História Hush, hush: Crescendo; - Capítulo 8


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Categorias Sussurro (Hush, Hush)
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Palavras 3.935
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Misticismo, Sobrenatural
Avisos: Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Capítulo 7


Na manhã seguinte, me arrastei para fora da cama, e depois de uma passagem rápida pelo banheiro, que incluiu um pouco de corretivo na minha olheira, anti-frizz com revitalizante de cachos nos cabelos, segui sem rumo para a cozinha encontrar minha mãe que já estava sentada à mesa. Ela segurava uma xícara de chá de ervas entre as mãos, e seu cabelo estava um pouco bagunçado, com cara de sono, o que era uma boa forma de dizer que ela parecia um porco-espinho. Me olhando por cima de sua caneca, ela sorriu.

— Bom dia.

Me sentei na cadeira e joguei um pouco de cereal em uma tigela. Minha mãe havia separado alguns morangos e um jarro pequeno de leite, e acrescentei ao cereal. Tentei me alimentar bem, mas sempre me pareceu muito mais fácil quando minha mãe estava em casa, fazendo as refeições, que com certeza eram bem melhores do que as que eu poderia fazer em 10 segundos.

— Dormiu bem? — ela perguntou.

Eu assenti com a cabeça, tendo comido apenas uma colher cheia de cereal.

— Me esqueci de perguntar sobre a noite passada — disse minha mãe. — Você acabou fazendo o tour na cidade com Diego?

— Eu cancelei. — É melhor deixar por isso mesmo. Eu não tinha certeza de como ela reagiria se descobrisse que sobre o cais, e em seguida que passei a noite com ele no salão de bilhar na Springvale.

Minha mãe torce o nariz.

— É que...Que cheiro de fumaça estou sentindo?

O que será?

— Acendi algumas velas no meu quarto esta manhã — eu disse, me lamentando por não ter tido tempo de tomar banho. Eu tinha certeza de que o Z tinha ficado na minha roupa, meus lençóis, meus cabelos.

Ela franziu o cenho.

— Isso definitivamente é cheiro de fumaça. — Ela arrastou a cadeira para trás, ficando de pé, e foi investigar.

Não adiantava enrolar agora. Cocei a sobrancelha nervosa.

— Eu meio que fui a um salão de bilhar na noite passada.

— Simon? Nós combinamos uma regra não faz muito tempo em que você estava absolutamente proibida, em qualquer circunstância, de sair com Simon enquanto eu estivesse fora.

— Ele estava lá, sim.

— E?

— Eu não fui com o Simon. Fui com Diego. — Ao olhar sua expressão, eu tinha certeza de que isso era pior. — Mas antes de explodir — me apressei, — eu só quero dizer que minha curiosidade está me matando. Está sendo muito difícil ignorar o fato de que os Hernandez estão fazendo o possível para manter o passado de Diego em segredo. Porque toda a vez que a Sra. Hernandez vai abrir a boca, Diego já está a dois centímetros dela, olhando-a como um falcão? O que ele poderia ter feito de tão ruim?

Eu esperava que minha mãe levantaria num pulo e me diria que a partir o minuto em que chegasse da escola, esta tarde, eu estaria de castigo até o dia quatro de julho, mas ela disse:

— Eu percebi isso também.

— Sou eu, ou ela parece ter medo dele? — Continuei aliviada por que ela parecia estar mais interessada em falar sobre Diego que meu castigo por passar uma noite em um salão de bilhar.

— Que tipo de mãe tem medo do seu próprio filho? — Minha mãe perguntou em voz alta.

— Eu acho que ela sabe o seu segredo. Ela sabe o que ele fez. E ele sabe que ela sabe.

Talvez o segredo de Diego seja simplesmente de que ele era um Nephilim, mas eu não pensava isso. Com base na sua reação ontem à noite quando ele foi atacado pelo Nephilim de camiseta vermelha, eu estava começando a suspeitar de que ele não sabia a verdade sobre quem era, ou do que era capaz. Ele deve ter notado a sua incrível força e sua habilidade de falar com os pensamentos das pessoas, mas provavelmente não sabia como explicar. Mas se Diego e sua mãe não estivessem tentando esconder esse segredo, o que eles estavam tentando esconder? O que ele tinha feito que precisasse tanto esconder?

