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História I know he's married - James Rodríguez - Capítulo 44


Escrita por:


Notas do Autor


HOLA MIS AMORES! Voltei com mais um capítulo saindo do forno cheio de emoções e com muitos ganchos para o futuro. Fiquem atentos.
Obrigada por todos os comentários lindos, já li todos e irei responder hoje mesmo. Vocês são demais e eu estou muito feliz e grata com o andamento das coisas por aqui.

Espero que gostem bebês! 😘

Capítulo 44 - Amistosos


P.O.V Mia 

 

Só fiz deixar minhas coisas no meu consultório e segui para a sala de Dr.Santamaria. Bati na porta e ouvi sua voz abafada me mandando para entrar. O fiz e fechei a porta atrás de mim. 

— Bom dia Mia, posso ajudar em algo? — Falou com um sorriso cordial. 

— Eu não sabia que teria um segundo assistente agora — falei com um pouco de ironia na voz. 

Javier não pareceu perceber minha ira incutida, mas se percebeu não se importou. 

— Ah! O Eric! — Ele relaxou as costas cadeira. — Não é um cargo fixo, mas nós iríamos precisar dada a quantidade de jogos e as datas imprensadas dessa temporada — explicou com frieza. 

— Sabe que eu posso fazer isso — me apoiei no encosto da cadeira, inclinando o costa para frente. — Não precisamos dele. 

Meu chefe suspirou. 

— Eu sei o que precisamos Dra.Mia! — Impôs um pouco a voz e percebi que talvez estivesse sendo antiprofissional em minhas atitudes, mas esse Lopes me deixava fora de mim.

Ele fez uma pausa e acrescentou em tom mais calmo, como o de costume: 

— Você é uma ótima fisioterapeuta, mas não é uma mutante para conseguir dar conta de tudo. Além do mais o clube não quer ter que lhe pagar multa por exaustão e estresse.

Era uma triste realidade. 

— Dr.Lopes, fora seu jeito competitivo, é o segundo melhor fisioterapeuta. E em Madrid só contratamos os melhores, sabe disso — anui e mencionei dar um passo para trás, pronta para me retirar. — Mas — parei. — Ainda bem que veio, porque eu ia avisar a você que Eric está sobre sua responsabilidade. Você é a chefe dele, portanto o dê as informações sobre o cartel e a situação de cada jogador, essa semana não teremos jogos em outro país e terá tempo para deixa-lo bem acomodado. Mas ele precisa estar pronto semana que vem para receber os primeiros casos, passe os menos trabalhosos, e o ensine a lhe dar com o dia a dia aqui dentro. Como eu fiz com você. 

Anuí devagar. Bom, existiam duas coisas, uma boa e outra ruim. A boa é que ele é subordinado a mim, portanto mais difícil de me derrubar, mas a ruim é que teremos que passar essa semana mais juntos do que eu gostaria. 

Mas é aquele ditado, mantenha os amigos próximos e os inimigos mais ainda.

— Tudo bem. 

— Ah! E quero um relatório sobre ele no final da semana — assenti. 

Devo ter saído da sala de Santamaría com uma carranca porque Eric estava com um sorrisinho no rosto enquanto se apoiava na parede entre minha sala e a dele. 

— Já reclamando de mim para o chefinho? — Fez pouco. 

Sorri. 

— Ele não é seu chefinho querido, sua chefe sou eu — o sorriso no seu rosto diminuiu gradativamente. — E se eu fosse você reveria a forma que se dirige a mim — entrei na sala fechando a porta na sua cara. 

Eu ia lhe passar todas as informações, mas agora só preciso de alguns minutos em paz. 

 

Tentei levar o fato de ter que passar um tempo com Eric da melhor forma possível. Fui a sua sala e chamei para um tour enquanto o explicava sobre os esquemas de tratamento, treinos específicos, horários...tudo o que ele precisava saber sobre o dia a dia de Valdebebas. Para o bem de nós todos ele não falou nada demais, apenas de gabou com seu jeito egocêntrico de saber de várias das coisas que expliquei sobre o clube. Já que trabalhou alguma vezes como autônomo. 

— O trabalho como fisioterapeuta particular é muito diferente de um fisioterapeuta contratado de um clube de grande porte Dr.Lopes — falei durante nossa caminhada pelos campos de treinamento. 

— E você fala com toda sua experiência, não é? — O tom sarcástico era premente em toda sua fala direcionada a mim, sempre querendo me menosprezar. Nos bons dias isso não seria um problema, nos maus...

— Falo como sua superior, que trabalha aqui a mais tempo que você — respondi seca. 

Eric, olhei sua ficha era formado para Universidade de Madrid e fez residência no Sanitas, por isso foi indicado. E de fato, tinha ótimas qualificações. Mas era mais velho que eu, 4 anos, e eu diria que parte de sua raiva por mim se criava nisso. Ver uma mulher mais jovem, bem sucedida e no patamar que ele queria estar. 

Depois de terminado tour e as explicações, peguei o seu e-mail e avisei que o mandaria todas as fichas médicas do plantel ainda hoje e que queria isso em sua cabeça até semana que vem. 

Assim que entrei no consultório enviei tudo e segui para uma seção com Bale. 

No almoço todos estávamos reunidos no restaurante quando o novo fisioterapeuta entrou, seu olhar passou por todo cômodo, principalmente por nossa mesa e por mim. 

— Quem é aquele? — Nacho perguntou meu lado enquanto Eric seguia para a mesa da turma do marketing. 

— O novo fisioterapeuta assistente — respondi. 

Não só ele como os que prestavam atenção franziram o cenho. 

— Não era você? — Isco perguntou.

— Ele é o segundo assistente, para ajudar agora que estou viajando com vocês — expliquei melhor, enfatizando "segundo". 

Um "Ah!" soou pela mesa. 

— Um horror de ser humano — Sarah falou, a repreendi com o olhar. — O que foi? Ele é seu colega de trabalho e tem que manter o profissionalismo, mas eu não — prendi um sorriso. — Ele que tentou ganhar nome em cima de um caso da Mia.

— Foi ele? — Marcelo que perguntou. Naquela mesa James era o único que o conhecia, mas ele não prestava atenção na conversa, apenas comia calado. 

— Foi — assenti, um pouco hesitante sobre o assunto. 

— Que merda ele estar aqui — Marco disse e eu anui. 

— Sinto muito por isso Mia — Modric alisou meu ombro, sorri fraco.

— Se ele é um idiota não vamos gostar dele também, pode deixar — Cris falou.

— Mexeu com um, mexeu com todos — Capita piscou e várias vozes se juntaram a ele em concordância.

Meu sorriso aumentou. 

— Vocês são demais mesmo. 

De tarde tivemos um treino na academia e logo em seguida, eu, Sarah e Isco fomos pegar Am no aeroporto. Ah sim! Minha amiga finalmente chegou para ficar. E por isso fomos jantar em um restaurante para comemorar tudo, seu noivado, sua volta, o fim de uma temporada linda onde ela fez um trabalho impecável. 

Durante o jantar recebi a notícia que Lewis tinha ganho o prêmio da Inglaterra. Sorri orgulhosa e chamei todos para mandar um áudio para o piloto. 

— Parabéns Lewis! — Gritamos juntos. 

— Meu amor, você merece tudo isso e muito mais. To muito feliz por você. Mais um campeonato vai vir, tenho certeza — falei sozinha. 

" Obrigado!! Você é demais, baby. Foi mais difícil ganhar sem você, mais conseguimos. Agradece a todo mundo aí por mim. Quando nos vermos de novo vamos comemorar muito, estilo Mônaco. To com saudades." 

Comecei a escrever a resposta e Sarah chamou atenção: 

— Olha esse sorriso bobo — ergui os olhos para ela.

— Ih! Eu conheço esse sorriso — Am falou dando um gole no vinho. 

Senti minhas bochechas queimarem e comprimi os lábios. Isco deu um gole na sua bebida, os olhos se movendo entre nós curiosos. 

— Vocês são ridículas, parem com isso — neguei. 

Elas trocaram olhares e riram. 

— Controle sua noiva Isco — apontei para o jogador.  

— Noiva. Ouviu? Noiva — Am falou sorridente segurando o rosto dele e se aproximando. 

— Ah! Mas vou controlar sim, pode deixar — ele falou diminuindo a distância e unindo seus lábios em um beijo. 

Eu e Am nós olhamos e reviramos os olhos juntas. 

 

 

A semana foi um teste de paciência e auto-controle. Eric era insuportável com suas piadinhas, comentários sarcásticos e auto-promoção gratuita. Mas eu consegui resisti consideravelmente bem. Graças a Deus a sexta chegou e com ela a noite das meninas. 

Fomos para nossa boate favorita de Madrid e bebemos como antigamente. 

— Salve a santíssima trindade! — Am berrou.

Estávamos na beira do bar apoiadas na bancada como três loucas. 

— Gin, vodka e tequila — Sarah gritou e erguemos nossas bebidas.

— Santificadas sejam, vadia! — Concluí e brindamos.

Dançamos e rimos até não nos aguentarmos mais. Eu realmente senti falta nas nossas saídas, elas sempre eram históricas. A única regra era nada de homens, apenas nós três nos divertindo muito. 

Acabamos a noitada as 4 da manhã comendo hambúrguer com vodka na minha sala enquanto dançando Just Dance e xingando quem/o que odiávamos. Xingamos muito o Dr.Lopes e o James também. 

Acordamos apenas de tarde, todas acabadas com a cara amassada e dignidade no chão. Sarah fez seu suco para cura de ressaca e juntas cozinhamos o café da manhã/almoço, panquecas, bacon, ovos e frutas. Tudo o que tínhamos direito. Ficamos assistindo filmes românticos enquanto isso, Diário de uma paixão, Simplesmente acontece, Como eu era antes de você. E concordamos que o Sam Claflin era o melhor ator de romance, e o homem nos sonhos de toda mulher heterossexual. 

