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História I Hate Everything About You - Capítulo 65


Escrita por: e Shiki_


Notas do Autor


Opa, opa! Estou de volta! xD
Como vão, galera?

Esse mês realmente é da I Hate, né? 3 capítulos num mês só, quem diria KKKKKKKKKKKKKKKKKKK.

Eu confesso que esse capítulo atrasou um pouquinho, pois tive alguns contratempos, mas o importante é que já vai para o ar e, honestamente, espero que vocês gostem.

Portanto, sem enrolação, boa leitura e vejo vocês lá embaixo.

~Aproveitem! xD

Capítulo 65 - Palavras que aquecem corações


Fanfic / Fanfiction I Hate Everything About You - Capítulo 65 - Palavras que aquecem corações

Ash demorou alguns segundos para perceber que aqueles belos e celestes olhos não o olhavam mais. Após sair do seu transe repentino, notou com languidez Serena se afastando – se era por sua própria vontade, ele não saberia dizer – enquanto fixava seu olhar nos gestos e falares de Blue.

Tardou mais um tempo estagnado naquele mesmo lugar, seus pensamentos desta vez se voltaram para uma outra menina: Blue. Sabia de que lado a velha amiga havia ficado e, honestamente, achara melhor assim.

Mesmo assim, sentia o peso daquele olhar recheado de decepção mesclado com um desprezo previsível e o entristecia saber que se afastaria daquela que ele guardava tanto carinho.

Os alunos permaneciam transitando pelo portão, sabia que em breve teria que se mover também, mas receava.

Era mais confortável para ele permanecer ali, distante daquela realidade que o aguardava, sabia que hora ou outra reencontraria amigos e conhecidos, sabia que a notícia correria entre os alunos e que, quando ele menos esperar, precisaria enfrentar os dilemas que envolviam todo aquele término.

— CARAÍ, O KETCHUM CORTOU O CABELO! — com um sobressalto, um grito recheado de espanto soca seu ouvido, contudo se torna o essencial para o moreno se mover.

Ash olha para trás, acompanhado de alunos curiosos que se assustaram com a exclamação inopinada. Ao vislumbrar a face daquele que gritara, seu olhar recai em uma feição impaciente.

— Grita mais alto, seu animal, acho que a galera de Pallet não conseguiu ouvir você! — retrucou ao finalmente ver o sorridente Gary parar à sua frente. Junto com ele, vinham Black, Red e Gold.

— Precisei gritar, né, você estava aí parado olhando para o portão com uma cara mais idiota que... — o ruivo interrompe sua comparação e olha para cima levemente pensativo — bom, mais idiota do que você é normalmente. — Dado como satisfeito, ele sorri. Gold sustenta um risinho abafado, já Red apenas revira os olhos.

— Eu ainda estou confuso — Black, que não dava atenção para os comentários de Gary, encarava os cabelos cortados de Ash com diligência — quando foi que você cortou seu cabelo? Eu jurava que quando fui dormir você ainda estava com aquele troço oleoso na cabeça.

— Oleoso é seu rabo, eu cuidava muito bem dele! — respondeu Ash, nitidamente ofendido. Black ri e o Ketchum toca no seu cabelo superficialmente. Ainda era estranha a sensação de não sentir longas mechas escorrerem por seus dedos, havia se acostumado, apesar de não gostar. — Mas, bem, eu cortei hoje de manhã. Pedi para uma amiga.

Seu cabelo estava mais curto do que ele se lembrava. Suas laterais estavam acertadas, ausentes daqueles fios rebeldes que perturbavam suas manhas, a parte de cima estava mais cheia, ainda que picotada e com alguns arrepios, enquanto uma franja solitária balançava na frente, deixando o outro lado levemente ondulado em um topete improvisado.

— Ficou legal! — Black aprova com um joinha e um sorriso simpático. Havia tempos que não falava com o Ketchum direito, não o culpava com o isolamento, mas sabia que havia perdido um pouco daquela intimidade que eles nutriam. 

— Isso explica seu sumiço. Red quase chorou. — Comentou Gold, descontraidamente. O moreno dos olhos vermelhos fuzila seu olhar no do primo e pisa no seu pé. — Ai! Qual foi?!

— Enfim, vamos logo para o campo? A tal diretora quer fazer sua apresentação. — Red sugere e todos assentem.

