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História I Hear You - Capítulo 38


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Notas do Autor


Espero que gostem...

Capítulo 38 - Chapter XXXVII


- Como é estranho – dizia fitando o cadarço desamarrado -; não me sinto bem fazendo isso. É como se algo –

- Se opusesse de você – completava a frase distraído, encarando o grande prédio afrente. Jimin, logo, o viu; os cabelos dançando tímidos com a brisa. Respiravam, ambos, profundamente o ar puro daquela manhã. – Infelizmente – continuou simpático -, você precisa vê-lo; acredite – pousou sua mão sobre seu ombro -: parece ruim agora, mas, depois, as coisas se ajeitam – Yoongi disse. Encarava aquele olhar de apreço e continha, também, medo, porém, não o forçaria; chegara perto o suficiente e deu-lhe um abraço demorado. – Você consegue – finalizou sorrindo. Nada disse o outro; era o medo, grande, do inesperado. Engoliu em seco e atreveu-se a ir; um passo afrente, entretanto, e hesitou completamente, pois vira que não estava sendo acompanhado:

- Vamos? – desapontou-se, Yoongi, porque a resposta não iria ser de bom agrado. Jimin se preocupou ao vê-lo encarar o chão em desdém. – Suga? – o chamou.

- Eu não posso – levantou o olhar marejado –, eu não posso entrar lá; você sabe. Pronto, a memória atingiu-o como um raio no topo do edifício mais altivo. Bufou, em desapontamento, porém, era compreensível. Não que o proibissem de frequentar o local - isso seria cômico -, ele, por outro lado, simplesmente, não o quer; o passado dele era fixo àqueles espaços, aos móveis, nos corredores e assentos. Todo “algo” que estivesse adormecido, acordaria, assim que passasse da porta, arranjando as maiores das badernas em sua mente. – Eu – a voz saia embargada no início, entretanto, se compôs -... Eu vou te esperar aqui. Jimin sorrira ladino, compreensível; por que obrigá-lo-ia? Existia – e ainda há – pensamentos e recordações que o incomodavam, então, se o gostava, por que fazê-lo passar por isso? São raciocínios simples que outros casais deviam fazer – cogitava assim -; talvez, por isso, que muitos não são deveras duradouros. Seguia para a porta principal e fora impedido, novamente, pelo outro: - Seu cadarço – os dois fitaram ao mesmo tempo. Ouvia-o agradecer conquanto amarrava-os e, não obstante, aquela voz o fazia bem; orgulhoso. Não tinha dúvidas, os sentimentos eram tantos que, sabendo não dizer quais eram, era o mais forte e, com certeza, puro de todos. Sorria ladino vendo-o caminhar.

Os passos eram incertos mesmo sabendo o caminho, os degraus. Não queria sentir-se tão distante visitando seu próprio pai que, aliás, não passava de um estranho. Poderiam perguntá-lo se se arrependia de algo naquela mocidade e nenhuma resposta caberia, ao pai, citar. Como Yoongi o alertou, todavia, esses sentimentos são momentâneos e, depois, o que sobra é o arrependimento ou o agradecimento. Por enquanto, nenhuma das emoções o tocavam em seu íntimo e essa confusão martelava em sua mente. Havia esquecido, por um mínimo momento, daqueles impasses de sua vida e, como um novo capítulo, coisas boas estariam acontecendo; conhecendo pessoas novas, aventurando-se em passeios que nunca imaginou fazer, mas, afinal das contas, tudo voltava-se para a família – ponderou. Soltou um ar denso abrindo a porta.

Nada de diferente, nada como se tivesse afastado por dias. Abraçou-se para apartar o frio e o olhar permutava da esquerda para a direita; procurava alguma característica díspar apenas para entreter e despistar seus pensamentos brutos. Avistava, somente, pessoas, outras dormindo – provavelmente viraram a noite -, outras cochichando. Ia afrente, entre as cadeiras, para a recepção com grandes vidraças, agora, limpas - isso o impressionou -, contudo, a corpulência, em trajes esbranquiçados, chamou-o a atenção; o mesmo médico que o recebera noutro momento estava encarando-o, prostrado ao lado do elevador, esperando para que os olhos se encontrassem, como agora, para que o chamasse com a mão. Ótimo – falou baixo e fora chegando perto de ele. Educado – como fora ensinado -, curvou-se e ele, Namjoon, assentiu. Não parecia, de longe, com o olhar perdido, demasiadamente cansados e com a roupa surrada; seus olhos brilhavam com um certo efeito e não era, infelizmente, devido á, reluzente, luz. Havia um certo pesar. Droga – concebeu.

