História I Want You - Capítulo 1


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Categorias Hora de Aventura
Personagens Marceline, Princesa Jujuba
Tags Bubbline, Hora De Aventura, Marceline, Orange, Princesa Jujuba, Yuri
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Palavras 5.187
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Festa, Ficção, Orange, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello! ^^

Então, primeiramente quero desejar boas-vindas e agradecer por estar lendo IWY! Segundamente kkkkkkk quero dizer que essa é minha primeira vez no fandom, não estou muito bem assimilada a certas coisas, detalhes e nuances de Bubbline, mas não me segurei quando esta ideia apareceu em minha mente, por isso perdão a minha pouca experiencia quanto ao casal, prometo melhorar kkkkkk.

Agora sobre a fic, bom, ela inicialmente apareceu como uma OS, mas acabou que senti que dá para fazer uma continuação dela... Não sei, vai depender da minha disponibilidade e coisas pessoais, porém acredito que em breve posso estar trazendo uma continuação dela, caso gostem e se interessem, é claro kkkkkkkk. Ah, fiz uma alteração no cabelo da Bonnie, acreditei que o rosa ficaria um pouco estranho para a época que estou abordando e gosto de ser realista em minhas estórias, então ela está ruiva, espero que isso não atrapalhe ninguém na leitura kkkkkkk. Também não posso esquecer esses detalhes, bobinhos, mas detalhes kkkkkkk. O nome da fic é inspirada numa música dos anos 70, I Want You do Marvin Gaye e a do capítulo, Move é do Taemin (sou da turma do kpop). Então se quiserem entrar na vibe da fic, posso dar a sugestão de escutá-las, são músicas realmente boas <3

Acredito que já falei de tudo, apenas tenho a agradecer ao meu amigo que fez a capa, como sempre deu seu toque de mestre <3, também agradecer minha amiga Annalise por ter me mandado fanarts Bubbline para me inspirar e desejar uma boa leitura para vocês!

Beijos <3

Capítulo 1 - Move


São Francisco, 1978

 

 

A fumaça dos cigarros acessos dominava o salão e a pista de dança, tornando o show das luzes coloridas etéreas, chegando a ofuscar os dançarinos, exceto uma pessoa.

O brilho que uma garota ruiva emitia como se uma auréola rondasse seu corpo esguio e lânguido não era ofuscado por nada e nem ninguém. Ela parecia ser a única naquele salão, atraindo os olhares para o ritmo em que suas pernas se moviam, a maneira sensual como seus quadris seguiam o toque da música… Parecia ser a peça central entre tantas pessoas.

Marceline a observava boquiaberta, não perdendo um mínimo detalhe se quer, hipnotizada sem conseguir desviar os olhos.

Desde o início da noite tinha sentido fome e, mesmo que odiasse lugares cheios como aquela discoteca que fedia a cigarro e suor, admitia que não existia canto melhor para procurar comida. Quando chegou ao estabelecimento se instalou num canto reservado, numa das mesas próximas ao bar. Sentada naquele espaço poderia passar seu olhar sobre a pista de dança com facilidade, restando pensar, dentre os clientes, quem poderia ter o melhor cheiro. Era uma atividade um pouco enfadonha, rotineira e sem graça, uma caçada fácil. Bastaria se erguer ao escolher o primeiro humano, sussurrar palavras avassaladoras em seu ouvido, aproximando seus corpos para tornar sua abordagem mais íntima, abusando da excitação que a dança produzia nos corpos regidos por hormônios. Tranquilamente conseguiria a presa perfeita que reagiria a suas ações, podendo controlá-la e beber um pouco do seu sangue, para então saciar-se e ir embora.

Nunca fora vacilante em suas caçadas. Simples era viver como se não se importasse com as vidas humanas e de fato sobrevivia assim, se alimentando, olhando as pessoas a sua volta com certo tom de desprezo. Elas estavam envelhecendo enquanto que ela não, e isso não os afetava de alguma maneira, pelo menos não naquele momento. Tinha estagnado no tempo, amaldiçoada pelo feitiço de permanecer vagante no tempo, imóvel. Por isso que quanto menos convivia com as pessoas, mais fácil era esquecer lembranças de sentimentos humanos, memórias de uma vida passada, agindo como um animal sempre faminto.

