História I know he's married - James Rodríguez - Capítulo 4


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Categorias Cristiano Ronaldo, Francisco "Isco" Suárez, James Rodríguez, Luka Modric, Marcelo Vieira, Marco Asensio, Sergio Ramos, Toni Kroos
Personagens Francisco Román Alarcón Suárez, James Rodríguez, Marcelo Vieira, Marco Asensio, Personagens Originais, Toni Kroos
Tags Adultério, Copa Do Mundo, Futebol!, James Rodriguez, Marco Asensio, Nick Slater, Real Madrid
Visualizações 621
Palavras 5.673
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hola mis amores! Mais um capítulo para vocês.
Obrigada por todos os favoritos e comentários, vocês são demais sério.
Espero que gostem.

Capítulo 4 - Sim, o pecado mais delicioso


Não viajamos. Liguei para minha mãe avisando que não voltaria para casa hoje, mas que não se preocupasse não houvera nada grave. Ela sinceramente não se importou muito, apenas disse para ter juízo e que me amava. Minha mãe nunca foi do tipo super protetora, não saia das minhas garras. Ela me deixava muito livre, porque confiava em mim e sabia que eu tinha responsabilidade para isso. Além do mais, já sou de maior, não é mesmo? 

O fato é que eu não consegui pensar muito no que fazer, porque Amanda ficou me atazanando tanto para ir ao jogo e por quais motivos eu deveria ir que acabei cedendo. 

— Agora anda! Vai tomar um banho, coloca um langerie sexy... — ela me empurrava na direção do banheiro. 

— Eu já disse que não vou lá para isso, só vou para me desculpar por tudo.

Eu estava tentando enfiar isso na minha cabeça e tirar a esperança que eu tinha que aquele beijo não fosse só um beijo, porque eu queria mais dele. Bem mais.

Am revirou seus e bufou ainda empurrando-me.

— Você ter enganar a si mesma? Porque a mim não engana — eu torci a boca, e a vi rir pelo reflexo do espelho da bancada na minha frente. 

— Tem duas horas. E dado ao trânsito de São Paulo, você já está atrasada — disse cruzando os braços e apoiando-se na moldura da porta. 

Depois do banho, Am e Giva se juntaram para me arrumar e escolher uma roupa para mim. A morena ficou ficou animadíssima com minha decisão, ela ficava falando como ele era lindo e que queria ter me visto com ele na festa. Formávamos um belo casal. 

Hugo estava me esperando na sala quando eu desci com as meninas. Ele havia ganho os ingressos em um sorteio na empresa que trabalha. 

— Pensei que estavam fazendo um de noiva — falou ele se erguendo o sofá, ao qual estava deitado como uma batata murcha. 

— Ah vai se catar, Hugo — respondeu Giva. 

— Falou o cara que gaga parecendo um mamão murcho deitado — digo e ele ergue os braços em rendição. 

— Okay, mulheres se defendem e eu estou em minoria — nós três rimos. 

— Se divirta, e não volte sem ter dado um beijo naquela boquinha linda — disse Giva enquanto seguíamos para fora da casa. 

— Pera aê, que a única boquinha linda aqui é a minha — disse Hugo, virando-se para sua namorada que passou ao braços ao redor no pescoço ele o beijando. 

— Ah é sim, mais que a dele, mas é só minha — ela sussurrou entre os beijos. 

— Amiga, depois você me diz se ele tem gosto de leite mesmo — Am sussurrou no meu ouvido passando o braço ao redor de meus ombros. Dei uma gargalhada. 

— Você não existe, Am — ela sorriu balançando a cabeça com ar superior. 

— Eu sei querida, sou um ser divino. 

— Tão divino que se chegasse no céu, era expulsa — uma carranca se formou no seu rosto. 

Chegamos no carro de Hugo e nós despedimos. Giva e Am estavam na porta e deram adeus para nós dois quando meu amigo acelerou pela rua larga. 

— Tem certeza que não tem problema eu ir, você poderia levar a Giva ou qualquer outra pessoa? — Ele revirou os olhos e me olhou com cara de nada, passando a marcha.

— Eu amo minha namorada, mas ela é a pior companheira para assistir um jogo. Você é bem melhor nesse quesito, além do mais, eu estou adorando de ajudar com isso, sério. Quero muito te ver feliz, Mia — um sorriso cresce no seus lábios.

— Awn... eu mereço um amigo assim Deus? — Ele sorriu. — Você é um amigão mesmo, sabia? 

— Ah para, Mia. Ou eu vou começar a me achar mesmo — ri. 

