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História I Got You (season 2) - Capítulo 2


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Notas do Autor


oie, só para avisar para quem não percebeu que na parte 1 tem coisa inédita no meio, a partir do "1". Segue mais um pedacinho do meu xodó e aproveitem, pois não sei quando sairá a parte 3. beijos

Capítulo 2 - Parte 2


2

 

As duas amigas estavam indo até a lanchonete do campus em busca de algo para comer, tendo em vista que nenhuma delas tinha forças para preparar algo, e após pegarem cada uma um lanche e uma porção de batatas, sentaram-se nas mesas externas, sob um guarda-sol. Nicole usava uns óculos escuros para esconder seu olhar de ressaca.

 - Você vai comer o restante dessa batata? – Wynonna foi com a mão em direção à porção da ruiva, que recostava-se na cadeira, respirando fundo.

- Vou. – Nicole deu um leve tapa na mão dela.

- Oh, – seus olhos arregalaram olhando quando a porta do estabelecimento abriu-se e uma figura conhecida apareceu – Ai, droga. Olha quem está aqui.

- Entendi, Wynonna, você quer que eu vire para olhar e aí você rouba minha batata, não é?

- O que você pensa de mim, Nicole? – A morena levou a mão ao peito, ensaiando indignação.  Nicole revirou os olhos – Edison está aqui

- O cara do clarinete? – A ruiva zombou, levando uma batata à boca.

- Ele não toca apenas clarinete, okay?

- Sem dúvidas, não. – Ela virou para olhá-lo por cima ombro – Parece que ele trabalha aqui.

- Cara ele é tão lindo e ainda tem uma banda.

- Você é mesmo uma Maria-palheta, não é? Vai falar com ele.

- Essa palavra sequer existe? – Wynonna levantou-se, determinada, e aproveitou o caminho para de fato roubar algumas batatas da amiga.

Nicole observava de longe Wynonna flertar, desajeitadamente – o que era raro quando se tratava da Earp. Ela jogava seu cabelo de um lado para o outro, tentando prender a atenção do rapaz que atendia alguns outros clientes no caixa. Esta voltou alguns minutos depois, esbaforida, soltando seu peso na cadeira.

- Ele fica tão sexy trabalhando. – Ela apoiou o rosto sobre as mãos.

- Uau, um homem que tem um emprego, realmente bem excitante. – A ruiva apoiou um dos pés sobre a cadeira que sentava, abraçando seu joelho.

- Nicole, - Wynonna inclinou-se para falar em um tom mais baixo com a amiga – Você alguma vez já fez sexo com um homem? Só curiosidade.

- Eu fiz uma vez, quando eu meio que estava me descobrindo.

- E como foi?

- Eu sou lésbica, Wynonna, como você acha que foi? – Nicole franziu o nariz.

- Faz sentido. – Ela deu de ombros – Ah, nós temos uma festa hoje. – A morena bebericou seu refrigerante

- O que? Mas eu nem me recuperei de ontem ainda.

- Acostume-se, universitária. Sobre a festa: será num galpão, um pouco longe daqui e algumas bandas irão tocar. E Edison nos garantiu cerveja grátis. – Wynonna deu um sorriso enorme e Nicole riu. – Do que está rindo?

- Desculpe, é que toda vez que você fala Edison eu imagino você falando do seu avô. – Nicole tomou o refrigerante pelo canudo e recebeu uma batata no rosto como resposta.

 

***

 

A noite se aproximava e as garotas já estavam prontas esperando sua carona para a festa. Nicole usava um jeans preto, com as barras dobradas, uma camiseta maior que ela e um par de vans, com o cabelo em um rabo de cavalo. Wynonna estava com uma jaqueta jeans escura e coturnos.

- Merda, como eu queria uma jaqueta de couro. – Ela se avaliava no espelho.

- Com quem vamos? – Nicole olhava seu celular.

- Com Edison e um amigo dele. Já eles devem chegar.

- Nós precisamos de um carro. – Ela bufou, desviando o olhar.