— Ai! É tão bom estar com vocês de novo — Am nos puxou pelos ombros para um abraço. 

— Agora é pra sempre — falei. 

— Amo vocês vadias — Sarah nos apertou. 

 

Na segunda-feira logo pela manhã fui chamada ao consultório de Javier e logo que abri a porta dei de cara Eric sentado diante da mesa. 

Porra! 

— Bom dia Dr.Santamaria — falei ambos viraram para mim. — Dr.Lopes. 

— Bom dia Dra.Sarton — o meu chefe respondeu com sorriso de canto. — Eu a chamei porque o Dr.Lopes afirmou que não recebeu as fichas técnicas que você ficou responsável por enviar. 

Franzi o cenho e olhei para Eric, seu rosto era o retardo da inocência e mas nos seus olhos havia um brilho de uma serpente. 

Filho da puta! Como ele podia ser tão baixo? 

— Bem — saquei meu celular do bolso e andando até a mesa acessei o meu e-mail. — Se eu não mandei o e-mail porque ele está nos meus envios recentes? — Virei a tela para o fisioterapeuta chefe e de canto de olho vi Lopes manter sua mascara de atuação. 

Javier olhou para o celular respirando fundo ao ver o e-mail. 

— Enviado ele foi, exatamente a uma semana atrás — virou-se para Eric e eu também me virei, erguendo levemente a sobrancelha.

Justifica agora babaca! 

— Talvez tenha acontecido um problema, porque não chegou para mim — ele disse um pouco sem jeito para quem estava com aquele cara de pau a segundos atrás. 

— Eu vou enviar de novo, mas espero que se acontecer uma próxima vez você me avise com antecedência assim não perde tempo de trabalho doutor— foi um sutil ultimato, minha voz envolvida com falsa calma. 

O novo fisioterapeuta quase bufou com direito a fumaça saindo pelo seu nariz.

Javier jogou o corpo contra o encosto da cadeira.

— A doutora tem razão, Lopes — bateu a tampa da caneta na mesa relaxando o lado do corpo sobre o braço da cadeira. — Mas já estamos resolvidos, certo? — Ergueu a sobrancelha em uma leve pergunta. 

— Sim, por mim sim — Eric sorriu. 

Santamaría ergueu os olhos para mim, eu apenas neguei gesticulando com os ombros. 

— Perfeito — a voz soou um pouco mais alta. — Agora podem voltar ao trabalho — apontou com o queixo para a porta. 

Eu já estava seguindo para ela antes que mandasse. 

Eric saiu atrás de mim e assim que fechou a porta eu o olhei de canto de olho e disse: 

— Precisa melhorar seus golpes se quiser fazer cócegas. 

Ele sorriu. 

— Eu to só começando Mia. 

 

P.O.V Marco 

 

Eu, Isco e Nacho caminhávamos na direção do restaurante falando sobre os últimos  jogos da liga espanhola de basquete, o Real era líder e com pontos de vantagem sobre o segundo colocado. 

— Real Madrid e Valência, ser demais esse jogo — Isco disse empolgado. 

E de fato seria, estavam no final do campeonato e seria visceral em quadra. 

— A gente podia assistir semana que vem — Nacho sugeriu enquanto virávamos no corredor do restaurante. 

Mas a conversa ficou em segundo plano quando meus olhos viram Mia dando de um lado para o outro com o celular no ouvido diante das portas de vidro do restaurante. Ela sorria, os olhos perambulando pelo piso, pelas paredes sem olhá-los de fato. 

Como eu consegui negar tanto seus sentimentos quando meu coração pulava só em vê-la? 

— Marco? Ta ouvindo? — Nacho falou ao meu lado, parecia estar insistindo isso sim. Pisquei desviando o olhar dela. 

— O que? — Isco escondeu o sorriso com a mão não tão discretamente quanto eu gostaria.  

— Você topa ir semana que vem? — Perguntou mais uma vez. 

Mas estávamos nos aproximando e eu comecei a ouvir sua voz. Falava em inglês. Inglês...

— Uhum! — Murmurei e embora meu corpo não demostrasse fiz silêncio para ouvir e tentar entender o que dizia. 

Ela riu, jogando a cabeça para trás. 

— Você é tão idiota, não sei como Angie te aquenta a tanto tempo — falou a poucos metros.

— Okay, então vou providenciar os ingressos — Isco disse e eu apenas anui os deixando falar.

— Que convencido! — Riu mais. — É, ta meio difícil aqui, muito trabalho. Fim de temporada sabe como é — suspirou pesadamente, os pés se arrastaram no chão de forma lenta e pesarosa. — Eu até queria ir, mas quem sabe na época da copa. Vou estar de férias — seu rosto voltou a se iluminar, os gestos mais leves de repente. 

Cerca de 2 metros nos separavam, os meninos pararam de conversar aos poucos e eu só percebi uns segundos depois.

— Ah! Eu sei que minha gloriosa presença faz falta — abaixou o rosto e sorriu, naquela altura já dava para perceber as maçãs do rosto coradas. — Também sinto sua falta — eu conhecia aquela voz, ela já foi formulada especialmente para mim antes. Quando era de mim que ela sentia falta. 

Respirei fundo e chegamos a pouco dela, Mia percebeu nossa presença e sorriu para nós três. Um sorriso geral, amigável, de cumprimento. 

Entramos no restaurante reto na direção da mesa. 

Era óbvio que toda a aproximação que tentei nesses dias não adiantou de nada. Não que conversas bobas no refeitório, ou durante o treino pudessem surtir grande efeito, mas se houvesse algo no fundo talvez alguma coisa aparecesse, algum sinal de que eu não estava lutando sem chance alguma de ganhar. 

Enquanto comia comecei a conversar com o pessoal, não queria pensar naquilo agora. Não era hora. Minutos depois a doutora sentou ao lado de Sarah. 

 

 

— Você ouviu, não ouviu? — Perguntei a Isco no vestiário já vazio. 

— É, ouvi — ele suspirou sentando-se no banco diante dos nichos. — E fiquei meio sem jeito de te falar, mas no dia que saímos para jantar depois de ter pego Am no aeroporto ela ficou conversando com ele por mensagem, as meninas até ficaram a zoando por estar sorrindo o tempo todo. 

Meu amigo me fitou por baixo das sobrancelhas esperando algo. Mas eu fiquei em silêncio sem saber o que dizer, sem ter o que dizer. Apenas respirei fundo e me sentei ao seu lado. 

— Mas isso não significa que... — ele ia começar, mas eu neguei de antemão. 

— Cara, eu percebi o jeito que ela falava com ele. Ela já falou comigo assim — fiz uma pausa encarando o piso que parecia refletir minha realidade. — Quando estávamos juntos — acrescentei. 

O camisa 22 inclinou o tronco para frente e apoiando os braços nas pernas. Ficamos em silêncio por um tempo. 

Pelo menos foi rápida minha desilusão. 

— Eles não estão juntos, se não eu saberia por Am — argumentou. 

— É só uma questão de tempo. 

O silêncio voltou a se fazer entre nós. 

— Não pode desistir assim tão rápido.

— O que adianta se ela gosta de outro, Isco? — Explodi.

— Você mesmo afirmou que eles não estão juntos, ainda. Então ainda tem tempo de conquista-la. 

 Apoiei o corpo entre as divisórias do nicho e levei as mãos ao rosto bufando.

— E se eu tiver fazendo apenas papel de idiota? 

— Isso devia ser última coisa a se perguntar — o fitei e Isco virou o rosto para mim sentindo meu olhar. — Porque quando a gente gosta de alguém a gente sempre é idiota. 

Nós dois rimos.

 

Em casa deitado na cama com Rome fiquei imaginando como ela esteve e está. Como foram os cinco meses que passamos separados para ela? Será que foi difícil se acostumar a dormir sem mim? Foi difícil olhar para meu número no seu celular e não poder ligar? Foi difícil não ter nossos domingos preguiçosos, não ter nossas conversas, os dias brincando com Rome na beira da piscina? Ou foi igual a mim agora? 

Porque eu sinto falta de alguém, parece que tem um vazio em tudo, mas não é uma saudade de alguém específico. Não, é apenas uma lacuna que pode ser ocupada por qualquer uma e que se não, se fecharia pela falta de uso. 

Será que esse tempo longe de mim fez bem para ela? Será que o vazio foi preenchido por casos momentâneos? Ou será que o espaço que deixei agora já tinha dono? 

Suspirei olhando para o cachorro. 

— Se você soubesse de alguma coisa me contaria, não contaria? — O shiba fungou virando a cara para a televisão. 

Até ele! 

 

A semana passou mais devagar que o normal, e enquanto a semana passada eu estava muito certo, essa eu fiquei mais temeroso com relação a Mia. Provavelmente porque encarei a realidade de ela ter terminado comigo quando nosso relacionamento estava evoluindo, e que ela ter falado com todas as letras que não queria isso. Olhando por fora parecia loucura eu ainda querer tentar algo com uma pessoa que fez isso, mas ela me deixava tão confuso. Porque, embora essa parte da história, seus atos depois... ela cuidando de mim no dia que cheguei bêbado no treino, o dia no rooftop que passei no limite de mostrei um ciúme que eu nem sabia que existia e ela quase chorou na minha frente e agora essa noite cuidando de Isquito. Foram detalhes, mas detalhes que me davam esperança. E porra! Esperança é uma merda! 

O meu antigo eu estaria rindo de mim agora. Eu só passei por isso uma vez, na época de escola no meu primeiro namoro. Tanto tempo que não ficava nervoso, ansioso, estranhamente sem jeito e inseguro por alguém. E sinceramente não era o tipo de coisa que eu gostaria de sentir novo. Ah! Não mesmo.