Trinta minutos depois, eu andava sem interesse para a aula de química, para encontrar Jazmín já em nossa mesa, falando ao telefone, ignorando completamente o sinal na lousa que diz ser proibido o uso de celulares, sem exceções. Quando ela me viu, virou as costas e tampou a boca com a mão, claramente querendo privacidade. Como se eu me importasse. Ao chegar à mesa, deu tempo de ouvi-la dizer com uma voz sedutora:

— Eu também te amo.

Ela jogou seu celular dentro do bolso da frente de sua mochila e sorriu pra mim.

— Meu namorado, ele não frequenta o ensino médio.

Imediatamente fiquei em dúvida e me perguntei se não era Simon do outro lado da linha, mas ele havia jurado que o que aconteceu entre ele e Jazmín na noite passada não significou nada. Eu poderia me morder de ciúmes, ou poderia acreditar nele. Assenti simpaticamente com a cabeça.

— Deve ser difícil namorar com um desistente.

— Há há. Só para você saber, enviarei uma mensagem depois da aula convidando todos para a minha festa de verão anual que vai rolar nessa terça-feira. Você está na lista. — Disse ela casualmente. — Rejeitar o meu convite é a melhor maneira de sabotar a sua vida social... aliás, você não precisa se preocupar em sabotar algo que você não tem.

— Festa anual de verão? Nunca tinha ouvido falar disso.

Ela pegou um pó compacto, que tinha formado um círculo no bolso traseiro de sua calça jeans, e passou o pó pressionando seu nariz.

— Isso é porque você nunca foi convidada antes.

OK, espera. Por que Jazmín vai me convidar? Mesmo que meu QI fosse duas vezes o dela, ela tinha que ter percebido o gelo entre nós. Não compartilhamos nenhum amigo em comum. Ou interesses, para esse assunto.

— Wow Jazmín. Muito gentil de sua parte me convidar. Um pouco inesperado, mas ainda sim legal. Vou definitivamente tentar ir — Mas não muito.

Jazmín se inclinou para mim.

— Eu vi você na noite passada.

Meu coração batia um pouco mais rápido, mas eu consegui segurar o tom da minha voz. Evasiva, mesmo.

— Sim, eu te vi também.

— Aquilo foi tão...louco — ela deixou em aberto, como se quisesse que eu concluísse para ela.

— Eu estava atrás da multidão. Não consegui ver muita coisa, me desculpe. — Eu não tentava parecer inútil de propósito, apenas esse era uma conversa que eu não queria ter. E dói, por isso que ela estava me convidando para a festa? Para adicionar um sentimento de confiança e amizade na nossa relação, para que de algum modo eu lhe dissesse alguma coisa que eu soubesse que aconteceu na noite passada?

— Você não viu nada? — Jazmín repetiu, com uma linha de dúvida na testa.

— Não. Você estudou para o teste de hoje? Tenho a maioria da tabela periódica memorizada, mas a última linha ainda me faz tropeçar.

— Eu acho

— Você acha?

— Você viu a tacada? Eu nunca vi ninguém fazer isso antes. Ele empurrou-o através da mesa de sinuca. Essas coisas não são feitas de pedra?

— Simon nunca te levou até lá para vê-lo jogar? Você já tinha visto algo assim antes?

— Será que isso importa?

Jazmín fez uma careta.

— Quer saber? Se você não vai conversar, pode esquecer o convite para a minha festa.

— Eu não iria de qualquer maneira.

Ela revirou os olhos.

— Você está brava, porque eu estava com Simon no Z na noite passada? Porque ele não significa nada pra mim. Nós estávamos apenas nos divertindo. Nada grave.

— Sim, realmente me pareceu desse jeito — disse, deixando apenas um pouco de cinismo no meu tom.

— Não seja ciumenta, Ámbar. Simon e eu somos muito, mas muito bons amigos. Mas caso você tenha interesse, minha mãe conhece um terapeuta de relacionamentos muito bom. Deixe-me ver se você precisa de uma referência. Pensando bem, ele é muito caro. Quer dizer, eu sei que sua mãe tem trabalhado muito e tal...

Ignorando-a, abri meu livro.

