História I just need a chance - Capítulo 5


Escrita por: e EsterAndJimin

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Kim Taehyung (V), Personagens Originais
Tags Atlantys Fanfics, Bangtan Boys, Bts, Kim Taehyung, Love, School, Taehyung
Visualizações 343
Palavras 7.778
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus amores! Voltamos com mais um capítulo fresquinho! Desejamos a vocês uma boa leitura e esperamos que gostem! Nos dedicamos muito pra isso!
E não se esqueçam de comentar ao final! É de graça e não dói! ♥

PS: Aos que estão cogitando a ideia de que Tae e Lyn ficarão juntos, aconselho vocês a lerem a sinopse novamente.

Capítulo 5 - For you


Fanfic / Fanfiction I just need a chance - Capítulo 5 - For you

      O final de semana passou lenta e dolorosamente enquanto que eu desejei que ele fosse rápido. Tudo que fiz com Kim Tae Tae aconteceu na sexta feira depois das aulas e só o que eu queria era poder vê-lo o quanto antes quando chegássemos na escola na segunda feira. Mas, sendo assim, isso seria mais demorado do que imaginei.

      Fiquei na amargura durante o sábado e o domingo – quando na verdade deveria ter me animado por um inesperado passeio em família para um lugar que fazia tempos que não visitávamos juntos. Eu realmente deveria estar bem eufórica com o a curta viagem que eu faria com meus pais, mas nem isso me animou.

      Fiquei com ele nos pensamentos o tempo inteirinho.

      Não consegui me distrair por um momento sequer. Tentei fazer outras coisas e tentei parar de pensar nele assim tão intensamente, mas foi em vão. Poderia acontecer uma vez ou outra, mas sempre que eu estava com a mente vazia, a imagem dele vinha em meus pensamentos para me deixar na pior mais uma vez.

      Cheguei em casa, depois da mini viagem, já no final do domingo. Já estava anoitecendo quando chegamos e posso dizer que tudo foi tão cansativo que só o que eu queria era poder dormir por muitas horas até me sentir mais disposta. Porém, foi ao entrar em casa que a tormenta começou.

      Entrei com minha mochila cheia de roupas nas costas. A joguei sobre o sofá por querer me livrar do peso e por ter que passar justamente naquele lugar antes de ir ao meu quarto, é que eu lembrei de todas as cenas. A cadeira não estava ali – nem Taehyung – mas mesmo assim, eu fui invadida por lembranças que me deixaram de coração partido.

      Mal cheguei e minha mãe me encheu de recomendações sobre eu desfazer a bagunça que estava na minha mochila. Pediu que eu arrumasse tudo, que não deixasse nada para mais tarde e que eu não acabasse irritando ela por ser sempre tão relaxada. Mas, isso entrou por um ouvido e saiu pelo outro enquanto eu vislumbrei as cenas daquela sexta feira à tarde.

      Lembrei-me do momento em que ele esteve adormecido, com a cabeça inclinada pra frente enquanto estava amarrado na cadeira e tinha seu óculos na ponta do nariz. Lembrei-me também de seus berros quando descobriu que eu fui a responsável por levá-lo para a minha casa e lembrei-me também do momento em que ele berrou dizendo que queria ir embora.

      Meu coração ficou apertado.

      Ao olhar para aquela cadeira ali pertinho da mesa, eu lembrei também de quando peguei minhas maquiagens e comecei a fazer tudo contra sua vontade, simplesmente porque eu queria treinar meu delineado e contorno. Lembrei de quando tirei seus óculos e ele berrou que não estava enxergando.

     Após isso, veio a pior parte. Taehyung não queria ser maquiado, não queria tudo aquilo em seu rosto e odiou as Maria Chiquinha que eu fiz no seu cabelo tão bonito. Mas, eu comecei a pegar pesado no momento do suco de limão que eu dei a ele quando ele tinha sede.

      Eu quase o fiz vomitar por tê-lo enganado. Eu fiz algo muito ruim e isso me deixou muito abalada quando eu lembrei que no momento eu dei risadas da agonia que ele sentiu na boca pela acidez. E fora isso, pra fechar a conta das maldades, eu apresentei a pobre Ane – que não tinha culpa de nada – justamente num momento em que ele não esperava por isso.

      Lamentei ao pensar que foi nesse momento que cheguei ao ponto alto de minha ruindade quando o fiz chorar. Eu realmente quis assustá-lo, uma pessoa que não está acostumado com bichinhos de estimação exóticos é claro que se assustaria. Porém, pensei que não era pra tanto – e me enganei.

      Tive vergonha de mim mesma e nesse momento, voltei a colocar a mochila nas costas. Passei pelo local de minha casa onde fui invadida por lembranças e sendo assim, fui direto ao meu quarto. Joguei-me na cama e antes de chorar, recebi uma indicação de minha mãe para ver se a casinha da Ane estava em ordem – já que ficamos fora por uns dias e ela esteve só.

      Fui arrumar o campo de areia ali dentro da caixa de vidro onde ela vivia e sendo assim eu também arrumei os gravetos por onde ela gostava de se enroscar. Fiz tudo que eu costumava fazer e por estar com saudades de minha filha, eu a tirei de sua casinha por um tempo e fiquei com ela na mão.

      Fiquei perto da janela, onde ficava minha mesinha de desenho com luminárias de decoração. Sentei-me ali na poltrona e enquanto fiquei passando Ane de uma mão pra outra – enquanto ela rastejava e me mostrava sua língua bifurcada – eu fiquei a falar com ela.

      – Você me acha uma pessoa horrível como eu estou me sentindo agora, meu amor? – Falei com ela. – Acha que eu sou má?

      E só o que ela fez foi ficar enroscando-se em minha mão. Passou de lá pra cá enquanto eu fiquei pensando na grande besteira que eu fiz – que já não era mais a primeira vez. Acariciei a pequena Ane e sendo assim, fiquei a observá-la enquanto parecia calma e em paz e minhas mãos.

      – Sorte a sua que não sofre por amor. – Falei. – É feliz e nem tem consciência disso.

     Respirei fundo enquanto lamentei. Fiquei dando atenção para Ane por um tempo, porém depois disso pensei em desfazer a mochila que eu tinha arrumado antes de viajar. Coloquei Ane de volta nos gravetos que ela adorava e logo comecei a organização.

