História Hush, hush: Crescendo; - Capítulo 11


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Categorias Sussurro (Hush, Hush)
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Palavras 3.365
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Misticismo, Sobrenatural
Avisos: Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Capítulo 10


Uma hora depois, eu tinha comido um lanche de creme de queijo gelado com biscoitos, arrumei a cozinha, e assisti um pouco de televisão. Em um canto obscuro da minha mente, eu não conseguia esquecer a mensagem de texto avisando-me para ficar em casa essa noite. Era mais fácil encarar como uma injúria ou brincadeira, enquanto eu estava sã e salva dentro do carro da Luna, mas agora que estava sozinha, eu não estava me sentindo tão confiante. Considerei tocar um pouco de Chopin para quebrar o silêncio, mas eu não queria prejudicar a minha audição. A última coisa que eu precisava era alguém se esgueirando atrás de mim...

Lutaremos juntos! Ordenei a mim mesma. Ninguém vai se acovardar para cima de você.

Depois de um tempo, quando nada de bom estava passando na TV, subi até meu quarto. Meu quarto estava, para todos os efeitos, limpo, então fui arrumar meu armário por cores, tentando me manter ocupada, por isso não cairia no sono. Nada me tornaria mais vulnerável quanto estar dormindo, eu queria adiá-la o maior tempo possível. Tirei a parte superior da minha escrivaninha, em seguida, organizei meus livros em ordem alfabética. Convenci-me de que nada de ruim estava para acontecer. Provavelmente, iria acordar amanhã e perceber o quanto foi ridícula essa paranoia. Então novamente, talvez a mensagem era de alguém que queria cortar a minha garganta enquanto eu dormia. Em uma noite assustadora como essa, nada muito forçado para acreditar.

Algum tempo depois, acordei no escuro. As cortinas ondulavam quando o ventilador oscilava na direção delas. A temperatura do ar estava muito quente, e meus trajes sumários agarrou-se à minha pele, mas eu estava prestando atenção nesse cenário limite, sequer pensando em abrir a janela. Olhando para todos os lados, eu piscava para os números do meu relógio. Apenas tímidas três horas da manhã.

Uma raiva ecoou do lado direito do meu crânio, meu olho estava inchado e fechado. Liguei todas as luzes da casa, desci descalça, abri o congelador e coloquei uns cubos de gelo dentro de um saco plástico. Dei uma olhada no espelho do banheiro e gritei baixo. A contusão violenta estava roxa e vermelha da minha sobrancelha até a minha bochecha.

— Como pude deixar isso acontecer? — Perguntei em silêncio. — Como você pode deixar Jazmín bater em você?

Sacudi as duas últimas cápsulas de Tylenol gel do frasco, que estava dentro do armário espelhado, engoli, e voltei para a cama. O gelo picado em volta do machucado deu um arrepio em mim. Enquanto eu esperava o Tylenol fazer efeito, eu lutava com a imagem na minha mente de Jazmín subindo dentro do Jipe do Simon. A imagem reproduzida, rebobinava e reproduzia novamente. Eu virava na cama, dobrei o travesseiro na minha cabeça para ver se a imagem desaparecia, mas estava fora do meu alcance, ela continuava a me chatear.

O que deve ter sido uma hora mais tarde, meu cérebro desgastou-se pensando em todas as formas criativas que eu gostaria de matar os dois, Jazmín e Simon, e eu peguei no sono.

Acordei ao som de uma fechadura sendo aberta.

Abri os olhos, mas encontrei a minha visão embaçada em preto e branco, da mesma forma de quando tinha sonhado com a Inglaterra, há centenas de anos. Tentei piscar para minha visão voltar ao normal, mas meu mundo ficou da cor de fumaça e gelo.

Lá embaixo, a porta da frente foi aberta facilmente rangendo baixo.

Eu não estava esperando minha mãe em casa até a manhã de sábado, o que significava que era um estranho.

Dei uma olhada ao redor à procura de algo que pudesse usar como arma. Alguns porta-retratos arrumados na cabeceira, junto com o abajur.

