História I hate you, I love you. - Capítulo 43


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Categorias League Of Legends (LOL)
Personagens Ahri, Akali, Caitlyn, Cassiopeia, Darius, Draven, Ezreal, Fiora, Garen, Irelia, Jarvan IV, Jayce, Katarina, Kayn, LeBlanc, Lux, Miss Fortune, Personagens Originais, Quinn, Rek'Sai, Riven, Shen, Swain, Talon, Vi, Xin Zhao, Yasuo, Zed
Tags Demacia, Garen, Katarina, Lol, Noxus, Romance
Visualizações 137
Palavras 4.088
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiiiiiii me perdoem pelo atraso.
Então, esse capítulo foi bastante difícil de escrever. Me perdoem se não ficou como esperavam. Enfim, aí estão as verdadeiras intenções de Zed...
Boa leitura ^^

Capítulo 43 - Por baixo dos panos, ou melhor, da máscara.


Fanfic / Fanfiction I hate you, I love you. - Capítulo 43 - Por baixo dos panos, ou melhor, da máscara.

Katarina odiava o fato de não poder ver o rosto de Zed, era desvantagem para ela já que não podia ler as expressões faciais de sua "presa", enquanto ele poderia. Não sabia o motivo exato de querer tanto ficar perto dele, mas Zed tinha um magnetismo que a puxava para perto. Era incrível como cada palavra pronunciada por ele a deixava ainda mais curiosa, cada risada irônica, cada olhar... Era quase inexplicável que ele fosse tão misterioso. Que diabos ele queria com ela afinal? Quem era ele na verdade? Ela conhecia as histórias contadas sobre o Mestre das Sombras, mas não poderia julga-lo pelos olhos dos outros. Existiam bastante fatos contados sobre ela que também não a definiam, e isso deveria acontecer igualmente com ele. Katarina nunca foi de seguir opiniões alheias, ela sempre gostou de tirar as próprias conclusões, e agora não seria diferente. Ela era Katarina Du Couteau, e não descansaria enquanto não descobrisse a verdadeira identidade daquele cara. Será que ele era um louco maníaco psicopata? Ou será que, assim como ela, era apenas um garoto incompreendido? Ela não sabia nem a idade dele! Precisava saber. E se o homem que ela queria fosse um idoso de sessenta anos? Não, isso era pouco provável a julgar pela velocidade e agilidade com as quais ele se movimentava, mas mesmo assim era algo intrigante. Será que ele tinha a mesma idade que ela? Se sim, por que esconder tanto assim o rosto? Será que o rosto dele era completamente desfigurado? Não, ela não conseguia imaginar aqueles olhos em alguém com a aparência que lhe veio à mente. Piscou os olhos rapidamente para afastar essa visão detestável. Mas e se por baixo daquela máscara se escondia um homem bonito e atraente? Será que ele um dia a deixaria ver seu rosto... não sabia, mas não podia cair sem lutar. Faria tudo o possível para fazê-lo confiar nela o suficiente.

— Qual é o motivo do convite especial, afinal? — ela foi direta. Zed andou calmamente na direção da garota, sem nem um pouco de impaciência.

— Calma, escarlate, você logo descobrirá. — Foi a resposta dele. Kat revirou os olhos enquanto ele passava por ela e trancava a porta pela qual a garota acabara de passar, e que também era a única saída daquele lugar.

— Como já disse, não sou uma pessoa conhecida pela paciência. — Ela acrescentou.

— Eu sei, por isso gosto de te fazer esperar. Eu gosto de atiçar a sua raiva, Katarina, porque gosto de ver suas reações a mim. — Contou. A ruiva levantou uma sobrancelha.

— Oh, estamos chegando a um ponto chave na nossa relação...

— O que, exatamente? — perguntou, visivelmente curioso. Ele não parecia ter muita experiência com garotas como ela.

