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História I can see the stars - Capítulo 31


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Notas do Autor


Olá (◕‿◕✿) Espero que todos estejam bem!! Eu nem acredito que estou postando tão rápido, é uma surpresa até para mim KKKK Enfim, esse pedacinho de cap deveria ter ficado no outro, mas, como iria passar dos 10k de palavras, resolvi separar para facilitar... E me perdoem pelos erros de português!!
Boa leitura e espero que vocês não me matem. (☉‿☉✿)

Capítulo 31 - Inimigo


   Quando abri meus olhos, Lawliet já estava se encontrava sentado, abraçando seus joelhos e com o polegar na boca, sempre o direito. Não me notou acordar, e fitava o horizonte como se estivesse vendo o mar, tirando o fato de que a cabana estava totalmente fechada. O teto de lona transparente tinha sido trocado, então os raios não adentravam... Não sei como ele trocou, mas considerando que estou falando do L, não duvido de nada. Bocejei, e então finalmente notou minha presença. Tirou seu polegar da boca e suavemente começou a se remexer de um lado para o outro como um boneco que bate e volta. Parecia absorto em sua própria maré de pensamentos, e talvez inquieto. Talvez estivesse indo naquele local que eu não posso acessar, a parte de sua mente que está engolida por uma névoa... A parte mais misteriosa daquele inglês.

─ Me desculpa por ontem... ─ Me disse sem me olhar, antes que eu pudesse proferir um “bom dia”. Pisquei forte, finalmente me recordando com mais clareza dos acontecimentos. Senti um sentimento engraçado, na verdade uma junção de vários... mas nenhum deles era algo digno de se pedir desculpas. Todos eram mais ligados a uma adimiração pelo Lawliet que eu vi se desdobrar bem diante dos meus olhos ontem à noite quase como se fosse uma miragem. Acho que cada vez mais eu sentia como se L tivesse muito mais experiência na vida, como se já tivesse visto de tudo, enquanto eu nunca nem sequer saí do Japão, da minha bolha. E, talvez, eu sentisse só um pouco de constrangimento por ter ficado tão sem reação. Mas nada dissoera particularmente ruim ou deveria fazê-lo se sentir mal. Então, eu me sentei com um solavanco e me esgueirei para perto dele. Beijei as costas de uma das suas mãos que segurava o joelho. A cada dia eu sentia menos receio de fazer coisas físicas, mesmo que mínimas. Ele tinha parado totalmente de me afastar ou de parecer incomodado.

─ Não tem nada para pedir desculpas.

─ Claro que tem, Light-kun... você não estava confortável... Eu achava que aquilo era o que você queria. ─ L deu uma pausa, olhando para as pontas dos seus dedos dos pés e depois me encarando. ─ E eu fiz aquilo, mas nem sei se você gosta de garotos.

Eu arqueei minha sobrancelha, pensando se ele estava brincando ou não. Concluí que não, pois a preocupação fazia sua voz ficar com um registro levemente descompassado, fazendo o volume variar a cada palavra. Está aí outra coisa que eu nunca o vi fazer antes. Eu dei um riso leve.

─ Essa é a sua preocupação? Eu gosto de você. Você é um garoto. A matemática não é tão complicada. ─ Era verdade, mas eu não esperava que minha resposta fosse tão instantânea e instintiva.

─ Eu sempre achei que no fundo você gostava de meninas, e no fim, se daria conta disso em algum momento enquanto estivesse comigo. Mas parando para pensar, você tem uma coleção de sapatênis...

─ Qual seu problema com meus sapatênis? ─ Franzi o cenho. Isso pareceu quebrar um pouco da tensão que ele estava sentindo.

─ Nenhum, Light-kun. ─ Me deu um sorriso travesso, depois respirou fundo. ─ Então eu acho que eu não agi de maneira parecida com os garotos que você está acostumado?

─ Como assim?

 Ele semicerrou os olhos e me encarou como se eu fosse burro.

