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História I Need U - Capítulo 115


Escrita por: e Bryhanny


Notas do Autor


. ‿︵‿︵‿‿︵‿︵‿︵ . .
Oi gente totosa da tia!
@Bryhanny aqui.

⤳♡᳕” Só estou passando para dar um oizinho e avisar que a @SraScamander vai dar uma pequena pausa por aqui porque está estudando pacas, sabe como é né? Começo de ano, novas metas, novos horizontes. Deem muito carinho a ela porque mesmo longe INU vai continuar. E agora com esse novo arco muita coisa vem pela frente.
꒷ ͝͝͝ ꒦ ͝ ꒷꒷ ͝͝͝ ꒦ ͝ ꒷ ͝͝៶

Alerta de spoiler
V
V
V


Inclusive um monte de hots porque os meninos são lindos, cheirosos, patagônicos, estratosféricos, donos da pohan toda.

*Boa leitura! *

Capítulo 115 - Are you some genius?


Fanfic / Fanfiction I Need U - Capítulo 115 - Are you some genius?

"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."

 

Pablo Neruda

 

PDV DO NAMJOON

AINDA NO AVIÃO (QUE NÃO DECOLA)

—Eu nem gosto mesmo do lado da janela. -a moça falou sem nem me dar tempo de devolver-lhe o seu lugar, então só me restou esperar que ela reclamasse das condições da poltrona, mas ou não notou que estava defeituosa ou não fez caso.

Enquanto isso, o manager contava um pouco menos zangado —mas só um pouco mesmo – as poucas e boas que falou lá na companhia aérea sobre o nosso voo ter atrasado tanto.

—Eu não estou aqui para brincadeiras! Eu juro que é a última vez que viajamos em voo comum. Da próxima vez vamos num transatlântico particular.

Exagerado? Eu nem ia dizer nada, mas quem se manifestou foi o Jin hyung ante essa barbaridade:

—Então o senhor vai sozinho, porque nem de navios eu gosto. Prefiro aviões.

—Sabia que há mais navios no fundo do mar do que no céu? -o Taehyung emendou e todo mundo começou a rir. —Eu vou com o meu hyung e não abro.

Até eu levantei para ver a cara das pessoas logo atrás de mim com esse comentário dele. Não era mais fácil dizer que aviões são mais seguros que navios?

Daí começou-se uma discussão sobre qual era o melhor veículo até alguém lembrar da linha férrea mundial idealizada no filme Expresso do Amanhã que dava a volta ao mundo e nunca parava.

—Isso sim é um meio de transporte seguro.

—Esse trem não é aquele que tomba no final e só sobrevive uma mocinha e um menininho? -a Ray observa como uma boa companheira de filmes do Yoongi hyung.

—E que provavelmente viraram comida de urso depois do final. -olha aí ele dando a sua linda contribuição à conversa.

Sempre maldoso.

Nesse momento, um dos comissários de bordo entrou e pediu-nos que verificássemos os cintos, depois deu-nos mais algumas orientações básicas com a empolgação de um robô antes de sair.

—Nenhuma explicação sobre o atraso, né? -um dos passageiros que não fazia parte da equipe de staff, mas que estava viajando conosco comentou com a mulher ao lado.

—Chefe, o que disseram para o senhor? -a Day-nim pergunta.

—Não entendi direito...

—Ele quase não deixou a moça explicar. -interrompeu um dos assistentes dele. —Já chegou dando um “dolio tchagui” (golpe de taekwondo) na pobre.

—Claro que eu deixei ela falar! -ele discorda cruzando os braços. —Tinha algo a ver com... aish! Quem se importa? O que interessa é que eu fui lá e resolvi tudo.

—É o meu herói. -sinto o tom de ironia na voz do hyung, mas não me dou ao trabalho de continuar a ouvir a conversa de como o nosso excelentíssimo chefe pôs ordem em um dos principais aeroportos dos EUA.

Ao contrário, minha atenção se prendeu à moça retardatária ao meu lado. Ela não era a única desconhecida naquele voo, mas a meu ver era a que mais parecia perdida e desesperada.

Suas mãos apertavam com tanta força os braços da poltrona que as pontas dos seus dedos adquiriram uma tonalidade azulada. Discretamente, ela tentava inspirar e expirar várias vezes, -sem no entanto, conseguir controlar a própria respiração -silenciosamente, enquanto todos seguiam suas vidas fazendo o barulho de sempre apenas comentando sobre o voo atrasado e como isso afetaria os seus compromissos.

