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História I Hear You - Capítulo 37


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Notas do Autor


desculpa a demora :(

Capítulo 37 - Chapter XXXVI


Os pés, enquanto assentado, movimentavam-se incessantemente; a espera por uma explicação estava matando-o. A respiração áspera. Por que não me reconheceu? – cogitava fitando à parede afrente. A resposta era óbvia, porém, não se conformaria com tal. Era tão injusto, certo? Jungkook merecia – não! – afastava a negatividade -; ele merece, ainda, ser feliz. Todavia, percebera, Taehyung, onde errou. Voltou-se para o teto e, por diminutos segundos, cogitava sobre as próximas horas; o que iria de ali suceder? Infelizmente, não conseguia supor coisa sequer, amava-o demasiadamente para seguir sozinho. Engoliu em seco - a palavra “sozinho” o assustava. Infelizmente, novamente, as possibilidades eram infinitas, e, era horrível sentir-se prestes a cair não havendo ninguém para segurá-lo.

A porta abria-se lentamente e, de recanto, reparava o desenho do médico saindo do quarto, contudo, não era isto que o chamou a atenção: os olhos encontravam os de Jungkook; não era os que conhecia. As lágrimas, naquele justo momento, ameaçaram a cair. Manter-se-ia forte, porém. Por ele, para ambos. A porta fechava-se e a atenção e toda a ansiedade focavam no doutor. Sequer levantou-se, deixaria a hierarquia de lado, fixava em suas mãos para que, finalmente, soubesse o acontecido... Nada. Não entendera. O homem permanecera a caminhar, os braços cruzavam-se e a cabeça pendia contemplativo boas notícias não são demoradas a serem dadas – Taehyung, triste, pensava. Ele, subitamente, parou ao final do corredor e virou-se, revelando a mão chamando-o. Havia um semblante de incerteza, indecifrável e isso assustava-o. Prostrou-se e, antes de segui-lo, fitara a porta por cima de seus ombros, uma frieza percorrera seu corpo naquele momento – desconhecia o motivo -, porém, o que?

Seguia-o em desdém, de passo a passo, pelos corredores; os raios solares, agora, contornavam as paredes, tornando o local aquecido conquanto equilibrava-se com a brisa que tocava suas peles; a feição de Jungkook viera em mente – o medo naqueles olhos amplos - e Taehyung, honestamente, respirava fundo para manter-se calmo; são. Poderia sair correndo e adentrar naquele quarto, implorar por reconhecimento. Como? Não o faria, todavia, porque assustá-lo-ia ainda mais; - mas, droga – pensou -, como queria vê-lo. Percebia a pouca movimentação da entrada, a diferença dentre a noite e o dia; os funcionários não eram os mesmos – se, na verdade, prestara atenção em uma somente; e os que aguardavam atendimento já não estavam mais lá, eram outros. Os passos diminuíam, finalmente, e notava, fitando adiante, que o eles se direcionavam para duas máquinas prostradas ao canto da parede na ala oeste do hospital: comidas e bebidas, respectivamente. Não poderiam as refeições esperarem? – questionava-se. Bufou. O doutor virou-se para si, subitamente fazendo-o parar um tanto quanto brusco, e reconhecia suas responsabilidades como médico, não seria necessário lembrá-lo; contaria no momento certo; contaria agora? – Taehyung estava inquieto. As mãos moviam-se:

- Minhas desculpas – o doutor sinalizava com um cansaço -; gostaria de comer? – Não conseguia crer, Taehyung, no que entendia. Não! – respondia em mente – Não quero! Sentira, entretanto, naquele exato momento, sua barriga tremer, alertando-o do vácuo que ali continha; tocava o estômago e, não fingiria, ele, repensando novamente, gostaria sim. Mas:

- Sim – assentia. Tirando a carteira do bolso, chamara a atenção do senhor mais um momento; conseguindo-a. – Por favor – fizera uma pausa -, como ele está? E preciso saber. A lágrima singular escorria pela sua bochecha. Ele hesitava e Taehyung não era idiota; o que escondia? Droga – matutou.

Guardou-a e respirando fundo. – Vamos comer e, então, lhe contarei – seus movimentos tornavam-se cada vez mais lentos. Não tinha escolha senão concordar. Não conseguiria nada se continuasse a insistir. Uma pena. Apontou para um sanduíche de sua preferência, de formato retangular, através do vidro e escolheu um suco relativamente pequeno. Continuaram para além daquele espaço, os assentos e mesas arredondadas ficavam atrás daquela parede e, surpreendeu-se, vendo a grande vidraça, ao fundo, para um jardim de gramas escuras e desenhos feitos dela; árvores e pássaros tornavam-no ainda mais formoso; tinha certeza que, se pudesse ouvir, sorriria pelo conjunto belo e harmônico. Assentaram-se frente à frente e desembrulhavam o “café da manhã”; por mais que quisesse saber o quadro de Jungkook, a fome não o deixava, propriamente, se concentrar e comia quieto, degustando de cada mordida. Via, às vezes, poucas pessoas conversando e, até mesmo, sorrindo. Talvez, aquele espaço causava isso nas pessoas: faziam-lhes esquecer de sua realidade por um momento. Funcionava. Como diria que não? Amassava o embrulho e limpava a boca com os guardanapos dispostos acima da mesa. Agora, encarou-o para que fosse claro e sincero, estaria cansado de esperar. Ambos respiraram fundos:

