História I Hate You, but I love You - Imagine Kim TaeHyung - Capítulo 22


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys (BTS), Kim Taehyung, Romance Escolar
Visualizações 253
Palavras 5.154
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa Noite ^^

Segue mais um capitulo :)
Boa leitura e espero que gostem.

Beijos.

Capítulo 22 - Surprises


Fanfic / Fanfiction I Hate You, but I love You - Imagine Kim TaeHyung - Capítulo 22 - Surprises

Taehyung On.

 

- Fique aqui. – Falei colocando ela ao lado.

-Como assim o seu pai? – Ela perguntou ainda sentada em minha cama.

Eu também não foço ideia. Ele não pode aparecer assim do nada, pode? E saber exatamente onde estou morando. Posso estar errado e não ser ele.

-Fiquei aqui no quarto Nayu. – Falei colocando minha camiseta.

-Não. – Ela ficou em pé.

-Nayu. – Me aproximei dela. – Vista seu moletom e fique aqui. Por favor.

Ela apenas me encarou. Virei e fui direto para a sala, meu coração parou, era ele mesmo. Estava mais velho, vestia roupas velhas, mas parecia muito bem.

-Meu filho. – Sorriu. – Meu deus, como você cresceu. – Falou.

Eu não conseguia dizer nada, eu sempre pensei no que diria a ele quando o visse de novo. Eu não sabia se eu iria brigar com ele ou abraça-lo. Mas conforme o tempo foi passando eu comecei a não considera-lo como pai. E decidi esquecê-lo.

-O que está fazendo aqui? – Perguntei.

-Filho... – Se aproximou. – Eu soube da sua tia, ela foi presa mesmo?

Sorri soprado e olhei para o lado.

-Por que você voltou? – Perguntei sem respondê-lo.

-Taehyung. – Falou.

Eu estava muito nervoso, eu não sei o que estava acontecendo. Todo o rancor que senti dele durante todos esses anos estavam explodindo no meu peito. E ele estava notando isso.

- Filho, eu sempre estive perto. – Falou e isso me fez encara-lo. – Eu vi você crescer.

-Então me viu passar fome, me viu ir para a casa de abrigo. – Exclamei. - Viu os agiotas me seguirem por causa do maldito dinheiro que VOCÊ pegou deles. – Falei alto.

Ele olhou para os lados e respirou fundo.

-Sim, eu vi tudo isso. – Respondeu. – Por isso mandei sua tia...

-Espera. – O cortei. – Você a mandou ir me pegar? – Perguntei.

Eu não acredito nisso. Ele viu tudo, ele estava perto o tempo todo e não fez nada.

-Filho. - Falou. – Sim, quando soube que mandaram você para casa de abrigo eu mandei minha irmã te pegar. – Respondeu.

Fechei as mãos em punho.

-Vai embora. – Falei.

- Taehyung, eu não posso ir embora. – Ele falou. – Você está sozinho.

-Agora você se importa? – Perguntei. – Só vai embora. – Falei e virei para voltar ao meu quarto.

-Taehyung! – Me chamou.

Parei, mas não olhei para ele. Eu não estava conseguindo conversar com ele no momento, eu estava muito nervoso para ouvir qualquer coisa dele.

- Me desculpe filho. – Falou. – Eu fiquei desesperado quando eles começaram a me cobrar e eu não tinha mais o dinheiro. Então fugi como um covarde.

-Eu não quero saber. – Falei ainda de costas. – Nada importa, nada sobre você me importa mais. Eu estou muito bem sozinho.

Ouvi ele suspirar.

-Filho... – Começou, mas logo parou quando Nayu apareceu na porta da sala.

Olhei para ela, estava com seu moletom e estava séria. Será que ouviu tudo?

-Quem é essa? – Meu pai perguntou.

Ela olhou para mim e depois para ele. Fui até ela e entrei em sua frente.

-Não interessa. - Respondi. – Só saia daqui.

-Está namorando Taehyung? – Perguntou um pouco animado.

Olhei para o lado e suspirei novamente.

-Isso também não é da sua conta. – Respondi firme.

Afinal, não era mesmo. Ele não pode me deixar sozinho por anos e simplesmente aparecer em minha vida e querer saber de tudo. Ele não se importou comigo, porque voltou? Senti Nayu colocar sua mão em minha costa.

