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História I Need You (Kim Doyoung) - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Two


Fanfic / Fanfiction I Need You (Kim Doyoung) - Capítulo 2 - Two

"Nunca tive a chance

Para dizer um último adeus

Eu tenho que seguir em frente

Mas dói tentar"

- Dancing With Your Ghost (Sasha Sloan)


· · • • • ✤ • • • · ·

Três anos. Faziam exatamente três anos. Três anos do pior dia da minha vida, três anos dos meus dias escuros, três anos que eu me arrependia profundamente. Três anos de noites mal dormidas, tendo pesadelos, ou sonhos, que eram a única maneira de eu vê-la novamente, mas eu acabava acordando sem dar tempo de me despedir direito dela, e não conseguia voltar a dormir. 

Nos últimos três anos acordar tem, na verdade, doído bastante. A fria compreensão de que ela não está mais aqui me envolvia lentamente. Eu não gostava mais de acordar e enfrentar aquele pesadelo que eu estava vivendo. Três anos sem ela. Um espaço vazio ao meu lado na cama, um espaço vazio na minha vida. Yuri, você me fazia muita falta.

Eu estava parado em frente ao túmulo dela havia uma hora. Virou um hábito ir visitá-lo pelo menos uma vez a cada três meses. Não teve um dia dessas visitas que eu não chorei, eu não aguentava não poder vê-la, não poder tocá-la, não sentir mais seu perfume a metros de distância. O mundo, para mim, não estava sendo o mesmo sem ela. Era como se todos os meus dias fossem um dia nublado e triste. Coloquei as flores encostadas em sua lápide. Me desculpei pela décima vez, queria que ela pudesse ouvir. E então me despedi. Fiz meus passos devagar até o carro, olhei mais uma vez para trás antes de entrar no veículo.

— E então...? — questinou Taeyong. Ele havia me dado carona até o cemitério. Nesses três anos ele ficou do meu lado, me fazendo companhia, tentando me ajudar, ele sabia como estava sendo difícil já que ele e Yuri eram amigos. — Se sente um pouco melhor?

— Não! Sinto que estou morrendo um pouco a cada dia. — falei, encostei minha cabeça no encosto do banco e virei minha cabeça para a janela.

Taeyong deu partida no carro e saímos dali.

— O que é isso? Para que esses remédios? — Taeyong apontou a cabeça em direção ao compartimento da porta do carro.

Eu pedi a ele para passarmos em uma farmácia antes de irmos para o cemitério.

— Eu não consigo dormir direito...talvez isso ajude. — dei de ombros.

— Hum...mas são remédios demais, não acha?... — Taeyong olhou rápido para mim. — Doyoung? Você não está pensando em...

— O quê? — o interrompi.

Ele freou o carro parando em um sinaleiro.

— Você não está pensando em...você não vai fazer isso...não de novo. — ele olhou para mim, vi seus olhos se encherem de água, olhei para frente não querendo encarar seu rosto.

Eu sabia o que estava passando na cabeça dele. Foi o dia em que eu não aguentei a dor, que ela foi mais forte que eu e pôde me controlar. Eu estava sozinho naquele dia e só não queria mais ter que ficar um segundo respirando, vivendo aquele pesadelo. Meu único pensamento era acabar logo com tudo aquilo, com aquela angústia e sensação de culpa. Peguei todos os tipos de comprimidos que havia em casa e os tomei todos de uma vez.

— Olha, Doyoung...não deixe que essa tristeza cubra seus olhos e te impeça de ver que sempre vai haver uma saída... e essa saída não é a morte. Como vai sentir de novo a alegria que tanto procura estando...morto. — Taeyong olhava para frente. Eu não fazia contato visual com ele mas pela sua voz, eu sabia que ele estava se segurando para não chorar. — Eu estou aqui! Estamos aqui. Eu e os outros caras. Sei que continuar o caminho da sua vida está sendo difícil, mas nesse momento não precisa olhar só para frente, olhe para o lado, tem pessoas aqui com você, caminhando junto com você. E sabe que ela não ia gostar de te ver assim, não é?

— Não se preocupe, eu só quero dormir um pouco, estou muito cansado... — encostei a cabeça no vidro da janela, olhando a rua lá fora. — E se ela estivesse aqui, eu não ia estar assim. A culpa é minha por ela não estar aqui.

— Não diga isso. — Taeyong agora  revezava seus olhos entre eu e o trânsito.

Ele ainda tinha um pouco de receio de me deixar sozinho. Tinha medo de ir me procurar por não atender o telefone e me encontrar, de novo, inconsciente, pálido e com coração parando de bater a cada minuto que passava.