— Eu ouvi que você e Simon terminaram... — disse ela, tentando um novo ângulo. Eu inspirei um pouco de ar, mas um pouco tarde demais, pois meu rosto já estava quente.

— Quem terminou? — Jazmín perguntou.

— Pergunta para você, Jazmín. — Minha voz estava descontraída, mas minhas mãos estavam tremendo no meu colo. — O que você faria se acordasse amanhã e soubesse que seu pai tinha sido assassinado? Você acha que com um emprego meio período no JC Penney sua mãe iria pagar as contas? Da próxima vez, antes de expor a minha situação familiar, se coloque no meu lugar um minuto. Um minutinho apenas.

Ela segurou o olhar por um longo momento, mas sua expressão impaciente me fez duvidar que eu a tinha feito pensar duas vezes. A única pessoa com quem ela poderia simpatizar era com ela mesma.

Após a aulas, encontrei Luna no estacionamento. Ela estava estirada sobre o capô do Neon, mangas enroladas acima dos ombros, se bronzeando.

— Precisamos conversar. — Disse ela quando me aproximei. Se recompôs e baixou os óculos pelo nariz o suficiente para fazer contato visual.

— Você e Simon estavam em Splitsville, não é?

Eu subi no capô ao lado dela.

— Quem disse?

— Benício. Para seu registro, machucou. Sou sua melhor amiga, e não deveria descobrir essas coisas do amigo do amigo. Ou através do amigo de um ex-namorado. — Ela acrescentou, depois de pensar sobre isso. Colocou a mão no meu ombro e apertou. — Como você está aguentando?

Não especialmente bem. Mas era uma daquelas coisas que eu estava tentando enterrar no fundo do coração, o que não conseguiria se continuasse falando sobre isso. Me virei contra o para-brisa, levantando meu notebook para proteger do sol.

— Você sabe qual é a pior parte?

— Que eu estava certa o tempo todo e agora você tem que sofrer por me ouvir dizer “eu te avisei”?

— Engraçado

— Não é segredo que o Simon é problema. Ele tem todo o lado bad boy em necessidade de redenção, mas o problema é que a maioria dos meninos maus não quer redenção. Eles querem continuar maus. Eles gostam do poder que conseguem em colocar o medo e pânico nos corações das mães.

— Essa foi... esclarecedora.

— Sempre querida. E sabe o que mais...

— L...

Ela agitou os braços.

— Me escute. Estou guardando o melhor para o final. Acho que este é o momento de repensar as suas prioridades quando se trata de rapazes. O que precisamos é encontrar um bom rapaz tipo escoteiro, que vá fazer você apreciar o valor de ter um bom homem na sua vida. Pegue Benício como exemplo.

Eu lancei um olhar de “você só pode estar brincando".

— Me magoa esse olhar — disse Luna. — Benício é realmente um cara legal.

Nós nos encaramos por uns três segundos mais.

— OK, talvez não do tipo escoteiro — disse Luna. — Mas a questão é que você poderia se beneficiar de uma cara legal, um que não tivesse um guarda-roupa negro. O que será isso afinal? O Simon se acha um comandante?

— Eu vi Jazmín e Simon juntos na noite passada — eu disse em um suspiro. Eu disse que estava lá fora. Mas não estava.

Luna piscou algumas vezes, digerindo a informação.

— O quê? — disse ela, de boca aberta.

Eu assenti com a cabeça.

— Eu os vi. Ela estava com os braços em torno dele. Eles estavam juntos em um salão de bilhar em Springville.

— Você seguiu eles?

Eu queria dizer, me dê algum crédito, mas só saiu:

— Diego me convidou para jogar sinuca. Fui com ele, e nós fomos até lá.

Eu queria contar para Luna tudo o que tinha acontecido a partir daquele momento, mas assim como com Jazmín, algumas coisas eu não conseguiria explicar a ela. Como eu ia dizer sobre um Nephilim de camiseta vermelha e que ele bateu um taco através da tabela? Luna parecia ansiosa por uma resposta.

— Pois bem. Como estava dizendo, uma vez que você conhece a luz, nunca mais vai voltar para a escuridão. Talvez Benício tenha um amigo que não seja Simon, que é... — Ela parou desajeitadamente.