O que havia com ela? Fechei meu livro e me dirigi à ela a fim de perguntar-lhe, talvez oferecer-lhe ajuda, mas antes que eu me manifestasse, levantou a mão e chamou o comissário.

—Você poderia me arranjar... um daqueles s-saquinhos de enjoo e... uma garrafa d’água?

Enjoo? Eu estranhei porque ainda nem tínhamos decolado, mas preferi ficar na minha. Sua voz saiu tão fraca e entrecortada que eu temi que ela fosse desmaiar ali. Dois minutos depois, já com seu saquinho em uma das mãos e a garrafa na outra, é que sua respiração foi aos poucos ficando mais calma.

—Você está bem, moça? -eu pergunto e ela nega com a cabeça.

—Não se preocupe. -falou depois. —Já estou acostumada a isso. É só um...

O curioso é que, -só depois de muito fui notar -ela não tomou um gole de água sequer e muito menos usou o saquinho durante o voo inteiro. Ficou apenas ali segurando como se ambos fossem uma espécie de placebo.

—Quanto tempo ainda precisamos para chegar em Newark, pessoal? -o Jimin reclamou assim que decolamos. ­—Já estou com fome!

—De novo? Mas você devorou uma pizza inteira! -ouço sua namorada retrucar enquanto o filma com o celular.

—Inteira nada. Eu dei um pedaço para o Kookie.

—Grande diferença! -o maknae gritou lá de onde estava. —Era um pedaço tão pequeno que não deu nem para o começo.

—Quando pousarmos novamente você comerá quantas pizzas quiser. -o manager falou. —Mas em nome de tudo o que é mais sagrado, não falem mais sobre voos atrasados.

Então eles mudaram de assunto e eu voltei a minha atenção para a minha vizinha de poltrona.

—Culpada. -ela disse baixinho só para eu ouvir.

—Perdão? -eu pensei ter entendido errado.

—O voo atrasou... por minha culpa. -ela falou timidamente. —Mas não conta para eles. São mais dez horas aqui dentro e as coisas já estão complicadas para mim.

—Não contarei. -eu lhe asseguro. ­­­­—Mas, como exatamente você fez essa façanha? Não estava roubando combustível do avião, né?

Ela me encara com perplexidade, mas relaxa quando percebe que estou só brincando.

—Eu odeio viajar de avião. -ela fala já um pouco mais calma embora volta e meia ainda fique puxando o fôlego dolorosamente. —Não fui feita para ficar nas alturas.

—Eu percebi. -falo percebendo que se a mantiver ocupada conversando ela se sentirá mais à vontade, afinal são dez horas com nossos pés longe da terra. —Mas... por que exatamente você acha que o voo atrasou por sua culpa? Eu nunca vi algo assim acontecer. Geralmente os aviões não esperam por ninguém.

—Ah, não! Eu não ia embarcar neste voo. -ela volta a apertar a garrafinha que por pouco não expele água por todos os lados. —Meu voo partiu há umas doze horas atrás e desde então eu estava ilhada aqui.

—Doze horas? -eu me espanto. —Sério?

E nós aqui reclamando de atrasos, mas doze horas?

—Bom... é uma história meio... longa. -ela volta a respirar com dificuldade.

Medo de voar deve ser uma coisa bem incômoda!

—Por que não me conta? -eu sugiro, mas antes que ela abra a boca, nosso avião entra em uma nuvem que o faz vibrar levemente com a turbulência. Não é lá grande coisa, mas ela rapidamente fecha os olhos e aperta ainda mais a garrafa. —Moça... o avião não vai cair.

Ela não responde mais nada e fica ali de olhos fechados, inspirando e expirando.

Eu posso chamar o comissário de bordo, posso também ignorar aquela cena e voltar para o meu livro, mas eu acabo optando pela terceira opção, a mais absurda que me surgiu no momento: segurei-lhe a mão que àquela hora estava gelada como a mão de um cadáver e deixei que ela a apertasse o quanto queria.

Quando o avião parou de vibrar -coisa que ninguém deu lá muita importância – ela abriu os olhos devagar e olhou em direção às nossas mãos entrelaçadas.

