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História I haven't seen you coming - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Mais um...
Boa leitura ❤

Capítulo 4 - Ela é flexível...


Após voltar da aula de ioga e tomar banho até se considerar novamente apresentável, Regina fez o que havia combinado com Tinker e ligou para ela outra vez. Mas quem atendeu foi Henry, animado e querendo saber como estavam as coisas, se ela estava gostando do SPA e também um pouco chateado por não ter sido chamado quando a mãe ligou da primeira vez. 


Então a morena explicou que não quis atrapalhá-lo com a leitura, e a conversa evoluiu para os estudos do menino e seu comportamento na ausência dela. Ele a fez prometer que realmente aproveitaria o máximo que pudesse enquanto estivesse lá, e ela fez mais algumas recomendações para enfim se despedir e falar rapidamente com Tinker antes de desligar. 


Decidiu descer para o restaurante e comer algo, durante toda a refeição olhou em volta e viu que poucas pessoas estavam sozinhas, a maioria eram casais ou amigos, juntos e felizes, e a sensação de solidão que lutava tanto para ignorar a invadiu por alguns instantes, até ver um rosto conhecido adentrar o lugar e escolher uma mesa afastada, era Emma. 


Ela usava uma roupa diferente, estava de calça jeans, blusa de manga longa preta e um par de tênis da mesma cor, com os cabelos soltos.


Devido a localização de sua mesa Regina pôde observá-la sem que ela percebesse. Notou quando fez o pedido e até quando a garçonete que a serviu permaneceu um pouco mais e ambas trocaram algumas palavras. Ela não conseguiu ouvir o que diziam, mas escolheu não pensar nisso e pediu a conta, saindo logo em seguida. 


Quando chegou ao quarto permitiu que todo o ocorrido mais cedo onde Emma lhe disse que era lésbica viesse a tona. Ela era especialista em bloquear algo em sua mente quando queria, e era isso o que vinha fazendo sobre o assunto, até aquele momento onde se sentiu à vontade.


“Não que eu me importe com o que ela pensa, porque se eu realmente tivesse algo contra minha reação certamente não seria fugir, e como esse também não é o caso não é o que farei agora. Afinal não sou mulher de me esquivar, sempre enfrentei tudo e todos, com ela não será diferente. Até porque isso não é uma briga, muito pelo contrário, chega a ser uma bobagem, mas bobagem essa que eu me recuso a deixar como está. Ela pensa que eu vou evitá-la como alguma adolescente assustada? Isso não faz o meu feitio.”


Movida por uma súbita coragem e principalmente o desejo de contrariar, Regina decidiu que falaria com Emma. Nada muito concreto, apenas o suficiente para que a loira não tivesse ideias erradas. De novo repetiu mentalmente:


“Não que o que ela pensa ou deixa de pensar ao meu respeito seja relevante, é claro.”


Por fim pegou um dos livros que trouxera na bagagem e leu um pouco antes de ir se deitar.


~//~//~//~


No dia seguinte acordou cedo, fez sua higiene matinal e saiu para caminhar. Enquanto fechava a porta do quarto o elevador abriu e uma Emma ligeiramente suada saiu de dentro dele, vestida com roupa de ginástica e fone nos ouvidos. Assim que viu a morena ela retirou os fones e sorriu.


– É a segunda vez em menos de vinte e quatro horas que você me vê toda suada, que emoção.


– Não sei se eu usaria a mesma palavra. – sorriu levemente, e ao ver a loira girar a chave na porta de seu próprio quarto apressou-se em dizer – Na verdade eu gostaria de falar com você, Srta. Swan. – o tratamento formal como sempre presente, numa tentativa de não dar intimidade.


– Tá bom, mas tem que ser agora? É que eu não estou muito apresentável, acho que preciso de um banho primeiro.


– Eu serei rápida.


– E eu não duvido disso, mas mesmo assim. A gente está literalmente a uma parede de distância, pode esperar um pouquinho?


“Mas é uma tola mesmo, quando finalmente resolvo tratá-la com gentileza ela ainda quer me fazer esperar… Dá-me paciência.”


– Sim, é claro.


– Ok, te vejo por aí. – e sumiu porta adentro, fechando-a logo depois.


Regina suspirou irritada e apertou o botão do elevador, quando o mesmo abriu e ela entrou, apertou para o térreo e nos poucos segundos enquanto descia se deu conta de aquela fora a primeira conversa – ainda que curta -, que tivera com Emma sem que a loira a provocasse de alguma maneira, e para sua surpresa a morena se viu sentindo falta disso.


