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História I Can ('t) See - Capítulo 6


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Notas do Autor


Leiam as notas finais pfv

Capítulo 6 - Dozy


Se Chenle se sentiu mal por ter sido deixado sozinho pelo casal, agora explodia em felicidade com tanto carinho que recebia. Quando ambos os garotos chegaram a sala e avistaram o chinês, perceberam que havia esquecido completamente que ele os esperava no dia anterior, e Donghyuck logo se pôs a abraçar apertado o Zhong, enquanto Mark lhe fazia um carinho afetuoso no cabelo.

- Eu sabia que tava esquecendo de algo. - O moreno choramingou, esfregando o rosto no braço do amigo. - Mark disse que era loucura minha.

- Pelo menos vocês lembraram agora. - Chenle pontuou. Donghyuck levantou a cabeça rapidamente.

- Você ficou completamente sozinho? - A voz carregada de preocupação. Parecia até que sabia de sua falta de visão.

- Não. Jaemin esteve comigo, e me apresentou ao Renjun.

- Foi pior do que imaginei, Minhyung! - Voltou a choramingar, apertando mais ainda o corpo pequeno nos braços. Mark riu.

- Eles são legais, você sabe disso, Hyuck.

E pronto. Foi o suficiente para que Donghyuck lhe soltasse e os Lee começassem a discutir. Chenle achava graça. Eram como fogo e água, mas ambos tinham uma intensidade forte juntos, talvez por parecer tão impossível de dar certo; no final, dava mais do que certo.

- Bom dia, Zhong Chenle.

Analisou minuciosamente o garoto que havia lhe cumprimentado, não conseguindo pensar em ninguém que já havia conhecido em sua sala. Não havia absolutamente nada nele que já poderia ter visto antes. A voz não lhe era estranha, mas não conseguia reconhecer. Claro que, respondeu de volta de maneira mais avoada possível, já que estava ocupado demais tentando lembrar. Poderia ser Jeno? Não, ele era mais alto. Renjun, talvez? Se fosse, o livro laranja estaria lá.

- Ei, que cara estranha é essa? - Donghyuck lhe encarava.

- Só pensando. - Deu de ombros, como se não fosse nada. Suspirou pesado.

- Se anima. - Mark levantou seus braços, balançando com energia. - O primeiro tempo é Educação Física.

- Ai, amor. - O Lee mais novo iniciou uma reclamação, apoiando a cabeça na mesa. - Quem aguenta? Suar deveria ser crime.

- Você tem que exercitar essa sua bunda gorda.

- Não foi esse o insulto que você usou ontem a noite.

- E qual foi? - Chenle perguntou inocente, e uma gargalhada estrondosa saiu da boca de Donghyuck.

- Eu não acredito que disse isso na frente dele. - Mark reclamou, levando as mãos ao rosto, abafando a risada.

- Ei, eu não tô achando graça. - O chinês cruzou os braços, emburrado.

- Ok, chega dessa conversa. Vamos logo pro ginásio.

Donghyuck empurrou o corpo do namorado para fora da sala, tendo o Zhong os seguindo logo atrás. Chenle estava emburrado. Poxa, não era tão esperto assim para pegar as ideias jogadas no ar dessa forma. Queria saber o que era tão engraçado.

- Merda, tá cheio de gente. - O Lee mais novo resmungou, olhando para dentro do vestuário.

- A aula já vai começar, vamos logo! - Mark apressou.

Um cheiro forte de suor faz com que Chenle fizesse uma careta desgostosa. Haviam muitos meninos ali; semi nus. E pela primeira vez, quis que a sua cegueira não fosse somente facial, assim não ia se sentir tão envergonhado. Nunca pensou que fosse ser tão difícil encarar Mark ou Donghyuck.

- Chenle, tá tudo bem? - Mark já não usava mais sua camisa grande, e foi o suficiente para que o Zhong mantivesse o olhar colado no chão.

- Larga de ser tapado, Mark. - Donghyuck atingiu o rosto do canadense com uma roupa. - Veste isso aí, ele tá com vergonha.

Aos poucos o ambiente ia esvaziando, e o ar quente amenizava. As vozes e gritos que ecoavam do ginásio indicavam que a aula estava prestes a começar, mas, Chenle ao menos havia tirado sua blusa. A vergonha que sentia lhe impedia até mesmo de tirar o tênis.

- Nós podemos esperar lá fora e garantir que ninguém vai entrar. - Hyuck sugeriu. - Mas, não vamos poder fazer isso sempre, então, você tem que se acostumar, combinado?

Ambos os garotos saíram, não antes de Mark dizer que qualquer coisa era só gritar. Chenle pensou enquanto trocava suas roupas que as coisas ali eram totalmente diferentes do que em sua casa, jamais precisou ficar semi nu na frente de Kun para algum exercício esportivo. Não que fosse um problema, já que tinham intimidade suficiente para isso.

