História I Love You - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Família, Romance
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Palavras 4.790
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Divirtam-se!

Capítulo 1 - Ela se foi enfim, e nunca mais irá voltar.


Fanfic / Fanfiction I Love You - Capítulo 1 - Ela se foi enfim, e nunca mais irá voltar.

Eu era feliz quando criança, apesar de ter um pai um tanto ausente, uma irmãzinha que me irritava até não poder mais, por outro lado eu tinha uma mãe amável e que sempre me colocava em primeiro lugar... Isso era o suficiente para mim.


Eu era feliz quando criança, apesar de ter sido deixada pelos meus pais e ter demorado seis longos anos para que alguém me adotasse e me desse uma família, por outro lado eu tinha as irmãs daquele orfanato que cuidavam de mim e faziam eu me sentir amada... Isso era o suficiente para mim.


Quando criança eu conheci um anjo, a partir daquele momento a minha vida ganhou uma nova cor, o verde brilhante de seus olhos que pareciam duas pedrinhas preciosas e mágicas que faziam dos meus dias os mais felizes, aquele anjo se tornou a minha melhor amiga de infância.


Quando criança eu conheci um príncipe, a partir daquele dia a minha vida se preencheu com o azul de seus olhos que me encantavam a cada olhar, conhecê-lo foi como mágica e tornou os meus dias os melhores, aquele pequeno príncipe se tornou o meu melhor amigo de infância.


Por nossos mundos serem tão diferentes, nos separamos, mas com a promessa de que estaríamos juntos outra vez um dia. Nos tornamos indiferentes e os dias de criança foram deixados a deriva com as lembranças se tornando vagas e perdidas. Havíamos crescido e com o tempo muitas coisas se passaram diante de nós, sentimos dores, sofrimento, tristezas contantes e perdemos pessoas importantes.


Depois de tantos anos, voltaríamos mesmo a nos ver um dia? Depois de tantas mudanças, voltaríamos mesmo a sermos os amigos que eramos?


Não sabíamos a resposta, mas não sabíamos também que o destino estava ao nosso favor, ele queria que nos reencontrássemos, porém, não só teríamos que nos lembrar de quem éramos, como passar por uma grande e dura prova... A de entender, aceitar e sermos capazes de amar.

 

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" Ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas sim reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios e perdas " ~ Autor desconhecido.

 

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Liam:

 

