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História I Hear You - Capítulo 41


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Capítulo 41 - Chapter XL


Conseguia ouvir os pássaros pela manhã, mesmo contendo as janelas fechadas, do lado de fora; os automóveis acelerando pela via e os sussurros aglomerados. Odiava a orquestra. O tecido têxtil denso impedia os raios vibrantes de sol de adentrar no quarto e causar o calor. Não fora isso, porém, que o despertara naquela oportuna manhã; estava farto de permanecer na cama, dormir, encarar o teto indiferente por horas, quando, na realidade, as engrenagens da sua vida não pareciam encaixar-se uma ás outras e permitir que todo o sistema funcione. Sequer dormiu, Jimin.

Era notável as machas rubras abaixo dos olhos, fracas como o tom de uma sinfonia ao fundo de uma música; estava, de fato, preocupado consigo – seu novo irmão -, e seu pai. Precisava, entretanto, esclarecer que, a este último, não se preocupava em demasia; perdoá-lo não era sequer uma opção. Enfim, o que fazer? – matutava com as mãos abaixo da cabeça sobre o travesseiro cinza claro. O teto nunca parecia mudar, estático e protetor, o ventilador ao centro girava lento, mas ainda girava. O que aquilo significava? Estaria, ele, pensando além do necessário? Respirou fundo, o cabelo recaído à testa: Bobagem – respondeu solitário, jogando coberta escura ao lado e levantando-se. Permitia a luz natural adentrar após arredar as cortinas, os olhos queimaram repentinamente pelo desacostume e escancarou a janela; os sons, automaticamente, aumentaram, todavia, lá permanecera. Alguns segundos. Experimentando a brisa gelada contornando seus braços e barriga, ambos nus; o pescoço arrepiava-se com o frigido toque e o calor do sol, que o atingia por completo, também, aquecendo o solo naquela região. Não pode evitar: sentia falta de seu amigo, de vê-lo, de esforçar-se em entendê-lo, de caminhar ao seu lado para lugar algum, rir. Ah! Como gostaria, novamente, de rir até sua barriga doer, de chorar por isso. Decidira: queria vê-lo.

E, assim, fora naquela manhã; lembrava-se Jimin, assentado ao banco do pátio, esperando os alunos saírem para que o encontrasse. Os olhos em relance rápido, permutando de rosto em rosto, o procurava desesperado; mais que o normal, precisava admitir. Parecia que a vida estava os separando; os problemas cursavam trilhas distintas e longínquas, e deixavam-se levar por eles; entendendo que esse era o processo da vida, não significava, contudo, que precisava aceitá-la; era a sua vida. De ela fazia como se bem apraz. Havia, ora, aprendido isso no mesmo momento em que seu pai o acertara violento no rosto, o da última vez, claro, dentro vários outros antes deste. Tinha de, somente, colocar em prática. Levaria tempo.

A demora o deixava apreensivo e, ao mesmo tempo, esvaziava-se daquela determinação que criara horas antes; começava a balançar a perna abaixo da mesa e a brincar com os dedos. Nada. Indagava-se, agora, se ele sequer viera; certamente: não o vira perambulando pelos corredores, não o vira no intervalo. Há quanto tempo não o vejo? – Matutava tocando sua nuca. Não sabia a resposta. Gostaria de saber se ele era o foco dos pensamentos do outro; por curtos momentos, apenas, seria suficiente. Não queria soar egoísta – era um pensamento inocente -, queria continuar, apenas, sendo o melhor amigo, pois nunca tivera ninguém. Toda essa espera o fazia esvaziar-se de energia, o sono cobria-o como o cobertor da noite. Não achava, de todo, ruim. E foi-se; rendendo-se aos poucos porque não conseguiria evitar – prostrou a mochila sobre a mesa e reclinou-se sobre ela, a vista, ainda, para as pessoas, esperançoso ao vê-lo. Os olhos tornavam-se pesados e as piscadelas, longas. Não os abriu mais; adormeceu como há várias noites não o fazia.