— Você quer descobrir minhas reações a você, então me mostre quem é você, Zed. — Desafiou. Ela nunca o havia chamado pelo nome, não para ele. — Eu quero descobrir e você quer me mostrar. — Continuou. Sabia que estava brincando com fogo, mas nunca foi de temer. Estava apreensiva quanto a reação de Zed com isso, mas ele apenas soltou uma risadinha.

— Ousada e petulante... gosto disso em você. Quer dizer, do modo como me enfrenta. — Afirmou o Mestre, Katarina sorriu de canto. — Ninguém me enfrenta. É esse o motivo que te faz ser tão... interessante.

— Para tudo tem uma primeira vez. — disse ela, o ninja assentiu.

— Sim, tem razão. Agora vou fazer algumas perguntas, e você vai responder a todas elas sem questionar, estamos acertados? — impôs o homem, Katarina gargalhou e cruzou os braços.

— Não, é claro que não estamos acertados. Acha que pode mandar em todo mundo? Não, em mim não. Eu respondo suas perguntas, Zed, mas terá que responder as minhas também. Essa é a condição, ou nada.

— Nunca pensei que conheceria alguém mais geniosa que a Syndra. — Murmurou o Mestre das Sombras. — Muito bem, escarlate, eu vou te dar uma chance. Cinco perguntas para cada um, para começar.

— Por que continua me mantendo viva? — perguntou Katarina, de imediato, antes de Zed ter a chance de ser o primeiro. O mestre respirou fundo.

— Eu já disse, você é uma garota interessante. Nunca conheci ninguém como você... é por isso. — respondeu. Katarina cruzou os braços, insatisfeita com a resposta curta e pouco esclarecedora do garoto. — Pelo que você vive, Katarina?

— Pelas pessoas que amo e as causas que acredito. Vivo para orgulhar meu pai e honrar o nome da nossa família, para proteger e servir minha nação, para ser a melhor assassina que Runeterra já viu em todos os tempos. — respondeu a assassina. Era tudo verdade, e ela se orgulhava de ser quem era. — O que a Ordem das Sombras significa para você, exatamente?

— Tudo. Absolutamente tudo. — Concluiu, depois deu uma risadinha. — Já foram duas.

— Por que nunca responde minhas perguntas direito?! — questionou a assassina, indignada com a falta de interesse do homem.

— Apenas sinta-se feliz por eu estar respondendo, garota. — Rebateu o ninja. Katarina cerrou os punhos, ninguém falava assim com ela. — Já foram três.

— Espera, isso não fazia parte do jogo! — reclamou a garota. Zed riu.

— Ah, foi uma pergunta, então fazia sim. — Defendeu o garoto, dando-lhe as costas e andando para o meio da sala, sentando-se no chão. — Sente-se aqui comigo, para conversarmos como dois adultos. — pediu. Katarina foi até ele, relutante, e sentou na sua frente, de cara amarrada. — Eu vejo tristeza em seu olhar, por quê?

— Vamos deixar duas coisas bem claras aqui, Zed. Primeira: eu não sou seu brinquedinho e você não pode me fazer de palhaça, não tem o direito e nem o poder de fazer o que quiser comigo; Segundo: eu não falo da minha vida pessoal com ninguém que não confie plenamente, então por que eu deveria falar para você?

— Porque eu também tenho cicatrizes, garota. Não é só você que sofre, nem só você que tem problemas. Cada pessoa tem sua própria luta interna para vencer, e você quase nunca as conhece. Eu quero conhecer a sua. — Argumentou o homem. Katarina suspirou.

— Também quero conhecer a sua, Zed. Se você vai desvendar os meus mistérios, eu quero os seus também. Eu sei guardar segredos melhor do que você imagina, e eu quero conhecer você. Eu não quero confiar a minha vida a alguém que não faço ideia de quem seja.