Ao longe eu avistava várias pessoas de luto cercando aquele túmulo, muitas delas eram conhecidas, eu poderia ter me juntado a elas também, mas do que adiantaria demonstrar sentimentos agora, quando ela já não está mais aqui?
A minha mãe, Melissa Bass, havia falecido e agora tudo parecia tão vago, as únicas lembranças que vinham eram do seu rosto, pálido e cansado. Por vários dias enquanto ela se encontrava naquele hospital, eu tentei me manter afastado e bastou eu aparecer uma vez para por fim ela dizer adeus. Eu não merecia isso.
Suas palavras falhas de consolo se mantinham presas dentro do meu peito, eu sentia um peso muito grande em meu coração. Trincava os dentes neste instante, me segurando para não derramar uma lágrimas se quer, isso não ia ajudar em nada, ela não está mais aqui.
O tempo se fechou e com a chuva que chegara, muitos foram se distanciando e deixando o lugar. Fechei os olhos, erguendo a minha cabeça, sentindo as gotas de água tocarem suavemente a minha pele, pensei que não fazia mais sentido eu continuar aqui, deveria sair também. Ela se foi enfim, e nunca mais irá voltar.
Havia deixado o cemitério e agora caminhava pelas ruas molhadas e movimentadas de Seatlle de baixo daquela chuva forte, pensando que o dia de hoje certamente seria registrado em sites de fofocas jornais bem conhecidos e muitos iriam comentar sobre o filho que não compareceu ao enterro de sua própria mãe.
Pois de onde eu estava naquele momento, encarando aquelas pessoas tumultuadas naquele cemitério, ninguém podia me ver ali e foi melhor assim, eu não queria me mostrar para aquele povo falso, muito menos estar ao lado do meu pai e da minha irmã, fingindo ser o que não somos mais... Uma família unida... Que se foda tudo isso.
Ainda caminhando meio sem rumo, acabei parando por um momento na calçada de uma rua desconhecida. Avistara um bar chamado Botllehouse logo a frente, e com a chuva que parecia não querer cessar, pensei que não faria mal me abrigar por alguns minutos naquele lugar. Eu estava de a pé, longe de casa e sem condições alguma para se querer ir em outro lugar. 
Entrei no bar, me dando uma leve sacudidela para me livrar dos pingos de chuvas que haviam em meu sobretudo. Andara até o balcão atraindo olhares daqueles que estavam por ali, não liguei para isso, eu só queria poder me sentar e me aquecer um pouco com uma bebida forte que me fizesse esquecer os momentos ruins que tive de passar hoje.
Me sentei em um banco e não me demorei muito a pedir o que queria.
- Eu quero uma bebida, a mais forte que você tiver. - Disse, olhando um tanto desanimado e cansado para a garçonete.
A atendente olhou para mim como se não tivesse entendido o meu pedido e naquele momento eu me irritei um pouco pelo seu desleixo e também total falta de higiene, pois ela mascava um chiclete e fazia bolinhas com ele de um jeito que me fez sentir nojo.
Mas o que esperar de um lugar como este? Com certeza nada de grandioso, mas eu não estava com cabeça para escolher um outro lugar, embora agora eu já estivesse me arrependendo amargamente disso.
- Eu vou levar o dia todo para ser atendido? Se estiver com dificuldade para escolher a bebida, pode ser uma vodka sem gelo. - Disse, reforçando o meu pedido.
- Posso ver a sua identidade?
- Como? - Arqueei uma sobrancelha.
- Desculpa, mas são as normas da casa, não podemos vender bebidas alcoólicas a menores de idade, por isso preciso ver a sua identidade.
- É sério isso? Além de ser um local decadente, que certamente não recebe muitos clientes pela má qualidade tanto no atendimento quanto no ambiente, ainda fazem questão de constranger as pessoas pedindo esse tipo de coisa?
- Local decadente? Má qualidade no atendimento? Escuta aqui, não é porque você é cliente que vou deixar que fale assim, se não está satisfeito, cai fora daqui.
- Era só isso que eu poderia esperar de uma atendente fracassada que vai passar a vida inteira atrás deste balcão, servindo e limpando este lugar.
- Eu não sou obrigada a ouvir os insultos de um idiotinha que nem deve ter saído das fraudas ainda.
- E ainda discute achando que está certa, é uma pena porque eu poderia ser um daqueles que iriam contribuir para a sua merreca de salário no fim do mês.
- Seu playboyzinho arrogante, saia agora daqui, ou se não...
- Algum problema por aqui?
Uma terceira pessoa apareceu, nos interrompendo na discussão.
- Quem é você? Mais um atendente fracassado? - Perguntei, já irritado com essa situação.
- Eu sou o dono.
- Hm! Não acho que faça diferença, mas o problema está na vaca da sua funcionária que mal sabe atender um cliente e ainda por cima, discute achando que está com a razão.
- Você me chamou do quê? - Ela praticamente rosnou para mim. O Homem ao seu lado fez sinal com a mão para que ela parasse.
- Daniele já chega, por favor! Agora escute aqui rapaz, isso não é jeito de tratar uma pessoa, você deveria ter mais respeito. É melhor ir embora se não quiser ser tirado daqui a pontapés. 
Já conformado de que não iria conseguir a minha bebida, me levantei do banco, ressaltando minhas últimas palavras em alto e bom tom.
- Você não tem noção de com quem está falando, eu poderia te fazer perder tudo isso em um estalar de dedos por agir assim comigo, mas quer saber? Eu vou embora mesmo, pois não me admira uma espelunca dessa ter uma gentinha de merda trabalhando aqui. Passar bem!
Atravessei a porta que fora aberta naquele instante, me debatendo em alguém que não fiz nem questão de olhar a face, eu só queria ir embora o mais rápido possível deste lugarzinho asqueroso.

