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História I am found - Capítulo 3


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Notas do Autor


Beijinhos para vocês 😍😍😍😍

Capítulo 3 - Capítulo 3


(Pov Elsa)

 

O luto não é como passear em um parque, não mesmo.É mais como levar um soco no estômago e sentir cada pedaço de ar que havia dentro de seu corpo deixá-lo, você não respira, você não dorme, você não come.Eu via Anna em todos os lugares, mas era sempre pior quando minha cabeça descansava no travesseiro e mergulhava nos sonhos.

 

Eu a via.Na maior parte do tempo ensaguentada e coberta por uma massa negra que emanava medo, ódio e dor.Ela estava com tanto medo, ela não estava pronta para ser rainha, muito menos para enfrentar aquilo tudo sem mim e ela chamava meu nome.Sempre chamava meu nome.Eu tentava tocá-la, dizer que tudo ficaria bem, mais cedo ou mais tarde mas era nessa parte que eu acordava, suada e tremendo, o quarto coberto de gelo, às vezes com alguns móveis pregados no teto e outros queimados.Era uma sorte que os yetis limpavam o tudo e não se importavam em colocar móveis novos todas as vezes.Ficar naquele lugar estava começando a me deixar doente, eu não queria mais 15 anos em um quarto remoendo o passado e o medo, essa não era eu, ao menos não mais.Anna enfrentou aquilo, Arendelle provavelmente foi inundada e ela ajudou nosso povo a reconstruir tudo, ela era forte.

 

Aquilo tinha que ter acontecido.

 

O refeitório da fábrica de North era uma bagunça completa, mas os yetis eram uma companhia no mínimo divertida enquanto tomava meu café da manhã.Eu acabara de tirar um pedaço de cereal do rabinho de cavalo de um deles quando uma janela nas minhas costas se abriu e logo em uma pequena nevasca o garoto de cabelos brancos estava de frente a mim, aquele sorriso prepotente no rosto enquanto mastigava uma maçã e pela agitação dos yetis ele acabara de roubar aquilo da cozinha.

 

- Bom dia, Elsa. - Ele disse jogando o resto da maçã no alto, congelando e então fazendo-a virar milhares de flocos de neve, revirei os olhos e continuei lendo um dos livros que peguei emprestado da biblioteca de North, estava me atualizando aos poucos sobre tudo de novo desse mundo moderno, desde a história, ciência e principalmente tecnologia.Era algo para se fazer, não pensar em Anna, nem em meu futuro, nem mesmo no fato de ser o quinto espírito. - O que você está lendo? - Ele deu a volta na mesa para olhar meu livro de física sobre Isaac Newton. - Nossa você consegue ser chata e certinha quando quer, não é? - Dei-lhe um olhar que poderia ser considerado fuzilador e ele se afastou o suficiente para que eu pudesse respirar novamente.Não que eu tivesse esquecido o pequeno gesto de Jack no natal, eu não era do tipo de pessoa ingrata, mas Frost sabia ser um pouco invasivo quando ele queria. - Então… - Ele observou a figura de uma bola sendo empurrada contra uma parede, com setas indicando as forças. - Eu vou levar o inverno em uma cidade que eu particularmente gosto muito, por que não vem comigo? - Ergui uma sobrancelha e Jack revirou os olhos, como se soubesse que eu faria aquilo. - Você não vai conseguir aprender tudo do mundo se continuar apenas lendo livros enclausurada dentro dessa fábrica, Elsa. - Ele se empoleirou no cajado e chutou meu livro.Abri e fechei a boca, eu era uma dama, não iria me rebaixar ao nível dele, mas não percebi quando usei um pequeno jato de gelo para derrubá-lo do cajado.Ele caiu com um baque surdo no chão e gargalhou, não ficou irado ou me amaldiçoou, apenas gargalhou. - Não é tão chata quanto pensei. - Ele se levantou, caminhando para pegar meu livro no chão.

 

- Idiota. - Murmurei e ele ergueu as sobrancelhas, as duas, perfeitamente alinhadas.