Um quarto apossava-se de um clima gelado, era plausível notar a fumaça que aquela criava sobre o chão mármore. As paredes não apresentavam coloração vívida, o cinza deixava a angústia expressa; uma única lâmpada que iluminava o local, antiga, amarelava os cantos e fazia as sombras saltarem. Ele, de pé, notava um leito afrente, os aparelhos ao lado direito com os batimentos cessados, no vídeo, amostrados – uma linha longínqua em sintonia do som. Era um forro finíssimo que cobria algo sobre a cama, alguém abaixo deste. O forro delineava perfeitamente as linhas do corpo – um homem? -, até cobrir o rosto; não era perceptível, portanto, o movimento de respiração se encarasse cuidadoso. Engoliu em seco. Ao dar o primeiro passo, não sabendo o porquê, contudo, de andar em direção do leito, reparou a frieza correr pela sola dos pés; estava descalço. Olhara em volta, não havia portas ou janelas. Continuou, pois anormalidades tornar-se-iam normais e, naquela ocasião, não poderia perceber. Aproximando-se do corpo, poderia sentir o coração acelerar em vista da inércia do homem: Quem poderia ser? – indagava-se intimamente. Ameaçava, assim, descobri-lo. Levava, lentamente, a mão a puxar o pano, respirando pausadamente, amedrontado, todavia, no momento que sentira a fineza do pano, o mesmo homem o segurou em suas mãos, assustando-o.

Jimin acordara em um pulo; o coração batendo mais do que poderia contar: pesadelo? – pensava aflito. Piscava forte para acostumar-se. Precisava de alguns segundos. O calor, todavia, crescente em seu pulso, o fazia perceber que alguém, decerto, o segurava. Seguia o curso do braço até a face, ofuscada pela luz branda do sol que brilhava atrás de si. Esforçou-se; a visão tornava-se clara: o sorriso estampado sem medida ao rosto e os olhos avermelhados e, não obstante, cansados, o cabelo recaído à testa. Finalmente – disse ladino. Era Taehyung. Não evitaram o abraço, ambos pensaram nisso e não hesitaram ao fazê-lo. Que surpresa Jimin sentira; achava, sincero, que não o veria naquele dia. Assentaram-se com a expectativa no imo peito; uma grande expectativa. Jimin não aguardaria: pôs-se, logo, a sinalizar “senti sua falta” trêmulo, acalorado – deixaria Taehyung tímido, porém, assim sinalizou de volta. E era verdade.

“Está tudo bem?” – argumentava com as mãos movimentando-se lentas. Não era uma pergunta genérica; não quando esta é, contudo, feita por pessoas que realmente desejam saber; os que desejam o seu bem. Jimin engoliu em seco e desviou o olhar, à procura de nada; queria contá-lo a verdade, mas deixaria o conflito interno resolver-se, assimilar-se e, quem sabe, conforma-se. Assentira, porém. Taehyung notara a mentira detrás dos olhos, simples – esses escondem a verdadeira criatura, independente da carcaça que se constrói por fora. Sabia, ademais, que houvera motivos para não o contar e não o condenaria por tal escolha; apoiaria e, no momento ideal, saberia. “Que bom” – omitia-se. Antes de continuar, com persistente pressa, Jimin o interrompe: “E você, por que não o vejo mais?”. Estava mais rápido nos sinais, estava progredindo – achara orgulhoso. Não era dos planos de Taehyung preocupá-lo, não agora; mudara sua postara e Jimin notara que o incomodara; deveria, ele, não tocar no assunto? “Você não está com fome?” – O respondia recebendo um ar de repúdio do outro. Era sério. Pensando apropriadamente, todavia, Taehyung precisava de ele; apropriadamente, Jungkook precisava. Coçava a cabeça, escolhendo o que comunicar; respirava fundo, perdido. “Eu não sei por onde começar” – continuou, respirava fundo. Naquele instante, ora, lagrimas ameaçavam cair – os olhos brilhavam como uma superfície de um lago recebendo a luz tardia do sol. “Que tal pelo começo?” – Jimin sugeriu arrancando um sorriso de Taehyung. Contaria, então; e assim o fez.

Não conseguia crer, no final, que tudo aquilo ocorrera; que suportara sozinho. Jungkook perdera a memória? - Taehyung era forte; não, era além. O que responder – matutava, Jimin – após tudo isso? O outro, na verdade, não havia finalizado; captara, outra vez, a atenção dele e reforçara a viagem que, em 48 horas, sem hesitar, faria. Não era isso, entretanto, que o queria focado, mas em outra coisa. Implorou – pela insistência dos sinais – que cuidasse de Jungkook enquanto estivesse fora. “... por favor.” – Taehyung continha a ansiedade no imo peito, as pernas trêmulas abaixo da mesa, a espera de uma resposta; sequer piscava, olhos avermelhados e bochecha molhada pela lágrima que escapou. Jimin não se movia, pensava nos momentos que passara com Jungkook, foram poucos, memoráveis, porém. Jimin enchera o peito de ar, um sorriso ladino e orgulhoso; levantava a mão direita e com a outra a tocava seu peito, apertando o tecido da blusa acima do coração. Sorriram Juntos.

“Eu prometo”. 



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