—Sente-se melhor agora? -eu lhe perguntei já fazendo menção de soltar-lhe a mão. ­—Você estava tendo uma crise de pânico...

—Por favor, não solte... por enquanto. Deixa só eu... me recompor...

—Não se preocupe. -eu lhe disse voltando a segurar-lhe a mão. —Um dos meus amigos já teve isso uma vez e se não estivéssemos perto ele teria caído no choro. Nem sempre dá para controlar, não é?

Ela assente e continua olhando para os nossos dedos entrelaçados.

—Eu tenho um trabalho a realizar em Newark. -ela fala um tom mais calma. —Mas só soube disso ontem quando ainda estava em Portland. Eu vim de trem até Oakland porque... não consegui mais nenhum voo. E então quando fui embarcar acabei sendo detida na hora de fazer o check-in da minha bagagem.

—Detida? -eu pergunto mais por curiosidade do que por espanto. —Tipo... presa?

—Sim. Acredita que pensaram que eu estava contrabandeando drogas?

—E você estava?

—Claro que não! Eram só os meus remédios.

—Impossível! A minha amiga ali atrás é médica e trouxe vários remédios também e nem por isso foi barrada.

—Duvido que tenha trazido mais do que eu. -ela faz um muxoxo. —Na verdade, eu nem gosto de viajar carregando-os. Geralmente eu encomendo online e peço que deixem no quarto do hotel onde eu devo ficar, mas desta vez não tive tempo para nada. Foi tudo tão corrido que nem os receituários eu trouxe. Até provar que eram remédios para enjoo, ansiedade, insônia e refluxo, o avião já tinha partido.

Eu arregalo os olhos. Tantos remédios assim? Ou é hipocondríaca ou tem uma doença terminal, no entanto, prefiro manter este meu comentário para mim mesmo.

—Que problemão você se meteu! -eu falo ao invés. —Mas coisas assim acontecem. Nem tudo está sob nosso controle. Você pode ligar para o seu trabalho e justificar, não pode?

—Doze horas de atraso? -ela suspira. —Você perdoaria se tivesse que fechar um negócio com alguém e este alguém te fizesse esperar por doze horas?

—Bom...

—Pois é. A maioria não perdoa. E eu até entendo. Mas não posso perder esse negócio por nada nesse mundo. Imagina quantas pessoas podem ficar sem emprego por causa do meu erro?

Seu tom de voz sai um pouco triste enquanto ela sacode o conteúdo da garrafa que ela sequer abriu.

Pobrezinha!

—Pense positivo, moça. -eu lhe digo. —Pelo menos você conseguiu embarcar em outro avião.

Ela me encara novamente e eu prendo a respiração por um momento, não sei se esperando por uma resposta atravessada ou por só agora ter percebido que a moça cuja mão eu ainda segurava tinha os olhos como as águas do Mar de Wedell de um azul tão límpido que se confunde com o próprio céu. Como eu não tinha notado antes?

—Sabe porque eu consegui este voo? -ela continua ignorando a minha presente paralisia respiratória. —Eu ameacei abrir um processo tão grande contra a companhia aérea que os levaria à falência caso eu não conseguisse chegar a tempo em Newark.

Suas palavras gélidas me tiram do meu torpor e eu me seguro para não rir.

—Você é bem ardilosa, moça. Para alguém que tem medo de aviões.

E pela primeira vez ela ri. Não um sorriso escancarado com estou a acostumado a ver as garotas que eu conheço fazerem, mas algo sem mostrar os dentes, o suficiente para destacar o furinho que ela trazia no queixo e que tornava seu rosto redondo bastante encantador. Ela não se queixou da minha brincadeira, mas pelo menos, onde pude observar, já não trazia uma respiração irregular ou nervosa.

Passamos algumas horas ainda conversando e aos poucos pude perceber que apesar de ter problemas, aquela garota estava dando o seu melhor ao cruzar o país e cumprir com o seu compromisso, porque acima de tudo era consciente que não estava sozinha e trazia a responsabilidade sobre o destino de muitos outros. Ela contou-me que ela e um amigo -o mesmo que lhe deu a incumbência de última hora -estavam à frente de um grande evento, e que na hora H deixou-a sozinha para cuidar de tudo. Ela, por sua vez teve que fazer a maior parte das contratações por telefone enquanto estudava vários pdf’s com os dados sobre os seus clientes.