      Fiz tudo que minha mãe mandou e depois disso eu fui ao banho. O aleatório do meu celular também não ajudou muito ao tocar músicas lentas e tristes da diva Avril – como When you’re gone – e sendo assim eu fiquei mais chorosa ainda.

      Depois de me agasalhar e de voltar ao quarto, resolvi deixar a Anezinha em paz e procurei outra coisa pra fazer. E como meu mundo e meus dias pareciam rodear em torno de Taehyung, a única coisa que eu pensei em fazer naquele momento, foi pegar meu bloquinho com as iniciais do meu amorzinho escritas na capa. E sem demora, eu comecei a lhe escrever.

      “Eu só queria saber... O motivo de não conseguir ser má.

      Aliás, eu sou assim e sempre fui. Com todos! Mas... Com você é diferente. No momento me empolgo e faço, mas depois, me sinto terrível.

      E essa dor que eu carrego?

      Ver seus olhinhos cheios de lágrimas, relembrar a cena de você amarrado e me insultando a todo instante. Eu não deveria me sentir assim, não deveria estar sofrendo por algo que eu poderia estar sorrindo.

      Era pra ser uma conquista! Um feito! Mas, estou aqui, remoendo os pedaços do meu pobre coração machucado. E isso, dói muito!

     Estou muito arrependida, Kim Tae Tae. Você pode me perdoar? É só isso que eu te peço, e digo a você que se necessário, eu imploro seu perdão.”

      Terminei meus pequenos versos de desabafo e logo fechei o bloquinho de notas. Fechei, tampei a caneta, a joguei em cima de minha mesinha de desenho e sendo assim eu lamentei mais uma vez. Fiquei triste por tudo e eu não conseguia entender os motivos.

      Sim, eu tinha interesses em Taehyung. Interesses reais como homem. Eu adoraria ser sua namorada um dia e de fato só de pensar nisso eu já ficava animada. Eu queria beijá-lo, queria tê-lo só pra mim e foi por um tempo que eu pensei que isso era tudo. Eu simplesmente gostava muito, mas muito dele.

      Mas foi ao refletir sobre minhas atitudes controversas e sobre meu arrependimento, que eu pensei que o que eu sentia ia muito além. Eu não conseguia ser ruim com ele – e se por um milagre conseguisse ao menos um pouco – era questão de minutos para eu me arrepender amargamente.

      Eu não conseguiria insultá-lo ou então fazer algo contra ele por ser tão rude e sem paciência comigo. E como na primeira vez, até poderia conseguir um pouco depois de muito esforço – assim como fiz ao sequestra-lo – porém depois disso eu me sentia a pior pessoa do mundo.

      Eu era ruim com todos e jamais me arrependeria.

      Mas contra Taehyung, meu veneno não funcionava.

      Eu poderia tacar o terror na escola inteira, mas contra ele eu sequer conseguiria fazer algo e permanecer em paz. Ele me fazia sentir mal. Ele me deixava triste. Ele me deixava com arrependimentos e isso me deixava com uma grande sensação de impotência quando o assunto era ele.

      Eu era um monstro com todos.

      Mas com ele, eu jamais conseguiria tal coisa.

      Por que era assim?

      Foi nesse momento, que mesmo não querendo, eu me convenci de que eu não apenas gostava de Taehyung. Eu estava amando-o. Eu já tinha dito isso antes em outros de meus textos. Eu já tinha escrito seu nome abaixo de uma frase de amor. Mas de fato, só agora é que eu comecei a acreditar nisso.

       Era por isso que eu me sentia inibida com ele. Era por isso que o mal que eu poderia fazer jamais se direcionaria a ele. Por muito tempo eu quis fazer muito contra ele, pois eu não aceitava esse lance todo de meus sentimentos me comandarem. Se eu quisesse deixá-lo com medo, assim seria. Mas por causa de meu coração, que tinha se apaixonado por Taehyung, eu acabava falhando.

      Lutei contra isso e tentei provar para mim mesma que eu conseguiria. Mas a grande realidade é que eu falhei – e falharia sempre. Taehyung era o meu ponto fraco e enquanto fosse assim, eu jamais conseguiria deixar aflorar meu lado perverso. Eu o amava, e não seria capaz de fazer algo e ficar em paz.

Segunda feira

      Ao chegar à escola, além de estar mal, eu fiquei pior ainda quando meus amigos me encheram de perguntas sobre o que eu tinha feito na sexta feira com Taehyung. Eu tinha dito muitas coisas a eles, mas mesmo assim, eles quiseram saber mais – e acabaram me fazendo lembrar de tudo.

      Para não demonstrar meu arrependimento na frente deles – que tanto me ajudaram – eu comecei a falar tudo e forjei uma felicidade que jamais existiria em mim quando o assunto era o mal de Taehyung. Me esforcei e acredito que consegui convencê-los, porém logo que as aulas começaram e eu fiquei sozinha em minha carteira, me arrependi de tudo mais uma vez.

      Taehyung chegou atrasado nesse dia, sendo assim interrompeu a aula enquanto ela já tinha começado. Eu estava de cabeça baixa e sem vontade nenhuma de copiar a matéria, porém ao ouvir sua voz pedindo licença depois de bater na porta, eu me ergui novamente.

      E como da primeira vez, depois de toda a confusão no concurso de soletração, ele sequer olhou em minha direção. Ele sabia que eu já estava ali, ele sabia que eu nunca faltava e sendo assim, foi que eu notei que ele evitou me olhar.

      Não parei de olhar pra ele um segundo sequer. Como sempre ele sentou-se mais a minha frente e meus olhos não saíram de sua direção em momento algum. Logo que a professora lhe fez uma pergunta, ele respondeu maravilhosamente e a cada acerto e justificativa dele, eu lamentava mais por fazer tão mal a uma pessoa tão incrível.

      Ficar ali com ele na mesma sala me deixou angustiada. Eu não consegui me conter. Eu fiquei olhando pra ele o tempo todo e isso me deixou com o coração apertado. Eu queria fazer algo para me desculpar, queria que ele soubesse que eu me arrependi. Mas como poderia fazer isso naquele momento enquanto eu não queria esperar?

      Passei vontade a aula inteira.

