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História I See Fire - Capítulo 6


Escrita por: e Poliamas


Notas do Autor


SIM! SOU EU DNV!!
SEXTOU COM MAIS UM CAPÍTULO!!

ps. sim, sou eu a Park, porque a Poli está atarantada :)

Boa leituraaa!!

Capítulo 6 - Ofertas


Fanfic / Fanfiction I See Fire - Capítulo 6 - Ofertas


❝ Ofertamos nossas vidas, sem reservas. ❞

 

—Fique parado.

Enquanto Caspian segurava Caça-Trufas, Annika tentava amparar a perna do texugo. Nikabrik e Ripchip os acompanhavam, assistindo aos movimentos da garota.

—Vou arrancar a flecha, vai doer.

—Por favor, seja rápida...

A seguir, todos ouviram o gemido de dor do animal, pois tão rápido quanto a flecha entrou em sua pele, Annika foi rápida para retirá-la. O sangue ficou pouco estancado e não escorreu tanto, mas se não fosse tratado, ela sabia que seria infeccionado.

—Preciso enfaixar, ou vai piorar.

—Não é necessário, logo passa. —contradisse o texugo.

Annika porém, revirou os olhos e ignorou-o, levantando-se. Juntou ambos os dedos indicadores direitos, levou-os à boca e assobiou, como o soar de um passarinho. O som ecoou por entre as árvores, alguns segundos depois, escutaram o som de um relinchar.

Não muito longe, aproximando-se por entre os troncos, Angus foi de encontro à sua dama, parando à frente dela. Annika sorriu ao ver que ele estava bem, acariciou sua testa e passou a mão pelos fios de seu largo pescoço.

—Bom garoto, Angus... —disse ela. —Bom garoto.

Então, a garota dirigiu-se até sua sela, procurando por algo nos bolsos que carregava.

—É um belo cavalo, senhorita. —comentou Ripchip, indo até ela. —Se me permite dizer, é claro.

Annika sorriu, não sabia exatamente o que mais poderia dizer ao roedor, talvez fosse o encanto que a ainda pairava em seu peito. De qualquer forma, encontrou o saquinho que estava procurando, aproveitou e também pegou uma faixa branca, então, dirigiu-se a Caça-Trufas, sentando-se ao lado do irmão, entre as folhas.

—Aqui, deixe-me ver isso.

Então, ela abriu o pequeno saco em suas mãos, dando espaço para que o texugo farejasse e tivesse certeza de que não era nada demais além de medicamentos.

—São ervas de jasmim. —acrescentou a garota. —Vão ajudar a amenizar a dor.

—Pegou ervas de jasmim? —questionou Caspian.

A garota fitou o irmão, dando de ombros.

—Quando ouvi os gritos de parto da tia Prunaprismia soube que tínhamos que fugir. —explicou ela. —Peguei tudo o que pude pra viagem.

Com a permissão de Caça-Trufas, Annika tratou do ferimento com as ervas e depois, enfaixou o local, fazendo um acabamento perfeito, de modo que não iria incomodá-lo. Ao finalizar, agarrou uma flecha detrás da aljava nas costas e, com a ponta afiada, cortou a fita que sobrava.

—Prontinho. —acrescentou. —Não faça grande esforço, à noite deve estar melhor.

O texugo levantou-se e tentou andar, mancando algumas vezes, logo percebeu que a dor que sentia segundos atrás não iria demorar a passar. Então, virou-se para ela.

—Obrigado.

Annika sorriu, compassiva.

—Disponha.

—Onde aprendeu a fazer isso? —indagou Nikabrik. —Ou é a curandeira do castelo?

Annika abaixou o olhar, terminando de enrolar a faixa que havia sobrado e, ao se levantar após Caspian, voltando-se para Angus, guardou as ervas e virou-se para o anão, dando de ombros.

—Livros. —respondeu, os outros porém, pareciam incrédulos. —Eu leio bastante.

Nas horas que se passaram, Nikabrik, Caça-Trufas e Ripchip afastaram-se, juntando-se aos seus, enquanto tanto Annika quanto Caspian mantinham-se quietos, esperando embaixo da mesma árvore, reparando nos narnianos que não paravam de chegar. Como havia dito o centauro, eles estavam reunidos, ou melhor, ainda se reuniam.

Os centauros os guiaram até um lugar rodeado de árvores, ainda no meio da floresta, porém com o seu centro vácuo, aberto entre as matas, mais plano e certamente mais afastado da área por onde os telmarinos deviam estar procurando agora, como uma clareira. Chamavam de “Dancing Lawn”.