—Grandes líderes devem saber se virar em situações imprevistas. -eu lhe digo. —Tenho certeza de que você se sairá muito bem.

—Obrigada. Você fala como um líder.

Contei-lhe um pouco sobre o meu trabalho, sem entrar muito em detalhes nem dizer-lhe que os barulhentos do avião eram o meu grupo de k-pop, e ela apenas relaxou ouvindo o que eu dizia, parecendo esquecer-se que estava a onze mil metros do chão. A mim deu a entender que apreciava muitas variedades de música e, mesmo sendo texana, preferia Post Malone a qualquer tipo de cowntry. Uma pena, eu lhe disse, não que eu não goste das músicas dele, mas porque eu a havia imaginando montada em um cavalo em algum rodeio em Austin.

E livros. Ao ver o livro que eu trazia no colo pôs-se a falar sobre todos os que já lera e que costuma comprar aos montes por onde viajava. Eu sempre achei isso adorável em uma garota. Elas parecem ter tanto mais para conversar quando leem mais.

E assim, acho que atravessamos metade do país falando sobre música, livros e arte quando ela finalmente se deu conta das nossas mãos ainda juntas e resolveu soltar-se.

—Obrigada pelo conforto, moço. -ela disse. —As pessoas geralmente não demonstram empatia ante as fragilidades das outras. Não é fácil para mim, que trabalho pelo país inteiro subir em um avião e não sentir nada. Alguns dizem que é frescura.

—Engraçado as pessoas medirem sentimentos e experiências alheias a partir de algo que elas nunca viveram. -eu lhe explico. —Sabe, eu tenho uma amiga que passou por uma situação bastante delicada há alguns meses e nem mesmo eu sabia como encarar. Enquanto muitas pessoas apenas a olhavam com estranheza, meus amigos e eu buscamos entender o que não entendíamos e ver pelos olhos dela o que nunca tínhamos visto. De fato, nem sempre é fácil, mas só porque não sabemos uma coisa não significa que não poderemos aprender, não é?

Ela ficou me olhando por mais tempo do que eu realmente esperava, boquiaberta. Então assentiu e passou o dedo pelas últimas gotículas de água que escorriam da garrafa.

—Você é alguma espécie de gênio? -ela pergunta por fim. —Acho que seus amigos têm sorte por tê-lo em suas vidas.

É com muita dificuldade que não flutuo de tanto orgulho. Pelo menos o que eu digo toca mais as pessoas do que a minha...  bom, o que eu digo toca as pessoas. É isto.

—Se me dá licença, eu vou tentar dormir um pouco. -ela observa ao perceber que o silêncio quase sepulcral ao nosso redor era porque a maioria do pessoal já estava dormindo.

—Eu entendo. -eu lhe digo. —Também vou tentar. Hum... você por acaso...

Ela, que já está recostada na poltrona reclinada abre os olhos em minha direção e eu mostro-lhe a minha mão.

—Ainda vai precisar dela?

Nunca se sabe, né?

Desta vez ela abre um sorriso, do tipo que só alguém muito próximo tem me mostrado, embora ela não me seja nem um pouco próxima. Seu rosto, antes pálido e cansado agora parece iluminado só com aquele sorriso. Quisera eu que todas as pessoas tivessem essa capacidade.

—Acho que não. -ela fala. —Quem sabe na hora da aterrisagem.

Eu assinto um pouco envergonhado.

É óbvio que nossas mãos nunca mais vão se tocar e assim que descer deste avião ela contará a todas as suas amigas que teve que partilhar uma poltrona com um chato de galocha. É o que todas dizem, no fim das contas. Ou talvez não diga nada.

“[...] porque quando eu cruzar a porta de saída daqui nem vou lembrar que tive que passar pela humilhação de ser a acompanhante de um arremedo de idol feio e desengonçado [...]”

Impossível não lançar um olhar de tristeza para a moça de olhos fechados ao meu lado, mas que diferença faz? Em breve cada um vai para o seu lado, muito embora todo mundo que passa por nós sempre deixa alguma coisa. Eu não sei o que posso ter deixado em sua vida, mas na minha... da próxima vez que vir o azul do mar do Caribe vou lembrar dos olhos dela.



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