─ Os garotos que você já esteve antes. Atos sexuais. Você parecia desconfortável comigo.

Senti que eu ficava levemente vermelho.

─ Eu nunca estive com nenhum garoto. ─ eu digo com um certo cuidado, como se ele pudesse se aborrecer.

Ele permaneceu me olhando, e colocou seu dedão na boca. Parecia genuinamente surpreso.

─ Você está brincando. ─ Lawliet finalmente voltou a me encarar,e eu não consegui discernir se era uma pergunta ou uma afirmação.

  Uma pontada de ciúme me cingiu com a maneira com a qual L parecia tratar daquele assunto de maneira tão... natural? Só tínhamos dois anos e meio de diferença, mas eu me senti quase um pré-adolescente pela maneira cômica que ele me encarou. Eu sei que Lawliet já passou por vários traumas, tantos dos quais não tenho conhecimento. Mas, ele também era muito mais que isso e esse era um fato que às vezes alguém que convive com uma pessoa traumatizada pode esquecer. Que alguém é sempre muito mais do que as coisas que aconteceram com ela.

─ Você já esteve com garotos antes?

─ Eu achava que isso era bem óbvio.

─ Não é. Não mesmo. Eu achava que você era...

─ Virgem... ─ ele me completou. ─ Você é virgem?

─ Você não me respondeu.─ Eu permaneci observando suas orbes irem para o fundo de sua memória, e ele deu um sorriso nostálgico

─ Não sou virgem.

─ Então você só esteve com um garoto antes? ─ Eu insisti na minha busca por informações, mesmo correndo o risco de L simplesmente se irritar e me ignorar. Era muito estúpido sentir ciúme de algo tão intransponível quanto o passado. Mas o que posso fazer? É mais forte que eu.

─ Gênero nunca foi importante para mim. ─ me respondeu de uma maneira muito séria, como se fosse uma entrevista de emprego, ainda que tivesse entendido mala pergunta. Eu quis dizer se ele esteve apenas com uma pessoa antes de mim e não se foi apenas meninos, mas resolvi não repetir. Suspirei. Me sentei ao seu lado e também abracei meus joelhos. Depois de alguns segundos, ele pensou bem e completou: ─ Eu só tive uma relação antes de você... Esqueci a palavra em japonês.

─ Namorado?

 Ele assentiu como se essa fosse a palavra mais próxima que poderia encontrar no nomento. Continuei olhando, esperançoso que ele me desse mais informações. Literalmente qualquer uma. Ficou quieto.

─ Como era o nome dele? ─ Não aguentei, era uma informação surpreendente, de certa forma. Por outro lado, talvez não. Lawliet deitou a cabeça nos joelhos.

─ Alex. ─ basicamente sussurrou. O gosto do nome na sualíngua parecia um tanto intragável, e eu não tive coragem de perguntar mais nada. Não porque eu não quisesse saber, mas sim porque eu achava que não era o momento para um interrogatório. Pelo menos por enquanto.

─ É só que, eu não achava que... ah, sei lá, L, você tem que admitir que você parece um saco de batata.

 Ele soltou um risinho e olhou para o chão como se estivesse se imaginando vestido como uma batata gigante em um saco.

─ E o que isso significa?

─ Significa que, quando alguém olha para você, não consegue pensar que é uma pessoa sexual.

─ Você está julgando um livro pela capa.

─ Você me julga o tempo todo! ─ eu cruzei os braços.

─ Não é julgamento, Light-kun, é estatística. Quando te conheci, tinha 58% porcento de certezaque você era gay. Depois isso diminuiu...

Eu cruzei meus braços sem saber direito o que sentir.

─ E por quê?

─ Nenhuma razão em particular

─ Você mente melhor que isso...

─ Takada me disse que você transou com a Misa.

─ Traíra...─ Balancei minha cabeça em negação. Se bem que eu sei que provavlemente não posso culpá-la, L consegue ser bem persuasivo, mas de uma maneira não-óbvia. Você não faz ideia de que está sendo manipulado até ele conseguir o que quer. ─ Espera, então você sabia que eu não sou virgem.