O que mais assustava, principalmente Annika, eram os olhares furiosos daqueles narnianos que chegavam, dentre eles minotauros, anões, faunos, mais centauros e outros como onças, servos, ursos, panteras. Todos eles, se não com armas, então com garras muito afiadas. Para a sua sorte, eles não poderiam dizer nem fazer nada contra eles até que o Sol caísse.

—Eles são muito mais do que eu imaginava. —comentou ela, admirada.

Caspian concordou com um suspiro, perdido em seus próprios pensamentos.

—Sabe que eles vão nos atacar se tiverem a chance, não é? —disse a gartoa, mas ele não respondeu. —E você sabe que eles são a nossa única chance de conseguir...

—Eu sei, Annika. —falou ele, depois inspirou e soltou a respiração. —Eu sei.

Annika entendeu o recado. Obviamente, pois assim como ela se preocupava com a vida dele, Caspian também se preocupava com ela, sabia que, caso eles decidissem condená-los, seria difícil escaparem vivos. A possibilidade de ver sua irmãzinha machucada claramente deixava-o nervoso. Ela porém, sabia que ele conseguiria apoio dos narnianos, sempre soube que liderar era o destino dele.

Segundos depois, Angus, incomodado com o ar negativo que pairava no ar, relinchou. A garota se apressou em segurar suas rédeas e então, alisou os pelos da testa do animal, tentando serená-lo. Logo, pode reparar nas sombras que estavam se aproximando.

—O Sol está se pondo.

Novamente, Caspian ficou em silêncio, encarando os narnianos à volta deles.

—Só pra deixar claro, qual é exatamente o seu plano? —questionou a garota. —Quer dizer, o que você pretende caso consiga o exército deles?

—Tomar o meu lugar de direito no trono, derrotar o nosso tio, conseguir paz.

Annika franziu o cenho, balançando a cabeça negativamente.

Entre os dois, ela é quem passava mais tempo na biblioteca. Para sua sorte, enquanto Caspian herdou o dom da palavra e perfeitamente conseguiria ao menos a ajuda dos narnianos, ela desenvolveu as habilidades técnicas necessárias para elaborar um bom plano contra seu tio.

—Você pelo menos sabe o que vai dizer?

—Ah, eu só...

—Não faz ideia... —interrompeu a garota, revirando os olhos.

—O meu plano era ouvir o que eles tem a falar primeiro.

A garota devia admitir que estava surpresa com a resposta. Desse modo, um pequeno sorriso brotou em seus lábios.

—Tudo bem, só... —disse ela, fazendo uma breve pausa. —Siga o seu coração.

—Belo discurso.

Annika virou-se para encará-lo e sorriu.

—Você sabe o que tem que fazer. —disse ela. —E não há mais nada que eu possa fazer a não ser apontar uma flecha caso um deles ouse te atacar.

Foi a vez de Caspian sorrir e virar-se para encará-la.

Ele não conseguiria expressar com apenas palavras o quanto era grato por ter Annika ao seu lado, ela quem nem precisava estar aqui, em uma situação como essa, ela quem poderia ter ficado no castelo sã, salva e segura, com mantas quentes para passar a noite e seus livros preferidos na biblioteca. Ela não tinha o dever de estar ao seu lado no meio da floresta rodeada de narnianos furiosos, mesmo assim, não pensou duas vezes antes de ajudá-lo a escapar.

Logo, ele se aproximou e depositou um beijo carinhoso em sua testa, abraçando-a.

—Obrigado, Ann.

—Me agradeça quando assumir o trono.

Dito isso, Caspian se afastou.

E então, os dois ouviram dois os passos altos e precisos, como socos no chão, próximos a eles. Quando menos se deram conta, uma multidão estava ao redor e não muito longe, tomando a frente, Glenstorm, o líder dos centauros, olhava para eles, indicando o que já sabiam. A hora chegara.

—O Sol se pôs. —disse Glenstorm. —Aproxime-se, telmarino.

Annika segurou as rédeas de Angus com mais força, já que os murmurinhos ranzinzas dos narnianos à sua volta o incomodava e ele começou a se remexer, inquieto.

—Caspian...

O príncipe fitou sua irmã, notando a aflição em seus olhos.

—Fique com o Angus.