— Bom, ainda bem que você teve o bom senso de cortar isso aí — Gary gesticula seu indicador ao cabelo de Ash — antes do ano letivo começar. Se sua barba fosse mais do que pentelhos, você seria facilmente o novo Aquaman desnutrido dos filmes. — Por mais difícil que fosse admitir, o comentário de Gary fez Gold e Black rirem, Ash cerrou seus olhos, já Red continuava absorto de tudo que o jovem Carvalho falava.

— Minha autoestima agradece a sua amizade, Gary. — Ironizou Ash, sem qualquer emoção.

O quinteto segue pela trilha lateral do colégio em um estranho e desconfortável silêncio. Era incomum vê-los sem qualquer assunto – por mais excêntrico que fosse.

— Bom, alguma novidade? Já descobriram quem é a nova diretora? — talvez fosse o silêncio, ou o fato do próprio Ash buscar um novo tema de conversa, mas todos os quatro se surpreendem ao ouvi-lo falar novamente.

— Ah, sim, temos uma bem revoltante. — Red se pronuncia antes dos demais. — Mudaram todo mundo de turma.  

— Como é?

— Pois é. Pelo visto agora as turmas serão divididas em ordem alfabética.

— Ou seja, agora eu estou... — Ash começa, contudo Black o interrompe.

— Na 2-A. Gold, Gary e eu estamos na 2-B e o Red na 2-D. — Com um desânimo previsível, ele anuncia. Black observa cautelosamente o semblante de Ash, esperando qualquer sinal de descrença ou indignação.

— Entendo. — Contudo, ele permanece com um olhar indiferente. — Algo mais?

— Bom, White é a presidente ainda, o que não surpreende ninguém e saberemos mais agora na abertura. Ela não quis nos contar quem é a diretora — Red finaliza a explicação no momento exato em que sua voz é esmagada pelo tumulto de alunos que entravam na área de arquibancadas do campo de futebol.

O quinteto para na porta de ferro do local e Ash se vira para seus amigos.

— Bom, eu vou entrar pelo no outro lado — informou ele — acho que a galera está esperando por vocês, sabe, Blue, Misty, White e tal. Bom, até mais. — O Ketchum acena para os amigos e segue seu próprio rumo para o outro portão das arquibancadas. Após algumas passadas, Ash notou o estapafúrdio silêncio dos seus amigos e, ao olhar para trás, não conseguiu esconder sua surpresa. — Mas o que- o que vocês estão fazendo?

Tanto Red, quanto Gary, Gold e Black, seguiam o Ketchum em silencio e com feições descontraídas.

— Ué, indo para o outro lado, né? — Gary responde de forma retorica.

— O cara que sugere isso e ainda pergunta, deve ter perdido a inteligência junto com o cabelo. — Brincalhou Gold e Red ri. Ash permanece incrédulo.

— Eu disse que eu vou por esse lado, vocês não deveriam estar com a namorada de vocês? — indagou ele.

— A gente sempre anda junto, seu jumento! — replicou Red. — Vamos com você, ué. A gente encontra elas depois.

— Eu não namoro mesmo — Black deu de ombros e Gary o olha de esguelha. — Não precisa falar nada. — Se adiantou, o ruivo abre um sorrisinho.

— Vamos logo, se vamos para o outro lado, eu quero ficar no topo da arquibancada pelo menos. — Gold toma a dianteira e os outros três o seguem.

Ash olha seus quatro amigos caminharem lado a lado, enquanto sorriam e brincavam um com o outro e, ali, onde ninguém olhava, o rapaz conseguiu transmitir um de seus mais sinceros sorrisos de gratidão.

* —

O grande campo de futebol se enchia cada vez mais. Alunos, eufóricos com o que poderia ser dito, se aglomeravam pelas arquibancadas e especulavam quem havia substituído a respeitada Diretora Juniper e o que mais lhes intrigavam: o porquê.

— Eu acho que ela teve caso com algum aluno e foi expulsa. — Supôs o francês intercambista Calem para seu grupo de amigos: Paul e Trip, os quais o ignoraram completamente.

— Eu acho que ela ficou gravida e resolveu se mudar para criar o seu filhinho. — Em um outro grupo, não tão distante, Lyra debatia com sua irmã, Crystal, a mesma questão.

— Será? — sem muita empolgação, Crystal responde vagamente, concentrando-se na mensagem que digitava em seu celular.

— Talvez ela não tenha abandonado a escola e sim sido expulsa! — em uma outra ponta da arquibancada, Yellow dramatiza. Blue acaba por não conter sua risada.