Passo a passo caminhava suavemente pelo piso de madeira do corredor. Segundos depois ele estava nas escadas. O intruso não parava para ouvir os sinais de que tinha sido ouvido. Ele sabia exatamente onde estava indo. Rolei silenciosamente para fora da cama, e peguei a minha calça que estava jogada no chão. Apertei-a entre as minhas mãos e encostei minhas costas contra a parede atrás da porta do meu quarto, um suor pegajoso impregnou a minha pele. Estava tão quieto que podia ouvir minha própria respiração.

Ele entrou pela porta, e eu joguei minha calça em volta do pescoço dele, puxando para trás com toda minha força. Lutamos um pouco antes de eu ser jogada para a frente, ficando cara a cara com Simon.

Ele olhou para as calças que ele tinha confiscado de mim.

— Quer explicar?

— O que você está fazendo aqui? — Perguntei, minha respiração elevada. Eu juntei as coisas. — Era sua mensagem anterior? Pedindo-me para ficar em casa hoje à noite? Desde quando seu número é privado?

— Eu tive que arrumar outra linha. Algo mais seguro.

Eu não quero saber. Que tipo de pessoa precisava de tantos segredos? De quem o Simon tinha medo que escutasse as ligações? Os arcanjos?

— Alguma vez lhe ocorreu bater? — Eu disse, meu pulso ainda martelando. — Pensei que você fosse outra pessoa.

— Esperava mais alguém?

— Devido aos fatos, sim! Um psicopata anônimo me enviou uma mensagem dizendo para eu me tornar acessível.

— É depois das três — Simon disse. —Quem você está esperando não parece ser tão excitante, afinal você caiu no sono. — Ele sorriu. — Você ainda está dormindo — ele disse parecendo satisfeito. Talvez até aliviado, como se algo que estivesse o intrigando, finalmente, soltou para fora.

Pisquei. Ainda estou dormindo? Do que ele estava falando? Espere. É claro. Isso explicava porque estava vendo tudo sem cores, e ainda estava em preto e branco. Simon não estava no meu quarto, ele estava no meu sonho.

Mas eu estava sonhando com ele, ou ele realmente sabia que estava aqui? Estávamos compartilhando o mesmo sonho?

— Para sua informação, dormi esperando Diego. — Não fazia ideia porque eu disse isso, minha boca ficou no caminho do meu cérebro.

— Diego — repetiu ele.

— Não comece. Eu vi a Jazmín subir dentro do seu Jipe.

— Ela precisa de uma carona.

Eu fiz aquela pose de mãos-nos-quadris.

— Que tipo de carona?

— Não esse tipo de carona — ele disse lentamente.

— Ah, com certeza! De que cor era a calcinha dela? — Era um teste, e eu realmente esperava que ele falhasse. Ele não respondeu, mas uma olhada em seus olhos me disse que ele não teria falhado.

Marchei para minha cama, peguei um travesseiro e arremessei contra ele. Ele desviou, e o travesseiro bateu na parede.

— Você mentiu para mim — disse. — Você me disse que não havia acontecendo nada entre vocês, mas quando duas pessoas não têm nada entre eles não trocam de roupas e não entram no carro dos outros á noite vestindo com o que poderia se passar como uma lingerie! — De repente eu estava consciente de minhas próprias roupas, ou a falta delas. Fiquei a metros de distância de Patch com nada mais do que uma blusinha de alcinhas e calcinha. Bem, não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso agora.

— Trocas de roupas?

— Ela estava usando seu boné!

— Ela estava tendo um dia ruim com o cabelo.

Meu queixo caiu.

— Foi isso que ela te disse? E você caiu na dela?

— Ela não é tão ruim quanto você a faz parecer — ele se limitou a dizer.

Apontei o dedo para o meu olho.

— Não é tão ruim assim? Vê isso? Ela me fez isso! O que você está fazendo aqui? — perguntei novamente, com a minha raiva em ebulição. Simon encostou-se à mesa e cruzou os braços. — Eu vim para ver o que você estava fazendo.

— Mais uma vez, tenho um olho roxo, obrigada por perguntar — respondi.

— Precisa de gelo?

— Preciso que você saia do meu sonho! — eu peguei uma segunda almofada e joguei violentamente para ele. Desta vez, ele pegou.

— O olho preto do Devil's handbag. Marcou território.

Ele empurrou o travesseiro de volta para mim, como para enfatizar a sua opinião.

— Você está defendendo Jazmín?

