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História I See You - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Namjoon Chungha


 

Todos riem e se divertem sentados ao redor da mesa do refeitório, é como se o clima mórbido que havia se apossado do grupo na última semana tivesse completamente nos deixado e substituído todo o nervosismo por uma felicidade quase infantil que nos permite agir como idiotas, são nesses momentos que eu mais sinto saudades dela.

Chunga sempre havia sido minha melhor amiga além dos meninos, todos sabiam que onde Chungha estava Namjoon estava também, e desde que ela se foi eu sinto que finalmente as palavras que todos diziam sobre não sermos um sem outro finalmente faziam sentido, quando Chungha morreu uma parte de mim foi junto com ela.

Ela sempre foi muito esperta para a sua idade, por mais que eu tivesse a minha inteligência reconhecida muitas vezes quando eu pensava em fazer alguma coisa ela já estava terminando, ela nunca se deixou abalar por nada e usava cada parte de si para ajudar os outros, ela era o tipo de pessoa que não pensaria duas vezes antes de entregar um casaco para um morador de rua por mais que ela só tivesse poucos tostões em seu bolso e ela mesma tremesse de frio, pessoas assim não mereciam morrer, principalmente não nas mãos de um doente como aquele.

O arrependimento de nunca tê-la amado como ela merecia era o que mais me assombrava, principalmente nos momentos em que eu estava sozinho ,passei tanto tempo preso em minha ilusão que não conseguia perceber que ela era a mulher perfeita para mim, a mulher a quem eu sempre recorria , a pessoa que me oferecia amor incondicional por mais que muitas vezes eu não merecesse, foi ela que limpava meus machucados, ela que me trazia café durante as horas que eu me trancava para estudar e ela que teve todas as minhas primeiras vezes e em troca me entregou as dela sem nunca pedir por mais.

Eu ainda me lembro do nosso primeiro beijo, dado às pressas dentro da casinha de madeira que ela tinha no quintal dela, tínhamos doze anos e decidimos que não queríamos esperar, precisávamos tentar aquilo para que pudéssemos nos gabar para nossos colegas , naquela época ela tinha gosto de groselha e seus lábios estavam sempre pintados com o tom não natural da bebida vermelha, ela era magricela como um pássaro filhote que ainda não tinha desenvolvido sua penugem e quando a segurei firmemente pelos braços eu tremia de insegurança mas ela se manteve firme.

Também me lembro do ultimo beijo que lhe dei, depois de anos ao seu lado finalmente percebi o que queria mas ainda era covarde demais para admitir para o mundo, para admitir a ela, perdi todas as oportunidades que tive aceitando ser apenas um amigo que pulava sua janela a noite e satisfazia o seu corpo , o último beijo que lhe dei também foi às pressas enquanto eu me escorava no parapeito preparado para escapar da casa, agora ela tinha gosto de álcool e seus lábios eram pintados com o mesmo tom de vermelho, porém dessa vez era batom, seu corpo havia crescido e quando segurei os seu rosto em minhas mãos e uni nossos lábios com a promessa de que ela seria minha para sempre ela é que tremeu,nunca pude cumprir a minha promessa, Chungha foi assassinada naquela noite, encontrada morta em seu próprio quarto, se eu tivesse ficado nada daquilo teria acontecido,

talvez ele não tivesse a atacado e se tivesse , talvez eu pudesse ter impedido.

Nunca pude experimentar com ela a felicidade de um relacionamento, nunca a levei em encontros , nunca lhe mandei mensagens doces , buquês de flores, ursinhos de pelúcia e chocolates, nunca a dediquei uma canção, não a levei para dançar sob a luz das estrelas e nunca segurei sua mão em público, esses são os arrependimentos que para sempre irão me atormentar.

