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História I Like You, Sourwolf - Sterek - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Hey, hey! Estou aqui com uma fanfic que sempre quis escrever e depois de anos assistindo e reassistindo TW, aqui estou eu!

– A história se passa após a terceira temporada MAS não tem ligação com a quarta temporada;

– Algumas personagens, como por exemplo o Isaac e Cora, continuam em Beacon Hills.

É isto! Desejo uma boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único -


Acordo com o maldito despertador tocando para mais uma segunda feira, voltando à realidade dura e difícil que enfrentava. Quem dera que meus problemas girassem em torno da escola ou dos montes de tarefas que os professores nos mandam fazer…

 

Recentemente a escola abriu de novo suas portas, significando que as férias tinham chegado ao fim. Sinceramente, nem prestava tanta atenção aos dias e não sabia ao certo quantas semanas haviam passado, mas creio que não fazia nem sequer um mês desde a abertura.

 

Alguns meses haviam se passando após… após o que fiz. Por mais que o pack insistisse em dizer que a culpa não tinha sido minha, eu nunca consegui acreditar. Eu fui fraco, cedi à força e ao poder do Nogitsune, acabando por matar Allison em primeiro lugar. Era minha amiga e o amor da vida do Scott e eu sabia, lá fundo, que ele me culpabilizava. Então depois foi o Aiden… Não que realmente gostasse dele; Aiden e Ethan nos trouxeram imensos problemas juntamente com o restante do pack psicopata de alfas que vieram até Beacon Hills para primeiramente levar Derek para o grupinho assassino deles, e depois então levar o Scott. Porém, querendo ou não, Aiden ainda era um ser humano, ou pelo menos metade dele era, e eu o matei. Querendo ou não, diretamente ou indiretamente, a culpa é e sempre será minha.

 

Mesmo que eu lute contra o que sinto, ao anoitecer, mais precisamente de madrugada, acordava sempre gritando e chorando por relembrar o que fiz. O que aquele monstro me fez cometer.

 

O pior de tudo não era a culpa, não era a dor psicológica, os ataques de pânico constantes ou os pesadelos; O pior era ver meu pai mal por mim. Por saber que ele se sente culpado sendo que nada disto é responsabilidade sua. Ninguém previa que a doida da professora Blake iria sequestrar meu pai, o pai da Allison e a tia Melissa na tentativa de terminar seus rituais igualmente doidos e psicóticos.

 

– Stiles?? Se demorar muito, você vai chegar atrasado!!

 

Saí do looping de pensamentos ao escutar a voz de meu pai. Me levanto a contragosto, vendo-o então ali parado na porta encostado à batente, atento a cada movimento meu.

 

– Estou indo, me desculpa. Acabei cochilando mais uns cinco minutos…

 

Lhe menti mas ele sabia disso. Pude o escutar suspirar.

 

– Quer ficar em casa para descansar...?

 

Apenas neguei com a cabeça e desviei meus olhos, passando a fitar meus pés que tocavam o tapete felpudo.

 

– Stiles… – Suspirou novamente – Não pode continuar assim. Eu sei como se sente, eu sei. E me dói não poder fazer nada e simplesmente vejo se afundando cada vez mais. Deveria falar com o Scott ou…

 

– Para, pai. Eu… Eu sei, ok? – O encaro e esfrego minhas mãos no rosto por breves segundos – Eu… Ninguém pode realmente estar me julgando ou apontando o dedo mas eu o sinto. Sei que me culpam…

 

– Pode parar, Stiles! – Meu pai deu um passo à frente – Ninguém te culpa por nada que aconteceu, garoto! Você teve o grande azar daquele bicho ter te escolhido mas ele poderia ter escolhido qualquer um de vocês. – Falou firmemente, mantendo seus olhos em mim – Você não está bem, eu sei que não. Você sente medo a todo o instante que eu sei, mas nada mais vai te acontecer. – Se aproximou de mim novamente, me segurando pelos ombros – Não deixarei nada mais te machucar, filho.

 

Meus olhos transbordaram de lágrimas e abraço fortemente meu velho, podendo ser igualmente retribuído. Não queria preocupar meu pai. Não mais. Eu tentaria, mesmo que o fizesse só por ele.

 

Me afasto um pouco depois e sorrio fraco para ele.

 

– Agora vai se arrumar. E chegarei tarde hoje. Já sabe como é…

 

Assinto, indo para meu armário e pegando alguma roupa que gostasse para vestir.

 

– Mas é para se cuidar, escutou?? Não me faça te levar mais um hambúrguer vegetariano! – Ameaço, sabendo o quanto ele detestava comida vegetariana.

 

– Quê?? Stiles, já te disse. Se eu quiser comer batata frita e hambúrguer, eu vou comer. Tenho uma arma e um distintivo!

 

Acabo por rir e nego com a cabeça, despedindo-me de meu pai e indo em direção do banheiro. Tudo correria como um dia ‘’normal’’ se não fosse pelo facto de eu nem sequer encostar na maçaneta e a porta se abrir sozinha. Olhei em redor, para me certificar que meu pai não estava mais ali e arqueio uma das sobrancelhas. Eu não estava – tão – louco ao ponto de ver algo assim acontecer porém, ainda assim, dei um passo para trás e voltei a tentar mexer a porta novamente sem encostá-la. Como era óbvio, nada aconteceu e eu apenas ri por momentos por achar que tinha acontecido algo sobrenatural.

– Foi só o vento...

 

Comento em um murmúrio e finalmente adentro o banheiro, fechando a porta em seguida e me apressando a me arrumar.

 

[…]

 

Bom, não podem dizer que não tentei! Eu meio que tentei me integrar com o pack, tentei falar com eles como se nada tivesse acontecido, mas me sentia terrivelmente mal com isso. Só por bater papo por uns cinco minutos com Scott ontem, me deu um ataque de pânico. Eu estava literalmente surtando e ninguém conseguia me ajudar!!

 

Andava de um lado para o outro, completamente agitado enquanto esfregava as mãos sem parar. É um tremendo hábito que tenho e faço-o quando estou bem agitado e nervoso. Nem sequer consegui ir na aula por estar neste estado deplorável mas porque também, surpreendemente, dormi a noite toda e não tive nenhum pesadelo esta noite. Nem nesta, nem na anterior. Sempre que parecia que ia acontecer o mesmo pesadelo de sempre, acontecia algo completamente diferente como alguém que não conseguia ver o rosto dizendo que tudo ficaria bem ou uma luz voadora aparecer e conseguir me acalmar, conseguir que o pesadelo se tornasse um sonho e tudo terminasse bem. Não era real e eu sabia mas, foi o suficiente para conseguir ter duas noites de sono por nove horas ininterruptas e igualmente suficiente para nem sequer acordar com o despertador tocando e vibrando sob a mesinha de cabeceira.

 

Apenas dei um pulo pelo susto e saí de meus devaneios quando escutei a janela sendo aberta e no segundo a seguir, ver ali Scott.

 

– Porra, quer me matar do coração?? Você que é o lobisomem daqui, não eu! – Abro os braços e somente movimento as mãos em minha direção para lhe mostrar que ainda era um humano fraco e magrelo.

 

– Me desculpa, não queria te assustar mas… Stiles, precisamos falar.

 

Meu coração gelou, falhou algumas batidas fazendo que caísse sentado na cama.

 

– Você está bem?? – Indagou preocupado, se aproximando.

 

– Sim… – Assenti depressa – Sim, estou bem... Mas o que quer falar?

 

Suspirou, fazendo que eu ganhasse alguma coragem e o encarasse.

 

– Não pode continuar agindo assim. – Respondeu, cruzando os braços.

 

– Assim? Assim como, Scott? Precisa ser explicito!

 

– Você sabe. Nos evitando. Principalmente a mim. Cara, eu sei como você se sente. Acredite, o cheiro de culpa que você tem se sente a um quilómetro de distância. – Descruzou os braços e se aproximou, me fazendo desviar nossos olhos – Viu?? Nem me encarar por mais de dois minutos você consegue. Você acha o quê? Que eu te culpo? Que acho que você quis fazer aquilo?!

 

Me levanto e volto a encará-lo, pressentindo que a qualquer momento choraria ali na sua frente.

 

– E se eu quis, Scott? E se eu, involuntariamente, quis fazer aquilo? Quis matar…? – Minha voz soava completamente embargada.

 

Scott negou com a cabeça, podendo observar um pequeno sorriso surgir em seus lábios.