─ Sim, Light-kun ─sorriu com o canto dos lábios. ─ O segredo é sempre estar um passo a frente dos seus inimigos.

─ Eu sou seu inimigo? ─ Devolvi o sorriso.

─ Por que você acha que eu te mantenho tão próximo?

─ “Mantenha seus amigos próximos, mas seus inimigos mais ainda” ─ balancei a cabeça e lancei um olhar de reprovação. ─ Muito clichê, esperava mais de você.

─ Engraçado que é isso que eu geralmente penso quando você faz algo...

─ Se você falar “almofadinha” de novo, eu vou terminar o que comecei ontem e te afogar.─ levantei minha cabeça, esticando as pernas. ─ Meu caro inimigo.

Ele me deu um micro sorriso satisfeito

─ A questão é que... Você não fez nada de errado ontem. Eu só estava surpreso e não esperava que você confiasse tanto em mim. ─ eu disse, um tanto hesitante. ─ Eu gostei de estar com você ontem, de verdade. Mas não precisa tentar me agradar se sentindo desconfortável.

─ Não me sinto. ─ Ele me rebateu. ─ Quer dizer, pelo menos não me senti ontem. Eu me senti de uma maneira que não sentia há alguns anos. Estava tudo certo e acho que me deixei levar de uma maneira que nem percebi o quanto eu estava... Diferente do que você conhece de mim. Era quase como...

─ Como se eu fosse Alex? ─ Arrisquei, ao mesmo tempo enciumado e um tanto satisfeito? Saber que eu parecia ou que sustetava em L o mesmo sentimento que um namorado era uma prova de que eu estava muitos passos à frente do que achava que estava.

Ele assentiu.

─ Em qual sentido me acha parecido com ele?

─ Não é nada físico. Nem particularmente nada na personalidade. ─ suspirou, deixando seus ombros caírem. ─ Você é um diferente agradável. Eu não sei.

─ Agradável? Achava que você só me mantinha por perto porque eu era seu inimigo...

─ É agradável te corromper. Só isso. Não fique se achando, você não precisa de mais ninguém enchendo seu ego, menino dourado.

 Aproximei-me, encostando nossos ombros. Não me sentia com tanta vergonha agora. Incrível como minhas emoções são uma verdadeira montanha russa. Eu me senti incrível.

─ Pois saiba que eu acho você agradável. ─ lhe disse tentando transparecer todos os duplos sentidos da palavra.

Achava que eu o deixaria, mas ele me deu um sorriso satisfeito.

─ Sim, eu sou melhor que ela, não sou?  ─ Lawliet estalou a língua com um desdém que eu nunca vi ele usando. ─ E você não é muito difícil de agradar.

Eu automaticamente franzi minha sobrancelha.

─ Como é que é?

─Sou melhor que Misa. ─ Lawliet tateou chão ao redor dele procurando o elástico de cabelo que deve ter caído enquanto dormia. ─ Como eu disse, estatísticamente, vocêé previsível. Seus pontos fracos são todos os que eu deduzi previamente.

─ E depois eu que tenho um ego inchado.

─ Então você nega que eu sou melhor que ela?

 Eu fiquei a milímetros da sua face antes de responder

─ Ah, não. Você é esplendidamente incrível. ─ Finalmente eu notei uma leve vermelhidão nas suas bochechas, e ele, ao contrário de mim, se inclinou para trás. Essa era aminha chance, e eu me aproximei. Era muito estranho que ele aparentasse ser tão absurdamente desinibido ontem à noite e agora ficasse vermelho com um simples comentário. Enfim, sempre imprevisível. Mas não importava. O que importava era que eu (ainda) estava irracionalmente irritado com qualquer menino que pudesse ter tocado nele antes de mim, por mais que isso não faça nenhum sentido, e que eu queria, também, ser melhor  melhor que seu ex... Na verdade eu queria ser tão bom que ele sequer poderia pensar em nos comparar. E também importava que eu queria isso de novo. E que eu queria ele inteiro para mim de uma maneira que eu realmente precisa de um esforço para não agarrá-lo ali mesmo. Não só fisicamente, não só emocionalmente, eu queria Lawliet de uma maneira quase que espiritual.