Quando olho para _______ consigo ver um pouco de Chungha nela, sua esperteza é notável, ela é calma e amável e mesmo que tenha passado por um inferno nas últimas semanas ela ainda encontra um motivo para sorrir, as duas seriam ótimas amigas, mas a uma diferença muito grande entre elas, se antes eu comparava Chungha com um pássaro filhote , quando ela cresceu , se tornou no mais belo dos pavões, com suas penas azuis e esverdeadas, atraindo atenção e admiração de todos por sua delicadeza e elegância, mas ______ é como um beija-flor, apesar de compartilharem as mesmas cores ela muitas vezes passa despercebida, e a sua delicadeza transparece na forma de fragilidade, temo que ela possa ser muito mais fácil de quebrar e é por esse motivo que sinto medo ao ver Taehyung se aproximar tanto dela, ele sabe muito bem o que aquilo representa.

Ele sabe que ELE não vai parar até que se vingue, até que acabe de uma vez por todas com a gente de uma maneira muito mais cruel que a morte, e que mesmo depois que isso acontecer , ele não vai parar jamais.

Não percebo de imediato mas todos olham para mim, estão em completo silêncio e por um segundo me pergunto se perdi alguma piada ou se alguém me perguntou algo, mas o refeitório inteiro está assim e só então percebo que não olham para mim, mas para o que está atrás, quando me viro quatro policiais fardados e armados estão caminhando em direção a nossa mesa, reconheço o delegado Choi mas ao contrário do sorriso simpático que ele tinha no sábado dessa vez ele está bravo e caminha a passos firmes em minha direção.

- Kim Namjoon - ele fala e todos na mesa se retrai devido ao seu tom mas eu apenas me levanto e o encaro com seriedade - você está preso por suspeita do homicídio de Kim Chung-ha.

º

O relógio que passa lentamente na parede de frente a mim parece rir da minha cara enquanto a agonia aos poucos toma conta de cada parte de mim, ser culpado pela morte da única mulher que amei quando eu era o único que poderia ter feito algo para impedi-la parece uma espécie de tortura e lembrar dos olhares espantados dos meus amigos ao meu redor é quase que uma dor totalmente a parte.

- Senhor Kim, eu espero que você colabore comigo - Siwon diz me encarando com o papel em suas mãos .

- Como você espera que eu te ajude em alguma coisa se eu nem ao menos sei por que estou aqui - digo frustrado tentando gesticular porém sentido o frio das algemas me impedindo - O que mudou? Por que agora sou um suspeito?

- Foi uma falha nossa, o resultado do exame de corpo de delito só saiu hoje de manhã após uma denúncia anônima , a pessoa ligou dizendo que suspeitava que o caso pudesse ter sido um estupro e assim eles se apressaram para concluir os resultados e surpresa - ele diz agravando o seu tom de voz ligeiramente e joga a pilha de papel bem na minha frente poluindo minha mente com mais fotos do corpo dela e fecho meus olhos sentindo toda a dor voltar novamente - seu material genético foi encontrado nela.

- Não é isso que você está pensando - respondo de volta criando coragem para abrir meus olhos e encará-lo.

- Bom ,deixe eu lhe contar o que se passa em minha mente - ele começa com um tom condescendente andando em círculos ao redor da mesa mexendo vez por outra com os papéis espalhados nela - Amigos de infância que cresceram juntos mas nunca tiveram nada, ou ao menos isso é o que o seus amigos dizem, não é incomum que um garoto jovem se apaixone por sua melhor amiga, principalmente se ela for uma garota linda como Kim Chungha era, sua vida inteira foi centrada ao seu redor e ele está completamente apaixonado, mas ela não é capaz de vê-lo como algo além de um amigo, um irmão e isso o enfureceu, ele quer que ela seja dele porém sabe que nunca irá conseguir aquilo, por isso decide , se eu não posso tê-la , ninguém mais vai ter, em uma noite após uma festa ele se aproveita que ela está alcoolizada e bate na janela , eles são amigos há tantos anos que ela nunca teria motivos para desconfiar dele e por isso ela o deixa entrar, mas ele tem intenções mais do que terríveis, ele se aproveita dela, tampa sua boca para que suas amigas não escutem, ela está lá desejando que aquilo tudo acabe sem conseguir reagir porque o seu melhor amigo a está machucando de uma forma que ela nunca achou possível mas pelo menos ela acredita que ele a deixará em paz após isso e ela está determinada a culpar o álcool que os dois ingeriram, mas ele não para por aí, cego de raiva ele a enforcou ,ele será o último homem a tela , quando ele percebe já é tarde demais, ela está morta e usa a roupa para despistar a verdadeira causa da asfixia, suas mãos.

