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História I Was Wrong - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Eu sei, inicio fanfic de uma em uma semana, mas eu tenho muita coisa pronta, prometo, e eu quero postar, mas o cérebro manda e o corpo não obedece ❤
Enfim, espero que gostem e comentem, assim sei se continuo essa também 😘

Capítulo 1 - Capítulo I - A Pintura Azul


Fanfic / Fanfiction I Was Wrong - Capítulo 1 - Capítulo I - A Pintura Azul

Abril de 2010

Sempre doeu ir visitar uma pessoa que você ama no cemitério. Lisa passou por isso com seu pai no começo. Não gostava de ir pra lá, mas ainda sim iria pra ver seu pai, ele merecia isso depois de ter cuidado dela. Quando Elvis morreu, uma parte de Lisa morreu com ele, ele era o pilar que a mantinha de pé, ela só tinha nove anos, não havia aprendido nada sobre perder um ente querido, ainda mais seu próprio pai. Sempre que voltava pra Graceland, se lembrava dos bons momentos que passou com o seu pai, e sempre que fechava os olhos, era como se ele ainda estivesse lá com ela, lhe dando apoio, lhe estendendo os braços nos momentos difíceis. Ao perder o pai, Lisa perdeu tudo que tinha de bom. Lidar com a morte do homem que ela mais amava foi a pior coisa que ela sentiu na vida, e odiaria passar por isso de novo.

Mas como a vida não estava a seu favor, ela estava passando por isso de novo. O mesmo sentimento ruim, aquele vazio no peito. Ela havia perdido o segundo homem que mais amou na vida.

Além de Elvis, agora já fazia quase um ano desde que Michael havia morrido, e Lisa ainda não havia aprendido a lidar com essa perda. Odiava ir a Forest Lawn e saber que aquelas notícias eram realmente verdade, odiava olhar para o túmulo dele e sentir tudo de novo. Ela lentamente ergueu a sua mão pelo ar e tocou o mármore frio com sua mão, fechando seus olhos devagar ao se lembrar dos momentos em que passou com ele, seja bom ou seja ruim. Queria ter tido mais tempo pra se desculpar com ele, pra ter ajudado ele com seus problemas, mas como sempre, ela havia chegado tarde demais. Foi quando uma pequena lágrima fujona caiu de seu olho, escorrendo por sua bochecha devagar.

- Oh, Michael... - ela grunhiu pra si mesma, com a voz chorosa e como se estivesse cansada.

Lisa decidiu se permitir chorar ali mesmo, no pé de seu túmulo. Sentiu uma forte vontade de cair de joelhos e chorar de verdade, botar tudo aquilo pra fora. Mas ao invés disso, ela apenas piscava os olhos algumas vezes e sentia as lágrimas escorregarem pela bochecha uma por uma. Com a cabeça baixa e a mão sobre a pedra do túmulo, ela se manteve parada ali, e ficaria o dia todo se suas filhas não precisassem da mãe.

- Eu sabia que você estaria aqui, Lisa.

A voz de Katherine a pegou de surpresa, e no mesmo instante que virou a cabeça para olhar a mulher, ela puxou sua mão correndo e enxugou as lágrimas, que ainda sim não conseguiam parar de cair pelo rosto. A mais velha sorriu e ficou ao lado de Lisa, tocando as costas de Presley cobertas pelo sobretudo preto.

- Tem vindo bastante pra cá. - Kath disse, virando a cabeça para olhar pra Lisa, que desviava os olhares rapidamente.

- Eu sei. - Lisa disse, com as mãos enroladas uma a outra no colo - Às vezes eu... Eu gosto de vir aqui e conversar com ele, por mais que eu nunca tenha uma resposta.

- Deve ser horrível.

- É, eu sei.- Lisa baixou a cabeça - Eu ainda estou apenas me acostumando com a ideia de que ele não está mais por aí. E de que nunca mais vou poder dizer nada a ele.

- Todos estamos assim, Lisa. - a mais velha disse, tentando confortar Lisa com um sorriso doce.

- Como os filhos deles estão? - ela perguntou, ainda sentindo os olhos marejarem, mas lutando contra isso enquanto olhava para Katherine.

- Também se acostumando, como você. - a mais velha respondeu, olhando para o mesmo alvo que Lisa - Mas Paris ainda não gosta da ideia de passar o aniversário sem ele.

- Eu gostaria de ir pra lá.

- Você pode. - Katherine sugeriu, sorrindo enquanto virava sua cabeça para poder olhar pra Lisa - As crianças querem você lá. Não disseram especificamente, mas tenho certeza que a sua presença faria bem a elas.

- Espero. Mas... Sei lá, ver eles depois disso, e... Não vai ser a mesma coisa. - Lisa lembrou, baixando a cabeça e olhando para as próprias botas úmidas - O Michael não vai estar lá.

