História Hurting. Healing. Loving. - Capítulo 4


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Categorias Camila Cabello, Shawn Mendes
Personagens Camila Cabello, Shawn Mendes
Tags Camila Cabello, Shawmila, Shawn Mendes
Visualizações 264
Palavras 1.765
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Quem sempre vem nas horas mais inusitadas trazer uma atualização pra vcs? Eu mesma.

Amanhã terei enem e é provável que eu conseguisse atualizar só quarta ou quinta. Mas, como terminei o capitulo e tinha um tempinho livre, pensei: por que não?.

Preparem os lencinhos (ou não), pois eu chorei um pouquinho escrevendo esse capítulo.

Eu estou amando o comentário de vcs e principalmente os favoritos. Muito obrigada mesmo, eu sou só sorrisos.

Capítulo 4 - Faça um pedido


Fanfic / Fanfiction Hurting. Healing. Loving. - Capítulo 4 - Faça um pedido

Capítulo 3.


Shawn Mendes P.O.V


Canadá, Toronto. 3 de fevereiro, 2017.



Já se passava das três da manhã e o vento soprava com mais intensidade sobre nossos rostos. Camila finalmente havia parado de vomitar, escorando seu corpo no banco de madeira velha do antigo parque próximo a creche onde Aaliyah estudou.

Tudo aquilo me parecia muito surreal. Tentava não pensar em como aquele mísero banco continha o poder de me levar ao próprio abismo que a morte de Aaliyah me proporcinou, sentindo-me incapaz de digerir essas lembranças e continuar a cuidar de Camila; o que era ainda mais surreal e assustador.

– Será que agora você pode vestir meu casaco? – Sem esperar muita resposta, já fui retirando o pano de meu corpo. Camila estava sonolenta, mal mantinha os olhos abertos. Ela acabou murmurando algo indecifrável, então eu apenas tratei de envolver seu corpo frágil e gélido no casaco de zíper que antes usava. – Assim ficará melhor.

O único barulho que se predominava naquela madrugada fria e silenciosa, era o assoviar do vento alvoroçado. Apanhei bem no fundo do bolso de minha calça preta o maço já amassado de cigarro. Eu nunca sentia vontade de fumar e isso me trazia certo desconforto, afinal, depois de todo esse tempo esforçando-me para viciar em outra coisa além das lembranças de Aaliyah, não ser capaz de viciar meu organismo em nicotina, só enfatizava minha incapacidade de continuar vivendo.

Levei a bituca até a boca, acendendo-a logo em seguida. Notei de relance Camila remexer-se no banco, acomodando-se ainda mais no amadeirado desconfortável. Não pude evitar sorrir ao analisá-la naquele estado; cabelos desgrenhados, olhos borrados com a pouca maquiagem que usava, pele levemente pálida e os lábios rachados e pouco hidratados.

Eu nunca fui um bom observador da beleza feminina. Meus conhecimentos sobre tal assunto iam apenas em concluir se a mulher estava bonita ou feia. Mas Camila trazia certos detalhes para esse assunto. Seus fortes traços latinos, a maneira que seu cabelo se encaixava perfeitamente na moldura de seus ombros magros e até seus olhos que, mesmo fechandos, traziam consigo a sensação de estar casa – tudo parecia ajudar a aprofundar meu conhecimento. Eu a achei bonita desde a primeira vez que a vi adentrar na conveniência, mas agora, observando seus mínimos detalhes, eu já não encontrava adjetivos suficientes para descrevê-la. E parecia que a cada segundo, sua beleza dificultava ainda mais essa busca.

– Você ainda não me disse – A voz falha de Camila fez com que meus pensamentos voassem junto com o vento. Sorri, percebendo sua dificuldade em abrir os olhos.

– Não disse o que? – Perguntei, mesmo que já desconfiasse do que ela falava. Traguei mais uma vez o cigarro, sentindo a fumaça aquecer durante um curto período meus pulmões.

– Porque não me fez companhia na festa – Camila conseguiu abrir os olhos e mantê-los assim, finalmente. Joguei a bituca ainda acesa no chão, deixando que a chama se apagasse sozinha.