- Espera só eu arranjar um emprego, vou comprar um carro e nós nunca mais vamos ter que andar de ônibus. Ele vai ter dados de pelúcia pendurados e um som gigantesco. – A morena foi interrompida de seu devaneio pelo seu celular tocando Tik Tok, da Kesha, atendendo em seguida. – Oh, é ele, vamos.

 

- Oi, gata. – Edison desceu do banco do carona e cumprimentou as garotas com uma piscada, abrindo a porta traseira para que elas entrassem e se acomodassem, e assim elas fizeram.

- E aí? – Wynonna inclinou-se para a frente, colocando-se entre os bancos dianteiros.

- Oi, garotas, eu sou Peter. – O motorista acena para elas pelo retrovisor.

- Eu sou Wynonna Earp e essa aqui é Nicole Haught. – Ela apontou para a amiga com o polegar.

- Oh, ela realmente é. – O rapaz disse, fazendo referência ao som do sobrenome da ruiva, a olhando pelo retrovisor. Nicole ergueu as sobrancelhas e olhou para seu colo, quebrando o contato visual com Peter.

- Então, você também estuda na Universidade de Purgatory? – Wynonna perguntou, apoiando-se nos bancos dianteiros.

- Não, não. – O motorista riu – Eu não faço faculdade. Digamos que eu cuido dos negócios da família.

- Ou seja, ele é privilegiado. – Edison completou.

- Oh, por acaso você não tem um emprego lá para mim? – A morena foi ainda mais para frente.

- Depende... O que você sabe sobre construção civil? – Peter sorriu, a olhando pelo retrovisor.

- Esquece. – Wynonna recostou-se no banco.

- Vocês são calouras? Porque se não forem, eu terei que brigar com Eddy por nunca ter me apresentado vocês antes.

- Já começou? – Edison interviu, dando um leve soco no braço do amigo.

- Qual é? Eu teria me arrumado melhor se eu soubesse que iria conhecer umas gatas dessas.

- Nós ainda não nos conhecemos muito bem. – Ele estendeu o braço até o banco do motorista e olhou sobre os ombros para Wynonna, piscando em seguida – Mas eu espero conhecer melhor hoje.

- Pode apostar que sim. – A morena retribuiu a piscadela e sorriu de lado.

A interação fez Nicole ensaiar uma ânsia discretamente.

- Ei, você é sempre quietinha assim? – Peter encarou Nicole que observava a paisagem lá fora.

- Ah, espera só pegar intimidade, você vai implorar para ela calar a boca. – Wynonna empurrou a perna da amiga, o que fez os rapazes rirem. Nicole revirou os olhos, mas permaneceu sem palavras.

- O que foi, princesa? O gato comeu sua língua? – Peter comentou.

- Quem me dera... – Nicole apoiou o cotovelo na porta, segurando seu queixo.

- Princesa? – Wynonna zombou, cochichando para a amiga – Ah, isso vai ser divertido.

- Eu tenho algo que pode ajudar. – Edison disse, abaixando em direção ao assoalho do carro e pegando quatro latas e arremessando uma para cada. – Aqui!

Cada um deles foram bebendo sua cerveja enquanto os rapazes cantavam alto e faziam gestos de guitarra imaginária ao som da música que tocava no rádio, Wynonna balançava-se no ritmo e aos poucos Nicole estava se soltando gradativamente conforme o nível de álcool no seu sistema ia subindo.

Ao finalmente chegarem ao galpão, já era possível ouvir barulhos quase estrondosos vindo de dentro, Peter correu para abrir a porta do carro para Nicole, ao mesmo tempo que os outros dois saltaram do veículo. Edison estendeu a mão para a morena que a segurou e os dois entraram na frente. Peter repetiu o gesto para Nicole, que fingiu não ver e cruzou os braços, andando apressadamente a diante. Ela amaldiçoou mentalmente Wynonna deixa-la para trás com o rapaz, mas sabia que a amiga estava fazendo de propósito, apenas com o intuito de irrita-la.