— Qual é, Yellow, por que ela seria expulsa?

— Faria sentido uma expulsão — na outra arquibancada, aparentemente Black e seus amigos seguiam o mesmo raciocínio. — Digo, o ano passado não foi exatamente um mar de rosas, né? — Complementou o jovem Hilbert.

— Será que o bagulho que aconteceu com a White influenciou isso? — Gary levanta a questão e todos trocam olhares desconcertado, com exceção, é claro, de Ash Ketchum.

O rapaz mantinha seu olhar em um assento específico daquela arquibancada. Nele, jazia uma moça de uma delicada e branca pele, seus cabelos lisos e azuis-petróleo caiam em seus ombros tapados pelo blazer escola, enquanto apenas uma presilha rosa segurava algumas pontas que formariam uma bela franja.

A menina exalava uma beleza atordoante, qualquer um notava isso. Seus modos eram disciplinados e majestosos e sua compostura graciosa. Dada todas as aparente qualidades, não seria surpresa se aquela menina estivesse cercada de admiradores ou amigos, visto que ela se encaixava em um bom padrão de popularidade.

Contudo, não era isso que acontecia.

Diferente de todos, que se reuniam em grupos e conversavam com uma convincente animação, aquela menina permanecia deslocada. Seus olhos azuis refletiam com desfoco o gramado à sua frente, enquanto sua boca semiaberta, somada com o tamborilar superficial de seus dedos em sua própria coxa, entregava uma feição completamente absorta.

Era culpa dele, Ash sabia, isso também era culpa dele. Não parara para averiguar o estado daquela que, um dia, fez juras de amor para ti, não a tratava com o respeito necessário e desacreditava de qualquer palavra que a menina expressava.

Sempre admiração sua persistência, simpatia e animação. Sempre admirou o quão verdadeira ela era consigo mesma e com seus sentimentos, mas nunca a disse, pois nunca deu uma chance de conhecer seu real lado. 

Havia sido rude, curto e direto daquela vez. Foi exagero? Talvez, mas sabia que não adiantaria se fosse diferente, contudo também não se preocupou o suficiente. Não sabia mais como ela estava, não sabia se havia superado aquela barreira. Não sabia se ela se sentia solitária, irritada ou entristecida.

E, enquanto seus amigos debatiam, ele permanecia lá, encarando-a com pena – como se sua situação fosse melhor do que a dela – e com uma forte empatia.

— Ela mandou mensagem para a White, sabe. — Não que fosse difícil notar o olhar vidrado de Ash, contudo a fala repentina não deixou de surpreendê-lo. Diferente dos outros três, que ainda teorizavam o que causaria a troca de direção, Black acompanhava o olhar de Ash.

— É?

— Uhum. Quando ela soube do que aconteceu com Jin, mandou mensagem para White desejando forças — o rapaz abre um sorriso — foi tão chocante para a White que ela me contou com um sorrisão. — Os lábios de Ash tremem em um sorriso discreto de canto, enquanto seus olhos decaem.

— E depois?

— Bom — Black se espreguiça — ela e White mantiveram contato, claro que nada muito diário, mas White aproveitou a abertura para tentar puxá-la de volta para o grupo. — Ele explica. — E foi naquele encontrão do mês passado, que você não quis ir de jeito nenhum — Ash dá de ombros —, que ela realmente se reuniu com todo mundo novamente. Não falamos de você e da Serena — Black se antecipa ao ver o Ketchum abrir a boca —, achamos melhor tentar entrosá-la novamente e acho que deu um pouco de certo, ela se abriu um pouco conosco.

Ash redireciona seu olhar a Dawn.

— Mas ela ainda tem receio — especulou — ainda prefere ficar sozinha.

— Talvez — diz Black —, mas talvez seja apenas medo, ou vergonha.

— É, eu entendo esse medo — sem pensar, Ash confessa. O moreno tinha ciência do olhar empático de Black, o qual havia lançado de forma incoercível, contudo o ignorou.

— Bom, é, eu sei como é também — com uma tosse forçada, Black se recompõe. — Mas acho que ela voltará, ela quer voltar.

— Ela vai conseguir. Ela vai... — Ash murmura, encostando suas costas na cadeira e encarando o céu azul mesclado com nuvens.

— Olha, Ash- — Black é interrompido com um som estridente provindo do campo. 

