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História I Wanna Be Yours - Capítulo 21


Escrita por: bianca_bane

Notas do Autor


Oláaa amores, mais uma vez, aqui estou eu, surtos de criatividade na madrugada, é pra isso que eu vivo
(vamos apenas ignorar que estou tão cansada que quando fui digitar o título deste capítulo escrevi "swkvate" no lugar de "delicado")

aqui temos um novo capítulo para vocês, vamos fingir que é pra comemorar um ano e quatro meses de iwby, foi tudo friamente calculado, não tem nada a ver com eu ter lembrado hoje de tarde que a fic tinha completado um ano quatro meses atrás e eu não tinha feito nada kkkkkkkkkkkk

enfim, espero que gostem<3
boa leitura s2

Capítulo 21 - Delicado


P.O.V autora (I gotta go but I wanna stay)

Roger estava em algum tipo de sala de cinema ―  a tela gigante à sua frente, a iluminação ruim da sala e as poltronas reclináveis pareciam indicar aquilo, ao menos ―, não estava assistindo nada, apenas escrevendo palavras aleatórias que passavam pela sua cabeça em seu bloco de notas. 

Era um hábito tão antigo que ele nem conseguia se lembrar quando começara, mas sempre que se sentia nervoso, estressado ou triste começava a escrever praticamente qualquer coisa que pensasse no pedaço de papel mais próximo. Costumava ajudá-lo a pensar mais claramente e organizar a bagunça de sua cabeça, mas não parecia estar funcionando do jeito de sempre. 

Roger não estava gostando nem um pouco daquela situação. Ele não era do tipo dramático e não estava acostumado a ter que lidar com emoções confusas e ser rejeitado duas vezes pela mesma pessoa trazia algumas centenas de emoções confusas. Se ele não encontrasse alguma forma de contornar aquela situação logo, acabaria fazendo algo muito estúpido. 

―  Cara, você vai assistir alguma coisa ou só vai ficar aí encarando o nada com essa cara de cachorro abandonado na mudança? ―  perguntou King, que parecia ter se materializado em uma das poltronas do fundo da sala repentinamente. 

―  Há quanto tempo você está aí? ―  Roger não se lembrava de tê-lo visto entrar. 

―  Faz algum tempo. Achei que você iria escolher algo para assistir. Até tentei te chamar algumas vezes, mas você parecia muito focado no que quer que você esteja fazendo. ―  E logo em seguida falou em um murmúrio quase inaudível, como se estivesse falando para si mesmo: ―  Para mim parece que você não está fazendo nada né? Mas quem sou eu pra dizer alguma coisa, cada louco que tenha suas manias. 

―  Por que você não falou nada antes?

―  Você não ouviu o que eu acabei de te dizer? Eu te chamei, mas você me ignorou com muita determinação. 

―  Talvez eu devesse continuar te ignorando ―  retrucou Roger irritado. 

―  Eu não me importo muito na verdade, contanto que você me deixe escolher o que assistir eu não vou nem perceber sua presença. ―  King levantou e foi até a poltrona ao lado da de Roger, pegando o controle. 

―  Você não tem nada mais interessante para fazer não? 

―  Na verdade não, é exatamente por isso que eu vim em busca de algum entretenimento. 

―  Cadê a Ren? ―  Roger perguntou como quem não quer nada, se King soubesse onde Ren estava, talvez ele pudesse saber do paradeiro de Rosabella também. 

―  E eu sei? 

―  Vocês não são melhores amigos ou algo assim? Por que ela não está aqui com você?

―  Sim, somos melhores amigos, mas ela tem um namorado agora e ela está passando tempo com ele. Eu não a culpo, se eu estivesse namorando não estaria aqui sendo interrogado por você ―  King disse com um leve tom de sarcasmo. 

―  Não me diga que você está se sentindo mal porque foi trocado ―  zombou Roger. 

―  Cadê a Rosabella? ―  perguntou King repentinamente. ―  Vocês estavam fazendo tudo juntos nos últimos tempos, parecia até que estavam colados um ao outro. Por que você está despejando em mim e não nela toda essa sua doçura? 