Foi tudo o que disse, além do olhar, não havia muito mais o que falar, sendo assim, caminhou até o centro da clareira. Enquanto os narnianos enraivecidos circulavam-nos, segurando suas espadas e armas, murmurando palavras nada agradáveis, Caspian dirigiu-se ao seu lugar, onde poderia ser visto por todos. Ansioso, apertou a trompa em sua cintura com mais força.

—Que o conclave comece.

Assim que Glenstorm terminou a fala, os narnianos começaram a gritar, bradando sua cólera, aversão e indignação contra o povo telmarino.

—Matem eles!

—Assassinos!

—Telmarinos!

Angus relinchou, com a agitação, demonstrou o quanto estava assustado, foi preciso que Annika segurasse suas rédeas com certo esforço, enquanto abraçava sua face, dando sinal de que tudo daria certo enfim, mesmo que ela mesma também estivesse com muito medo.

—Mentirosos!

—Matem!

A garota reprimiu a vontade de gritar, sortuda era ela por ter Angus a quem se segurar, enquanto Caspian tinha a má sorte em estar “sozinho” no miolo da confusão.

—Shh, calma, rapaz! —dizia, acariciando o cavalo. —Vai ficar tudo bem.

O murmurinho de palavras desagradáveis cada vez mais alto, agoniante e opressivo, deixavam-na cada vez mais aflita, era torturante ter de ouvir tais coisas dirigidas não somente à ela, mas também ao seu irmão.

—Não podemos matá-lo! —exclamou Caça-Trufas, do outro lado da multidão. —Foi ele quem soprou a trompa!

Annika sentiu seu peito ficar mais calmo ao ouvir tais coisas do simpático texugo, contudo, o que Nikabrik afirmou em seguida deixou-a não mais apavorada, e sim zangada.

—A trompa só prova que eles roubaram mais um objeto de nós!

—Eu não roubei nada! —Caspian se defendeu.

—Não roubou nada!? —contradisse um dos minotauros. —Devemos listar os objetos que os telmarinos levaram?

—Nossos lares!

—Nossa liberdade!

Certamente, a lista foi longa, lembrar-se de tudo que aquele povo passou pela culpa de seus antepassados apenas deixava o peito de Annika cada vez mais desconsolado e abatido.

—Nossas vidas!

—Vocês roubaram Narnia!

Errados? Não. Eles tinham razão, os telmarinos invadiram Narnia e a tomaram exatamente como a Feiticeira Branca havia feito no passado.

—Vocês acham que minha irmã e eu somos responsáveis por todos os crimes do nosso povo?

Annika encarou o irmão, dessa vez, aquietando-se. Pensando no que ele dizia, de fato, eles não eram responsáveis e à essa altura do campeonato, Caspian era a melhor chance que tinham de conseguir trazer de volta aos narnianos a paz que buscavam.

—Responsáveis... —disse Nikabrik, andando alguns passos na direção de Caspian. —E puníveis!

Segurando a raiva que dominava seu peito e seu instinto protetor, Annika hesitou em ir até lá e chutar o pequeno anão ranzinza que ameaçava a vida de seu irmão, não fosse Angus puxar seu corpo para trás, Annika provavelmente teria feito.

! Essa é boa vindo de você anão! —zombou Ripchip, retirando sua espada e aproximando-se de Caspian, confrontando Nikabrik. —Ou já esqueceu que foi o seu povo que lutou ao lado da Feiticeira Branca?

—Eu lutaria de bom grado outra vez se ela nos livrasse desses bárbaros!

O tumulto de vozes por trás das palavras do anão parecia apenas aumentar cada vez mais. Contudo, diminuiu assim que Caça-Trufas saiu de seu lugar e, mancando, caminhou até eles.

—Sorte nossa que você não tem poder para trazê-la de volta! —exclamou o texugo. —Ou sugere que peçamos ao garoto pra se voltar contra Aslam agora?

Rugidos, gritos e mais gritos. Meramente ouvir as palavras “voltar-se contra Aslam” causou grande furdunço entre eles. Aliás, não somente entre eles, mas o impacto foi de tamanha grandeza, que até mesmo Angus após um alto relincho, inclinou-se para a frente, alvoroçado.

—Angus!

Annika apressou-se em voltar a segurá-lo e novamente, faze-lo ficar quieto.

—Alguns de vocês se esqueceram, mas nós texugos lembramos bem... —prosseguiu Caça-Trufas. —Que Narnia só foi feliz quando teve no trono um Filho de Adão.

O texugo concluiu, tornando-se para Caspian.