 Bem no centro do gramado, uma mulher subia pacientemente os degraus de um palco improvisado. Um dos funcionários do colégio dispõe a ela um microfone, o qual é agarrado por suas mãos enrugadas e preenchidas de anéis dourados.

Um chapéu púrpuro de crochê protegia seus curtos cabelos loiros-grisalho que se ondulavam nas pontas que escapavam do tecido. Suas vestimentas eram formais e aparentavam ser da melhor qualidade possível.

Trajava uma saia-terno com a mesma coloração de seu chapéu, enquanto uma blusa branca era aparente pelos poucos botões abertos de seu blazer. Seu rosto entregava um avanço otimista na idade, algumas marcas de feições ou manchas se faziam presente, contudo se mantinha com uma aparência firme e um olhar jovial encobertos por uma leve maquiagem.

Seu semblante denotava uma rigidez assombrosa, por um momento, a mulher descansou sua bengala na madeira de seu improvisado palco e rodeou suas orbes escuras por toda a multidão que lhe assistia e murmurava a sua chegada.

E com um único pigarreio ecoado pelo microfone, todos se calaram.

— Bom dia, jovens e potencialmente estimulados estudantes da Elementary Saffron School. — Sua voz era tão firme quanto seu olhar, trazia um tom autoritário, contudo não deixava o ar receptivo de lado, enquanto um meio sorriso afeiçoava seus lábios. — Para os que não me conhecem, eu sou a Professora Agatha Cristine Evans e hoje, anúncio com total prazer, a minha ocupação no cargo de Diretora Geral dessa escola.

Com a disciplina em dia, vários alunos aplaudem a introdução da diretora em prol de demostrar uma boa recepção. Ash, Black, Red e Gold segue a conduta dos demais e aplaudem superficialmente.

Contudo, o diferencial estava justamente no último integrante do quinteto: Gary Carvalho.

— Gary? Tu tá bem, mano? Que olhar assombrado é esse? — ao finalmente notar a inquietude do ruivo, Gold questiona.

— É a velha Agatha... — sua voz vacila, enquanto suas orbes dilatadas ainda fotografavam o rosto da diretora.

— Hein? — desta vez, Red que balbucia. — Você conhece ela? — Gary assente.

— Ela é amiga do meu vô, sempre foi muito rígida... — o olhar de Gary percorre os rostos curiosos de seus amigos — ela já me castigou tanto... — um arrepio agoniante percorre sua espinha. — Eu achei que essa velha já estaria no caixão... — murmurou, seus amigos trocam rápidos olhares e Gold até ri levemente, contudo são pegos pela voz da diretora novamente.

— E assim como eu — naquela altura, ela já havia explicado resumidamente as normas e horários escolares, assim como a nova divisão de turmas —, novos professores e funcionários irão compor nosso corpo estudantil. E está explicitamente proibido qualquer desrespeito com qualquer um deles. Todos os funcionários possuem a autoridade para castigar seus alunos.

“Antes de encerrar, gostaria de dizer algumas palavras: essa escola passara por severas mudanças. Devido a incidentes e posicionamentos do ano anterior, a Professora Juniper necessitou ser afastada por sua incompetência em administrar e evitar tais problemas.”

Novamente, murmúrios indignados rodeiam as arquibancadas. A Diretora Agatha cerra seus olhos.

— Silêncio! — exigiu e novamente todos se calaram. — Não é relevante ou competente para o momento opiniões alheias sobre o afastamento da professora, guarde-as para vocês e me escutem, apenas. — Sua voz fria enfurece boa parte daqueles que a ouviam, em especial, Black, que cerra seus punhos com força. — Prosseguindo, devido aos problemas, foi solicitado a mim a ocupação do cargo para reger a Elementary Saffron School para o sucesso novamente. Portanto, começarei corrigindo os erros da Professora Juniper em prol de um melhor ensino para vocês.

Um breve silêncio é feita pela diretora e a arquibancada a acompanhou. Apesar das feições descontentes, ainda se interessavam pela conclusão e, percebendo isso, o rosto esquelético de Agatha se converte em um sorriso.

— Não pretendo ser amiga de vocês, tampouco, facilitar suas vidas. — Seu olhar frio rodeia novamente as arquibancadas. — Portanto, se quiserem um ensino médio tranquilo: sigam as minhas regras. Isso é tudo, tenham um bom dia, confiram qual a nova turma de vocês no mural e vão direto para a aula. Estão dispensados!