 

– Porque eu te conheço. Porque você não suportaria machucar alguém, muito menos suportaria matar. Se você quisesse, mesmo que involuntariamente, não sentiria essa culpa, essa angústia, essa tristeza. – Concluiu – Sti, você é meu melhor amigo, é como se fosse um irmão para mim e eu nunca te culparia por algo que sei que você não tem responsabilidade. O Nogitsune te escolheu por ser alguém que nunca desconfiaríamos e que faríamos de tudo para salvar. Eu não quero que se afaste de mim. Não quero que se afaste de nós! Absolutamente ninguém tem culpa do que aconteceu e eu prometo que todos nós iremos te ajudar a superar.

 

Lágrimas escorrem por meu rosto, sentindo algo quente percorrer meu corpo. Não sabia distinguir se era apenas calor por conta da quantidade absurda de sangue que meu coração estava bombeando por conta da minha ansiedade ou se era algo mais.

 

– Eu não consigo, Scott! Não consigo. Por mais que você até possa ter razão, eu não consigo parar de sentir este aperto do peito, esta vontade constante de chorar sempre que vejo alguém do pack mas é pior com você! – Falo alterado, banhado em lágrimas.

 

– Nos deixe ajudar, Sti! – Se aproxima – Não pode simplesmente se fechar e parar de falar com a gente. Nos deixe te ajudar!!!

 

– EU NÃO QUERO AJUDA...!

 

– Mas que porra…??

 

Não sei ao certo o que aconteceu mas juntamente com o grito, movimentei bruscamente meus braços. Tanto eu como Scott nos assustamos depois disso, pois o meu taco novinho voou contra a parede oposta onde ele estava guardado. Mas tipo, como se já não fosse estranho, ele voou literalmente e bateu com força na parede, quebrando o grande pedaço de madeira e rachando um pouco da parede. Scott me encarou com uma mistura de receio, curiosidade e interessado em saber o que tinha rolado. Eu? Bom, eu estava estático, olhando para meu taco novinho quebrado no chão.

 

– Você tem algo para me contar? – Questionou Scott, passando seus dedos pelos lugares onde a parede rachou.

 

– E-Eu juro que não sei o que está acontecendo. Aconteceu algo no começo da semana mas pensei que fosse coisa da minha cabeça…

 

Seus olhos pararam em mim, me analisando.

 

– Scott, não é o Nogitsune de novo, né…?

 

– Não. Definitivamente não. Parando para te cheirar, você tem algo diferente mas não sei ao certo o que é… – Se aproximou de novo, claramente curioso e preocupado – Stiles, seja o que for iremos descobrir. Mas por favor, confia em mim. Nos deixe te ajudar.

 

Assenti vagarosamente e abracei Scott. Um abraço que estava precisando e mesmo que eu quisesse, por um lado, continuar me culpando, era gratificante e confortante saber que ainda poderia contar com eles.

 

[…]

 

Adentrei o veterinário, estando um pouco molhado pela chuva que caía lá fora. O mundo parecia que ia acabar lá fora, sério! E ainda assim, Scott me ligou, chamando-me para ir encontrá-lo lá. Porque raios ele não poderia esperar até, sei lá, parar de cair aquele dilúvio?!

 

Abri a pequena portinhola, podendo passar para lá do balcão e entrar na sala onde cuidavam dos animais machucados.

 

– Estou aqui, o que… – Olhei para cada um que estava na sala – Aconteceu algo, Scott? Aliás, o que está fazendo aqui, Derek? Não me digam que há mais corpos mortos por aí…??

 

Perguntei com algum receio. Estava levemente cansado de ver tanto sangue por aí mas, sempre que eu encontrava Derek e Scott juntos é porque algo não estava propriamente certo.

 

Desviei meus olhos do lobisomem barbado por alguns segundos e pude ver ali também Deaton mas era normal porque, bom, era o seu trabalho… na maioria das vezes.

 

– Scott nos contou o que aconteceu à uns dias, Stiles. – Começou o veterinário – Ele ficou curioso e me pediu auxílio.

 

Fiz uma expressão engraçada, ficando boquiaberto e fazendo aquela expressão de ‘’você me paga, McCall!’’. Sabia que o desgraçado ia só rir e foi exatamente o que ele fez. Com isso, fechei a cara e cruzei os braços.

 

– Não era para contar! – Falo indignado.

 

– Scott está preocupado. Todos estamos, principalmente depois de…

 

Deaton não continuou e eu apenas assenti, sorrindo forçado. Estava a todo o custo tentar tirar a culpa de mim mas era difícil quando ainda tocavam no assunto.

 

– Isso não explica porque o Derek está aqui.

 

Olhei o Hale, vendo-o com a sua típica carranca e de braços cruzados.

 

– Deaton pediu um livro de minha mãe e eu vim o trazer. – Me respondeu, me encarando. Mesmo mantendo a sua pose, vi em seus olhos algo além da sua expressão de tacho.

 

– ´Tá, que legal mas… o que está acontecendo comigo?? – Questionei, ansioso. Perderia meu tempo pensando nos olhos bonitos de Derek depois.

 

– Bom, estive lendo e analisando com base daquilo que Scott me contou mas era melhor se você nos contasse o que tem sentindo e acontecido com você.

 

Respirei fundo.

 

– Além da profunda culpa que tenho e dos ataques de pânico? Bom, eu não sei…! – Dito sarcástico e acabo esboçando um pequeno sorriso.

 

– Por favor, fale a sério. – Comentou Derek – Ao contrário de você, tenho muita coisa a fazer.

 

Estalo com a língua sob o céu da boca. Se Derek não queria estar aqui então que fosse embora. Ninguém lhe pediu para ficar, aliás, ninguém lhe pede absolutamente nada porque tudo o que este homem é feito na má vontade, ou quando faz é porque quer matar alguém ou porque…

 

– Stiles?? – Saio de meus devaneios com os dedos de Scott estalando na frente de meu rosto.

 

– ‘Tô bem! Apenas pensando em mil e uma maneiras de matar Derek Sourwolf Hale. – O homem bufou e respiro fundo – Tá, calma… Eu… – Coço a nuca – No início da semana, quando fui ao banheiro, não cheguei a sequer tocar na maçaneta e a porta se abriu sozinha. Pensei que era o vento e tentei me enganar com esse pensamento porque quando saí do banheiro, a janela estava fechada.

 

– Não podia simplesmente ter a aberto mas não se lembrar? – Interrogou Derek.

 

– Podia e sim, foi pela manhã mas eu estava bem acordado. Acredite tive longos meses sem dormir direito… – Respondi e a última frase falei em um tom de voz mais baixo. De qualquer forma, os outros me escutariam.

 

– Esteve? Conseguiu dormir direito? – Deaton me encarava querendo respostas, mas algo me dizia que ele já sabia o que eu tinha.

 

– Sim. A partir do meio da semana, o pesadelo que tinha constantemente mudou. – Penso e esfrego as têmporas em busca de me lembrar detalhadamente de algo – Em uma noite eu pude ver uma sombra.... Sussurrava que tudo ficaria bem, que estava comigo para me ajudar. Na outra noite apareceu uma espécie de névoa roxa, que flutuava. Depois essa névoa... clareou todo o cenário e em vez de ver a morte da… – Suspiro – Da Allison e do Aiden, pude ver destruírem o Nogitsune. Eu inclusive estava lá mas não como naquela noite, na escola. Eu estava bem, parecia saudável e todos estavam bem, estavam vivos…

 

Scott e Derek se encararam, claramente confusos. Opostos a eles estava Deaton, que abriu um sorriso.

 

– É óbvio. Juntando isso com o facto que quebrou um objeto de madeira com um único movimento, se torna claro.

 

– E então…? – Bato com um dos pés no chão para poder acalmar minha ansiedade.

 

– Stiles, você é bruxo. – Respondeu sem mais rodeios.

 

Fiquei estático, piscando algumas vezes. Eu tinha escutado bem? Bruxo…?

 

– Deaton, quero uma resposta real e não algo que tenha saído de Harry Potter. São livros e filmes muito bons mas…

 

– É completamente real, Stiles. – Deaton me cortou, apoiando as mãos sob a grande mesa com fundo metálico.

 

– Não é sequer possível. – Rebato – Meu pai é normal, minha mãe era normal também…

 

– Foi isso que eu pensei. Claro, nenhum deles precisava ser um bruxo para você ser também mas estive investigando o passado de Claudia. – Começou o doutor – Sua mãe adoeceu de repete, assim como também faleceu. Pode claramente ter sido de causas naturais mas também pode ser por algum outro o fator como por exemplo, ter negado a sua parte sobrenatural.