Contudo aquela garota, por algum motivo, a puxava para fora desse entorpecer que havia emergido quando passou a não se importar. Seu largo sorriso era fonte de mistério. A maneira como se movia transmitia alegria, força de vontade, liberdade e vida. A cor vivaz de seu cabelo liso pareciam cascatas de fogo. Ela era bela e admitir isso a irritava, fazia algo borbulhar em seu peito surdo e morto, por presenciar toda sua vivacidade. Sentir-se imunda, pequena e vazia. Marceline sentia-se presa em seu próprio destino e a ruiva a fazia lembrar o quão bom era viver, libertando-se de qualquer amarra que pudesse restringi-la e aproveitar o momento com fulgor. Sua dança intensa era calorosa e despertava uma necessidade na vampira que não conseguia compreender como isso poderia existir. Um sentimento tórrido que silenciava qualquer necessidade.

Ao redor da ruiva podia ver outras garotas. Marceline havia escutado algumas pessoas comentando que elas eram a realeza daquela discoteca, vinham todo final de semana para beber e se divertir, dançando até que seus corpos reclamassem exaustos. Tinha de concordar de que elas pareciam princesas e rainhas daquele salão, mas apenas a garota dos cabelos vermelhos chamava seu olhar. Sua presença era avassaladora, tornando-a a mulher mais cobiçada de toda festa. Mas ela não dava importância para isso, chegando a rejeitar os homens e mulheres que se aproximavam.

Apenas quero me divertir, seu corpo parecia dizer.

Marceline estava se consumindo por dentro de ansiedade. Por que ela chamava tanta atenção? Nunca gostou de gente assim, então por que simplesmente não a ignorava e seguia com seu plano da noite? Tinha vindo se alimentar, a fome e sede haviam lhe tirado a paciência naquela noite, mas apenas não conseguia. Aquela ruiva tinha cativado todos seus sentidos e petrificado seu corpo para admirá-la.

Porém sua imobilidade não durou muito tempo e consciente do que estava a fazer, irritada, se levantou da mesa e seguiu firmemente em direção à ruiva. Precisava questioná-la sobre como poderia ser daquela maneira... Parecia despreocupada e feliz. Como ela poderia ser assim? Sua felicidade a enojava de alguma maneira, enervava, fazia seu peito doer intensamente.

E como se fosse magnética, Marceline sentiu seu corpo ser guiado até ela, as pernas ficando leves ― tinha perdido o controle delas ―. Sua mente não a tirava da cabeça e quanto mais conseguia vê-la, linda e exuberante parecia, fazendo o fascínio crescer.

Não poderia ser humana, tratou de se convencer. Uma criatura magnífica como aquela poderia se tratar de uma ninfa, quem sabe até mesmo uma deusa do amor e mesmo assim aparentava ser frágil e delicada como uma humana, até mais se comparada aos outros que a rodeava. Suor fazia a pele acetinada e rosada brilhar sob as luzes, sua respiração estava acelerada e descompassada, seu cheiro era forte ao ponto de fazer a garganta da vampira arder em protesto. Seu calor atraia o corpo morto-vivo, arrastando-a cada vez mais perto. Uma aproximação tão perigosa e ela poderia se importar menos.

Sem que comandasse sua mão pálida e fria se esticou, alcançando o braço da ruiva. Com um movimento a virou na sua direção, desequilibrando seus passos de dança, atraindo-a para perto. Surpresa com o puxão brusco e repentino, a ruiva agarrou-se na primeira coisa que apareceu em suas mãos, eram braços finos e magros. Ao erguer seu olhar encontrou-se nos braços de uma morena alta e magra, que com seus olhos estranhamente avermelhados naquelas luzes psicodélicas, a encarava fixamente.

As finas sobrancelhas ruivas enrugaram e seus olhos castanhos questionaram a morena que havia atraído sua atenção. Tinha a atrapalhado naquele instante de diversão e não gostava de ser perturbada nesses momentos. Mas um sentimento denso e profundo que faziam os olhos da estranha cintilar, fez com que esperasse o que tinha a dizer.

Os lábios de Marceline se moveram, da boca rígida não saiu nenhum som, a ruiva ficou observando-a sem entender o que tinha dito por causa da música alta e o som de seu coração pulsante que bloqueava qualquer fonte de barulho, exceto a música.

― Não escutei, repete! ― Pediu ao gritar acima do som, virando o rosto para que falasse em seu ouvido.

― Quem é você? ― Marceline cumpriu seu pedido falando rente ao ouvido, que mesmo coberto por uma cortina de seu cabelo, fez com que a ruiva estremecesse ao sentir seu hálito frio tocar na pele quente.