— É, talvez eu pudesse..., mas perdi minha capacidade de confiar nas pessoas há muito tempo, Katarina, então não me peça para contar-lhe coisas que tento esquecer. — falou, frio. Ela sabia que a vida dele não parecia ter sido fácil, pelo modo como ele havia conversado com Akali antes de matar a mesma, pela dor que ele parecera sentir ao fazê-lo. Porém, lembrava-se de Akali implorando para que a noxiana a salvasse, para que fugissem do Clã das Sombras, e Kat não via bem o porquê já que aqueles caras não eram tão ruins assim, a julgar por Hinari, que sempre fora gentil com ela, então o que Akali temia tanto? É claro que Zed tinha alguma rixa pessoal com ela, mas será que mata-la não fora a pior coisa que ele fez? Afinal, qual era o passado sombrio daquele homem desconhecido? E por qual razão ela confiaria seus maiores segredos a alguém que nem sequer conhecia o rosto? Não, ela não era burra.

— Então eu também não posso contar, porque já fui traída muitas vezes por pessoas que confiava, que conhecia, imagine você... você não me conhece e eu não o conheço. Isso tudo é maluquice! Por que quer saber a minha história? Se a sua ideia é me usar e depois acabar comigo, como fez com Akali, pode esquecer!

— Mas que tipo de homem você acha que eu sou?! — questionou, levantando a voz, ameaçador. Katarina não recuou.

— NÃO SEI, NÃO FAÇO IDEIA! — exclamou a jovem. — Eu não tenho ideia de quem você é porque você não me conta nada sobre si, e ninguém conta, ou ninguém sabe! Que tipo de homem é você e o que te faz pensar que pode se meter na vida dos outros sem mais nem menos?! Eu não sou uma donzela indefesa, e você vai se arrepender de se meter comigo!

— QUE DIABOS VOCÊ PENSA QUE EU QUERO COM VOCÊ, NOXIANA?! — perguntou, gritando. Era a primeira vez que ele estava realmente sendo agressivo com a ruiva. Desde a chegada dela, ele a estava tratando bem, de certa forma, e não havia levantado tanto a voz como naquele momento. Katarina teve vontade de gritar, mas fingiu não estar afetada.

— Não sei, tá legal? Não sei! É exatamente a pergunta que faço a mim mesma desde o dia em que cheguei aqui! — foi a resposta irritada da garota. — Você me manteve viva até agora por quê? Está me tratando bem por quê?! Por que não me matou quando teve chance, Zed, por quê?! POR QUE DIABOS ME CHAMOU AQUI?!

— CHAMEI PORQUE QUERIA SABER MAIS SOBRE A DROGA DA SUA HISTÓRIA! PORQUE QUERIA CONHECÊ-LA! PORQUE QUERIA PASSAR UM TEMPO COM NA DROGA DA SUA COMPANHIA!

— Ou talvez você apenas me ache atraente e queira se apr...

— Acha mesmo que eu quero transar com você? — perguntou o ninja. Seu tom de voz parecia incrédulo. Toda a irritação da voz dele havia sumido e dado lugar a uma inimaginável descrença, depois ele riu, aquilo parecia completamente absurdo aos seus ouvidos. Katarina levantou a sobrancelha, sem saber como dizer a ele que era exatamente o que ela estava pensando o tempo todo. — Sério, que tipo de imbecil você acha que eu sou?

— Então qual é a razão?

— Já disse sua grande tarada idiota! — respondeu, depois soltou outra risadinha debochada. — Se eu quisesse sexo, estaríamos fazendo isso agora, minha querida.

— Eu não sou sua querida. — Negou. — E não estaríamos transando se eu não quises... — nisso, Zed aproximou-se da garota em uma fração de segundos, colocando seu rosto ainda coberto pela máscara ao lado do dela. Katarina sentia seu corpo se arrepiar com a proximidade dele. Como dissera antes, algo nele a atraía.

— E você não quer, escarlate? — indagou, sussurrando no ouvido dela. Katarina mordeu o lábio inferior, pensando numa mentira convincente.

— E-eu... minha nossa, isto está ficando muito embaraçoso...

— Eu sei muito bem que você me deseja...

— Mas quem você pensa que é?! — perguntou a mulher, empurrando-o para longe, mas apenas porque ele se deixou ser afastado. Zed riu e voltou a sentar-se de frente para ela.