 

– Isso não faz qualquer sentido! – Tento contradizer novamente, começando a caminhar de um lado para o outro.

 

– Por acaso faz… – Interviu Derek, quase que me obrigando a encará-lo – Li que quando um bruxo nega e reprime sua parte sobrenatural, seu núcleo vai expandindo até que uma hora a pessoa morre.

 

– Exatamente, Derek. À diversas maneiras disso acontecer. Um ataque cardíaco, literalmente poder explodir de tanta magia ou desenvolver então alguma doença sem cura que faça a pessoa se degradar rapidamente. – Completou o homem mais velho.

 

Fico sem saber o que responder, podendo sentir como se minha vida fosse toda uma mentira. Meus olhos estavam repletos de lágrimas, ficando com a visão totalmente turva.

 

– Sti, não precisa chorar…

 

Sabia que Scott queria me acalmar mas não o podia fazer agora. Tinha um vazio enorme em meu interior, era como se tivesse sido enganado a vida toda! Tudo bem, poderia sim ter sido uma doença natural mas as coisas aconteceram tão depressa… Não poderia, de jeito algo, não ter um dedinho sobrenatural sobre a morte de minha mãe.

 

– Me deixem em paz! Eu… Eu só quero ir para casa…

 

Tento sair dali mas tenho meu braço agarrado. Novamente, não sei o que aconteceu mas quando me virei para poder afastar a pessoa que me agarrava, senti uma energia estranha mas ainda assim forte pairando no ar. Apenas arregalei os olhos ao ver Derek indo de encontro com a parede no final da sala.

 

– Ai meu Deus…!! Me desculpa, me desculpa!!

 

Corri até Derek, sendo que Deaton e Scott já estavam próximos de Hale.

 

– Não foi nada… – Gemeu de dor.

 

– Foi sim! Você está gemendo de dor e um lobisomem não costuma gemer de dor, Derek! – Falei um pouco mais alto por conta do nervosismo.

 

– Eu estou bem, ok…? Stiles? Stiles…??

 

Escutava o homem me chamar mas não conseguia responder. Sentia uma imensa falta de ar juntamente com a dor agoniante em meu peito enquanto tudo girava sem parar. Apenas me sentei no chão em busca de oxigénio.

 

– Stiles, fala…! Respira…!

 

Escutava as vozes deles entrecortadas enquanto me sentia afundar mais. O coração batia descompassadamente, não conseguia respirar, mal escutava ou enxergava o que acontecia ao meu redor. Deveria estar habituado a estes ataques que tinha frequentemente mas sempre que era atingido pelo pânico, era tão ruim como a primeira vez...

 

Queria conseguir melhorar e seguir minha vida mas parecia que a cada semana que passava, descobria algo novo sobre mim. Alguma revelação que me deixava sem chão ou que significaria que iria acontecer algo de ruim.

 

Passei anos e anos me culpando pela morte de minha mãe. Vi a mesma morrer diante meus olhos sendo que era uma criança. Talvez se ela tivesse aceitado ou descoberto esse seu lado sobrenatural, eu podia ter minha mãe comigo. Podia ter meus pais comigo e então seriamos felizes. Principalmente meu pai, que não teve chance de estar com ela enquanto partiu. Agora sou eu que terei que aguentar mais um fardo em minhas costas que não sabia se aguentaria. Eu mal descobri o que sou e já machuquei alguém, eu não posso… Eu…

 

– STILES!!

 

Pude então escutar meu nome ser praticamente berrado em um rosnado, ao mesmo tempo que sentia um par de mãos grandes e quentes em meu rosto. Aos poucos, parecia me acalmar e retornar ao ‘’normal’’. Quando voltei a enxergar direito, me surpreendi ao ver Derek tão próximo de mim com suas mãos – ainda – no meu rosto.

 

– Garoto… – Derek tombou a cabeça para trás por breves segundos, respirando fundo – Não me mate do coração assim… – Sussurrou.

 

Meu coração se perdeu no meio das batidas e sorri tímido ao perceber que o grande e destemido Derek Hale estava preocupado. Preocupado para valer!

 

[…]

 

Digitava freneticamente em meu notebook enquanto pensava como estava fodido. Eu tinha esquecido por completo do dever de Economia que o professor tinha nos dado na semana passada. Ultimamente as coisas estão mais agitadas em minha vida, principalmente porque agora tinha Deaton me ensinando a controlar meus poderes e também me treinando para saber fazer algo mais a não ser jogar pessoas e objetos contra a parede quando estou puto. Além disso, por mais que odiasse, Deaton me ensinou a meditar. Achei a coisa mais sem sentido, principalmente porque não consigo ficar mais de cinco minutos com a boca fechada ou sem mexer ou tocar em algo, mas parece que coisas normais também podem ajudar as sobrenaturais; Desde então, minha ansiedade diminuiu consideravelmente – pelo menos por agora – e além que consigo de certa forma entrar em contacto com o meu núcleo mágico… Enfim, as coisas estão definitivamente melhorando, mesmo que ainda não acreditasse que eu era alguma coisa.

 

– Faz alguns minutos que está parado olhando para o além, Stiles. Está bem?

 

Escuto aquela voz grossa e me viro repentinamente, assustado, caindo da cadeira. Rapidamente me levando e sacudo minha roupa, tossindo em seguida pela vergonha. Sei que o outro tentou segurar a risada, todavia, pude escutar aquela risada nasalada.

 

– Derek, por favor...! Já passamos a fase em que sempre digo que minha casa tem porta e que você poderia agir que nem gente e bater. Não pode simplesmente entrar assim! – Profiro, sendo que já devia ter advertido o homem mais de dez vezes.

 

– Bom, eu entrei. – Rebateu, cruzando os braços – Ninguém manda não trancar a janela.

 

Arqueio uma das sobrancelhas e o encaro perplexo. Como ele ousa…?!

 

– Não está pensando que eu vou comprar um cadeado e uma corrente para trancar a janela, né? Se bem que era boa ideia visto que a qualquer momento outro lunático pode tentar matar a gente ou…

 

– Já entendi, Stiles! – Me calei e Hale coçou a barba rala – E me conta… Como tem estado? Os treinos e tudo mais? Queria ter ajudado mas Cora quis que passássemos algum tempo juntos.

 

Sento-me na cama e assinto, compreendendo perfeitamente. Cora teoricamente esteve morta nos últimos seis anos. Nada mais compreensível do que quererem aproveitar o tempo. Por outro lado, estava surpreso. Não é como se eu e Derek quiséssemos nos matar toda a vez que temos que estar juntos, seja pela razão que for, mas a verdade é que Derek não costuma ser tão preocupado ou pelo menos, não costuma expressar essa preocupação.

 

– Bom… Acho que têm ido bem… – Desvio nossos olhares e passo a mirar uma vela perfumada que tinha sob a mesa, perto do notebook – Create ignis.

 

A vela acendeu automaticamente, fazendo-me sorrir convencido por instantes.

 

– ‘Tá, sei que não é muito porque passei mais tempo aprendendo a me controlar do que aprender feitiços realmente…

 

Pude ver um sorriso aparecer nos lábios de Derek fazendo meu coração então bater aceleradamente. Aquele lobo azedo conseguia me desconcertar com tão pouco...

 

– Isso é bom, mas deve de demorar por conta do idioma, não? – Questionou.

 

– Por acaso não. – Respondi tranquilamente, sentando-me na cama – Estranhamente, consigo entender todas as palavras sem nunca ter as estudado. De latim e de outras línguas antigas. Deaton diz que antes não percebia nada porque o poder ainda estava adormecido e que, provavelmente, despertou depois do ritual que fizemos para encontrar Nemeton e por isso que Nogitsune se apossou de mim. Por ser alguém que nunca desconfiariam mas também por conta do meu poder.

 

– Sim. Faz sentido. – Disse simplista.

 

Assenti e sorrio fraco porém tímido. Não eram muitas as coisas – ou situações – que tiravam minha verborragia. Infelizmente, Derek era uma delas… Claro, nem sob ameaça de morte admitiria isso. Ainda tenho amor à minha vida, obrigado.

 

– Veio aqui só por isso…? – Questionei em um tom de voz baixo.

 

– Porquê? Quer que eu vá embora?

 

– Não! – Respondi em um tom mais elevado, coçando a nuca pelo constrangimento – Quer dizer… Pode ficar. Não atrapalha absolutamente nada. É… – Olho em redor, sem saber o que dizer mais – Não atrapalha nadinha… – Batuco meus dedos em minhas coxas, sentindo-me agitado.

