescida, mas em outro momento faria isso. Agora não era momento para pensar em sua vaidade. 


 

Pediu pizza enquanto os outros dois não chegavam e se sentou na sala, ligando a TV e vendo passar uma série que gostava. Ficou durante bons minutos assistindo Hannibal Lecter e o seu terror psicológico com Will Graham até a campainha ressoar, lhe chamando a atenção. 


 

Foi até a porta encontrando Kyungsoo e Jongin sorrindo minimamente, algo que o fez sorrir de volta, ainda mais quando os braços de Kyungsoo passou por sua cintura como forma de o confortar. Retribuiu o abraço e sentia Jongin acariciar suas costas, juntando-se também ao  contato. 


 

-Você é um teimoso, Oh Sehun! - Kyungsoo comentou enquanto se afastava visivelmente alterado.


 

-Kyungsoo, não seja assim... - Seu marido o repreendeu.


 

-Cala a boca, Kim Jongin. - Olhou de forma ameaçadora para o outro, o que fez Sehun segurar o riso. Não queria irritar ainda mais o Do. -Você! - Apontou para Sehun. -Precisa se tornar um adulto, garoto. - E então saiu da frente do Oh, indo para o sofá. 


 

Sehun e Jongin trocaram um olhar de medo e seguiram o menor, só então notando que os outros tinham trazido cerveja. Arqueou a sobrancelha, indagando o que era tudo aquilo. Já tinha bebido demais aquele dia.


 

-Você precisa de mais. - Foi o que o Do lhe respondeu após ter dito que já tinha bebido aquele dia, só restando para ele aceitar. 


 

-Quando descobriu...? - Jongin perguntou, obtendo sua atenção, mas Sehun fez uma cara de confusão, não entendendo onde ele queria chegar com aquela  pergunta. -Quando percebeu que era um idiota apaixonado? 


 

-Recentemente... - Sussurrou.


 

-E o que fez em relação a isso?


 

-Agi feito um babaca.


 

-Mas isso não é novidade. - Kyungsoo quem rebateu sua resposta, virando a latinha de forma lenta. -Quando contou para ele? 


 

-Hoje de manhã. - E então Kyungsoo quase se engasgou, diante do absurdo que tinha saído da boca de seu amigo. 


 

-Você teve todo um tempo para falar essa merda e fala no dia do seu divórcio, seu filho da puta? 


 

-Kyungsoo! - Novamente Jongin o interrompeu, vendo o marido ficar mais calmo e olhar constrangido para si. -Tenha mais calma, meu amor... - Apoiou a mão no ombro do menor, sussurrando brevemente para ele ser mais dócil. -Sabe que essas coisas não são fáceis...


 

-Por isso você demorou tanto de tomar a coragem e eu que tive que te pedir em namoro, não foi? - O Do alfinetou, fazendo o Kim lhe olhar chocado.


 

-Você é péssimo! - Sehun riu com a resposta de Jongin. Aqueles dois...


 

-Eu sou realista! - E então os três riram. 


 

-Aquela época não foi fácil... - O advogado comentou e um breve silêncio foi formado, fazendo os três viajarem pelas próprias lembranças da época da faculdade, mas, incrivelmente, os três se lembraram de um exato momento, este que dois deles guardavam à sete chaves. -Mas teve um motivo que me impediu de tentar algo com você logo de cara. 


 

Kyungsoo arqueou a sobrancelha, interessado na resposta do advogado, mal sabendo do que se tratava.


 

-E o que foi? 


 

-Você e o Sehun. - A normalidade cujo o Kim disse aquilo fez o enfermeiro e o empresário se engasgarem com a cerveja, logo tossindo em sincronia. Aquilo tinha sido inesperado, e tinha medo do que "Você e o Sehun" significava. 


 

-Do que está falando? - Sehun indagou nervoso, notando Jongin rir.


 

-Que eu sei de tudo. - Respondeu como se fosse óbvio, mas antes que voltasse a fazer perguntas, a campainha novamente tocou, indicando que era o entregador de pizza. Se levantou quase que tropeçando e pagou as pizzas, colocando em cima do centro de vidro que tinha na sala.  