Agora próximas, afastaram-se minimamente para se olhar.

A ruiva prendeu a respiração, reação automática a uma aproximação tão inesperada como aquela, seus rostos estavam tão perto que podia sentir seu cheiro e a respiração superficial. A morena havia se inclinado para sussurrar em seu ouvido e aquilo a tinha desarmado, não estava preparada. Mesmo com a música alta, o tom melódico da voz de Marceline foi algo que, definitivamente, não esperava cativá-la. Era límpida e clara, falava como se tivesse cantando uma canção de irritação contida, pois parecia tensa como as cordas de uma guitarra. Em seus olhos avermelhados fixou o olhar, tentando decifrá-los. Havia algo dentro deles que queriam dizer algo sobre guardar um segredo perigoso. Teria se afastado como qualquer pessoa sensata faria, mas aquilo apenas fez com que quisesse ficar. Queria descobrir o motivo de tê-la abordado. O porquê que parecia tão rígida e irritada. Desejava saber todos os porquês existentes, influenciada por seus olhos atraentes e misteriosos.

― Bonnibel ― Respondeu como se fosse forçada, entorpecida e motivada pelo olhar da estranha. ― E o seu? ― Interrogou ao notar que estava agindo de maneira anormal e esquisita, afetada por sua aproximação. Respirou fundo para relembrar que deveria ter calma, precisava relaxar o corpo, mas sentiu que estava dentro de um repentino poço de nervosismo. O perfume da morena era delicioso.

Para que saber o nome dela? ― sua mente questionou pela curiosidade.

Ela era uma pessoa esquisita que tinha um bom perfume e uma voz atraente, além de belos olhos chamativos… Seu rosto fino tinha maçãs do rosto pronunciadas, um nariz fino e anguloso, lábios finos e delineados, como se tivesse sido esculpido por algum escultor caprichoso e talentoso. Era uma aparência que muitos astros do rock adorariam ter. Ela parecia tão profunda e rebelde. Parada daquela maneira lembrava muito a uma estátua, estava a ponderar seu pedido com os lábios entreabertos.

― Marceline. ― Disse por fim ao contorcer levemente o rosto, sentindo-se completamente esquisita.

Marceline não precisava ter dito seu nome, se fosse para fazê-la de vítima apenas seria o suficiente atraí-la para um canto escuro e morder seu pescoço. Mas, de fato, essa não era sua intenção, certo? Tinha ido a sua procura porque Bonnibel tinha atraído sua atenção, a feito sentir coisas que acreditava ter esquecido a muito tempo de existência.

Assustada por tomar proporção do que estava fazendo, desistiu daquela empreitada ao largá-la subitamente, libertando-a, dando passos para trás como se ela fosse o verdadeiro perigo. Um frágil humano a assustando, quão bobo não seria aquilo. Certamente seu pai e criador teria gargalhado dela naquele instante. Novamente aquela sensação tola de raiva e irritação subiu pelo peito, fazendo com que seu rosto fechasse e os olhos ficassem agressivos. Sem motivos para ficar, virou-se e seguiu para a saída da pista, afastando-se do salão em busca da saída, fugindo de Bonnibel. O que tinha passado em sua cabeça para ir confrontar um humano? Tinha alguma coisa errada com ela e isso não estava relacionada à fome, que agora apertou a garganta. Correu da maneira mais humana que pode para a saída, esbarrando nos ombros de outros dançarinos, que resmungaram de sua passagem violenta. Assim que estava fora, voltou a respirar como se estivesse exausta e ficado sem ar. Apoiou as mãos nos joelhos, curvando-se. A cabeça estava uma perfeita confusão. Um dos seguranças a olhou com desconfiança, nunca gostara de pessoas com seu visual por serem baderneiros, mas permitiu que ficasse longe da entrada e recuperasse sua pose.

― Espere, ei, Marceline! ― Uma voz feminina chegou aos ouvidos de Marceline, fazendo-a se virar para encontrar Bonnibel com as maçãs do rosto avermelhadas e a respiração acelerada. Ela tinha corrido atrás dela e se não tivesse parado certamente não a teria alcançado, suas pernas longas eram rápidas, andava como se estivesse flutuando. ― O que foi aquilo? Por que você fugiu depois de chamar minha atenção?

Perguntou sem se importar se os olhos avermelhados de Marceline pareciam chocados, arregalados pela surpresa. Então a morena fingiu não vê-la e deu as costas, andando para longe ao descer a rua, que àquela hora da madrugada estava quase desértica.