-Taehyung, eu entendo o quão nervoso está... –Meu pai falou.

-Não, você não entende. Se entendesse já teria saído daqui a muito tempo. – Falei.

Ele suspirou. Eu tinha apenas doze anos quando ele se foi. Achei que quando o visse de novo não o reconheceria, mas somente agora, com ele na minha frente, eu percebi que não importa quantos anos passem, eu sempre saberei que é ele.

-Eu vou pra casa. – Nayu falou atrás de mim.

Virei para ela e peguei em sua mão.

-Espera, eu vou resolver isso aqui e eu te levo. – Falei.

Eu ainda não consigo acreditar que há uns minutos atrás estávamos prestes a dar um passo em nossa relação. Meu coração acelerou novamente só de lembrar dela se entregando a mim totalmente.

-Muito prazer, você é a namorada dele? – Meu pai perguntou curvando seu corpo para o lado para vê-la melhor.

-Quase. – Ela respondeu a ele.

-Quase? – Meu pai perguntou lendo os meus pensamentos.

-Sim, ele não me pediu ainda. – Falou.

Meu coração acelerou novamente, ela tem razão. Eu nunca perguntei se ela quer namorar comigo. Eu sou um idiota.

-Ah sim, eu sou o pai dele. – Ele falou sorridente.

-Percebi. – Ela falou firme. – É o pai dele mesmo?

Olhei curioso pra ela, porque estaria perguntando isso?

-Sim... – Ele respondeu confuso.

-Não é por nada. – Ela falou arrumando os óculos. – Pai que é pai não abandona o próprio filho. Não o deixa viver sozinho por anos com uma irmã drogada e só volta quando o pior acontece. Sabia que os policiais praticamente dormiram aqui na frente pra tira-lo do único lar que ele tem?

Ela falava tão calma que chegava a ser assustador, mas eu estava gostando. Aliás, ela estava falando tudo o que estava enroscado na minha garganta. Meu pai a encarava sem piscar.

-Você tem razão. – Ele falou abaixando a cabeça.

-É lógico que eu tenho. – Ela falou com aquela expressão de mandona que eu estava começando a amar. –Estou indo.

Ela virou em minha direção e sorriu.

-Eu te levo. – Falei.

-Não precisa. – Ela levantou os pés e selou a minha bochecha. – Me mande mensagem.

Concordei com a cabeça e ela caminhou até a porta.

-Foi um prazer senhor Kim. – Falou e saiu.

Quando a porta bateu ele me encarou.

-Casa com essa garota! Sério! – Ele falou sorrindo.

-Estou sem um pingo de humor. – Falei o encarando.

-Me desculpe. – Falou. – Por favor, filho. Sente aqui, deixe eu te contar desde o inicio.

Ele estava apontando para o sofá. Fiquei parado o encarando, eu deveria ouvir o que ele tem para me dizer? Todos nesse mundo merecem uma chance, mas será que ele merecia? Ele me deixou sozinho e fugiu, eu sofri com o seu sumiço. Os piores dias da minha vida aconteceram porque ele me deixou.

Suspirei e caminhei até o sofá. Ele sorriu e foi se sentar no outro.

-Vamos lá... – Ele começou se arrumando no sofá. Eu apenas encarava a TV. – Filho, eu conheci a sua mãe na escola, éramos amigos e acabamos nos apaixonando. Depois que nos formamos no ensino médio nos casamos. Logo depois tivemos você. Filho, foi o melhor presente que ela me deu. Mas quando você completou cinco anos ela faleceu...

 -Essa história eu já conheço. – Falei fechando os olhos enquanto cruzava os braços sobre o peito.

-Querido, depois que ela se foi... Eu me envolvi em jogos.

Abri os olhos e o encarei.

-Jogos? – Perguntei curioso e confuso.

-Isso, jogos de cartas. Eu fiquei viciado em jogar e esqueci totalmente de te dar a merecida atenção. Eu fiquei tão viciado que eu apostava dinheiro que eu não tinha. Quando voltei para a realidade, eu estava devendo muito para uma máfia chinesa. Eles têm homens aqui na Coreia, na China, Japão, EUA... Em todos os lugares que você imaginar.

Suspirei. Isso é muito maior do que eu imaginava.