“Preciso mesmo manter minha mente ocupada, acho que estou começando a delirar.” – apertou o espaço entre a junção das sobrancelhas e quando as portas abriram de novo, saiu para sua caminhada pelo jardim.


Passou alguns minutos admirando a macieira, em seguida andou um pouco mais e passou perto da piscina, onde algumas pessoas nadavam. 


Um homem de meia idade tentou fazer uma acrobacia mas errou os movimentos e um pouco de água espirrou na morena, que o fuzilou com olhar, mas absteve-se de comentários para não chamar atenção desnecessária. Sem nem ao menos receber um pedido de desculpas, o que é claro não teria diminuído em nada sua irritação com o sujeito, ela encarou o incidente como uma deixa e foi embora. 


Antes de tomar café parou no balcão de agendamentos e marcou duas sessões de massagens terapêuticas e uma experimental com um óleo importado de Paris para de tarde, deixando bem claro desde o início que se o produto lhe causasse alguma reação ela processaria o SPA.


O dia passou e nem sinal de Emma, uma parte de Regina chegou a pensar que a loira a estava evitando, e logo achou isso ridículo, afinal fora ela mesma que até o momento não havia perdido uma oportunidade de provocá-la.


A noite chegou e o tempo continuava bom, nem quente nem frio. Era por volta das oito horas quando Regina desceu para jantar, já trocada e usando um vestido preto e justo, simples mas elegante. Ela saiu por um breve momento para observar o movimento no jardim antes de partir para o restaurante, e após alguns segundos reconheceu uma figura sentada em um dos bancos perto da macieira, de costas para ela. Os longos fios loiros não deram espaço para dúvidas de quem seria, era Emma.


Ficou parada pensando o que fazer a seguir, a loira não a tinha visto, portanto se quisesse podia simplesmente sair dali e fingir que não tinha acontecido nada, mas seu subconsciente não concordou com esse plano:


“Uma coisa é não vê-la o dia inteiro e não fazer nada a respeito, outra é ela estar a alguns metros de distância e ignorar isso.”


Respirou fundo e se deixou guiar por algo que no momento preferiu não tentar nomear, algo que a fez andar a passos firmes em direção à outra mulher.


Parando atrás dela Regina percebeu que seu rosto estava para cima, tinha os olhos fechados e um sorriso discreto nos lábios, enquanto a brisa da noite balançava seus cabelos suavemente.


“Ela é linda.” – pensou, mas tão logo quanto o fez, se arrependeu - “Qual o problema comigo? Só pode ser aquele óleo francês, provavelmente entrou pelos poros e intoxicou meu organismo, tenha dó.”


Endireitou a postura e deu a volta no banco até ficar de frente para Emma.


– Tentando fazer contato com o universo, Srta. Swan?


Ao som de sua voz a loira abriu os olhos imediatamente e deu um pequeno pulo, colocando a mão no peito.


– Santo Deus! Quer me matar do coração?


– Não exagere. – tranquilamente e com a mesma finesse de sempre se sentou ao lado de Emma e cruzou as pernas – Não sabe que é perigoso ficar de olhos fechados em local público? Alguém poderia roubar você. – sorriu, sarcasticamente.


– Claro, porque é pra isso que gente rica vem num SPA, roubar as pessoas que estão distraídas. – ironizou – E mesmo que fosse o caso eu não corro esse risco, estou segurando meu celular e fora ele só trouxe meu lindo par de olhos verdes.


Regina revirou os olhos.


– Não consegue manter uma conversa séria por muito tempo, não é?


– Você começou.


– Tanto faz, vim até aqui para esclarecer algo e serei breve: não tenho nada contra a respeito da sua sexualidade, portanto isso não seria nem de longe motivo para fugir. Mas não se engane, isso não significa que eu aprecie suas maneiras. E sim apenas que sou uma pessoa perfeitamente flexível e que não se deixa levar por rótulos.


“Hum, ela é flexível... Emma!” – repreendeu a si mesma.


– A não ser é claro que o rótulo diga que a pessoa em questão serve apenas pra carregar suas malas.


– O que quer dizer com isso?


– Que você pode não se prender a sexualidade alheia, mas quando o assunto é classe social não hesita em mostrar as garras.


– Em primeiro lugar eu não tenho garras, em segundo não espere que eu me desculpe por estabelecer alguns limites básicos, e em terceiro não me lembro de ter lhe dado liberdade para falar comigo desse jeito.