Após o descer da diretora, todos os alunos se levantam e o retorno dos murmúrios ressoa por todo o local. Gary e os demais acompanhavam os alunos lentamente até os degraus da arquibancada.

— Mas que velha desgraçada! — Black ralhou, assustando a todos. — Fazer pouco caso da Diretora Juniper! Ela fez o que pôde para contornar aquele incidente.

— Eu disse! Ela é extremamente mal-amada, vai querer fazer de nossas vidas um inferno! — reforçou Gary, cerrando os punhos. — Ela é uma víbora velha que se alimenta do sofrimento dos outros.

— Ela é igual os Dementadores de Harry Potter. Se alimenta da felicidade dos outros. — Gold compara, rindo sozinho, todos arqueiam a sobrancelha em direção do garoto. — Crystal me fez ler os livros, é bem legal, recomendo! — explicou, arrancando breves risadas dos amigos.

— Isso sim é surpreendente! — comentou Red.

Ao finalmente chegar no lado de fora do campinho, o quinteto se separa. Gold e Black, que agora estavam na mesma sala, seguem para a direita, já Gary argumenta que veria Misty antes de entrar para sua sala. Red e Ash permanecem parados no mesmo lugar.

— E então, já vai para a sala? — questionou Red.

— Vou lá no mural pegar meus horários e depois irei para a sala sim. — Respondeu com simplicidade, contudo percebera o olhar distraído do amigo. — Vai ver a Blue?

— Oi? — Red volta a olhá-lo.

— Você vai encontrar a Blue?

— Ah — Red põe as mãos no bolso e redireciona seu olhar para um canto aleatório — não sei, a gente não está muito bem ultimamente.

— Hum — Ash cerra seus olhos — por quê?

— Temos, bem... opiniões diferentes. — Não precisou de mais para Ash entender. O moreno suspira com peso e põe a mão de forma suave no ombro do amigo.

— Olha, Red — Red o encara —, era justamente isso que eu queria evitar. Eu agradeço de coração a sua parceria e fidelidade comigo — o Ketchum sorri com honestidade —, mas não é justo para você ou para a Blue essa briga boba, especialmente depois do enrolo todo para vocês finalmente se assumirem.

— Isso não aconteceria se ela não fosse orgulhosa.

— Você estar aqui e não tentando conversar com ela mostra que é tão orgulhoso quanto. — Retrucou Ash. — Não que isso fosse surpresa, mas... valorize o que vocês dois possuem e vai se resolver com ela, eu não quero ser o motivo do término de ninguém, muito menos de vocês.

Red puxa o ar e o exala com força. Após uns segundos em silencio, ele retira suas mãos do bolso e sorri para seu melhor amigo.

— Ok, vou procurá-la. — E com tais palavras, Ash sorri novamente.

Não tardou para eles pegarem caminhos opostos, afinal Ash não queria trombar com Blue enquanto estava com Red e com isso, o moreno segue sozinho até outra lateral do colégio.

* —

Era comum a Elementary receber alunos de diversos lugares, portanto, características, traços e jeitos peculiares não eram estranhados pela grande maioria dos alunos.

Ainda assim, isso não evitava os olhares curiosos em alguns rostos que nunca transitaram pelos corredores do colégio, especialmente, quando a figura digna de tal atenção balançava com empolgação seus longos cabelos em sintonia com seus passos saltitantes e ostentava de um radiante sorriso.

Apesar do tom turquesa que preenchia suas mechas, a menina não pecava no quesito beleza. A coloração trazia uma combinação delicada com seus olhos mesclados em um azul-esverdeado e em sua pele mais pálida, qualquer olhar alheio se perdida diante daquele sorriso bem-humorado e nos gestos contagiantes da menina.

Ao seu lado, um contraste existia.

Com uma expressão cansada e passos arrastados, o jovem rapaz de olhos caramelos seguia os rastros de sua amiga saltitante. Seu uniforme amarrotado e seus cabelos curtos desalinhados entregavam uma possível pressa para se apresentar no local, junto com isso, as lágrimas de sono que insistiam em umedecer seus olhos a cada bocejo dado.

— Vai mais devagar, Lisia. — Resmungou ele, enquanto tentava inutilmente arrumar seu cabelo com uma das mãos.

Atendendo ao pedido por meio de risadinhas, a menina cessa seus saltos e aguarda o rapaz aparecer ao seu lado.

— Obrigado.