      Planejei muito pra dizer a ele, mas em nossas condições, nenhuma palavra seria possível. Estávamos na aula e sendo assim, por mais que eu quisesse abordá-lo, seria impossível conversar – se é que ele aceitaria me ouvir sem berrar antes.

      Já no intervalo, vi ele muito alegre com seus amigos – aos quais os meus chamavam de CDFs. Taehyung estava sorridente entre eles e parecia a vontade para conversar. De fato não teria contado a ninguém o que houve, e sendo assim certamente estaria tentando esquecer.

      Seu sorriso estava de volta, porém ele nunca aparecia enquanto eu estava com ele. Eu jamais seria capaz de fazer tal coisa, jamais conseguia fazer a ele o bem que ele merecia. Seus amigos o apoiavam e o respeitavam, sendo assim eu jamais poderia me igualar a eles depois de tanta trapalhada e de tanta coisa errada que eu fiz.

      Se eu queria falar com ele? Se eu sentia a necessidade de ir até ele me desculpar? Se eu queria que ele soubesse que eu me arrependi? Mas é claro! Porém, ao vê-lo tão animado com seus amigos e fazendo suas tarefas sem problemas, eu pensei que seria melhor não incomodá-lo.

      Por mais que eu gostasse dele e tivesse boas intenções, tudo que acontecia quando eu tentava fazer algo era um desastre. Eu pensava no melhor, mas o pior acontecia. E como eu não desejava isso a ele, acabei me convencendo de que eu deveria deixá-lo em paz.

      Voltamos todos para a sala de aula enquanto mais uma vez eu fingi perto de meus amigos. E ao voltar a ficar ali bem atrás dele, eu voltei a me angustiar ao olhá-lo e acabar lembrando de tudo que houve. Fiquei incomodada e foi bem nesse dia que eu acabei não fazendo nada de produtivo.

      Torci para que o dia voasse e que eu me visse livre daquela sala de aula. Ali eu não poderia fazer nada e ainda tinha que passar horas pertinho de Taehyung quando isso era algo que me fazia mal. Pedi aos céus que fizesse as horas passarem depressa, e sendo assim, meu pedido foi atendido.

      Mas, foi quando eu já estava despedindo-me de meus amigos e estava indo rumo ao ônibus, que fui chamada até a direção. Uma das funcionárias da escola chegou até mim e disse que eu fui solicitada pela diretora e a coordenadora.

      Nesse exato momento, perguntei do que se tratava. Porém, ela não quis me informar. Meus amigos insistiram, porém ela não abriu o bico. Deu o recado, me deu as costas e pediu que eu não demorasse.

     Automaticamente eu pensei que pudesse ser algo em relação ao que fiz com Taehyung. Pensei que ele tivesse jogado tudo no ventilador para a direção – já que ele foi “sequestrado” ainda dentro da escola, onde deveria ser protegido. Pensei que tivesse falado de tudo e sendo assim, eu já senti o cheiro de minha expulsão – e ainda pensei no que aconteceria aos meus amigos.

      Me atrasei na volta pra casa, mas fui até lá como foi pedido.

      E posso confessar que respirei aliviada quando a assunto foi sobre minhas notas que continuavam baixas. O risco de reprovação era grande e esse foi o motivo da minha conversa com a senhora diretora. Confesso que prestei atenção no que elas falaram, mas como minha situação já era totalmente lastimável em questão das notas, eu pensei que não havia o que fazer.

      Saí da sala e sozinha, caminhei pelos corredores para ver se algum dos ônibus já tinha chegado – depois de levar todos no horário certo enquanto eu tive que ir a diretoria. Fui passando cabisbaixa na porta de muitas salas que havia ali, até que passei de frente a entrada da biblioteca e vi algo que me chamou a atenção.

      Taehyung estava lá dentro sozinho enquanto apoiava-se numa mesa.

      Assim que eu o vi, confesso que meu coração disparou. Fiquei nervosa ao vê-lo sem seus amigos e isso me fez querer falar com ele. Poderia ser uma boa oportunidade para tentar me acertar e sendo assim eu até cogitei aquela ideia.

      Mas não... Eu deveria deixá-lo em paz.

      Abaixei a cabeça, lamentei e continuei andando pelo corredor. Mas foi enquanto eu fiz isso que parei para pensar quando eu teria uma chance daquela novamente. Pensei nisso e quando pensei na vontade que eu tinha de falar com ele... Parei de andar.

      Dei meia volta, me convenci do que fazer, e voltei a andar até lá.

      Em passos lentos enquanto eu tentei controlar minha ansiedade, fui até a biblioteca. Abri a porta e entrei sendo totalmente sutil e foi assim que eu me aproximei dele sem ser notada. Taehyung parecia entretido com seu livro apoiado na mesa e foi enquanto ele lia que eu o abordei de um jeito simples.

      – Oi! – Falei em um tom baixo de voz enquanto puxei uma cadeira em sua frente para me sentar e tentar um diálogo.

      – Ora, mas você de novo! O que queres ao vir atrás de mim novamente? O que há contigo? Como vens até aqui novamente depois de tudo? – Falou alto e zangou-se.

      – Calma! Por favor, fale baixo! – Arregalei os olhos por sua atitude. – Eu tenho umas coisas pra te dizer!

      – Eu não quero saber do que tens a dizer! Eu já disse para não procurar-me novamente! Será que não entendes isto? O que há contigo? Esqueceu-se de tudo que houve?

      – Não grite! Por favor, estamos numa biblioteca! – Fiquei nervosa.

      – Deixe-me em paz! Está a me ouvir? O que aconteceu já foi o bastante para me fazer querer distância de quem tu és! Por favor, tente entender isso! Entenda-me! – Berrou outra vez.

      – Mas o que está havendo aqui? – Chegou Sra. Fawstaff.

      – A culpa disto tudo é tua! Procurastes isto, então agora aguente as consequências de teus atos! Eu não quero mais vê-la! E peço que respeites minha decisão!

      – O que houve? – Perguntou novamente.

      – Pergunte a ela o que houve! Pergunte a ela, vamos ver o que ela irá responder! Não acha que podes tudo? Então porque não falas agora? Hein? Por que não conta a todos o que fizestes?

      – Por favor, se acalmem! E baixem o tom! Estamos numa biblioteca!