Ele balançou a cabeça.

— Eu não preciso. Ela sabe se cuidar sozinha. Você, por outro lado...

Apontei para a porta.

— Sai.

Quando vi que ele não se mexia, marchei com o travesseiro contra ele.

— Eu disse para você sair do meu sonho, você está mentindo, Simon.

Ele lutou para tirar o travesseiro do meu alcance e me empurrou para trás até que fui de encontro a parede, seus sapatos encostaram-se aos meus dedos. Eu estava recuperando o fôlego para terminar de xingá-lo do pior nome que eu pudesse pensar, quando Simon agarrou a lateral da minha calcinha e puxou-me para mais perto dele. Seus olhos estavam num líquido escuro, sua respiração lenta e profunda. Fiquei assim, suspensa entre ele e a parede, meus batimentos aceleraram quando tomei consciência do seu corpo e do perfume masculino de couro e menta que emanava da sua pele. Senti minha resistência começar a sumir. De repente, sem obedecer nada além do meu desejo, curvei meus dedos em sua camisa puxando-lhe o resto do caminho contra mim. Foi tão bom tê-lo novamente. Eu tinha sentido muita falta, mas eu não tinha percebido o quanto até esse momento.

— Não faça eu me arrepender disso — disse, sem fôlego.

— Você não se arrependeu uma única vez — ele me beijou, e eu respondi tão avidamente que pensei que meus lábios iriam machucar. Eu empurrei meus dedos pelos cabelos dele, o puxando mais para perto. Minha boca era toda dele, caótica, selvagem. Todas as emoções desorganizadas e complicadas que estava sentindo desde o nosso rompimento foram embora e eu afoguei na necessidade louca e compulsiva de estar com ele.

Suas mãos estavam na minha cintura, habilmente deslizando pelas minhas costas para me segurar contra ele. Eu estava presa entre a parede e seu corpo, mexendo nos botões de sua camisa, meus dedos acariciavam seus músculos enrijecidos por baixo.

Puxei sua camisa para baixo de seus ombros, com um aviso martelando no meu cérebro de que estava cometendo um erro enorme, mas eu não quis prestar atenção, não queria me aprofundar nesses pensamentos, com medo do que eu poderia encontrar. Eu sabia que estava me preparando para mais dor, mas eu não podia resistir a ele. Tudo o que eu conseguia pensar era que, se Simon estava realmente no meu sonho, esta noite poderia ser nosso segredo. Os arcanjos não poderiam nos ver. Aqui, todas as suas regras viraram fumaça. Poderíamos fazer o que queríamos, eles nunca iriam descobrir. Ninguém poderia.

Simon terminou de se despir, puxando os braços livres a partir das mangas e jogando a camisa para o lado. Deslizei minhas mãos ao longo dos seus músculos esculpidos perfeitamente que me enviou uma onda de desejo. Eu sabia que ele não conseguia sentir nada disso fisicamente, mas eu disse a mim mesma que era o amor que o tinha levado até ali. Seu amor por mim. Não me permiti a pensar sobre sua incapacidade de sentir meu toque, ou o quanto aquele encontro realmente significava para ele. Eu simplesmente o queria. Agora. Ele me levantou, eu envolvi minhas pernas em volta de sua cintura. Eu vi seu olhar cortar para a cômoda, para a cama, e o meu coração saltou dentro do peito de vontade. O pensamento racional havia me abandonado. Tudo o que eu sabia é que faria qualquer coisa para deixar de lado toda essa confusão. Tudo estava acontecendo muito rápido, mas toda essa segurança que estávamos sentindo era um bálsamo para todo o frio, iria ferver e derreter tudo que passamos na última semana.

Esse foi meu último pensamento que tive antes de tocar com os meus dedos o lugar onde ficam suas asas.

Antes que pudesse fazer qualquer coisa, fui sugada para dentro de sua memória num estalo. O cheiro de couro liso, sensação das minhas coxas estarem escorregando, percebi que estava no interior do Jipe de Simon, meus olhos haviam se adaptado totalmente à escuridão. Eu estava no banco traseiro, com Simon ao volante e Jazmín no passageiro. Ela usava o mesmo vestido colado e saltos que eu tinha visto nela a menos de três horas atrás.