Já lá dentro, a jovem Earp esperava com Nicole e Edison, Peter retornar da fila do bar. A ruiva estava se sentindo um pouco desconfortável de estar no meio da tensão sexual que emanava do – até então – paqueras. Seus olhos percorriam a multidão ao redor enquanto os pombinhos apenas fitavam um ao outro com sorrisos bobos, sem dizer nada.

- Essa é por minha conta! – Peter apareceu com quatro copos de dose do que se parecia tequila e entregou um para cada da roda.

- Ok, no três – Wynonna disse empolgada – TRÊS!

Eles viraram aquele conteúdo e os rapazes trocaram um high-five em seguida. Nicole franziu o nariz sentindo todo seu trato digestório queimar.

- Se quiser algo a mais, me diga, tudo bem? – Peter sorriu para a ruiva, tocando em seu braço.

- Eu tô bem, valeu. – Ela respondeu com um sorriso amarelo.

- A banda dos meus amigos vai tocar às duas horas, você acha que aguenta até lá? – Eddy disse em direção à Wynonna.

- Eu aguento muita coisa. – A morena deu uma cotovelada na amiga, para que ela entendesse a piada e o rapaz a puxou pelo cós da calça.

- Isso é castigo de Deus por eu ter fingido que ia para a igreja, quando na verdade eu ficava lá atrás fumando cigarros? – Nicole murmurou, levando a mão nos olhos e Peter riu.

- Então! Você... Me fala um pouco sobre você.

- Tipo...?

- Eu não sei. O que você gosta? – O rapaz passou a mão na nuca, nervoso.

- Ahn, vejamos... Escalada, programas de investigação criminal e gatos. – Ela contou nos dedos.

- Gatos, uh? – Ele riu, cruzando os braços e levantando o rosto, visivelmente mais confortável agora – Eu gosto de gatos. Já tive um chamado Grey. Por que ele era, você sabe... Cinza. Você tem algum?

- Genial. – Ela ironizou, acenando com a cabeça – Tenho, chama Annie Oakley, em homenagem à artista do show de Buffalo Bill, ela era atiradora. É uma gata enorme e laranja, e ela está prenha. A gente não planejou isso, foi por acidente. Minha mãe disse que posso ficar apenas com uma das crias quando nascerem. Eu quero outra fêmea para chama-la de Calamity Jane, que também foi uma grande atiradora, apesar de eu não concordar com seu posicionamento contra o povo nativo-americano, mas assim as duas serão mãe e filha e terão o nome combinando. – Nicole falou num só fôlego e o rapaz sequer piscou tentando acompanha-la.

- Uau. – Ele suspirou surpreso.

- Yep – ela balançou a cabeça, sorrindo orgulhosa.

- Onde aperta para te desligar, Nicole? – Wynonna retornou para perto da amiga, agora com o batom um pouco borrado.

- Eu vou com Peter buscar mais cerveja para nós. – Edison disse à morena que assentiu com a cabeça.

- Como foi, uh? – Nicole provocou a amiga.

- Nós vamos nos casar e mudar para Vancouver. Estou pensando se teremos um filho ou dois. Se for menina estou pensando em ‘Wanda’ para o nome, se for menino... Bom, apesar de eu achar o nome dele horroroso, eu estou disposta a ceder e chama-lo de Edison Júnior.

- Então ele beija bem. – Nicole riu e colocou as mãos no bolso da calça.

- Demais. – Ela colocou a palma sobre o peito.

De longe, na fila do bar, os rapazes olhavam para as garotas e cochichavam algo, Wynonna e Edison sempre trocando insinuações.

- Ei, Eddy me disse que Peter está afim de você. – Bebeu o último gole que restava da cerveja, rindo.

- Sabia que eu deveria ter falado ‘mulher’ quando ele me perguntou o que eu gostava. Tá legal, o que eu faço? – Nicole levou a mão à testa.

- Corra.