- Ele – os batimentos aceleravam – está fora de perigo, acalme-se – o médico esclarecia. – Contudo, sua memória está retida – Taehyung despedaçava-se, o que “retida” poderia dizer? -; ele fora atingido muito forte na cabeça e – pausou para pensar, hesitando novamente – os últimos dias em sua mente, infelizmente, sumiram. Não conseguia conter o semblante de pânico e tristeza enquanto lágrimas densas corriam pelo rosto. Sumiram? Para Sempre? O doutor chamava sua atenção, tocando sua mão brincando, ansiosamente, com o papel: - Porém, memórias retidas hão de voltar em algum momento – Taehyung não piscava -, é somente necessário paciência para que elas voltem deliberadamente.

Engoliu em seco. - Então, eu não posso força-lo a lembrar? Mostrar alguma coisa – acrescentava -?

Matutando, o médico considerava a pergunta pertinente do garoto; sabia que ia de fazê-la; com pesar informava, porém: - Sim. Entretanto, forçar a mente poderia trazer algumas sequelas, e dores extremamente fortes para ele – hesitou -. Temos de deixá-lo a favor do tempo. Aqui, em observação.

- Eu – tremia e, com isso, a velocidade dos movimentos das mãos diminuía – posso vê-lo às vezes? O doutor assentiu.

Taehyung encarava, agora, ladino o chão; aqueles sinais, decerto, ressoavam em sua mente e nada deixá-lo-ia mais infeliz. O que faria a partir daquele momento? Sem Jungkook...? Sua vida não pararia, mesmo que desejasse. Escondia o rosto nas mãos para disfarçar o lamento; a água, entretanto, continuava a cair e os ombros mexiam pelo incessante choro. Estava em pedaços. Sentira um peso no ombro direito e abrira os olhos prestando-se à cadeira vazia afrente; o doutor encontrava-se a seu lado e confortava-o. Não precisava daquilo. O senhor, mais uma vez, chamava-o:

- Venha, se ele não estiver repousando, poderá vê-lo. Levantou-se recolhendo seus entulhos; a condição “se” o enfraquecia, todavia, era melhor que não o ver. Prosseguiram para fora daquele lugar, aquele formoso e hipnotizante local, e jogou os papéis ao lixo; o caminho já conhecia, portanto, estava bem atrás do médico, precisava desses instantes para pensar em manter o controle sobre si mesmo ou, ao contrário, ficaria louco, ficaria obcecado com um momento preso no tempo; o passado, tornando-se presente e futuro. Não podia permitir. À porta, o senhor adentrou primeiro e checou a condição proposta: felizmente, ele estava acordado revirando uma revista, e chamou Taehyung para entrar. Passos trêmulos, contudo, conseguiu entrar e fitar aqueles olhos que recaiam sobre ele. O médico, à sós, os deixaram. Parecia como a primeira vez, mas o contexto era outro; Jungkook era outro.

Ele levantava-se com dificuldades, Taehyung gostaria de ajudá-lo, porém sentia, em seu íntimo, que chegar tão próximo seria um erro. Pôs-se sentado com as costas descansando na cabeceira da cama, tocava seus pulsos pelo desconforto de levantar seu próprio peso, deixando a revista em seu colo; e ali ficaram, frente a frente. Não conseguia mover-se, os pés pareciam pedras no fundo do oceano, contudo, devia fazê-lo. Os lençóis eram demasiadamente finos que poderiam ser levados pela gentil brisa que adentrava pela janela, dançavam sobre o ritmo dela, assim como a franja que recaía sobre os olhos; era errado, todavia, continuava belo. Sua corpulência era demarcada e, engolindo em seco, matutava sobre os tempos que já chegou a tocá-la; mais uma vez, era errado. Taehyung apertava o tecido da vestimenta para conter-se. A saudade não era de vê-lo, somente, mas de, também, apreciar o calor do outro; deveras próximo. E, a blusa fora trocada, pôde notar assim que entrou; isso queria dizer que, realmente, ele ficaria naquele lugar por mais tempo. A ideia o dividia; compreendia, entretanto, estava triste. Voltou sua atenção para Jungkook quando o viu – finalmente - fazer um movimento; alcançava, na mesinha ao lado, uma prancheta com um papel em branco e uma caneta de cor cerúlea, repousando a revista naquele mesmo lugar. Sabia o que aquilo significava. Era o único modo. – Lembrou que sou... Não – questionava-se, respondendo ligeiro -, o médico deve ter contado – ofuscava qualquer esperança.