Mas enquanto o assunto Mia estava lento e empacado, os dias no clube foram bons. Jogamos em Nise da França, contra o Borussia da Alemanha pela Champions e foi um jogão. 3x2, ganhamos obviamente passando de fase. E por mais que não tenha jogado fiquei muito feliz com resultado. O voo de volta para Madrid foi super animado, Marcelo,  James e Cris fazendo festa no corredor e não deixando ninguém dormir. Inclusive a própria Mia os mandou calar a boca diversas vezes antes de ceder e entrar na brincadeira. 

Quanto a Marina, ela passou lá em casa para pegar suas coisas, mas não a vi estava no treino e quando voltei sua parte do guarda-roupa estava vazia, nem shampoo, nem perfume. E era engraçado que eles estavam a tanto tempo ali que era estranho ver vazio. Ao menos parece que ela não queria me ver e eu entendo, por mais que eu tenha tido todo o cuidado ao falar a verdade, saber que seu namorado está gostando de outra pessoa nunca é algo agradável.

Semana passada, um dia depois do termino meu irmão até me ligou perguntando o que tinha acontecido. Ele é meu melhor amigo, mas eu sabia que se contasse o que fiz ele ia dizer que eu era louco, e ser chamado de louco era a última coisa que eu queria depois de ter me jogado no escuro. Mas ele ficou sabendo pela namorada, Elena, que era a melhor amiga de Marina. Aí já viu, rolou até convencimento para me fazer voltar, para pensar melhor, mas quando ele percebeu que eu estava irredutível, que eu não conseguia mais levar para frente meu relacionamento com Marina e ser feliz ao mesmo tempo parou. Foram horas conversando sobre tudo e no final ele só disse: 

" — Fico feliz por seguir seu coração e ter feito a coisa certa ao contar tudo a Mari. Mas espero mesmo que essa Mia seja tudo isso, que ela reconheça teus sentimentos e os retribua mano! Você merece. " 

É eu também espero...

O jogo do domingo foi no Bernabeu. Zidane me colocou noa titulares após o treino de sexta, que modéstia aparte mandei muito bem, com muitos passes e alguns quase gols. Era minha oportunidade de mostrar que merecia a titularidade, e eu ia lutar por ela. 

Era sempre uma emoção entrar no Santiago Bernabeu, ver a torcida merengue encher todos os patamares de arquibancada, ouvir os gritos pelo Madrid, ouvir as pessoas gritando meu nome quando saia no túnel. Muitas eram crianças como eu a poucos anos, sonhando em estar onde estou agora. Espero que realizem, assim como eu. 

— Vamos ver se o gol sai hoje Asensio — foi o que Zizou disse batendo a mão no meu ombro antes de sair do vestiário.

Fiz o sinal da cruz no peito e pulei com o pé direito na linha que dividia o campo do acostamento. É eu tenho minhas superstições. Seguimos em fila até a formação para o hino espanhol. Na minha frente uma menininha vestia o uniforme padrão do campeonato, comecei a cantar o hino em conjunto com todo o estádio.  

O jogo contra o Las Palmas foi bem animado, pelo menos para nós e principalmente para mim. Logo no primeiro tempo fiz duas assistências para o gol, um de Cris outro de Modric. Já no segundo tempo marquei um gol de fora da área aos 40 do segundo tempo. Assim que toquei na bola um coro se formou do estádio, depois de segundos notei que era meu nome que entoavam. Com o coração acelerado, adrenalina correndo pelas veias segui driblando da nossa área do campo até a beira da grande área do Las Palmas. Na hora a jogada me veio a mente, o ângulo, o momento. Eu apenas chutei dali mesmo, sem marcação, sem zagueiro. Eles se apressaram demais. 

Senti o Bernabeu tremer naquele momento, meu nome gritado como um louvor. Corri até a beira da torcida apontando para o céu. Minha mãe sempre passava na minha cabeça nesses momentos. Parei diante da multidão, eles gritavam, aplaudiam, mais de 70 mil pessoas juntas vibrando por um único motivo. Foi um momento incrível, o futebol era incrível. Lucas pulou nas minhas costas e os meninos vieram atrás. 

Depois da comemoração a beira da arquibancada virei para Zidane e pisquei para o técnico, ele sorriu de volta enquanto um coro ao meu nome era mantido. 

No fim na partida quando saímos do campo, depois de agradecer ao público, Cris esfregou minha cabeça me puxando para baixo do seu braço. 

— Parabéns moleque! Grande partida — eu sorri para ele. Cristiano era com certeza um dos meus ídolos e ouvir um elogio era...porra! Era demais. 

No vestiário foi aquela costumeira bagunça após vitória, alguns ficavam conversando, comemorando, iam checar o celular, outros iam direto para a ducha. 

— Porque vocês homens são tão bagunceiros? — Mia indagou na porta do vestiário, entrando junto comigo. 

Em 3 minutos de descemos do túnel o cômodo já estava revirado. Chuteiras de um lado, toalhas, chinelos, tênis, uniformes do outro. Os caras jogavam camisa um para outro, escova, desodorante. Suas vozes se misturavam em cacofonia. E eu estava tão acostumado com aquele que nunca notei o quão caótico era. 

Eu ri. 

— Pergunte isso a eles, eu não sou assim — apontei para o meu armário todo organizado, mas ela me devolveu com uma cara de deboche. Mia conviveu comigo por meses, sabia que organização não era uma das minhas qualidades. — Ah! Qual é? 

A doutora riu o começou a adentrar o cômodo, gingando para driblar habilidosamente cada um. Se eu já ficava com ciúmes por ela cuidar de cada um dos meu amigos antes, agora que ela tem acesso livre e fica perambulando pelo vestiário com tanto homem seminu ( que nem todos eu confio cá entre nós ) isso vai ficar cada vez complicado.  

Mas era o trabalho dela, cabe a mim respeitar e controlar-me, certo? 

Um tempo mais tarde Sergio chegou com a camisa comemorativa de 400 jogos pelo Real Madrid do Marcelo, e era sempre um momento especial quando alguém recebia algo assim. Todos o parabenizamos, com brincadeirinhas aparte ( quando não tinha, não é? ).

— Estão todos vestidinhos, não estão? — Gritou Mia na porta. 

— Nem todos! — Gritou Cris, todos riram e mais piadinhas foram feitas mas baixas e tão simultâneas que duvido que ela entendesse algo.

— É uma paisagem que vai ter que se acostumar doutora — brincou Nacho entrei as vozes. 

Nada de se acostumar com porra nenhuma Nacho! Que história, é essa? 

— Entra logo Mia! — Sergio berrou e outros se juntaram a ele. 

Eu não nego, que algumas piadas me incomodaram, mas eu levei na brincadeira, até porque era o que era. Os caras tem muito respeito pela Mia e sabiam os limites da amizade que tinham. 

— Ah! Vão se foder — berrou entrando com as mãos nos olhos, o que gerou algumas risadas. 

Tom, o fotógrafo entrou atrás dela. E ao contrário da doutora seus olhos astutos varreram todo o cômodo. Sempre desconfiei que ele fosse gay.

— Tira a mão dos olhos Mia! — Marcelo berrou e ela abriu apenas uma fresta olhando ao redor. 

Eu ri. 

— Tudo bem, estão comportados — disse ao abaixar a mão.

— Nós somos rapazes comportados — Casemiro disse a fazendo dar uma risada sarcástica. 

— Eu não entendi a risada, vocês entenderam? — Cris indagou recebendo vários negativos como resposta, inclusive meu. 

— Ah vamos! Juntem logo para a foto! — Mia gritou empurrando Tom para frente.

Lucas, James e Modric ainda com a roupa do jogo se jogaram no chão. Alguns de nós haviam acabado de sair do banho, eu era um exemplo dos que estava indo. Por isso segurei a toalha na cintura e subi em um dos bancos para aparecer. 

— Sorriam seus cornos! — Marcelo gritou entre dentes e todos o fizemos. Em seguida o flashe disparou. 

 

 

Fui o último a ficar no vestiário, eu demorava um pouco no banho e por isso me forçaram a ir por último. 

Passei a camisa pela cabeça e me olhei no espelho passando a escola pelos cabelos e por último o perfume. 

De repente ouvi a porta bater no trinco. Me virei vendo Mia entrar, ela também pareceu surpresa ao me ver. 

— Ah! Você ainda está aqui — sorriu timidamente e o corpo se encolheu levemente pela surpresa. Sorri de canto. 

— Banho longo, final da fila — expliquei e ela riu seguindo até um armário vazio e sem dono. Era onde geralmente ficavam instrumentos de trabalho dos fisioterapeutas e preparadores físicos.

— Eu esqueci minha bolsa — falou também. 

Eu juntava minhas coisas na mochila e ela fazia o mesmo do outro lado. O silêncio entre nós, apenas o barulho do movimento dos nossos objetos preenchendo o ambiente. 

Meu cérebro mandava meu falar com ela, puxar assunto, tentar um aproximação, qualquer que fosse, mas eu estava travado, receoso e nada me vinha a cabeça. 

Ela terminou antes de mim e me vi perdendo a oportunidade novamente por pensar demais, então falei: 

— Me espera? — Mia hesitou um segundo antes de sorrir e anuir. 

— Claro! — Sentou no banco apoiando-se nas palmas das mãos. 

Sorri em agradecimento e me virei de volta para arrumar tudo. 

" Idiota! Não tinha uma desculpa menos óbvia não? O que vai falar agora?" — Meu subconsciente rosnou. 

A ouvi bater o pé contra uma das pernas do banco repetidas vezes, respirei fundo. 