―  Eu não sei onde ela está. Provavelmente deve estar com o Arthur ou com a Gelda. ―  Roger tentou esconder o ciúme que estava sentindo de sua voz, mas ele duvidava que tivesse conseguido. 

―  Parece que eu não sou o único se sentindo mal por ter sido trocado por aqui. 

―  Você não disse que ia escolher algo para assistir? 

―  Eu estou tentando, mas tem muitas opções, não gosto de ter muitas opções, elas me deixam confuso. 

― Me dá esse controle aqui. Nunca vi uma coisa dessas, nem escolher um filme consegue sozinho ―  resmungou Roger. 

―  Você falou igualzinho a minha mãe agora. Deu até um arrepio, achei que ela tinha vindo aqui atrás de mim porque eu não a liguei desde que cheguei.

―  Você não ligou para sua mãe ainda? Que tipo de filho desnaturado é você? ―  perguntou Roger chocado com a audácia dele de não ligar para a própria mãe enquanto estava em outro país depois de praticamente ter fugido para estar de “férias”. 

―  Você ligou para  sua mãe? ―  perguntou King descrente. 

―  Claro que sim, eu ligo para minha mãe todas as noites. Se eu não fizesse isso ela pegaria o primeiro avião para Ádria e viria conferir por si mesma se eu ainda estou vivo. 

―  Acho que minha mãe não está preocupada porque Elaine a liga frequentemente para avisar como nós estamos. 

―  Não acredito que Elaine é uma filha mais responsável que você, e eu aqui achando que você era o certinho da família. ―  King apenas revirou os olhos. 

―  Você também não escolheu nenhum filme até agora ―  apontou. 

―  Estou procurando o filme certo. Não estou no humor para comédias românticas e nenhum outro tipo de romance, então eu vou procurar um filme bem dramático e triste, do tipo que você termina de ver e se sente no fundo do poço. 

―  Então você levou um fora ―  afirmou King pensativo. 

―  Eu nunca disse isso. 

―  Você não precisou dizer. Achei saudável sua forma de lidar com a situação. Por que lidar com a situação se você pode assistir um filme triste e dizer que isso que te deixou mal, não é mesmo? 

―  Bem, eu não tenho como lidar com isso de forma saudável, porque, além de me dar um fora, ela me tirou a chance de ser dramático e amargurado quando ela resolveu ser dramática e amargurada e sair correndo do lugar como se ela fosse a pessoa que acabara de ter o coração partido. ―  Roger precisava desabafar, King estava ali, parecia simplesmente lógico desabafar com ele. 

―  Talvez o coração dela tenha sido partido ―  sugeriu. 

―  Bem, eu não vejo como isso pode ter acontecido, foi ela que me rejeitou, não o contrário. 

―  Nem sempre as pessoas podem ter o que querem, é como um sorvete, você gosta de sorvete, você quer o sorvete, mas você sabe que não é saudável e que você tem que dizer não ao sorvete. ―  King parecia mais inclinado a estar refletindo em voz alta do que a estar realmente fazendo uma analogia ruim para aconselhar Roger. 

―  King, se eu quisesse ser racional eu não estaria procurando por um filme para me deixar triste. Se eu quisesse ser racional eu nem sequer estaria falando com você. Quem começou a falar sobre minha vida romântica foi você, não eu. Agora fique aqui quietinho enquanto eu falo, basicamente sozinho, sobre como eu estou irritado e magoado com ela ―  disse Roger apertando os botões do controle furiosamente na tentativa de achar um filme dramático o suficiente para combinar com seu humor. 

―  Então você quer que eu seja tipo seu diário, um espectador silencioso que não vai te responder e nem fazer nada além de ouvir você reclamar da sua vida amorosa fracassada? 

―  Sim ―  exclamou Roger. ―  Quando eu estiver me sentindo mais altruísta, aí podemos falar sobre como ela provavelmente está se sentindo e você estará permitido a me aconselhar, mas por enquanto você só precisa me ouvir reclamar mesmo. 