-Quanto está devendo para eles pai? – Perguntei.

Os idiotas sempre me cobram um preço, mas tenho quase certeza de que é muito mais.

-Cem mil.

Arregalei os olhos e me sentei na ponta do sofá.

-O que?! – Perguntei exaltado. – Está brincando comigo?

-É a pura verdade filho. – Respondeu. – Eu precisei fugir. Eles disseram que iriam me matar e depois matar você.

-Ah ótimo. Pensou em ir embora e me deixar aqui, que morra o mais fraco.

-Não! – Ele ficou em pé bruscamente. – Eu achei que estava te protegendo.

Suspirei e passei a mão no cabelo.

-Jeito estranho de proteger as pessoas. – Falei me levantado. – Chega, eu não quero ouvir mais nada.

-Filho. – Falou. – Eu pedi a minha irmã que ficasse com você assim que parti. Mas ela não foi, só foi pega-lo quando descobriu que foi para aquela casa de abrigo.

Fechei as mãos em punho. Só de me lembrar daquele lugar era enlouquecedor, não por ser um lugar horrível. Por ter sido os piores da minha vida, eu era só uma criança. Estava assustado e sozinho.

-Pai, chega. – Falei novamente.

-Eu sei... Eu sei que foi difícil. – Continuou. – Mas eu nunca deixei de pensar em você em nenhum momento.

Virei de frente para e ele e o encarei.

-Mas eu deixei. – Falei e ele arregalou seus olhos minimamente. – Eu não penso mais no senhor, meu pai morreu para mim. – Falei e sai andando.

Virei o corredor e voltei para o meu quarto batendo a porta com força. Como ele ousa voltar e pensar que as coisas voltariam ao normal? Deitei na cama e coloquei os braços sobre os olhos. Depois de alguns segundos ouvi bater na porta.

-Filho. – Era ele. – Eu não vou ficar aqui porque não quero que os agiotas saibam onde você mora. Eu estou em um hotel na saída da cidade, estou deixando o endereço em cima da mesa. Qualquer coisa, se precisar me chame.

Ouvi os passos dele se afastar da porta e assim fechar a porta da sala. Suspirei e me sentei na cama, isso não pode estar acontecendo. Eu não tenho estrutura para perdoa-lo.

Peguei o meu celular e fui direto ao número da Nayu.

Chegou? – Perguntei.

Sim, estou em casa. E você? Tudo bem? – Respondeu rapidamente.

Estou. – Respondi.

Ele vai ficar ai? – Perguntou.

Não, foi para um hotel na saída da cidade. – Respondi.

Se precisar conversar...  – Mandou.

Sorri. Sempre soube que Nayu era péssima em dar concelhos ou confortar alguém, deve estar perdida enquanto digita.

Só fique ao meu lado. – Enviei.

Só de saber que não estou mais sozinho era reconfortante.

Sempre.

Fiquei encarando essa palavra por quase meia hora antes de levantar tomar um banho. Troquei-me e me joguei na cama. Esse velho nunca apareceu, e quando aparece acaba com todo o nosso clima. Só de lembrar de Nayu em meus braços nessa cama me deixa louco. Suspirei e fechei os olhos e adormeci ali com ela em meus pensamentos.

 

Nayu On.

 

Abaixei o celular e o pousei em meu peito. Meu coração estava com dificuldade de se controlar. Eu estava prestes a me entregar para ele e eu não possuía nenhuma duvida. Se o pai dele não tivesse chegado eu teria ido até o fim, e o que me assusta é que isso não me assusta nenhum pouco.

Notei que gosto tanto dele que eu me sinto pronta para qualquer coisa. Peguei o celular de volta e procurei o número da Jinna, não podemos deixar que tudo termine desse jeito. O que temos é raro, somo amigas e irmãs. Nossa amizade é mais forte que isso.

Jinna! Me encontra na fonte. Vou tentar uma última vez. – Enviei.

Me levantei e coloquei um tênis. Desci a escada devagar para não acordar o meu pai e sai de casa. Caminhei até a fonte e me sentei no banco. Eu não acredito que ela venha, mas estou torcendo para que sim. Como eu disse, irei tentar explicar mais uma vez, se isso não der certo ou ela não vir. Eu não sei mais o que farei.

