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  3. 9 de janeiro

História I do not love him - Capítulo 1


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Capítulo 1 - 9 de janeiro


Hermione abriu os olhos depois de um bom sonho, mas a realidade tendia a ser decepcionante. Não era ele ao seu lado da cama. Não era. Os cabelos não eram negros e a pele não era pálida, os cílios eram ruivos e a aliança escrita “voto perpétuo” queimava no dedo a cada flash do sonho.

Fazia alguns anos desde a guerra, desde então ela casou-se com o melhor amigo de infância e teve um bom emprego, além de conseguir a admiração dos Malfoy quando fora limpar ao nome deles e por, consequente, o nome do professor Severus Snape.

Pela primeira vez Harry a deixou ver as memórias e como ela saiu era êxtase acima de qualquer coisa. O homem desagradável, cometedor de bullying com os alunos nada mais era que um herói cujo refletia aquilo que passou.

Depois de limpar-lhe o nome e estabelecer uma lápide em Godric Hollows perto da única família que ele teve, Lilian Evans, Hermione passou de admiração a paixão platônica em questão de dias. Algumas vezes próximo a lareira ela pegava-se abraçando ao próprio corpo com os olhos fechados imaginando como seria abraçá-lo e agradecê-lo por tudo o que ele fez, e os noves de janeiro nunca mais foram o mesmo para ela quem se recusava sair do quarto olhando apenas para a janela e conversando em silêncio com o céu, pedindo que ele voltasse, voltasse para ela que ela lhe daria o amor que nunca recebeu.

Como de costume, ela virou as costas para o marido e abraçou-se tentando trazer ou pelo menos imaginar que fosse o calor dele próximo a ela. Mas a realidade tende a ser decepcionante pois o frio a invadia e fazia tremer

O ruivo pensando que a esposa estava realmente com frio, abraçou-a e pareceu que toda uma carga elétrica passou de um para o outro pois no instante seguinte ele estava assustado e ela estava em pé próximo a parede, encolhida. A realidade tende realmente a ser decepcionante.

Sem dizer uma palavra, ela trancou-se no banheiro e escorreu da porta até o chão, era a primeira vez que ela chorava por ele, e era a primeira vez que ela confessava a si mesmo que estava perdidamente apaixonada pelo seu ex professor. Mas o que podia fazer além de tomar um banho e tentar ter uma relação descente com o esposo?

Não, nem mesmo a água quente foi capaz de suprir a falta do calor que ela ansiava pelo seu abraço. Mas como haveria de recebê-lo?

Sabendo que não tinha como encarar ao marido do lado de fora do quarto, ela simplesmente chamou as roupas que precisava e a varinha. Saiu sem dizer uma só palavra em direção a ele que continuava na cama sentado, foi até longe das enfermarias e desaparatou.

O senhor e senhora Granger estavam colocando a mesa de café quando um pop estalou em seu quintal, a mulher logo preparou-se com a chave como ensinado pela filha diversas vezes quando a porta simplesmente abriu e Hermione passou chorosa por ela. Agarrada ao próprio corpo, as palavras de pranto eram inaudíveis nos braços do pai enquanto a mãe tentava retirar os fios de cabelo colados no rosto com lágrimas

- Eu... eu não... não o amo! – Foi a única coisa que a senhora Granger compreendeu antes do pranto novamente aumentar

Preocupados com a filha, o casal a guiou até o antigo quarto, onde todas as coisas permaneciam intocáveis, até mesmo a colcha rosé não havia saído. A senhora Granger jogou no chão a quantidade desnecessárias de almofadas e deixou os travesseiros, o senhor voltou aos corredores atrás de uma provável copo de agua e gelo, coisas que acalmavam-na quando pequena.

A mulher permaneceu com a cabeça dela deitada nas pernas enquanto sentia as lagrimas escorrerem e depois dos soluços e copos d’água, ela se pôs a perguntar

- Pode falar agora querida?

- Eu não o amo, mãe. Me dei conta essa manhã que eu não o amo. Eu cometi um erro e agora tenho que viver com ele pelo restante da minha vida. Eu não o amo.

- Oh querida, eu tenho certeza que isso é só uma fase, uma conversa com conselheiro e vocês se resolverão

- Não mãe, isso não é uma fase. E Ron não entende as profissões trouxas. É como da vez que o psicólogo disse que ele deveria ajudar em casa e quando chegamos, ele me ensinou feitiços de limpeza e disse que era para isso que serviam. Ou da vez que eu cheguei e a casa estava suja e ele disse que era o dever da bruxa saber pelo menos o básico

- aquele troglodita... – manifestou o pai

- Não, não adianta... é a forma que ele foi criado. Ginny é uma excelente dona de casa consegue dar conta também do empego e as fama. E ela também consegue amar ao Harry mas o meu problema é que a essa manhã eu percebi que não amo ao Ron. Somos bons amigos, excelente companheiros mas isso é tudo. Não há amor ali.

