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História I wanna be yours - Capítulo 21


Escrita por: plbruna

Notas do Autor


Oi gente, tudo bem? :) Me perdoem por não ter publicado terça feira, tive exame e cheguei esgotada a casa.

Relembro que os dias de postagem são às Terças, Quintas e Sábados.

Boa leitura :)

Capítulo 21 - O incómodo


A viagem de regresso foi silenciosa após o episódio naquela pousada. Akemi e Shikamaru não se atreveram a trocar palavras diretamente um com o outro, constrangidos e confusos com o que tinha acontecido.

Ao pensar na hipótese de que aquela aproximação poderia ter sido algo mais, Akemi quase pôde ter a certeza absoluta sobre Nara ter algum interesse nela como a ruiva nutria por ele. Ela nunca tinha sentido a sua respiração a aquecer o seu rosto e jamais pensou que ele seria capaz de a segurar pelo queixo e aproximar-se como o fez. Shikamaru estava a dar-lhe a volta à cabeça e ela sentia que podia enlouquecer em breve.

Porém, ele não ter dirigido a palavra depois do ocorrido podia significar que ele estava arrependido do que poderia ter acontecido se Lee não tivesse interrompido o momento. Ele esteve com a Temari em Suna, jantaram os dois juntos, mal se sabe o que fizeram a seguir e ele ainda chegou estranhamente atrasado aos portões da vila. O cenário de ele estar novamente com a Temari era o mais realista na mente da Akemi, afinal, ela foi o seu primeiro amor.

Talvez era realmente melhor as coisas terem ficado daquele jeito; Akemi se recusava a sofrer no futuro por causa de relações que não tinham qualquer rumo ou ficar angustiada por algo que ela já sabia com antecedência que iria acontecer. O distanciamento, não trocarem uma palavra e nem se encararem seria o melhor para ambos.

 

— Akemi! – Ayumi correu em direção da filha que ainda não atravessava os portões e já tinha os braços da mãe a rodear o seu pescoço. – Saudades.

— Mãe, você está me sufocando. – Akemi resmungou, tentando se soltar do toque quente maternal.

— Akemi, Lee, Shikamaru. – Kakashi caminhou até os três ninjas, cumprimentando-os. – Não será necessário apresentar relatório. Gaara tratou desses assuntos ontem há noite.

— Entendido. – Lee assentiu. – Estamos dispensados, Kakashi?

— Hai. Bom descanso. – O homem sorriu com os olhos.

— Você emagreceu durante a missão? Você está mais magra. – Ayumi fez uma careta, penicando o braço da filha que resmungou de dor.

— Droga, saudades de Suna. – A ruiva mais nova resmungou, recebendo um olhar mortífero da sua mãe.

 

Kakashi ria num tom inaudível, apreciando a cena entre a mãe e a filha. Elas eram realmente únicas.

O caminho para casa foi o momento de Ayumi encher a filha com um questionário em troca de carregar a sua mochila. A ruiva questionava a filha sobre os habitantes, o Kazekage, as diferenças entre Konoha e Suna e tudo aquilo que ela não conseguia responder, Kakashi explicava calmamente à mulher no qual ele não sabia em que impasse estavam.

 

— Teremos de ir a Suna. Suna tem nome de Vila do Saquê.

— Só porque começa com S não quer dizer nada, mãe. – Akemi apontou o indicador para a mãe e resmungou, recebendo um sorriso divertido da mulher mais velha.

— Você não sabe, aposto que não entrou em nenhum bar.

— Claro que não, estava em missão, não em uma viagem turística. – Ela suspirou, se espreguiçando.

 

Os olhos de Akemi nunca ficaram tão felizes por ver a sua casa, por finalmente ter uma noite de descanso na sua cama, no seu travesseiro, nos seus lençóis e no seu quarto. As duas mulheres e Kakashi entraram em casa e a ruiva se apressou em dar privacidade ao casal, tirando a mochila das mãos da mãos da mãe, se trancando no quarto. Como ela sentia saudades do aroma do seu quarto, daquele colchão não tão confortável como o da pousada, mas que trazia uma sensação familiaridade e aconchego ao seu corpo.

Era sexta-feira e ela estava de rastos, a última vez que realmente dormiu descansada foi há três dias atrás e agora o sono lhe pesava nas pálpebras. A sua cama era realmente confortável e aconchegante, ali parecia que nenhum problema existia e com esses pensamentos leves, a ruiva caiu em um sono profundo.

 

 

— Filha, acorde. – Ayumi murmurou, acariciando as bochechas encarnadas da ruiva ensonada. – A Ino e a Sakura chegam em vinte minutos e você precisa de comer.