– Regi... – ao receber um olhar de repreensão logo procurou se corrigir – Sra. Mills, nós duas sabemos que nada disso era necessário, bastava me cumprimentar vez ou outra nos corredores e eu saberia. Se você está aqui não é só por esse motivo.


– E pelo que mais seria? – não esperou a resposta – Como eu disse antes não quero que se engane, posso não ter preconceitos, mas isso não significa nada além do que é.


Emma a encarou por alguns segundos com cara de pensativa, até que finalmente constatou.


– Você está mentindo.


– Como é? – arqueou uma sobrancelha.


– Você mentiu. - afirmou.


– E o que te faz ter tanta certeza?


– Bom, eu meio que sei dizer quando alguém está mentindo. Funciona quase sempre, não tenho do que reclamar. É tipo um super poder.


– Por que não estou surpresa? Parece mesmo ter estagnado nos dez anos de idade.


– Pode até ser, mas eu garanto que algumas partes se desenvolveram muito bem. – brincou.


– Comentários maliciosos não vão te ajudar, querida. – sorriu.


Emma estava com a resposta na ponta da língua, mas o som do seu celular a interrompeu. Ela olhou a tela e viu o rosto e o nome de Mary.


– Só um momento.


– Eu já estou indo. – Regina descruzou as pernas e fez menção de levantar, mas a loira segurou seu braço delicadamente, apenas o suficiente para fazê-la parar.


– Fica aí. – um pedido mixado com uma ordem, mas a morena não teve tempo para analisar melhor, pois logo a outra atendeu a ligação – Hey Mary!... Eu estou no jardim aproveitando ar puro, acho que esse lugar está me deixando meio mole... – riu de algo que a amiga disse do outro lado – Ah eu fui na academia, é bem legal lá... Sei, bom a gente vê isso quando eu voltar... Pode deixar... Eu também, tchau.


Desligou o celular e o colocou no bolso, só então se deu conta de que continuava segurando o braço de Regina e tratou de soltá-la rapidamente, sorrindo sem jeito.


Aquele “Eu também” no final da conversa girou na mente da morena e a única interpretação que conseguiu encontrar para ele foi como resposta de uma declaração de amor.


Sua boca praticamente ganhou vida própria e fez a pergunta antes mesmo que seu cérebro pudesse filtrá-la.


– Era sua namorada?


“Ótimo, muito inteligente, agora ela vai pensar que eu estou interessada na vida dela.” – zombou de si mesma internamente.


Emma pareceu contemplar a pergunta por um momento.


– Não, era minha amiga Mary Margaret, a responsável pela minha presença aqui.


– Vocês deveriam ter vindo juntas?


– Não, na verdade ela armou quase que uma emboscada, praticamente me empurrou pra cá e disse que não aceitava não como resposta.


Regina perdeu o olhar no tronco da macieira a sua frente e sorriu.


– Meu filho fez coisa parecida, então acho que entendo.


– Você tem um filho?! – o choque na voz da loira era gritante.


– E você parece que não esperava por isso.


– Não, é que... Bom, você não... Quer dizer, olha pra você. – num gesto com a mão direita acenou em direção ao corpo todo da morena.


– O que tem?


– Eu não sei... – passou a palma da mão na calça jeans que usava, nervosa – Quantos anos ele tem?


– Completou treze recentemente.


– Treze? Está brincando comigo, certo? Sei que não é muito educado perguntar a idade de uma mulher, mas eu também sou uma e como você mesma disse não sou a delicadeza em pessoa, então...


– Tenho trinta e cinco. – respondeu a pergunta deixada no ar.


Os olhos da loira se arregalaram por um segundo e então voltaram ao normal.


– Você faz mágica ou coisa assim?


– Acredito que devo levar isso como um elogio. – sorriu.


– Deve mesmo, caramba! Ai, me desculpa, acho que meu filtro anda com problemas. Eu saio falando tudo que vem na cabeça, não quero te deixar desconfortável.


– Eu pareço desconfortável? É como disse ontem, toda mulher gosta de se sentir desejada.


– É, mas pra uma mulher que não gosta de mulheres você parece encarar bem até demais, não acha?


– Srta. Swan...


A loira revirou os olhos.


– Chega disso, me chama de Emma.


– Não, porque se fizer isso vai pensar que pode fazer o mesmo, o que claramente não é o caso.


– Você não relaxa, não?


– Estou aqui justamente pra isso.


– Não parece. Ao menos já entrou numa daquelas piscinas?


– Ainda não tive oportunidade.


– Eu entendo, SPA’s são lugares realmente agitados, não temos um só momento para nós mesmos aqui, né? – ironizou.