Assim que se abaixou para pegar sua camisa na bolsa, um barulho alto ecoou pelo vestuário; Chenle congelou. Se levantou rapidamente, olhando em sua volta, e mantendo os olhos fixos na direção do barulho, entre os armários. O silêncio foi o suficiente para que o convencesse e voltasse a se abaixar. Mais uma vez o barulho se tornou audível, e o Zhong se levantou.

Um garoto estava ali, parado, perto de si. E antes que pudesse dizer alguma coisa, a mão grande tampou sua boca, e seus ombros se chocaram com o armário gelado, lhe fazendo soltar um grito esganiçado pela dor.

- Não grita. - A voz grave saiu em um sussurro.

Sua respiração estava desregulada, e os olhos já começavam a ficar embaçados e úmidos pelo desespero. Chenle olhou para a porta, aonde Mark e Donghyuck o esperava, muito provavelmente, e pediu desesperadamente por minutos que eles decidissem entrar. Voltou o olhar para o garoto, e sua visão focou somente nas mechas loiras; era o garoto daquele dia. Sentiu medo, assim como sentiu em seu primeiro dia.

- Se eu te soltar, você vai gritar?

Chenle negou freneticamente com a cabeça. Era mentira, claro, pois assim que o menino se afastou, o Zhong usou de toda a sua força para empurrá-lo.

- Mark! - O Zhong gritou estridente, enquanto pegava a camisa jogada no chão. - Donghyuck!

- Merda. - Resmungou o garoto, se levantando rapidamente.

Donghyuck e Mark entraram de uma vez no vestiário, e o garoto passou correndo entre eles, empurrando um para cada lado, se distanciando dali.

- Eu já sei, não precisa me dizer. - Mark suspirou esfregando as mãos no rosto, enquanto Donghyuck corria até Chenle.

- Se já sabe, então o que tá fazendo aqui ainda, inferno?! - Donghyuck parecia furioso. - Vai atrás dele!

Mark saiu correndo porta a fora, enquanto Haechan examinava o corpo de Chenle.

- Você tá bem? Ele te machucou? - O menor negou. - Quantas vezes eu já disse pro Mark controlar aquele pirralho. Pedi, e pedi. E você acha que ele fez alguma coisa?

- Hyuck, tá tudo bem comigo. - Tentou acalmar o amigo que já estava a ponto de explodir. Apesar de ainda se sentir assustado, estava preocupado com a saúde mental de Haechan. - Não precisa se estressar. - Levou as mãozinhas até os fios vermelhos.

- Ok. - Respirou fundo. - Você tá bem mesmo?

- Vivo, eu diria.

- O que ele queria com você? O que ele disse?

- Não sei... - Suspirou. - Não disse nada e nem fez nada.

- Se eu pego aquele menino, eu dou tanto tapa e-...

- Hyuck. - Chenle chamou. - Respira e inspira.

Donghyuck respirava fundo, as mãos ainda estavam em punho. Chenle pensou que jamais o veria tão nervoso, por isso tratou de vestir a camisa para que não vesse seus ombros machucados pelo baque. A adrenalina ainda percorria suas veias, mas de uma forma menos agressiva. Sua cabeça pesava de tantas perguntas que lhe enchiam, mas uma em especial era repetida por si;

O que aquele garoto queria, afinal?


...


A aula de gramática chegou ao fim, e Mark comemorou com uma dancinha engraçada, Chenle até o acompanharia, se seu corpo não estivesse doendo tanto pela aula de Educação Física, e seus ombros doloridos não o atrapalhasse. Donghyuck permanecia quieto e de braços cruzados. Ainda estava bravo com Mark.

- Eu vou ficar aqui. - Chenle anunciou. Estava dolorido demais para andar até o refeitório.

- Tem certeza? - Donghyuck parecia receoso.

- Qualquer coisa eu mando mensagem.

- Que tal eu comprar um bolo pra você, Hyuck? - Mark sugeriu, passando o braço pelos ombros do namorado.

- Eu não quero nada vindo de você. - Resmungou bravo em resposta, tirando o braço do canadense de si. - Vamos logo, Minhyung, antes que eu afunde sua cara nessa mesa.

Chenle desabou em cima da carteira, afundando o rosto entre seus braços, sentindo os músculos relaxarem aos poucos. A quanto tempo não fazia algum tipo de exercício ou corrida? Nunca foi muito esportivo, até porque, sua asma nunca lhe permitiu correr mais que dez minutos. Pelo menos havia trazido a bombinha no dia de hoje, nem tudo estava perdido, e ele ainda permanecia vivo.

Sentiu alguém próximo, o perfume que lhe atingiu não era familiar, então logo se pôs a ficar atento e tenso, mesmo que não tivesse levantado para olhar. Encolheu o pescoço assim que um afago se iniciou ali, os dedos gelados eram firmes. Chenle virou o rosto, apenas para saber quem era, já que estava gostando do carinho.

- Você parece assustado.