      – Não se preocupe, Sra. Fawstaff. – Falei arrependida. – Eu já estou de saída!

      – Pois é o melhor que podes fazer agora! – Disse Taehyung, indignado quando eu já estava saindo da biblioteca.

      – Menos, Sr. Kim! Menos! – Ela disse e ele se calou.

     Saí da biblioteca com lágrimas nos olhos e totalmente arrependida. Eu realmente tive boas intenções ao me aproximar, mas pensei que seria cedo pra isso. Taehyung poderia não me odiar pra sempre, mas no momento era assim que ele estava e assim, seria impossível tentar um diálogo.

      Fui ao banheiro, lavei o rosto e o sequei com minha toalhinha de mão. Ali fiquei a pensar que os sentimentos ruins que ele tinha por mim depois de tudo eram mais fortes do que eu pensava. E sendo assim, um perdão seria completamente mais difícil ainda.

      Cheguei ao ônibus e fiquei totalmente triste enquanto vi tudo passar rapidamente pela janela ao abraçar minha mochila em meu colo. Pensei que eu tivesse estragado tudo de vez e sendo assim, não teria volta. Eu sempre soube que Taehyung e eu nunca seriamos um casal. Minha esperança era de apenas ser sua companhia no baile, mas nem isso... Eu tinha mais fé que conseguiria.

      Pensei em realmente me afastar por um tempo. Pensei em tentar tirar ele de minha cabeça já que me fazia tão mal. E mesmo sendo difícil, eu tentaria fingir que ele não existia em meu campo de visão. Uma conversa eu queria, mas sabia que só o tempo diria quando isso poderia acontecer.

Quinze dias depois

      Tentei manter-me longe dele, mas ele esteve presente em meus pensamentos sempre. Por duas semanas eu fiz o que ele pediu e sendo assim, acho que ao menos uma vez eu acertei com Taehyung. Ele ficaria aliviado em me ter longe e sendo assim, acho que consegui agradá-lo.

     Não foi fácil. Ficar longe dele e forjar minha alegria com isso na frente de meus amigos foi algo totalmente desgastante. Mas, eu me esforcei enquanto estava na escola. Me esforcei e consegui fazer o que eu decidi que seria o melhor. Mas em casa...

      Estando em casa, o resultado disso tudo foi mais quatro páginas de meu bloquinho preenchidas de versos pra ele – sem falar em dois desenhos aquarelados que fiz retratando seu rosto com um sorriso quadrado estampado.

      E foi ao terminar o segundo desenho da semana, que eu decidi juntá-lo com todos os outros. Juntando todos eu teria seis desenhos prontos e esses dois últimos, tirei de bases fotográficas – sim, copiei as imagens que eu tinha tirado dele enquanto esteve em minha casa, no período em que não tinha acordado.

      Juntei todos ali e confesso que os achei muito bonito. Eu de fato sabia o que estava fazendo ao desenhar e desse meu dom eu tinha muito orgulho. Fiquei sorridente mesmo triste ao ver os desenhos, e foi ao refletir sobre eles que eu pensei que Taehyung iria gostar muito se os visse um dia.

      Poderia ser um presente...

      É, realmente eu não me importaria em dar pra ele todos aqueles desenhos que fiz com muito carinho e zelo por ele. Mas, foi ao pensar nisso que eu imaginei sua reação de fúria ao me ver novamente indo atrás dele. Ele poderia rasgar meus desenhos sem vê-los antes disso, e sendo assim eu me sentiria pior ainda.

      Sim, ele gostaria muito. Os desenhos estavam impecáveis e sendo assim qualquer pessoa ficaria feliz se os ganhasse. Taehyung não se sentiria diferente, tenho certeza. Mas talvez, pudesse rejeitá-los ao saber que eram meus. Mas...

      E se ele não soubesse sobre isso?

      E se eu entregasse sem falar quem os fez?

      Pensando nisso, logo refleti em como fazer para lhe dar um presente sem me denunciar. Fora meus amigos, ninguém mais sabia que eu sabia fazer desenhos tão bons e tão realistas. Então, por mais que outras pessoas o vissem, jamais desconfiariam de mim.

      Comecei a olhar os desenhos e logo escolhi um que seria perfeito. Lembra-se do desenho ao qual eu falei que me inspirei num personagem que ele tinha interpretado numa peça na escola? Um cara descolado, de óculos escuros e cabelos vermelhos.

      Pois então, esse foi o meu escolhido.

      Não era um de meus aquarelados, pois aquele desenho eu fiz com lápis normal. Mas, mesmo assim eu fiz efeitos com um sombreamento muito cheio de técnicas. E isso, fez tudo ficar tão bom quanto os outros.

      Na ponta do desenho, eu coloquei a data e isso foi tudo. Eu não os assinava, pois eles jamais sairiam de minhas mãos e sendo assim eles não precisavam conter meu nome. Eram meus e sempre seriam.

     Dei mais alguns retoques na pintura de seu cabelo vermelho ali retratado e depois disso, comecei a procurar pela casa algum envelope vazio. Ao não encontrar, pedi um a minha mãe e ela logo providenciou. Corri ao quarto, coloquei o desenho ali dentro bem dobrado e logo coloquei o envelope na mochila.

      No próximo dia, eu deixaria ele em seu armário. E sendo assim, observaria suas reações ao receber o presente. Mesmo de longe, eu prestaria muita atenção em tudo. E sendo assim eu saberia se ele realmente se alegraria como eu tinha imaginado.

Dia seguinte

     Já com tudo pronto, eu dobrei o envelope de uma forma bem simples e o mantive em minha mão. Me atrasei naquele dia justamente para chegar quando a maioria já estava nas salas de aula e sendo assim, eu acabei conseguindo.

     Andando pelos corredores eu fui contando os armários e ao achar o de Taehyung, empurrei o envelope ali para dentro pelas brechas e logo voltei a andar como se nada tivesse acontecido. E agora, era só torcer para que ele visse, gostasse e que eu pudesse ver esse momento – mesmo que de longe.

     Trocaríamos de sala após o intervalo da manhã e sendo assim, teríamos que ir aos armários trocar os materiais. E foi assim que o sinal tocou, que eu me esforcei para ser a primeira a sair da sala. Corri, troquei o material enquanto todos foram saindo aos poucos e logo fiquei disfarçando junto ao bebedouro enquanto não tirei o armário de vista.