– Já pensou em seguir carreira como comediante?


– Não, por quê? Acha que eu faria sucesso?


– Pelo pouco que vi até agora devo dizer... – fingiu pensar – Não.


– Ok, vou encontrar outra juíza que goste mais de mim. – deu de ombros.


– Boa sorte com isso, agora realmente preciso ir. – levantou.


– Vai ao restaurante?


– Sim.


– Eu acabei de sair de lá, tinha muita gente sorrindo ao meu redor, estava ficando sufocada. – ao ouvir aquilo Regina percebeu que compartilhava do mesmo sentimento, mas preferiu não comentar, e diante do silêncio Emma teve uma ideia um tanto quanto inesperada – O que você acha de me encontrar na piscina amanhã, lá pras duas da tarde?


– E por que eu faria isso?


– Ah você sabe, coisas básicas, como viver ao invés de existir. – provocou.


– A maneira que vivo ou deixo de viver não é da sua conta.


– Viu? É disso que eu estou falando, tenho certeza de que um pouco de cloro de piscina vai te fazer bem.


Regina revirou os olhos.


– Espero que saiba que não está conseguindo me convencer.


– Não? E será que a madame poderia me dizer o que estou fazendo de errado?


– Primeiro não me chame de madame, pensei que já tivesse deixado isso bem claro. E segundo tente formular uma frase como a adulta que é.


Emma suspirou.


“Já estou começando a me arrepender.”


– Você tem um fraco por numerar os tópicos nas frases, né? – brincou – Está bem, poderia, por favor, me encontrar na piscina amanhã às duas da tarde, onde existam testemunhas das nossas tentativas de matar uma a outra pelo excesso de sarcasmo e ironia?


– Esse é o seu melhor? – a loira assentiu – Bem, não quero ser culpada por forçá-la a ir além de suas capacidades, então acho que está bom assim... Porém lamento informar, mas não vim aqui para fazer amizades.


– E você acha que eu vim? Diabos, eu só joguei uma mala e meu violão dentro do meu carro e dirigi. Sem expectativas, só pra passar uns dias como foi combinado.


– Então por que está fazendo tudo isso?


– Porque só porque uma coisa foi feita pra ser preta e branca não quer dizer que você não possa colori-la. – quando recebeu um olhar intrigado como resposta, suspirou – Minha amiga tem essa coisa com metáforas, eu acho que é contagioso... O ponto é: eu posso ter vindo aqui pra relaxar, mas isso não quer dizer que tenho que ficar sozinha o tempo todo, e você também não. Me diga se eu estiver errada, mas esse lugar deve ser tipo uma zona neutra, certo? Então se eu devo ficar aqui e “ser feliz”... – ela literalmente fez as aspas com os dedos – Por cinco dias, não me vejo conseguindo isso só sentindo o vento soprar todo fim de noite e vendo pessoas reunidas e sorrindo a minha volta. Na verdade isso soa quase como tortura.


– Acabou? – com um aceno afirmativo, a morena continuou – Viu como tem potencial pra formar uma frase coerente? Basta se dedicar. E em resposta ao seu convite: eu vou estar lá.


– Sério? Podia ter me poupado do discurso, mas tudo bem, acho que valeu a pena no final.


– Não crie esperanças, ter minha companhia não significa ter o meu afeto.


– Eu sei que não, mas aí já é outra história e depois de tudo o que falei meu vocabulário está meio cansado.


Regina sorriu.


– Boa noite, Srta. Swan.


– Boa noite, Sra. Mills.


A morena então se afastou em direção ao hall de entrada, e Emma virou novamente e ergueu o rosto, olhando para as estrelas enquanto seu subconsciente gritava.


“Por que mesmo estou fazendo isso? Mal conheço essa mulher, ela tem um filho, deve ser casada... Preciso me lembrar de olhar a mão dela amanhã... Não, não preciso, não quero e nem estou pronta pra me envolver com alguém. Além de que isso é ridículo, só tenho mais três dias nesse lugar, depois disso nunca mais a verei. Não tenho por que entrar em pânico, ela só despertou minha curiosidade, interesse ou sei lá o que, não importa. É passageiro, não vou mergulhar de cabeça em poça d’água... Droga, lá vem as metáforas de novo.”

Deu um basta e levantou, decidida a voltar para o quarto e ver TV até pegar no sono.

Mal sabia ela que algumas "poças d'água" são muito mais profundas do que podem parecer.



Notas Finais


Tudo certo? Alguém vivo aí?
Twitter: @evilswen


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