 

- Achei que não fosse falar comigo pelo resto do dia. - Ele entregou-me o livro em mãos, mantendo contato visual, um arrepio percorreu minha nuca e puxei o livro de suas mãos, não agradecendo, ele havia jogado no chão depois de tudo.

 

- E eu achei que você tinha responsabilidades. - Eu tecnicamente tinhas as minhas também, só estava escolhendo ignorar o que North me explicara, em algum momento teria de me tornar guardiã, fazer o juramento, tornar tudo oficial e eu nem sabia se queria aprender física quântica ainda quanto mais aprender qual o meu papel em proteger as crianças do mundo.

 

- Minhas responsabilidades também incluem não deixar você criar mofo aqui dentro. - Ofereci outro olhar matador a Jack que apenas sorriu de lado. - Vá se trocar e me encontre no pátio em 10 minutos. - E ele começou a caminhar para a saída, abri a boca e olhei incrédula enquanto ele descontraidamente assoviava.

 

- Quem foi que disse que eu iria com você? - Jack se virou quase no arco da porta, o sorriso ainda no canto dos lábios.

 

- Como se você fosse perder a oportunidade de voar comigo. - Abri a boca e Jack sumiu.Eu não queria voar com ele...Queria?Naqueles dias eu nem sabia o que queria de qualquer forma, o homem na lua foi muito prático em não apenas me tirar de meu reino mas também colocar uma barreira de 200 anos de distância entre minha casa e eu.Suspirei olhando uma última vez a explicação da terceira lei de Newton, tinha de haver uma maneira de voltar para casa.Tinha de haver e se havia...Talvez Jack soubesse, por mais sincero que ele parecesse quando nos conhecemos.

 

Fechei o livro.Okay eu iria voar com Jack Frost.Revisitar Gale poderia ser um bom caminho.

 

(...)

 

(Pov Jack)

 

Eu não sabia se ela viria, não é como se eu tivesse muita experiência com mulheres.Eu tive uma breve namorada antes de morrer no gelo, Ângela, cabelos pretos, olhos claros, não consigo me lembrar se eram verdes ou azuis e ela tinha um sorriso bonito.Nós até chegamos ao último estágio mas não era exatamente algo que me orgulhasse.Eu não gostava daquela garota, nem se quer me sentia atraído por ela, fiz porque achei que estivesse no tempo certo.Elsa era uma história bem diferente.

 

Quando aqueles olhos gelados encontravam os meus, algo esquentava em mim e ia direto para uma parte muita específica do corpo e quando ela andava, o balançar dos quadris dela...Fechei os olhos e senti os flocos de neve grudarem em minha testa, derretendo em minha pele quente.Eu não sabia se gostava de Elsa, mas uma coisa era certa, eu me sentia atraído por ela, não apenas porque ela era bonita como o inferno, mas também pela máscara dela, pela maneira que ela se impunha, como enfrentava tudo e todos, ela era uma rainha antes de tudo.

 

Quando ela surgiu pelo arco já estava completamente vestida em um casaco azul e leggin, além de um par de tênis all star, amarelos.Eu olhei incisivamente para os sapatos então para ela, sentindo a risada surgir no fundo de minha garganta.

 

- Cale a boca, foram os únicos sapatos quentes que achei no armário. - Dei de ombros com uma risada enquanto me ajoelhava no pátio para amarrar os cadarços dela.Ergui os olhos enquanto fazia meu trabalho e notei que ela prendera o cabelo em uma trança de lado, assim como naquela foto de família, deixava o rosto dela mais à mostra, estava linda, apesar dos tênis questionáveis.