 

– Sabe que pode me mandar embora, certo? – Pude senti-lo se aproximar, forçando-me a fitá-lo pela minha curiosidade – Não precisa fingir que não está incomodado. Eu posso escutar seus batimentos cardíacos, sabia?

 

Tento manter uma expressão neutra enquanto ainda tinha os olhos sob o homem na tentativa de lê-lo. Derek podia saber muitas coisas sobre várias assuntos, mas não entendia absolutamente nada sobre sentimentos. Ele conseguia ser mais lerdo que o Scott e isso me irritava ligeiramente. Céus, como não consegue perceber que quero pular em cima de você e beijar todo seu pescoço…?!!

 

– Stiles? Stiles?! – Pisco algumas vezes, saindo de meus pensamentos – Você está bem? Vocé está corado...

 

– Eu… Eu… Ah! – Tusso – Por Deus, vai embora Derek! Preciso terminar o dever ou amanhã vou ser mortinho pelo meu professor. Como odeio aquele homem!

 

O homem dos olhos esverdeados se riu seguramente da minha expressão de ‘’alguém desapareça com meu professor, POR AMOR DE DEUS’’.

 

– ‘Tá, ‘tá. Eu vou antes que me jogue pela janela. – Levantou as mãos em rendição, mesmo que tivesse um sorriso contido nos lábios – Agora você não é mais aquele humano imprestável.

 

– Hey!! – Lhe joguei meu travesseiro, que foi pego antes de o atingir – Eu nunca fui imprestável!

 

– Eu sei. Stiles, você é tudo menos imprestável. – Admitiu, fazendo-me sorrir de canto – Como você diz, você quem costuma estar lá p’ra assegurar que nossos traseiros são salvos.

 

Rio e assinto, sentindo então que o travesseiro que tinha lhe arremessado, era jogado de volta contra meu rosto.

 

– Hey, seu Sour…

 

Quando o encarei para o xingar até à décima quarta geração de sua família, Derek já tinha ido. Não pude evitar de sorrir. Quem diria que Derek Hale algum dia me faria sorrir que nem um idiota, hm?

 

[…]

 

Corro desesperadamente, tendo Lydia e Malia comigo que também corriam o mais rápido que podiam. Estávamos na escola, à noite (como sempre. Porque a merda não podia rolar de dia no meio de um campo de flores?!) e tentávamos fugir do novo – ou melhor, novos – problemas sobrenaturais. Um grupo de vampiros que pareciam desejar dizimar Beacon Hills. As últimas semanas têm sido puxadas já que meu pai quase foi morto por uma criatura dessas, mataram alguns adolescentes e estão tentando a todo o custo matar Scott e Derek. Cara, qual é a obsessão por eles os dois?!

 

Entramos no banheiro masculino e tranco a porta, levando a mão ao peitoral por me doer. Corri tanto que tinha falta de ar e, na tentativa de puxar o oxigênio para dentro de meu pulmões, fazia doer aquela região. Me encosto na porta de madeira colorida e respiro fundo, calmamente.

 

– Malia, você está machucada… – Comentou Lydia, atraindo minha atenção para a coiote.

 

– Eu sei, porra… – Grunhiu claramente frustrada – Um deles me mordeu.

 

– Isso significa… que… – A garota ruiva se assustou com a afirmação de Malia.

 

– Não. – Me intrometi – Nada vai acontecer a não ser a demora de se curar. O que é extremamente ruim porque além de estar mais fraca, eles podem…

 

Sou interrompido com batidas violentas na porta. Dou alguns passos para trás, olhando as garotas que estavam assustadas.

 

– … Eles podem nos achar pelo cheiro do sangue. – Ditou Lydia, encarando a porta – E parece que já nos encontraram…

 

A porta foi quebrada e podemos visualizar um dos vampiros nos encarando com um sorriso sádico enquanto seus olhos brilhavam em um vermelho vivo. Engoli em seco, percebendo que Malia estava pronta para atacar.

 

– Vem então, seu merda. VEM! – Rosnou para o vampiro, que partiu para cima de Malia.

 

Os dois seres sobrenaturais brigavam mas era óbvio quem perdia. Malia estava bem machucada. Não podia deixar Malia brigando com aquele vampiro sozinha.

 

– Hey, sanguessuga! – Chamo a atenção do ser sobrenatural.

 

Puta merda! Me assustei quando o cara ficou rapidamente à minha frente, apertando meu pescoço.

 

– Do que me chamou?! – Apesar da voz brava, ainda sorria que nem um psicopata enquanto sentia o meu oxigénio se indo.

 

– SOLTA ELE! SOLTA!!

 

A voz estridente de Lydia se fez presente. O vampiro se distraiu por breves segundos com isso, afrouxando o aperto de meu pescoço. O encaro seriamente, focando-me.

 

Sanguinem exhaurit tuas, Sanguinem exhaurit tuas, Sanguinem exhaurit tuas… – Dito, podendo notar a magia fluindo em minhas veias.

 

– O que…?!

 

Sangue começou saindo pela boca, nariz, olhos e até pelas orelhas do cara. O vampiro me soltou, caindo no chão ao se sentir sufocando com o próprio sangue. Continuei repetindo as escassas palavras, percebendo como o sangue dele escorria sem parar, com ele se engasgando. Logo encarei Malia e assenti em sinal. A coiote mesmo cansada e fragilizada, se levantou e arrancou a cabeça do vampiro, fazendo o corpo dele agora já sem vida, cair no chão do banheiro.

 

Me encosto na parede, controlando minha respiração.

 

– Isto… Isto foi… – Iniciou Lydia.

 

– Irado! – Completou Malia, fazendo-me rir nasalado.

 

– Eu diria assustador mas irado também pode ser utilizado… – Respondeu evidentemente perturbada pela cena.

 

– Está tudo bem, Lydia. Pelo menos esse cara não ataca mais ninguém. – Aproximo-me das garotas e seguro a mão das duas, puxando-as dali para fora – Acho que temos que ir atrás do Scott, Derek e Isaac. Agora!

 

Elas assentiram e voltamos a correr em busca dos lobisomens, encontrando facilmente Isaac e Scott, que lutavam com outros dois vampiros no meio do corredor. Mesmo estando machucada, Malia se juntou aos garotos.

 

– Scott, precisa matá-los! Eles não pararão até ver sua cabeça rolando no chão e tornarem este lugar um rio de sangue! – Elevo a voz enquanto me posiciono de modo a proteger Lydia.

 

– Eu sei…! É o que irei fazer! – Vociferou.

 

Apenas fiquei estático, assistindo à cena. Nem reparei que Lydia tinha pego um pedaço de madeira que tinha no chão, percebendo isso apenas quando a garota enfiou essa madeira nas costas de um dos vampiros. Provavelmente deve ter atingindo o coração porque o ser caiu duro no chão, pálido, morto.

 

Rapidamente Isaac e Scott pegaram o outro vampiro. Enfim, apenas desviei o olhar da cena porque Isaac estava com a chamada ‘’sede de vingança’’, apenas escutando a carne do vampiro sendo dilacerada, assim como seus gritos. Estava indo tudo bem quando pudemos escutar um uivo. Olhei em redor, assim como os outros e arregalei os olhos.

 

– Derek…!

 

Saí correndo, ainda escutando Malia gritando para eu não ir sozinho. Claro, eu simplesmente ignorei o pedido da garota porque não tenho nenhum senso de autopreservação.

 

Entrei em uma das salas de aula ao perceber que a porta estava quebrada e havia marcas de sangue por ali. Engoli em seco e meu estômago se revirou quando vi que, afinal, Derek não estava ali.

 

– E aqui temos o protegido do Pack do McCall e do Hale.

 

Me virei ao escutar a voz e fui jogado para o outro lado da sala. Gemi de dor. Provavelmente tinha quebrado uma costela.

 

– Filho da…

 

Ia resmungar e xingar mas fui pego pela gola do moletom que trajava, sendo levantado e suspenso no ar. Perdi o ar ao visualizar o rosto do vampiro.

 

– Já que mataram os meus garotos, nada mais justo que matar você! – Sorriu maldoso, mostrando-me suas presas afiadas.

 

Me debati enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto. O homem chegou a perfurar um pouco a área do pescoço mas acabei indo de encontro ao chão enquanto o sanguessuga era jogado para longe. Gemi de novo pela dor porém senti um enorme alivio ao ver quem tinha me salvo tinha sido Derek.