― Para onde você vai? Ei! ― Bonnibel acreditou que estava ficando louca por seguir atrás daquela garota estranha, mas não queria ficar sem resposta. Precisava entender porque seus olhos pareciam estar em conflito.

Droga! ― pensou ao perceber que a morena era muito rápida e suas passadas muito longas. Os saltos plataforma que usava naquela noite também atrapalhavam na corrida.

― Será que você poderia parar por um instante? ― Gritou para que Marceline a escutasse, deixando claro que estava tendo dificuldade em alcançá-la.

E, sem que esperasse, a morena repentinamente parou e voltou-se para ela. Não deu a chance para que olhasse em seus olhos e com poucas passadas a alcançou sem nenhuma dificuldade, puxando-a bruscamente pela mão, a levando para um beco mais próximo. Soltou-a de imediato quando se viram longe das outras pessoas e se virou para olhá-la.

― O que você quer? Por que está me seguindo? ― Bonnibel a viu passar as mãos em seu longo cabelo escuro e levemente desgrenhado, ergueu os olhos que tinham caído ao chão, passando a encurralar a ruiva com passos lentos e ameaçadores, guiando-a na direção da parede. ― Quem é você?

Rosnou sem conseguir controlar a frustração que crescia em seu âmago, o corpo novamente sendo atraído pelo dela, por aquele calor abrasante que transmitia. Estando tão próxima pode se concentrar inteiramente nela, em como seu coração se agitou, a respiração que falhou um rápido momento. Se guiasse os olhos para baixo teria a visão de seus lábios rosados, ficando intrigada em como o lábio inferior era um pouco mais cheio que o de cima e em como pareciam apetitosos. A fome que sentia se tornou devassa, manipulando qualquer sentimento de medo e confusão que pode ter sentido. Apenas queria grudar nela, experimentar sua boca.

Bonnibel primeiramente ficou confusa e assustada com a repentina mudança da morena, sentindo a violência da frustração que incendiava seus olhos, encostando-se à parede a procura de uma saída, se saindo frustrada ao encontrar-se encurralada. Naquela iluminação fraca da rua conseguiu notar quão vermelhos e famintos eram seus olhos, ao ponto de temer por um instante o perigo que transpareciam. No entanto ao ver seu olhar se perdendo na direção da sua boca, sentiu um tremor frio descer pela coluna, lançando um arrepio indevido dos pés a cabeça. Sob a expectativa de algo travou a respiração e a encarou, desejando que fizesse o que tinha em mente. Não sabia o que poderia se passar em sua cabeça, não a conhecia e nem entendia o motivo dela estar tão irrequieta, mas para todos os efeitos não se sentia ameaçada. A paralisia que dominou seu corpo não era referente ao medo.

As mãos de Marceline encontravam-se sem controle naquela noite, elas tomaram o rosto delicado da humana, agindo com tanto cuidado que parecia estar a tocar porcelana. Num passo decisivo juntou seus corpos, sentindo as mãos quentes e suaves de Bonnibel agarrando-se em sua blusa. O cheiro de seu sangue era atraente, quente e parecia incrivelmente doce, sob a pele fina podia sentir o sangue que pulsava nas veias do pescoço. Aproximou o rosto naquela direção incentivada pelo lado animal da fome, arrastando o nariz e os lábios em sua pele clara e cremosa, subindo pelo pescoço que foi oferecido sem resistência.

Tinha em mãos uma garota louca, que não tinha sentido o perigo que corria em suas mãos. Seu cheiro a enlouqueceu a níveis alarmantes, fazendo com que sua boca salivasse e as presas crescessem automaticamente, cortando a boca. Tão cheirosa... Mas isso não era o suficiente para cravar as presas em seu pescoço. Ao abrir os olhos encontrou uma expressão excitante dominando o rosto da garota, que ficou vermelha com sua atitude, os olhos fortemente fechados e a boca entreaberta para capturar o ar que entrava com dificuldade em seus pulmões. Marceline estremeceu por inteiro com tal visão e com dificuldade se afastou, atraindo o olhar decepcionado de Bonnibel, que a questionou silenciosamente o motivo em ter se afastado.

Não. Aquela era a prova que Marceline precisava, que verdadeiramente não tinha ido atrás dela a procura de seu sangue. A resposta esteve a sua frente o tempo inteiro. Ela era linda e havia se encantado ardentemente pela humana, ao ponto de sentir pontadas dolorosas em seu corpo. Precisava dela em sua cama.