 

- Está bonita. - Eu disse, sincero, completamente inocente e o rosto dela ficou um pouco vermelho nas bochechas, nunca pelo frio, eu sabia. - Então, a única regra que eu tenho sobre levar passageiros enquanto voo é muito simples:não solte meu moletom, eu só vou ter uma mão para te manter e se ela escorregar você cai. - Elsa me olhou atenta, ela seria uma boa aprendiz em uma aula de vôo, a concentração era impecável. - Não que eu não vá pegá-la caso você cair, mas mantenha-se firme em mim e não teremos problemas. - Ela assentiu. - Pronta? - Perguntei com um pequeno sorriso enquanto estendia os braços, imaginei que ela iria chutar minhas partes baixas por minha arrogância, mas ela apenas se aproximou com o rosto vermelho, enrolando o tecido de meu casaco azul entre os dedos, firmemente.O cheiro dela, o bolo de chocolate da mãe de Jaime que me perdoe, mas o cheiro dela era a coisa mais deliciosa que eu já havia sentido, o cabelo dela cheirava a baunilha e era tão brilhante a luz da manhã.

 

- Pronta. - Ela pigarreou quando notou minha falta de movimento e eu senti o rosto um pouco quente antes de erguer a mão e envolver a cintura dela, um pouco mais nas costas do que na cintura, não queria deixá-la desconfortável.Eu poderia ser muita coisa, mas um cafajeste não era uma.

 

- Seria a hora certa para dizer que você é a primeira passageira que transporto? - Perguntei erguendo o cajado e tive um breve vislumbre da boca dela aberta em protesto antes que o vento nos levasse para cima.Ela gritou, literalmente gritou quando alcançamos o ponto mais alto, o vento acariciando nossos rostos juntos o bastante para que eu pudesse sentir a respiração dela, o pouco cabelo solto da trança batendo em meu rosto.

 

- ME PÕE NO CHÃO, JACK FROST, AGORA! - Acredito que ela desejava estapear meu peito, mas estava muito preocupada em cair para soltar meu moletom.Eu apertei o braço em torno dela enquanto pedia ao vento para ir mais devagar, eu tinha companhia e era a primeira vez dela voando.

 

- Como você quer aprender a voar se tem medo de altura?  - Eu soltei uma risada baixa e ela ergueu o rosto do chão lá em baixo para olhar para mim, bem nos olhos e os olhos dela tinham uma fúria contida que fez uma parte do meu corpo responder quase instantaneamente.

 

- Não tenho medo de altura, você subiu rápido demais eu nem sinto minhas pernas. - Eu ri mais e estava quase completamente certo de que ela iria soltar uma mão só para me dar um tapa.

 

- Nós vamos devagar, vossa majestade...Tudo bem para você? - Apertei-a mais contra meu corpo, seu  quadril estava tocando o meu, assim como sua barriga e o calor deles me fez quase suspirar.

 

- Por favor. - Ela disse revirando os olhos.Sempre tão nervosinha, eu pensei mas não disse.Se eu dissesse ela provavelmente soltaria as duas mãos e me bateria, mesmo com o risco de queda.

 

A viagem iria levar um pouco mais do que o previsto já que estávamos indo devagar, não que eu me importasse, o calor e o cheiro dela eram o bastante para valer o esforço, a forma como ela se agarrava a mim também.Ela tinha mãos tão delicadas e pequenas, pareciam que poderiam quebrar ao menor toque.As minhas não eram assim, eram calejadas de subidas em árvores e também do cajado, com cicatrizes em alguns dedos.

 

Elsa parecia mais confortável do que eu imaginei em contato com o vento, o que facilitaria as coisas ao ensinar ela a voar.

 

Chegamos na cidade de Jaime, minha cidade, na hora do almoço.As crianças estavam todas em casa comendo o que quer que as mães tivessem preparado.Eu estava com fome, morrendo de fome na verdade então comprei combos, um para mim e um para Elsa.Ela olhou com estranheza para o MacDonalds na mão e olhou para mim que já estava na metade do meu.

 

- Somos guardiões, somos imortais, não precisamos comer, não engordamos, nem mesmo precisamos usar o banheiro se não quisermos.Mas algumas coisas como comida eu não acho que sejamos capazes de impedir o costume. - Ela parecia surpresa com a nova torrente de informações e olhou novamente para o sanduíche na mão dela. - Coma.É delicioso e como nós não engordamos podemos comer quanta besteira quisermos. - Terminei meu sanduíche e tirei as migalhas que tinham ficado no casaco.