      Fiquei ali até que vi Taehyung indo até seu armário acompanhado de seus amigos – que ocupavam os armários ao lado. Entretidos, eles foram abrindo as portas depois de colocar as combinações e sendo assim, assim que ele abriu o seu, meu envelope caiu no chão.

      Taehyung guardou ali seus livros para se livrar do peso que levava nas costas e logo depois disso, ele abaixou-se e analisou o envelope enquanto o tinha nas mãos. Sozinho, ele aos poucos tirou ali de dentro a folha desenhada e ao ver o que era, ele simplesmente arregalou os olhos e soltou um belo sorrisão de orelha a orelha.

      E foi ao ver seu sorriso, que eu também sorri.

      Ele ficou olhando o desenho por muito tempo e não parou de ficar sorridente. Procurou algum nome no envelope ou mesmo na parte de trás do desenho, mas ali só havia a data em que ele foi feito. Taehyung simplesmente ficou muito impressionado com o que eu lhe dei, e sem perder tempo, ele amostrou aos seus amigos.

      Eles certamente também gostaram do desenho que estava tão bem feito. Eles sorriram e as meninas ficaram tão impressionadas que levaram as mãos até a boca. Todos ali quiseram ver e assim que lhes entregou o desenho, Taehyung sorriu como se tivesse ficado orgulhoso do que recebeu.

     Ficou ali com seus amigos a comentar sobre o presente. Tirou uma foto com seu celular e logo eu vi que ele enviou a alguém por mensagem depois de ter digitado algo. Ficou sorridente por muito tempo e não parou de demonstrar empolgação, até que o sinal tocou novamente e ele lamentou por ter que guardar o desenho.

      O colocou no envelope, devolveu ao armário e ainda sorridente ele seguiu para sala de aula. E foi ao ver seu sorrisinho e como ele perdurou em seu rosto depois do que eu lhe dei, é que depois de muitos dias eu fiquei feliz novamente.

      Ele se agradou.

      Ele gostou muito!

      Chegaram à sala ainda comentando sobre isso – de acordo com o que eu ouvi de longe. Ouvi breves elogios ao seu retrato de cabelo vermelho e sendo assim, fiquei feliz internamente para não me denunciar. Foquei em montar meu grupo para um trabalho como a professora pediu e ao juntar-me com meus amigos, comecei a me distrair.

     E assim foi por uns quatro ou cinco dias.

      A todo o momento eu via Taehyung com o desenho em mãos. Um dia eu vi ele mostrando a professora de artes o que tinha ganhado. No outro, ele estava amostrando aos amigos os pequenos detalhes. Em seguida, eu o vi postando uma foto do desenho em suas redes sociais – as quais eu o seguia sem me mostrar.

      Mas foi na quinta feira, que eu vi algo que ele fez – e que me deixou totalmente certa de que ele adorou o desenho. Ao ir ao banheiro, passei por todos naquela fileira de carteiras, porém foi ao passar perto de Taehyung que eu vi que ele tinha transformado meu desenho na capa de seu caderno.

      Sim, com fita adesiva, ele colou o desenho bem ali.

     Continuei normal até então, mas quando saí da sala eu quase surtei ao ver seu carinho com o que eu lhe dei. Talvez não fosse assim se ele soubesse que eu fiz, mas de que isso importava? Ele gostou, e gostou muito. E foi ao ficar sorridente e refletir sobre este fato, que eu tive a ideia de contar a ele o que eu tinha feito.

      Quem sabe assim ele aceitaria conversar um pouco.

      No dia seguinte ao que eu vi o desenho em seu caderno, o encontrei outra vez na biblioteca. Era ali onde ele ajudava os alunos nas matérias de exatas e ao estar ali, notei que ele aguardava alguém – que estava muito atrasado, por sinal.

      Já que eu tinha a intenção de contar a ele, neste dia eu levei todo os outros retratos para usar como prova caso ele não acreditasse. Os coloquei junto ao meu material de desenho que sempre andava comigo e sendo assim, apenas esperei o momento certo.

      E foi ao vê-lo ali na biblioteca, que eu pensei que era a hora.

     Lembrei-me da ultima vez, mas pensei que Taehyung não mantinha aqueles sentimentos tão ruins desde aquele dia. Pensei que já tinha se curado do ódio que semeou contra mim então cheia de esperanças, eu resolvi me aproximar.

      – Oi! – O cumprimentei feito na outra vez.

      – O que foi? – Me fitou ao esconder o desenho que estava olhando.

      – Não adianta esconder, eu já vi.

      – O que queres? Hein? Pra que viestes aqui?

      – Você que fez? – Perguntei sobre o que ele escondeu.

      – Foi um presente. – Ele começou a arrumar suas coisas para sair dali justo quando eu puxei uma cadeira para sentar-me.

      – É muito bonito. – Falei ao me acomodar.

      – Eu sei. – Disse ele, colocando sua mochila nas costas.

      – Quem fez? Você sabe?

      – Não sei, mas se soubesse não te contarias, pois não é de tua conta. – Disse ele, sendo arrogante como eu já esperava.

      – Não tem assinatura?

      – Não. – Ele disse.

      Nesse momento, Taehyung saiu andando ao me dar as costas. Foi automático, assim que eu me sentei, ele saiu. Porém, isso não me fez perder as esperanças de uma conversa. Ele saberia em breve que fui eu quem fez o desenho e sendo assim, eu sabia que tudo mudaria. Taehyung poderia estar sendo grosseiro, mas eu sabia que ele era uma boa pessoa e que estava encenando.

      – Quem fez foi eu. – Falei, ainda sentada à mesa.

      – Ora, não diga mentiras! Deixe-me em paz! – Ele falou ainda andando em direção a porta como se não quisesse me ouvir.

      – Estava em seu armário dentro de um envelope branco, não estava?

      – Como sabes disto? – Parou de andar e me fitou.

      – Eu o coloquei lá. – Falei, ainda muito calma.

      – Tuas palavras não passam a mim a menor credibilidade. – Disse ele.

      – Quer que eu refaça o desenho em sua frente para que veja como eu o fiz? – Perguntei. – Eu trouxe meu material de desenho inteiro, posso muito bem fazer isso se é o que precisa ver para acreditar.