- Obrigado por vir – começou -, espero que esteja se sentindo bem – apontou para o elevador e Jimin pôs-se primeiro. Não o agradava a última frase, era como se o que viesse, acabaria de destruir todo o resto já derrubado. Engoliu em seco. Era verdade. O som do botão apertado pelo médico, o barulho das cordas afora e as engrenagens funcionando pareciam eternas, o medo anterior aumentava, um grande coral para um final trágico, espetacular, de um filme. Havia, decerto, recebido uma ligação no dia anterior, um número desconhecido, entretanto, reconhecia o conjunto de números ao final e sabia quem estava do outro lado. O próprio; o médico solicitava a presença de Jimin naquela noite, porém, sua mente não almejava por confusão ou desgostos. Sentado ao pé da cama, e Yoongi presente o abraçando por trás, fitava a tela do celular com a ligação ainda conectada, pensativo sobre o que vinha a ocorrer – com um sorriso distante -; não dera uma resposta – positiva ou negativa – porque tal proposta, subitamente, viera. Era demais. E, depós de várias discussões e conselhos, então, ali encontrava-se. Outra vez.

A porta abria-se, assim como sua realidade. Aquele corredor de cor escura - era pior à noite – diria -, e as portas que rangiam ao abrir o lembravam de como, no mesmo dia, pôde sentir tanta decepção e conforto. Complicado. Foi, também, primeiro e seus passos entravam em harmonia com os sapatos de couro do médico; o eco ressoava por todo complexo, duradouro e alto, não havia muitas pessoas, porém, naquele andar – na verdade -, havia somente seu pai. Frente à porta, e tocando à maçaneta, virava-se e fitava ladino a porta que, adentro, encontrara conforto uma vez. Não podia evitar: cerrou os olhos e inspirou pelo nariz e expirou pela boca; de novo e de novo. Parecia uma primeira vez, com o final já previsto – como uma sinopse lida ao verso de um livro. Girou a maçaneta e o ranger característico da porta, fez dar-lhe conta do que fizera. Seria tarde para voltar atrás? – ponderou. Ao lado da cama, ao se colocar em passos leves – deixando a porta aberta -, e avistá-lo com todos aqueles tubos – os panos alternando pela respiração fina -, cabos que saiam de sua face e braços, o som cardíaco que o fizera, antes, prantear demasiadamente, não podia sentir nada senão um tremendo desconforto. Pena? Forçou-se a encontrar, todavia, continha, em seu âmago, muitas inseguranças e dúvidas – sentimentos indecifráveis; ‘pena’ não era uma delas. Por isso não queria estar ali, se prostrar afrente, logo, do pai e não sentir nada, fazer-se como o vilão da história. O filho ingrato, dentre outros.

- Jimin – uma voz, um tanto embargada, o fizera despertar de seu transe trágico; não era a voz do médico, este encontrava-se, à espera de algo, à porta. Virou-se e, ao fundo da sala, em uma pequena poltrona colorida em vinho, o homem esperava com as pernas cruzadas – uma postura intimidadora – em seu terno caro: Jin. Cerrou seus olhos para ter certeza; era ele. Mas – pensou – por que? –, confuso, o observava aprumar e aproximar-se – talvez, estaria visitando-o? Não podia existir momento mais estranho; fechou-se, a porta, com os sons ritmados dos passos, afora, do médico, ficando cada vez mais baixos e foram-se, eles, deixados à sós. Jimin, com a guarda preparada, apertava a o aço da cama; nervoso, as sobrancelhas dançavam pela curiosidade e desafines da situação.

- Acalme-se, por favor - Jin insistiu, reparando o quão nervoso aparentava -. Eu sei que parece estranho, mas precisamos conversar.

- Sobre? – Engolia em seco.

- Este homem – Jin o encarou, imóvel, no leito. – Bom – tocava a nuca desconfortável; Jimin reparava a perda de postura; não era tão ‘durão’ quanto ponderava – alívio, não? -, não sei por onde começar – bufou -; você sabe que ele; seu pai – começou a perambular pelo quarto -; era um homem com uma idade avançada – Jimin assentia a cada frase – e sabe, também, que ele não ficou casado com sua mãe a vida inteira. Na verdade – encarando a parede ao fundo –, ele tinha outra –

Estupefato, Jimin o interrompera naquele instante – está dizendo que ele traia minha mãe? – A raiva acresceu e os olhos, de fúria, cobriram-se. Tranquilizou-se ao vê-lo negando com a cabeça; “parabéns pelo mínimo, pai” – matutou debochado.