— Eu não preciso de um namorado. Preciso de um emprego.

Luna fez fechou a cara.

— Mais conversa dobre emprego, argh. Eu simplesmente não entendo o fascínio.

— Preciso de um carro, e para conseguir um, eu preciso de dinheiro. Assim o emprego. — Eu tinha uma lista de razões para comprar o Volkswagen Cabriolet em minha mente. O carro era pequeno e, portanto, fácil de estacionar, era eficiente de combustível, um bônus, considerando que não ia ter muito dinheiro para isso depois de desembolsar o dinheiro para comprá-lo. Apesar de saber o quanto era ridículo ter uma conexão com algo material, como um carro, estava começando a vê-lo como uma metáfora da mudança da minha vida. Liberdade para ir aonde eu quisesse, sempre. Liberdade de Simon e de todas as lembranças das coisas que compartilhamos e que eu ainda não sabia como esconder atrás da porta.

— Minha mãe é amiga de um dos gerentes no Enzo's, e eles estão procurando baristas — Luna sugeriu.

— Eu não sei nada sobre ser uma barista.

Luna deu de ombros.

— Ou você pode fazer café. Poderia servi-lo. Você poderia levá-lo aos clientes um pouco ansiosos. O quanto difícil poderia ser?

Quarenta e cinco minutos depois, Luna e eu estávamos na praia, andando pelo calçadão, adiando nosso dever de casa e sem nenhum propósito olhando vitrines. Uma vez que nenhuma de nós tinha emprego, e consequentemente dinheiro, nós estamos aperfeiçoando nossas habilidades de vitrinistas. No final da nossa caminhada nossos olhos depararam com uma padaria. Eu podia ouvir a boca de Luna encher de água, ela pressionou seu rosto na vitrine e olhou para uma caixa de roscas.

— Eu acho que já passou mais de uma hora desde a última vez que comi — disse ela. — Donuts com cobertura, aqui vamos nós, o meu deleite.

Ela estava quatro passos a minha frente, puxando a porta.

— Pensei que você estava querendo perder peso para a temporada de biquíni. Pensei que você tinha os ossos grandes e queria mesmo alguma coisa com Benício.

— Você sabe mesmo como acabar com um bom humor. Enfim, um pequeno donut não vai doer, não é?

Eu nunca tinha visto Luna comer apenas um donut, mas eu mantive minha boca fechada.

Nós entramos, pedimos meia dúzia de donuts e nos sentamos em uma mesa perto das janelas, quando eu vi Diego do outro lado do vidro. Ele tinha a testa amassada contra a janela sorrindo. Para mim. Assustada, dei um salto. Com o dedo, ele me chamou lá para fora.

— Eu já volto — disse a Luna.

Ela seguiu o meu olhar.

— Não é que é o gato do Diego?

— Pare de chamá-lo assim. O que aconteceu com o Diego cara de pinico?

— Ele cresceu. O que ele quer falar com você?

Alguma revelação atravessou seu rosto.

— Oh, não, você não. Você não tem permissão para se jogar rebound. Ele tem problemas, você mesmo disse. Nós vamos encontrar um bom escoteiro. Lembra?

Pendurei minha bolsa sobre o ombro.

— Não estou jogando rebound.

— O quê? — Eu disse, em resposta ao olhar que ela estava me dando. — Você espera que eu apenas fique sentada aqui e o ignore?

Ela abriu as palmas das mãos para cima.

— Só se apresse ou o seu donut vai fazer parte da lista de espécies ameaçadas de extinção.

Do lado de fora, dobrei a esquina e fui para o local que tinha visto Diego pela última vez. Ele estava recostado sentado em um banco na calçada, com os polegares nos bolsos.

— Você sobreviveu à noite passada? — perguntou ele.

— Eu estou aqui, não estou?

Ele sorriu.

— Um pouco mais de emoção do que você está acostumada?

Eu não lembrei a ele de que era o único que estava estendido na mesa de bilhar com um taco perfurando a um centímetro da sua orelha.

— Desculpa, eu te deixei na mão — disse Diego. — Parece que você encontrou seu próprio caminho pra casa?