Puxei uma quantidade exagerada de ar para meus pulmões, procurando as palavras certas e a desculpa que mais se encaixasse naquela situação.

– Eu não sei se consigo te responder isso, Camila – Apesar de saber exatamente como, não daria a resposta para ela. Explicar todos os motivos seria inserir Camila na melancolia que minha vida se tornou e, por experiência própria, sabia que não havia volta quando uma vez é derrubado para esse abismo de sentir.

– O que tanto te machuca, Shawn? – A voz dela parecia mais próxima e só então percebi que Camila estava ao meu lado, com a coluna ereta e os olhos me analisando. Remexi a cabeça, demonstrando não entender do que se falava. – Você pronúncia as palavras com certa amargura, seus olhos são tristes e, mesmo quando sorri, ainda deixa transparecer que algo te afeta, como uma dor que não passa.

Um soco havia acabado de atingir em certeiro meu estômago. Eu sempre fugi de responder essas perguntas, sabia que a dor que habitava em mim, só cresceria junto com as palavras assim que eu me abrisse para desabafar.

Senti uma ardência forte em meus olhos, fazendo com que as lágrimas que crescessem ali, deixassem minha visão pouco turva. Ela percebeu, aproximando-se um pouco mais de mim.

– Não precisa me contar – De uma maneira doce, Camila agora aproxima sua mão delicada da minha – Mas, vou aproveitar que estamos aqui e que você me aguentou vomitando por horas, para falar algumas coisas. – Soltei um riso nasal, assentindo com a cabeça.

Esperei a garota ao meu lado começar a falar, mas apenas nossas respirações em uma perfeita sintonia quebravam o silêncio.

– Eu adoro começar uma metáfora e não dar fim a ela. – Camila começou a dialogar, retirando sua mão que estava pousada a minha, guiando-a até sua coxa. Olhei-a, esperando que ela continuasse. – É por isso que sempre compro jornais do dia anterior – Uma risada tão doce quanto a de um bebe foi soada de sua boca, enquanto Camila sorria com a lingua entre os dentes. Senti um aquecer diferente em meu peito, fazendo-me sorrir da mesma maneira. – Eu sei que parece idiota, mas é isso. Não tem uma explicação muito boa. É só isso. – Ela deu de ombros, rindo novamente.

– Você compra jornais ultrapassados para criar uma metáfora que não tem sentindo? – Franzi o cenho, tentando raciocinar suas idéias. Camila assentiu, em seguida balançou a cabeça para um lado qualquer.

– É difícil explicar, talvez nem tenha explicação. Mas eu gosto disso, de deixar que a minhas escolhas criem suas próprias conclusões. – Ela gesticulava aleatoriamente e, surpreendentemente, não parecia mais a garota bêbada de minutos atrás. – As pessoas se acham sábias por saberem uma frase bonita ou uma experiência poética, acham que a vida é só isso; uma metáfora de metáforas prontas. Eu não sou assim.

Por mais que eu não estivesse entendendo muito do que Camila queria dizer, a maneira que ela pensava me encantava. Ouvi tudo com extrema cautela, tomando tento para não perder o mínimo que fosse de qualquer detalhe.

– Sei que pode parecer idiota, mas…

– Eu gostei – Interrompi. – É diferente, é… Incrível. – Completei, acompanhando o sorriso que crescia nos seus lábios – Então os jornais fazem parte de uma metáfora que você ainda não concluiu?

– Sim. Quer dizer, o primeiro jornal que eu comprei foi só para tentar me aproximar de você. Eu nem se quer tinha me dado conta que ele era do dia anterior – A gargalhada de Camila veio junto ao avermelhado de suas bochechas. – E então eu tomei proveito disso e deixei que ali, em meu desatento, se criasse uma metáfora sem conclusão.

Já era quase cômodo que um silêncio se estabilizasse entre nós logo após uma confissão, mesmo que fosse mínima. Eu me vi preso em uma dificuldade de encontrar palavras para respondê-la e então, mais uma vez, Camila me surpreendeu com seu jeito espontâneo e inesperado.

A garota estava em pé, a minha frente, suas mãos macias seguravam meu pulso com cautela. Franzi o cenho ao analisá-la tão bem e saudável; ela sorria como quem acabará de ter uma ideia genial e, então, arrastou-me pela praça em um silêncio absoluto.