Mas também o que adianta ficar enrolando? 

— Mia já se passaram mais de seis meses desde que a gente terminou, acho que somos maduros o suficiente para agir naturalmente um com outro, não acha? — Me virei para ela jogando a mochila no ombro. 

A doutorara parou qualquer movimento atônita, ao menos nos primeiros segundos. Internamente também hesitei. Será que tinha sido direto demais? 

— Como amigos? —  Perguntou e juro que lutei para meus ombros não caírem e meu rosto não refletir a decepção que aquela causava dentro de mim. 

Amigos...eu não queria ser apenas amigo dela. Mas ser amigo é melhor do que ser nada. 

Então eu formulei um sorriso. 

— É, o que acha? — Mia sorriu. 

— Acho ótimo, o que passou passou — sorri mais, aliviado. 

— Que bom, que bom que pensa assim — ela se levantou e começamos a caminhar juntos para fora. 

— Aliás, jogou muito bem hoje — parecia que um peso tinha saído dos seus ombros, ela estava bem menos tensa. 

— Valeu, os treinos extra valeram a pena afinal — a doutora riu e eu ri também. 

Caminhamos pelo corredor conversando até o ônibus que esperava para nos levar a Valdebebas. Assim que sentei ao lado de Isco senti um enorme alívio, parece finalmente consegui quebrar a parece gelada entre nós dois. 

— Parece que estão se ajeitando — meu amigo observou apontando com o queixo para Mia sentada mais a frente ao lado de Javier. 

—  Somos amigos — sorri. Nunca pensei que fosse falar isso sorrindo, mas estamos aqui. 

Isco arqueou de leve a sobrancelha. 

— Já é um começo. 

 

E depois desse dia realmente fomos amigos. De brincar no treino, conversar no almoço, ter piadas internas, zoar um ao outro. Até saímos juntos com Am e Isco para resolver coisas do casamento, os dois queriam fazer isso o mais rápido possível, provavelmente em agosto. E eu estava feliz que tínhamos conseguido superar o passado, de verdade, mas parecia que nossa relação estava realmente se encaminhando para apenas uma amizade. Não era como antes, quando existia um fundo de flerte. E aquilo passou a me encomendar a medida que fui percebendo. Por mais que eu soltasse sutis deixas ela nunca retribuía, na realidade lhe dava como se não percebesse. 

Isco disse que eu devia ser mais direto, mais transparente, mas eu ficava receoso de demostrar demais e me magoar de novo. 

Porra! Eu costumava ser tão confiante, o que Mia fez comigo? Onde estava aquele Marco que a fez se atrair? 

Isco tinha razão, quando gostamos de alguém sempre ficamos idiota. 

 

P.O.V Mia 

 

Eric se acalmou um pouco desde aquela situação dos e-mails, imagino de seja pela quantidade de trabalho, porque no fundo sinto que ele está planejando algo bem maior e mais prejudicial. Mas tento ignorar esse agouro, talvez ele pode ter simplesmente desistido. 

Fora a presença do Dr.Lopes o trabalho tem sido incrível, ir aos jogos e assistir tudo no melhor lugar, o convívio com os meninos, nas viagens, no vestiário, eu não achei que fosse ser tão divertido fazer realmente parte daquilo. Tinha seus pontos negativos, o cansaço, não voltar todo dia para casa, não ter final de semana muitas vezes, mas a valia a pena. 

E eu também tinha outras obrigações, como madrinha Am me convocou a um jantar de planejamento. Quando cheguei lá, vi ela, Isco e Marco na mesa. Me juntei a eles e foi uma noite em agradável, até porque eu e Marco éramos oficialmente amigos novamente e nossa relação melhorou uns 1000% desde então. Am e Isco explicaram que queriam casar o mais rápido e estavam pensando em fazer isso depois da Copa, mas ficava muito em cima da hora par planejar tudo, ainda mais com um evento como a Copa tomando o tempo do noivo que seria convocado pela Seleção Espanhola. Então decidiram que fariam isso em agosto, mesmo que isso implicasse casar no meio de um início de temporada e não ter tempo para uma lua de mel. 

" — Não tem problema, faremos a lua de mel antes e várias outras depois." — Am falou nos fazendo rir. 

E eles nos chamaram porque iam precisar muito da nossa ajuda, principalmente da minha ( porque Marco provavelmente seria convocado também ), para fazer tudo acontecer nesse pouco tempo. Decoração, bufet, bolo, vestido, cerimonial, lugar, religioso ou civil, ainda a burocracia para trazer os parentes de Am para cá, ou seja, passagem, hospedagem...e por aí vai. E conhecendo Am sei que ela não vai quer um casamento simples, não mesmo! E Isco pareceu super animado com a ideia de festa também, até porque ele nunca foi casado no papel. Seria a primeira vez de ambos. 

"— Então, já tem algum lugar na cabeça? — Perguntei. 

— Campo — ambos falaram juntos e depois riram um para o outro. Eles estavam tão apaixonados que dava vontade de se apaixonar também. 

Lembrei de Lewis quando o pensamento me veio a cabeça, o momento que ele deixou claro que sentia mais por mim do que um carinho de amigo. Mas será que ele era a pessoa? Será que nós podíamos ser um casal de verdade? Desde que tudo aconteceu em Mônaco eu tenho pensado nisso, e as vezes não me parecia uma ideia ruim, pelo contrário. 

— Legal, e em que região pensam? Tipo que área do país? 

— Ah! Acho que algo mais perto de Madrid, mas com essa pegada. Talvez uma fazenda — Am explicou e o seu noivo anuiu. Dei um gole no vinho. 

— Bom, acho que já podemos ir fazendo algumas pesquisas, pontuar as fazendas próximas da região metropolitana e ver qual que recebe eventos e se encaixa no que vocês tem na cabeça — falei. 

Isco fez careta e virou para Am. 

— Bem que você disse que ela seria uma ótima madrinha — disse e eu sorri tímida. Amanda sorriu também. 

— Mia é a eficiência em pessoa, não tinha escolha melhor — ela pegou minha mão por cima da mesa, a dei uma piscadela. 

— Eu to vendo que vou ter que correr muito para me aproximar dos seus pés — Marco falou para mim após um gole na sua água com gás.

Virei o rosto para ele e neguei. 

— Até parece, você é ótimo em corrida pelo que me lembre — Am e Isco riram. 

Marco sorriu.

— Não nessa modalidade. Mas espero estar pelo menos a sua altura no dia da cerimônia, doutora.

Eu ri. 

— Acho bom escolher um terno digno então — entrei na brincadeira e ele riu também. 

— Não precisará se preocupar se for comigo escolhê-lo — seus olhos se focaram nos meus e a cabeça se inclinou um pouco enquanto as sobrancelhas arquearam uma vez enfatizando a proposta. 

Sorri e colei as costas da cadeira com a taça bojuda de vinho entre os dedos.

— Sempre esperto Asensio — o jogador deu de ombros. 

— Você tem bem gosto. 

— Tudo bem, podemos fazer isso — sorriu ele." 

A conversa foi tão boa que ficamos até uma hora da manhã no restaurante, não falando só sobre o casamento, mas sobre a vida, escolhas que nós fazem saber da zona de conforto.

" —...porque namorar Am foi algo que me fez sair da zona de conforto totalmente, entende? E nossa foi uma das melhores decisões que tomei na vida — Am apertou a mão dele a alisando. — Por isso eu digo, as melhores coisas acontecem depois de decisões difíceis. Às vezes precisamos abdicar de algo, de alguém, de uma situação para ter muito mais depois.

" As melhores coisas acontecem depois de uma decisões difíceis." — Repeti na minha mente. Decidi deixar meu país, minha família para estar estudar em um dos melhores centros de fisioterapia do mundo, decidi então abandonar a oportunidade de um emprego lá para trabalhar no melhor time do mundo. Foram todas decisões difíceis, todas feitas quando eu não tinha certeza se ia dar certo, quando eu tinha tanto a perder caso não conseguisse. Mas todas me levaram a onde estou, todas valeram a pena. 

Será que o mesmo vale para o coração? Será que eu devo me abrir para alguém mesmo depois de tantos machucados e experiências ruins? Será que vale a pena sair da minha zona de conforto para trazer alguém para minha vida? Alguém que não estaria o tempo todo presente, alguém que viveria no mundo e que eu não poderia acompanhar? 

— Vocês abdicariam de tudo por amor? — Perguntei sem pensar, como se meu corpo soubesse que eu precisava das respostas. 

Isco e Am se olharam e sorrindo disseram: 

— Abdicaria. 

Não esperava uma resposta de Marco, mas ouvi ele respirar fundo ensaiando a fala e me virei em sua direção:

— É engraçado porque a um tempo atrás se perguntassem isso eu riria e diria que não, que existiam coisas mais importantes, mas... — ele ergue os olhos da toalha da mesa. —... hoje eu sinto que mais vale viver a vida com alguém que ama do que viver uma vida perfeita. 

Sorri de canto para ele. Se o Marco de hoje fosse o mesmo dessa época eu acho que não teria tanto medo de me entregar. Mas nossa época passou, e ele está falando isso para Marina. Ela despertou esse amadurecimento nele, ela o fez amá-la tanto a ponto de ele repensar em tudo. 

Talvez se eu repensar também...se eu der uma chance de meu coração voltar a bater forte por alguém...talvez eu pense como eles. Talvez eu consiga enxergar a pessoa certa. 

— E você amiga, abdicaria de tudo por um amor? — Suspirei. 

— É, eu to pensando nisso — fui sincera."

Estou pensando isso até hoje e toda vez que falo com Lewis os muros que criei vão ruindo, mas ainda não consigo dizer a ele, minha racionalidade me impede sempre que estou prestes a o fazer. 