- Estou falando sério, Wynonna, não estou acostumada com garotos afim de mim. – A ruiva cruzou os braços.

- Diga a verdade a ele. – Deu de ombros.

- Eu não estou bêbada suficiente. – Nicole balançou a cabeça.

- De zero a dez?

- Diria que quatro.

- Você está muito abaixo da média, Nicole, precisamos de pelo menos um seis.

- Estou parecendo suas notas na faculdade. – Zombou.

- Tá, agora você precisa de um sete. – Wynonna puxou a amiga pela mão até a fila do bar.

Os garotos, que foram parados no caminho de volta, agora se encontraram com mais alguns rapazes que pareciam ser de uma das bandas que iriam se apresentar, próximos ao palco, eles gritavam e batiam seus peitos.

- Por que homem hétero quando juntos agem igual um rebanho de macacos? – Wynonna observava curiosa, julgando os rapazes.

- Você quer dizer bando? – Nicole riu levemente – Não seria justo eu opinar sobre isso.

- O que você vai querer, ginger spice?

- Uma cerveja, mesmo.

- Ok. Quatro tequilas, por favor. – A morena disse ao barman e virou-se para a amiga que lhe fez um gesto de desentendimento. – Ah, põe na conta daquele rapaz ali de cinza – Ela apontou para Peter.

- Eu pedi uma cerveja – a ruiva encarou o copo de dose.

- Não temos tempo para cerveja, precisamos de algo imediato. Pronta?

- Não?

- Vai. – As duas viraram o primeiro copo e o segundo em seguida, torcendo o nariz e Wynonna bateu levemente nas costas de Nicole, que fazia caretas e soluçou após sentir as doses caírem em seu estômago.

Os acompanhantes das garotas apontaram e comentaram algo entre si, claramente falando sobre as duas. Edison as chamou com um aceno de mãos.

- Vamos voltar para lá com os rapazes antes que eles achem que a gente está fugindo.

- Mas eu estou – a voz da ruiva saiu trêmula.

A morena revirou os olhos puxou a amiga pelo braço até o grupo de garotos onde Edison e Peter estavam, todos voltando a atenção para elas.

- Oi, rapazes. – Ela sorriu para Eddy diretamente.

- Esta aqui é Wynonna, de quem eu estava falando. – Edison disse, piscando para ela – E esta é...

- Lésbica! – Nicole sorriu sem mostrar os dentes. Wynonna passou o braço pelo pescoço dela e gargalhou, enquanto os garotos tentavam decifrar o que estava acontecendo ali.

- Super lésbica! – A morena completou.

- Oh, vocês...? – Edison apontou para as duas.

- Não! – Wynonna quase gritou, empurrando a amiga pelo ombro em seguida, a fazendo desequilibrar – Nós somos só amigas. Grandes amigas. Eu gosto de homens, homem.

- Eles já entenderam, Earp. – Nicole sussurrou para ela.

Os rapazes riram e, depois dos restantes se apresentarem a elas, logo Edison puxou Wynonna para dançar no meio da multidão.

Deslocada e incomodada de estar só no meio de vários rapazes, Nicole foi até um dos cantos do galpão e encostou-se na parede, esperando que nenhum deles tenham notado sua ausência. Mas Peter percebeu e foi em direção a ela, que bebia timidamente uma cerveja.

- Me desculpe por mais cedo, Nicole, eu não sabia. – O garoto se encostou ao lado dela.

- Está tudo bem, não está estampado “gay” na minha testa. Infelizmente. – Ela riu.

- Isso facilitaria muita coisa.

- Para ambos os lados. – A ruiva balançou a garrafa no ar.

- Você é engraçada. – Ele riu e tomou um gole de sua bebida e ela deu de ombros, não acreditando muito no rapaz.

Por alguns instantes um silêncio desconfortável pairou entre os dois e era notável que Peter queria dizer algo pela sua inquietação.

- Sabe, eu tenho uma amiga que não é daqui da cidade, mas ela está para o show do irmão dela e ela curte garotas também e...