―  Certo, entendi. Este vai ser um longo, longo dia. 

―  Pare de reclamar, esse é o meu trabalho ―  interrompeu Roger, finalmente achando o filme que queria. Ele sabia que não assistiria nada, mas pelo menos teria um som ambiente triste enquanto se lamentava.

 

~^~

 

(Isn’t it delicate?)

 

Ban estava tentando se manter positivo, mas estava achando aquela tarefa extremamente difícil. As jujubas haviam decidido que ele tentaria mais uma vez com Elaine. Ban sabia que ele que havia decidido e não as jujubas, mas aquilo não importava, o que importava era que, de alguma forma, teria que convencer Elaine a tentar de novo com ele. E depois teria que dar um jeito de não ferrar o relacionamento de novo. 

Olhou para Gelda que digitava rapidamente em seu celular, provavelmente falando com Zeldris ou Rosabella. Ban subitamente se sentiu doente, ele não poderia fazer aquilo sozinho, seria um desastre absoluto. 

―  Gelda, você tem que ir comigo. 

―  O quê? Por quê? ―  perguntou ela confusa. 

―  Porque eu não vou conseguir fazer isso sozinho, eu vou falar alguma besteira e tudo vai dar errado. ―  Ban sentia que estava prestes a vomitar. 

―  Eu como você acha que minha presença evitaria isso? 

―  Você pode me dar um sinal se eu começar a dizer besteira. 

―  Não, eu não vou fazer isso Ban ―  retrucou ela, obstinada. ―  Você não vai me ter ao seu lado o tempo todo para mediar o seu relacionamento com sua namorada. 

―  Você nem sabe se nós vamos voltar. 

―  Ah, mas eu sei. E não é como se vocês fossem se relacionar pela primeira vez ou algo assim, vocês já namoraram antes e deu relativamente certo. Tenho certeza que dessa vez tudo vai ser como deveria ser ―  Gelda falou com tanta confiança que Ban quase acreditou nela. Quase. 

―  Exatamente por isso, se não deu certo da primeira vez, por que daria certo da segunda? 

―  Ban, para de surtar, esse tipo de pensamento não vai ajudar em nada. Agora, por que você não vai tomar uma aguinha e depois chama a Elaine para vir aqui? Eu já estou de saída. Depois que vocês conversarem você me chama, se der certo nós podemos comemorar, se não der eu deixo você chorar no meu ombro. ―  Ela virou-se e começou a andar tranquilamente pelo corredor. 

―  Mas… mas… Gelda, eu preciso da sua ajuda ―  Ban estava se sentindo muito perto de ter uma falência cardíaca. 

―  Você vai se sair bem sozinho. Tchau. ―  Acenou e mandou um beijinho ainda de costas, sem nem sequer ter a decência de se virar. 

Aquilo fez Ban refletir seriamente sobre suas amizades, ele precisava urgentemente encontrar novos amigos. Amigos que não o abandonassem numa situação crítica. 

Respirou fundo. Gelda estava certa. Ele precisava se acalmar, como poderia convencer Elaine a ficar com ele novamente se não conseguia nem se convencer de que tudo daria certo? Ele estava apenas surtando sem motivo, estava na hora de acumular algumas migalhas de coragem e tentar aparentar completamente seguro do que estava fazendo. 

Vai dar certo, pensou, tem que dar certo.

Elaine apareceu no fim do corredor e começou a andar em direção a ele. As mãos de Ban começaram a suar e ele estava tremendo que nem bambu maduro. 

―  Você viu a Gelda? ―  perguntou Elaine com uma expressão tão fria quanto granizo. ―  Ela me pediu para encontrá-la aqui. 

Ban respirou fundo mais uma vez e se preparou para o que viria a seguir. 

―  Eu pedi para Gelda chamar você.

―  Por quê? ―  Por um segundo a expressão fria foi substituída por uma de confusão genuína, mas logo o rosto dela se tornou ilegível novamente. Aquilo causou uma dor profunda no peito de Ban. 