      – Estás a mentir! – Disse ele, um tanto confuso.

      – Não estou a mentir. – Falei. – Quer dizer, eu não estou mentindo.

      – Se foi realmente tu que fizestes, diga a mim a data que foi feito e que está anotada no fim do desenho. – Ficou desconfiado.

      – Vinte e um de outubro. – Falei sem pensar duas vezes, pois eu já esperava essa pergunta vindo dele.

      Nesse momento, ele abriu sua mochila e pegou o seu caderno que agora o desenho fazia o papel de capa. Pegou, olhou e simplesmente arregalou os olhos ao ver que eu disse exatamente a data escrita. Ficou confuso, olhou tudo novamente, mas nem assim se convenceu. Quer dizer, ele entendeu tudo sim – porém não quis dar o braço a torcer.

      – Podes ter pedido a alguém para fazer e depois disto podes ter feito como disse que fez em relação ao armário e o envelope. – Falou confuso.

      – Eu posso fazer um desenho agora na sua frente se é o que quer.

      – Não estas sendo sincera comigo. – Disse ele, quase convencido. – Eu sei bem como tu és e sei que podes não estar sendo verdadeira.

      – Dê pra mim um papel e um lápis, eu farei um desenho seu em pouquíssimo tempo. – Falei enquanto o fitei ainda sentada à mesa. – Senta aí! Eu não mordo! Para com esse medo!

      – Não mordes, mas serias capaz de fazer pior. – Falou ainda muito desconfiado.

      – Ah, Taehyung! Pelo amor de Deus! Não quer ver o desenho? Se gostar eu posso te dar o que farei agora! O que acha? – Sorri.

      – Se eu der-te o lápis, não irá me acertar com ele ou algo assim?

      – É sério isso? – Dei risadas.

      – Prometa que não irá me atacar! Prometa que ficará não tão perto!

      – Quer saber? Eu não vou mais fazer desenho algum! Já chega de insultos! Não dá pra falar sério contigo! – Me levantei.

      – Não! Espere! – Falou comigo sem me insultar pela primeira vez.

      – Agora está interessado? Tarde demais! – Me fiz de triste.

      – Sabes fazer qualquer tipo de desenho? – Disse, ainda mantendo distância de mim.

      – Agora está acreditando que eu fui a autora do desenho que tanto gostou?

      – Eu ainda não sei, mas... – Disse ele, totalmente confuso e lamentando por isso. – Sabes fazer desenhos estilo cartoon?

      – É, eu sei. – Falei, passando por ele e indo em direção a porta para ver se ele me pediria pra ficar.

      – Podes fazer um para eu ver?

      – Você gosta de cartoon? – O fitei.

      – Gosto muito. – Disse ele, um tanto sem jeito.

      – Tudo bem! Eu faço! – Dei meia volta e lentamente eu voltei até a mesa. – Mas se voltar a falar tudo aquilo sobre mim, eu não irei desenhar pra você está me ouvindo?

      – Sim, estou a ouvir. – Assentiu.

      – Termino em dez minutos. – Falei ao pegar meu material de desenho.

      – Puxa vida, quanta coisa... – Ele disse ao ver o que eu peguei dentro da pasta de desenhos.

      – E ainda tenho alguns materiais em casa. – Falei.

      – Eu jamais imaginaria que tu soubesse desenhar.

      – Nunca esperam coisas boas vindo de mim, isso já é normal no meu dia a dia. – Falei.

      – Ora, eu não quis dizer isto. – Ficou sem jeito.

      – Farei um desenho pequeno para não demorar, está bem? – Perguntei e ele assentiu um tanto animado, porém contido.

      Taehyung ainda parecia muito desconfiado. O tempo foi passando e ele ficou me olhando enquanto eu desenhava, e foi só quando o desenho começou a tomar forma, que ele foi rendendo-se a verdade. Aproximou sua cadeira para perto da mesa onde estava o desenho e ficou prestando atenção.

      É, realmente ele não estava com tanto ódio assim. Taehyung era um garoto bom e puro, certamente não manteria sentimentos ruins em seu coração. O tempo já tinha passado e ele poderia não querer proximidade comigo, mas que odiava como disse, era uma grande mentira.

      Falando sobre desenhos, creio que toquei no assunto que ele gostava. Não conversamos muito enquanto eu desenhei, mas foi o desenho que o fez ficar e o fez pedir a mim para fazer tudo ali naquele momento. Ainda estava longe e desconfiado, porém começou a ver o desenho pegando forma e quis acompanhar de perto.

      Foquei no desenho mesmo estando nervosa ali com ele. Eu tentei dar a entender que se ele quisesse ou não o desenho, pra mim tanto faz. Porém, não era bem assim. Eu estava muito feliz e quis fazer um desenho bem bonito para convencê-lo. E foi depois de alguns riscos e de escolher os lápis de cor certos, que eu finalizei.

      – Aqui está! – Lhe estendi a folha. – O que acha?

     Neste momento, Taehyung abriu um sorrisão feliz ao ver o que eu fiz e neste instante, tenho certeza de que se convenceu. Observou os detalhes e cobiçou muito os meus traços que eram tão delicados e cheios de técnicas no desenho.

      O desenho tratava-se de Taehyung de corpo inteiro em miniatura. O desenho media no máximo 15 centímetros e era totalmente repleto de fofura. Taehyung usava uma calça preta, um moletom cinza que parecia maior do que seu tamanho e estava com um capuz na cabeça. Sua franjinha estava arrumada, seu óculos redondo estava no lugar e ele levava uma mochila nas costas. Estava sorrindo quadrado e seus olhos estavam mais puxados do que nunca.

      – Puxa vida! Está muito bem feito! – Ele sorriu ao olhar.

      – Consegui te convencer agora, bobão? – Sorri tímida.

      – Desculpe por ter duvidado. – Me fitou. – Eu não deveria ter dito aquelas palavras antes de ver o que prometestes fazer, desculpe por ter sido injusto e precipitado.

      – Não precisa disso. – Peguei o desenho e tirei a tampa da caneta para assinar. – Pronto! É seu!

      – Obrigado! Eu nunca estive a ganhar um desenho antes! É muito bonito! Levas jeito para ser desenhista! – Sorriu.