Passou um tempo e nada dela, quando pensei em me levantar para ir embora ela apareceu. Usava uma calça moletom verde e um moletom preto. Ela caminhou lentamente e sentou ao meu lado.

Suspirei, ela certamente não dirá nada. Então terei que falar sozinha.

-No meu primeiro dia na escola eu trombei com ele...Comecei. – Ele foi rude comigo e nos desentendemos desde o principio. Eu odiei o jeito dele e o odiei mais ainda por você ser apaixonada por ele, sendo meiga e gentil, ele não merecia seus sentimentos. – Suspirei. – Depois disso você deve ter notado que não podíamos nos olhar que um insultava o outro, mas, alguns dias depois disso eu o encontrei em um beco. Aqui perto, ele estava com alguns homens desconhecidos... – Ela olhou pra mim. – Eles estavam batendo no Taehyung e exigindo dinheiro. Eu estranhei, pensei que fossem ladrões, então peguei meu celular para tirar uma foto do ‘’crime’’. Eu só não esperava que o flash estivesse ativado e isso chamou a atenção deles. Eu não perdi o meu celular, eles roubaram de mim por causa das fotos. Por sorte deixaram eu e Taehyung sairmos ilesos. Mas depois ele me contou a sua história, Jinna, não irei contar o que ele passa. Eu apenas sei, por que me envolvi e ele precisou me contar. Não tenho o direito de contar a vida dele para ninguém. Mas eu quero que saiba que ele sofreu muito, ele precisou de ajuda e eu sendo a única sabendo não consegui ignorar. Mesmo com as nossas desavenças eu o ajudei e isso nos deixou muitos próximos. Eu não escolhi gostar dele, eu não fiz isso de propósito. Você é a última pessoa na face da terra que eu magoaria você é minha irmã! Eu só quero que saiba que eu lutei contra esses sentimentos e ele fez o mesmo. Eu fiz por você, mas isso foi mais forte. Eu não quero perder a sua amizade, não quero me afastar! Eu sei que a minha amizade significa alguma coisa pra você, mesmo que tenha dito que ela não é verdadeira.

Jinna permaneceu em silêncio o tempo todo. Ela encarava o gramado e não picava nenhuma vez.

-Eu sinto muito se te magoei. – Falei.

Suspirei e me levantei. Olhei uma última vez pra ela e sai dali, caminhei lentamente até a minha casa. Espero que ela me entenda, espero do fundo do coração. Entrei em casa e me joguei no sofá, respirei aliviada, como se tivesse tirado um peso dos ombros. Eu precisava contar pra ela, ela precisava saber que foram as consequências que nos aproximaram. Fui para o meu quarto, coloquei meu pijama e dormi.

 

...

 

-Contou tudo pra ela? – Yeena perguntou.

-Contei... – Respondi mordendo uma maça. – Ela merecia saber de tudo.

Yeena levou sua mão no queixo e pareceu pensar um pouco.

-É, tem razão. Agora ela tem que refletir sozinha se te perdoa ou não, era isso o que queria? – Perguntou novamente.

-Uhum. – Falei mordendo outro pedaço.

-Boa tática. – Falou sorrindo. – Irei chamar a Tata, já venho!

Concordei com cabeça e ela saiu. Quando terminei a maça me levantei para jogar o caroço fora, mas acidentalmente trombei com alguém. Levantei o rosto e me deparei com a Malu.

-Desculpa, não te vi. – Ela falou me olhando.

-Está tudo bem. – Falei e sai andando.

Quando eu estava perto do lixo a ouvi falar.

-Como teve coragem? – Perguntou.

Virei para ela, enruguei minhas sobrancelhas e a encarei.

-Coragem do que? – Perguntei calma.

Ela sorriu soprado e isso me irritou muito, eu sabia exatamente do que ela estava se referindo. Mas eu não estava acreditando em sua intromissão no assunto que precisei perguntar somente para ter certeza.

-Do que? –Ela repetiu a minha pergunta. – De ter roubado o garoto da sua melhor amiga.

Ah não! Ela não está fazendo isso. Virei, joguei o caroço no lixo e caminhei até ela. Parei em sua frente e olhei bem em seus olhos. Notei ela dar um pequeno passa para trás, mas eu não me mexi.

