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História I Hate You. - Capítulo 18


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Capítulo 18 - In The End.


Fanfic / Fanfiction I Hate You. - Capítulo 18 - In The End.

"Não."

Uma única palavra.

Três letras.

Um acento.

Uma única palavrinha que foi capaz de virar Los Angeles de cabeça pra baixo.

Vocês tem noção disso?

Nem eu acreditei quando ouvi. E fui eu quem inventei aquela bagunça!

Todos os convidados expressaram seu espanto de forma conjunta, com suspiros de surpresa e falação contínua entre si. Eu me encontrava estático,como se eu tivesse recebido um choque. Sabe quando vocês ficam parados no tempo por alguns segundos tentando processar completamente o que tinham ouvido? Então. É essa coisa louca.

A maquiagem de Talinda se encontrava quase irreconhecível em seu rosto por culpa da crise de minutos atrás, o qual eu não consegui descobrir quem tinha o causado. As vozes das pessoas passavam de forma abafada por meus ouvidos, mas consegui ouvir um "Eita porra do caralho" vindo de Joe.

Chester segurou suas mãos com força, e ela voltava a chorar. Ele gesticulava calmamente com uma expressão que eu não saberia definir. Acho que era de súplica. Talvez que ela entendesse (?)

Minha nossa nossa nossa.

- Breno - Brad me chacoalhou e eu voltei a realidade. A esposa do mesmo olhava para a saída da frente, espantada, cochichando com uma moça que eu não sabia quem era.

- Acho melhor a gente dar uma forcinha - Apontou para o altar improvisado com um movimento da cabeça. Talinda estava pálida e parecia querer desmaiar a qualquer hora - Você sabe pra onde foi o Mike?

- É sério isso Brad?

- O que? - Me calei, ficando confuso comigo mesmo se eu deveria ficar bravo ou não. A aquela altura já não tinha ficado meio óbvio o rolo todo? Tipo assim, por qual motivo Chester diria "não" depois de Mike ter ido ao quarto dele, e por qual motivo ele não estaria lá naquele momento? Alô? Ou talvez não. Ai foda-se, não sei.

- Nada, vamos - Agarrei sua mão e o puxei até lá, tentando ultrapassar o aglomerado de pessoas que ainda observavam e faziam comentários ou críticas sobre, como se vissem uma novela. Odeio parente.

- ......Por favor, diga algo. Eu não queria que as coisas tivessem chegado a esse ponto - Ele limpava as lágrimas de Talinda com o polegar, delicadamente. Parei a alguns centímetros de distância, receoso de interferir naquela situação tão complicada entre eles. Tali me olhou de relance e fungou algumas vezes, respirou fundo e segurou as mãos de Chester. Ela foi erguendo lentamente seus olhos em direção a seu rosto, como se a causasse dor fazer aquele movimento. Mais lágrimas caíram, as quais foram enxugadas da mesma forma de antes. Por fim sua boca se abriu, mas nenhum som saiu. Somente na quarta tentativa:

- Eu já sabia. - Ela falou em um fio de voz - Eu sempre soube.

Talinda, antes afogada nas próprias lágrimas, abriu um sorriso completamente doloroso que me doeu na alma. Apertei a mão de Brad com força, e senti seu olhar.

Chester fizera menção de dizer algo, mas foi interrompido:

- Não - Ela fez um esforço imenso para engolir o choro. O queixo tremeu, demonstrando toda sua tentativa - Não diga nada.

Chester apertou seu rosto entre as mãos. Foi a vez de Talinda limpar as próprias lágrimas. Afastou as mãos de Chester por seu pulso e depositou um beijo calmo nelas em um ato dolorido.

- Seja feliz, Chester. Seja completamente feliz.

Meu corpo se arrepiou e eu voltei a ficar estático, apertando mais a mão de Brad, o qual eu sabia que não estava entendendo nada.

Chester acabou com a distância dos dois em um forte abraço, sussurrando palavras pra ela que a fizeram voltar a chorar. Ele também quase chorou, mas emocionado. Sinceramente eu tava quase, mas ouvi um protesto de dor alto e me assustei, olhando pro lado.

- Brendon, você tá quebrando minha mão! - Brad declarou, choroso, e eu o soltei. Sacudiu a mesma, me olhando com uma raivinha de leve. Sorri de forma amarelada:

- Desculpa

Quando olhei novamente,Chester já se retirava, e Talinda observava mais conformada, calma. Desceu do altar e recebeu olhares cheios de ódio,confusos e de reprovação dos convidados. Ao passar por nós, Brad o encheu de perguntas, e ele apenas repetiu que estava tudo bem e que não deveria se preocupar. Me olhou por cima do ombro e assentiu, dizendo sem emitir som nenhum com a boca:

- Obrigado.