— Tire essa cara muxurunda, Brendan! — incentivou ela com uma piscadela. — Olha que escola enorme! É totalmente diferente daquela que estudamos em Hoenn.

— São sete da manhã, Lisia — o rapaz resmunga novamente — eu só vou conseguir apreciar essa escola quando eu estiver saindo dela.

— Você é um chato mesmo — a menina dá de ombros. Brendan arqueia uma de suas sobrancelhas e observa o semblante sorridente da amiga.

— Me admira ver toda sua empolgação. Você detestava acordar cedo.

— Ah — ela se espreguiça, despreocupadamente — eu gosto de recomeços, são excitantes, não acha? — o rapaz suspira, contudo um conjunto de vozes fazem o mesmo dar um sobressalto.

Paradas em um armário não tão distante da dupla, um grupinho de meninas conversavam animadamente. Brendan percorre seu olhar no rosto de cada e um com um suspiro, ainda mais desanimador, retoma seu olhar para Lisia.

— Ela não tá ali no meio não? — indagou a menina, ainda observando as garotas com um semblante intrigado. Com um engasgo inesperado, Brendan tosse e sente seu rosto queimar.

— Do-do que você tá falando?

— Ora, daquele seu delírio mental, a tal May — ela ri ao ver o rapaz desconcertado — Você ficou até mais aprumadinho só de pensar que ouviu a voz dela.

— Não seja idiota — foi a única coisa que ele conseguiu falar. — Bom, ela estuda aqui... então realmente pensei que fosse ela. — Confessou após um tempinho e Lisia sorri.

— Gosto da sua honestidade, Ruby. — O rapaz cora com o apelido.

— Já disse para parar de me chamar assim! — ralhou com rispidez. A menina o olha de canto, um tanto emburrada.

— Você adorava quando éramos pequenos — diz ela. — Mas de todo jeito, vai no banheiro dar um jeito nesse seu cabelo e desamassar essa blusa aí, vai, se não a May vai ter um troço quando te revir. — Em um gesto nada infantil, Brendan mostra a língua para a amiga, contudo não rejeita seu conselho.

— Vai me esperar ou vai para a diretoria? — indagou ele ao notar uma placa que direcionava com uma seta a localização do banheiro.

— Vou dar uma volta e depois vou pra lá. — Respondeu ela com simplicidade. — Pelo mapinha que recebemos, a diretoria fica no segundo andar. — O menino assente e, com um aceno rápido, segue em direção ao banheiro masculino.

Após acenar rapidamente de volta, Lisia sorri e volta a caminhar – agora evitando os entusiásticos saltos – pelo corredor cercado de alunos.

A menina se maravilhava cada vez mais com a estrutura e até mesmo com os alunos que compunham a escola, vez ou outra, sustentava alguma troca de olhares com uns rapazes e se divertia com as reações constrangidas dos mesmos ao vê-la piscar para eles.

Ao finalmente chegar na escada que levava ao segundo andar, pensou na possibilidade de se aventurar ao lado de fora do colégio, mas em contrapartida, lembrou de como a diretoria se mostrou rígida na apresentação há pouco tempo e contentou sua vontade para explorar os outros arredores com seu amigo mais tarde.

Ainda assim, isso não a impediria de passear pelo outro andar do colégio antes de entrar na diretoria.  

Com esse pensamento em mente e a excitação transcorrendo seu corpo, ela avança pelas escadas de forma animada e a cruza velozmente, passando por um casal que, até então, estava desfocado de seu olhar.

Todavia, após aquela voz conhecida estagnar em seus ouvidos, ela parou de subir.

— Não é tão fácil assim — o saudoso e, em outros tempos, cobiçado Gary Carvalho resmungava, enquanto tinha sua gravata arrumada com certa veemência por sua namorada: Misty Waterflower.

Os cabelos brilhantes e ruivos de Misty, agora soltos, haviam ganhado um pouco mais de comprimento nesses últimos meses, passando um pouco de seus ombros. Seu corpo aparentava ser o mesmo de antes, sem um sinal alarmante daquela secreta gravidez, contudo era visível que a roupa ajudava a acobertar isso.

Misty trajava o uniforme padrão do colégio, contudo seu diferencial se encontrava no suéter bege – também dado pelo colégio – ao invés do blazer que todos optavam por usar. Propositalmente, o suéter era mais larguinho e tapava até mesmo uma parte de sua saia.