-E você quer saber isso porque exatamente? – Perguntei e coloquei minha mão no bolso do moletom. – Porque pelo o que eu vejo você não tem nada a ver com isso.

Sério, eu estava me controlando muito para não voar no pescoço dela. Malu nunca havia falado assim comigo, e sendo a primeira vez ela estava conseguindo me irritar muito.

-Não tenho nada a ver com isso?! – Perguntou um pouco alto, nossa pequena discussão estava chamando atenção de alguns alunos que passavam por ali. – Jinna é minha amiga!

-Malu... – Me aproximei dela. – Não vai querer mexer comigo.

-Malu!! – Hobi veio correndo. – O que está fazendo?

-Estou perguntando para essa traíra porque ela roubou o Tae da Jinna. – Respondeu ao namorado.

Fechei os olhos e suspirei lentamente.

-Malu. – Hobi começou. – Primeiro que o Tae nunca pertenceu a Jinna, segundo, o que você tem a ver com isso?

Malu o olhou indignada. Talvez tenha pensando que o namorado iria ajuda-la, mas ao invés disso ele estava apenas sendo sensato.

-O que está acontecendo? – Ouvi Jinna perguntar.

Olhei em volta e notei que estávamos no meio de um pequeno círculo de alunos. Ótimo, tudo o que eu mais queria era chamar atenção, mas que saco.

-Jinna, pergunte pra ela! – Malu falou olhando para ela parada próxima a nós. – Pergunte por que ela roubou o Tae de você.

Jinna arregalou os olhos.

-Malu, o que está fazendo? – Jinna perguntou me olhando e voltando os olhos para Malu.

-Estou fazendo o que você deveria estar fazendo! – Malu falou alto.

-Já chega Malu! – Hobi pegou no braço dela.

-Qual é Hoseok! Essa garota não presta! – Malu gritou.

Ah não! Ela não disse isso.

-Fala isso de novo garota! – Falei irritada, quando fui partir para cima de Malu. Senti dois braços me segurarem.

Olhei para o lado e vi Yeena e Tata, estavam com uma expressão confusa.

-Já chega Malu! – Jinna falou alto. – Eu não te pedi para fazer isso!

Malu a olhou surpresa e visivelmente magoada.

-Eu só estava...

-Estava, mas do jeito errado. Do jeito mais mesquinho que existe! – Jinna falou.

Notei ela levantar o seu olhar e encarar o circulo de alunos, acompanhei seus olhos e vi Taehyung parado ali, estava com as mãos no bolso e me encarava.

Meu coração acelerou quando ele caminhou em minha direção. Tenho certeza que ele esta pensando o mesmo que eu, tudo muito estupido e infantil. Quando ele se aproximou, pegou em minha mão e olhou para o Hobi.

-Hobi, tenta controlar sua namorada. Afinal, não é ela quem decide com quem eu devo ficar. – Tae falou para o Hobi, só que, encarando Malu.

-Desculpe Tae. – Hobi falou.

Olhei em direção a Jinna, ela estava com a mão no peito. Ela me encarava, seus olhos estavam demonstrando alguma coisa e pela primeira vez na vida eu não soube saber o que. Senti-o apertar a minha mão e me arrastar dali. E claro, eu o segui. Caminhamos até o jardim que sempre ficamos às vezes, ele me encostou na parede e levou sua mão em meu rosto.

-Tudo bem? – Perguntou.

-Estaria bem melhor se tivesse dado uns tapas naquela garota. – Respondi suspirando.

Levei minha mão em cima da dele e o encarei.

-Como foi com o seu pai ontem? –Perguntei.

-Foi estranho. – Respondeu. – Ele me contou como tudo aconteceu, mas pra mim não mudou nada. Ele ainda me abandonou. Não pode querer voltar depois de anos e querer que tudo seja normal.

-Sabe que eu sou péssima em dar conselhos. – Falei e ele concordou sorrindo. – Eu concordo com você, somente você sabe o que passou, o que sentiu. Pedir para perdoa-lo, eu não tenho esse direito, eu não estive em seu lugar. Mas eu quero que nunca se esqueça de uma coisa... – Coloquei as duas mãos em seu rosto. – Ele é o seu pai, nada e nem ninguém vai mudar isso, ele é a única pessoa da sua família presente, por mais que faltou por anos... Ele ainda é seu pai, só não deixe a magoa e a raiva tirar isso do seu peito. Quer ficar magoado? Fique. Quer sentir raiva? Sente, você é humano, e humanos sentem isso. Mas sempre se lembre disso tudo bem?