*

A notícia estava em todo lugar. A mídia era uma coisa muito suja. Desliguei a televisão, exausto e raivoso de ouvir o jornal falar sobre o caso entre Chester e Mike e o rebuliço do casamento. Mas a única coisa que se passava pela minha cabeça era de como caralhos grandes ficaram sabendo. Talinda? Pra que? Por que?

Isso me preocupava, me deixava louco. Me sentei e fiz a milésima ligação a Mike, a qual pela milésima vez ele não atendeu.

"Oh japonês que dá trabalho,viu...."

Esperei nove minutos e fiz a ligação de novo. Finalmente a voz de Mike ecoou na linha, e eu pulei da cadeira:

- Al..

- MICHAEL KENJI SHINODA

- Ah não,meu nome completo

- Onde você tá?!

- Onde mais eu estaria?

- Na sua casa,lugar em que estou agora?!

Ouvi um suspiro, seguido de uma respiração pesada:

- Sim Brendon, mas o pessoal da mídia cairia matando em cima de mim.

- Quem quer cair matando em cima de você sou eu, sabe do quanto me deixou preocupado?!

Ele riu e meu sangue ferveu. Eu já estava pronto pra começar um sermão ou até uma discussão

- Brendon

- Não vem com esse "Brendon" pra cima de mim não Michael,a gente vai sair no soco quando eu te encontrar

Ele só riu alto.

- Primeiro,me deixa plantado lá,sozinho no frio e no escuro

- Brendon

- Depois,sai sem me avisar

- Brendon

- Aí,some e desliga o celular

- Brendon

- E não deixa nem uma mensagem pelo menos?! Vc ainda saiu com o meu carro!

- Brendon Urie!

- O que é,caralho?!

- Você não entende?

- O que?

- Acabou.

Prendi a respiração. Não precisei ver,mas eu sei que ele estava sorrindo do outro lado da linha. Eu tinha uma vontade imensa de abraça-lo naquele momento

- Acabou,Bren. Acabou,acabou,acabou...todo o meu inferno pessoal acabou.

- Não Michael,só começou. A imprensa..-

- Foda-se a imprensa,Brendon! Eu e Chester estamos juntos!

Fiz silêncio e abaixei meu olhar, observando o carpete de sua sala.

- "Bennoda is real" - Ele disse num tom brincalhão, e eu soube que sorria novamente - graças a você. Bren, obrigado. Eu amo você.

Meus olhos marejaram. Um nó se formou na minha garganta, uma agonia e angústia invadiram meu peito, e eu não soube explicar o motivo.

Mais tarde entenderia o porquê.

- Ah, Mike...- Ergui a cabeça e as lágrimas umideceram meu rosto, mas eu sorri - Eu também amo você. E sempre vou amar. Eu quero que saiba de uma coisa..- Fiz uma pequena pausa - Eu quero que você seja muito feliz. Muito feliz. Mesmo que um dia eu não esteja mais aqui, eu quero que sorria sempre e ame intensamente. E eu vou ser pra sempre, eternamente, seu melhor amigo, e vou te proteger a todo segundo, a todo minuto, a toda hora e a todo momento. Você promete se lembrar disso? Mike? Promete?

Ele não respondeu. Ouvi suspiros trêmulos de sua parte e acho que ele chorava. Mas eu sentia necessidade de ouvir sua resposta.

- Por favor, fala que nunca vai esquecer.

- Eu nunca vou me esquecer, Bren. Nunca.

- É bom que não se esqueça mesmo, eu te daria uma voadora de dois pés - Consegui faze-lo rir, mesmo que nasalmente.

- Eu vou ser pra sempre seu melhor amigo. Agora, vá até Chester.

Desliguei e fiquei parado em meio a sala, observando a tela do celular. Soltei um suspiro fundo e tratei de me recompor, mandando a velha amiga "tristeza" embora.

Me joguei no sofá e fiquei ali pensando por um tempo, até decidir ir pra casa,esperar que toda a tempestade passasse. Meus pensamentos foram interrompidos por uma voz feminina, grave, vinda de trás do sofá:

- Brendon.

Mal sabia eu que a dona daquela voz seria a minha maldição.

Me virei e automaticamente franzi o cenho. Meggy estava ali. Impecável, impassível, e eu reconheci seu vestido vermelho.

- O que você..-

- Onde Mike está?

- Que?

Ela repetiu, calmamente e inexpressiva.

- Onde Mike está?

- E do que te interessa onde meu melhor amigo está?

Meggy não demonstrou reação imediata. Parecia catatônica, me observando como se olhasse o vazio. Minutos depois que pareceram uma eternidade ela sorriu cinicamente:

- Que fofo.