 

– Não toca no Stiles nunca mais! – Rosnou Hale.

 

– Tsc… – O homem se levantou e se recompôs, encarando Derek – Eu não irei. Eu vou matar você, no entretanto.

 

As coisas a seguir se passaram em câmera lenta. O vampiro, que sabíamos que se chamava Alexander, foi para cima de Derek. Em um movimento só, enfiou a mão dentro do peitoral do Derek e com isso, Hale começou cuspindo sangue. Meus olhos se encheram de lágrimas e mesmo tendo imensa dor pelo baque, me levantei.

 

– Solta o Derek. Agora! Eu juro, eu vou…

 

– Vai o quê? Me faça rir, garoto. Você se acha porque descobriu suas magiazinhas recentemente?? – Soltou uma gargalhada, passando um arrepio pela minha espinha – Por isso pergunto de novo. Vai fazer o quê? Me jogar contra a parede com magia? Me fazer sentir dor?!

 

Apenas soltei um sorriso cínico, mesmo que tivesse lavado em lágrimas. Olhei para a porta e reparei que os outros tinham chegado ali, chocados ao ver que, com um único movimento, Derek estaria com o coração fora da caixa torácica.

 

– S-Stiles…

 

A voz fraca e trêmula de Derek me fez constatar que estava mais irritado do que pensava. Não era só por ser alguém que ajudou tanto a mim quando ao Scott neste mundo sobrenatural que estava em perigo, mas por ser alguém que eu gostava. Que eu gostava demais… Meu coração batia dolorosamente em meu peito. Aquela cena terrível que passava diante meus olhos me fazia temer pela hipótese de perder Hale…

 

– O que vou fazer…? – Passo a manga da blusa em meus olhos, enxugando as lágrimas. Então, após isso, encaro sem receios Alexander que ainda sorria sádico – Vou fazer você soltar o meu homem e nunca, mas nunca mais fazer nada. Seja contra quem for…!

 

O sorriso do homem murchou. Na hora que ele iria apenas matar Derek, gritei com vontade e determinação, podendo sentir a vibração de minha voz percorrer meu corpo.

 

CUM ADOLEBITQUE ILLUD IN IGNEM EX INFERNO!

 

Imediatamente, o vampiro começou pegando fogo e, consequentemente, fez que soltasse Derek que caiu no chão machucado e dolorido mas ainda assim, vivo. Corri até ao homem dos olhos esverdeados e me sentei no chão, apoiando sua cabeça em meu peitoral. Todos estavam cansados, machucados e preocupados, principalmente com Derek mas todos ficamos apenas contemplando, chocados, o feitiço que eu tinha lançado. Alexander tentava a todo o custo se debater e apagar o fogo mas ele só apagaria se eu assim quisesse porém isso não aconteceria. Ficámos ali até o corpo do vampiro virar praticamente cinzas, sem qualquer resquício de vida.

 

– Stiles… – Ia começar Scott, que parecia incrédulo.

 

– Agora não é hora! Acredite, eu sou quem está mais feliz que isto tenha dado certo e podia até esfregar em vocês o facto que sou incrível, mas temos problemas maiores!

 

Meus olhos então desviaram para Derek, que me olhava. Ele estava visivelmente exausto e com bastante machucados pelos corpo, principalmente no peitoral.

 

– Você está… bem? – Questionou baixinho.

 

– Não se preocupe, eu depois vou no hospital. Precisa se focar em você… – Lhe respondi baixinho, sentindo as dores de meu corpo religarem. Apenas engoli o gemido de dor.

 

Me foquei em Derek e coloquei uma de minhas mãos sob seu peito, arrancando alguns gemidos de dor. Suspirei e apenas fechando os olhos, falando o encantamento mentalmente. Pude notar com facilidade a pele abaixo de meus dedos se curando. Claro, sabia que aquilo acabava me dando um pouco – mais –de dor, principalmente porque nunca tinha usado tanta magia em um dia só.

 

– Stiles, não precisava me curar. Eu…

 

Não escutei o restante da frase. Apenas apaguei pelo cansaço, dor e preocupação que me acertou naquela noite.

 

[…]

 

Acordei, podendo sentir um pouco de dores nas costas. Pisco algumas vezes para poder enxergar com clareza, vendo que meu pai estava ali e que se levantou quando reparou meu olhar sob ele.

 

– Stiles…! – Se aproxima da cama – Mas que mania de me esconder as coisas, garoto! Quando pensou em me contar que… que era um bruxo ou um mago, seja o que for…?!

 

Suspiro, passando a fitar qualquer canto daquele quarto. Sabia que não deveria esconder as coisas de meu velho, porém eu tinha medo. É, medo p’ra cacete. Eu sei, é meu pai mas… tenho medo que o machuquem por saber demais…

 

– Stiles, eu estou falando com você. Pode ao menos me responder, por favor? – O homem, advertiu, suspirando em seguida.

 

– Eu… Me desculpa pai. – Olho-o e sorrio – Mas hey! Eu estou bem. Salvei também os rabos peludos do Scott, Isaac e Derek. Tudo bem, Malia também tem um rabo peludo mas fica mal falar de uma garota assim...

 

Meu pai me encarava incrédulo. Continuei sorrindo para ele que acabou rindo nasalado e negando com a cabeça.

 

– Depois falamos em casa então, tudo bem? – Assinto – Scott e os outros estão lá fora.

 

– Pode chamar el… – Nem tinha terminado a frase e pude ver os garotos praticamente se espremendo na porta para caberem os três – Esquece, eles já estão aí.

 

Meu pai sorriu e se afastou um pouco, deixando Isaac, Scott e Derek se aproximarem.

 

– Cadê a Malia e a Lydia. Elas estão bem? – Questiono, curioso.

 

– Malia está recuperando e Lydia foi para casa. Ela estava praticamente dormindo de cansaço de esperar e aí dissemos para ela ir. – Respondeu Scott – Mas e aí…? Como se sente?

 

– Me sinto perfeitamente bem. Com uma costela quebrada e parecendo que me quebraram na porrada de tanta dor que tenho pelo corpo, mas tranquilo. – Respondo sarcástico, escutando Isaac bufar.

 

– Quer que…? – Derek não terminou a frase mas segurou minha mão na tentativa de me retirar um pouco de dor. Apenas afasto minha mão – Está bem...?

 

– Estou sim. Apenas estou preocupado com você, Derek. Você quase que ficou sem coração…! Consegue entender a gravidade da situação?! – Movimento minhas mãos freneticamente mas acabo gemendo baixinho de dor.

 

– Mas eu estou bem, não estou? Aliás, estou bem porque você me salvou. Então… obrigado, Stiles.

 

Miro os olhos de Derek, levemente surpreso pelo agradecimento. O homem parecia levemente envergonhado e então encarou os os outros dois garotos que logo após isso, saíram da sala levando meu pai com eles. Arqueio uma das sobrancelhas.

 

– Porque eles…? – Apontei para a porta.

 

– Acho que precisamos conversar, Stiles. – Ditou Derek, fazendo um calafrio pelo nervosismo percorrer todo meu corpo.

 

– Conversar? Conversar sobre o quê? Não há nada para falarmos…! – Soltei uma risada nasalada pela ansiedade que se instalou em meu peito.

 

– Bom, eu acho que existe coisas a falarmos. – Cruzou os braços – Principalmente depois de me denominar como ‘’seu homem’’.

 

Engoli em seco ao mesmo tempo que meu rosto deveria estar muito rubro pela vergonha.

 

– Eu… Eu falei isso no calor do momento, ok? Você… Você não é meu, como é óbvio… – Ri de nervoso e desviei nossos olhares.

 

– Stiles…! – Derek parecia me advertir pela minha frase.

 

Não disse nada mais, apenas passei novamente a olhar Hale e respirei fundo. Derek iria falar algo quando posso ver meu pai na porta do quarto.

 

– Hale, deixe meu filho em paz. Seja lá o que for que tenham que falar, têm tempo depois, mesmo não gostando nada dessa proximidade. – Resmungou e cruzou os braços, olhando de modo altivo para Derek – Agora, deixe o Stiles descansar. Daqui a pouco ele irá para casa, tiraremos um tempo para falarmos sobre o que ele esteve me escondendo e para ele se recuperar e só aí é que vocês poderão se resolver.