— Não se preocupe com isso — eu disse, irritada, sem dar ao trabalho de esconder a minha indignação. — Só aprendi a nunca mais sair com você novamente.

— Farei isso para você. Tem tempo para um lanche rápido? — Ele apontou o polegar em direção a um restaurante turístico no calçadão de baixo.

Alfeo's. Eu havia comido anos atrás com meu pai e pelo que lembro o menu é bem caro. A única coisa por menos de dez dólares era a água. A Coca-Cola, se eu estivesse com sorte. Levando-se em conta os preços exorbitantes e a companhia, afinal, a minha última memória de Diego foi dele tentando burlar minha camisa com um taco de sinuca, eu não queria mais nada além de terminar o meu donut.

— Não vai ser possível. Estou aqui com a Luna — eu disse a ele. — O que aconteceu a noite passada no Z? Depois que eu saí.

— Eu consegui meu dinheiro de volta. — Algo sobre a maneira como ele disse me deixou pensando que não foi tão simples assim.

— Nosso dinheiro — eu corrigi.

— Eu tenho a sua metade em casa — disse ele vagamente. — Vou devolvê-la esta noite.

Sim, certo. Eu tive a impressão de que ele já havia gastado todo o dinheiro, e mais um pouco.

— E o cara de camisa vermelha? — perguntei.

— Ele seguiu seu caminho.

— Ele parecia muito forte. Ele parecia assim para você? Alguma coisa sobre ele parecia...diferente.

Eu estava testando ele, tentando descobrir o quanto ele sabia, mas sua resposta foi apenas distraída.

— Sim, eu acho. Então, minha mãe continua insistindo que eu saia e faça novos amigos. Sem ofensa, Smith, mas você não é um dos caras. Cedo ou tarde vou ter que cair fora. Ah, não chore. Basta lembrar todos os momentos felizes que passamos juntos, eu tenho certeza que você vai ficar conformada.

— Você me arrastou até aqui para romper nossa amizade? Como eu consegui ter tanta sorte?

Diego riu.

— E eu que pensei que ia começar com o seu namorado. Ele tem um nome? Estou começando a achar que ele é seu amigo imaginário. Quer dizer, eu nunca vi vocês dois juntos.

— Nós terminamos.

Algo que se assemelhava a um sorriso torto apareceu em seu rosto.

— Sim, é isso que eu ouvi, mas queria ver se você me confirmava isso.

— Você ouviu sobre mim e Simon?

— Alguma gostosa chamada Jazmín me disse. Encontrei com ela no posto de gasolina, e ela fez questão de vir e se apresentar. Enfim, ela disse que você é uma perdedora.

— O que Jazmín disse sobre eu e Simon? — Minha postura enrijeceu.

— Quer um conselho? Um verdadeiro conselho de menino para menina? Esqueça Simon. Siga em frente. Um cara que pertença a sua categoria. Estudar, xadrez, coleta e catalogação de insetos mortos... e pensar no que fazer com o estrago no seu cabelo.

— Como?

Diego tossiu na sua mão, mas percebi que era um sorriso disfarçado.

— Vamos ser honestos. Loiras são uma responsabilidade.

Eu apertei meus olhos.

— Eu não tenho cabelo loiro.

Ele estava pronto a gargalhar.

— Poderia ser pior. Poderia ser laranja. Bruxa má laranja.

— Você é este grande motivador com todos? Porque deve ser por isso que não tem amigos.

— Um pouco cacheado nas pontas, só isso.

Empurrei meus óculos escuros ao topo da minha cabeça e fiz contato visual direto.

— Só para constar, eu não jogo xadrez tampouco coleto insetos.

— Mas você estuda. Eu sei o que você faz. Conheço o tipo. A marca registrada de sua personalidade inteira se define em uma palavra. Controladora. Você é apenas mais um caso de TOC padrão.

Fiquei de boca aberta.

— Ok, então talvez eu seja um pouco estudiosa. Mas não sou chata, não aquela chata. — Pelo menos era o que eu esperava. — Obviamente você não me conhece.

— Exaaaaato

— Tudo bem — disse defensivamente. — Alguma coisa que você considere interessante e pensa que eu nunca iria fazer?... Pare de rir. É sério. Pode falar.

Diego coçou a orelha.