 

- Eu imagino que essa seja a melhor parte para você. - Sorri quando ela disse antes de dar a primeira mordida e assentir com um sorriso de boca fechada, puro contentamento.Ela era fofa, isso eu tinha que admitir.

 

Jaime e as crianças ainda não haviam aparecido quando começamos a espalhar uma pequena nevasca.Os padrões de gelo dela eram muito diferentes dos meus, mais delicados, menos rebeldes, com mais forma e vida.Ela congelou as duas fontes da praça enquanto eu me ocupava de congelar o lago, uma bela diversão para as crianças patinarem.

 

- Hey Jack. - Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar e me virei no meio do caminho de criar um pequeno boneco de neve para decoração para receber Jaime nos braços, ele havia crescido, uns bons 15 centímetros desde o verão passado e parecia um pouco menos com um menino a cada dia.Pensar naquilo trazia um bolo para minha garganta.

 

- Hey garotão, como você está? - Me ajoelhei para tocar no ombro dele e olhar dentro daqueles olhos castanhos brincalhões.

 

- Eu estou ótimo, o North me deu um… - Ele parou de falar quando notou Elsa terminando meu boneco de neve logo atrás de mim.

 

- Wow quem é ela, Jack? - Ele pulou para olhar para Elsa por cima de meu ombro e ela soltou uma risadinha de prazer antes de se aproximar para falar com o menino.O perfume entorpecendo meus sentidos enquanto ela se inclinava.

 

- Olá meu nome é Elsa. - O menino olhou para mim com olhos estreitos e então para a loira a meu lado, fazendo os próprios cálculos mentais.

 

- Ela é sua namorada? - Eu nem precisei ver as bochechas de Elsa se tornarem vermelhas e soltei uma longa gargalhada antes de esfregar o cabelo de Jaime.

 

- Mais para colega de trabalho, garoto...O homem na lua escolheu ela como nova guardiã. - Jaime fez um biquinho de conclusão e sorriu para a loira que retribuiu o sorriso suavemente.

 

- Você é bonita pra caramba...Tipo muitão. - Elsa riu, ela realmente riu e eu acredito que tenha sido a primeira vez que eu ouvira ela rir de pura diversão.O som encheu meus ouvidos e me deixou zonzo.

 

- Obrigada. - Ela respondeu educadamente.Às vezes a educação de Elsa me dava nos nervos também.

 

- Se você chamar todo mundo em 10 minutos nós conseguimos brincar com vocês um pouco. - O menino imediatamente saiu correndo, desaparecendo na rua, gritando os amigos pelo nome enquanto amarrava o cachecol mais firmemente.Eles apareceram em questão de segundos, toda a turma reunida para uma sessão de bolas de neve, Elsa se mostrou uma adversária promissora na guerra entre meninos e meninas, mas de qualquer forma nós vencemos, mesmo que Elsa continuasse a me acusar de trapaça pelo resto de meus dias.

 

Era incrível de se observar a facilidade que ela tinha para lidar com as crianças, diferente de Toothiana que encontrou uma e quis mostrar dentes com gengiva e sangue, Elsa conseguia construir qualquer brinquedo ou instrumento que eles pedissem com gelo.Algo que eu não seria capaz de fazer, nunca.Talvez essa fosse a maior diferença entre nós, o poder dela podia ser concentrado, transformado, modelado.O meu era rebelde e de uma beleza exótica, dotado de uma força bruta.

 

- Ela não é mesmo sua namorada? - Perguntou Jaime se sentando ao meu lado enquanto eu observava Elsa construir um unicórnio em tamanho real para Cupcake, eu sorri para o menino e neguei com a cabeça. - Então por que você fica olhando para ela com essa cara de idiota? - Gargalhei dessa vez antes de me levantar e ajudar o menino a descer do monte de neve que estava sentado.

 

- Porque ela é bonita e gentil.São coisas raras nos dias de hoje. - Jaime concordou sem palavras. - E nós temos que ir.