― Venha comigo, Bonnibel… Prometo fazer sua noite valer a pena. ― Marceline não precisava ter pedido, poderia muito bem usar seus poderes de vampiro, hipnotizá-la assim como tinha a hipnotizado na pista de dança, mas queria dar a chance de escolha. Gostaria de saber se, por vontade própria, Bonnibel queria que a levasse consigo.

Aguardando sua resposta, estendeu a mão em sua direção, mantendo firme seus olhares. Sua respiração estava dura pelo temor em receber uma resposta negativa, afinal estaria a levando numa aventura que ela própria não sabia onde iria acabar. Aquilo poderia se sair um erro, como também um dos acertos mais loucos e maravilhosos de sua eternidade.

Bonnibel não queria ser rude, mas não podia aceitar a proposta de imediato, precisava pensar no que estava ofertando. Não era nenhuma menina inocente, compreendia o que aquele pedido queria dizer. Em nenhum momento desviou o olhar, encarando-a com ligeira surpresa, pois suas pernas estavam moles e nada de coerente se passava em sua cabeça. Marceline não era uma pessoa comum, observou sabiamente, dava para sentir que ela era especial por tê-la enfeitiçado. Geralmente não seguia em aventuras que poderiam colocá-la em confusão. Era curiosa e adorava inovar sempre que podia, mas aquilo estava longe da inovação. Havia entrado numa situação esquisita, onde se encontrava com o coração acelerado, derretida por alguém que conhecera numa festa de uma maneira nada convencional.

Não havia resposta, pelo menos uma que não fosse óbvia. Sua mão deslizou pela pálida e fria da morena, que abriu um meio sorriso. A novidade arrancou o ar de seus pulmões ao perceber que ela ficava charmosa e sedutora com um sorriso como aquele. Uma tensão cobriu a barriga, esquentando as bochechas, se tivesse sorrido daquela forma sem dúvidas teria se entregue mais cedo. Ele ultrapassava os limites da beleza.

Satisfeita com sua decisão, Marceline fechou o aperto em sua mão e a arrastou para fora do beco. Ela morava num apartamento não muito longe da discoteca. Aquele seria o melhor lugar para levá-la.

 

*

 

Muitos contos poderiam afirmar que os vampiros eram criaturas esquisitas, monstruosas, que viviam presas em castelos, trancadas em calabouços ou masmorras, dormindo em seus caixões. Contudo isso não passava de histórias para assustar crianças e, embora Bonnibel não soubesse da verdade que a rondava, Marceline não se parecia em nada com aquelas histórias, fora a aparência sombria e pálida.

Não havia nada a ser considerado fora do comum ao entrar em seu apartamento pequeno e modesto. O quarto que foi apresentado era bastante divertido de observar. Havia pôsteres de bandas punks colados nas paredes decoradas por um papel de parede de listras vermelhas e brancas. Uma estante com uma coleção de vinis posta na parede ao fundo, onde próximo a ela se encontrava um toca-discos prateado colocado no chão, com um fone de ouvido repousando ao seu lado. Peças de roupa xadrez e jeans rasgados formavam um monte num canto, enquanto que pendurado na cadeira da escrivaninha se encontrava uma jaqueta de couro surrada, cheia de rebites. Nada que destoasse do visual desleixado da morena, que tranquilamente, com movimentos elegantes e silenciosos, atravessou o quarto após acender a luz e se sentar em sua cama desarrumada.

Ela morava sozinha, não precisava questioná-la, era bem óbvio se olhasse ao redor. Claramente vivia uma vida de solteira, a cama estreita e desarrumada fortificavam os indícios. Provavelmente gostava de ter seus casos sexuais fora de casa ou será que era apenas mais uma ali dentro?

Sentindo-se repentinamente nervosa, Bonnibel respirou fundo e suspirou, cruzando os braços ao entrar timidamente no quarto, que embora bagunçado tinha um cheiro bastante limpo. Aspirou mais uma vez e se surpreendeu ao notar que se tratava do perfume dela, que ficava bem mais característico e evidente. Era um aroma tão agradável e tranquilizador, que a tensão aos poucos foi diminuindo em seus ombros.

― Parece nervosa, Bonnibel ― Marceline comentou atraindo seu olhar.