— Não. – Ela resmungou, tentando voltar a adormecer.

— Elas estão com saudades, não seja chata. Ficaria feliz se fosse sair com elas.

— Isso não é justo. – A ruiva choramingou, esfregando os seus olhos.

— Vá tomar banho e depois desça para jantar.

— Jantar?

— Sim, você dormiu sete horas. – A mãe gargalhou antes de fechar a porta do quarto.

 

Akemi se espreguiçou e obrigou o seu corpo a se levantar da cama e a rastejar até ao closet, tirando um conjunto de roupa íntima, umas calças pretas de abrigo e um crop top preto. Ela não tinha paciência para escolher saias, vestidos, tops elaborados ou qualquer outra roupa que não fosse prática e mesmo assim aceitável.

O banho a água fria despertou a ruiva por completo e agora a mesma passava camadas finas de hidratante no corpo, secando os cabelos durante o intervalo de secagem da locção. Ondas invadiram a extensão do seu cabelo ruivo e a garota nem se deu ao trabalho de tentar alisar o seu cabelo, vestindo rapidamente as roupas escolhidas.

Descendo para baixo, o cheiro da carne de porco assado invadiu as suas narinas e os seus pés se moveram agilmente. Ela estava esfomeada, passara demasiadas horas sem comer fosse o que fosse.

 

— Você vai assim? – Ayumi resmungou ao observar as roupas da filha. – Você vai correr ou vai a uma festa?

— Há que ser prático. – Akemi resmungou. – Se você me emprestar os seus brincos…

— Sim, com certeza ficará um pouco mais… decente. – Ela brincou, servindo a filha com um prato de sopa. – Agora coma a sopa.

— Itadakimasu.

 

 

(…)

 

O trio saiu de casa da Akemi, caminhando em direção ao bar. Ino e Sakura não paravam de tagarelar sobre as novidades da Vila, sendo a única que interessou Akemi foi aquela que fez Sakura sorrir: Sasuke tinha regressado à vila.

 

— O Gaara continua solteiro?

— Acho que sim. – Akemi soltou uma risada curta, encolhendo os ombros. – Ele é legal. Disse que em breve viria visitar a vila.

— Sério? – Os olhos de Ino se arregalaram e um sorriso animado floresceu no seu rosto. – Tô pronta para a matança.

— Coitado do Gaara. – Sakura debochou, recebendo um soco leve da Yamanaka.

 

Akemi se limitou a observar, querendo chegar ao bar o mais rápido possível. Era quase impossível para ela esconder o desgosto e a falta de vontade em falar fosse com quem fosse. Talvez no bar, seria menos percetível.

 

— O Shikamaru também vem, espero que você não se importe. – Ino disse com um sorriso malicioso.

 

O seu corpo gelou e um arrepio súbito passeou por todo o seu corpo, quase a travando de dar mais um passo. Ela sabia de algo? Shikamaru não teria coragem de falar sobre o que tinha acontecido, certo? Isso era com certeza algo que Akemi não iria descobrir porque Ino era bastante leal ao seu melhor amigo. O que a Taiyou diria perante aquela situação?

 

— O bar é publico. – Limitou-se a encolher os ombros.

— Hm, uma resposta rude a sair da sua boca, Akemi? – Ino cantarolou com um sorriso. – Aconteceu algo não foi?

— O que faz você achar coisas dessas?

— Obrigá-lo a sair de casa foi mais difícil do que o normal.

— Não sei. – Ela quis se esbofetear. Por um lado, a sua vontade de dizer à Ino que ele e a Temari possivelmente poderiam estar juntos era grande, mas isso implicaria trazer desgosto à amiga e provavelmente seria como trair a confiança de Shikamaru e ela irritou-se por ainda ser capaz de pensar nele.

— Você realmente tem algo para contar. – Ino arqueou a sobrancelha. – Conta.

— Nada Ino. – Akemi resmungou. – Pelo menos, que eu saiba.

— O que isso quer dizer?

— E… - Ela estava a fazer um nó à volta do seu pescoço, quase impossível de o desfazer. – Eu conheci um cara em Suna, ele era legal. – Mentiu. Invés de abrir o jogo e desabafar com alguém, preferiu uma mentira onde que não traria problemas ao Nara. Ela se sentiu patética. Nem com a sua ex havia este tipo de pensamento.

— Quem? – Sakura sorriu.

— Kankuro. Ele tem u-

— Sério? O Kankuro? – Haruno gritou entusiasmada. – Ele é legal.