 

Derek olhou alternadamente para mim e meu pai, suspirando depois de alguns segundos e assentindo com a cabeça. Quis censurar meu pai por ter interrompido aquele momento, por mais vergonhoso que fosse, mas Derek logo se foi embora. Não disse nada, apenas encarei o mais velho com desaprovação porém não recebi uma reposta verbal. Quis me perder em pensamentos e imaginar mil e uma coisas que Derek poderia querer falar mas a tia Melissa adentrou o quarto para poder me examinar.

 

[…]

 

Um mês e meio. Um maldito mês e meio desde que vi Derek pela última vez. Me perguntava a todo o momento o que tinha acontecido àquele lobo idiota porque ninguém sabia onde o cara tinha ido. Cora veio me visitar algumas vezes durante minha recuperação, praticamente surtando e subindo pelas paredes de preocupação com o irmão. Queria poder ajudar mas eu estava quase no mesmo estado que a Hale mais nova.

 

Felizmente, estive só umas duas semanas em casa, já que meu pai queria garantir que eu não entrava em mais loucuras sobrenaturais durante minha recuperação. Ainda assim, a escola não podia esperar e então, pensava eu, poderia me distrair e não pensar no Derek enquanto ocupava minha mente com as matérias da escola mas que infeliz engano…! Céus, a cada canto que olhava daquela escola acabava sempre por recordar da noite dos vampiros e de como Derek quase morreu ou de quando o chamei de ‘’meu homem’’. Eu me pegava pensando e pensando mais ainda e a única conclusão que cheguei foi: Ele descobriu meus sentimentos por ele e fugiu por, sei lá, medo ou nojo. Era ridículo mas não havia outra explicação. Se ele não sente nada por mim, ainda que doloroso seja, poderia apenas me olhar com aquele sua expressão mal-humorada de sempre e dizer ‘’Sinto muito, mas eu gosto de mulheres, não de adolescentes idiotas que nem você’’. E mesmo que haja outra explicação pelo seu sumiço, minha mente adorava me jogar no chão e me pisar até me quebrar todinho, me fazendo pensar nas coisas mais dolorosas para meu coraçãozinho.

 

Suspiro pesaroso e saí de meu jeep, adentrando minha casa. Fui na cozinha e pude ver os típicos bilhetes de meu pai.

 

– ‘’Vou chegar mais tarde. Te deixei dinheiro na bancada da cozinha para encomendar algo para comer ou para ir no mercado.’’ – Li em voz alta o bilhete e o retirei da porta da geladeira, deixando-o perto do dinheiro – Acho que vou cozinhar algo e levar para meu pai ou ele vai se encher de fast food e ele sabe como isso faz mal e…

 

Falava comigo mesmo e gesticulava sem parar quando escutei algo caindo no andar de cima. Fiquei imóvel, preocupado e com o coração a mil em meu peito. Caminho então a passos lentos, tentando fazer o mínimo de barulho. Talvez devesse parar de bancar o corajoso e correr daqui para fora que nem uma criancinha assustada mas não podia. Minha consciência não me permitiria fugir.

 

Subi as escadas. A cada passo que estava mais próximo a meu quarto, meu coração acelerava mais. Engoli em seco e respirei fundo e adentrei o quarto do modo mais corajoso possível mas de olhos fechados.

 

– Eu juro que faço seu rabo imundo desaparecer daqui em um estalar de dedos!!

 

Tentei falar firmemente mas minha voz soou desafinada. Apenas abri os olhos ao escutar uma risada. Reconheceria-a a quilómetros, sem qualquer dúvida. Se antes eu estava com receio, então agora eu estava puto. Corri em sua direção e passei a socar seu peitoral.

 

– O que pensa que está fazendo, Stiles?? – Segurou meus pulsos com firmeza.

 

– Isso te pergunto eu, Derek. O que pensou estar fazendo quando quis dar o famoso chá de sumiço por quase por dois meses, hm?!! – Lhe falei com fúria, encarando-o com uma expressão fechada.

 

– Stiles, eu…

 

– Você nada! – Interrompi – Você é um grandessíssimo imbecil que só se preocupa com você! Porra, está todo o mundo surtando sem saber onde você foi!

 

– Eu só me preocupo comigo?! – Questionou surpreso, visivelmente ofendido com minhas palavras – Eu quis dar um tempo na minha cabeça, organizar meus pensamentos, me entender melhor, entender meus… meus sentimentos. Você acha que isso é só ‘’se preocupar comigo mesmo’’? Talvez seja você que se preocupa com você mesmo, Stiles! – Acusou, mas pude ver em seus olhos que se arrependeu de imediato de sua fala.

 

– Eu?! Você está zoando comigo, né?! – Ri com ironia – Você sumiu por quase dois meses. Eu surtei! Pensei que coisas ruins tivessem te acontecido, tive de novo as malditas insônias, não parei de pensar em você e como você estaria. Ainda assim, estive aqui por Cora que estava tão desesperada como eu, estive ajudando Scott porque ele está interessado na Kira e ele não sabia bem como a chamar para um encontro… Enfim, eu só penso em mim mesmo, não é? – Questiono teoricamente com amargura.

 

– Stiles, eu… Me desculpa. – Suspirou e soltou meus pulsos.

 

– Apenas vá embora. Você está vivo, é o que importa. – Dou de ombros enquanto meu coração batia dolorosamente em meu peito.

 

Não obtive uma resposta, bom, não em palavras. Soltei um gritinho quando senti minhas costas irem de encontro ao colchão. Arregalei os olhos, encarando Derek que estava sob mim, me encarando também e com intensidade.

 

– O que pensa que está fazendo, lobão?! Eu disse para ir embora e não para se jogar em cima de mim! – Zombo na tentativa de quebrar o clima levemente pesado que se tinha instaurado ali.

 

– Pois é, eu escutei. Mas sabe, ninguém manda em mim. Eu faço aquilo que eu achar melhor… – Sussurrou, se aproximando de mim – E posso te garantir que quero tudo, menos ir embora. Não de novo.

 

Iria perguntar sobre o que ele estava falando e para que desenvolvesse melhor aquela conversa estranha porém prendi a respiração por alguns segundos ao ter a sua boca quente e macia na minha. Poderia jurar que era mais um daqueles sonhos que eu tinha ocasionalmente com o mais velho mas aquele toque era real. Eu podia senti-lo e não precisava de sequer confirmar isso. Eu estava acordado, muito bem acordado!

 

Envolvo meus braços em redor de seu pescoço, nos juntando ainda mais. Sem sequer pedir permissão para tal, adentrei com minha língua na sua cavidade bucal, explorando-a, de inicio, com mansidão. Seu hálito era refrescante, numa mistura de menta com hortelã enquanto o meu tinha gosto do chiclete de morango que tinha mascado toda a manhã. Acho que no final, a mistura de sabores era que nem eu e Derek Juntos; Provavelmente nunca ninguém os imaginaria juntos por ser uma mistura estranhas mas, acontecendo então a tal mistura, os dois sabores se tornam estranhamente gostosos.

 

Me afasto a contragosto, em busca de oxigênio. Os olhos de Derek brilhavam em luxúria, podendo ver os mesmos se intercalando entre o verde e o azul gélido.

 

– Nós… Nós temos muito que falar… – Digo, levemente ofegante.

 

As mãos de Derek percorreram a lateral de meu corpo até alcançarem minhas coxas. Gemo baixo com o aperto deixado nas mesmas enquanto o homem esfregava levemente o nariz sob meu pescoço descoberto.

 

– Quer mesmo falar agora…? – Sussurrou a questão.

 

Mesmo sabendo que a pergunta era retórica, lhe respondi e e em seguida pude sentir um rastro de saliva em meu pescoço após passar a língua naquela região.

 

– N-Não… – Arfo – Acho que… temos tempo para isso.

 

– Ótimo. – Falou simplista, beijando-me novamente mas, desta vez, com fervor.

 

 

Ponto de Vista do Narrador

 

 

Stiles voltou a retribuir o beijo e na mesma intensidade que Derek lhe tinha beijado. Mesmo que quisesse e desejasse muito ter o Hale, tinha algum receio e vergonha. Já tinha sim transado mas apenas uma única vez mas tinha sido com uma mulher e por isso, nunca na sua vida de adolescente cheio de hormônios tinha transado com um homem. Claro, Stilinski ainda assim era curioso e já tinha beijado um garoto para saber como era a sensação e teve que admitir, ele gostava tanto daquilo como gostava com uma garota.