- Por que vocês héteros estão sempre querendo apresentar os gays um pro outro? Não é só porque gostamos de mulheres que quer dizer que vamos querer ficar uma com a outra. – Ela revirou os olhos, irritada, levando a garrafa a boca.

- Oh, me desculpe. – Ele ergueu as mãos na altura do peito – Não está mais aqui quem falou.

Peter bufou e desejou não ter aberto a boca. Mais uma vez o silêncio se fez presente e, dessa vez, ele decidiu não forçar um diálogo. O rapaz correu os olhos pela multidão, logo sorriu quando viu uma figura conhecida.

- Ah, ali está ela! – Apontou em direção à uma garota morena de cabelos longos e um piercing no nariz.

- Esquece o que eu disse, me apresenta ela agora. – Nicole o segurou pelo braço.

- Oi, Cleo! – O rapaz abraçou a garota – Essa aqui é minha amiga Nicole.

- Sim, sou eu. – Ela esticou a mão para cumprimenta-la, sorrindo.

- Olá, Nicole! – A garota sorriu de volta.

- Vocês duas tem tanto em comum e eu estou apertadíssimo para ir ao banheiro, vejo vocês depois, tchau. – Peter maneou a cabeça e sumiu no meio do mar de pessoas.

- Tanto em comum? Deixe eu adivinhar... Gosta de garotas também? – Ela riu.

- Sim...

- Ele sempre faz isso. Acho que é porque não consegue ficar com ninguém daí ele junta as pessoas. – Cleo riu.

- Agora eu senti uma leve pena – Nicole sorriu – Ele faz muito isso com você? – Ela a olhava pelo canto dos olhos, enquanto tomava um pouco de cerveja.

-  Às vezes. Mas não faz por mal, acho que só não tem sorte de conhecer garotas que gostam de garotos. – As duas riram.

Até o início da madrugada as duas permaneceram conversando, a todo tempo Nicole olhava para Wynonna na pista de dança, era impossível entrar em contato com ela, tendo em vista que a todo momento seu rosto estava no de Edison.

Umas caras já conhecidas por Nicole subiram ao palco e começaram a ajeitar os instrumentos.

- Ei, é a banda do meu irmão, vamos lá perto. – Sem que tivesse tempo de Nicole responder, Cleo a puxou para o meio do aglomerado de pessoas, ficando próximas ao palco.

- Boa noite, Purgatory, nós somos Gott ist tot e hoje nós vamos quebrar tudo! – Um dos rapazes gritou, sendo ovacionado pela plateia em seguida.

- Wow. – Nicole espantou-se.

- Pelo visto você entende alemão. – A morena riu.

- Não muito, mas o suficiente para entender isso – Ela deu de ombros – Um pouco radicais, não?

- Eu diria niilistas – Cleo respondeu rindo, balançando-se no compasso da música estridente que começara.

- O seu irmão é o vocalista? – A ruiva falou num tom alto, que sobressaísse à música.

- Não, meu irmão é o baterista. O vocalista é meu ex – ela riu, deixando Nicole sem graça, que apenas assentiu.

Apesar de aquele gênero musical não ser o preferido da jovem Haught, ela estava curtindo o momento, permitindo até sua cabeça balançar no ritmo pesado. As garotas trocavam leves olhares momentâneos enquanto se embalavam com a música e sorriam timidamente.

- Agora eu quero ver vocês pularem! – O vocalista gritou.

- Merda, corre! – Cleo segurou na mão de Nicole e a puxou para fora da multidão rindo.

- O que foi? – A ruiva a olhou confusa.

- Eles vão fazer um mosh pit. Que é quando fazem uma roda para empurrarem um ao outro. – A morena iniciou e reparou que os olhos da outra estavam arregalados de incredulidade – Eu costumava participar de umas, mas antigamente era tratada como dança, sem cotoveladas e joelhadas. Hoje em dia virou bagunça e costumam chamar de roda punk.

- Nota mental de nunca entrar numa briga com você. – As duas riram juntas.