- Não foi nada disso - minha voz sai entrecortada e sei que eu choro mas neste momento eu não me importo com ser forte, nem acho que conseguiria principalmente não depois de ouvir o cenário perverso que ele criou em minha mente - realmente eu era apaixonado por ela, como eu não poderia ser? Mas eu não a matei, a gente estava tendo um caso escondido por que eu era medroso demais para me declarar então fingia que aquilo era só uma amizade colorida, eu entrava escondido pela sua janela para que nossas amigas não descobrissem e no dia em que ela… - engulo o bolo que se forma em minha garganta tentando continuar minha frase com o pouco que me resta de dignidade - no dia em que ela se foi eu havia combinado com ela de nos encontrarmos depois da festa no quarto, você pode checar as suas mensagens se quiser , eu sei que ela nunca apagava nossas conversas, segundo ela até cada mensagem que eu mandava perguntando onde minhas coisas estavam eram importantes, nós tivemos uma relação consensual naquela noite e não usávamos proteção, os dois estavam limpos e Chungha tomava anticoncepcional , resolvemos arriscar, mas eu tive que ir embora depois por que meu irmão Taehyung estava completamente bêbado e Jim não estava conseguindo cuidar dele sozinho e dos nossos outros amigos ao mesmo tempo.

- Isso não explica o por que do DNA das suas mãos estavam no pescoço dela nem as marcas de asfixia - ele responde e consigo ver que nem por um segundo ele acredita em minhas palavras.

- Ela gostava quando as coisas ficavam intensas - digo envergonhado abaixando minha cabeça por expor algo tão íntimo para o homem , algo que mais ninguém sabia sobre a nossa relação - mas quando eu fui embora ela estava respirando, ela me levou até a janela, ela até me deu um beijo de despedida, se eu tivesse ficado…

- Sua história é extremamente conveniente senhor Kim - é a única coisa que ele diz antes de me deixar sozinho naquela sala novamente.

O tempo parece passar ainda mais lentamente quando as imagens de Chungha se debatendo e implorando por sua vida pintam minha cabeça, ver suas fotos estendida em uma cama de metal também não faz nada por mim, principalmente os seus olhos de peixe me encarando sem o brilho sagaz que um dia tiveram, e então eu desabo, choro até que minha cabeça esteja doendo, eu não me importo que câmeras estejam me vigiando, eles não me conhecem e é a primeira vez que sinto que não tenho que me manter forte pelos outros, choro de tristeza por ela e raiva por saber exatamente quem a colocou naquela posição e choro ainda por saber que por mais que eu tente vingar-lá nada será o suficiente e ele parece estar cada vez mais longe do meu alcance.

- Você está liberado - a voz muito mais suavizada do detetive me assusta mas os seus olhos não mentem , ele ainda apresenta a mesma determinação em descobrir a verdade e no fundo sou grato por isso, por que não sou apenas eu tentando fazer o certo por ela - seus irmãos e amigos decorram ao seu favor e parece que seu álibi é verdadeiro.

Me levanto aliviado assim que ele me solta das algemas e me leva em direção a saída onde vejo que Jimin , Taehyung , Jungkook e _________ me esperam, ela me olha desconfiada mas em seus olhos percebo gentileza, ela não está brava comigo e muito menos pensa que eu possa ter sido quem a machucou, ela sabe que não pode ter sido eu , sua confusão parece derivar de um lugar muito mais sombrio ,como se ela estivesse tentando juntar as peças para entender como essa história poderia levar a mim, quero correr até eles mas o aperto de ferro da mão do detetive em meu ombro me para , ele se aproxima devagar e suas respiração bater contra o meu ouvido.

- Me escute bem, por hoje você está livre e quero acreditar em você Namjoon, quero mesmo , principalmente depois de ver você chorando daquela forma, mas não pense que irei hesitar se por algum acaso essa história voltar a você, apenas torça para que eu nunca mais escute seu nome durante essa investigação.



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