Estávamos no trânsito rotineiro de Sampa quando o meu celular começou a vibrar na bolsa. O nome de Nick estampado na tela. 

Aquilo me deu um aperto no coração. Eu não vou negar que fiquei balançada por que ter feito aquilo. Hugo disse que era por ciúme e eu lembro muito bem de James dizer que ele tinha posse sobre mim. Mas o fato é que eu nunca imaginei que ele fosse ter ciúme de mim, quer dizer, eu nunca fiquei com ninguém enquanto estava com ele então nunca testei para saber se ele sentia ciúme.

Em outras épocas eu atenderia, escutaria seu discurso e o perdoaria. Mas agora não. Eu não queria mais ser deu step, seu contatinho. Para mim já chega.

Com uma certa dor no peito eu rejeitei a ligação. Afinal, sentimentos não somem tão rápido, mas eu poderia ir esquecendo aos poucos. 

Pelo olhar de canto de Hugo ele sabia muito bem o que havia acontecido. 

O estádio estava lotado, passar pelos portões exigia permanecer em uma fila gigante. Assim que entramos seguimos até as lanchonetes e compramos algumas coisas. Hugo parecia que não havia comigo por um ano, eu fiquei apenas com uma água e chicletes. 

Sentamos nós nossos assentos e enquanto meu amigo comia minha mente vagava por tudo e todos. 

Estou sendo muito ridícula por estar aqui? Estou fazendo o certo? Quer dizer, eu não sei nem como já conseguir falar com ele, e muito menos o que eu falaria.

Oi, tudo bem James? Eu sou a garota que você ficou na festa antes de ontem, então...só queria pedir desculpas por ter te feito trair sua mulher.

Não! Definitivamente não. 

...só queria pedir desculpas por te seduzir.

Péssimo! 

...só queria me desculpar por tudo. Envolvi você em uma confusão e estou com tanta vergonha. Só vim aqui para me desculpar, já que no dia eu não te achei.

Ótimo! Vai ser isso que eu vou falar. 

Agora, eu preciso entrar na área dos jogadores. 

De repente a música de iniciação começou a tocar enquanto as bandeiras eram entendidas no gramado. Hugo continuou comendo e os jogadores já entravam em campo. De costas eu vi o número 10. Meu coração acelerou instantaneamente. 

Costa do marfim era a outra seleção, eles usavam verde e laranja. 

Meu amigo passou o jogo todo falando, como se quisesse me distrair. Ele fazia comentários engraçados sobre os jogadores ou torcedores para me relaxar de vez enquanto. Dava para perceber no meu rosto que eu estava nervosa. 

As vezes sentia vontade de correr dali.

O jogo estava tenso, a seleção africana havia marcado o primeiro gol e o time colombiano começou a se fechar muito para não sair o segundo. 

De vez enquanto James disparava pelas laterais, mas quando chegava próximo a área por dois a três jogadores o marcavam e tomavam a bola. Ouvi um colombiano xingar alto atrás de mim.

Estava mastigando o lábio quando Cuadrado furou o bloqueio do costa marfinense, inclinei o corpo para frente quando ele chutou para o camisa 7. A direita estava cheia, os marfinenses preenchiam toda a região. Vi Armeiro trocar passes com alguns jogadores ali enquanto James saia do meio para a esquerda, e quando ele levantou o braço o camisa 20 jogou para ele. 

Apertei os braços do banco o vendo receber a bola e correr, mas antes o camisa 20 da costa do marfim veio de carrinho e o acertou sua batata na perna com as travas. James caiu no chão e rolou segurando a região onde foi acertado. 

— Filho da puta! — Xinguei tão alto quando o colombiano atrás de mim.

Fiquei observando os jogares colombianos chegarem próximo ao meio campo, o médico foi chamado e eu me vi realmente apreensiva com aquilo. James se sentou e foi tirado no campo pelo médico e o assistente. 

Minha cabeça processava tudo o que podia ter acontecido, todas as possibilidades e os problemas que causariam. Minha cabeça borbulhava. 

O jogo voltou a rolar, mas eu não estava ligando muito. Me peguei observando a movimentação na beira do campo. O médico examinou a perna direita dele rapidamente, James falou alguma coisa e depois o assistente tirou um relaxante muscular em spray sob a região dolorida. 

Segundos depois James se levantou com ajuda do médico e caminhou de volta para o campo. 

Suspirei aliviada e ouvi Hugo segurar o riso ao meu lado. 

— O que foi? — Perguntei e ele comprimiu os lábios.

— Nada — cruzou os braços. 

Eu dei de ombros.