- Vamos pegar algo para beber.

Com suas respectivas cervejas, as garotas se encostaram num dos cantos do galpão, agora longe da grande roda punk e lá ficaram por todo o restante do show, apenas curtindo e trocando breves palavras.

- O que achou? – A morena disse esperançosa.

- Eu até que gostei dos niilistas. – Elas riram levemente.

- Foi bem divertido. Mas acho que agora já vou indo, estou exausta da viagem. – Ela olhou para o chão e pela primeira vez na noite Nicole a viu tímida e talvez até um pouco vulnerável.

- Certo, vai encontrar seu irmão?

- De jeito nenhum eu entro naquela van nojenta dele. – Cleo riu, arremessando a garrafa de cerveja vazia num latão próximo a elas.

- Sensata. – Sorriu – Eu também vou indo, só preciso encontrar a minha amiga.

 Ao bocejar e procurar Wynonna pelo aglomerado de pessoas com os olhos, ela viu acontecer o que estava temendo: a garota sumiu.

A ruiva foi até a rua seguida de Cleo, lá, pegou seu celular, tentando contatar Wynonna, sem sucesso. Nicole estava exausta e tudo o que ela queria era ir para o dormitório.

- Mas que droga, não acredito que eu perdi a Wynonna. – Ela bufou, andando de um lado para o outro e guardou o celular no bolso da calça em seguida.

- Ela estava de coleira de identificação? Tenho certeza que quem encontra-la vai devolve-la a você. – Cleo disse, encostando-se em um carro. Nicole riu e encostou-se ao lado dela.

- Eu só não sei como vou embora assim, estava de carona com o cara que ela está pegando. – Cruzou os braços

- Pegando? Bom, nesse caso acho que sua carona já era.

- Merda.

- Vamos, eu te deixo lá. – Cleo acenou com a cabeça.

-  Você tem carro?

- Você está sentada nele. – A garota sorriu e apertou o alarme da chave.

- Eu não quero te incomodar. – Disse cautelosamente.

- Anda logo, ruiva, eu não vou te largar aqui sozinha. – A morena revirou os olhos, rindo e entrou no veículo. Nicole deu de ombros e entrou do lado do carona.

Cleo ligou o rádio e uma banda de rock, um pouco pesada demais, assim como as dos shows que acabara de ver começou a tocar alto, a assustando. A morena riu e abaixou um pouco em seguida.

- Me desculpa, todos se assustam com o volume.

- Está tudo bem.

- Mês passado eu fui em um show deles em Toronto, foi foda demais, você tinha que ver. – A garota deu a partida. Cleo batia os dedos no volante no ritmo da música e olhou para Nicole, que apenas acenou com a cabeça.

Por todo o percurso elas foram falando sobre música e bandas que Haught sequer tinha ouvido falar, porém mostrava-se empolgada ao descobrir coisas novas.

A garota morena estacionou o carro na rua da portaria da universidade e o desligou, virando-se para Nicole em seguida.

- Então... Obrigada pela carona. – A ruiva coçou a nuca, olhando para o próprio pé.

- Sem problemas. – A morena inclinou-se um pouco, aproximando-se dela.

- Quem sabe outro dia você não me dá uma carona novamente. – Riu sem jeito.

- Acho que não. – Cleo sorriu – Eu não sei quando volto. Ou se volto para Purgatory. Eu gosto daqui, mas a cidade é pequena demais para mim.

- Certo, é verdade. Me esqueci, desculpe. – A ruiva deu um pequeno soco em sua própria perna.

- Nicole? – A morena inclinou-se um pouco, estendendo o braço sobre o banco que a outra estava.

- Oi? – Ela estava visivelmente nervosa.

- Posso te beijar? – Os olhos da garota fecharam e seu corpo se inclinou ainda mais. Nicole engoliu em seco, mas respondeu à pergunta grudando seus lábios com o dela.