― Bonnie, me chame de Bonnie já que vamos fazer… ― Engoliu em seco ao notar que era até mesmo difícil falar a palavra sexo, que não era um tabu em sua vida, mas ela não era tão cool assim quanto às amigas para dizer livremente a palavra. Caroço era a quem mais gostava de zombar dela por isso. E ao ver que Marceline havia erguido uma de suas grossas, mas bem feitas sobrancelhas escuras, não pode evitar corar por se sentir boba. ― Ah, você sabe.

O som de uma risada melodiosa cobriu o quarto e Bonnibel se surpreendeu por ver que Marceline estava rindo. Se conheciam há pouco tempo, por isso que estranhava coisas simples como aquela, pois ela não parecia ser uma pessoa de riso fácil.

― Sim, eu sei. ― Parou de rir gradativamente ao ver-se, mais uma vez, encantada com a ruiva, descendo os olhos famintos por seu corpo.

Ela era completamente diferente de qualquer garota com quem tenha se relacionado. Ao mesmo tempo em que parece sedutora com seu gingado e roupas justas, acabava corando como uma garotinha inocente ao falar sobre sexo. Fofa.

Achando que estavam estendendo desnecessariamente aquela situação, por mais que fosse interessante conversar com ela e descobrir o que se passava em sua mente, conhecê-la, Marceline se levantou e calmamente caminhou até ela. Seus olhares não desgrudaram em nenhuma hipótese, como imãs. Novamente sentiu a tentação da sede, da fome insaciável de sangue ao sentir seu calor, só que foi simples ignorar. Queria experimentar o prazer de seu corpo, a vivacidade que transmitiu na pista de dança e testar os limites da humana. Tocou seu rosto com as pontas dos dedos, sentindo a suavidade de sua pele. Os olhos dessa vez escaparam da prisão dos seus, que brilhantes a observava com expectativa. Afastou a cortina de seu longo cabelo, jogando-o pelo ombro, vendo que o decote da blusa rendada, cheia de babados, mostrava-o. Desceu os lábios frios naquela direção e plantou um beijo tão leve, que Bonnibel suspirou insatisfeita.

Um calor intenso subiu pelo corpo de Bonnibell que se pôs tenso, encontrando dificuldade para respirar. Silenciosa permaneceu ao ver a morena lentamente ir distribuindo beijos cálidos em sua pele, subindo para a junção de seu pescoço. Sua respiração fria provocava arrepios que a estremeciam. Agarrou sua blusa não conseguindo ficar muito tempo quieta, puxando-a para si, tornando mínimo o espaço entre seus corpos.

A ação chamou os olhos de Marceline que foram diretamente aos seus, um pequeno sorriso foi crescendo em seu rosto, que pareceu iluminar. Ela estava adorando aquilo, afirmou Bonnibel em pensamento. Estava a adorar vê-la se entregar e derreter aos poucos em seus braços. Poderia ter ficado com raiva disso, mas estava encantada demais com seus lábios, desejando ardentemente poder beijá-los. E como se pudesse ler sua mente, a morena deslizou a mão por sua nuca, prendendo algumas mechas de seu cabelo sedoso entre os dedos e cobriu sua boca com seus lábios que estavam formigando em ansiedade.

Um contato tão sutil como aquele poderia ser uma provocação para Bonnibel, que passou os braços em sua cintura, colando seus corpos. Um desejo de urgência dominou sua cabeça e assim seus lábios foram pressionados com mais força, estremecendo ao sentir uma conexão elétrica atravessar seus corpos, deixando-a mais quente. Seus lábios eram duros e pareciam resistir a sua força, mas pela primeira vez naquela noite, notou que Marceline tinha perdido frações do controle que tinha sobre si. Ela ofegou em seus lábios, separando-os, dando chance para que deslizasse sua língua quente e molhada para dentro de sua boca. A morena acabou permitindo que ela comandasse aquele beijo, retrucando-a com vontade e uma luxúria sufocante que estremecia seu peito. Um som gutural cresceu na garganta, atraindo a atenção da ruiva, que parou um instante para respirar. Sentiu-se tonta derretendo-se em seus braços, entregando-se naquelas sensações abrasantes que corria nas veias.

Marceline as separou com uma repentina pressa, puxando-a na direção de sua cama. Empurrou-a gentilmente pelos ombros para que sentasse em sua cama, retirando a primeira camada de roupa arrancando a blusa que usava pela cabeça, jogando-a em qualquer lugar do quarto. Seu torso desnudo chamou a atenção da ruiva, que engoliu em seco e passou a língua entre os lábios, sentindo-se tentada e quente demais para se restringir a qualquer coisa, descendo o olhar por seu corpo magro.