E saiu, indo para o próximo cômodo. Me ergui, inconformado com tanta audácia e confuso com sua ação.

- Meggy? - Ela passou pela cozinha que não tinha nada a lhe oferecer e foi para o quarto, vasculhando tudo freneticamente, abaixando repetidas vezes para ter a certeza de que ninguém estava embaixo da cama.

- Meggy, foi você que contou para a Talinda sobre aquilo, minutos antes do casamento, não foi? - Não tive respostas. Ela começou a remexer no armário, jogando todos os cobertores e roupas dobradas para o chão - E foi você...- Uma luz se acendeu em minha mente, e eu passei a olha-lá incrédulo - Você...que contou pra mídia. Não foi? Meu deus, Meggy! Como você pod..

Meggy sacou algo rapidamente de seu quadril e apontou em minha direção. Era uma arma. Meggy estava armada.

Congelei.

- Onde o Michael está, Brendon? -

Tudo a minha volta parecia parar. Meu queixo começou a tremer, e eu dei passos pra trás até que minhas costas batessem na porta.

- Eu não sei.

- Eu vou perguntar pela última vez. Onde ele está?

Comecei a entrar em desespero, mas eu realmente não sabia onde ele estava. Na ligação, Michael não me disse. E mesmo que eu soubesse, eu nunca contaria.

- Solta isso, Meggy. Por favor......

Ela cerrou os dentes e em um ato odioso, forte e impulsivo, me acertou uma coronhada. Fui ao chão, atordoado, sentindo o líquido quente e grosso escorrer de minha testa.

O som seco dos seus saltos se afastando foram a única coisa que ouvi diante de meus ouvidos que zumbiam.

- Meg...Meggy...Meggy - Me ergui de forma bamba, ora cambaleando, e me apoiei no batente da porta - Meggy? O que você vai fazer?! Por favor, POR FAVOR, O QUÊ VOCÊ VAI FAZER?! - Gritei a pleno pulmões.

Ouvi o som do disparo. Eu não senti nada. Não senti nada, apenas uma pressão, como se algo tivesse sido empurrado com muita força contra minha barriga. Em seguida, o sangue começou a jorrar, me deixando tonto, sem ar, dormente. E então veio a dor, a tão conhecida dor, como se eu tivesse sido perfurado com um ferro quente. E eu gritei.

Tudo a minha volta estava turvo. Desfocado. Eu não conseguia pensar em nada, exceto em Mike, da sua voz ecoando em minha cabeça dizendo que o inferno pessoal dele tinha acabado.

- Meg..- Tossi sangue e me curvei, pressionando minha barriga com as mãos.

"Não, não não, não, não, não, não..."

Eu sempre soube que eu morreria sozinho, mas não daquele jeito.

Respirei fundo o máximo de ar que eu conseguia, mesmo que de forma completamente falha. Me apoiei na parede apenas com uma das mãos e me ergui de forma trêmula; eu sentia cada energia minha ser sugada. Me concentrei nos passos, e fui, bem devagarinho, como se eu estivesse reaprendendo a andar.

"...1...2...1...2...1........2....1...2"

Meggy vasculhava a gaveta da sala, e folheava apressadamente um pequeno caderninho, como se procurasse algum número ou endereço. Me aproximei o suficiente dela, e assim que o fiz, agarrei sua mão a qual a arma estava, e ela se virou em um flash de segundo. Eu não conseguiria, eu não estava com mais forças para me manter de pé. Joguei todo o peso de meu corpo contra ela e a mesma caiu com tudo no chão. Me coloquei por cima, recebi chutes os quais fizeram minhas vistas escurecerem, mas não soltei a maldita arma.

Meggy começou a forçar a arma em minha direção; eram minhas mãos contra as dela. O sangue que escorria de minha barriga manchou seu vestido também vermelho, mas em um tom escarlate permanente.

O suor tomava conta de minhas têmporas. Eu concentrava toda minha pouca força contra ela, mas eu não conseguia.

Eu comecei a rezar, a clamar a Deus sem que eu me desse conta, desejando não morrer, pelo menos não naquele momento. Por favor, não naquele momento.

E pela primeira vez, em tantos anos, Ele me ouviu.

Soltei um grito rasgado, doloroso, implorando misericórdia. Eu estava morrendo, eu sabia disso.

Fixei os olhos nos de Meggy. Ela emanava e cheirava a loucura, puro ódio. Pouco a pouco, a força de suas mãos foram cedendo, e eu consegui torcê-la até seu peito. Pus meu dedo acima do seu, no gatilho, e fiz o disparo. Seus olhos azuis que classifiquei como infernais naquele momento se arregalaram, e pouco a pouco, perderam vida enquanto um novo tom de vermelho tomava conta de seu vestido.  

{. . .}

E no final, isso importa.



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