— O homem desconhecido por quem você está caidinha. — Exibiu-se. Katarina teria jogado uma faca nele se estivesse com alguma.

— Você é convencido demais para alguém que não tem coragem de mostrar o rosto. — Afirmou a ruiva. Era verdade, e ela não tinha medo da reação dele a isso.

— Você não gostaria de ver...

— Eu quero ver seu rosto. — Afirmou a assassina. Zed desviou o olhar.

— Vai ficar querendo. — Foi a resposta dele.

— Como iríamos transar se você não tirasse a máscara? — questionou a ruiva. Isso fez com que o ninja caísse na gargalhada.

— Acho que é muito simples, basta que eu não use a boca... — ele tentava argumentar, mas não conseguia parar de rir. —, quer dizer, eu não precisaria te beijar para... espera, não é apenas isso que se faz com a boca... parece realmente complicado, mas se pensarmos bem acho que não seria necessário se eu-

CHEGA! Por favor, isso é bastante constrangedor. — falou a assassina, mas ele não parava de rir. — Ai minha nossa...

— Você está vermelha, está envergonhada, minha querida? — perguntou, debochado.

— Não, eu estou irritada.

— Você está imaginando como seria se nós dois...

— Ah Zed, por favor! — cortou, cobrindo os olhos com as mãos como se aquilo a fizesse parar de imaginar coisas. Tudo que ouvia eram as risadas do ninja. Não sabia como aquilo havia se transformado de uma conversa séria para uma brincadeira idiota. Nunca imaginara o garoto rindo daquela forma. Ele parecia sempre tão sério e... assustador. — Essa máscara não te atrapalha a visão?

— Não se preocupe, eu não erraria... — assegurou, sem parar de rir. Ele cortava absolutamente todas as frases da garota imaginando algo completamente diferente do que ela estava pensando. Isso a irritava, mas também era um pouco divertido, e bastante constrangedor.

— Deixa de ser besta! — exclamou a garota, irritada. Odiava que rissem dela.

— Ai ai... você é hilária. — Afirmou o mestre. Katarina bufou.

— E você é irritante.

— Katarina, eu não te chamei aqui para transarmos. — Afirmou. Katarina revirou os olhos, irritada por ele estar debochando dela.

— Ótimo, então por quê?

— Por favor, acha que eu sou bonzinho com qualquer um? Não, não sou. Eu já disse que estou intrigado com a sua força, e coragem, e habilidade. E tem algo em você... mesmo olhando para você, mesmo tendo conversado, há algo que não consigo decifrar. Eu não consigo ler seus olhos. Eu não consigo simplesmente entender a sua forma de pensar, não consigo imaginar como é a sua vida. Eu percebo a dor e a confusão que há nos seu olhar, mas não consigo imaginar o motivo. Você venceu a Akali, e eu a conhecia o suficiente para saber que não era uma oponente fácil, e além disso, você desafiou a mim, sendo que sou o líder desse clã inteiro. Você tem muita coragem, e essa cicatriz... você é uma mulher bonita, mas existe bem mais em você do que consigo enxergar. Quero conhecer a pessoa com quem estou lidando, quero saber se valeu a pena poupar a sua vida. Eu sei que me vê como um homem sombrio e maligno, e eu sou mesmo, mas não sou o monstro que eles temem.

— Então prove que não é, Zed. Deixe-me ver sua verdadeira face.

— Todos tem cicatrizes, Katarina.

— Eu sei, eu mesma tenho várias. Uma está estampada no meu rosto, e as outras carrego no peito. Sei que você também as carrega...

— É, carrego sim.

— Eu já disse isso, mas vou repetir: eu gosto de cicatrizes. — Repetiu a garota. — Quando vi você pela primeira vez, senti raiva por ter roubado a minha presa, mas sua presença era... intimidante. Agora, não o vejo assim. Vejo como um homem, e não um ninja. Quero conhecer o homem com que estou lidando, Zed. Quero conhecer você. Quero desvendar os seus mistérios, que tanto me fascinam. Eu quero conhecer o homem por trás do Mestre das Sombras. E você pode conhecer a mulher por trás da assassina, a que poucos conhecem, mas para que eu possa apresenta-la a você, preciso saber a quem estou mostrando meu rosto.