 

Ainda um pouco acanhado, Stilinski passou as mãos pelas costas de Hale, adentrando sua camiseta e tendo finalmente contacto com a pele quente e amorenada do outro. Com suas unhas curtas, arranhou de leve as costas do lobisomem de cima a baixo, recebendo um rosnando baixo. Quebrou o beijo e encarou Derek.

 

– Te machuquei?! Meu Deus, eu não devia ter te…

 

Derek calou Stiles com um selar, se levantando. O garoto ficou levemente decepcionado mas logo essa sensação se foi, dando espaço ao calor que atingiu com força seu corpo ao vê-lo retirando sua própria camiseta.

 

– Puta merda… – Sussurrou o humano, olhando cada pormenor do corpo de Hale.

 

– Precisa de bem mais do que me arranhar para me machucar. – Se aproximou com uma expressão quase que predatória sob o humano manchado de pintinhas.

 

O Stilinski mais novo assentiu e mordiscou de leve seu lábio. Em um ato de coragem retirou sua camisa e mesmo assim, se sentia abafado pelo calor repentino que se tinha instalado no cômodo.

 

Sinceramente, nenhum dos dois se lembrou de muito detalhes de quando tiraram as roupas de modo afoito. Estavam dentro do mundinho deles, aproveitando cada toque, cada beijo que trocavam. Mesmo que ambos tivesse lutado contra aquele sentimento, desejavam à demasiado aquilo e iriam usufruir daquele momento, mesmo que soubesse que mais cenas como aquelas aconteceriam entre eles.

 

Stiles estava neste momento deitado de bruços enquanto gemia porém, abafado por ter seu rosto contra o travesseiro. Derek estimulava e alargava a entrada do rapaz para que não doesse tanto na hora da penetração, utilizando seus dedos e a língua. Ou estocava dois dedos na entrada de Stilinski, ou fazia movimentos de tesoura, ou usava a língua para dar prazer e deixar aquela região bem molhada.

 

– D-Derek… – Retirou a cabeça do travesseiro, gemendo baixo – Pode continuar…

 

O homem se afastou um pouco e encarou Stiles, vendo-o completamente vermelho. Era, sem dúvida, a mistura do calor, prazer e da vergonha mas não era por isso que ficava menos atraente. Aliás, mesmo dormindo todo babado, na visão de Derek, o humano continuava extremamente bonito.

 

– Tem a certeza? Quero garantir que fique bem porque meu lobo pode não conseguir se controlar… – Assumiu Hale, acariciando uma das coxas de Stiles.

 

– Vai… Por favor… – Insistiu e Derek assentiu, dando uns tapinhas de leve na bunda do outro.

 

Enquanto Derek colocava apressadamente o preservativo em seu falo já dolorido pela falta de atenção, Stiles se colocou de quatro. Hale foi em busca de uma das mãos de Stilinski, segurando-a e entrelaçando os seus dedos na tentativa de tranquilar o outro e também de sugar um pouco sua dor, e então o penetrou vagarosamente. A entrada do garoto era apertada fazendo que Derek soltasse um gemido um pouco mais alto. Todos os pelinhos do mais novo se arrepiaram e pensou que adoraria escutar o lobisomem gemer daquele jeito mais vezes. Era… excitante.

 

Mesmo a contragosto pela parte dos dois, tiveram esperar alguns minutos até que Stiles se acostumasse com o tamanho do membro de Derek. O garoto hiperativo não sentia muita dor, era mais um desconforto. Não era de todo ruim, até porque Derek sugava um pouco da dor, mas não se sentia no paraíso. Stiles chegou a se perder em pensamentos, divagando se aquilo seria tão desconfortável nas próximas vezes… Claro, o garoto ficou ainda mais rubro. Não sabia ao certo o que rolaria entre eles mas ainda assim desejava que tivessem mais momentos íntimos como aquele.

O tempo passou e assim, o mais velho passou a estocá-lo lentamente, arrancando gemidos contidos mas manhosos de Stiles.

 

Hale passava sua mão livre devagar sob as costas de Stilinski, podendo ver os pelos do outro arrepiados mais uma vez. Continuou estocando o humano-não-tão-humano-assim sem qualquer pressa, descendo seus dedos para o quadril do outro e o apertando com certa possessividade. O homem apenas continuava com aquelas estocadas lentas porque sabia que logo mais Stilinski reclamaria, porque no fundo, desejava ir tão fundo no interior do garoto ao ponto de todos os outros lobisomens poderem encontrar seu cheiro em Stiles.

 

– D-Derek, eu juro que se você não for mais depressa, vou enfiar a primeira coisa que encontrar pelo seu… – Ameaçou Stiles, entredentes.

 

Sem qualquer demora, Stiles logo foi calado quando o outro passa a se movimentar rapidamente em seu interior. Derek sorriu convencido pelos gemidos mais altos que tinha arrancado do garoto.

 

– Me diz… Vai fazer o quê? – Questionou, zombando divertido.

 

– A-Ah…! Cala a boca…! – Gemeu.

 

As estocadas continuaram pelos seguintes minutos, arrancando gemidos por ambas as partes. Como era de se esperar, Stilinski atingiu primeiro o seu orgasmo, não aguentando e acabando por cair na cama já sem força para continuar naquela posição.

 

– Puta merda… – Disse Stiles, ofegante – Foi a melhor transa da minha vida…

 

– Já transou muitas vezes, hm?? – Questionou o outro, com certo ciúme.

 

Derek retirou a camisinha e passou a se masturbar para poder alcançar o ápice também enquanto mantinha seus olhos sob o garoto, gemendo baixo e rouco. Stiles olhava aquela cena podendo sentir que a qualquer momento poderia ficar duro novamente.

 

– Não… Só uma única vez mas foi com uma garota. Foi bom também mas com você é melhor porque, é, você é você e… – Se calou.

 

Hale estranhou o silêncio repentino como também foi surpreendido quando Stilinski colocou um pouco de seu membro na boca. Logo segurou os cabelos castanhos do humano enquanto ele o chupava.

 

– Porra, Stiles…! – Tombou a cabeça para trás.

 

Stiles apenas manteve seus olhos em Derek, olhando cada expressão de prazer do lobo e isso o incentivou a tentar abocanhar mais do grande falo. Assim o fez, e percebeu que aquilo era um pouco mais desconfortável do que aparentava nos vídeos pornôs que assistiu algumas raras vezes mas, podia sentir um gosto levemente adocicado vindo do mais velho, o que indicava que logo mais Derek chegaria ao clímax.

 

Para lhe dar mais prazer, Stilinski leva uma de suas mãos para o restante que não conseguia colocar na boca, masturbando-o. Além disso, passou a esfregar a língua na glande, colocando alguma pressão na área sensível.

 

Sem qualquer aviso, Derek então alcança o orgasmo, gemendo mais alto e arrastado enquanto enchia a cavidade bucal do outro com seu líquido viscoso. Stiles fez uma careta mas ainda assim engoliu-o. Era sem dúvidas estranho, pensou, mas ainda assim era gostoso.

 

Os dois homens se encararam e esboçaram um sorriso. Stiles tinha seu coração acelerado e sabia que não era só pelo cansaço do ato que tinham acabado de cometer. Se antes tinha qualquer dúvida do que sentia por Derek Hale, então agora já não restava quaisquer dúvidas dos seus sentimentos.

 

Ficaram um tempo em silêncio até conseguirem controlar as suas respirações enquanto pensavam o que diriam um para o outro. Stiles sendo o cara pessimista que costuma ser em questão a relacionamentos, pensava que levaria um chute na bunda enquanto Derek pensava em como falar o que sentia ao garoto usando mais de dez palavras na mesma frase.

 

[…]

 

PONTO DE VISTA – Stiles Stilinski

 

Depois do banho, eu e Derek nos deitámos em minha cama. Olhava o teto e batucava meus dedos sob minha barriga ao mesmo tempo que pensava o que falar e na lista que criei das razões para o lobo não quebrar meu rosto.

 

– Você está ansioso. – Começou ditando o homem dos olhos esverdeados – Dá para sentir de longe.

 

– Eu sei… – Respondo, brincando com meus próprios dedos – É que… estou com medo, Derek.

 

Senti uma movimentação na cama e então o olhei, visualizando que tinha se sentado.

 

– Medo do quê? – Questionou em um tom de voz baixo, olhando-me.

 

– Medo que não queira mais falar comigo. Que… Que tenha nojo de mim, eu… eu não sei! – Me sento na cama também.

 

– Nojo? Pelo quê? – Hale arqueou uma das sobrancelhas, confuso.

 

– Por eu ser um unicórnio e poder voar, Derek. – Respondo sarcástico, revirando os olhos – Óbvio que é pelo o que fizemos…!