- Lisa, você vai saber lidar com isso. - a mais velhas disse, percebendo a mais nova começar a fungar - Todos estamos tristes, e todos estamos aprendendo a lidar com isso.

- Espero que eu consiga. Eu não sou tão forte quanto pareço, e...

- Claro que é. - Katherine a cortou - Eu conheço você tem muito tempo, Lisa Marie, vi você superar coisa pior que isso.

- Nada é pior que isso, Katherine.

Essas palavras eram verdadeiras, principalmente para Katherine. Ela havia perdido um de seus filhos, um dos que mais sofreu, se comparado aos outros. A preocupação de todos era com a família, e principalmente com as crianças. Mas Lisa havia perdido tudo que lhe restava de bom na vida. Ela perdeu seus dois pilares ao longo do tempo, se algo mais acontecesse, ela era capaz de nem ligar mais pra nada.

- Sei como se sente. - Kath disse, percebendo os pensamentos de Lisa voarem longe - Ele era meu filho. Às vezes, gostaria de ter ido no lugar dele. Você vai ficar bem, Lisa.

- Eu quero acreditar nisso. - Lisa disse, enxugando uma lágrima mais uma vez, logo passando seus olhos em volta do lugar - Eu nem deveria estar aqui.

- Por que acha isso?

- Eles adorariam fotos minhas aqui e já estou até vendo. - ela começou - Meu marido diz que estou agindo como uma viúva e ele não gosta disso.

- Você perdeu alguém importante, e ele tem que entender isso. - Katherine disse, com seus dois braços cruzados - Mas vai dar tudo certo, e espero ver você no aniversário da Paris.

- Vou ver se consigo ir. - Lisa sorriu, pela primeira vez naquele dia - Obrigada por me convidar, eu preciso mesmo me distrair um pouco, que seja.

- Espero te ver lá, aposto que Paris vai ficar muito feliz.

- Eu também.

Enquanto Katherine passava mais alguns minutos com Michael, tudo que Lisa pôde fazer era dar meia volta e deixá-la a sós com seu filho. Enquanto caminhava de volta para seu carro estacionado na entrada, seus pensamentos decidiram fluir novamente. O que lhe deixava triste não era o fato de ele ter partido, era o fato de Lisa ter deixado as coisas entre eles todas bagunçadas. Ela poderia muito ter ajudado Michael a pegar as peças e consertar tudo isso, mas ao invés disso, ela o deixou sozinho, o abandonou em um dos momentos mais difíceis do qual ele estava passando. Lisa sabia o quanto era ruim se machucar ainda mais tentando curar uma ferida, e foi o que aconteceu com Michael em seus últimos dias. Ela queria ter estado lá com ele.

Lisa acabou se lembrando de uma das rosas vermelhas que havia deixado lá mais cedo, assim que chegou para visitá-lo. Sabia que ele amava girassóis, mas ela não conseguiu nenhum, e até se sentiu mal por isso. Talvez conseguisse trazer um da próxima vez.

Outra coisa que sempre acontecia quando ela ia a Forest Lawn. Não sabia se era coisa da sua cabeça ou se realmenete tinha alguém olhando pra ela naquele lugar. Não era a melhor sensação do mundo, e nunca lhe trouxe conforto, e sempre que ela procurava por alguém em volta, não havia nada. Era sempre silencioso, sempre era estranho se sentir desse jeito naquele lugar. Lisa simplesmente corria para seu carro e fechava a porta, tentando se livrar daquela sensação de que havia alguém olhando pra ela, a observando. Talvez fosse apenas algum paparazzi querendo uma foto ou algum de seus fãs que esperava o local se esvaziar. Seja lá o que for, Lisa só queria voltar pra casa de uma vez.

. . .

- Finalmente você voltou.

Por poucas horas, Lisa havia se esquecido que ainda era casada. Se lembrou apenas quando abriu a porta de casa e ouviu a voz de Lockwood pegando-a de surpresa. Assim que a mulher virou a cabeça para o outro Michael, ele estava sentado em uma de suas cadeiras com os braços cruzados, esperando por ela.

- Você fez de novo, Lisa. - ele acusou, sem nem dar tempo pra ela começar a falar ou sequer colocar seus dois pés dentro de casa.

- O quê?

- Saiu e me deixou sozinho com as meninas. - ele disse, se levantando e dando algumas passos a frente, ficando mais perto de Lisa - Você estava em Forest Lawn, não estava?

- Sim, estava. - ela respondeu, sincera e dando as costas para o marido, deixando seu casaco sobre a cadeira - Eu fui vê-lo de novo, e você já deveria estar acostumado com isso.

- Isso já está ficando estranho. - ele disse - Por que você está bancando a "viúva de luto"?