 

Lara:

 

Havia passado pela porta do estabelecimento e quase fui levada ao chão por um cliente que passou praticamente voando, não consegui ver o seu rosto, mas ele estava mesmo com muita pressa.
Me aproximei do balcão onde avistara meu chefe Frank e minha colega de trabalho Daniele, conversando baixinho. Pensara já em dar uma desculpa convincente ao meu chefe pelo meu atraso, mas desisti ao perceber que o clima aqui parecia nada bom.
- Oi, me desculpa pelo atraso Frank, prometo que irei compensar e, o que houve? Vocês não me parecem bem. - Perguntei, observando as suas expressões cercadas por uma tensão um tanto perturbadora.
- Foi um cara idiota que apareceu aqui e começou a me ofender. - Disse Dani, completamente irritada.
- Te ofender, mas por quê? - Perguntei, abismada.
- Eu só pedi a identidade dele, pois parecia ser novo demais para querer beber, aí ele não gostou do meu ato e partiu pra grosseria. Falou um monte de merda pra mim, foi um verdadeiro filho da puta.
Minha nossa! - Levei a mão a boca, surpresa.
Que babaca! Ficou se achando por ter grana no bolso e nos rebaixou sem parar.
- Sinto muito por isso, Dani.
- Por sorte o Frank deu uma dura nele e o expulsou daqui. Aquele playboyzinho maldito e folgado.
Frank que ainda estava ao seu lado deu um longo suspiro.
- Bom, agora vamos esquecer isso, o trabalho deve continuar, pois temos mais clientes para atender e, Lara, vou precisar de você no depósito, chegaram algumas mercadorias, pode arrumá-las para mim?
- Sim! Já estou indo pra lá.
- Respondi ao meu chefe sem hesitar.
Frank havia se retirado. Encarei a Dani e ela apenas balançava a cabeça negativamente enquanto olhava atentamente para o caixa.
- Aquele cara, eu não gostei nada do que ele disse, você tinha que ver, ele queria mesmo me humilhar, eu não merecia isso e aposto que era apenas um moleque.
Eu sinto muito, você não merecia mesmo isso, mas sempre irá existir pessoas ruins neste mundo para querer nos fazer mal, mas não deve deixar isso te abalar, você é mais do que pensa. Esqueça isso, ele se foi e certamente nunca mais irá voltar.
Assim eu espero porque se eu cruzar com aquele cara de novo, ele não vai sair vivo dessa, anota o que eu estou dizendo.
Está bem! Anotadíssimo. Agora preciso correr, já tive sorte de não levar bronca pelo meu atraso, melhor eu não abusar mais ainda da bondade do nosso chefe. Vou até o depósito, nos falamos depois.
Ok! Vai lá e boa sorte, pois pelo que vi são bastante caixas.
Fiz um aceno com a mão esquerda para a Dani e logo segui para o depósito, assim finalmente dando início ao meu expediente.

 

Liam:

 

Após uma longa caminhada, por fim cheguei no único lugar que me parecia menos ruim agora. A casa dos pais de Isabela, minha namorada.
- Minha nossa Bass, o que houve com você? Está encharcado! - Reclamou ela.
- Está chovendo, o que você esperava? - Rebati.
- Gentil como sempre. Anda, tira logo essas roupas, está sujando o carpete caro do meu quarto e, que cheiro é esse? - Perguntou, me cheirando como se fosse um bicho.
- Pare com isso! O Cheiro deve ser daquele bar nojento onde estive.
Andou bebendo?
Tentei, mas foi uma catástrofe. Preciso urgente de um bom banho e preciso de você também.
Sabe todos estavam perguntando sobre você, não compareceu no... - Fiz um sinal com a mão a interrompendo.
- Não quero falar sobre isso.
- Está bem! Me desculpa.
Isabela se aproximou mais, quase ficando colada a mim e tocou de leve na gola de meu sobretudo.
- Então... - Disse ela estalando a língua, tentando focar apenas em nós agora. - Quer a minha companhia no banho?
Bem mais que isso.
Com a sua ajuda, comecei a me livrar de algumas peças de roupas que eu vestia. Isabela me abraçou por trás, deslizando suas unhas com suavidade em meu peito.
Tente ao menos ser sensível com o seu namorado, é o mínimo que espero de você.
Prometo que serei e eu sinto muito por tudo.
Eu sei.
Isabela se desprendeu do abraço segurando a minha mão esquerda e nos guiando para o seu banheiro.