- E o que você ama, minha querida?

- Eu amo a liberdade. O cheiro de poções e humor ácido.

- Parece que você tem alguém em mente

- Sim, oh tenho sim mamãe – as lágrimas romperam – e mesmo que exista divórcio no mundo bruxo eu não serei capaz de ficar com ele. Ele se foi na guerra e nada fiz para salva-lo. Eu assisti ao amor da minha vida partir sem saber que eu já o amava na ocasião

A mais velha levou a mão ao peito e a aliança de Hermione queimou. Ela retirou o anel e jogou do outro lado do quarto enquanto se debruçava em lágrimas e nem mesmo o copo de água com gelo conseguiam apaziguar a situação.

- Querida, eu acredito que a única coisa que você pode fazer é ama-lo até a sua morte e quem sabe você o encontre numa próxima vida

- Ele me chamaria novamente de “irritante sabe-tudo” e me faria sentir que eu devo ser mais que perfeita – ela finalmente conseguiu sorrir e matriarca levou a mão ao peito acalentado.

- Eu acho que você deveria honra-lo. Sabe, você mesmo disse que ele se foi na guerra, quem sabe ir no túmulo dele, seja lá onde for, e dizer tudo isso. Pelo menos ele não vai repreende-la e você vai se sentir mais tranquila sabendo que contou.

- Você tem razão. – Hermione limpou o rosto – é isso o que eu farei.

Antes que a senhora Granger dissesse algo que a fizesse mudar de ideia, a jovem já estava correndo escada abaixo e sumindo no quintal,

Godric Hollows não mudava temperatura e nem mesmo o janeiro ou abril, as coisas permaneciam a mesma, o frio que abatia a cidade onde o bem triunfou e por mais de uma vez Hermione se pegava querendo voltar lá após a cerimônia. Os sapatos não eram para a nevasca, mas ela não se importava, estava a menos de uma rua dos portões do cemitério e ainda assim não sabia como dize-lo. Ela esperava que conseguisse ao passo que caminhava. Só queria estar perante ele uma vez, dizer tudo e, quem sabe, conseguir seguir em frente amar o seu marido. Mas aquele ponto, o amor a Ronald Weasley parecia improvável.

Certo que o portão rangeu quando ela passou e o tumulo dos Potter estavam destacando-se no meio do nevoeiro. Mas não era eles quem ela estava procurando, mas sum uma pequena lapide a esquerda de Lilian Potter, negra como as vestes do homem que ali jazia.

 

Severus Prince Snape

– 9 de janeiro de 1960 – 2 de maio de 1998 –

 

Finalmente a falta de palavras pesou e ela apenas dobrou sobre si e caiu sobre os joelhos lutando com uma força extraordinária para não cavar até encontra-lo e finalmente saber como era estar em seus braços. Eram lagrimas, eram suspiros de coisas que apertavam a sua garganta, era amor por aquele quem deveria estar palmos a baixo dela, morto. E ela sequer sabia se, além dela, mais alguém o amou em vida.

O homem havia crescido sem o amor dos pais, sem irmãos, a única pessoa com quem fora gentil ele a machucou e passou o restante da sua vida tentando se redimir. Severus Snape era um homem amargo mas isso só espelhava a quantidade de desafeto que as pessoas tinham com ele.

Inspirada por essas informações lhe batendo na cabeça como se fossem memórias, Hermione puxou a varinha e em sua mão esquerda deixou uma rosa

- Eu.... não sei como dizer isso a você... Eu achei que seria fácil já que está aqui para não me interromper e dizer que eu estou falando fora de hora ou sem ser solicitada, mas... oh Merlim, eu não consigo. Eu não consigo falar para um monte de terra sabendo que você jamais me ouviria. Eu... simplesmente não sei como falar com você sem ser realmente você. Eu não consigo. Harry mentiu quando disse que o enterrou aqui quando, na verdade nem seu corpo foi encontrado. Nós não fizemos nada para salva-lo e nem um enterro descente pudemos dar. Me perdoe, professor Snape. Me perdoe pela covardia, por ir contra a palavra de Dumbledore e por não confiar em você. Me perdoe por não ter coragem de enfrentar aos meninos e ter dito o que sentia no momento além da confusão que eu devo estar fazendo agora no seu túmulo, lhe retirando da paz para ouvir minhas divagações. Eu só não sei como dizer, não quando eu sei que não vai ouvir - Hermione suspirou deixando a flor vermelha próximo a lapide – Eu o amo, professor. Não queria faze-lo mas sim. Isso me tem tirado o sono todos os dias desde que o senhor partiu e.... Merlim sabe o quanto eu queria abraça-lo mas mesmo que eu cave até o fundo, o senhor não estaria ai...

- E por que não experimenta olhar para trás, irritante sabe-tudo?



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