Pense melhor, espere o momento certo, por celular não, uma conversa pessoalmente, precisa de mais tempo. 

Bom, ao menos eu teria mais tempo que o normal porque essa semana boa parte do time foi convocada para o amistoso pré-copa e não teríamos jogos oficiais pelo calandrado de nenhum campeonato, em compensação semana que vem seria trabalho dobrado. 

Sentada no banco a beira do campo de treinamento fazia minha anotações sobre os jogadores convocados, todas seriam passadas para Javier para que encaminhasse as equipes médicas. 

Estava tão absorta ao Ipad que só percebi que Marco estava sentado ao meu lado bebendo água quando ele perguntou: 

— Ta fazendo o que? — Eu virei rápido pela surpresa e ele sorriu notando. 

— Anotações sobre o estado físico dos convocados — expliquei, um grunhido de entendimento soou dos lábios do jogador, ele olhava para o campo e eu não parava de escrever.

— Você vai? — Franzi o cenho. 

— Para onde? — Ele riu e eu virei o rosto em sua direção. 

— Para o jogo Mia — eu ri da minha própria lentidão e ele fungou. Neguei com a cabeça. 

O jogo da Espanha e Alemanha, em Lyon. Era isso a que ele se referia.

— Não, não recebi convites — era brincadeira, óbvio. Eu tinha muita coisa para pensar aqui e um tempo sem jogos e adrenalina também ajudasse. 

— Não seja por isso. Eu tenho convites, quer ir? 

Eu poderia negar. Mas o não travou na minha garganta. Seria muito chato dizer não e seria tão legal assistir um Espanha x Alemanha. Um jogão!

— Porque não? — Ele sorriu e eu sorri também. 

— Vai ser legal — falou como se tivesse que me assegurar isso para que eu fosse.

— Asensio! — o jogador e eu olhamos na direção da voz, era Mallo o chamando. — Menos papo, mais trabalho! — Gesticulou avidamente para o camisa 20 voltar. 

Marco se levantou e deixou a garrafa no banco. 

— A gente se vê lá — falou antes de voltar ao treino com um sorriso amigável. 

— A gente se vê — sorri de volta. 

E suspirei voltando a olhar para a tela do iPad. 

É, vai ser legal! 

 

…  

 

Quatro dias depois estávamos eu, Am, Sarah e mais as mulheres dos jogadores que haviam sido convocados pegando o voo para Lyon na França. Mac, mulher de Lucas, nos explicou que geralmente elas viajam dos juntas em época de jogos amistosos para uma ajudar a outra no que podem vir a precisar. Todas de executiva, riquíssimas, plenas com suas bolsas de marca e os herdeiros lindos. Bom, mas isso porque não mencionei as que vão de jatinho né!  

— O mundo encantado das wags! — Cantarolei para Am, Isco havia dado uma passagem para ela de executiva, mas como eu e Sarah compramos econômica ela trocou para ficar conosco. 

— O seu mundo agora bebê — Sarah falou do outro lado. 

Am suspirou enquanto passávamos pelas poltronas largas e replicáveis da executiva. Mac, esposa de Lucas, acenou para nós três e namorada de Cavarjal sorriu.

— Me diz mesmo porque eu desisti de tomar champanhe na primeira classe para ficar com vocês? — Am falou assim que chegamos a econômica, lotada, apertada e com crianças, muitas crianças. 

— Porque você ama a gente — falei e nós a abraçamos com força. 

— Me arrependendo em 10, 9, 8... 

 

… 

 

O Parc Olympique Lyonnais estava com os 59.186 lugares lotados, não havia uma torcida definida, alguns de vermelho e amarelo outros de branco, ou tem time declarado. Eu disse a todos que não estava torcendo por nenhum time específico, mas no fundo eu tinha uma quedinha pela Espanha, primeiro por remorsos do 7x1, segundo porque a maioria dos meus amigos estava na Fúria. Kroos ficaria decepcionado, mas juro que cometo se ele fizer gol. Nós ficamos nos assentos acima do banco Espanhol, Am tinha comprado quase toda lanchonete, mas ela comia quando ficava ansiosa. A cada segundo a via enfiando alguma coisa na boca, pipoca, cachorro quente, fini, chocolate e por ia vai. Quanto a eu e Sarah ficamos na batata e na cerveja, afinal eu agora estava vendo um jogo livre. Sem a pressão de ter que estar atenta ou tensa com o resultado.

O jogo começou as três e meia da tarde, primeiro tocou o hino da Alemanha e depois o da Espanha. Am e Sarah com as camisas da seleção cantaram ( Am enrolou ) de forma patriótica. 

— Garota se enxerga, você é brasileira — falei para Amanda. 

— Cala boa Mia! Você a única ridícula que ta imparcial nesse jogo — Sarah atacou-me. Fiz careta de deboche e levei o copo a boca. 

— Ui! — Cantarolei antes de dar um gole. 

Isco, Marco e Sergio entraram como titulares, Isco 22, Marco 20 e Sergio 15. Observei a formação escolhida por Lopetegui, De Gea como guarda redes, uma linha de 4 zagueiros, Sergio, Piqué, Alba e Odriozola ( emprestado do Real para o Sociedad ), depois outra linha de 4 meias, Isco, Iniesta, Busquets e Saúl, então 3 atacantes, Asensio, Diego Costa ( brasileiro, mas naturalizado espanhol )  e Rodrigo. Era um time sólido, com os ganhadores da copa de 2010 e o melhor da atual geração. Mas do outro lado tinha a atual atual campeã do mundo, a seleção alemã. Eu não nego, tenho respeito pela alemã desde que última copa. Não medo, respeito. É importante mencionar que eles se classificaram com 100% de aproveitamento nas eliminatórias europeias e primeiro lugar no grupo C. Fora que muitos dos jogadores de 2014 estavam presentes hoje, Kroos, Ozil, Muller, Mario Gomez... Neuer infelizmente não foi convocado, estava lesionado e era dúvida até para a copa. Estudei o caso dele, era uma lesão chata no pé, mas com o tratamento certo e absoluto repouso conseguiria voltar a tempo. Kevin Trapp ficou no seu lugar, e sua namorada Izabel Goulart, a modelo brasileira, estava bem do outro lado da escada. Era um casal lindo, admito. 

Era o embate de gigantes, campeões mundiais com artilharia pesada. Se tem uma coisa que esse jogo não seria é chato. E começou a todo vapor, rebotes, corridas pela lateral, chutes a gol, defesas incríveis. Dez minutos de jogo e eu já tinha gritado o suficiente para fazer minha garganta arder. 

Aos 40 do primeiro tempo não houve gols, mas chances não faltaram, na realidade o resultado é culpa apenas dos goleiros e da zaga muito bem montada de cada time. Parece que os técnicos estudaram muito bem o estilo de jogo um do outro. 

— Merda! Esse numero 18 é uma petica! — Sarah xingou assim que o loirinho tirou a bola de Diego com um passe muito bom.  

O árbitro apitou aos 49 do segundo tempo, sem gols ainda. Os jogadores saíram aplaudidos pelo público. Mas porra eu queria gols! 

Eu e Sarah fomos no banheiro e depois fomos pegar mais cerveja no intervalo, mas as filas estavam tão grandes que quando voltamos o jogo na tinha recomeçado. 

Se o primeiro tempo foi animado, o segundo começou mais lento, senti os jogadores mais retraídos e cansados. Mas depois que o primeiro gol saiu aos 17 do segundo tempo, Reus sendo o autor, as coisas voltaram a se animar. Cinco minutos depois o gol foi de Iniesta com uma assistência brilhante de Marco.  

Eu e as meninas pulamos dos bancos gritando juntas. Quase derrubei a cerveja na empolgação. E era ainda mais emocionante por ser de Iniesta, já que aquele seria um dos seus últimos jogos na seleção. 

A felicidade com o empate durou pouco porque de um escanteio saiu o passe de Kroos que resultou no gol de Ozil. Os alemães foram a loucura, Am e Sarah xingaram pesado do meu lado. Eu bufei. 

Foram 20 minutos de jogo com a Alemanha dominando da bola, salvos de levar gol pelas mãos mágicas de De Gea, porque tanto Sergio e Pique não estavam nos seus melhores dias. 

O que aconteceu com os deuses da zaga justamente hoje? 

Mas graças a Deus Marco estava. A jogada começou de uma roubada de bola de Pique, que jogou para Iniesta que cruzou para Isco. O camisa 22 correu pela lateral direita como um raio e jogou para Marco já dentro da área em um arco alto e longo. Marco ajeitou a bola e fintou Ginter para chutar por entre as pernas dele atingindo o gol com um Trapp a milímetros de distância. 

A voz do narrador soou alto em meio a cacofonia da torcida eufóricas: 

— Goooool! 

— Ae porra! — Gritamos pulando de novo dos bancos. 

Marco e Isco saíram correndo na direção da torcida e juntos comemoraram sendo logo abraçados pelos demais companheiros de equipe. 

O jogo terminou empatado, o que eu achei muito justo porque as equipes foram muito equilibradas, ambas mereciam ganhar. Pra quem gosta de futebol, foi um jogo incrível de se ver. Bom futebol, limpo, muito técnico, mas também com uma pitada de paixão latina. 

O árbitro mal terminou de apitar no meio de campo e já fomos levantando e seguindo para o  vestiário. Todas tínhamos ganhado credenciais de acesso livre e queríamos parabenizar os rapazes pela partida. 

Descemos pelas escadas nos esgueirando entre a multidão que deixava o estádio. 

— Eu disse que devíamos ter saído antes — Sarah resmungou. 

— Mas eu queria ver até o final, vai que saía algum gol inesperado? —  Respondi e ela revirou os olhos.