 

Lara:


- Oi!
- Oi Dani. - 
Me surpreendi ao vê-la atrás de mim neste depósito. - Sentiu saudades?
E como haha! Mas e aí, quer uma ajudinha?
- Não precisa se incomodar, estou quase acabando, só falta mais uma caixa e pronto.
- Então deixe-me cuidar dessa última caixa para você - Insistiu ela - Descanse um pouco.
- Está bem! - Por fim acabei cedendo - Obrigada!
Me afastei, me sentando em um caixote e vendo a minha amiga continuar o trabalho por mim.
- Você não mentiu quando disse que eram bastante caixas.
- Eu nunca minto gatinha.
- O bom é que não demorei muito para arrumar, embora agora eu esteja coberta de poeira. - Dani balançou a cabeça negativamente, olhando para mim que fazia uma careta e riu em seguida.
O Frank não devia fazer você se esforçar tanto assim, se ele me pedisse, eu poderia muito bem ter arrumado em seu lugar.
- Isso não é nada, ao menos assim o tempo passa voando.

- Ainda sim Lara, tem que se cuidar.
- Eu sei e agradeço de verdade pela preocupação
. - Ela me deu uma piscadela.
- Pronto! Agora está tudo em perfeita ordem. - Disse ela, esfregando as mãos para se livrar da poeira.
- Obrigadinha pela ajuda, Dani. - Disse, me levantando em seguida.
- Não precisa agradecer, não fiz nada demais. Agora vamos respirar um pouco longe deste lugar claustrofóbico, sério, ele deveria contratar alguém para cuidar desta parte das mercadorias.
- Não reclama, Dani.
- Ai nem vem Lara, deixa eu reclamar a vontade, não estou muito bem hoje. Me dá um desconto, vai.
- Ainda zangada pelo o ocorrido de mais cedo? - ​
Perguntei, a vendo se encostar na prateleira um tanto descontente, ela demorou um instante para me responder olhando para os próprios pés, parecendo recordar das cenas de sua discussão com o cliente desconhecido e mal educado.
Um pouco... - Disse, limpando a garganta em seguida - Sabe? Eu não gosto de falar mal de onde trabalho, mas sei que no fundo isto aqui é uma droga, só que foi a única coisa que consegui após meses procurando emprego nesta cidade dominada pelos magnatas e pela classe alta.
- Só que contudo -
Continuou ela - Até que gosto daqui, é de onde tiro o meu ganha pão e pago as minhas contas que não são poucas. Também tem você, o Frank... Confesso, as vezes eu sinto uma vontade enorme de dar um belo chute bem no meio das bolas dele...
- Meu Deus! Dani! -
Ela se aproximou, se apoiando em meu ombro esquerdo e rindo.
- Foi mal, mas é a realidade. Enfim... - Disse ela ainda rindo e eu acabei balançando a cabeça negativamente, rindo junto.
- Mas contudo até que ele é legal, só que é tenso você dar duro pra tentar o seu melhor, sorrindo em frente aquele balcão mesmo em dias ruins, vendo todas aquelas caras feias, pra do nada chegar um merdinha daquele e ouvir ele te chamar de fracassada. vaca... Arg! - Arregalei os olhos, surpresa com o que me contara.
- Ele falou assim com você? - Agora pude entender ainda melhor a gravidade da situação, me senti realmente mal por ela.
- Sim! E isso machuca muito e também mostra que não temos o respeito que merecemos, tanto como pessoa, quanto como funcionárias. - Ela desviou o olhar com um nó na garganta, percebi a sensação esmagadora que se alastrava em seu peito. Coloquei minha mão em cima de suas costas, depositando afago e carinho, tentando reconfortá-la desse sentimento de tristeza e desanimo.
- Sei que não é fácil, mas a minha mãe Cecília, sempre me dizia que temos que ser fortes, não importa o tamanho do problema, pois Deus não nos dá um fardo maior do que podemos carregar.
- Eu sei, mas é tenso. De qualquer forma, não é primeira vez que sou ofendida assim, eu costumava a ouvir esse tipo de coisa até do meu ex namorado. Aquele desgraçado sempre me machucava com palavras maldosas.
- Eu sinto muito por isso minha amiga, mas o importante é você não permitir que essas palavras ditas por essa gente maldosa te façam acreditar que você não passa disso, porque não é verdade. Você é guerreira, tem caráter e é melhor do qualquer coisa já dita por esses que nem ao menos te conhecem direito.