- O que...? - ela gaguejou, se virando de uma forma que seus olhos bateram contra Lockwood e o fez dar dois passos pra trás - Eu não estou fazendo nada disso, eu só estou mal por causa dele. Eu não quero brigar agora.

- Lisa, eu também não quero, mas você está indo pra lá muitas vezes.

- Só estava indo visitá-lo, está bem? Como você mesmo faria se perdesse alguém importante.

- Eu sei, mas nós temos duas filhas pra cuidar, e é bom que você fique com ela às vezes, está bem?

- Eu vou ficar com elas. São minhas filhas também. - Lisa disse, com a voz um pouco mais controlada, logo desviando os olhos para outro canto - Eu só quero visitá-lo algumas vezes.

- Por quê?

- Eu tenho meus motivos, e eu não gosto quando você fica me questionando.

- Está certo. - ele se deu por vencido, jogando as mãos para o alto e esperando que a mulher se acalmasse, finalmente perguntando algo mais comum - Alguém foi com você?

- Não, mas encontrei Katherine. - ela respondeu, um pouco mais equilibrada que quando chegou - Ela me convidou para o aniversário da Paris, daqui uma semana.

- E você vai?

- Talvez, eu ainda não sei. Faz um tempo que não vou pra Hayvenhurst, e ir justo agora...

- Você sabe que não precisa ir pra lá. - ele disse, olhando pra Lisa, que o olhou no mesmo instante, mas sabia que ele só estava tentando ajudar.

- Eu quero. Se eles estão bem, então acho que... Acho que eu também estou. É o primeiro aniversário da Paris sem ele. Quero estar lá com ela.

Lisa só queria estar lá com ela. Por um motivo. Ela ainda se lembrava de seu primeiro aniversário sem Elvis. Fora um pesadelo. Todos ao seu redor tentando fazer com que ela se sentisse bem, mas era horrível por que ela sempre o comparava com o último. Em seu aniversário de nove anos, quando seu pai estava lá com ela, e ela se lembrava de cada segundo. Por isso, qualquer aniversário depois desse era ruim. Porque Elvis não esteve em nenhum deles, e as pessoas estavam tratando Lisa como uma garota depressiva. Por mais que ainda lhe doesse a perda do pai até hoje, ela aprendeu a conviver com isso, e tinha que mostrar a Paris e aos seus irmãos que eles também eram capazes disso.

Um pouco mais tarde, Lisa estava balançando uma das gêmeas em seu colo. Já tinham quase dois anos de idade, estavam bem grandinhas, e Lisa gostava de brincar com elas às vezes. Seria fácil se ao menos ela conseguisse parar de pensar em Michael ou nos filhos dele. Já era um pouco tarde, Harper segurava uma pequena boneca em mão enquanto estava no colo de Lisa, e a mesma sorria para a filha enquanto ela brincava. Foi quando o toque do telefone preencheu seus ouvidos. A Presley acabou se assustando, não esperava nenhuma ligação. Ela se levantou do sofá onde estava sentada, decidiu levar Harper consigo enquanto ia até sua cozinha, onde seu telefone estava.

- Oi? - ela foi a primeira a dizer, segurando firme a filha nos braços, esperando ouvir a voz de um de seus filhos ou algum parente de Michael.

- Lisa, oi.

- John?

Lisa não esperava nenhuma ligação, ainda mais do advogado de Michael, John Branca. Já havia se passado quase um ano, então por que diabos John Branca estaria ligando para Lisa Presley justo agora?

- Sim, sou eu. - ele respondeu - Eu não queria ligar ainda, eu não sei se você está melhor, mas... Eu esperei quase um ano pra te ligar. Michael deixou algumas coisas pra você.

- Que tipo de coisas? - Lisa perguntou, curiosa quanto a essas "coisas", sentindo já seu coração palpitar forte dentro do peito.

- Algumas coisas. Objetos, fotos, joias, eu não olhei tudo, e nem me senti à vontade pra fazer isso. Eu só liguei pra avisar, caso você queira vir buscar.

- Hoje?

- Não precisa vir hoje se quiser.

- Não, eu vou. - a mulher interferiu, rápido e cortando o advogado pelo telefone - Sem problemas.

- Estou te aguardando no meu escritório.

- Mais uma coisa, - Lisa adicionou, olhando pra menina em seu colo. - posso levar uma das meninas? Não tenho uma babá e meu marido saiu com Finley.

- Claro, por mim sem problemas.

Lisa guardou o telefone e foi com Harper de volta para o quarto. A única coisa que conseguia pensar era sobre que tipo de coisa Michael havia deixado pra ela. Poderia ser qualquer coisa. Mas Branca foi específico; fotografias, joias, alguns objetos. Lisa não queria nada que a fizesse lembrar dele, seja bom ou ruim, ela não queria nada. Mas se Michael havia deixado aquelas coisas pra ela, então deveria ser importante pra eles. Ou pelo menos pra ele.