— É a verdade.

— Não! Foi um acidente. — ele enfatizou.

— Eu poderia ter impedido. — rebati.

— Ninguém sabia que isso iria acontecer. Tá bom? Não pode ficar se culpando por um acidente, você não estava muito bem naquele dia, você foi atrás dela. — Taeyong estacionou o carro em frente a uma cafeteria.

— O que estamos fazendo aqui? Eu quero ir para casa.

— Ah não! Você já fica em casa vinte e quatro horas nos fins de semana, só sai para trabalhar, depois que volta é só o que você faz, se tranca em casa e fica mofando lá. Fica tanto tempo em casa que já está virando parte dos móveis. Vamos lá. — Taeyong abriu a porta.

— Ha-Ha. — revirei os olhos e imitei sua ação abrindo a porta.

Quando passamos pela porta do estabelecimento o cheiro de café invadiu minhas narinas. Café era a minha bebida favorita e o cheiro do líquido me deu vontade de tomar uma xícara quentinha. O lugar não estava cheio, o que era bom já que eu não gostava de ficar em lugares com muito tumulto, eu me sentia sufocado. Tinha muitas mesas vazias no meio da cafeteria. Eram mesas redondas acompanhadas de duas cadeiras, mas nós optamos por sentar em uma mesa escostada na parede, com bancos estofado dos dois lados, ao lado de uma grande janela com vista para a rua e alguns prédios. Fiquei olhando os carros que passavam por ali.

— E essa cara aí? — Taeyong falou assim que se acomodou no banco.

— É a única que eu tenho. — olhei para ele.

— Você costumava sorrir, devia sorrir mais.

— Se for pra colocar um sorriso falso no rosto...prefiro não sorrir.

— Tudo bem. Não está mais aqui quem falou. — Taeyong levantou suas mãos se rendendo e abaixou logo em seguida. — Só quero ver você bem de novo, como você era antes. Se ficar só trancado em casa se culpando, você não vai conseguir seguir em frente. Você tem que continuar vivendo sua vida, por mais que você perca quem ama. Não que você tenha que esquecer a Yuri, mas ela iria querer ver você bem e feliz mesmo ela não estando por perto. Ela te amava, ela não te culparia, estava lá para te salvar. Então siga em frente, porque assim também é uma maneira de continuar a felicidade das pessoas que você tem ao seu redor agora.

— E a minha felicidade? 

— Você pode ser feliz de novo e só você se permitir ter essa felicidade. — Taeyong terminou de falar. 

Senti um cheiro doce no ar, mas não tão forte, também não era enjoativo, era daqueles cheiros que você sente uma vez e precisa sentir de novo de tão bom. Uma garota parou ao lado de nossa mesa. 

— Olá, sejam bem-vindos, fiquem à vontade. O que vão pedir? — a garota falou como se a frase estivesse já pronta na ponta da língua, sendo repetida pela décima vez só naquela manhã. 

Estava com os cabelos negros, como o céu à noite, amarrados, usava um avental preto e segurava um bloco e uma caneta na mão. 

— Eu vou querer um capuccino, e um pedaço daquela torta que estou vendo lá no balcão. — Taeyong apontou e a garota olhou na direção indicada, anotando logo em seguida. 

— Ok. E você vai querer...? — ela me olhou colocando a ponta da caneta no papel. 

— Só vou querer um café normal, por favor. 

— Ok. Já trago o pedido de vocês. — ela sorriu de lábios fechados e se retirou. 

Cruzei meus braços e deitei a cabeça neles. Era inevitável, por mais que eu tentasse pensar em outras coisas, meus pensamentos sempre voltavam para Yuri. Pensei nas palavras de Taeyong, ele estava certo mas eu não conseguia não me culpar, não conseguia me ver feliz de novo. Era como se eu não merecesse. No fundo, eu queria seguir em frente mas...eu não conseguia sair dessa escuridão que eu me afundava cada vez mais, eu não via uma luz para me salvar.

— Aqui está. — a garota apareceu novamente. — Aproveitem. — Colocou nossos pedidos na mesa e se virou para atender a mesa ao lado. 

— O que você vai fazer hoje? — Taeyong falou e bebeu um gole de seu capuccino. 

— O que você acha? — falei. Levantei minha cabeça para olhá-lo. — Não estou com ânimo para sair.

— Você nunca está. Podemos fazer alguma coisa...vamos dar uma volta por aí.

— Eu não quero. — balancei minha cabeça negando. 