 

- Podemos ir patinar no lago antes de vocês irem, por favor, por favor. - Sorri, porque eu provavelmente nunca conseguiria negar nada àquele menino, não ao primeiro menino que acreditou em mim.

 

- 10 minutos. - Eu avisei e ele gritou animado, correndo para os amigos enquanto eu me aproximava de Elsa. - Espero que você saiba patinar. - Ela assustou-se com minha repentina aproximação, ocupada em terminar o unicórnio que ficou perfeito.A loira ergueu uma sobrancelha e sorriu com o canto dos lábios.

 

- Eu espero que VOCÊ, saiba patinar, Jack Frost. - Fiz o mesmo que ela, erguendo as sobrancelhas e cruzando os braços.

 

- Está me desafiando? - Ela deu de ombros caminhando para perto do lago congelado, os sapatos dela foram substituídos por patins de gelo graciosos em um momento. - Pode fazer um par desses para mim também? - Eu esperava a risada que se seguiu antes de um par idêntico aparecer em meus pés.Ela passou por mim em uma quase cambalhota, oferecendo-me uma piscadinha antes de seguir o caminho do pequeno lago.

 

Eu sorri, sorri de uma maneira que não fazia a muito tempo antes de segui-la.

 

As crianças vieram caindo animadas pelo caminho, todos tentando acompanhar os movimentos de Elsa, ela era muito boa, com uma graciosidade que eu só vira em patinadoras profissionais em New York.O lago não era muito grande então o fato de eu estar ao lado dela a quase todo momento não era muito suspeito.

 

Ela realmente me atraía.Elsa sorria para mim e eu quase me desequilibrava nos patins, o sorriso trazia algo engraçado para o fundo de meu estômago, como se houvesse um pequeno esquilo brincando ali.Ela era muito bonita, isso era evidente, mas era algo além disso porque nenhuma mulher bonita nunca causou aquela sensação estranha em mim.Ela era especial...Não apenas porque as crianças podiam vê-la, acreditavam nela por algum motivo, mas também porque dentro dela, algo dentro dela revelava que ela era mais que um rosto bonito com poderes de gelo e neve.Ela era algo mais.

 

- Pense rápido, Jack Frost. - Ela passou por mim com uma rapidez surpreendente e então levei uma bola de neve na cabeça.Olhei incrédulo para Elsa enquanto todos apontavam para mim e riam até as barrigas doerem.Ela estava agora inclinada sobre as pernas, o rosto vermelho de tanto rir.Eu virara a piada, inacreditável.

 

- Engraçadinha. - Me aproximei da loira com uma falsa expressão zangada e ela fez um pequeno bico com os lábios que eu apenas pude considerar adorável.

 

- Não fique tão bravo, Jack. - Ela riu suavemente enquanto voltava a patinar, empurrando as costas de Jaime para que ele não caísse.Eu sorri um pouco, eu estava feliz que ao menos hoje ela não estivesse dentro daquela fábrica, pensando apenas na mágoa, no luto e em Isaac Newton.Talvez eu pudesse ensinar a rainha do gelo como se divertir de vez em quando.

 

- Isso vai ter volta, Else. - Passei por ela com os olhos estreitos e a loira franziu as sobrancelhas para o apelido que eu acabara de criar.Me questionei se ela algum dia tivera um apelido e pelo sorriso tímido que ela me deu logo depois...Eu percebi que não.

 

(...)

 

(Pov Elsa)

 

Minhas pernas ardiam, realmente ardiam, como se eu acabasse de correr uma maratona, fazia anos que eu não patinava, mais de 200 segundo os cálculos de North e eu não sei se foi por isso ou pelo fato de que patinar com crianças fosse um nível além do exaustante.Tirei os patins e estiquei as pernas em cima de um pequeno forte de neve que as crianças tinham construído, meus pés alcançaram o frio e eu suspirei com a sensação.A rainha de Arendelle se perguntaria porque Jack andava descalço o tempo todo, o quinto espírito o entendia completamente, nada se comparava a sentir o chão, a grama ou a neve com os próprios pés.Eu ainda era uma mistura dos dois e ainda estava aprendendo a conciliar minha mania de sapatos com o desejo de sentir o solo.Assim como ainda me negava a entrar naquele pequeno compartimento dentro de mim que guardava todo aquele poder primitivo e maravilhoso, mas que ainda não tinha coragem de testar.Eu sabia da conexão, sabia que podia senti-los, sabia o quanto era perigoso reprimir os pequenos dons que me deram, mas eu já tinha coisas demais fervilhando em minha cabeça.