―  Porque nós precisamos conversar. 

―  Você quer que eu me desculpe? Isso não vai acontecer. ―  Elaine estava claramente na defensiva. 

―  Isso não faria mal… 

―  Nós tínhamos terminado ―  interrompeu ela. 

―  Sim, por uma briga totalmente idiota. 

―  Se fosse idiota não teríamos terminado.

―  Isso não vem ao caso agora ―  disse Ban, tentando evitar que aquela se tornasse uma briga idiota. 

―  Vem ao caso se você quer que eu me desculpe. 

―  Eu não quero que você se desculpe ―  ele estava começando a perder a paciência. ―  Será que você pode, por favor, ouvir o que eu estou tentando dizer?

―  Mas você disse…

―  Eu disse ―  interrompeu Ban ―  que um pedido de desculpas não faria mal.

―  Então você admite que está tentando obter um pedido de desculpas? ―  perguntou Elaine cínica. 

―  Não! ―  Ban praticamente gritou e Elaine o encarou, ainda com aquele sorrisinho cínico. Ele respirou fundo mais uma vez tentando manter a calma. ―  Quer fazer o favor de sair da defensiva e ouvir o que eu tenho a dizer antes de sair tirando conclusões precipitadas? 

―  Não. 

―  Ótimo. Eu vou falar mesmo assim. ―  Ban estava irritado, Elaine havia estragado todo o discurso que ele havia preparado, o que a custaria se ela simplesmente se calasse por cinco segundos e o escutasse? 

―  Ótimo, então fale ―  ela parecia estar tão irritada quanto ele. 

―  Eu quero voltar com você ―  falou de uma vez, tão rápido que talvez ela nem sequer tivesse entendido.

Elaine abriu a boca e depois a fechou, parecia descrente demais para conseguir formar palavras. 

―  Por quê?

―  É essa sua resposta? Eu digo que quero tentar novamente e você pergunta “por quê?”. 

―  Sim, é essa minha pergunta. 

― Porque eu acho que nós merecemos uma segunda chance. 

―  Por que? Nós claramente temos alguns problemas de comunicação, desde que começamos a nos falar, cerca de cinco minutos atrás, não paramos de discutir. Então, por que você quer tentar de novo? ―  Elaine parecia cética e magoada, o que estava confundindo Ban. Aquilo devia ser uma coisa boa, certo? Então por que ela não parecia feliz?

―  Você não quer isso ―  constatou ele, tristemente. 

―  Eu não disse que não quero isso ―  retrucou ela. 

―  Então o que você quer, Elaine? Você pode me dizer? Porque eu acho que não vou conseguir descobrir sozinho. E você acabou de dizer que temos problemas de comunicação, esse problemas podem ser resolvidos, mas você precisa falar comigo e não esperar que eu adivinhe tudo o que está passando pela sua cabeça. 

Ban percebeu que enquanto falava o rosto de Elaine suavizava, o ceticismo e a mágoa foram lentamente dando lugar a uma expressão solene.

―  Eu quero uma certeza, Ban. É isso que eu quero. 

―  Uma certeza de quê? 

―  De que é a coisa certa a se fazer. De que tentar de novo vale a pena, mesmo correndo o risco de te magoar de novo. 

―  Você não vai me magoar ―  disse Ban com um sorriso terno. 

―  Você não tem como saber disso. 

―  Não, eu não tenho como ter certeza. Você perguntou se valeria a pena, para mim vale a pena, mesmo que você parta meu coração em pedaços. ―  Ela riu apesar do semblante preocupado. ―  Agora, a pergunta que resta, Elaine, é se vale a pena para você. Está disposta a correr o risco e ver no que dá? ―  Ban estendeu a mão para ela. 

Por fora ele era a imagem da confiança e da certeza, mas por dentro Ban estava praticamente implorando de joelhos para que ela dissesse que estava disposta a tentar. Ele não tinha certeza se conseguiria sobreviver a ter o coração partido outra vez.