Minutos mais tarde o camisa 20 da Colômbia fez o gol de empate. Mas era apenas um empate, nada estava assegurado. 

Me vi tensa quando a seleção marfinense chegava próxima a área colombiana, mas de repente vi Cuadrado vir pelo meio de campo e chutar para James já na grande área. O camisa 10 pegou a bola a coxa e triplou, um, dois jogadores africanos e chutou para o gol. A bola balançou a rede e a torcida toda se ergueu, até eu me sobressaltei soltando um grito. Hugo ficou rindo da minha cara. 

James saiu correndo na direção da torcida e comemorou com uma dancinha com o camisa 11. 

Alguns minutos mais parte o apito do intervalo soou. 

O segundo tempo foi tranquilo, costa do marfim não conseguia ultrapassar os zagueiros colombianos e não fez quase alguma tentativa de gol. Em comparação ao time desmotivado, o goleiro fez grandes defesas. 

Durante todo esse tempo fiquei pensando em como entraria lá e se eu teria coragem para fazer aquilo. 

— Se você não falar com ele, vai ter ficado só para ver um jogo que podia ver em casa — foi o que Giva falou. 

Assim que o árbitro foi ao dentro de campo decretando o fim de jogo eu e Hugo descemos as escadas para o patamar inferior. Os jogadores estavam trocando as camisas, agradecendo aos torcedores e conversando entre si na direção do vestiário. 

— Você vai falar com ele? — Perguntou meu amigo, notando meu olhar no campo, mais precisamente no meia 10 que falava com um dos companheiros de time saindo do gramado. 

— E-eu não sei — Hugo anuiu.

— Porque? O que te impede de fazer isso? 

— O medo de estar sendo ridícula — falo como se fosse óbvio. O moreno sorri para mim, como se eu fosse uma criança com muito a aprender.

— Ridículo é você querer e não ir por medo. Além do mais, se você levar um fora eu vou estar te esperando e podemos seguir direto para um bar beber até cair — sorri amarelo e respirei fundo. 

Descemos até o patamar mais baixo. Atravessamos a multidão na direção da área de serviço e seguimos por ela tendo certeza que algum corredor desses dariam na área de acesso restrito.

No fim do corredor vi uma porta dupla e uma placa: acesso restrito e um segurança na frente. Era ali, eu sentia que era. O plano surgiu na minha cabeça. 

— Senhora, o acesso a essa área é permitido apenas a autorizados — o homem alto disse. 

— Ah sim, eu sou estagiária em fisioterapia, tenho permissão para estudar o comportamento dos jogares imediatamente após os jogos para o trabalho de conclusão de curso — o segurança franziu o cenho, eu tinha falado tão naturalmente que até eu duvidei se era mentira mesmo.

— Precisa de uma autorização — insistiu. Eu levei minhas mãos a bolsa e fingi a xeretar. 

— Não...Ah não! — Passei as mãos na cabeça. — Eu esqueci, deixei em casa — o desespero implícito na minha voz era digno de Oscar. 

— Não pode entrar sem autorização — a seriedade irredutível dele quase me fez hesitar. 

Eu não ia deixar de entrar agora que tomei coragem. Não, não ia!

— Por favor, olha, eu realmente preciso dessa experiência. É vital para minha conclusão. Foi o único médico que consegui ter contato e que me deixou estudar seu trabalho — eu implorava. O homem me fitou por alguns segundos e durante esse tempo achei mesmo que ele fosse me mandar embora, mas aí ele suspirou.

— Pode entrar — ele abriu a porta que dava para um corredor largo em T. 

— Muito obrigada — entrei, mas assim que Hugo veio atrás de mim foi barrado.

— Só ela, ou por acaso é mais um fisioterapeuta? — O olhei com certo receio, ele se voltou para o segurança e disse:

— Não, eu sou só um cada normal — ele disse dando tapinhas do peito do homem, que o olhou com estranheza. Eu prendi o riso. — Te espero nas lanchonetes — dei um sorriso fraco e anui. 

Segui pelo corredor, os dedos se torcendo um no outro. Logo vi o movimento de assessores, técnicos, preparadores físicos e médicos. A medida que eu caminhava mais para dentro começava a ver mais movimento, os jogadores saindo dos vestiários.

Mordi o lábios estalando os dedos. De onde vinha a movimentação dos colombianos, foi onde eu fiquei. Até que James sair pela porta. Ele estava com os cabelos húmidos de um banho recém tomado, usava a camisa da seleção e uma calça de moletom da adidas.

— James — o chamei e ele se virou para mim. Seus olhos mudaram na hora e eu soube que ele lembrava de mim. 