Cortando o fluxo seguimos um patamar mais a baixo, os corredores de tijolos de concreto pintado de branco davam na área restrita apenas para pessoal autorizado. 

— Viemos falar com nossos amigos — Sarah explicou ao segurança na porta para os corredores que davam nos vestiários. 

O homem mal olhou para as credenciais. 

— Só pessoas autorizadas — repetiu a fala de quanto chegamos.

Sarah respirou fundo. 

— Moço, nós temos credenciais — Am falou e aí sim ele deu olha passada rápida pelos cartões pendurados no nosso pescoço.  

— Vocês são o que? 

— Eu sou noiva de um dos jogadores, Isco — ela já estava ficando um pouco alterada. 

— Desculpe, não acompanho futebol espanhol — vi que Am abriu a boca e pela sua cara nada que nos ajudasse sairia de lá, então me coloquei a frente: 

— Senhor, eu entendo que só possa passar pessoas autorizadas, é seu trabalho, mas nós gostaríamos muito de falar com nossos amigos, eles disseram que as credenciais funcionariam, mas caso não podemos li...

— Eu conheço você — me interrompeu e eu parei. — Você é aquela fisioterapeuta que ficou com Griezmann — me recolhi corando um pouco. — Eu sabia que conhecia você de algum lugar — ele abriu um sorriso satisfeito e colocou a mão na cintura me analisando por completo. — Bom, tudo bem, podem passar. 

Formulei um sorriso de agradecimento, não era a forma que eu gostaria de ser reconhecida, mas...

— Salvas pela fama de Mia! — Am brincou assim que já havíamos tomado uma certa distância na porta.

— Pelo menos essa merda serviu pra alguma coisa — resmunguei.

— Eu não acompanho futebol espanhol? Vocês sentiram o menosprezo ou foi só eu? — Sarah perguntou indignada. 

— O cara é um babaca. 

Caminhamos até achar o burburinho masculino no corredor. A seleção espanhola aqui e a alemã no corredor do lado, justamente para evitar um contato que pudesse gerar confusão. Mas hoje eles estavam todos misturados no corredor transversal, conversando, trocando camisas, tirando foto. Afinal, muitos eram amigos ou jogam ou já jogaram no mesmo time.

Sergio foi o primeiro a nos ver e sorriu nos chamando. Isco já foi puxando Am para si assim que a viu, beijos e abraços até umas horas ( até parece que passaram um mês separados, mas pra quem ama 2 dias já é uma eternidade, imagina 4 ). Sarah e eu fomos falando com os meninos, Nacho, Marco, Cavarjal, Vazquez, Kroos e Sergio fez questão de nos apresentar os demais jogadores do time assim como os alemães. Parabenizei todos pelo jogo e ficamos conversando um pouco. 

— Curtiram o jogo? — Sergio perguntou para nós duas com o braço ao redor no meu pescoço. 

— Foi demais, vocês mandaram muito bem — falei a todos, eles sorriram. 

— Mas um parabéns especial vai pro menino Asensio — Cavarjal puxou Marco pelos ombros e esfregou seus cabelos como um irmão mais velho faz. Creio que ele é o mais novo do cartel espanhol, e até a pouco também era o mais novo do Real também. O caçula de todos.

Marco sorriu um pouco sem graça. Todos nós rimos. 

— É verdade, a assistência e o gol foram uma pintura! — Ele me fitou e o sorriso se alargou um pouco, as bochechas ficando mais rubras também. 

— Valeu Mia! 

— Era para vocês terem ganhado, ainda to mal por aquela bola tua não ter entrado — Sarah falou para Diego. 

— Nem me fale, foi por pouco — Diego fez careta. 

— Mas ainda tem mais dois jogos antes da Copa pra aproveitar — Iniesta falou dando tapinhas no ombro do jogador do Atlético de Madrid. 

— Espero que todos sejamos convocados — Vazquez diz olhando para os companheiros de time.

— Pelo estilo de Lopetequi, acho que temos chance — Pique passa a mão pelos cabelos castanhos claro.

Shakira mana de sorte. Que homem! 

— Você fala como se não fosse ser convocado — Cavarjal debocha.

Eles começaram a se zoar e eu percebi uma coisa.

— Amiga, o petica não tira os olhos de você — murmurei no ouvido de Sarah. A ruiva sabia muito bem de quem eu estava falando, passamos boa parte do jogo xingando ele, e discretamente varreu os arredores. 

Pela virão periférica vi ambos trocaram olhares. O loiro estava em uma roda com Kroos e mais dois alemães que já esqueci o nome. 

Hum...

— Tem cara de novinho cheirando a leite — ela comentou olhando ao redor para se não quisesse nada. 

Eu sorri. 

— Como se você não gostasse desse leite — murmurei e ela gargalhou. 

— Meninas, vocês vão para a festa mais tarde não vão? — Lucas perguntou. 

— Que festa? 

 

 

O rooffop do hotel onde estava hospedada a seleção espanhola pulsava ao som de In My Feelings - Drake. Mas não era apenas os espanhóis na festa, os alemães também foram convidados. Eu, Sarah e Am entramos em busca de rostos conhecidos, porque havia muito mais gente do que apenas os times. Óbvio que cada um ia chamar amigos, mulheres...com certeza tem muito mia mulheres do que imaginei que teria. 

Isco logo nos achou, ou melhor achou Am, nos levou para um dos gazebos na cobertura onde alguns conhecidos estavam sentados bebendo. Sergio e Pilar, Lucas e Mac, Cavarjal, a namorada, Diego e sua mulher ( só faltou o Piqué com a Shakira, Poxa eu queria tanto conhecer a Shakira ). As meninas me serviram do vinho verde que dividiam e logo nos integraram na conversa. 

— Não vou ficar aqui com esse bando de casal enquanto tem um bocado de homem solteiro gato nessa festa! — Ginger falou apenas para que eu ouvisse, já tinha sentido sua impaciência com a situação a um tempo. Mas ela ao menos me deixou responder e já foi falando: 

— Gente, vamos no bar pegar mais bebida, da licença — e me puxou consigo.

— Sarah estávamos conversando — rosnei. 

— Conversando sobre família e filhos na copa? Até entendo a Am entrar no papo porque ela mais cedo ou mais tarde vai fazer parte desse mundo, mas você? Ah gatita, você ta solteira pelo amor de Deus! 

Eu ri. 

— E Nacho hein? 

— Se eu não ficar com ninguém e ele também não...já sabemos para onde correr — revirei os olhos. 

Ai, ai, esses dois. 

— Você é uma peste, não tem jeito mesmo né!? — A ruiva suspirou piscando os olhos. 

— Eu sou a peste que salvou sua noite, amor. 

Fomos até o bar bem próximo a piscina de borda infinita toda iluminada com vista para a cidade de Lyon. Era uma bela cidade pelo pouco que vi, pena que não teria tempo de conhecer mais. O máximo que fizemos foi ir a uma rua de lojas comprar roupas para essa festa que realmente não estávamos esperando. Eu comprei uma saia curta branca daquelas mais justinhas e uma blusa tipo de moletom, embora curta, na loja da adidas. Ambos brancos com o símbolo da adidas pequeno na lateral em rosa claro. Completei o look com um tênis, porque eu não era obrigada a comprar sapatos também. 

Pegamos nossas bebidas e fomos direto para a pista de dança ao som de um remix de Lucid Dreams - Juice WRLD. Sarah e eu rebolamos ( sim, rebolávamos em qualquer música até Bach ) enquanto cantávamos todas as músicas da setlist. Mas a coisa ficou boa mesmo quando começou a tocar Reggaton. Aí já viu né! Nos acabamos na pista de dança. Íamos até o chão bem devagar e subíamos rebolando, gingávamos, riamos, brincávamos com a distância de nossos corpos, com nossos cabelos, com os quadris. 

A medida que bebia o álcool me deixava mais solta, mas eu sabia bem os meus limites para não fazer algo que me arrependesse depois. Tinha gente desconhecida demais aqui. Bom, eu só queria me divertir mesmo. 

Sarah apareceu dançando com Isco e logo vi Nacho com uma loira no meio da multidão. Alguns jogadores alemãs dançavam também, do jeito deles, mas dançavam. Sarah disse que tinha vários nos olhando, mas eu sinceramente não estava me importando. Ela queria pegar alguém, eu só queria curtir. 

Quando a bebida acabou pela segunda vez voltamos ao bar para pedir mais. 

— Eu não pedi isso — Sarah falou, mas o barman já estava longe atendendo outra pessoa. — Ei! Moço! — Ela tentou sinalizar, mas foi inútil. — E agora? — Virou para mim. 

Busquei o outro barman, mas ele parecia bem ocupado também. 

— Acho que trocaram nossas bebidas — a voz veio de um rapaz atrás dela. Sarah virou para ele e eu o reconheci. O camisa 18 petica. 

Comprimimos lábios dando um gole no meu gim com tônica.

— Ah! Obrigada, o serviço está ficando caótico — ele sorriu, até que era gatinho. 

— Isso aqui está ficando caótico — reformulou em um inglês com um bom sotaque alemão. Sarah riu. 

— Prazer, eu sou Joshua Kimmich, mas todo mundo me chama de Kimmich — estendeu a mão para ginger e ela o cumprimentou. 

— É, eu sei eu e minha amiga passamos o jogo todo xingando você pelas defesas — ela apontou para mim. O jogador alemão riu e acenou para mim, sorri. — Por sinal, eu sou Sarah. 

— Sarah, é bom saber que fui o desespero da torcida adversária, mas eu espero que não tenha guardado mágoas. Detestaria saber que a mulher que observei a noite toda me odeia. 

Eita! Não é que ele era direto? Um ponto para o petica. 

Sarah sorriu colocando uma mecha do cabelo para trás da orelha. 