Mas o rosto de Elaine se iluminou e Ban sentiu o alívio imediato percorrendo suas terminações nervosas.

―  Sim, eu estou disposta a correr o risco. ―  Elaine pegou a mão dele e o puxou para si. 

Logo seus lábios se encontraram em uma beijo que tinha gosto de casa, de tudo que é bom e conhecido, mas também com a urgência da incerteza da permanência, com o reconhecimento de que precisariam aproveitar cada segundo, porque aquilo era novo e delicado. Ban sabia que teria que ser muito cuidadoso com aquela relação, não queria que tudo voltasse a dar errado logo agora que estava dando certo. 

 

P.O.V Gelda

―  Vamos logo, Zeldris. ―  Falei praticamente o arrastando comigo pelos corredores. ―  Se nós demorarmos muito nunca vamos achar Rosabella. 

―  Como você sabe que ela está por aqui? 

―  Eu a vi passando alguns minutos atrás.

―  Gelda, isso pode dar tão errado de tantas formas ―  disse Zeldris preocupado. 

―  Não vai dar errado, Zeldris, para de ser medroso ―  respondi confiante. 

―  Não estou sendo medroso, estou tentando ser sensato. Normalmente esse é o seu trabalho, mas você parece estar determinada a abandonar qualquer bom senso que exista dentro dessa sua cabecinha e me obrigar a ser a pessoa responsável. Eu não gosto de ser a pessoa responsável, Gelda. 

―  Veja só como estamos num humor falante hoje. ―  Zeldris suspirou e balançou a cabeça em negação. ―  Se você não gosta de ser responsável não precisa ser, Zeldris. Você mesmo disse que geralmente eu sou sensata, se esta não fosse uma coisa sensata eu nunca te arrastaria comigo para isso. 

Paramos em uma bifurcação. Para que lado teria Rosabella ido? Aquele lugar parecia um labirinto, um labirinto enorme, revestido em mármore e cheio de quadros de pessoas que pareciam todas as mesmas para mim. 

―  Eu tenho a impressão de que é exatamente o contrário ―  resmungou Zeldris. 

―  O quê? 

―  Nada. Por que estamos parados no meio do corredor feito idiotas? 

―  Porque eu estou tentando decidir para que lado Rosabella foi. 

―  E eu aqui achando que você sabia onde nós estamos. 

―  De onde você tirou essa ideia mirabolante, jovem? ―  perguntei encarando-o, ele não podia estar seriamente pensando que eu conhecia aquele lugar. 

―  Não sei. Talvez pela forma que você está me arrastando para cima e para baixo como se soubesse o que está fazendo? 

Confiança realmente era tudo, eu estava mais perdida que cego em tiroteio, mas consegui passar credibilidade o suficiente para que Zeldris acreditasse que eu sabia para onde estava indo. 

Pensei em deixar ele continuar acreditando nisso, mas decidi que seria uma péssima ideia, eu não tinha nenhum senso de direção, se eu me perdesse nunca conseguiria achar o caminho de volta sozinha. Era melhor contar para Zeldris, assim pelo menos ele poderia tentar decorar o caminho que estávamos fazendo. 

―  Eu não tenho ideia de para onde estamos indo, achei que você já soubesse disso, eu não tenho nenhum senso de direção. 

―  E você achou que era uma decisão sensata sair por aí tentando adivinhar que caminho outra pessoa poderia ter feito em um palácio que você não conhece? ―  Zeldris parecia surpreso e frustrado com minha estupidez. 

Ele realmente devia tirar da cabeça dele essa ideia de que eu era responsável. Eu nunca fui responsável na vida, só parecia que eu era porque o grupo de pessoas com o qual eu tinha me juntado, e do qual ele fazia parte, era composto por pessoas mais imprudentes do que eu. 

Escolhi o corredor da esquerda e voltei a puxar Zeldris comigo pelo braço.

―  Foi pra isso que eu te trouxe. 

―  Para me perder com você? 

―  Não, para achar o caminho de volta caso eu me perdesse ―  respondi. Era tão óbvio, como ele não tinha percebido? 