— Mia — ele soou meio surpreso. Alguns jogadores que passavam olhavam para nós dois então diminui eu tom de voz e disse:

— Desculpa ter vindo assim, mas eu precisava me desculpar pelo o que aconteceu — notei o corte abaixo da sobrancelha. James olhou ao redor.

— Melhor irmos para um lugar mais reservado — anui e ele me conduziu até um dos corredores adjacentes menos movimentados. 

No seu rosto havia outro hematoma levemente roxeado no malar direito.

— Eu sinto muito por ele, não queria que aquilo tivesse acontecido e... — deu branco! Eu não sabia mais o falar. Ele me encarando me deixou nervosa o suficiente. — Obrigada por me defender.

James estava nervoso, notei quando esfregou as mãos. 

— Eu também sinto muito por tudo, não devia ter feito aquilo. 

Por tudo...inclusive o beijo? 

— Me intrometer entre vocês dois, fazer você passar por aquilo na frente de todos. 

O clima estava estranho, nenhum de nós queria falar do beijo. Ele, provavelmente, por querer esquecê-lo. Eu, por medo de ouvir o que não queria. 

— Passei dos limites, o que eu fiz foi errado — assenti um pouco decepcionada. 

Era óbvio que ele pensava assim, que tudo foi um erro. De fato foi, mas foi um erro tão bom...

— Mia, eu peço que não fale sobre isso com ninguém, se sair em algum lugar eu...

Ele realmente achava que eu ia sair daqui direto para um blog de fofoca contar tudo? Achava que ia me usar de sua imagem e destruí-la? 

Falar aquilo me fez sentir suja, um aproveitadora. 

— Se quer pedir para eu fingir que nada aconteceu seja mais direto — minha voz soou com mais raiva do que eu imaginava e seus lábios se moveram sem deixar som algum sair. — Acho que já terminei por aqui — dei as costas.

— Mia, por favor... — ele insistiu e eu me virei com mais raiva ainda. 

— Não se preocupe Rodriguez. Vou esquecer de você, vai ser melhor para sua imagem se tudo ficar entre nós — ele ficou calado e eu continuei andando para o corredor principal, que agora estava quase vazio. 

Mas então uma mão se fechou no meu pulso e me puxou de volta me imprensando na parede do corredor. Seus olhos castanhos escuros me fitaram intensamente e sua respiração cruzou com a minha. Meu coração estava disparado. 

— Quem disse que eu quero que você me esqueça? — Fiquei atônita. 

James aproximou o corpo do meu, a mão deslizou pela minha nuca surtindo arrepios ao longo da minha espinha. 

— E não quer? — Sussurrei contra seus lábios e milímetros dos meus. Ele sorriu. 

— Não — então o meia acabou com o espaço entre nós e me beijou. 

Deixei que sua língua adentrasse minha boca e retribui levando minhas mãos ao seu peito enquanto ele agarrava os cabelos da minha nuca. O beijo era faminto, desejo transbordando. 

Quando o ar faltou ele finalizou o beijo com uma mordida no meu lábio inferior me deixando puxar o ar necessário. Diminui o ritmo, beijando-o devagar e ele pareceu se agradar nesse ritmo. Nos exploramos, sentindo um ao outro sem presa alguma, mas com muito desejo. 

Então James se separou devagar, como se não quisesse se despedir.

— Preciso ir, devem estar me procurando — mordi o lábio ainda com as mãos na nuca dele. 

— Tudo bem — falei baixinho.

— Eu quero te ver, por favor, vá ao próximo jogo enviarei os ingressos — anui, ainda descrente com o que ele havia acabado de falar. — Me da seu número? 

— Claro — falei e ele salvou no celular. — Te vejo lá.

James seguiu para corredor já vazio e eu demorei alguns segundos para entender o que havia acontecido. Deus! 

Segui pelos corredores, minha cabeça borbulhando confusa por tudo o que aconteceu. De início ele disse que foi um erro, mas depois me beija e diz que não queria que eu o esquecesse, que queria me ver novamente. Dava para ser mais confuso que isso? 

Minha cabeça dizia que insistir nessa situação era errado, mas eu coração...eu queria se jogar nisso, queria viver isso. Queria viver ele, aproveitar ele. 

Mas Deus! Dava para ser mais idiota que eu? Acho que o beijo dele tinha o poder de me deixar apática, acéfala, lesada, porque que merda eu falei? Quer dizer, eu não falei. Só fiquei olhando para ele como uma idiota e sorrindo para tudo o que dizia. 

Ele deve ter me achado uma idiota.

Empurrei a porta, na direção da área pública, mas uma mão envolveu meu braço e eu me virei. 