— Eu já disse, não vai gostar...

— Você não confia em mim.

— É óbvio que não.

— Eu sei, também não confio em você, mas estou sozinha neste templo. A única pessoa com quem converso é Hinari, e ele disse que são poucas as pessoas que você, ah, que você escolhe ter ao seu lado. Estou pedindo uma chance para mostrar que posso ser uma aliada, que posso ser uma amiga... eu vejo solidão nos seus olhos.

— Como você tem coragem de falar assim comigo, Katarina? Você não tem medo de mim?!

— Não. Nem um pouco, na verdade. Você brincou comigo, eu o ouvi rir, Zed, eu já vi que você tem um lado brincalhão e emotivo por trás desses muros que construiu em volta de si mesmo, assim como eu...

— Eu vi algo de diferente em você assim que a vi. Sua força chamou a minha atenção, e também a marca de guerra... não é comum as garotas ficarem com as cicatrizes. E sua coragem. A primeira coisa que disse para mim foi “Quem você pensa que é para me dar ordens?”, ninguém me enfrenta assim. Você é confiante, e tenta parecer fria, mas por trás de tudo isso há uma garota com um sonho para realizar e um propósito pelo qual viver, e eu quero descobrir qual é esse propósito. Hinari me contou alguns traços da sua personalidade explosiva, mas eu queria tirar minhas próprias conclusões. E eu que sempre odiei noxianos, me vi completamente fascinado por uma noxiana.

— Então por baixo dessa máscara tem um garoto que já sofreu muito na vida, mas que nunca deixou de acreditar em si mesmo e que quer alcanças seus objetivos. — Concluiu a assassina.

— Qual é a sua luta, escarlate? — perguntou novamente. Katarina sorriu.

— Primeiro, eu comecei a treinar com três anos de idade. — Contou.

Daí em diante Katarina resumiu para ele toda a história, desde as primeiras adagas que atirou até o momento em que enfrentou Akali. O ninja das sombras ouvia tudo atentamente. Zed havia se aproximado e estava segurando as mãos delas entre as próprias.

— E foi basicamente isso... — suspirou. Inesperadamente, Zed afastou o cabelo dela e tocou seu rosto com a ponta dos dedos. Katarina estranhou, mas não o afastou.

— Eu não sei como é ter irmãos... — falou o ninja. — Não lembro dos meus pais.

— V-você...

— Eles morreram num incêndio. — contou. Katarina teve vontade de abraça-lo. — Fui o único que sobreviveu.

— Eu sinto muito...

— Não sinta, faz muito tempo. — Contou, mas Katarina reconheceu que havia dor em sua voz. — Um homem me encontrou e me ofereceu ajuda. Ele virou meu segundo pai, além de meu mestre, mas eu acabei por assassina-lo. — disse. Katarina pensou que ele jamais contaria sua história, mas curiosamente ele estava mesmo desabafando com ela. Era... era quase como se não fosse real. Ele ficou encarando-a como se esperasse algum tipo de reação, mas Katarina sorriu singelamente, encorajando-o a continuar. — Eu... eles eram minha família, Katarina, minha nova família. Akali era uma das pessoas em quem eu mais confiava, e tinha meu irmão de criação, Shen.

— Quer dizer, o líder da atual Ordem Kinkou?

— Exatamente. — Afirmou o ninja sombrio. Agora era Katarina quem segurava as mãos dele. — Eu e ele éramos melhores amigos, entende? Eu o considerava irmão, mas tínhamos uma certa “rivalidade”. Você entende?

— Lutavam para ver quem era melhor, mas não o faziam porque se odiavam e sim para crescerem juntos, e também era uma forma de se dedicarem cada vez mais para tentar vencer um ao outro. Eu entendo, eu e meu irmão fazíamos isso. — falou a assassina.