Ele se inclinou para frente e apoiou sua testa na minha.

-Obrigado... – Falou baixo. – Até que você é boa.

Sorri e o puxei para um abraço.

-Andei praticando.

Senti-o sorrir entre os meus cabelos. Afastei-me dele e arrumei os óculos.

-Agora me deixa voltar lá terminar minha conversa com a Malu. – Falei.

Quando ameacei sair ele me puxou de volta.

-Não. – Sorriu. – Fique aqui.

-Mas Tae, aquela menina foi muito inconveniente. – Reclamei.

-Por isso mesmo, não vale a pena. – Ele falou.

Envolvi sua cintura e o abracei.

-Tem razão, aqui está bem melhor. – Falei sorrindo.

-Nayu... – Ele subiu sua mão e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. – Sobre ontem.

-Está tudo bem, só diga para o seu pai que você precisa de um tempo, vai ver como as coisas...

-Não é isso. – Ele me cortou. – Não é disso que estou me referindo.

Ah! Ele estava se referindo a nós dois, nós dois sozinhos antes do pai dele aparecer.

-Hum, e o que é que tem? – Perguntei levando minhas mãos em seu peito.

-Eu... Você... – Ele enrugou suas sobrancelhas e passou a mão no cabelo. – Você se sentiu pressionada?

-Pressionada? –Perguntei confusa.

-Não sei... – Ele olhou para um lado e para o outro. – Nayu, se meu pai não tivesse chegado...

-Eu teria continuado! – O cortei e o mesmo me encarou. – Porque, você não?

-Não! Quero dizer, sim! – Ele falou perdido e eu quase ri.

Naquele momento eu me senti feliz, me senti completa. Estar com ele me deixa completa, eu nunca senti isso por ninguém e nunca pensei que encontraria o lugar perfeito para mim e esse lugar era nos braços dele.

-Eu não me senti pressionada. – Falei e ele me encarou. – Tae, eu fiz porque eu quis, ou melhor, quase fiz. Porque era você, e isso era a única coisa que importava.

-Nayu... – Ele levou sua mão em meu rosto.

-Agora, você precisa trocar a fechadura do seu apartamento. – Falei e ele começou a rir.

-Irei providenciar isso. – Falou selando os meus lábios.

 

...

 

Caminhei lentamente até em casa, a discussão com Malu realmente me tirou do sério. Como ela pôde pensar que eu devo alguma explicação pra ela? Suspirei e apertei as alças da minha bolsa para conter a raiva.

-Nayu! – Alguém gritou o meu nome.

Virei e vi Jinna, ela estava ao lado do Kook. Fiquei encarando eles até se aproximarem de mim. Porque ela está me chamando?

-Oi Nayu. – Kook me cumprimentou.

-Oi Kook. – Respondi.

-Poderia... – Me esticou uma sacola. – Po-poderia entregar isso para a Yeena?

Peguei a sacola, era o moletom dela. O uniforme do time de vôlei.

-O que isso faz com você? – Perguntei confusa.

-Só... Só entrega. – Respondeu e saiu andando. Ele estava visivelmente envergonhado.

O acompanhei com o olhar. A senhora Yeena, você tem muito que me explicar garota.

-Nayu... – Jinna me chamou baixo.

Virei e a encarei, por um momento esqueci que ela estava ali também, e que foi ela que me chamou.

-O que foi? – Perguntei calma.

-Desculpa por hoje. Eu não disse para a Malu fazer aquilo. –Ela falou abaixando a cabeça.

-Jinna! Eu te conheço a minha vida inteira, eu sou a primeira pessoa da face da terra que saberia que você não é assim. Claro que eu sei que você não pediu que ela fizesse aquilo.

Claro que não foi ela. Isso nunca passou pela minha cabeça.

-Obrigada. –Ela sorriu e saiu andando.

Virei e fiquei olhando ela entrar em sua casa. Bom, isso foi um passo, um passo para a nossa reconciliação. Caminhei até o portão da minha casa e entrei. Abri a porta.