- Isso é muito bom de se ouvir, sabe? E confesso que muitas vezes eu olho pra você e penso... É tão novinha e gentil, deveria sair deste lugar e procurar algo melhor, você é inteligente e com certeza vai ter sorte, ao menos pra não ter que passar por isso também.
- Não seria tão fácil por conta do colégio e... Bom, tive sorte pelo Frank ter me dado uma chance e me contratado, mesmo sabendo da minha situação. Mas também teve o dedo da minha mãe nisso, ele a conhecia, sabia o que tinha acontecido com ela e quis me ajudar de verdade.
- Agora era eu olhando para os meus próprios pés, pensando sobre o seu comentário ao mesmo tempo que tentava argumentar.
- E sair daqui para tentar algo novo seria arriscado - Continuei - Pois aqui eu sei que o Frank não irá me mandar embora, a não ser que eu pise na bola feio, mas em outro lugar... Não sei se teria a mesma sorte.
- Eu entendo você e penso o mesmo sobre mim agora. -
Disse ela enquanto encostava sua cabeça na minha, tristonha.
Respirei fundo, tentando deixar aquela melancolia que se formava naquele lugar de lado, pois isso não combinava comigo, sempre tentei ver o lado bom das coisas e tentava fazer as pessoas próximas a mim enxergar isso também. Dei um chega pra lá nesse baixo astral e me coloquei de frente para a Dani, sorrindo.
- Acredite, não é ruim, é um trabalho como qualquer outro. Não podemos reclamar porque foi o que escolhemos e o que nos escolheu ao mesmo tempo no momento, mas é claro que isso não quer dizer que tudo ficará assim para sempre, não se temos outros planos e sonhos, ainda podemos realizá-los, nada acaba até morrermos. Então, é só não desistir e ter fé, um dia tudo pode melhorar e pra finalizar, eu tenho certeza que pessoas ruins irão aparecer seja em qualquer lugar, mas o bom é que nós não somos assim, por isso vamos continuar sorrindo mesmo que não pareça o certo, pois temos muito mais a ganhar com isso.
- Você tem razão e sabe? Você é muito boa com as palavras, sempre me faz refletir e acreditar. Eu já disse que te amo, gatinha? Pois saiba que amo de paixão e obrigada. -
Disse ela, sorrindo e me dando um apertão.
- Fico muito feliz de ouvir isso e te ver assim animada, e saiba que eu também te amo. - Dei uma beijoca em sua bochecha e fiz um sinal para cairmos fora daquele depósito.

 

[...]

 

Liam:

 