Hoje à noite então. A memória de Jazmín tinha me levado a apenas algumas horas antes.

— Ela arruinou meu vestido — disse Jazmín mexendo no tecido grudado nas suas coxas. —Agora estou congelando. E cheirando a coca-cola de cereja.

— Você quer meu casaco? — Simon perguntou, com os olhos na estrada.

— Onde ele está?

— No banco traseiro.

Jazmín soltou o cinto de segurança, colocou um joelho no console e agarrou a jaqueta de couro de Simon no assento ao meu lado. Quando ela voltou para frente, puxou seu vestido pela cabeça e o jogou aos seus pés. Exceto pela calcinha, ela estava completamente nua. Sufoquei um grito na garganta. Ela enfiou os braços na jaqueta dele e fechou o zíper.

— Pegue a próxima à esquerda — ela instruiu.

— Eu sei o caminho da sua casa — Simon disse, virando à direita.

— Eu não quero ir para casa. Após dois quarteirões vire à esquerda.

Mais dois quarteirões, e Simon continuou em linha reta.

— Bem, você não é divertido — disse Jazmín com desanimo. — Você não está nem um pouquinho curioso para saber aonde eu ia nos levar?

— Está tarde.

— Você está me dispensando? — Ela perguntou timidamente.

— Estou levando você para casa, então depois eu volto para a minha.

— Por que não posso ir?

— Talvez um dia — disse Simon.

Oh, sério? Eu queria explodir a casa dele. Isso é muito mais do que consegui!

— Isso não é muito específico — ela sorriu, balançando suas pernas para cima, deixando suas pernas a mostra. Simon não disse nada. —Amanhã à noite então — disse Jazmín. Fez uma pausa e depois continuou com uma voz aveludada: — Você não tem outro lugar para ir. Eu sei que Ámbar terminou com você.

Simon apertou as mãos no volante.

— Eu ouvi que ela está com isto Hernandez agora. Você sabe, cara nova. Ele é bonito, mas te trocou por menos.

— Eu realmente não quero falar sobre Ámbar.

— Que bom, porque quero falar sobre nós.

— Eu pensei que você tivesse um namorado.

— A palavra chave nesta frase é tivesse.

Simon virou à direita, subindo o Jipe na garagem de Jazmín. Ele não desligou o motor.

— Boa noite Jazmín.

Ela ficou em seu lugar por um momento e depois riu.

— Você não vai me acompanhar até a porta?

— Você não tem problemas de locomoção, consegue ir até lá sozinha

— Se meu pai estiver assistindo ele não vai gostar — disse ela, segurando o colarinho de Simon para ajeitá-lo, sua mão permanecendo lá mais do que o necessário.

— Ele não está vendo.

— Como você sabe?

— Confie em mim.

Jazmín baixou ainda mais o tom da sua voz, suave e sensual.

— Sabe, eu realmente admiro a sua força de vontade. Você me mantém interessada e eu gosto disso. Mas deixe eu ser bem clara. Não estou procurando um relacionamento. Eu não gosto de complicar as coisas, da bagunça. Não quero ferir meus sentimentos, sinais confusos, ciúme, eu só quero me divertir. Estou querendo bons momentos. Pense sobre isso.

Pela primeira vez, Simon virou seu rosto em direção dela.

— Vou manter isso em mente — disse ele finalmente.

De perfil, vi Jazmín sorrir. Ela inclinou-se sobre o console e deu um lento e ardente beijo em Simon. Ele começou a se afastar, depois parou. Em qualquer momento ele poderia ter cortado o beijo, mas ele não fez.

— Amanhã à noite — Jazmín murmurou, afastando-se finalmente. — Na sua casa.

— Seu vestido, — ele disse a ela, para o pedaço de pano úmido no chão.

— Lave e me devolva amanhã à noite.

Ela saiu do Jipe, correu para a porta da frente e entrou em sua casa. Meus braços se soltaram em volta do pescoço dele. Eu me senti golpeada com o que eu tinha visto. Era como se ele tivesse jogado um balde de água gelada em mim. Meus lábios estavam inchados por causa dos seus beijos, meu coração inflamado. Simon estava no meu sonho. Estávamos compartilhando-o. De alguma forma era real. A ideia era assustadoramente surreal, no limite do impossível, mas tinha que ter sido verdadeiro. Se ele não estivesse aqui, se ele não estivesse entrado em silêncio e em segredo em meu sonho, eu não poderia ter tocado nas suas cicatrizes e sido arremessada em suas memórias.