Me deparei com meu pai sentado em um sofá, suas mãos estavam fechadas em cima do seu colo, olhei pra o outro sofá, um senhor elegante estava sentado. Usava terno e tinha um cabelo grisalho bem arrumado. E para minha surpresa, ao lado dele, um garoto. O garoto do acampamento, Min Yoongi.

-Min Yoongi? – Falei confusa.

Só ai eles notaram a minha presença.

-Filha! – Papai ficou em pé.

O senhor levantou também e me encarou, notei seus brilharem. Tive quase certeza de que iria chorar.

- Soo Ah. – O senhor falou.

Olhei para ele, meu coração acelerou. Esse é nome da minha mãe.

-Conhece a minha mãe? – Perguntei perdida.

O senhor balançou a cabeça como se estivesse voltando à realidade, papai passou sua mão no cabelo e caminhou até mim.

-Filha... Ele é...

-Eu sou o pai da Soo Ah. – O senhor respondeu. – Você é minha neta.

Arregalei os olhos e dei um passo para trás. Esse é o meu avô?

-Pai, o que está acontecendo? – Perguntei.

Por algum motivo meus olhos estavam começando a arder.

-Filha sente aqui. – Papai me puxou até o sofá.

Eu deixei que ele me arrastasse até lá e me sentei.

Meu avô sentou também e Min Yoongi ainda estava ao seu lado.

-Min Yoongi, o que faz aqui? – Perguntei muito, mas muito confusa.

-Querida, ele é o seu primo. Ele é neto do seu avô também, sua mãe chamava Min Soo Ah antes de casar comigo.

Arregalei os olhos, eu tenho um primo também? Minha mãe tem um irmão?

-O que estão fazendo aqui? – Perguntei olhando para o meu avô.

Ele não parava de me encarar, às vezes esquecia que precisava piscar.

-Você é cópia dela. – Ele falou.

-Perdão...

-Você é a cópia da sua mãe. – Ele falou e sorriu.

Meu coração acelerou de novo. Sou? Papai nunca me disse isso, uma lágrima escorreu dos meus olhos. O que está acontecendo? Porque ele resolveu aparecer do nada?

-Ok. Alguém vai me explicar o que está acontecendo? – Perguntei limpando os olhos.

-Eu disse que ela é irritadinha. – Yoongi falou baixo para o nosso avô, mas eu ouvi.

-Você me conhece garoto? – Perguntei.

-Eu te vi no acampamento. – Respondeu. – Na verdade eu não iria jogar esse ano, mas eu soube que a minha prima estaria lá, então resolvi ir.

-E ficou me vigiando? –Perguntei colocando as mãos na cintura.

-Só às vezes. – Respondeu sorrindo.

-Já chega Suga! – Nosso avô falou.

Suga?

-Vô, já falei para não me chamar assim. – Yoongi falou baixo e indignado.

-Desculpa querido. – Ele sorriu. – Vocês dois são os meus únicos netos, preciso conversar com vocês. A sós. – Olhou para o meu pai.

Quando meu pai foi se levantar eu o puxei para baixo forçando o mesmo a sentar.

-Vai ter que dizer na frente dele. – Falei séria.

Meu avô suspirou. Eu não diria ao meu pai para sair dali, ele sempre esteve ao meu lado e me criou sozinho, não tem nada que eu escondo dele. E se isso foi importante ele vai ficar sabendo. De um jeito ou de outro.

-Eu tive dois filhos. – Ele começou. – Min Soo Ah e o Min Soo Hyuk. Soo Ah se apaixonou pelo o seu pai...

-E você a expulsou, disso eu sei. – O cortei.

-Filha... – Papai colocou sua mão em meu braço.

-Tudo bem Kwang, eu mereço. – Ele falou. – Sim, eu a mandei ir embora, eu perguntei se ela queria viver ao meu lado com toda a riqueza e o luxo ou ficar com o amor da vida dela. – Ele sorriu. – Ela escolheu seu grande amor, ela ignorou a riqueza e o luxo e foi embora de casa. Meu erro foi não tê-la procurado, não ter participado da vida dela. Minha raiva me cegou, eu casei Soo Hyuk com a mãe do Yoongi a força, e ele viveu infeliz. – Notei Yoongi abaixar a cabeça. – A única felicidade dele foi esse garoto! – Colocou a mão nas costas do neto. – Quando eu soube que Soo Ah engravidou, eu vim até aqui. Eu vim para me desculpar, para vê-la...