— Hm. – Ino semicerrou os olhos, não acreditando em uma única palavra da amiga. Algo estava errado, mas ela parecia desconfortável em falar sobre o assunto. Tinha de ser sobre Suna e com quase toda a certeza do mundo, o seu melhor amigo idiota estava envolvido de alguma forma. – Desde que não fiquei interessada no meu Kazekage. – Ela sorriu, não insistindo. Apesar de ser uma das suas grandes virtudes, ela sabia que tinha de dar espaço a ambas partes. Talvez mais a Akemi, Shikamaru ela ainda decidia se o deixava viver mais dois dias para consertar a merda que fez ou se o matava esta noite.

 

As três amigas finalmente chegaram ao destino tão aguardado e se apressaram em entrar, palmilhando em fila indiana até ao balcão lotado de ninjas. Akemi precisaria de umas boas doses de bebida que pudessem amenizá-la de todo o desconforto, frustração e tristeza que sentia ao pensar na ideia de ter que se afastar dele para seu próprio bem.

 

— Quero um copo de vodka. – Akemi gritou em direção ao barman que assentiu. Ino e Sakura se entreolhavam, decidindo o que iriam pedir, acabando por pedir uma mistura de suco de laranja com vodka. - O Sasuke vem hoje, Sakura?

— Ele não é muito de sair.

— Se fosse só isso. – Ino cantarolou e a ruiva gargalhou baixo.

— Garotas! – Kiba surgiu atrás de Akemi e Ino, envolvendo os seus braços no pescoço de cada uma. – Suave?

— Me larga. – Ino desvencilhou-se do toque de Kiba e Akemi seguiu o mesmo exemplo, mas de forma mais subtil sorrindo para a figura masculina à sua frente.

— Sempre chata, Ino. – O garoto resmungou. Inuzuka parou com os seus olhos no corpo de Akemi pela primeira vez naquela noite, analisando-a de cima a baixo com um pequeno sorriso. – Você está…

 

Era impossível não sentir o olhar contemplativo de Kiba sob o seu corpo, fazendo as suas bochechas esquentar.

 

— Você não sabe o que é educação, idiota? – Sakura gritou, dando um cascudo no garoto que levou as mãos à zona atingia. – Baka. Venha Akemi e porca. – Sakura pegou com a mão disponível no pulso de Akemi e puxou-a para uma das mesas que estavam disponíveis. – Idiota. Você está bem Akemi?

— S-Sim, valeu. Ele não entende quando…

— Ele estava interessado na Tenten mas ela está com o Neji e ele não sabe o que fazer. – Ino explicou, bebericando a sua bebida.

— Hm, entendo. Ele está magoado. – Akemi levou a mão ao queixo, sentindo agora um pouco de pena. No fundo, Kiba procurava talvez uma forma de preencher o vazio que sentia pela Tenten e ela entendia aquilo, ela também queria esquecer Shikamaru. – Entendo.

— Você não pense em fazer nada estúpido, está me ouvindo Akemi? Eu não sei que raios se passou com você e com o outro idiota, mas isso não é motivo para ficar com o Kiba.

— Eu não disse nada. – Akemi pigarreou, sentindo o seu rosto a queimar. Como é que Yamanaka lia os seus pensamentos tão facilmente?

— Aham, sei. – Ino se levantou. – Sakura veja se a Akemi não faz nenhuma besteira, preciso de ir no banheiro.

— Tá. – Sakura assentiu e as duas observaram a loira a desaparecer no meio da multidão. – Você não quer realmente desabafar?

— Duvido. – Akemi resmungou, tragando de uma vez só um terço do líquido que estava no copo. – Preciso de mais uma bebida.

— Ei. – Sakura pousou a mão sobre a da amiga que se preparava para levantar. – Invés disso, porque não vamos dançar? É uma forma mais efetiva de se esquecer.

— Se você o diz.

 

Contragosto, ela foi guiada pela rosada até à pista, ficando ligeiramente perto dos banheiros caso Ino saísse de lá. Sakura começou a mover a cabeça ao som da música e pegou nas mãos da amiga, sincronizando os seus movimentos com os dela.

 

 

— Aqui está você. – A mão feminina pegou na camiseta preta de Nara, puxando o seu corpo para longe dos seus amigos. Sem grande esforço, a mesma jogou o amigo contra a parede do bar, não conseguindo esconder a sua irritação. – Que diabos aconteceu?

— Boa noite para você também, Ino. – Shikamaru resmungou, se afastando da mão da amiga. – Como assim?

— Não se faça de bobo.

— Eu realmente não estou entendendo.