A morena se inclinou para beijar novamente seus lábios, desfrutando da maciez e calor que transmitiam. Eram doces e saborosos. Sugou seu lábio inferior, arrancando uma exclamação de aprovação e foi a inclinando na direção do colchão. Primeiramente retirou seus saltos, as mãos passaram a contornar as curvas de suas pernas, enquanto subiam para o cós da calça, abrindo o botão para baixá-la em seguida. O caminho provocava tensão no corpo de Bonnibel, que se agitou. Parecendo não perceber, Marceline continuou arrastando as mãos para cima, passando por sua cintura ― as mãos penetrando na roupa ―, erguendo lentamente a fina e delicada blusa que usava, sentindo sua respiração ficar lenta, parando quando a despiu da peça. Ela não usava sutiã, sua calcinha branca se tornou a única peça que cobria o corpo, que decididamente era perfeito, com curvas na medida certa.

Os olhos a devoraram por inteiro, sem restrição, e isso não acanhava a ruiva, que agradada podia enxergar em seus olhos vermelhos seu desejo ardente. Bonnibel puxou seu rosto e a trouxe para cima de si ao sentir falta de seu corpo, beijando-a com volúpia. Marceline se apoiou em seus braços para não cair sobre ela, sentindo as pernas torneadas e macias dela cercarem sua cintura, trazendo-a mais perto. Propositalmente se desequilibrou, roçando seus seios, sentindo os botões eriçados. Bonnibel soltou um contido gemido ao roçar seu sexo na perna que tinha no meio das suas, o jeans provocando um delicioso atrito com o tecido fino de sua calcinha.

A boca de seu estômago se revirou em ansiedade e expectativa quando Marceline liberou sua boca, arrastando seus lábios pela mandíbula e pescoço. A morena com cuidado distribuiu beijos molhados em sua pele clara, desejando ardentemente poder mordê-la, não para beber seu sangue e sim para marcá-la. Seu interior se remexeu em massiva excitação quando escutou um gemido contido deslizar na boca ― agora avermelhada ― de Bonnibel, que arrastou suas mãos quentes pela extensão de suas costas chegando em seu cabelo, emaranhando os dedos nele. Com a língua molhou seu pescoço, tudo antes de descer na direção dos seios fartos que estavam cheios. Agarrou o esquerdo e o colocou na boca, chupando com cuidado para que seus dentes não a machucassem, encontrando no final o mamilo túrgido, fazendo a garota abaixo de si urrar. Um golpe inesperado atingiu o íntimo da ruiva, que se contorceu na cama, querendo acalmar as pontadas que dominavam o ventre.

Marceline continuou a estimular seus seios, deslizando a mão livre para baixo, entrando sem pudor na calcinha úmida de Bonnibel. Seus dedos longos e ágeis encontraram o botão sensível daquela parte, pressionando-o entre os dedos, arrancando um gemido arrastado e manhoso da ruiva, que moveu o quadril instintivamente. A morena não conseguiria se controlar por muito tempo e embora quisesse prolongar as sensações que provocava em seu corpo, o limite da sede estava aos poucos se excedendo. Tragou o máximo que pode de saliva e voltou a beijá-la, absorvendo os gemidos, enquanto continuava a tocar seu ponto sensível. Com uma tranquilidade que não tinha, lentamente, escorregou dois dedos pela sua intimidade. O corpo de Bonnibel arrepiou em expectativa, tencionando ao sentir um comichão ardente doer no meio das pernas, passando a empurrar o quadril na direção dos dedos de Marceline procurando libertação e saciar-se. Retrucou a língua ousada que explorava sua boca, incentivando-a a seguir em frente, sugando seus lábios finos. Então, com cuidado, Marceline posicionou os dedos em sua entrada e a penetrou.

A ruiva não pode manter o beijo ao gemer mais alto, agarrando-se a ela ao abraçar seu pescoço. Distribuiu alguns beijos em sua pele que havia ficado morna por causa da sua ardente, exigindo que se movimentasse em seu interior. A morena moveu os dedos e depois parou, conseguindo uma reclamação que saiu em forma de gemido entrecortado de Bonnibel, que puxou seu cabelo em reprimenda. Marceline escondeu um sorriso em sua pele, voltando a distribuir beijos molhados em seu pescoço, passando a penetrá-la num ritmo gostoso e lento.