-Eu não me lembro disso. – Meu pai falou colocando sua mão no peito.

-Eu não consegui chamar, eu não consegui descer do carro. – Falou. – Eu estava tão arrependido que não me achava digno do seu perdão. Quando o meu filho morreu em um acidente de carro, meu mundo desmoronou. E isso me deixou apavorado, eu corri para vê-la, ela tinha sido internada para se preparar para dar a luz a você. Eu entrei no quarto, eu me lembro até hoje. Soo Ah chorou tanto quando me viu, a felicidade que transbordava dos seus olhos me impediu de contar sobre a morte de seu irmão, eu esperei ela dar a luz, e só depois contar...

Ele parou, vi meu pai apertar suas calças. Meu vô fazia o mesmo. Eu sei o que vem depois disso. Foi a morte dela, ela morreu quando me deu a luz, ela morreu antes de me segurar uma vez na vida dela.

-Não precisa... –Comecei e ele levantou a mão.

-Ela... – Ele falou com uma voz mergulhada na tristeza. –Ela faleceu, ela nem mesmo conseguiu vê-la. Seu coraçãozinho parou antes mesmo de você respirar o ar desse mundo. E ela se foi sem saber do seu irmão, minhas duas crianças que causei tanta dor se foram desse mundo. E somente vocês dois me restaram.

-E você só se lembrou de mim dezoito anos depois? – Perguntei.

Ouvir tudo isso me destruiu por dentro. Mesmo sem conhecer a minha mãe, a saudade que ela me causa é tanta que chego a ficar sem ar. Ela nem mesmo teve tempo de me segurar nos braços, ela não conseguiu ver o meu rosto.

-Eu sinto muito. – Ele falou me olhando. – Quando eles se foram, eu adoeci. Eu me culpei por tudo. Eu fui um pai horrível, eu fui um monstro na vida deles.

Yoongi colocou a mão no ombro do vô.

-Vô... – Ele falou baixo.

-Aonde quer chegar com tudo isso? – Fiquei em pé. – Porque veio aqui do nada me contar como minha mãe morreu?

-Filha, fica calma. – Papai falou.

-Não pai! Eu não estou entendendo. – Falei olhando para ele. Meus olhos estavam encharcados. – Você cuidou de mim, você me criou sozinho. Você foi meu pai e a minha mãe. Foi o meu avô, a minha vó. Foi meu irmão e minha irmã. Pai, fomos somente eu e você, ele expulsou minha mãe por amar você. Ele forçou o meu tio a casar sem amor. Porque se lembrou de mim só agora?

-Nosso avô também sofreu Nayu! –Yoongi ficou em pé. – Tudo bem que o que ele fez não foi justo e bom. Foi cruel, mas todos erram! Ele errou com a sua mãe e errou com o meu pai. Ele é humano, ele aprendeu com os erros dele e perdeu os seus filhos. Como ele poderia te encarar ou me encarar? Ele também não me procurou quando meu pai morreu, ele adoeceu. Errar é humano e permanecer no erro é burrice e ele está tentando concertar as coisas. Tem como ajudar?

Fiquei encarando ele sem piscar. Por mais que as palavras dele fizessem todo o sentido eu não conseguia entender, estava sendo mais forte que eu.

-Eu vim por outro motivo também. – Meu avô falou.

Olhei e sua direção e o encarei.

-Que motivo senhor Min? – Papai perguntou.

-Nayu é uma Min...

-Não, eu sou Kwang! – Falei firme.

-Não importa. Você herdou o sangue da Soo Ah, portanto é uma Min também. – Vovô falou me olhando. – Eu estou aqui para falar que a minha herança é sua Nayu, minha neta! A única filha de Min Soo Ah, oitenta por cento de tudo o que eu tenho é seu.

O mundo pareceu parar lá fora, me senti dentro de uma bolha de ar. E tudo passou a se movimentar sozinho. Mas do que é que ele está falando?


Notas Finais


Bom! É isso...

Comentem o que estão achando.
Até o próximo.

Beijosssssss


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