Assim que chegamos próximo aos brinquedos infantis, mais memórias de Aaliyah dançaram pela minha mente. Tentei ao máximo evitar que elas consumissem minha sanidade e tirassem o proveito daquele momento tão aconchegante e, só quando um dente de leão atingiu meu campo de visão, esses pensamentos deixaram de pairar.

– Não é um girassol, mas é algo tão mágico quanto. – Camila entregou a planta em minha mão e então eu peguei. – Essa talvez seja uma das únicas metáforas que eu admire – O vento ainda soprava, mas agora um pouco mais leve. Os cabelos da garota dançavam conforme o ritmo dele, embelezando a imagem aos meus olhos – Como os dentes de leão em que as sementes se desprendem e podem voar, vemos que ele está indicando a liberdade, a possibilidade de um novo início e, claro, o desejo de recomeçar.

Novamente, as palavras de Camila tiveram um poder sobre mim. Era como se ela soubesse de tudo, de todas as minhas dores e vontades, dos meus medos e até do mais obscuro sentimento que corroía minha alma. Eu não precisei dizer nada para que suas flores e incompletas metáforas me acolhessem como um abraço caloroso; aquele abraço tão necessitado.

– Faça um pedido. Faça seu recomeço. – Ela sorria e eu era capaz de jurar ali, naquele momento, que meu recomeço se encontrava em volta daqueles lábios.

– Eu… – Apertei o cabo da planta com força. Observei ao nosso redor; o balanço em um azul enferrujado onde Aaliyah caiu e ralou os joelhos pela primeira vez. O castelo de plástico que ela se escondeu quando brigamos pela quantidade de sorvete que estava ingerindo. A caixa de areia onde ela montou seu primeiro reinado. Tudo ao nosso redor era minha pequena e doce irmã, então eu fechei os olhos e, em um suspiro, entreguei-me a ideia daquele pedido. – Eu desejo que Aaliyah nunca tenha cometido suicídio.

De repente, me faltou ar nos pulmões e Camila já não sorria mais. Me sentia exausto pela quantidade de adrenalina que percorria por minhas veias. Deixei que meu corpo caísse no gramado, não importando-me em sujar o jeans dos joelhos.

– Essa é minha dor – Sussurrei com meu último fio de voz. Logo, os braços finos de Camila envolveram minha cintura, puxando-me para perto de si e, agora sem nenhuma flor ou metáfora, eu recebi um verdadeiro abraço. Caloroso e cheio de necessidade.

– Você vai ficar bem – Sua voz parecia trêmula e, nesse instante, entreguei-me ao choro debruçando-me em seu colo, como uma criança. – Eu estou aqui. Você vai ficar bem.

Mesmo isso não sendo o suficiente para curar toda a dor que maltratava e dilacerava meu peito, aquilo era tudo que eu tinha. Ela, naquele instante, era tudo que eu tinha; e eu me agarrei a isso como deixei que a dor me agarrasse quando Aaliyah partiu.

Senti um dos braços que me rondavam soltarem minha cintura e, ao arquear um pouco a coluna e encarar a garota latina à minha frente, notei que ela apanhava mais um dente de leão do gramado em nossa volta. Haviam vários, mas ela arrancou apenas mais um e guiou até próximo de teus lábios carnudos, fechou os olhos e proclamou suas próximas palavras.

– Nós ficaremos bem – E então ela soprou e, entre aquelas milhares de pelugem esbranquiçadas, eu a vi sorrir novamente. – Não é um desejo, pois eu não preciso disso para saber que ficaremos.

– E essa é uma nova metáfora? – Foi a minha vez de sorrir, entre as lágrimas incontroláveis que não deixavam de escorrer pelo meu rosto.

– Nossa metáfora – Ela completou em resposta, levando sua mão até a minha e afundando seus dedos entre os vãos dos meus. – Incompleta, ainda


Notas Finais


A conexão entre duas pessoas é algo tão surreal, não é? Camila e Shawn se conectaram por um propósito, espero que consiga transmitir exatamente isso para vocês.

Até o próximo, tentarei não demorar 💛


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