Bonnibel sentia que ao poucos estaria alcançando o ápice, as contrações estavam se tornando cada vez mais fortes, porém precisava que Marceline fosse mais fundo e rápido.

― Mais fundo… Marcy… Preciso que vá mais fundo… ― Bonnibel pediu entre os gemidos entrecortados, sentindo que não conseguia mais respirar, movendo-se no ritmo que os dedos de Marceline ditavam em seu interior. Uma onda entorpecente subiu pela coluna, eriçando todos os pelos do corpo.

Marcy. A maneira como Bonnibel havia a chamado derreteu a morena, que se jogou mais contra seu corpo, aumentando a velocidade das investidas, procurando sua boca para consumi-la num beijo. Um grunhido necessitado e rouco escapou pela sua boca, sentindo que estava excitada, louca para se tocar. Mas naquele instante se focava em Bonnibel, ela quem importava.

E, com movimentos mais profundos e fortes, Marceline penetrou a ruiva sem dar descanso, fazendo-a se entregar ao ritmo de seus dedos. Não foi preciso continuar por muito tempo, embora quisesse ter continuado. Bonnibel se derramou em seus dedos, arqueando o corpo para trás, procurando pelo ar, gemendo alto com o que tinha sobrando, meros resquícios, de sua voz doce.

― Perdão Bonnie… ― Marceline pediu ao se sentir maligna sem parar de penetrá-la, vendo-a aos poucos se contorcer, gemendo como se pedisse para ter calma. Guiou os lábios para seu pescoço que vibrava cheio de vida e calor.

Seu instinto, naquele momento, precisou ser liberado. Teve de soltar a fera que residia dentro de si, pois tinha alcançado seu limite e enquanto a penetrava, mordeu o seu pescoço para se deleitar com seu sangue quente e saboroso, que fluiu facilmente para sua boca. Procurou por mais deleitada com o sabor intenso e diferente, sentindo algo quente percorrer em suas veias, aquecendo o corpo, acordando todas as terminações nervosas, fazendo-a soltar um gemido.

Sugou o quanto pode, sentindo-a enfraquecer em seus braços. A coitada provavelmente nem sentia a dor da mordida por estar em seu êxtase. Quando suas vítimas estavam naquele estado, o sangue ficava mais fino e rico de sabores, que por muitas vezes a fez vacilar se permitindo a beber mais que o recomendado. Mas não mataria Bonnibel. Por algum motivo não conseguiria. Aquela humana havia gravado algo em seu interior e, quando acreditou que foi o suficiente, vendo-a desfalecer em seus braços, se controlou como pode e largou seu pescoço. A fera que residia dentro de si rosnou insatisfeita.

Tirou seus dedos de seu interior agradavelmente quente e se jogou ao seu lado, parando para respirar e conseguir de volta seu controle. O gosto do sangue ainda permanecia em sua língua, mas não era isso que provocava certa satisfação em sua mente. Olhou para o lado e observou a ruiva que tinha as maçãs do rosto escarlates. Ela dormia profundamente, provavelmente exausta por ter bebido seu sangue, entorpecida pelo intenso gozo. Em seus anos de caça aprendera a não matar sua presa… Mas ela não era sua vítima. Tratá-la como uma seria o mesmo que renegá-la a nada. Bonnibel era diferente, pois tinha arrancado sua frieza e aquecido ― de alguma maneira ― seu coração morto.

Definitivamente uma criatura diferente.

Um sorriso espontaneamente apareceu em seu rosto pálido. Virou o corpo na direção da garota e pensativamente retirou alguns fios de cabelo que estavam molhados de suor, grudando em seu rosto. Tão bela e pura, pensou ao ver em como parecia naquele instante, enquanto estava adormecida. Certamente quando acordasse teria muitos problemas a explicar… Mas e daí? Não poderia se importar menos. Não sabia o que poderia acontecer entre elas, no que esse encontro poderia ocasionar. Deixaria isso para o tempo, que ele dissesse o que seriam delas, pois Marceline sabia que agora não seria capaz de deixá-la.

Era eterno, assim como o sentimento que estava a germinar em seu coração.

 


Notas Finais


Acho que esse final deu meio que o gancho para uma outra fic, por isso estou seriamente me controlando para não escrever, mas é uma luta perdida kkkkkkkkkkkk.

Espero que tenham gostado! Comentários? Muito obrigada e até a próxima ^^


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