Lisia, ao se virar para enfim contemplar o casal, abre um sorriso de canto. A expressão rígida da ruiva não desfavorecia sua beleza, pelo contrário, seus olhos esverdeados brilhavam como nunca, enquanto refletiam a gravata de nó duvidoso feito pelo seu namorado.

— Você precisa aprender a se ajeitar! — exclamou ela. — Não é possível que você seja tão burro ao ponto de não conseguir por uma gravata. — Um sorriso percorre os lábios da Waterflower ao vislumbrar o semblante indignado do namorado.

— Eu já disse, não é tão fácil assim!

— Ah, não? — com seu tom retórico, ela indaga. — Então como eu já terminei? — ao puxar levemente o tecido e assegurar que o nó estava firme, ela questiona, surpreendendo-o.

— Ah, bebê, que você é bem mais elevada que eu, não é novidade. — Gary aproveitou a risada descontraída da namorada para tomar seus lábios em um selinho demorado. — Obrigado!

Lisia, que até então observava tudo em silêncio, aproveitou a brecha para pigarrear. O casal de ruivos nota de imediato o terceiro elemento escorado no corrimão e, enquanto Misty a lançava um olhar intrigado, Gary parecia mais desconcertado.

— Há quanto tempo, Gary, não esperava revê-lo! — e com um aceno rápido, ela segue sorrindo. 

— Hum? Conhece ela? — Misty se pronuncia primeiro, direcionado sua intriga ao namorado.

— A-ah, sim, ela é-

— Então é por isso que você me rejeitou na padaria. — A menina sorri, encarando Misty dessa vez. — Você tinha uma namorada.

Como o Gary mesmo disse, Misty não era burra, logo não tardou para a mesma ligar os pontos e relembrar do curioso caso da padaria. A menina avança uns passos a frente e Lisia, prevendo a ação, faz o mesmo, contudo com o braço estendido.

— O Gary não deve lembrar o meu nome, então... — ela sorri de maneira simpática — eu me chamo Lisia e você?

Misty encara a mão da menina por reles segundos e depois reflete seu olhar naquele sorriso, na sua opinião, forçado. Mas por não rejeitar as boas maneiras, corresponde o cumprimento com a mesma feição.

— Sou Misty, a namorada dele — enfatizou. — Estou realmente surpresa, não esperava que você fosse guardar o rosto do meu namorado, tampouco o seu nome... — argumentou, ao largar a mão da outra.

— Ora — Lisia ri — não é todo dia que um rapaz quebra seu celular ao invés de apenas me rejeitar — o olhar da menina passa por Misty e trava no rosto pálido de Gary. — Ele deve ter ficado bem atiçado, né? Para não conseguir me dar uma resposta decente...

Nenhum verão fizera Gary sentir tanto calor como aquele momento.

— Como é que é?

— Cla-claro que não! Eu apenas não espera-

— Mas eu ainda fico surpresa — Lisia o interrompe novamente e, desta vez, encara Misty de baixo para cima com um notável deboche — você deve ser muito fiel, ruivinho, para resistir apenas por uma namorada com esses atributos.

Gary pôde pressentir, as maças de Misty se avermelhavam, seus lábios tremulam de forma incontrolável e suas sobrancelhas se juntavam na mesma sintonia de seus punhos. Um olhar frio fuzila Lisia com precisão, enquanto o ódio em seu peito crescia a todo instante.

Esses atributos? — talvez por impulso ou por compartilha da mesma indignação, Gary intervém, avançado entre as duas. O rapaz já não se amedrontava, pelo contrário, estava tão sério que poderia até ser irreconhecível. — Você não tem noção da quantidade de qualidades que a Misty tem. Sua beleza vai além de física. Ela é estudiosa, esperta, gentil, companheira e extremamente confiável.

Era como se um bola de ar esvaziasse no peito da ruiva, sua expressão de pouco a pouco mudava para a mais singela das surpresas e seu olhar se estagnava nas costas daquele que falava.

— Ela fica tão fofa quando está envergonhada, consegue ser assustadora e linda ao mesmo tempo e não possui nenhum ângulo ruim! Você tem noção de como é impossível não ter um ângulo ruim? — indagou, como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Lisia também não continha sua incredulidade e não conseguia retrucar. — Alguns dizem que ela é orgulhosa, porém eu já acho ela extremamente independente, ela é firme e defende suas verdades. Ela é uma mulher perfeita, esse são um dos atributos dela e você — desta vez e apenas desta vez, Gary demostrou desprezo em seu olhar — até agora não demostrou um terço dos atributos que ela possui e não chega nem nos pés dela.