— Ah, não se preocupe, eu sei separar profissional e pessoal — piscou. 

Ok, começou o flerte. 

Ainda bem que ginger não levava pro lado pessoal, porque ela o chamou de corno e filho da puta várias vezes. Mas nada pessoal.

Deixei os dois conversando e comecei a observar ao redor. As pessoas conversando, dançando, rindo. O rooftop não era tão grande, mas era o suficiente, e estava em sua maior parte escuro, iluminado por luzes pontuais, pelas estrelas e lua e por luzes magenta. Vários gazebos se estendiam pelo local, com sofás e puffs confortáveis, mas todas as espreguiçadeiras haviam sido retiradas. Afinal, para que serviriam? 

— Não é Mia? — Virei na direção da ruiva e percebi que agora ao lado de Joshua tinha outro loiro. 

— O que? 

— Estava falando que o jogo foi muito bom e que eles foram ótimos — ela repetiu para mim. 

— Ah sim! Comentei isso com os meninos, foi tudo muito equilibrado. Achei um placar justo porque ambos deviam ter ganhado — os dois anuíram, mas pareceram surpresos com minha visão do jogo. 

— Fala com propriedade, parece que entende de futebol — o loiro amigo de Kimmich falou me olhando nos olhos. 

Eu sorri de canto.

— Sou fisioterapeuta desportista, é por isso — expliquei. — Fora o fato de ser amante do esporte. 

— Ela é fisioterapeuta do Real Madrid, a melhor de todas — Sarah propagou e se ambos já pareciam impressionados ficaram mais ainda depois desse plus. 

— Nossa! Parece tão jovem para isso — o outro alemão falou. 

— É, eu sou um pouco precoce — ele sorriu. 

— E também muito modesta pelo visto — sorri fraco um pouco encabulada. — Você deve ser incrível para conseguir isso — neguei. 

— Não, eu só amo o que eu faço — dei de ombros. 

— Mia, não é? — Anuí. — Sou Matthias Ginter. 

Ah sim! O cara que levou uma caneta de Marco. 

Aos poucos Sarah e Joshua ficaram conversando sozinhos um papo deles e o jogador loiro se aproximou mais de mim. Ele era legal, o papo fluiu sobre futebol e ele fez vários elogios por eu ser mulher e saber tanto, o que eu achei um pouco machista, mas ignorei porque não estava afim de animosidade. 

Até que em um momento Sarah e Joshua avisaram que iam para a pista de dança e eu olhei para ela um pouco desesperada por ela me deixar sozinha com o alemão. Mas pela piscadela dela percebi que foi tudo um plano. Ela e Joshua, eu e Matthias. 

Ah que lindo! 

Eu e o número 4 acompanhamos os dois com os olhos, mas eles não pararam a pista e sim seguiram para o roll dos elevadores.

— Parece que eles estão querendo ficar mais íntimos — Matthias disse diminuindo sutilmente a distância entre nós. 

— Pois é — sorri amarelo e olhei ao redor buscando uma forma de fugir sem ser grosseira. 

— Sabe, Mia eu te achei a mulher mais linda dessa festa desde que coloquei os olhos em você — a voz se tornou mais grave, e seu rosto adornou um pouco para ficar mais perto do meu. 

Ah porra! 

— Matthias não — foi a única coisa que consegui dizer, minhas mãos suavam, mas meu corpo estava congelado.

Mas ele ignorou sorriu galante e deslizou para mais perto, cada vez mais perto. 

Não! Não! 

— Ah Mia! Vamos lá! Que tal se a gente... 

Então uma mão passou pela minha cintura e um corpo encostou no meu.  

— Amor, desculpa a demora, os caras me prenderam lá em baixo — Marco falou e eu entendi o que ele estava fazendo. 

Quase suspirei de alívio ao ver Ginter se afastar. 

— Tudo bem, só não demora tanto da próxima — o espanhol sorriu e virou para o loiro. 

— Eai, cara! Tudo bem? — Falou olhando diretamente nos olhos do alemão, uma ameaça cínica. 

— Tudo certo, cara — Matthias não foi tão cínico quanto, porque seus olhos piscaram de medo. — Mia, foi um prazer, a gente se vê por aí — ele desviou para mim e formulou um sorriso amigável bem diferente do malicioso cheio de segundas intenções de antes. 

Eu não devolvi o sorriso, se quer olhei para ele enquanto se retirava para longe. 

— Você está bem? — Marco alisou minha cintura.

— Eu não estava conseguindo reagir, eu disse não, mas ele... — ele me puxou mais para si e me abraçou. 

Sentir seus braços ao redor de mim me fez relaxar. Meus ombros caíram e soltei o ar que nem percebi que prendia. Fechei os olhos e inspirei algumas vezes. O seu perfume preencheu minhas narinas, e ele era tão bom... 

— Obrigada — sussurrei enquanto Asensio afagou minhas costas. 

— Não foi nada — sussurrou de volta.

Inspirei mais uma vez para me afastar um pouco, já mais calma. Não era certo ficar abraçando um cara comprometido, por mais que fossemos amigos e tudo mais. Embora eu tenha achado estranho ela não estar aqui, mas devia ter tido algum compromisso de Miss.

— Sério mesmo, eu não sei o que aconteceria se você não tivesse aparecido — Marco sorriu fraco. 

— É ridículo como esses caras só respeitam na presença de outro homem — um suspiro pesado escapou dos meus lábios.

— Parece que o não de uma mulher não vale de nada. 

— Sinto muito que tenha passado por isso, Mia. Mas se sentir melhor eu posso quebrar a cara do filho da mãe, fiquei afim desde que vi sua cara desespero — os seus músculos tencionaram como se tivesse se preparando para uma briga, mas neguei. 

— Não, isso não vai fazer ele aprender nada e pode prejudicar você — ele relaxou, um pouco decepcionado. — Acho que eu só quero um lugar mais calmo agora — falei olhando para o céu, de repente toda aquela festa, toda aquela gente, a música alta começou a me incomodar. 

— Vem comigo? — Ele ofereceu a mão, franzi o cenho. 

— Para onde? 

— Um lugar mais calmo — Asensio piscou e eu não ponderei muito ao entregar minha mão a ele. 

O lugar mais calmo era um andar a cima, subimos por escadas de emergência e assim que Marco abriu a porta revelou um incrível telhado jardim. Tudo o que eu precisava.

— Como descobriu esse lugar? — Havia grama e alguns vasos com árvores arbustivas e flores da região. 

— Dei uma olhada no Google Earth em um dia de tédio, mas não fazia ideia se a porta ia abrir ou se podíamos estar aqui — eu ri. 

— Típico seu invadir lugares proibidos — a memória do dia que ficamos correndo pelo gramado do Bernabeu me veio a mente. A parte que fugimos do segurança também. 

Ele sorriu coçando a nuca. 

— Pois é, mas acaba que sempre vale a pena — caminho até um banco de madeira no meio do pequeno telhado. 

— É, vale mesmo — inspirei devagar sentindo a brisa suave, o cheiro da grama, das plantas e o da noite que tomada nosso redor. 

Marco se senta ao meu lado e faz o mesmo. 

— É uma bela noite. 

— Tantas estrelas — o céu estava cheio de pontinhos brilhosos. Bolas de fogo sono efeito da gravidade. 

— Acho que é Orion ali — apontou ele para um conjunto de estrelas mais brilhantes ao norte, mas eu não estava conseguindo ver exatamente a constelação do caçador.

— Onde? — Marco se inclinou um pouco na minha direção, o suficiente para seu campo de visão ficar mais próximo do meu, então começou a apontar. 

— Ali, aquelas cinco são o braço com a espada — desenhou linhas imaginárias ligando os pontos. — Da mais brilhante abaixo tem mais cinco que formam o corpo e ao lado seis são o escudo e o outro braço. Abaixo do tórax aquelas duas ali formam as pernas contraídas. 

Consegui visualizar tudo com mais clareza.

— Nossa, é tão lindo — meus olhos percorriam as estrelas que ele apontara. Marco sorriu de canto recolhendo o braço. 

— É, uma das poucas constelações que da pra ver de todo os cantos do mundo — sorri. 

— Acho que poderia dormir facilmente sob um céu assim. 

— Eu também. Será que eles perceberiam se eu trouxesse o colchão do quarto para cá? — O olhei como se estivesse falando algo absurdo. 

— Claro que não, não tem câmeras no corredor nem nada — ele riu e eu também. 

— Que merda! Eu tinha esquecido dessa parte — em meio as risadas uma frustração encenada. 

— Se não fosse pelas câmeras eu juro que te ajudaria e também traria o meu — ele sorriu de canto. — Só espero que aqui não tenha aqueles jatos de água — meus olhos percorrem ao redor buscando as hastes pretas no chão. 

Marco riu mais.

— Uma surpresa desagradável acordar com água gelada na cara — concordei. 

— E engraçada também — foi a vez dele anuir. 

Percebi então que estávamos mais próximos que antes, ele não se afastara e eu também não senti vontade de o fazer, embora fosse o mais prudente. Mas não tinha nada demais nisso, somos amigos. 

As risadas foram diminuindo até silêncio se fazer entre nós dois. O silêncio de quem não sabia o que dizer, ou de quem tinha medo de dizer algo errado. Não me incomodava, mas eu sentia uma tensão de Marco. Só não entendia porque. 

Suspirei fitando minhas mãos, vários pensamentos vieram de volta a minha cabeça. Seria uma semana cheia, jogos pela La Liga e um pela Champi...