Parecia que ele tinha corrido até aqui, porque seu peito descia levemente fora do compasso. 

— Eu realmente pensei em ir, mas eu senti que devia ficar — ele sorriu timidamente, a mão livre coçou a nuca. Um sorriso nasceu nos meus lábios. — Você tem alguma coisa marcada para agora? 

— Isso não vai te prejudicar? — Um brilho quase invisível sombreou seus olhos mais rápido que um piscar e ele deu de ombros.

— Acho que eles podem aguentar um tempo sem mim — meu sorriso se alargou, e eu notei que parecia muito boba e devia parar de sorrir tanto, então fechei a boca. 

— Bom, eu não tenho nenhum compromisso — o meia sorriu. — E onde quer ir Sr. Rodriguez? — Ele respirou fundo e pós as mãos nos bolsos da calça.

— Me mostre algum lugar que gosta, eu estou aberto a suas ideias — tamborilei os dedos na mandíbula e o meus lábios se encheram de malícia. 

— Você tem boné aí? — Ele franziu o cenho. 

— Para que? 

— Não sabia? Você é famoso por aqui, assédio demais. Ninguém pode nos ver, afinal, estamos fazendo algo ilegal — ele riu jogando a cabeça para trás. 

— Temos sorte, eu tenho boné.

Pelo celular mandei uma mensagem para Hugo, para ele não me esperar e chamei um UBER. 

" Aê garota, foi assim que eu te ensinei hein? Ta me devendo ingresso VIP."

Dei um sorriso guardando o celular na bolsa. James colocou o boné e esperamos o carro. 

— Vocês são colombianos? — Perguntou o motorista, provavelmente porque falávamos espanhol. 

— Sim — respondeu James, eu rezei para que o homem não o reconhecesse. 

— A Colômbia está jogando muito bem, acho que vai crescer muito, ainda mais com aquele menino...como é o nome dele mesmo? — O homem levou a mão a cabeça como se quisesse forçar o cérebro a lembrar. — James Rodriguez. 

Eu rendi o riso. 

— Joga muito o rapaz. 

James se eriçou ao meu lado. 

— É mesmo? Eu não acho que ele seja tão bom assim — da de ombros, por sorte o boné fazia sombra no seu rosto. 

— Bem, ele é um dos artilheiros da copa, fora que carrega muitos passes da seleção colombiana nas costas. Aposto que sai daqui direto pra um time grande — olhei pra James e ele mantinha a expressão controlada, mas deixou um sorriso nascer no canto.

— Eu concordo, James é um grande jogador tem muito para conquistar — nossos olhares se encontraram e ele sorriu apertando minha mão. 

O motorista nos deixou no centro de São Paulo, era uma das áreas que eu mais gostava aqui. A arquitetura secular, imaginar como quando era na época que aqueles prédios eram novos, as pessoas andando pela rua vendidas com elegância. 

Haviam vários torcedores na rua, dezenas de camisas amarelas pela multidão. James observava tudo ao redor, as pessoas, os prédios. O mostrei meus lugares favoritos ali enquanto conversávamos sobre nosso gostos e os lugares que mais gostávamos no mundo. 

— Pode caprichar aí viu? — Falei para baiana enquanto preparava o acarajé em sua barraquinha. Ela sorriu colocando pimenta. 

— Essa é a melhor de São Paulo, viu? — Falou devagar entregando a comida a James. Ele sorriu para ela e levou a boca. Só esperei sua reação, assim como a vendedora.

— Hum...isso é bom — fez sinal de bom para a vendedora que bateu palmas. 

Comi o meu. 

— Eu sabia que ele ia gostar, obrigada! — Continuamos caminhando, as ruas de paralelepípedo cheias de bares borbulhando de gente aguardando o jogo de noite. 

— Se estivéssemos no Rio, eu te levaria a praia. 

— Ouvi falar muito das praias no Brasil, as águas quentes, as mulheres... — eu ri disso. 

— Acho você acabou de definir nosso cartão postal — ele sorriu colocando as mãos no bolso da calça. 

— Quem sabe ainda possa me levar, se fomos as oitavas de final o Rio será nossa parada. 

— Então trate de ganhar todos os jogos até lá. 

— Pode deixar, mas vai ter me prometer que vai torcer pela Colômbia se jogarmos contra o Brasil — mordi o lábio.

— Vou pensar no seu caso, Sr. Rodriguez — seus olhos tiveram um brilho escuro por um momento. 

Ficamos em silêncio por um tempo, e apesar de não querer acabar com o clima, eu precisava entender essa confusão que era James Rodriguez.