Ele não se importava mais se iria ou não magoar aquela garota. Não travou suas palavras e nem buscou saídas, não após mexer com aquela que ele mais amava.

Lisia estava desestabilizada. Não sabia como agir ou falar, apenas perdia seu olhar naquelas orbes que lhe confrontavam de forma tão séria.

— O-olha, eu... — ela se sentia envergonhada, constrangida ao seu máximo e, quando um pouco de coragem armazenou seu peito, conseguiu desviar seu olhar. — Você sabe o caminho para a diretoria? — questionou de forma tão tímida que, desta vez, Gary que desestabilizou seu olhar.

— Hein? Hã, no final à direita desse corredor. — Ele respondeu, contudo com sua atenção voltada para aquela em silêncio atrás de ti.

— Ce-certo, desculpa e obrigada! — e, inesperadamente, Lisia saiu. A respiração da garota estava pesada e seu coração batia mais forte do que nunca e ali, naquele cruzado da escada, apenas o casal de ruivos permanecia.

Gary manteve o silêncio por alguns segundos, não por medo ou hesitação, mas pelo simples motivo de estar envergonhado.

Misty estava cabisbaixa. Não esperava uma atitude do namorado, na verdade já preparava um sermão sobre se calar diante de situações como aquela e agora não sabia como reagir. Sabia que estava vermelha e seus olhos marejavam de emoção.

Sua mão se move e suavemente toca em sua própria barriga. Era um toque receoso, indeciso, mas ainda desejável. E mais uma movimentação ocorre, essa mais abrupta.

Envolvendo seus braços pela cintura do ruivo, Misty o abraça por trás, puxando-o para o mais perto possível dela. Gary sente os cabelos macios de sua amada descansarem em suas costas e uma pequena fungada o faz sorrir.

— Eu te emocionei, foi? — brincalhou, buscando proporcionar descontração. Misty ri.

— Por mais que eu odeie admitir, sim, você me emocionou — ela sussurrou. — Eu não precisava da sua ajuda...

— Eu sei que não.

— Poderia lidar muito bem com aquela... aquela... piranha!

— Não tenho dúvidas disso.

— Mas obrigada, eu amo você!

— Obrigado pelo reconheci- — os olhos do ruivo se arregalam. — O-o que você disse ali?

— Obrigada...

— Não, depois disso.

— Ah... é — Misty aprofunda mais seu rosto nas costas de Gary — eu amo você...

O ruivo se vira inesperadamente, fazendo-a se deslocar para frente e num gesto rápido ele a acolhe novamente em seus braços. Não necessitava palavras para aquele momento, tampouco olhares a serem trocados. Aquele abraço caloroso preenchia tudo que era necessário.

Gary não precisava responder e ambos sabiam disso, o ato era a maior prova de amor que alguém poderia receber.

Já Misty apenas aproveitava aquele abraço protetor, o abraço que ela nunca percebera que era tão bom, tão quente e que sempre esteve a sua disposição. Suas lembranças percorrem o passado, ao momento que vacilou em contar sua gravidez, no momento em que disse aquelas três palavras por pura pressão que impôs em si mesma.

Não sabia se lá era verdadeiro, se lá o sentimento existia. Mas agora era real, não fora forçado ou programado, fora singelo, repentino e até mesmo mais bem entonado. E no meio daquele abraço, uma mão discreta acaricia sua própria barriga.

E naquela escada, três corações forte palpitam.


Notas Finais


E aí, gostaram?

Gary e Misty.... o que dizer desses dois? Eu confesso que o capítulo não acabaria ali, mas eu achei a cena tão necessária que não tive a ousadia de por alguma outra para retirar o seu foco. Gary e Misty é um casal que eu não esperava me afeiçoar tanto e atualmente é um dos meus preferidos, a evolução do Gary foi feita com carinho e eu espero muito que vocês tenham gostado tanto quanto eu gostei.

É um casal que merece o espaço que conquistou e que, sem duvidas, trará ainda mais emoções para cá.

E agora quero saber de vocês: O que vocês acham desse casal?

Bom, por hoje é só, galerinha, espero que vocês tenham gostado e quando vocês menos esperarem eu vou retornar xD

Vejo vocês nos comentários e/ou no próximo! Até lá! xD


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