De repente senti os dedos dele deslizarem pelo meu rosto afastando a cortina de cabelos para minhas costas, um toque sutil, delicado que fez meu coração parar por segundos. O olhei, Marco fitava a região onde me tocava, alisando minha bochecha. Eu não sabia o que fazer, minha cabeça dizia para me afastar, mas seu toque...ele fazia cada pelo do meu corpo se arrepiar. O jogador viu meu silêncio como um sim e devagar foi se aproximando. Meu lábio tremeu assim que sua mão escorregou pela minha nuca, o polegar ainda me acariciando como se eu fosse a porcelana mais preciosa de todas. Meus olhos se fecharam  diante da sua respiração contra meu rosto e minha parte racionar até tentou dar o ar da graça: 

— Marco... — mas ele já estava próximo demais, já havia me afetado demais que o resto da frase morreu antes de ser proferido. 

O camisa 22 esperou por segundos, mas quando eu não disse mais nada ele acabou com o espaço entre nossas bocas, as unindo em um beijo cálido, gentil. Eu não esperava algo assim, meu coração apertou no peito e meu corpo inteiro formigou. Retribuí na mesma medida, devagar, cheio de carinho. Nós nunca havíamos nos beijado assim antes, ele nunca havia me beijado assim antes, na realidade, eu nunca fui beijada assim antes.

Nossas línguas massageavam uma a outra em sincronia, como uma dança comandada pela música dos nossos corações, os lábios se encaixavam tão bem e o ritmo não podia ser mais perfeito. Não havia fogo, muito menos luxúria. E a forma que ele fazia me fez pensar em deixar meu coração comandar, em deixar meus sentimentos a muito guardados renascerem. 

Mas então eu lembrei de que eu não podia fazer isso, não de novo. Marco tinha namorada e eu não queria mais aquele sofrimento para mim. Não já basta o que eu tinha passado com James. 

Por isso com as mãos que estavam em seu peito eu o afastei. Asensio olhou nos meus olhos, eles pareciam no limiar entre a felicidade e a tristeza. 

— Isso não é certo, você tem namorada Marco — minha voz soou mais fraca do que eu gostaria. 

Mas ele nega com a cabeça. 

— Eu e Marina terminamos. 

Meu coração acelera, algo dentro de mim explode de felicidade. No entanto eu lembro bem de ter visto fotos deles dois juntos em uma exposição a uns 15 dias. Portanto é tão recente demais e isso tudo pode ser só por carência e não sentimentos de verdade. E eu preciso de mais, preciso ter certeza para me entregar. 

— Acho que você precisa de um tempo para saber se eu sou o que você quer mesmo ou se não é só carência — tirei sua mão do meu rosto e me levantei. 

Seus olhos ficaram mais escuros, tristes, mas eu não podia fazer isso. Não assim. 

Marco não falou nada e eu também saí antes que pudesse o fazer. 

 

P.O.V Marco 

 

Eu devia ter dito que terminei com Marina por causa dela, devia ter falado o que eu sentia, mas eu congelei. Meu orgulho não me deixou, parecia idiota demais falar tudo naquele momento. Na realidade tudo pareceu idiota quando ela saiu. Eu fui impulsivo demais com o beijo, ainda mais depois de tudo o que ela passou. 

Porra! 

É que ela estava ali, do meu lado, tão linda...Deus! Ela estava tão linda, e nossa conversa, parecia que nunca tínhamos nos afastado, que éramos aquele Marco e aquela Mia. E ver ela dançando no meio da pista, rebolando como quando a vi na casa de Marcelo, depois aquele babaca dando em cima dela quando ela gritava com os olhos, onde eu senti vontade de arranca-lo daqui pelo pescoço, depois sentir o tão frágil ela ficou com a situação. Tudo isso fez meu sentimentos ficarem a flor da pele, eu só queria ficar perto dela, cuidar, abraçar, beijar, dizer que tudo ia ficar bem, que eu estava ali. Não resisti e posso ter estragado tudo por isso. 

Levei as mãos ao rosto de bufei. 

Rápido demais, foi rápido demais. Eu devia ter contado tudo antes de se quer toca-la, saber se ela sentia o mesmo antes de deixar meu sentimentos comandarem. No meu planejamento eu contaria aos poucos e a conquistaria durante o processo, mas quem manda ser impulsivo? Quem manda não pensar antes?

Merda! Merda Marco!

Ela ficou assustada, eu vi em seus olhos quando me afastou. Posso ter não só estragado um possível futuro nosso, como a amizade de demoramos tanto para reconstruir. 

Eu sou um idiota mesmo. 

 

P.O.V Mia 

 

Desci pelas escadas um pouco mais que abalada. Era informação demais, Marco estava solteiro, Marco havia acabado de me beijar. Talvez não fosse informação demais, mas certamente era desconcertaste. Porque eu jamais esperava que ele fizesse algo do tipo. Não depois de eu ter dito que éramos apenas sexo, não depois de ele terminar comigo, não depois de negar minha amizade quando estava bêbado, ou de começar a namorar com Marina. E Deus! Ele nunca demostrou que queria, nunca falou nada que sugerisse isso. Ele que pediu para ser mais amigo.

Por isso eu estou tão confusa. E por isso que eu me afastei e pedi um tempo, porque tudo o que eu senti durante o beijo foi forte demais para ele me querer apenas como um tapa buraco. Eu não acho que consiga mais segurar meus sentimentos e nem quero, porque eu prefiro não ter relação nenhuma do que entrar em uma sabendo que vou precisar me proteger, esconder, mentir, fingir. 

Aquela Mia morreu, e a Mia de agora precisa de confiança, segurança para sentir o que se privou de sentir por muito tempo. 

Eu não quero mais ser step de ninguém, eu quero alguém que me ame do jeito que mereço. 

— Amiga! — Ouvi a voz de Am atrás de mim enquanto esperava o elevador. Limpei as lágrimas que escoriam e me virei para ela formulando um sorriso. 

Mas Amanda me conhecia mais do que eu gostaria, com o semblante confuso ela se aproximou atravessando a multidão entre nós.

— O que houve? — Perguntou a loira e eu suspirei. 

Juntas descemos até o quarto que dividíamos com Sarah, dando sorte dessa vez de ela não estar lá no meio de algo. Sentamos na cama e eu lhe contei tudo o que aconteceu e meus sentimentos quanto a isso também. No final Amanda me olhou nos olhou com um sorriso nos seus lábios e disse: 

— Amiga, você não percebeu que ele ta caidinho por você, não? — Franzi o cenho. 

Quê? 

— A forma que ele te olha, o jeito que falou sobre amor no jantar, ele se aproximando de você...Mia! Acorda! 

Quê? 

— Não. Am, não acho que ele esteja — neguei veementemente. — Até porque ele estava namorando outra a tão pouco tempo — ela revirou os olhos. 

Mas será? Marco realmente tinha se aproximado mais de mim ultimamente, eu achei que fosse só por amizade mesmo, mas...

— Sabe que isso não significa nada. 

— Significa que ele pode estar carente e eu não quero ser o prêmio de consolação de ninguém — Am sorriu de canto e anuiu. 

— Você está certa, se Marco sentir algo por você ele teve mostrar que quer mais do que um momento. 

Ela pegou minhas mãos. 

— Que bom que você finalmente ta ciente do que merece — sorri fraco e minha amiga me puxou para um abraço. — Todos merecemos ser amados Mia, mas você merece o amor mais lindo e puro. 

 

P.O.V Marco

 

A festa ainda rolava, mas eu não estava mais tão animado, por isso fui cedo para o quarto. Os caras que lutem para acordar cedo com ressaca para voltar amanhã. Tomei uma ducha longa cheia de pensamentos confusos e alguns bons, o gosto dela, a maciez dos seus lábios, o nosso beijo...

E assim que sai do banheiro Isco estava entrando no quarto. 

— Ué? Já vai dormir pisha? 

— Faço da sua pergunta a minha. 

— To cansado e não bebi o suficiente para virar — sorrimos um para o outro. 

Isco seguiu para sua mala e eu fui para cama. 

— E você? 

Fitanto o teto eu suspirei pesadamente. 

— Eu beijei a Mia. 

Isco parou de abrir a mala e me virou para mim. 

— Você fez o que? 

— Eu beijei ela — repeti. 

Ele sorriu. 

— Ae pisha! E como foi? — Bufei levando as mãos ao rosto. 

— Não foi. 

O sorriso do meu amigo murchou e eu comecei a explicar tudo. 

— ... e aí ela foi embora, ou seja, eu estraguei tudo. 

Isco ficou alguns segundos em silêncio. 

— Ela retribuiu teu beijo? — Franzi a testa, até agora eu não tinha pensado por esse lado. 

— Sim.

— Ela disse não? 

— Ela disse que não era certo. 

— Porque ela achava que você ainda estava com a Marina — ele fez uma pausa para se sentar na beira da cama. — Mas o que ela disse depois, que você precisa de um tempo...não significa um não. Só significa que você precisa fazer ela confiar em você, precisa conquista-la e mostrar que é ela que você quer. É isso que ela quer Marco.  

Olhei para ele e as coisas pareceram fazer mais sentido. 

— Você acha? 

— Vá por mim, você ainda não estragou tudo — suspirei. 

Talvez ele tivesse razão, de certa forma estou mais aliviado. 

— Ainda — me joguei contra o colchão e Isco sorriu para mim voltando a pegar suas roupas na mala.  


Notas Finais


Eai bebês? O que acharam? O que foi esse beijo?? Marco apaixonado é tão fofo!! Será que ele vai conseguir provar pra Mia que gosta dela mesmo? Será que eles vão ficar juntos ou Lewis ainda é a melhor opção para ocupar o coraçãozinho da nossa doutora?
Muita coisa ainda vai acontecer, animados? Porque eu estou kkk
Besitos mi amores!!
Capítulo especial para @tara-clear . O Kimmich apareceu finalmente bebê! Esse momento é seu!


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