— O que está acontecendo entre nós? — Perguntei baixo, ele olhou para frente e suspirou. Não era um assunto que eu me agradasse em falar, mas era necessário.

— Eu não sei, Mia. Você me deixa confuso, mas acho que nesse momento não devo te oferecer nada além da minha amizade — eu respirei fundo.

Amizade...

Essa era a última palavra que eu gostaria que saísse da sua boca agora.

— Eu entendo — me dou um sorriso fraco. 

Era verdade, eu entendia o que ele falou. Só havia um problema, eu não concordava. 

— Mas hoje, vamos comemorar a vitória, você merece — ele se esforçou para sorrir. 

Mais a frente ouvi um samba tocar em uma rodinha no meio da rua, próxima a um bar lotado. Varias pessoas dançavam e cantavam, a maioria estava com camisa de times de todo mundo, sentado nas mesas batucando enquanto petiscavam e bebiam. 

Mas o samba me chamou.

— Vem — o puxei na direção da roda. 

— Mas eu não sei dançar essa dança — ele disse e eu virei meu rosto ainda o puxando. 

— Eu te ensino — me pus ao lado dele e sambei devagarinho para ele aprender. 

James me acompanhou e riu dos passos errados que dava. Sua risada era tão linda...

Logo nos inteiramos com a galera, o samba pulsava no chão, o pandeiro rebolando e o agogô tilintando. Os garçons passavam com a bandeja com cerveja gelada, os sambistas sentados na mesa do bar. Todos dançavam e cantavam, até os que estavam sentados olhavam para a roda batucando na mesa o ritmo. 

Coloquei as mãos nos quadris e sambei enquanto ele batia palma tentando imitar o sambista que dançava a alguns metros, acho que aquilo era um pouco demais para ele. Ri da sua tentativa e de repente alguém de dança esbarrou em mim fazendo-me aproximar de James. Ele segurou minha cintura para que eu não caísse e rimos daquilo. Mas ao erguer o rosto e notar o quão próximo estávamos seu riso foi diminuindo aos poucos. A forma que ele me olhava, abobado, atônito. Olhei os seus olhos e por segundos me vi hipnotizada, eles eram encantadores e profundos. Me afastei um pouco e a mão dele se recolheu da minha cintura rapidamente como se tivesse levado um choque. 

Formulei um sorriso e voltei a dançar, ele sorriu também fazendo o mesmo. Mas eu sei que ele ficou abalado com nossa proximidade, eu senti e vi nos seus olhos. 

— Você pegou rápido — falei no seu ouvido para que ouvisse. — Estou orgulhosa, Sr. Rodriguez — o senti se arrepiar. 

— Mia... — ele gemeu baixinho no meu ouvido, quase implorando. 

— O que? — O fitei, fingindo inocência. Ele olhou nos meus olhos por segundos e negou xingando algo em espanhol. — Eu não consigo — então ele me beijou.

Passei as mãos na sua nuca e retribui o beijo, ele me degustava devagar e eu estava adorando aquilo. 

Suas mãos deslizaram pela minha cintura, colando nossos corpos. Mordi seu lábio e deixei que deslizasse entre meus dentes, ele finalizou o beijo com selinhos. 

Ficamos com as testas coladas como se ambos tentássemos entender o que acontecia quando estávamos juntos. Éramos como imãs que precisavam de unir. O desejo que sentíamos um pelo outro saia pelos nossos poros. 

— Podemos não pensar em nada, esquecer de tudo enquanto estivermos juntos — sussurrei. 

— Era o que eu mais queria — acariciarei seu rosto. — Mas e você, quer isso? Você quer ficar comigo mesmo sabendo de tudo?  

Era uma pergunta difícil, mas eu não diria não. 

— Vamos fingir que somos só eu e você, pessoas normais, vidas normais — ele acariciou minha cintura e sorriu.

Selei seus lábios e me separei dele voltando a sambar. Parecia que um peso havia saído das minhas costas. James estava da mesma forma e me observou com um olhar predador enquanto eu sambava de costas a ele. Então o chamei com o indicador e ele veio por trás. Levei a mão até seus cabelos, deliciando-me com a textura. O fato de deitar minha cabeça no seu ombro o fez se aproveitar do meu pescoço desprotegido e começar a espalhar beijos lentos ali. Eu apertei seus cabelos em resposta imediata ao chupão bem na curva, seguido por uma mordida suculenta. 

— James... — gemi baixinho e ele sorriu subindo até minha orelha. 

— Achou que não ia ter volta depois de tanta provocação, mi amor? — Sussurrou rouco e eu me liquefiz. Seus lábios roçaram na minha pele despertando cada pelo, cada molécula. 