 

– Stiles. – Senti suas mãos em meu rosto, obrigando-me a encará-lo – Acha que se eu tivesse nojo de você, eu quem teria te beijado primeiro? Ou que, sei lá, eu tivesse continuado te beijando mesmo sabendo que acabaríamos por transar?

 

Não respondi. Apenas suspirei e neguei com a cabeça, sentindo-me inquieto mas me segurando para não surtar.

 

– Stiles, mesmo você sendo irritante, que fala sem parar, que bola planos idiotas mas que no final dão certo, eu… Eu gosto de você à um tempo.

 

Sorri de canto ao vê-lo corado e desviando nossos olhares. Zoaria com ele sobre esta situação mas não agora. Talvez o faça na frente dos outros só para ver a expressão assassina em Derek em minha direção. É, eu realmente não tenho nenhum senso de autopreservação mesmo!

 

– Eu não sou mais esse garoto. Quer dizer, acho que ainda sou mas… O que aconteceu, eu… eu me sinto quebrado porém tentando juntar minhas peças, aos poucos, colando-as com cola extra forte. – Suspiro.

 

O homem voltou a me olhar e acariciar minha bochecha. Parecia que tentava ler qualquer expressão minha…

 

– Eu… Eu posso compreender. Não me considero o mesmo desde que… Desde que tive que matar Paige e já foi à alguns anos mas… – Suspira e me fita seriamente – Querendo ou não, vai sempre estar lá. Aquela dor, aquela culpa mesmo que a culpa não seja realmente sua, mas uma hora estará apenas em um pequeno canto da sua alma. Á situações que não podemos controlar ou mudar. Apenas… Aprender com elas e desejar que nunca mais se repetiam.

 

Assenti e respirei fundo, odiando aquele silêncio que se formou e então decidi quebrá-lo.

 

– Tudo começou após aquela cena da piscina. Você sabe, Jackson psicopata vulgo Kanima… – Dito divertido com as lembranças mesmo que assustadoras, percebendo seu olhar confuso – Quer dizer, talvez até mesmo antes disso eu já nutrisse alguma coisa por você porque eu não era doido ao ponto de ficar segurando por quase duas horas um lobisomem grande e pesado dentro daquela piscina. – Rio, vendo Derek soltar uma risada nasalada – Tudo bem, eu te soltei depois para pegar o celular e é verdade que quase te matei afogado mas pelo menos fomos salvos pelo Scott e tudo ficou bem!

 

– Você adora falar, não é? Deus, como eu acho isso irritante porém adoro ao mesmo tempo. Te ver tagarelando sem parar é uma bênção e uma maldição!

 

– Hey! – Dei um tapa em seu peito, vendo-o com aquela sua carranca típica – Nem faz essa expressão! Estou me declarando e você vem me ofender. Respeite meu TDAH, Sourwolf! – Faço bico, fingindo estar bravo.

 

– Me desculpa, garotinho hiperativo. – Rio baixinho enquanto rolei os olhos – Para compensar, eu… Eu vou fazer uma coisa que detesto. Falar sobre sentimentos. – Ia falar mas Derek levou o dedo indicador aos meus lábios – Me deixa falar porque sei que depois que você começa, eu não consigo te mandar calar… Por isso… – Respirou fundo e me ajeitei sob a cama, inquieto – Eu… Eu não sei… Eu notei a primeira vez que tinha algo estranho quando eu percebi que Peter era o alfa e que te tinha colocado em perigo quando praticamente te obriguei a ir naquele hospital. Porra, meu coração bateu tão forte só em pensar que aquele idiota podia ter te machucado… – Pude vê-lo encarar suas próprias mãos. Estava envergonhado em falar daquilo, de certeza – Depois conforme o sobrenatural ia aparecendo mais, que você ficava cada vez mais em perigo, eu te falava ríspido, querendo te manter longe. Era idiota sequer tentar porque se você não obedecia o Xerife, que por acaso é seu pai, porque me obedeceria? – Rio mas arqueio uma das sobrancelhas – É a verdade, Stiles. Não se faça de indignado… Enfim. – Continuou – Depois quando o Isaac quase te atacou na delegacia. Essa situação foi outra que senti receio de algo te acontecer e por isso rosnei para o garoto. – Me encarou – Há tantas situações mas a pior foi… Foi ver que estava possuído pelo Nogitsune. Ver que aquele não era você, saber que estaria sofrendo porque nunca na sua vida machucaria seus amigos por querer, me fez doer o coração e perceber aí que não era apenas amizade ou preocupação por ser o único humano entre nós. Quando pensámos que perderíamos você, eu pensei e jurei para mim mesmo que se conseguíssemos salvar, eu falaria com você. Que tomaria uma ação.

 

Segurei uma das mãos de Derek e funguei. Qual é! Um garoto é sensível! Não é todos os dias que se escuta o cara que gosta se declarando!

 

– E porque mesmo assim se manteve longe durante todo este tempo? Porque sumiu por quase dois meses? – Pergunto, curioso. Queria saber de tudo para que todas as peças se encaixassem em minha cabeça.

 

– Porque tive medo. – Assumiu, percebendo um leve aperto em minha mão e logo após isso, Derek entrelaçou nossos dedos – Você inicialmente estava quebrado. Totalmente quebrado. Nem Scott que é seu melhor amigo conseguia te ajudar e então continuei afastado. Depois descobrimos que você é um bruxo, fomos atacados várias e várias vezes pelos vampiros mas aí chegou aquela noite onde você me salvou mais uma vez, e então decidi tirar um tempo. Pensar para valer, perceber se eu realmente sentia o que sinto ou se eu estava apenas repleto de preocupação por você e seu bem-estar. Pensei no que te diria quando voltasse... Você sabe, sou péssimo com palavras.

 

Apenas assenti, sorrindo largo. Não pensei muito e puxei Derek para um abraço. Seus braços rodearam minha cintura e pude ter uma sensação de conforto e proteção como já não sentia à meses.

 

– Derek… – Me afasto para encará-lo – Eu sei que somos complicados, que estamos sempre brigando por coisas bobas, que você em cada dez frases para mim, nove são sobre como você quer rasgar meu pescoço com seus dentes ou garras e que eu estou sempre te provocando e tirando sua paciência mas… Eu.. Eu queria realmente tentar algo com você. – Admito, com o coração batendo aceleradamente contra minha caixa torácica.

 

Derek inicialmente não disse nada. Apenas parecia contemplar meu rosto e isso fez que mordiscasse meu lábio inferior pelo nervosismo.

 

– Não vai me responder…?? – Questiono, enquanto sacudia um de meus pés também pela ansiedade.

 

– Você quer mesmo isso? Sabe que todo o mundo vai acabar por saber, inclusive seu pai que me odeia… – Avisou-me mas eu sabia disso.

 

– Vai ser meu difícil no inicio. Vai todo o mundo ficar surpreso, chocado. Meu pai… Eu não sei, admito que tenho medo que ele me odeie por gostar também de garotos mas… – Respiro fundo, bem fundo – Eu quero tentar porque gosto de você. Eu gosto de você, Sourwolf.

 

Rio por vê-lo revirar os olhos pelo apelidinho porém me assustei quando ele se aproximou repentinamente.

 

– Só não rasgo sua garganta fora por conta desse apelido que já te disse que detesto, porque eu gosto de você também. Mesmo tendo minhas paranóias e medo que acabem te machucando por estar comigo, que te usem contra mim, ainda assim, eu também quero tentar, Stiles. – Segurou meu queixo, deixando uma leve carícia – Eu também gosto de você, bruxinho irritante.

 

– Olha aqui, eu já te disse que não sou…

 

Fui interrompido na minha tentativa de o xingar por continuar dizendo que eu era irritante, mas sou calado com seus lábios convidativos nos meus. Não sendo bobo nem nada, somente retribui o beijo com ternura, envolvendo meus braços em redor de seu pescoço.


Notas Finais


E aqui estão duas das cenas que eram meu maior sonho de consumo na série: Ver o Stiles sendo algo sobrenatural sem ser o Nogitsune (que eu amo, não posso negar) e de pelo menos acontecer UM beijo Sterek.

Ah! Peço desculpa por qualquer errinho que possa ter escapado e peço desculpa pelo hot. Não sou tão boa assim com esse gênero de cenas, mas mesmo assim amei escrever esta oneshot e desejo poder escrever mais sobre a série. Espero estar de volta em breve!

Beijos! sz


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