 

Kyungsoo, também querendo adiar a conversa, foi para a cozinha buscar pratos e talheres, voltando meio nervoso para a sala. Sentia seu coração bater aflito e um bolo se formar em sua garganta. Não sabia como ele tinha descoberto aquilo, mas por um momento, teve medo. 


 

-Está tudo bem... - Jongin sussurrou quando os dois voltaram, ainda com expressões assustadas. 


 

-Como você... - A voz quebradiça do enfermeiro tentou falar, mas não conseguiu. Temia a reação de Jongin, não queria perdê-lo.


 

-Como soube...? - Sehun perguntou, fitando apenas a pizza em seu prato para não ter que lidar com o olhar de Jongin. 


 

-Naquela noite... - Começou o Kim, suspirando baixinho. -Quando Kyungsoo estava no meu quarto e saiu logo após, ele tinha esquecido seu celular comigo, talvez tivesse caído de dentro de sua calça quando eu a tirei. - Falou, um leve tom malicioso dançando contra a sua língua, algo que quase fez o Do o bater. Era um assunto sério! -E eu sabia o quanto ele precisa do mesmo para não esquecer das coisas, por isso, fui entregar no dormitório de vocês, mas, pensem em minha surpresa quando ouvi o gemido de vocês dois. - Fez um gesto com o corpo como se tivesse sentido um arrepio bizarro. 


 

-N-nós, er, e-eu... - Tentou falar, mas foi calado com um selar de Jongin. 


 

-Eu ouvi tudo, tudinho mesmo. - Riu.


 

-Por que nunca nos contou isso...? - O loiro questionou. 


 

-Não tinha importância. 


 

-Espera... quê? - Sehun arqueou a sobrancelha.


 

-Sehun... naquela época Kyungsoo e eu não tínhamos nada. A gente só saía de vez em quando e transava mesmo. - Comentou normalmente. -Só fomos nos envolver de verdade um tempinho depois. Eu não era e não sou dono do Kyungsoo. Como não tínhamos um relacionamento, ele não me devia fidelidade. Só fiquei surpreso pelo grande hétero do campus estar transando com um garoto. - Sorriu debochado, algo que fez o Oh lhe estender o dedo. 


 

Jongin encarou Kyungsoo e notou este estar quase chorando, mas acariciou seu rosto sussurrando que lhe amava e que estava tudo bem, algo que fez o Do lhe abraçar. 


 

-Kyungsoo foi o primeiro homem que me envolvi... - O Oh falou baixinho, como se tivesse medo de que alguém além dos dois escutasse, mesmo não tendo mais ninguém ali. -Eu não sabia que o Kyungsoo era gay, já que ele era muito reservado, mas acabei pegando vocês dois se beijando e acabei ficando em choque. Kyungsoo descobriu que eu sabia e veio me questionar algumas coisas, mas lhe garanti que não tinha problema ele ser gay e que eu o aceitava como amigo, mas... 


 

-Mas... - Jongin e incentivou.


 

-Fiquei curioso sobre como era e perguntei algumas coisas para ele, ele me ajudou respondendo e mostrando na prática. - Engoliu um pedaço de pizza se mantendo calado e tentando acabar com o assunto. 


 

-Safado! - Jongin resmungou, fazendo os outros dois rirem. -Para mim está tudo bem. Eu sempre notei a tensão de vocês dois, era algo que me divertia muito. 


 

-Você achava graça em ver a gente sofrendo e com peso na consciência?


 

-Sim! - Falou normalmente, o que irritou o Do e o mesmo lhe acertou um tapa no braço, este que doeu e ardeu bastante. -Não sei como você é um enfermeiro com essa mão pesada! - Resmungou alisando o lugar.


 

-Você sabe muito bem como minhas mãos podem ser leves, Kim. - O tom sedutor do outro fez Jongin se arrepiar todinho e engolir em seco. 