— Isso não se faz, Rodriguez — ele sorriu.

— Meu sobrenome soa tão sexy quando você o fala — eu ri. 

— Gosta, Sr. Rodriguez? — Acariciei seus cabelos, rebolando contra ele. 

— Mia, mia... — Ele segurou meu quadril contra o dele e me fez sentir o efeito das minhas provocações. Estremeci. — Ainda preciso responder sua pergunta?

— Já foi o suficiente, Rodriguez — então rebolei novamente e ele gemeu baixinho contra meu pescoço.

— Tan hermosa, pero tan astuta — ri girando nos braços dele e voltando a dançar. 

A noite chegou e trouxe consigo o cheiro cítrico e intenso. O jogo havia começado e o samba acabado. Com todos aglomerados dentro dos bares decidimos curtir mais algum tempo juntos.

Andávamos pelas ruas sem muito rumo, depois de muita insistência eu contava um pouco a James sobre minha vida. Ele ficou surpreso quando soube que eu fazia fisioterapia, nunca pensou que eu com meu jeito tão feminino fosse gostar de cuidar de ossos quebrados e músculos contundidos. Paramos no parque quase vazio a essa hora e deitados na grama. 

— Não sabe como está me fazendo bem, Mia — ele disse do nada, olhando para o céu entre as copas. — As vezes estar em uma copa é sufocante, a pressão se torna uma prisão e tudo fica muito difícil. Você me tornou mais leve.

— Bom, fico feliz em ter ajudado. Já convivi com a pressão, e não foi nada legal. Meu mundo todo desmoronou quando não atendi as expectativas — ele suspirou.

— Sei que as chances são poucas, mas eu queria muito levar esse título para Colômbia. 

— Acho que pode conseguir, se tentar se verdade, não pensar em estatísticas ou nós outros. Se você fizer seu melhor, vai acontecer e se não acontecer você pelo menos está de consciência limpa. 

— Mas se meu melhor não for o suficiente, eu me sentiria pior ainda — o olhei, ele mantinha os braços trás da cabeça. 

— Nós sempre podemos melhorar, essa é sua primeira copa. Não se cobre tanto, ainda há tantas pela frente e você tem saúde — James me olhou, e sorriu fraco.

— O que te fez escolher fisioterapia? — Eu respirei fundo. A resposta passava por uma grande explicação que exigia muito de mim para contá-la. 

— Eu era bailarina, como já sabe, aos 15 anos era a revelação do meu studio e estava sendo cotada para entrar no Bolshoi, que é a maior companhia de balé clássico do mundo. Eu me preparei para aquilo a vida toda, passava até 7 horas treinado, todo dia. Que queria alcançar o meu melhor, meu máximo e dois meses antes da minha apresentação teste eu estava apresentando o soldadinho de chumbo quando eu me machuquei no meio da apresentação, eu não sei exatamente o que aconteceu, a probalidade de isso acontecer era mínima. Uma lesão no músculo entre o pé e a perna e todo meu sonho acabou. O médico disse que eu exigi demais de mim mesma e desgastei meu corpo, quando chegou a hora de ele responder aos meus comandos, ele estava fraco demais. Uma recuperação a tempo era impossível e eu nunca mais seria a bailarina que eu era, então eu desisti. Completamente desiludida com o balé e com a profissão dos meus sonhos, eu decidi ter uma vida mais normal e ajudar pessoas que passaram pelo o que eu passei. Me apaixonei por fisioterapia logo de cara. 

— Eu sinto muito por isso, a vida não é justa as vezes — eu suspirei. 

— Era pra ser assim, afinal o caminho que sigo hoje me faz muito feliz, talvez mais feliz do que seria se nada disso tivesse acontecido — ele concordou. — Se você não fosse jogador, o que seria? 

— Eu não sei, esse sempre foi meu sonho, nunca pensei em nada além disso. Pode acreditar, quando eu coloco uma coisa na cabeça, eu não descanso enquanto não acontece — eu rio.

As copas das árvores formavam um círculo e o céu estrelado no meio, um carro passou buzinando o hino do Brasil e levou o som enquanto se distanciava.

— Sabe, eu acho que é melhor sairmos daqui antes que bandidos ou drogados nós ataquem — nossos olhares se encontraram e ele levantou a cabeça olhando além de mim. — O que f...

Não tive nem tempo de terminar a frase, o meia pulou e me puxou pelos braços para cima.

— Corre! — Ele envolveu minha mão com a sua e eu corri com ele. Quando olhei para trás vi um homem magro com um casaco gigante correndo atrás de nós dois. 