Mas eu tinha. A memória estava viva, verdadeira e real demais. Simon pode sentir com a minha reação, que tudo que eu vi não foi bom. Seus braços estavam em volta dos meus ombros, e ele ergueu a cabeça para trás para encarar o teto.

— O que você viu? — Ele perguntou silenciosamente.

O som do meu coração batia forte entre nós.

— Você beijou Jazmín — eu disse, mordendo meus lábios com força para bloquear as lágrimas que estavam brotando.

Ele passou as mãos pelo rosto, em seguida, apertou a ponta de seu nariz.

— Diga que é um jogo mental. Diga-me que é um truque. Diga-me que ela tem algum tipo de poder sobre você, que você não tem escolha quando se trata de ficar com ela ou não.

— É complicado.

— Não — eu disse com uma agitação feroz na minha mente. — Não me diga que é complicado. Nada é mais complicado do que já passamos. O que você ainda quer, um relacionamento com ela?

Seus olhos encontraram os meus.

— Não é amor.

Um certo vazio me corroeu por dentro. Tudo veio de uma vez só, e eu de repente entendi. Estar com Jazmín era uma conquista fácil. Uma autossatisfação. Ele realmente nos via como conquistas. Ele era um jogador. Cada garota era um novo desafio, um link para ampliar novos horizontes. Ele encontrou o sucesso nisso. Ele não se preocupava com o meio ou o final da história, ele queria apenas o começo. E, assim como todas as outras garotas, cometi o grande erro de me apaixonar por ele. No momento que ele soube caiu fora. Bem, ele nunca teria que se preocupar em Jazmín confessar o seu amor. A única pessoa que ela amava era ela mesma.

Simon estava agachado, com os cotovelos sobre os joelhos, e o rosto enterrado entre as mãos.

— Eu não vim aqui para te machucar.

— Por que você veio? Para brincar nas costas dos Arcanjos? Para me magoar mais do que já tem feito? — eu não iria esperar uma resposta. Passei minhas mãos pela garganta, arranquei a corrente de prata que ele tinha me dado dias atrás. Ela prendeu na parte de trás do meu pescoço e tive que puxá-la com força, mas não provou tanta dor quanto a que eu já estava sentindo. Eu deveria ter devolvido a corrente no dia em que terminamos, mas percebi um pouco tarde, que até este momento eu não havia desistido. Eu ainda acreditava em nós. Eu tinha a crença de que ainda haveria um meio de fazer um acordo com as estrelas para trazer Simon de volta para mim. Uma total perda de tempo.

Joguei a corrente para ele.

— E eu quero o meu anel de volta.

Seus olhos me fitaram por mais um minuto, então ele se inclinou e pegou sua camisa.

— Não.

— Como assim não? Eu o quero de volta!

— Você deu pra mim — disse ele calmamente e gentil.

— Bem, eu mudei de ideia! — Meu rosto estava vermelho, todo o meu corpo quente, com raiva. Ele estava guardando o anel, porque sabia o quanto significava para mim. Ele estava o mantendo, porque apesar de ter se tornado anjo da guarda, sua alma continuava tão negra quanto o dia em que o conheci. E meu maior erro foi querer acreditar no contrário. — Eu te dei quando eu era estúpida o suficiente para pensar que te amava! — estendi a minha mão. — Me devolva, agora. — Eu não podia suportar a ideia de perder o anel do meu pai para Simon. Ele não merecia isso. Ele não merece ter uma lembrança real do meu amor verdadeiro.

Ignorando meu pedido, Simon saiu.

Abri os olhos.

Ascendi a lâmpada, a minha visão estava novamente colorida. Sentei-me, um flash quente de adrenalina percorreu pelo meu corpo. Coloquei a minha mão no pescoço para sentir a corrente de prata que Simon havia me dado, mas ela não estava lá.

Passei as mãos pelo lençol enrugado, pensando que houvesse caído enquanto eu dormia. Mas ela não estava mais comigo.

O sonho foi real. Simon tinha descoberto uma maneira de estar comigo enquanto eu dormia.



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