Jungkook cerrava os olhos forçadamente, a cabeça latejava, na verdade, toda vez que o encarava. As palavras encontravam-se dispersas, portanto, não raciocinaria demoradamente para perguntar o que queria saber. Claro, estava curioso. Direto ao óbvio. Os joelhos eram usados como apoio e uma frase aparecia sobre a superfície branca; a cada duas palavras, parava com a feição perdida e girava o pulso pelo efeito da dor e pelo esforço; a caneta não era segurada com tamanha força, poderia facilmente cair de sua mão. Taehyung sentia-se mal, por vê-lo agindo de tal forma; o responsável. Terminando, não o entregou em mãos, ou esticou o braço; somente arrastou um pouco para frente, sobre sua coxa, para que pudesse pegar e voltou-se a recostar, inspirando pausadamente. Um momento se dera e Taehyung atreveu-se a mover com passos lentos, trêmulos. Seguia, e sentou-se na beirada, em seu lado esquerdo, próximo de seu rosto, à altura da cintura. Sentia-se incomodado, porém. Não por estar tão próximo; estava acostumado de fazê-lo o suficiente para reparar os detalhes mais singulares dele, mas por estar próximo e, ainda assim, ser um estranho. Doía.  

Recolheu a caneta, a prancheta e a lia: “Quem é você?” – o fazia com dificuldade, a tinta não aparecia forte, contudo, pôde entender. Respirou fundo. Aquela pergunta, considerada simples, atingiu seu estômago; não pode evitar o desapontamento. Respondia: “Seu namorado, Taehyung” – Assim que finalizou, hesitou em entregar. – Namorado? – Perguntava-se ladino. Não seria certo, talvez, contar isso. Se não se lembra dos últimos dias, provavelmente, não se lembrará de ter se aceitado. E, a última coisa que gostaria, era deixa-lo mal. Riscou a palavra deliberadamente e escreveu sobre: “Melhor amigo”. É; melhor. Entregou-a. Notou Jungkook, ao ler, não fingindo surpresa; seus olhos acresceram e, dificilmente indecifrável, parecia contente e preocupado. Realmente, não se lembrava de ter amigos ou, ainda, aqueles para chamar de melhores. “Como vim parar aqui?” – fora a sua próxima pergunta. Sua mão, todavia, ao entregar, soltava a prancheta - caneta ao chão -, levando-a em direção à testa, seus olhos fecharam-se pela dor repentina e Taehyung aproximou-se preocupado; a mão sobre as coxas dele e a outra tocando seu ombro, bem próximo ao pescoço. Se Jungkook não estivesse sentindo dor, diria – se pudesse – que sentira falta daquilo; de tocá-lo; de tocá-lo ali. Os olhos abriam-se lentamente e, depois do transtorno, como acostumando-se com o brilho em um lugar escuro, evitar fitar aqueles olhos escuros sobre si, o ar – e o toque - quente que sentia era dificílimo. Pararam assim. Um imã que os ligavam, duas peças opostas que, se encontrar, ambicionavam; Taehyung, pausadamente, curvava-se, permutando entre os lábios ainda incolor e os olhos que cintilavam fraco e, desta forma, encantado com a imagem a frente, o coração acelerado e o frígido na barriga, Jungkook permanecia parado, em espera. Queria aquilo, não se dava conta, porém, do porquê. Intuição? – Mas, ele é meu melhor amigo? – Ponderou em escassa distância. Inesperadamente, ouviu, ao fundo, o ranger da porta e empurrou-o – fraco – para longe. Mover-se tão rápido, confessaria, o causara dor. O médico encontrava-se lá, esperando por algo; mais certamente, alguém: Taehyung. Ele, perdido e envergonhado, o rosto queimado, fitava o senhor à porta e sabia que devia sair; infelizmente. Levantou-se, despedira – por enquanto - com o olhar e um sorriso ladino. Engoliu em seco, todavia. Seguiu para a porta, curvou-se para o médico e sinalizou sossegado: “Cuide dele, por favor” – com aqueles olhos avermelhados pelo choro constante. E saiu. Ao fechar da porta, no espaço onde apenas luzes passam, encarou Jungkook pela última vez – parecia mais calmo, ainda perdido -, entretanto, seu olhar igualava-se ao do passado, aquele que conhecia; ele, em parte, ainda estava lá.

Jungkook cerrou a testa; não explicaria o que acabou de acontecer. Não existia, talvez, uma. Cogitou sobre o acontecido e forçou-se a isso, ainda que sua cabeça doesse; antes de soltar a prancheta, sua mente fora abordada por uma imagem: via o garoto que estava ali, bem afrente, deitado, ao seu lado, numa cama, com os cabelos tocando o travesseiro, respirando tranquilamente. Uma memória? – ponderava. - E por que – continuou – tive uma vontade enorme de abraça-lo mesmo não reconhecendo-o? Respirou fundo. Perguntas sem respostas. Alcançou a prancheta jogada ao lado, ainda na cama, e releu a minúscula conversa; o rabisco o incomodava. Eram poucas as linhas que cortavam a palavra, poderia, se esforçasse, a ler. Cerrou o olhar e assustou-se; não poderia ser, poderia? 


Notas Finais


...


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