 Mas é sobre isso, não é? Encontrar alguém que faz parte da sua alma, mesmo que essa pessoa te irrite tanto às vezes que você só tenha vontade de esganá-la.

Se for de outro jeito, não tem graça.

─ Espero que você saiba que eu não pretendo deixar você ganhar novamente. Posso ser previsível, mas isso não significa que eu não sou eficiente.

 Lawliet esboçou uma reação indecifrável e Naomi emergiu como um furacão e praticamente arrancou a porta da nossa cabana antes que eu pudesse interpretar as feições do inglês.

─ Light Yagami! ─ Ela apontou para mim ─ Eu vou te matar.

 Eu suspirei e ignorei o olhar de nojo que ela cravou em mim ao perceber que eu estava a centímetros do rosto de Lawliet, que, por sua vez, parecia genuinamente frustrado com a interrupção, o que me fez ficar feliz, de certa forma.

─ Mas o que é que eu posso ter feito, Naomi? Eu mal saí dessa cabana.

─ Exatamete. Você se esqueceu de tirar nossa comida do porta malas e agora TUDO está estragado por conta do calor! Não fique aí parado, você tem que ir com Takada buscar mais.

 Eu soltei um grunhido baixo, e à contragosto me levantei usando meus joelhos como apoio. Eu sabia que se não acalmasse a fera, ela só ficaria mais e mais ardente como o fogo numa mata seca. Lawliet me olhou  com os olhos tremendo por uma fração de segundo, e eu quis perguntar o porquê, mas Naomi me puxou pelo braço antes que eu pudesse falar.

[...]

 A partir daí, tudo aconteceu muito rápido. De verdade, relatando agora, eu mal lembro com clareza dos detalhes de como tudo foi ao fundo do poço e eu finalmente paguei por todos os meus pecados. Enfim, vamos do começo.

 Eu e Kyomi viajamos por 25 minutos até achar um posto de gasolina com conveniência. Agarramos quaisquer porcarias que nós conseguimos pegar (uma verdadeira bomba de sódio e de gorduras hidrogenadas. Vou te contar, essa alimentação ainda vai matar a geração Z). No carro, eu sentia o cheiro de litoral e o sol escaldante me fazia sentir quase totalmente bem. Bem como eu não me sentia há muito tempo. É irônico, porque, logo em seguida, eu sentiria as piores combinações de sentimentos que já senti na vida.

─ Onde está o L? Trouxe um pedaço de torta para ele ─ Eu praticamente gritei enquanto Naomi saía do mar com uma daquelas roupas de surfistas, com o único detalhe que a vestimenta dela era totalmente coberta por desenhinhos de caveiras. Enfim, detalhes inúteis que me recordo. Me lembro de olhar para as caveirinhas enquanto ela se aproximava, atentamente. Me lembro da sensação de paz que irrompia no meu peito. ─ Ele disse que ia tirar um cochilo enquanto vocês não voltavam... ─ Eu completei enquanto remexia na sacola que eu segurava, procurando pelo doce. Naomi ficou quieta por tempo o suficiente para eu parar de procurare olhá-la nos olhos. Sua expressão se desfez.

─ Ele não está tirando um cohilo, Light. Ele me pediu para colocá-lo sentado no local onde estávamos jogando cartas ontem e eu saí por cinco minutos para tomar um mergulho.

Senti todo o ar sumir.

Corremos para a cabana e constatamos; L realmente não estava lá.

 Ele não estava em lugar algum daquela praia.


Notas Finais


E então? Todo mundo pronto para ver o circo pegando fogo?
Comentem o que acham que vai acontecer e teorias (comentários = autora feliz) ヽ(^◇^*)/
Obrigada por ler!!


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