 

-Parem de saliência na minha frente. - Sehun reclamou, obtendo risos dos dois. 


 

A presença de Kyungsoo e Jongin lhe fez ficar muito mais leve, coisa que o fez esquecer momentaneamente de seus problemas, mas ele sabia que eles sempre estariam ali, o assombrando. 


 

Hurt 


 

Assim que chegou na casa de seus pais, foi recebido por um abraço acolhedor de sua mãe. Ela ficou durante um bom tempo perguntando se ele estava bem enquanto checava seu estado dizendo que estava um pouco magro, aquilo o fez rir, tentando tranquilizar a mais velha.


 

-Mas você está bem mesmo? 


 

-Mãe! Eu já disse que sim. - Resmungou fazendo um biquinho fofo, coisa que arrancou um sorriso dela, mas logo a expressão feliz se minimizou, enquanto fitava os olhinhos do outro notando o quanto eles estavam tristonhos. 


 

-Por que não vai tomar um banho, hm? - Questionou dócil. -Vou fazer aquela sopinha que você ama.


 

-Mãe, isso é de quando eu era uma criança! - Formou um bico.


 

-Então não vai querer? - Arqueou a sobrancelha vendo o bico do outro aumentar. 


 

-Vou... - Falou baixinho e sua mãe riu. 


 

-Vai lá que num instante ela fica pronta, okay? 


 

Como sua mãe tinha dito, ele foi tomar um banho, se distraindo o máximo que pôde dos seus problemas. De agora em diante, ia começar uma nova vida, uma vida longe dos problemas e dar um tempo da maldita mídia. Não ia mais ficar se desgastando por conta de um bando de idiotas sem um pingo de empatia. 


 

Quando saiu do banho, utilizou uma roupa qualquer que ainda tinha no seu guarda-roupa antigo. A verdade era que tinha algumas peças lá porque vez ou outra, quando a convivência com Sehun se tornava insuportável, ele fugia para a casa de seus pais. Eles sempre o acolhiam, mas as vezes acabava brigando com o seu pai por conta do casamento e apenas falava com a sua mãe. 


 

Quando saiu de seu quarto e passou pela sala, sentiu uma veia saltar em sua testa ao ver mais um programa de fofoca falando sobre ter visto Sehun e ele entrando em um fórum, aquilo o fez ficar bastante irritado, pois sabia do poder que fofocas daquele tipo tinha sobre as pessoas, mas ele tinha que anunciar de uma forma ou de outra sobre a separação. 


 

Pegou o seu aparelho e sentou-se no sofá, pensando nas palavras corretas que diria para seus fãs, pois sabia que um caos iria se formar logo depois. Respirou fundo algumas vezes e passou a digitar a mensagem com as mãos trêmulas, pedindo a qualquer divindade existe que lhe ajudasse de agora em diante.


 

Sentiu um bolo se formar em sua garganta a cada palavra digitada e o nervosismo o consumindo pouco a pouco, mas tinha que fazer aquilo. Quando enfim terminou de digitar tudo, releu, em voz baixa, palavra por palavra, sentindo-se ainda mais nervoso. 


 

"Boa noite? Talvez bom dia ou boa tarde. Depende de onde você é. Aqui é o Luhan... bom, não sei como anunciar isso e creio que será uma notícia que vai deixar todo mundo chateado, mas quero, antes de mais nada, que saibam que essa decisão foi tomada com muito cuidado e conversa de ambas as partes.  Hoje, dia 20 de janeiro, anuncio meu divórcio com o empresário Oh Sehun, cujo tive um ano de casamento. Sei que vocês devem estar surpresos com a notícia, mas é algo que foi inevitável. As vezes nem tudo é como queremos e acabamos por precisar lidar com isso, e cada um lida de uma forma. Peço que nos perdoem e que não nos questionem os motivos. Agradeço o apoio de vocês durante todo esse tempo. Obrigado." 


 

E então, desligou o celular como uma forma de se desligar do mundo e de todo o caos que ele trazia para si. 

 



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