— É isso mesmo, porém, eu tinha outro motivo. Eu queria mostrar ao mestre que ele estava certo em me acolher porque eu seria um bom pupilo, eu queria impressioná-lo, queria orgulhar meu pai e mestre, mas minhas lutas com Shen sempre acabavam em empate. — explicou. Katarina entendia perfeitamente o que ele queria dizer, já que ela sempre viveu a vida para orgulhar Marcus. — Eu queria ser melhor do que ele, e por isso fiz uso das técnicas proibidas. Meu mestre percebeu e me expulsou do Clã imediatamente, e ninguém ficou do meu lado. Ninguém tentou entender, ninguém me defendeu, ninguém. Nem Akali, que era a pessoa com quem eu mais me importava, depois do Mestre. Eles olhavam para mim como se eu não fosse mais uma pessoa e sim um monstro. Akali olhou para mim com nojo... eu os considerava minha família, então imagine ser rejeitada pela sua própria família?!

— Já senti isso, pode ter certeza... — falou ela, lembrando-se de como Cassiopeia a tratava e de como se sentiu traída por Talon antes de ele lhe dizer a verdade.

— Eles me expulsaram, Katarina, sem nem um pouco de consideração. Me acusaram de traição, me chamaram de monstro, me humilharam... vaguei sozinho pela escuridão por anos, mas depois comecei a treinar outros, meus próprios alunos, e voltei anos depois. Ele pediu o meu perdão, pediu que eu voltasse para a Ordem, mas eu acabei por mata-lo. Eu não pude perdoar, e não me arrependo nem um pouco por isso. Doeu, mas foi a melhor escolha que fiz. Hoje, tenho meus alunos, eles são minha família, e sei que posso contar com eles. Eu... — Katarina não deixou que ele terminasse. Sem dizer absolutamente nada e sem medo nenhum, a ruiva puxou-o para perto e abraçou o ninja das sombras. Ele havia sofrido tanto... ela não conseguia nem imaginar a solidão e a dor que ele sentira ao ser abandonado pelas pessoas em quem havia depositado todo o seu amor e a sua confiança. Então era por isso que ele tinha tanta dificuldade em confiar... naquele momento, ela não se importava com o que lhe aconteceria depois. Se ele usasse aquele abraço para matá-la, como fizera com Akali, ela não se importava, pelo menos havia dado a ele o conforto que ele merecia por alguns segundos. Estava pronta para as consequências de seus atos malucos. Porém, surpreendentemente, Zed retribuiu o gesto. Kat estava se sentindo honrada em ouvir aquela história. Zed não era um monstro, estava longe disso, ele era apenas um garoto incompreendido, com uma história triste e muitas mágoas para carregar no peito sozinho. Ele precisava de ajuda, precisava de amigos, ele precisava de alguém com quem pudesse contar, em quem pudesse confiar, mas Katarina, mais do que qualquer um, sabia o quanto era complicado achar pessoas assim. Ela queria ser essa pessoa para ele, só não sabia se o ninja permitiria. Era estranho que os dois tivessem se aproximado assim... — Mas... qual é o seu feitiço? — perguntou ele, saindo do abraço.

— Hã?

— Eu... só existe uma pessoa no mundo, além de você, para quem contei minha história, como conseguiu me fazer abrir a boca? — perguntou. Katarina colocou a mão sobre seu ombro esquerdo.

— Digamos que somos bastante parecidos, de certa forma.

— Eu matei meu mestre, e Akali, que eram importantes para mim. Você não tem medo que eu faça o mesmo com você? — questionou. Katarina refletiu sobre isso por cinco segundos.

— Não. E se fizer, terá valido a pena. — Afirmou. Era totalmente verdade. Só por tê-lo feito falar ela já estava feliz, muito feliz. — Eu só queria poder tocar seu rosto agora para secar suas lágrimas.

— E quem disse que eu...

— Relaxa, os fortes também choram.

— Você quer ir embora hoje, Kat?

— O quê?