Eu não sei o quanto corremos, o desespero era tão grande que eu mal sentia meus pés tocarem o chão. Quando chegamos dois quarteirões seguintes foi que respiramos aliviados. 

Nós olhamos um para o outro e rimos, gargalhamos. Havíamos acabado de sair correndo de um bandido, drogado, sei lá. 

— Nunca mais deitar em um parque deserto a noite no Brasil, anotado — ele olhou para trás procurando o homem. Eu me apoiei nos joelhos, puxando o ar. — Você tem uma boca de praga, hein?

— Nem me fale! — Me ergui ainda ofegante. — Eu não tenho condicionamento físico para correr dois quarteirões. 

— Você não era atleta? — Cruzou os braços debochado, seu peito não subia mais que o normal. Ergui uma sobrancelha, e cerrei os olhos. 

— Bailarina não corre, Sr. Rodriguez — coloquei as mãos na cintura. Ele riu com o nariz.

— Se você diz — deu de ombros e continuou andando. 

Minha vez de cruzar os braços com deboche. Mas não deixei de observar seu corpo de costas. A bundinha linda, a curva das costas musculosas. Deus! Esse homem me tirava todo o senso.

— Onde está indo? — Ele se virou. 

— Eu não faço ideia, estou completamente perdido — sorri e inclinei a cabeça para o lado indicando o caminho. 

James voltou e esperamos o sinal fechar. Assim que ficou vermelho o meia envolveu minha mão com a sua e meu corpo todo ficou tenso com o ato. Olhei para nossa mãos enquanto caminhávamos e fingi que aquilo não tinha me atingido. 

 

 

Havíamos sentado em um boteco, estávamos morrendo de fome. Eu realmente me sentia bem com ele, James era uma ótima pessoa pra conversar e ele me compreendia e o assunto fluía muito além do fútil. Ele me fazia rir como quando tentou falar com o garçom em português, ou quando tentou fazer malabarismo com os limões. Um deles caiu dentro do copo e espirro água para todo lado. 

— Você é péssimo — falei rindo, e ele riu.

— Sinceramente, eu era bom nisso, a culpa é toda sua — eu abri a boca e levei a mão ao coração, fingindo estar ofendida.

— Eu? Mais o que eu fiz? 

— Está me deixando nervoso — ergui as sobrancelhas. — Essa era minha tática para te impressionar, mostrar minhas qualidades, sabe? — Joguei a cabeça para trás gargalhando.

— É isso que faz para impressionar as garotas? — Diz cara de pouco e ele sorriu. Aquele sorriso sapeca, safado, desgraçado. 

Então inclinou o corpo na minha direção, os lábios tocaram meu ouvido e o simples toque já me fez estremecer. 

— Posso te mostrar o que eu faço para impressionar, se quiser — sua mãos deslizou na minha coxa e apertou a carne.

Eu estava tentada demais a aceitar, mas algo me dizia que eu devia me controlar. Não podia deixar isso ser tão fácil para ele. 

— Não quero saber o que faz com todas, Rodriguez. Quero que me surpreenda — sussurrei no contra o seu pescoço, mordendo a ponta da sua orelha em seguida. 

— Acha mesmo que iria lhe tratar como todas, baby? — Batuquei os dedos no peito dele. 

— Não sei, me disseram que jogadores de futebol são muito afobados, falam, falam mas na hora... — ele humedece os lábios, um hábito, notei.

Deus! Eu adorava esse jogo, só odiava a forma que ele me deixava com gestos simples. 

— Eu sei tocar a bola devagar quando sei que estou ganhando, gosto de torturar meu oponente até que ele se entregue para mim, entende? — Ele fala tudo olhando nos meus olhos, e a cada palavra eu sentia meu meio encharcar. — Mas prefiro não falar muito, eu prefiro fazer. Até porque, só entro em campo para vencer — piscou para mim, se afastando até encostar as costas na cadeira. 

Só um minuto, preciso trocar a calcinha aqui! 

— Boa noite, vão querer mais alguma coisa? — Para abaixar o fogo o garçom chegou. Eu quase tomei o cardápio das suas mãos para me abanar. 


Notas Finais


Ps: o diálogo deles é em espanhol, mas como eu não vou escrever tudo em espanhol porque se não a maioria não entende e eu também não tenho todo esse conhecimento da língua, deixo apenas algumas falas, não estranhem.

O que acharam? Me contem, eu adoro saber.
Esse dois hein...amizade boa, é amizade assim.
Novamente muito obrigado pelos comentários e favoritos.


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