— Nunca iria na batalha de bandas? Música alta e espontânea. Barulho, multidões incontroláveis. Muito sexo louco nos banheiros. Dez vezes mais adrenalina do que no Z.

— Não — eu disse um pouco hesitante.

— Vou buscá-la domingo à noite. Traga carteira de identidade falsa. — Ele arqueou as sobrancelhas, e me agraciou com um sorriso zombeteiro e egoísta.

— Não há problema — eu disse, tentando manter minha expressão “nem aí’.

Tecnicamente, estaria pagando a língua se eu saísse com Diego novamente, mas eu não ficar aqui e me deixar ele me chamar de entediante. E definitivamente não iria deixar ele me chamar de loira.

— O que eu devo usar?

— O mínimo permitido legalmente.

Eu quase fiquei chocada. Que pervertido.

— Eu não sabia que você andava no meio de bandas — disse eu, enquanto recuperava o fôlego.

— Eu tocava baixo em Portland numa banda chamada Geezer. Tenho a esperança de conhecer alguém no local. O plano é caçar talentos na noite de domingo.

— Parece divertido — menti. — Conte comigo.

Eu sempre poderia voltar mais tarde. Uma mensagem cuidaria de tudo. Tudo o que importava no momento era Diego não me chamar de controladora covarde na minha cara. Diego e eu nos separamos, e eu achei Luna esperando na nossa mesa, com metade do meu donut comido.

— Não diga que não avisei — disse ela, olhando os meus olhos viajar até o donut. — O que Diego quer?

— Ele me convidou para a batalha de bandas.

— Oh, Deus

— Pela última vez, não tem nada a ver.

— Tanto faz o que você diz.

— Ámbar Smith?

Luna e eu olhamos para cima até encontrarmos um dos empregados da padaria em pé ao nosso lado. Seu uniforme de trabalho consistia em uma polo lavanda e um crachá com o nome MADELINE.

— Desculpe-me, você é Ámbar Smith?

Ela me perguntou uma segunda vez.

— Sim — eu disse, tentando descobrir como ela sabia meu nome.

Ela estava segurando um envelope ao seu peito, e estendeu pra mim.

— Isso é pra você.

— O que é isso?

Perguntei, aceitando o envelope.

Ela encolheu os ombros.

— Um cara acabou de entregar e pediu para dar a você.

— Que cara? — Luna perguntou, esticando o pescoço em volta da padaria.

— Ele já saiu. Ele disse que era importante que Ámbar recebesse esse envelope. Achei que ele era seu namorado. Uma vez um cara trouxe flores para entregarmos a sua namorada. Ela estava na mesa no canto de trás. — Ela apontou e sorriu. — Eu ainda me lembro.

Enfiei meu dedo por dentro e olhei. Havia uma folha de papel, juntamente com um grande anel. Nada mais.

Olhei para Madeline, que tinha pequenas manchas de farinha em todo o rosto.

— Tem certeza que isso é para mim?

— O cara apontou diretamente para você e disse “dê isto a Ámbar Smith”, você é Ámbar Smith, não é?

Comecei a colocar minhas mãos dentro do envelope, mas Luna colocou sua mão na minha.

— Sem ofensa — disse a Madeline, — gostaríamos de um pouco de privacidade.

— Quem você acha que ela é? — Perguntei a Luna, uma vez que Madeline estava fora do nosso alcance.

— Eu não sei, mas tive arrepios quando ela entregou a você. — Com as palavras de Luna, senti como dedos frios passando pela minha coluna.

— Você acha que foi Diego?

— Eu não sei. O que tem dentro do envelope? — Ela deslizou sua cadeira junto a minha para olhar mais de perto.

Eu puxei o anel, e olhamos em silêncio. Eu poderia dizer só de olhar que ele foi perdido, definitivamente um anel de homem. Era feito de ferro, e na coroa do anel, onde normalmente fica a pedra, tinha um carimbo de uma mão levantada. A mão estava espremida em punho apertado, ameaçador. A coroa do anel foi carbonizada.

— Que, em... — Luna começou.

Ela parou quando puxei o papel. Rabiscado de caneta preta um recado:

ESTE ANEL PERTENCE À MÃO NEGRA. ELA MATOU SEU PAI.



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