 

Senti o cheiro dele antes que ele se sentasse, Jack Frost tinha um cheiro bem característico que eu ainda não conseguia identificar completamente, como pinheiros e algo mais.Senti o forte ceder um pouco mais e abri os olhos para olhar para o garoto ao meu lado, ele não estava sorrindo, apenas olhando para as crianças ainda brincando de bolas de neve na vala ali embaixo.

 

- Essa é a melhor parte do trabalho. - Ele disse enquanto um suspiro curto saía de sua boca. - Perceber o quanto somos importantes para a felicidade das crianças, mais do que um brinquedo novo. - Assenti, mesmo que ainda não conseguisse entender completamente o que ele queria dizer, eu gostava de crianças mais do que poderia dizer, elas não julgavam.Mesmo depois de descongelar Arendelle e fazer o verão voltar os adultos ainda me olhavam estranho, como se tivessem medo de que eu caísse novamente em um poço de desespero e trouxesse outro inverno, talvez no meio do outono.As crianças não, elas amavam meus poderes, sempre queriam ver mais deles, ver neve no meio do verão ou ter fogos de artifício coloridos no céu sem motivo algum.Crianças eram minha maior companhia em Arendelle depois de...Suspirei com um peso no centro de meu peito.Meus olhos caíram para Jack que ainda observava as crianças e deixei as palavras saírem.

 

- Não há como voltar para casa, não é? - O menino albino suspirou, ruidosamente e fechou os olhos, os lábios comprimidos antes de se virar para mim.

 

- Se houvesse Elsa, eu te levaria nesse exato momento, mas não tenho ideia de como. - As expressões dele tornaram-se um pouco pesadas enquanto observava a tristeza que provavelmente se instalara em meu rosto e principalmente em meus olhos. - Eu também trocaria a imortalidade para estar em casa novamente. - Ele se calou por um momento e enquanto observava sua hesitação percebi que o que estava prestes a me dizer ele não dissera a ninguém. - Eu morri congelado, para salvar minha irmãzinha. - As palavras saíram tão baixas que quase não as ouvi e um bolo se formou em minha garganta enquanto Jack abraçava o cajado, olhando para o nada. - Nós estávamos tentando patinar e caímos no gelo fino do lago.Foi por isso que o homem na lua me escolheu, porque eu me sacrifiquei por ela.Mas você pode ter certeza que eu trocaria tudo isso apenas por mais um dia com ela. - Ergui a mão para tocar seu ombro, um reflexo e então a puxei de volta, repousando-a sobre meu colo.

 

- Sinto muito, Jack. - Sussurrei e ele olhou para mim novamente, com um pequeno sorriso, como se aquilo não mais o afetasse mas é claro que afetava.

 

- Está tudo bem, Else. - Seus olhos brilhavam, não em lágrimas, apenas brilhavam como se tivessem pequenos flocos de neve.

 

- Eu apenas queria ter dito adeus. - Não sabia o porquê de estar revelando minha vida a um estranho, talvez falar tirasse um pouco do peso de meu peito ou talvez fossem apenas aqueles olhos brilhantes que estivessem traindo minha razão. - Ela fez tudo por mim, ela enterrou nossos pais sozinha enquanto eu me escondia no quarto e quando eu enlouqueci porque todos souberam de meus poderes...Foi ela quem veio atrás de mim, sempre ela. - Minha garganta apertou e foi com alívio que senti a mão livre de Jack segurar a minha, um toque delicado e que não tive coragem de rejeitar, a mão dele não era gelada, na verdade era morna e afastou qualquer frio imaginário que eu imaginava estar ali. - Meus pais morreram tentando descobrir de onde minha magia vinha e eu nem sequer tive a chance de contar a verdade para Anna, que ela estava certa durante todo aquele tempo. - Jack franziu suavemente as sobrancelhas, percorrendo a língua pelo lábio superior.