- Estava dizendo que ele tinha outra relação – nas janelas, agora, fitava através das cortinas -, antes de ela. Jimin resistia contra a ansiedade e ânsia que surgia em seu âmago; um sentimento incomum; péssimo pela novidade. – Até então, tudo bem; no entanto – voltou a perambular, encarando o chão e mãos ao bolso -, dessa relação ele teve um filho. Parou de falar, aguardava alguma reação súbita do garoto: nada. Jimin, pensativo, encontrava-se agora; mais que o usual. A respiração acelerou-se e todas hipóteses brotavam, plausíveis, na sua mente; uma folha em branco, o chão tornava-se; rabiscos eram feitos e ligavam uma ideia à outra, a cada piscada, falhando em concluí-las.

Antes de prosseguir, Jimin recuperava sua coragem: - Quem – gaguejava -, quem é ele? – Desejaria não saber; desejaria não ter perguntado; queria, de fato, saber? Jin nada respondeu; pode-se ouvir o ar saindo de sua boca e os ombros aliviarem-se – a demora consentia por si; Jimin apenas não queria crê-la. O professor, de terno caro, começou a virar-se e encarou-o com a linguagem óbvia e olhos cintilantes – não orgulhosos: ‘eu’. O garoto escancarou a visão; irmão? – Matutou. Precisava assimilar, deveras. Engoliu em seco, o silêncio brotou entre os dois como um oceano os distanciando. Virou-se e se pôs a andar para fora daquele lugar. Seu pai – sinceramente - não o preocupava; não fora impedido como imaginou que seria. Jin tinha discernimento que ele necessitaria de um tempo. ‘Onde ele estava esse tempo todo?’ – não mencionava nessas últimas semanas de escola, mas durante sua vida inteira – ponderava enquanto saía do elevador; ‘precisava dele? Sua vida seria diferente se tivesse um irmão?’ – todos os pensamentos eram óbvios; claro que sim. Retornou, então, à pergunta inicial: ‘onde ele estava esse tempo todo?’. Esperava pela lágrima para cair, porém, era diferente, não continha tristeza; era algo que, ainda, doía. Namjoon, assentado defronte o elevador, levantou-se de repente; esperava que viesse falar consigo, todavia, passou direto; sequer o notou. Notou, porém, que as coisas haviam saído conforme o plano. Ele havia contado. Jimin, rubro, encarava a porta, e somente matutava sobre ultrapassá-la; entre as cadeiras e pacientes, o fim parecia mover-se, afastando-se singularmente de si e, por isso, começava a acelerar mais os passos. Assim que tocou a porta e abriu-a, o mesmo, fazia Taehyung em sua casa, sentindo a brisa fria.

Infeliz, encontrava-se naquele momento, pensativo sobre o que se sucederia. Visitaria Jungkook, mas até quando? Parecia que as lágrimas, decerto, não cessavam e sempre haviam de cair em momentos inesperados. Perambulava pela casa, a sala parecia grande demais, poucos móveis, sentia-a incompleta; no quarto, tocava a cama, sentia-a fria; insuficiente. Cerrou os olhos e relembrava dos momentos que tiveram bem ali, naquele, quarto, naquela cama; como memórias são formidáveis, não? Trazer a pessoa longínqua para o mais perto possível e, não obstante, relembrar de cada aspecto. Sentiu um desconforto na garganta e tratou-se com um copo d’água, virando-a afrente de sua janela na sala; naquele momento, deu-se conta; mesmo que não ouvisse – a solidão podia ser ouvida de outra forma. Distrair-se-ia. Pelo menos, por um pouco. Pousara o copo em sua mesinha de centro, à beirada e foi em direção à sua porta de colorido roxo e teias de aranhas em suas extremidades. Parou para criar coragem e abriu a porta revelando o cintilar de seus olhos, o que adorava praticar; quanto tempo – afirmava em mente. Notava - adentrando - os quadros encostados, outros pendurados, as tintas esparramadas em seus potes com outros pincéis acima e uma pintura inacabada ao centro. Lembrava-se bem para quem aquela era, os momentos eram outros, porém; pôs o quadro de lado e tomou outro com a superfície limpa. Pintaria novamente.


Notas Finais


...


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