Era de madrugada, entrara em casa completamente chapado, não conseguia enxergar direito as coisas a minha volta e de cara acabara derrubando alguns vasos caros e importados que faziam parte da coleção da dona Melissa. Não liguei para isso, eu só queria chegar até a minha cama e apagar de vez em cima dela.
- Liam, é você? - Perguntou aquela voz rouca, me fazendo parar na hora. Droga! Justo quando eu não queria ver ninguém e agora aqui está o meu pai, Charles Bass.
- O que pensa que está fazendo? - Perguntou, me encarando sério e desgostoso. 
- Eu só quero ir pro meu quarto, tá legal? - Respondi um tanto embolado, eu não estava só chapado, mas muito bêbado também.
- Não mova um músculo! - Ele não me deixou passar e eu sabia que ia levar pela cara.
- É inacreditável! Olha o seu estado, a que nível você está chegando meu filho?!
- Não vem com sermão pra cima de mim, me deixa caralho! -
Sinceramente eu não estava pronto para retomar essa relação escrota que tenho com o meu pai, nada do que ele diz me agrada e sempre foi assim.
- Você saiu daquele quarto de hospital sem falar com ninguém, não compareceu no enterro da Melissa, ela era a sua mãe! Sumiu por dias e agora aparece aqui em plena madrugada assim. Você só me dá desgosto. Onde eu errei com você?
- Olhe para si mesmo, talvez encontre a resposta que procura.
- Sua mãe jamais se agradaria com isso.
- Ah para! Como pode ter tanta certeza do que diz? De todos você era quem menos a conhecia, podia estar casado com ela, mas você nunca se importou de verdade, assim como não se importa com nada além de si mesmo, então para de fingir que sabe das coisas, que conhecia a minha mãe e o que realmente a agradaria.

Repentinamente a minha irmã mais nova, Alicia,  havia entrado na sala se deparando com mais um de muitas discussões que meu pai e eu já tivemos.
- Papai e... Liam? Óh céus! Por fim você resolveu aparecer, nos deixou preocupados.
- Que ótimo! Platéia! Por que não aproveitamos e chamamos os empregados e os vizinhos também? Chame todos para ver a sua decepção senhor Bass. -
Disse debochadamente enquanto via o mais velho balançar a cabeça em negação.
- É uma lástima que esse seja o caminho que você queira seguir, a sua mãe que tanto te amava certamente não iria querer te ver assim. - Meus punhos se fecharam e eu avancei pra cima dele, agarrando a sua camisa com força.
- JÁ CHEGA! NÃO fala dela como se ela ainda estivesse aqui, ela MORREU! E eu gostaria muito que você tivesse morrido também.
- Liam, já chega, por favor! -
Se intrometeu Alicia, mas não dei importância para a sua chatice.
- Eu odeio você - Praticamente rosnei, olhando o mais velho nos olhos. Soltei sua camisa e me afastei devagar. - Eu odeio todos vocês. - Encerrei, trocando olhares com a minha irmã, deixando claro que ela estava incluída nessa e por fim pude me retirar.

 

Alicia:


- Ele está me assustando a cada dia mais. - Encarei o meu pai que parecia tão perdido quanto eu naquela sala deixada a alguns segundos atrás pelo meu irmão revoltado.
- O seu irmão está cada vez pior e não sei se um dia isso vai mudar, talvez até já seja tarde demais. O Liam se transformou e sinto que não posso mais fazer nada para que isso volte a ser como era antes. - Disse ele com uma voz passível.
Meu pai se calou e seguiu para o andar de cima em um completo silêncio, nem os seus passos se ouvia enquanto caminhava. Agora aqui estou eu sozinha, sentindo uma tensão enorme por essa situação. Esse clima entre o meu pai e meu irmão sempre me deixa nervosa e eu me pergunto se um dia isso terá fim.
Liam está tão mudado e o caminho que ele está querendo trilhar não me parece nada bom... As vezes penso que é por causa da mamãe, afinal, ele a amava e ela se foi, mas antes de tudo isso, eu me lembro dos dois juntos, eles possuíam uma ligação que nem eu compreendia, nunca foi a mesma coisa comigo, acho que sempre me entendi melhor com o papai, mas enfim... Meu irmão já não era mais o mesmo e agora que a nossa mãe não está mais aqui, tudo piorou ainda mais, principalmente o comportamento do Liam.
Abracei a mim mesma pensando que está mesmo difícil sem ela aqui e só faz alguns dias, é difícil de acreditar que uma das pessoas mais importantes para mim se foi, sinto um nó se formar em minha garganta... Mas eu não quero mais chorar, isso não vai adiantar e o papai tem razão quando diz que devemos ser fortes e seguir em frente, é o que estou tentando fazer, mas quanto ao Liam... Eu não o entendo, simplesmente não o estou reconhecendo mais. "Suspiro".