— Se disser que quer ir embora, eu vou abrir as portas e você vai poder voltar para a sua vida, para a sua casa com a sua família. Isto é uma promessa. Se não quiser, vai ficar aqui como minha convidada.

— Convidada? Mas que estúpido, que absurdo! Diga, vai ficar como minha amiga. — Exigiu. Zed soltou uma risada meio abafada, mas alegre.

— Então vai ficar?

— Só se disser as palavras...

— Como você consegue falar assim comigo? Eu não entendo você...

— Assim como?

— Tão... naturalmente. Quer dizer, eu sou o Mestre das Sombras! Você deveria ter implorado para ir embora... isso é o que qualquer um faria.

— É exatamente por isso que eu não faria. Eu não sou qualquer uma, eu sou a pessoa que te obrigou a falar sobre a sua vida. — Concluiu, ele riu. Estava muito, muito satisfeita consigo mesma. Zed havia, finalmente, se tornado mais do que um desconhecido.

— Você é louca.

— Acho que sou sim.

— Você é... ótima. Eu estava certo o tempo todo, você merece a minha piedade, e acho que merece a minha confiança. — Afirmou o assassino. Katarina sorriu. — Você não tem nem um pouco de medo?

— Não, não tenho. Eu confio em você.

— E-eu... não sei. Queria muito acreditar em você.

— Pode acreditar...

— Não. Não sei se está sendo sincera ou é apenas uma jogada de sobrevivência.

Katarina levantou-se e foi até um cesto que continha várias armas ninja, pegou uma única kunai, calmamente e voltou. Zed estava de pé, em posição de defesa. Katarina aproximou-se dele e entregou a arma em suas mãos. Zed a olhou com curiosidade e dúvida.

— Eu disse que confio em você. Talvez esteja sendo tola por isso, mas não me importo. — Afirmou, e foi para mais perto. Precisava vê-lo, aquilo parecia vital agora, era incontrolável. Sua curiosidade era incontrolável àquela altura. Seu corpo estava a poucos centímetros do de Zed, e ela olhou firmemente em seus olhos. — Você pode me matar agora, se quiser.

— K-Katarina... — e ela fechou os olhos enquanto o ouvia pronunciar seu nome. Não podia negar para si mesma que estava sendo imprudente, mas seu coração dizia que podia confiar naquele homem. E assim, esperou a decisão do Mestre.

Inesperadamente, sentiu a mão dele segurar a sua e conduzi-la até... seu rosto! Ela estava sentindo a pele quente contra sua mão. Estava tocando o rosto dele. Pensou se iria desmaiar... não podia. Contudo, continuou de olhos fechados.

— Katarina, abra seus olhos. — Ele pediu, com a voz trêmula. Ela sentiu a insegurança que ele estava sentindo, o medo... o que será que ele lutava tanto para esconder? A noxiana respirou fundo antes de obedecer. Talvez aquela fosse a última coisa que veria na vida, mas certamente valeria a pena.

Katarina abriu os olhos. Lá estava ele, de pé em sua frente, de verdade, sem máscara, sem nada, apenas seu rosto. Zed, o Mestre das Sombras. 


Notas Finais


"Ah, Katgatinha, a relação dos dois evoluiu rápido demais" "ah, o Zed não é bonzinho, ele confiou nela rápido demais" EU SEI! Cara, eu sei que talvez o Zed não seja tão "sentimental", mas eu não o vejo como um homem completamente frio e impiedoso. E eu não quero ficar enrolando muito, entendem? Quer dizer, se eu fizesse essa conversa e essa amizade demorar o tempo necessário (tipo, que eles não tivessem essa conversa sincerona e sim se aproximassem aos poucos) demoraria uns VINTE CAPÍTULOS, e eu não quero levar tanto tempo com isso porque eu amo esses dois e acho que seria uma amizade foda, a qual eu quero e vou explorar muito.
Espero que tenham gostado da minha decisão. Podem falar aí nos comentários.

Enfim, obrigada por tudo, invocadores.

(19/07, provavelmente)


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