— Por favor. — Taeyong pediu me olhando nos olhos. — Só dessa vez, se isso não te ajudar um pouco, você pode ficar trancado o resto da vida em casa e não sair mais. 

— Mentira, — franzi o cenho. — você não deixaria eu fazer isso.

— É...claro que eu não deixaria. Mas vamos, por favor. — meu amigo juntou as mãos suplicando e tentou fazer uma carinha fofa. Só tentou mesmo. 

— Desculpe, mas hoje eu não estou afim mesmo. — falei de um modo que ele pudesse enteder que eu realmente não queria. 

— Tudo bem, você venceu dessa vez. — Taeyong desistiu. — Da próxima eu consigo.

Assim que terminamos de tomar o café, fomos até o caixa pagar a conta.

— Obrigada. Tenham um bom dia e voltem sempre. — a mesma garota que nos atendeu falou com um sorriso simpático no rosto.

— Voltaremos, sim, é um lugar muito bom. — Taeyong devolveu o sorriso e deu uma piscada para ela. Não perdia tempo.

— Pode me levar para casa agora? — pedi enquanto saíamos da cafeteria.

— Tá bom, chato. Estamos indo.

Taeyong me deixou em frente ao prédio onde eu morava. Perguntei mais por educação se ele queria subir, pois eu queria ficar sozinho, ele disse que tinha que ir em outro lugar, então foi embora. Fiz meus passos até o elevador de cabeça abaixada, eu só queria passar o resto do dia deitado fazendo nada. Amanhã eu teria que ir trabalhar.

Depois que me recuperei do acidente, fiquei uns meses sem fazer nada, então Taeyong me indicou uma livraria que estavam contratando. Eu aceitei. Quando estou lá, os livros me ajudam a distrair um pouco e não pensar tanto em tudo que ocorreu nos últimos três anos.

Entrei em casa, deixei as chaves, como de costume, na mesinha ao lado da porta. A mesinha agora tinha um novo vaso de flor e também um porta retrato com a foto de Yuri. Na foto ela estava rindo de algo que eu havia falado. Como eu sentia falta de ver aquele sorriso.

Caminhei lentamente até meu quarto e me joguei na cama. Fiquei olhando pela janela o dia cinzento que estava lá fora e então peguei no sono.

                      · · • • • ✤ • • • · ·

Eu estava em um parque. O dia estava ensolarado, sentei em um banco de frente para o lago. Era o mesmo parque em que conheci Yuri. Um vez eu estava sentado nesse banco e ela se sentou e puxou conversa comigo, foi um dos melhores dias que eu já tive. Enquanto olhava para o lago, lembrando do nosso primeiro momento juntos, de repente senti uma mão em meu ombro, me virei, era ela. 

— Yuri! — me levantei e a abracei. —Sinto tanto a sua falta. — senti suas mãos em meus cabelos.

Fechei os olhos, quando os abri, ela não estava mais na minha frente e eu não estava mais no parque, estava em um lugar...vazio, era tudo preto, todos os lados levavam para uma escuridão imensa, eu não sabia para onde ir. 

Doyoung! — escutei a voz da Yuri me chamando, me virei e ela estava parada atrás de mim a alguns metros de distância. — Você está bem? — ela caminhou até mim e segurou minhas mãos. Eu não sentia seu toque.

Estou sim.

Não está, não. — ela olhou bem nos meus olhos.

Por que acha isso?

Seus olhos... — ela levou uma das mãos ao meu rosto o acariciando

O que tem eles? — coloquei minha mãe sobre a dela que estava no meu rosto.

Eles não brilham mais.

E-eu não consigo ficar em um mundo sem você. O mundo, para mim, é... escuro sem você. — segurei suas mãos tentando sentir sua pele macia, mas foi em vão. Eu podia tocá-la mas eu não a sentia.

De repente ela havia sumido. Então o cenário ao meu redor mudou, agora eu estava na rua onde havia acontecido o acidente. Tudo estava exatamente igual aquela noite. Dei alguns passos pela rua e ouvi um barulho de buzina. Depois veio um clarão que quase me cegou, cobri meu rosto e me encolhi esperando o impacto. Mas nada aconteceu. Quando a luz forte dominuiu, abaixei minhas mãos e vi o quarto do hospital. Eu estava deitado na maca, virei a cabeça e Yuri estava deitada ao meu lado, morta. Me desesperei, esses cenários mudavam sem eu conseguir controlar. E novamente voltei para o vazio, caí de joelhos no chão, chorando. Dessa vez eu só ouvi a voz da Yuri:

Você consegue! Só precisa de uma luz.  



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