      – Que nada, é apenas um hobbie. – Falei.

      – Vou tirar uma foto e vou enviar para minha mãe! – Pegou o celular.

      Posicionou o desenho em cima da mesa e logo o fotografou. Sorridente, ele digitou algo ali enquanto eu fiquei feliz por suas reações e sendo assim, ele logo me avisou que já tinha enviado – e que ela iria adorar.

      – Tenho mais uma coisa aqui pra você. – Falei. – Se gostar, também posso lhe dar de presente.

      – Há mais desenhos? Posso ver? – Sorriu.

      – Cuidado pra não desmaiar! – Falei.

      E foi nesse momento que eu mostrei os outros cinco retratos que eu tinha feito dele. Lhe entreguei tudo de uma vez e foi nesse momento que eu soltei umas risadas por ver como ele ficou boquiaberto e incrédulo. Os desenhos eram de seu rosto com muitos detalhes – e isso, o surpreendeu.

      Ao ver o primeiro, Taehyung fez uma cara que eu morri de amores. Ele certamente esperava ver desenhos aleatórios que eu teria feito, porém ao ver que eram desenhos de seu rosto e de seu corpo inteiro, ele ficou eufórico. E se já tinha gostado do primeiro, quem dirá dos outros cinco.

      Ele ficou muito animado com tudo. Colocou as mãos no rosto de surpresa e pareceu ter ficado apaixonado por meus desenhos. Os fotografou, mandou para sua mãe novamente e ao final, ele me fitou com os olhos brilhantes.

      – Perfeitos! São perfeitos!

      – Claro que são, retratando seu rosto não tinha como não ser. – Sorri.

      – O quê?

      – Nada. – Sorri envergonhada.

      – Tens muito talento! Puxa vida, estou embasbacado! São muito bonitos! Maravilhosos, eu diria!

      – São seus. – Falei. – Pensei que nunca conseguiria te entregar, mas aproveitando a oportunidade eu quero que fique com eles.

      – Todos eles? Até o cartoon?

      – Até o cartoon! – Assenti.

      – Muito, mas muito obrigado! Eu gostei muito! E lhe parabenizo por ser tão boa assim quando desenhas! Parabéns!

      – Obrigada. – Fiquei tímida.

      – Eu ainda estou muito surpreso... – Ele riu.

      – Está vendo? Se tivesse ido embora quando eu cheguei, não teria ganhado mais presentes! – Dei risadas.

      – Tens razão. – Ele riu. – Pode assiná-los?

      E foi nesse momento que eu os recolhi e peguei uma caneta de tinta dourada brilhosa. Assinei todos os desenhos que só tinham escrito ali a data de quando eu os fiz e muito orgulhosa e feliz, eu os entreguei para Taehyung.

      – Ótimo! Está melhor agora! – Ele olhou.

      – Fico muito feliz que tenha gostado, não tem noção do quanto eu me alegro por isso e por... Por estar falando contigo depois de tudo que houve de ruim entre nós. – O fitei. – Realmente não temos boas experiências.

      – Esqueça isto, já faz tempo e não tem importância. – Disse ele. – Não gosto de ficar a guardar sentimentos ruins em meu coração.

      – Você não existe. – Falei apaixonada.

      – Nossa, as datas são de muito tempo destes dois primeiros desenhos. – Ele prestou atenção. – É do início do ano pelo que vejo.

      – Sim, são antigos. – Falei.

      – Pensei que os tivesse feito agora para me presentear.

      – Não é bem assim.

      – Por que estavas a me desenhar no início do ano? Creio que nunca tínhamos nos falado até então. – Ele fitou-me com duvidas.

      – Um dia eu te conto sobre isso. – Falei. – Hoje não, pois há muito a dizer.

      – Boa tarde! – Um colega de classe parou ao nosso lado. – Estou atrasado, Kim?

      – Bem na hora, Minwook! – Ele sorriu.

      – Eu já vou indo! Não quero atrapalhar os exercícios de vocês! – Falei e me levantei, dando lugar ao nosso amigo que chegou para a aula de reforço.

      – Tudo bem! Até logo, Marilyn! E obrigado mais uma vez! – Taehyung acenou despedindo-se.

      – Até logo! Boa aula! – Assenti e lhes dei as costas.

      Saí da biblioteca ainda sem acreditar no que tinha acabado de acontecer. Eu ainda estava eufórica e não conseguia assimilar tudo. Fui em direção ao ônibus e assim que cheguei lá dentro, sentei-me no banco e fiquei sorrindo sem parar enquanto pensei no meu feito.

      A ideia do desenho foi o plano perfeito!

      Eu não sabia que ele ficava admirado tão fácil pela arte do desenho e sendo assim, eu toquei num assunto que ele gostava. Acabei lhe dando todos os seus retratos que eu tinha feito até então e isso valeu muito a pena.

     Eufórica e mais apaixonada do que nunca eu fiquei ao ter aquela breve conversa. E foi ali que eu notei o quanto ele era simples, puro e sem maldade. Mesmo depois de tudo, Taehyung seguiu em frente e isso me provou que ele era uma pessoa incrível.

      Agora, o próximo passo era me aproximar dele para tentar um convite para o baile. Talvez isso colocaria tudo a perder por Taehyung ser comprometido e ele acabar entendendo meus sentimentos, mas eu simplesmente precisava tentar apesar de tudo.

      Estar com ele sempre mexia comigo e se voltássemos a nos falar mais vezes, ficaria complicado de esconder. Mas mesmo assim, eu teria que me aguentar. Aquele romance era impossível e eu não queria colocar tudo a perder se fraquejasse com o que eu sentia ao estar perto dele.

      Então, ao invés de deixar tudo claro, eu preferi me calar e ficar na amizade – se fosse possível. Eu sabia que não iríamos namorar. Sabia que não ficaríamos juntos. Sabia que éramos diferentes demais para dar certo e disso tudo eu tinha certeza. Mas, eu queria ir ao baile e queria ir com ele. Sendo assim, teríamos que nos aproximar.

      Eu não sabia sua reação quando eu tocasse no assunto da festividade. Mas eu precisava tentar para saber como seria caso eu o convidasse. E sendo assim, eu seria corajosa. E mesmo se eu não conseguisse falar uma palavra sequer, eu tentaria deixar minha intenção sobre o baile muito clara aos poucos.