Era Renjun, então. O livro laranja apoiado acima da mesa de Chenle. Agora mais de perto, ele conseguia tornar o cheiro do Huang mais característico, algo como chá de laranja e hibisco. Pensou também, em como a mão de Renjun era mais firme, totalmente distante da delicadeza de Jaemin; não deixava de ser bom.

- O que faz aqui? - Perguntou sonolento, os dedos gelados faziam sua pele morna arrepiar aos poucos, o carinho lhe fazia perceber o quanto era sensível ali.

- Eu estudo aqui. - Renjun soltou risonho.

- Tem razão. - Soltou uma risadinha, que saiu de forma mais engraçada ainda pela bochecha gordinha espremida na mesa.

- Vim te mostrar algo. - O Huang se pronunciou depois de um longo tempo. Ou talvez não tivesse sido um tempo tão extenso e Chenle apenas tivesse ressonado.

Levantou a cabeça preguiçosamente, sentindo os músculos doloridos reclamarem. O Zhong se perdeu da realidade em minutos, quando começou a planejar a sua rotina após a escola, precisava urgentemente dormir mais cedo para ter uma boa noite de sono e conseguir assimilar pelo menos um por cento melhor os rostos.

- Vou começar a ler Dom Quixote. - Comentou o Huang, levantando o livro em um azul quase que lilás.

- Eu nunca li esse livro. - Chenle tombou a cabeça para o lado em confusão.

- Imagino que não. - Voltou a apoiar Dom Quixote a mesa, pegando o livro laranja. - Mas é que eu já terminei de ler esse, e eu queria que me reconhecesse, para poder me responder quando eu te desejar um bom dia.

Então era ele. Renjun quem havia falado consigo mais cedo. Droga! Como não havia reconhecido a voz?

- Foi Jaemin quem te contou? - Formou um biquinho em tristeza ao imaginar tal hipótese.

- Não. Ele sabe guardar segredo. - Renjun riu um pouco.

- É tão óbvio assim?

- Na verdade, não. - Renjun cruzou os braços pensativo. - De primeira, pensei que você tivesse miopia ou astigmatismo, porque assim que me viu, espremeu os olhos, assim como Jeno faz quando está sem as lentes de contato. Mas, quando cheguei mais perto, vi como seus olhos ficaram perdidos. Não sei ao certo o que você tem, e estou tranquilo se não quiser falar sobre isso.

- Obrigado por entender. - Chenle voltou a enterrar o rosto nos braços. - Não conte a ninguém, por favor.

- Contar o que? - Respondeu de maneira sarcástica, voltando a deslizar os dedos finos pela derme do pescoço do mais novo.

O afago ajudava Chenle a relaxar o corpo novamente, e as pálpebras pesadas pareciam impossíveis de se manterem abertas. O cheirinho que as roupas de Renjun soltavam toda vez que se mexia, deixava o Zhong confortável, remetia a sua mãe, que amava chá de laranja. Talvez ele não devesse se entregar a afagos tão fácil, como fez com Renjun e Jaemin, mas o que poderia fazer, se era uma pessoa movida a carência e afeto?

- Para de encher a porra do meu saco, Minhyung, eu já falei que-... - A voz de Donghyuck sumiu, o que fez Chenle levantar levemente a cabeça, como fez antes. Dessa vez, Renjun continuou o afago.

- A quanto tempo, Mark. - A voz de Renjun era calma.

- O que você tá fazendo aqui? - O tom rude de Haechan fez Chenle o estranhar.

- Eu estudo aqui. - A resposta fora a mesma que antes, e o Zhong sorriu pequeno.

- Você entendeu muito bem o que eu quis dizer.

- Apenas conversando com o Lele. - Voltou o olhar a Chenle, que quase dormia sentado.

- "Lele"? - Donghyuck perguntou indignado. - Por que tá tocando ele assim?

- Porque ele gosta. - Renjun sorriu.

- Hyuck, eu estou bem. - Chenle murmurou afundando em sono.

- É, amor. Ele tá bem, Renjun não vai fazer mal. - Mark puxou as mãos do namorado, tentando o levar para fora dali.

- Tá bem, me solta! - Ainda parecia bravo com o canadense. - Vamos comprar essa merda desse bolo, antes que eu faça você virar um.

Donghyuck olhou mais uma vez para Renjun, como se o ameaçasse mentalmente, antes de sair da sala, deixando-os sozinhos.

- Quer dormir? Eu te acordo quando for o momento. - A fala veio aos ouvidos do chinês mais novo de uma forma abafada, já que boa parte de seus sentidos estavam se desligando.

Chenle ao menos respondeu, somente se entregou ao sono.


Notas Finais


gente eu revisei, mas sei lá né, tô com sono, qualquer erro me avisem para mim corrigir, ok?

**Me digam quem vocês acham que é o marido do Kun, pra mim ver quantos corações eu irei quebrar kakskakska**


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