―  E você não achou interessante me informar desse pequeno detalhe até agora? 

―  Por que você está tão nervoso? Mesmo se nós nos perdêssemos de verdade, algum funcionário do palácio nos encontraria. Está vendo esse chão? Não tem um grão de poeira, deve ser limpo minuciosamente todos os dias, o que quer dizer que funcionários limpam ele todos os dias, se não conseguirmos achar nosso caminho de volta, eles nos encontrarão. 

―  Claro, vamos só esperar que uma senhora boazinha nos encontre e que tudo dê certo. ―  O sarcasmo praticamente escorria entre as palavras.

―  Você é muito pessimista. 

―  Eu sou realista. Você é que é muito otimista, alguém precisa colocar seus pés no chão. 

―  Esse alguém seria você? 

―  Parece que sim, não estou vendo nenhuma outra pessoa tentando enfiar algum juízo na sua cabeça agora, então suponho que está sendo meu trabalho no momento. 

―  E eu aqui achando que você era legal. 

―  Eu sou legal, geralmente eu adoraria fazer uma coisa louca como esta, mas estamos em outro país, e neste momento somos algo como diplomatas, se nós fizermos besteira as consequências não irão recair apenas sobre nós, toda a Camelot vai pagar por nossos erros ―  disse Zeldris sombriamente. 

―  Credo, porque você está falando assim? Eu já disse que não estamos tentando descobrir segredos de Estado, só estamos nos intrometendo na vida dos nossos amigos, isso é absolutamente normal e não tem como desencadear uma guerra. Não se preocupe. 

Eu não entendia o porquê de Zeldris parecia tão neurótico com aquilo, não havia nada com o que se preocupar. Eu só queria entender melhor a situação que meus amigos estavam vivendo para que eu pudesse ajudá-los a resolvê-la. 

Chegamos a outra bifurcação e daquela vez eu escolhi o lado direito, sem hesitação. O corredor esquerdo parecia muito escuro e eu não era muito fã de escuro. Zeldris ficou calado então eu apenas continuei indo em frente. 

Eu não tinha certeza, mas estava começando a achar que havíamos entrado em alguma parte mais velha do palácio, as paredes tinham cada vez menos janelas e o chão passara de mármore branco e lustroso à uma pedra fria e cinzenta que tinha um ar antigo. Quanto mais andávamos, mais frio ficava, até que chegamos ao fim do corredor. 

―  Que estranho… ―  pensei alto com meus botões. 

―  Você acha estranho que nós tenhamos nos perdido? Porque isso é exatamente o que eu estava esperando desde que você disse que não sabia para onde estávamos indo ―  Zeldris falou, nervoso.

―  Não, não é isso. ―  Ignorei o chilique dele. 

―  O que é então? 

―  Este corredor.

―  O que tem o corredor? Parece um corredor perfeitamente normal para mim, talvez um pouco mais antigo que os outros, mas fora isso não percebi nada estranho ―  ele disse franzindo o cenho. ―  Acho que estamos na parte mais antiga do castelo. 

―  Eu também acho, mas não é isso. Este corredor não faz sentido. Ele não tem nenhuma porta, e termina nessa parede, então não leva a lugar nenhum ―  falei confusa, procurando alguma porta que eu não tivesse visto. 

―  Mas… Isso não faz sentido, este corredor tem que levar a algum lugar, porque eles teriam um corredor que não leva a lugar nenhum? ―  Zeldris também tentou procurar alguma saída ou outra porta que nós não tivéssemos visto. 

―  Eles não teriam. Nenhum arquiteto faria um erro tão absurdo, ainda mais em uma residência construída para família real. O que me faz pensar que tem algo que não estamos vendo. 

―  Talvez tenha algo atrás daquela parede, ela não parece tão velha quanto o resto das coisas aqui. ―  Zeldris apontou para a parede no fim do corredor. 