Alguns poucos minutos depois, a ruiva seguiu para dentro do campus. Não podia conter sua alegria interna e demonstrava isso em pequenos saltos entre os pedregulhos do caminho que a levava até seu dormitório.

Chegando na entrada dos dormitórios femininos, ela sacou seu celular e tentou mais uma vez ligar para Wynonna. Chamava, chamava e nada. Decidiu tentar mais uma vez. Apoiou o aparelho no ombro enquanto procurava sua chave nos bolsos da calça.

Caixa postal. Escolheu então deixar uma mensagem de voz para quando a amiga pudesse, ouvir.

- Wynonna Pamela Earp, onde você... AH! – A garota abriu a porta e deparou-se com Wynonna nua junto com Edison na cama.

- AH! – Os dois gritaram juntos, cobrindo-se com um lençol. Nicole tapou os olhos rapidamente.

- A calcinha, Wynonna! A calcinha! – A ruiva foi de olhos tapados até o corredor externo e esperou.

Edison saiu apressado fechando o zíper de sua calça e carregando os tênis nos ombros.

- Foi mal, Haught. – Disse o rapaz, correndo dormitório a fora.

 - Nicole! Eu juro que todas as vezes que você estiver próxima a se dar bem, eu vou te atrapalhar! – Wynonna estava enrolada no edredom, apontando o dedo acusativamente para a amiga que entrava no quarto.

- E a regra da calcinha na porta?!

- Eu estava sem calcinha!

- E você ia pendurar na porta a que estava usando?! – Nicole fez uma careta e a morena hesitou antes de responder, pensando na resposta.

- Certo, nós precisamos detalhar essa regra urgente. – Disse, entrando no banheiro.

Nicole jogou-se em sua cama, descalçando os sapatos e substituindo o jeans por um short confortável. Apoiou-se sobre os braços, esperando Wynonna deitar-se, pois ela sabia que era inútil tentar dormir com a amiga ainda acordada, já que os barulhos que ela fazia para se trocar eram comparáveis com as bandas que ela viu naquele dia.

- Nicole, tenho uma coisa para contar. – A morena saiu do banheiro.

- Eu também tenho. – Ela disse animada, sentando-se com as pernas cruzadas na cama em um pulo.

- Certo eu primeiro... Eu talvez tenha entrado na banda da universidade. – Wynonna olhou para o chão.

- Como é?! – Nicole riu alto, jogando a cabeça para trás, e tampou sua própria boca para não fazer tanto barulho àquela hora da madruga.

- Eu estava bêbada, Nicole, foi por impulso. – Ela sentou em sua cama, de frente para a amiga.

- Claro que estava. – Recuperava-se do riso – Mas você por acaso sabe tocar algo? Não! Sem ser isso que você está pensando! – Apontou o dedo para a outra, já prevendo sua resposta.

- Você é meio julgadora para uma lésbica, não? – Disse, jogando seu tronco para trás – E não, eu não sei tocar nada... Fora... – Deu de ombros – Mas ele irá me ensinar para o teste.

- Certo, você quer entrar na banda da faculdade que julgou durante toda sua vida, por causa de um garoto. – Nicole coçou os olhos, rindo sonolenta – Deus, Wynonna...

- Está bem, chega, eu já disse que estava bêbada. – Ela bufou e apoiou-se no cotovelo – Mas e a sua novidade, qual é?

- Eu beijei uma garota lá. – Ela sorriu, ficando corada.

- E deixe eu adivinhar... Você gostou? – Wynonna soltou sua cabeça – Só isso? Um beijo?

- Sim... O que você queria?

- Que você se desse bem... Sabe... – Ela fez um gesto obsceno com as mãos.

- Eu acabei de conhece-la!

- Ah, você é entediante. – Wynonna arrumou-se na cama, ficando de costas para Nicole e se cobriu até o rosto.

- Wynonna? – Disse cuidadosa.

- O que?! – Ela gritou com a voz abafada pela coberta.

- Da próxima vez deixe ao menos uma mensagem avisando, para eu não tem que entrar aqui e dar de cara com a tua bunda.