 

- Foi por isso que você estava… - Ele quase disse morta. - Congelada? - Assenti devagar e fechei os olhos novamente, sentindo uma brisa fria empurrar meu cabelo para trás.

 

- Eu morri logo depois que descobri que sou o quinto espírito da floresta. - Confusão se instalou no rosto de Jack e um pequeno bolo se formou em minha garganta.Minha mão começou a esquentar e tranquei aqueles poderes mais firmemente. - Basicamente, minha mãe salvou meu pai, o inimigo dela e os espíritos a presentearam com as filhas que seriam a ponte para a magia, o quinto espírito.Eu deveria estar lá, deveria impedir que Arendelle fosse inundada por erros do passado e que Anna tivesse que lidar com tudo sozinha novamente. - O garoto ficou em silêncio por um momento e enquanto ele permanecia sem dizer nada, as expressões sérias, parecia que envelhecera 10 anos, assemelhando-se muito mais a um homem do que a um garoto de pouco menos de 18 anos.

 

- Não é sua culpa, Else...Eu sei que nós temos a grande mania de acreditar que tudo seria diferente se tivéssemos feito algo a mais, mas não é sua culpa. - Ele apertou minha mão uma última vez antes de afastar a dele, a sensação de vazio que aquilo causou quase me fez arregalar os olhos. - Eu ainda estou aprendendo a lidar com o quão egoísta o homem na lua é. - O albino levantou os olhos para o céu e sorriu, fazendo-o parecer jovem novamente. - Sem ofensas, cara. - Sorri, não foi um sorriso feliz, apenas um sorriso aliviado que eu não estava sozinha, não era a única com luto para sentir e nem mesmo era a única que queria voltar para casa.Eu teria que aprender a lidar, mesmo que meu corpo lutasse com cada palavra, apenas desejando se enfiar na neve e cavar até os 200 anos que me separavam de minha irmã.Eu tinha que acreditar que a dor iria diminuir.Jack olhou para mim, como se entendesse, ele também tinha seus demônios e não me julgava.Pela primeira vez desde que deixara meu tempo senti um genuíno conforto.

 

Foi com surpresa, porém, que ouvi Jaime gritar da vala e observar Cupcake com uma enorme bola de neve, quase do tamanho de minha cabeça.Arregalei os olhos, mas nem sequer tive tempo de gritar Jack antes que a bola fosse arremessada e batesse no monte que estávamos sentados.

 

O forte tremeu e desabou.Eu e Jack rolamos para trás como dois galhos mas não aterrissei na neve, o que aterrissei era firme mas macio e até quente.Abri os olhos, apenas para encontrar os olhos de Jack Frost logo abaixo dos meus, eu...Eu estava em cima dele.Meu coração começou a bater tão forte que acreditei que ele poderia ouvir mesmo estando a alguns centímetros seguros de distância.Sua respiração estava quente contra meu rosto e ele...Ele estava encarando minha boca, algo quente se instalou entre minhas pernas e arregalei os olhos com a sensação antes de pular de cima dele para a neve ao lado.

 

Jack soltou uma longa gargalhada, provavelmente por meu rosto quente.Entretanto não parei para olhar, apenas continuei caminhando e pisando firme.Eu sentia que minhas mãos estavam tremendo e aquela sensação quente ainda não tinha passado.

 

- Eu sei que sou irresistível, Else, mas não precisava montar em mim. - Meu rosto esquentou mais e eu sabia que ele sabia.Fechei os olhos e sorri quando ouvi seu grito.Uma bola de neve do tamanho de um caminhão acabara de aterrissar em cima dele.

 

Eu venci essa rodada.

 



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