Filho de Adão. Termos que recordavam Annika as histórias que lia com professor Cornelius todos os dias e noites no palácio. Ouvir tais termos deixavam-na pensativa e confusa ao mesmo tempo, causava em seu coração tanta intriga quanto sentia ao escutar o nome Aslam.

—Ele é um telmarino! —gritou Nikabrik, mais colérico do que antes. —Por que iríamos querê-lo como rei?

—Porque eu posso ajudá-los!

Com a frase de Caspian, o silêncio se fez presente.

—Além desse bosque, eu sou o príncipe! O trono telmarino é meu por direito! —prosseguiu ele. —Ajudem-me a reclamá-lo... e trarei a paz entre nós.

A quietude no ar, a mansidão e serenidade. Nenhum dos narnianos ousou proferir coisa alguma após o dito de Caspian, nem mesmo Nakabrik. Não de imediato.

—É verdade. —anunciou Glenstorm. —O momento é oportuno.

Assim que o centauro começou a caminhar, tomando seu posto à frente de Caspian, dirigindo-se ao seu povo, Annika sentiu suas esperanças voltarem.

—Eu observo os céus porque compete a mim vigiar como a você compete não esquecer, texugo. —disse ele, pausando. —Tarva, o senhor da vitória e Alambil, a senhora da paz, se encontraram nos salões do firmamento.

Pensando nos significados de tal anúncio, Annika perdeu seu olhar entre o gramado, lembrando-se dos contos, fábulas e profecias. Indagava-se quão grande seria sua missão essa a de proteger seu irmão.

—E na terra... —continuou o centauro, cravando seu olhar intercalado entre Caspian e sua irmã. —Um filho de Adão, acompanhado de uma filha de Eva, se apresenta para oferecer nossa liberdade de volta.

—Será possível? —perguntou um pequeno esquilo, sob uma árvore ao lado do príncipe. —Acha mesmo que poderia haver paz? Quer dizer, paz de verdade?

—Dois dias atrás, não acreditava na existência de animais falantes, de anões ou de centauros. —disse Caspian, encarando-os. —Mas existem, e em número e força que nós telmarinos nunca poderíamos imaginar.

Aos poucos, conforme ele falava, Annika sentia seus lábios se curvarem, seus olhos brilharem e seu coração arder de alegria. Aí estava a prova, aí estava o momento que ela sabia que distante não se encontrava, o momento em que ele demonstraria seu espírito de liderança.

—Essa trompa, sendo mágica ou não, nos reuniu aqui... —pausou, erguendo o objeto. —E juntos temos a chance de retomar aquilo que é nosso!

Logo, Caspian pousou seu olhar em Glenstorm, esperando por sua resposta.

—Se você nos guiar, então eu e os meus filhos... —disse o centauro, pausando e retirando sua espada, ergueu-a. —Lhe oferecemos nossas espadas.

Conforme ele falava, Annika se encontrava encantada, todos os narnianos retiraram suas armas, prostrando-se, revelando sua decisão final. A decisão de que, como ela esperava, lutariam em favor de Caspian e o seguiriam no campo de batalha.

Era quase impossível dizer que, minutos atrás, aquele povo revoltava-se contra ele. Pois agora, estavam ao seu lado.

—E nós lhe oferecemos nossas vidas... —disse Ripchip, tomando reverência diante do príncipe. —Sem reservas.

Annika não poderia se sentir mais orgulhosa.

Assim sendo, involuntariamente, Caspian olhou na direção da irmã, quem ao mesmo tempo, movimentou a cabeça para baixo, como se estivesse se prostrando, assentindo. A alegria presente no olhar dela foi suficiente para que ele suspirasse, tranquilizando-se.

Então, Annika, sendo acompanhada por Angus, aproximou-se dele e tocou seu ombro, não conseguia deixar de exibir um pequeno sorrir, satisfeita.

Contudo, desviaram o olhar para o chão ao ouvir o som da voz de Caça-Trufas.

—O exército de Miraz não está muito atrás de nós, senhor. —disse o texugo, demonstrando preocupação.

—Caspian, se quisermos nos preparar... —alertou Annika. —Temos que correr.

O príncipe assentiu.

—Temos que nos apressar para achar soldados e armas. —pronunciou ele. —Eu sei que estarão aqui logo.

Disso, Annika não tinha dúvidas.


Notas Finais


AMOO esse ep!!

►não achamos a tradução certa de Dancing Lawn em português, então deixamos na versão em inglês. É aquele lugar que aconteceu essa cena do Caspian, tão ligados??

Atée maaiss!!

//Park


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