Ele estava certo, ao passar os olhos pela primeira vez eu não havia notado, mas agora estava claro que o padrão das pedras da parede estava levemente diferente, parecia mais intrincado e as pedras pareciam mais novas, como se tivessem sido postas no lugar após as outras. 

―  Zeldris você é um gênio. Este lugar deve ser algum tipo de passagem secreta. ―  Eu estava muito empolgada. Passagens secretas sempre pareciam coisas de filme, as pessoas não esperavam encontrá-las na vida real, mas agora havia uma bem diante dos meus olhos. 

―  Alguns castelos, que foram construídos na mesma década que este, tinham um tipo de sala secreta subterrânea que poderia ser usada para esconder a família real em caso de uma revolta. 

―  Hm, espertos. Isso é o que eu chamo de estar pronto para qualquer coisa. Agora, vamos procurar o que ativa a engrenagem que vai abrir essa parede ―  comecei a tentar puxar os candelabros das paredes próximas. 

―  Eu não sei se essa é uma boa ideia, Gelda ―  Zeldris parecia ainda mais preocupado do que ele estivera antes. 

―  Zeldris, vamos lá, me ajude. Vai ser divertido. Quantas outras vezes na sua vida você vai ter a chance de ver uma passagem secreta desconhecida em um palácio com centenas e centenas de anos? 

O encarei tentando passar uma mensagem de segurança com os olhos. Vi Zeldris ceder lentamente até concordar com a cabeça e começar a procurar. 

Desisti de procurar os candelabros e resolvi correr os olhos por todos os lugares tentando encontrar algo que me chamasse a atenção. Então eu vi, o que parecia ser um bloco com um padrão diferente dos outros no chão, passei o pé sobre ele lentamente e percebi que ele estava um pouco mais elevado que os outros, 

Pisei com força no bloco o empurrando para baixo, ele cedeu e logo eu e Zeldris escutamos um barulho alto de pedras raspando umas contra as outras e a parede se abriu. Comecei a entrar, mas Zeldris me impediu segurando minha mão. 

―  Calma, vamos entrar juntos, ao mesmo tempo ―  ele disse e eu assenti. 

Entramos na passagem que estava quase completamente escura, o corredor seguia para a direita e fazia uma curva. Após a curva havia um enorme cômodo muito bem iluminado, parecia ter janelas no teto, o que seria uma forma inteligente de conciliar iluminação e ventilação. 

― Este lugar é incrível ―  eu disse andando lentamente pelo quarto secreto, Zeldris concordou com a cabeça e soltou minha mão para ir examinar mais de perto. 

O cômodo secreto era muito confortável, havia quatro quartos, que pude ver através das portas abertas, e uma espécie de sala comum que ligava todos eles. Tudo estava muito bem decorado, se eu não soubesse que aquilo era um tipo de passagem de escape imaginaria que era apenas mais uma ala qualquer do palácio. 

Observei mais atentamente e percebi que havia uma pequena caixa semi aberta em um dos sofás da sala que ligava os quartos. Andei até o sofá e a peguei, abrindo-a logo em seguida. 

Dentro dela havia um escapulário com uma enorme esmeralda, nele estava inscrito: veritas, cor, anima. Junto com o colar havia um pequeno caderno que parecia um diário e alguns documentos. 

Li rapidamente os documentos e ao chegar às últimas linhas engasguei. 

―  Zeldris? ―  chamei e pude perceber a preocupação em minha própria voz.

―  Sim? ―  respondeu ele saindo de um dos quartos e vindo em minha direção. 

―  Lembra quando eu falei que você não precisava se preocupar porque nós não estávamos procurando segredos de Estado nem nada? 

―  Sim? ―  ele franziu as sobrancelhas. 

―  Bem, talvez você possa se preocupar agora. 


Notas Finais


sofrimento, romance conturbado e Zeldris e Gelda mexendo no que não deviam no castelo, isso que eu chamo de um capítulo completo
não vou me estender mais nas notas porque estou morrendo de sono
sintam-se a vontade para comentar o que acharam
espero que tenham gostado<3
beijinhos e até mais<3<3<3


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