 

[...]

 

Lara:

 

Caminhava depressa achando que perderia a primeira aula e isso não seria nada legal tendo em vista as minhas faltas e meus atrasos de antes.
Por mais que eu tenha tido um bom motivo para cometer todos esses deslizes, ainda sim, não podia abusar ainda mais da bondade dos meus professores, principalmente do diretor que sempre tenta ser complacente comigo.
Tive sorte de chegar em sala de aula e não encontrar nenhum professor por aqui.
Da entrada avistei a minha amiga Bonnie que acenou para mim, ela fez um sinal para que eu fosse me sentar ao seu lado.
Segui pelas fileiras e me acomodei rapidamente na carteira, retirando os meus materiais da bolsa e respirando aliviada por estar aqui.
- Você demorou hoje, já estava ficando preocupada, pensei que faltaria de novo.
- Não! Eu já abusei demais disso, já fico aliviada de chegar aqui e não ser pega no atraso pelo professor. Acabei dormindo demais hoje.
- Sua cara fazer isso, mas acredito eu que o professor não seria capaz de ser mal com você, pois já havia deixado claro ao diretor sobre a sua situação e todos devem compreender. Além disso, eu sei que muitas vezes o que te leva a passar do horário de dormir é exatamente o que tanto temo. Você está mesmo bem, não é? -
Perguntou preocupada, cogitando a ideia de que eu tenha passado mal mais uma vez.
- Eu estou bem, não se preocupe, foi apenas a TV dessa vez, mas quanto a compreensão de todos, penso eu que deve haver um limite para tudo, não? - Sua expressão mudou de repente, para mais séria e um tanto assustadora.
- Não no seu caso! - Disse em um tom firme.
- Não devia dar tanto ênfase para isso, é apenas um problema como qualquer outro. - Tentei argumentar.
- Você e sua mania de nunca levar a sério o que tem - Retrucou ela irritada. - Mas mesmo você não se importando, eu irei me importar. Tem tomado os seus remédios certinho?
- Gosto quando você dá uma de mãe durona e sim, eu tenho tomado todos eles, todos os dias mamãe. - Sorri me divertindo enquanto via a minha amiga revirar os olhos um tanto indignada.
- Pare de gracinha senhorita e me diga, já conseguiu repor o que estava faltando?
- Ainda não, mas farei isso em breve.
- Lara! -
Repreendeu ela - Você não pode ficar sem os seus remédios, se você quiser eu posso... - A interrompi no mesmo instante. Eu amava a Bonnie e tudo o que ela tentava fazer por mim, mas não queria ser além de amiga, um fardo para ela também.
- Por favor, Bonnie, não! Sabe o que penso disso e eu posso lidar com isso sozinha, eu tenho um emprego, lembra? Não se preocupe, está tudo sob controle.
- Um emprego? -
Criticou ela - Lara, acorda! Você trabalha naquele bar, mas o que ganha lá mal dá para se sustentar direito.
- Bonnie, você está sendo grosseira. Sei que o que ganho não é muito, mas é o suficiente para mim, ao menos nunca faltou comida na mesa. -
Afirmei com orgulho e logo a vi balançar a cabeça negativamente sem querer dar por vencida.
- As vezes eu não entendo esse seu jeito de lhe dar com os problemas e principalmente a mania que você tem de sempre dizer que está ou vai ficar tudo bem. - Rebateu ela incomodada.
Respirei fundo tentando por fim suavizar a conversa.
- Anos de convivência e você não entende? - Arqueei uma sobrancelha sorrindo e continuei - Você já deveria saber que é assim que funciona comigo, sei que não podemos fechar os olhos para o que acontece em nossas vidas, mas tem uma coisa que nunca deve faltar... Fé! E isso eu tenho de sobra. - Sorri mais ainda, triunfante. 

 

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Notas Finais


Obrigada por acompanharem!


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