- Ei! – Wynonna virou-se bruscamente – Não finja que você não acha a minha bunda top de linha!

 

 

Na semana seguinte, Wynonna acordou na segunda-feira decidida em arranjar um emprego. Ela levantou cedo, arrumou-se como nunca antes e, com uma pasta debaixo do braço, saiu para o centro da cidade a pé, já que não era longe.

Ela tentou vários comércios, mas parecia estar sem sorte. Nenhum estava contratando, alegando pouco movimento.

 Exausta e faminta, pois já era horário que ela habituava lanchar, decidiu fazer uma pausa e comer algo em uma lanchonete de Donuts próxima ao bar que ela costuma frequentar.

Atenta ao seu Donut de geleia e seu café, e mais nada além disso, ela ouve um barulho na cozinha do local que a faz tirar o foco de seu lanche. Logo, a garçonete que a atendera, voltou ao balcão, enchendo sua xícara com café desleixadamente, numa expressão brava, quase derrubando todo o líquido quente sobre Wynonna.

- Deus, eu odeio esse emprego. – A garçonete disse, mais para ela mesma.

- Pude perceber. – A morena deu um riso nasal.

- Você acha engraçado? Eu odeio servir café, odeio aqui.

- Dá sua vaga para alguém que queira então. – Wynonna cruzou os braços, a encarando.

- O que você quer, garota? – A mulher disse, cínica.

- Um emprego. – Ela deu de ombros, sabendo que não era nesse sentido que a garçonete havia perguntado. – Vocês estão contratando?

- Você tem alguma experiência?

- Eu preciso de uma oportunidade para ter uma experiência. – Wynonna inclinou-se sobre a mesa.

- Meu chefe é um cretino. – Bufou, zombando.

- Eu sou cretina também. – Wynonna disse e a garçonete estreitou os olhos.

- Certo, tanto faz, – ela bufou novamente – nós estamos com uma garota a menos servindo, e você parece irritante o suficiente para incomodar o idiota do Bob, então... Deixe seu número aqui que eu vou tentar ver o que posso fazer por você.

- Valeu! – Wynonna abriu um sorriso e descruzou os braços. A garçonete balançou a cabeça displicentemente e foi até outros clientes, mal-humorada – Oh, essa foi fácil.

Ela terminou seu donuts em uma sequência de mordidas e levantou-se num salto, feliz com a oportunidade que surgira, então foi em direção à rua. Até lembrar que não poderia sair sem pagar se ela quisesse uma entrevista de emprego ali, e em passos cautelosos ela voltou até o caixa e deixou o dinheiro sobre o balcão, sorrindo sem graça para a atendente que lhe encarava.

 

Ao retornar para o dormitório, Wynonna abriu a porta do quarto num chute, assustando Nicole, que estava concentrada grifando um livro de estudo.

- Haught, adivinha o que eu consegui! – Ela disse animada.

- Será que você, por favor, pode, sei lá, NÃO chutar a porta? – Nicole olhava irritada para o grande risco de caneta que o susto lhe fez fazer.

- Ta, ta. – Ela fez um gesto displicente com as mãos e se sentou em sua cama – Amanhã eu tenho uma entrevista de emprego!

- Isso é ótimo, Earp, sério. – Nicole sorriu para a amiga.

- Se eu conseguir o emprego, a gente sai para comemorar. – A morena levantou-se, olhando seu celular.

- E se não conseguir, a gente sai para afogar as mágoas, acertei?

- No alvo. – Wynonna fez um gesto de arma com a mão e um efeito sonoro – Certo, tenho que ir, preciso contar para o Eddy pessoalmente.

- Você vai é transar, não vai? – Nicole zombou.

- Claro. Não me espere acordada! – Wynonna foi em direção a saída do quarto.

- Mas são duas da tarde.

- Yep – foi tudo o que ela respondeu e bateu a porta atrás dela em seguida.

- Porra, a porta! – Nicole levou as mãos à cabeça, irritada.



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