 

O pior é que ele estava dizendo a verdade, alimentando ainda mais a nuvem de frustração dentro dela. Como é que o seu melhor amigo, um dos génios mais reconhecidos pelo mundo ninja, era tão tanso?

 

— Por Karmi Shikamaru, você e a Akemi. O que tá rolando ou o que rolou?

— Ah. – Ele pigarreou. A sua mão começou a esfregar na parte d’trás do seu pescoço, em sinal de nervosismo. – Nada.

— Por favor, me poupe. Ela quase ficou com o Kiba.

— Com o Kiba? – O seu corpo mexeu-se em desconforto com as palavras da loira. Por que raios ela ficaria com o Kiba? Agora que ele pensava, o Inuzuka ainda não tinha aparecido. – Onde ela está? Ele está junto?

 

Ino se desmanchou em um sorriso vitorioso, cruzando os braços à frente do seu peito.

 

— Então, você está preocupado é? Saiba que ele e ela combinaram um encontro. – Yamanaka decidiu mentir para ver até onde o melhor amigo dela ia com aquilo tudo. Pela primeira vez, ela testemunhou Nara sendo impulsivo, mostrando estar preocupado ou talvez ciumento por causa de uma garota. Nem com Temari ele tinha reagido assim, o que era normal: os dois sabiam que só tinham olhos um para o outro, enquanto com Akemi ele andava na corda bamba.

— Um encontro?

 

Ino permaneceu em silêncio, elevando a sobrancelha. Modéstia à parte, mas Yamanaka era talentosa em botar pressão sobre as pessoas quando queria. Ela sabia o que queria ouvir e Shikamaru também sabia. Ele não era assim tão burro quando se tratava de garotas, pensa ele.

 

— Ela me viu a jantar com a Temari, em Suna. – Shikamaru suspirou, massageando o pescoço.

— Com a Temari? – O sangue de Ino correu-lhe até ao rosto mais rápido do que devia, provocando um rubor instantâneo. – Com essa garota? O que você tava fazendo a jantar apenas com ela Shikamaru? – Esbravejou.

— Nós tínhamos que falar sobre a nossa relação Ino.

— Relação? Você e a Temari voltaram? Você ficou louco? – Ela fechou a mão, pressionando as unhas longas contra a palma da mão.

— Não, nada disso. – Ele abanou as mãos e a cabeça ao mesmo tempo, reforçando a resposta. – Ela quis voltar e eu não quis e decidimos ficar pela amizade para não estragar mais as coisas.

— Hm. E porque você não explicou isso ‘pra Akemi?

— Não entendo a razão, mas eu tentei e as coisas deram errado.

— Errado?

— Não interessa, é passado mesmo.

 

Ino quis dar uma risada ao analisar as feições de Nara a ficarem rosadas. Ele estava envergonhado.

 

— Fala logo criatura, eu quero ajudar vocês.

— Ajudar com o quê?

— Apenas fala.

— Eu e ela quase nos beijámos. – Shikamaru pronunciou a última palavra em um tom mais baixo, pigarreando de seguida.

— Jura? – Ela gritou, surpresa. – Então o que deu errado? Você se esqueceu como beijar?

— Sério você é muito abusada. – Nara suspirou, massageando as têmporas. – O Lee nos interrompeu e nunca mais falámos.

— Então pera, você foi jantar sozinho com a Temari, não esclareceu a situação com a Akemi, depois quase a beijou e agora não falam?

— É, simplificando é isso.

— Você só arranja problemas.

— Eu não preciso de falar com ela sobre a Temari, nós não somos nada e aquilo provavelmente seria um erro.

— Um erro?

— É.

— Um erro é você não enxergar o que está à frente dos seus olhos, baka. Agora entendo o porquê da Akemi estar tão puta da vida ao ponto de pensar em ficar com o Kiba.

— Ele certamente deve ter algo de especial para atrair a atenção da Akemi. – Nara resmungou, batucando com os dedos uns nos outros. Era uma droga ele não entender o porquê de aquilo o incomodar tanto.

— Ah isso, é brincadeira mesmo. Ela e ele não vão a nenhum encontro por agora. No futuro não prometo intervir. – Ino encolheu os ombros. – Trate de corrigir a bagunça que fez.

 

 

Shikamaru encarou Ino, incrédulo. Era impressionante até onde ela ia para atingir o que queria. O seu maxilar antes contraído, agora estava relaxado e as suas feições pareciam mais tranquilas tal como o seu estômago que não estava mais embrulhado. 

 

Ele odiou a brincadeira da Yamanaka, mas naquele segundo, o incómodo desapareceu.



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