Cinco dias depois

      Os dias foram passando e sendo assim, por algumas vezes eu dei de cara com Taehyung nos corredores. E sabe o que houve? Ele acenou pra mim mesmo tímido. E o que mais me deixou impactada e maravilhada, foi ver que ele tinha superado tudo que houve entre nós.

      Pensei que ele tinha falado sobre isso e sobre estar tudo bem, porque tinha interesse nos desenhos. Mesmo pensando o melhor dele, cogitei o fato dele pegar os desenhos e depois disso tudo voltar a ser tão ruim como antes. Mas, me surpreendi outra vez. Ele foi sincero.

      Fiquei pensando nisso ao longo dos dias enquanto me alegrei muito com a nossa conversa. E foi no quinto dia após o assunto dos desenhos, que enquanto eu andei por perto do ginásio de esportes, avistei Taehyung sozinho mais a frente. E isso, era totalmente novo pra mim – pois ele sempre estava acompanhado.

      Ele parecia querer se isolar e isso foi algo que eu nunca pensei que ele fosse querer. Parecia querer ficar longe de tudo e todos, mas ao ver isso, eu acabei querendo atrapalhá-lo. Parecia focado em sua leitura, mas mesmo assim resolvi me aproximar.

      Sentado numa mesa sozinho enquanto estávamos num intervalo de aula, ele ficou ali enquanto eu o observei por um tempo. Parecia vidrado no livro, olhava para ele o tempo todo parecia ler rápido. E mesmo vendo que eu o atrapalharia, resolvi me aproximar.

      – Oi! – Sorri ao me aproximar.

      – Olá, Marilyn! – Ele me fitou.

      – O que está fazendo?

      – Estou a ler. – Me mostrou o livro.

      – E se isolou para não ser incomodado?

      – Sim.

      – Você falhou. – Dei risadas. – Posso ficar aqui um pouco?

      – Pode sim.

      – Pensei que foi boa a nossa última conversa, então pensei em fazer tudo acontecer novamente quando te vi aqui.

      – Tudo bem, não há problemas. – Ele aceitou.

      – E sobre o que podemos falar?

      – Que tal tu falar sobre as datas dos desenhos? Por que são de muito tempo atrás? Eu ainda não entendi esta parte da história.

      – Você não esqueceu isso ainda? – Sorri.

      – Fiquei intrigado.

      – E assim continuará. – Falei.

      – Ora, mas por quê?

      – Eu não vou te contar o meu segredo. – Falei sorridente.

      – Como se atreves a deixar-me na curiosidade? Ora, me conte! Eu prometo que me calarei e não contarei a ninguém, Marilyn!

      – Não está na hora. – Falei.

      – Então pode indo embora, pois eu quero ler em paz! Tchau, tchau! – Falou fazendo piada.

      – Ah, então é assim? – Falei sorrindo.

      – Estou a brincar, não precisas ir!

      – Mas eu não cogitei a ideia de ir. – Falei e ele ficou sem jeito. – Gosto de estar perto de você, descobri isso depois do dia na biblioteca.

      – Ah, é?

      – Sei que sou chata e que falo demais, sei também que ainda tem receios sobre meu comportamento, mas mesmo assim eu gostaria de ao menos poder passar um tempo contigo por aqui. – Sorri e me empolguei. – Acha boa a ideia tomarmos um sorvete qualquer dia?

      – Não estou animado para isto, ando cansado e um pouco triste com certas coisas, então não pretendo sair.

      – Triste? O que houve?

      – Não vou contar meu segredo. – Ele disfarçou.

      – Se está triste, um sorvete poderá lhe agradar. – Sorri tentando convencê-lo de que eu seria legal com ele. – Quem não se anima com uma bela casquinha com sorvete de flocos crocantes?

      – Eu realmente não acho que... Ah, eu não sei explicar.

      – Acha ruim ir à sorveteria comigo, pois podem dizer coisas feias sobre você ser comprometido? Se for por isso, saiba que eu não ligo! Dizem muitas coisas sobre mim por aí e eu já estou acostumada! – Sorri.

      – Não é por isso... – Lamentou.

      – Bom, tudo bem! Eu não quero parecer insistente e também não quero pressionar você! Mas, saiba que quando quiser e estiver mais animado, pode contar com minha companhia!

      – Certo! – Ele assentiu.

      – Sei que deve achar estranho minha proximidade, mas é que eu notei o quanto você é uma boa pessoa e sendo assim, eu gostaria de me aproximar já que não convivo com tantas pessoas que são assim.

      – Não penses que estou a fazer desfeita, Marilyn... É que eu... Tenho uns afazeres e me vejo cansado. – Disse ele.

      – Tudo bem! Eu estarei aqui sempre! E enquanto você não quer ir, eu posso continuar sozinha como sempre faço! – Sorri, mostrando que estava tudo bem.

      – Costumas fazer estas coisas sozinha? Isso parece estranho!

      – Ora, mas é claro! Até porque, quem vai querer se aproximar de alguém como eu, não é mesmo? Tenho que fazer as coisas independente de ter companhia, porque se eu depender disso, não vou a lugar algum! – Dei risadas.

      – Fique sabendo que eu não ligo pra isto! Não me afastaria só porque dizem coisas sobre você na escola. – Falou.

      – Mas você não pode agora, então o jeito é ir sozinha como sempre. – Falei e me levantei. – Agora preciso ir! Já era para eu ter encontrado com meus amigos há muito tempo!

      – Já vai?

      – Sim! Até logo! – Acenei.

      – Espere, Marilyn! – Ouvi ele me chamar quando eu já estava de costas.

      – O que foi? – O fitei.

      – Acho que...

      – O que você acha? – Sorri esperançosa.

      – Estará livre na sexta feira?

      – Sim. – Assenti.

      – Tudo bem! Nós podemos ir até a sorveteria como sugeriu! – Assentiu sorridente e eu simplesmente tive um “ataque cardíaco” ao ouvir isso assim com tanta facilidade.


Notas Finais


E então, quais as expectativas para este passeio? Acham que vai dar tudo certo? Lyn vai deixar de ser a atrapalhada da história? Contem para nós o que acham!
Nos vemos em breve! ♥


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