Lisa aprontou Harper para que pudesse levá-la consigo. Em poucos minutos, ela já estava no prédio do advogado. A menina estava sentada naquele velho carrinho de bebê de sempre. Lisa estava nervosa, e permaneceu assim o tempo todo enquanto seu elevador subia até o andar de Branca, sentia que todas as lembranças voltariam de repente, e ela não estava nem um pouco a fim disso. Olhava para a menina brincando no carrinho com uma boneca de pano colorida, e por algum motivo Lisa jurou pra si mesma que aquela era uma das bonecas que Paris escolheu e enviou, com um pequeno bilhete assinado por ela e Michael.

Assim que as portas se abriram, ela caminhou com o carrinho até a sala do advogado, dando duas batidas leves na porta de madeira do lugar e empurrando com uma das mãos.

- Oh, você chegou. - John disse, se levantando de sua cadeira e sorrindo para a mulher em sua porta - Pode entrar, Lisa.

- Disse que tem algumas coisas pra mim.

- Ah, sim, claro. Só me deixe pegar.

Branca voltou para trás de sua mesa grande, de onde puxou uma caixa de papelão gigante e cheia de entulhos. Lisa não conseguiu ver muita coisa, mas seu coração disparou assim que pensou que todas aquelas cosias foram deixadas pra ela. Por Michael. Doeria olhar para aquilo de novo, isso se ela já tinha visto alguma daquelas coisas antes. Já fazia quase um ano, e a cada dia que passava, nada estava melhorando. Ela sabia que não poderia esquecer nada do que viveu com Michael, mas não queria se lembrar dessas coisas.

- Então, - o advogado começou, parando de mexer na caixa e a deixando aberta na mesa. - Michael deixou algumas coisas que queria que chegassem a você. Ele mesmo se certificou disso. Aqui, você pode dar uma olhada.

Lisa respirou fundo antes de se aproximar da mesa de John. Ela levou suas mãos até a caixa, e começou a vasculhar. Viu muitas coisas, algumas fotografias antigas, muitas coisas de seu casamento. Mas Lisa sentiu todo o seu corpo formigar ao encontrar duas das coisas do qual ela mais amava dentro daquela caixa. Uma delas, a aliança dele. Encontrou seu anel de casamento dentro de uma caixinha preta. Era um conjunto de duas alianças, e é claro que ele guardaria a dele até o dia de sua morte. Lisa ainda se lembrava de quando ele usou aquela aliança em seu tour em 1997. Aquela aliança brilhou em seu dedo enquanto ele dançava no palco.

A segunda coisa, seu colar de pérolas. Se lembrou de algo que aconteceu em 2006, em agosto, pra ser mais preciso. Era o dia do aniversário dele e ele gostava de passar a noite com ela. Eles estavam a poucos quilômetros um longe do outro no lugar, mas ainda sim Lisa o visitou nesse dia. Ele sempre gostou de enfeitar Lisa como uma boneca no quarto, esse colar era uma das peças favoritas dos dois durante esses joguinhos. Presley ainda se lembrava do reflexo deles no espelho, com a mão dele presa em seu colar enquanto se moviam na frente do espelho. No final, ele puxou o colar de seu pescoço e disse: "Eu vou ficar com isso. Quem sabe assim você não tem um motivo pra voltar?".

- Lisa?

- Oi?

A mulher se assustou ao ouvir a voz de Branca, virando sua cabeça pra cima enquanto ainda brincava com as pérolas do colar em seus dedos.

- Você se distraiu por um segundo. - ele disse, como se ela não tivesse percebido - Aposto que se lembrou de alguma coisa.

- Sim. - Lisa sorriu - Eu... Amava esse colar. Foi um dos primeiros presentes que ele me deu.

- E... - o advogado adicionou - Tem outra coisa também, não está na caixa. Ele deixou, acho que, um quadro pra você.

- Um quadro?

- Sim. Aqui está.

John havia puxado um quadro não muito grande do canto da sala, coberto por um pano preto, talvez para que ninguém o visse. Lisa observou enquanto Branca puxava o pano pra baixo e mostrava o quadro. Uma mulher abraçando os próprios joelhos, usava um vestido branco, tinha cabelos escuros e seus olhos estavam fechados. Por que Michael compraria esse quadro?

- Deixei bem guardado. - o homem sorriu, tocando a borda do quadro com a mão - Tem um bilhete que ele deixou pra mim, caso você queira ler.

Lisa estendeu a mão para pegar o pequeno papel dobrado em quatro partes na mão de John. Enquanto tentava adivinhar o motivo de Michael ter comprado o quadro e dado a ela, mal sabia ela que o motivo estaria naquela carta.

"Comprei esse quadro numa galeria com a Paris. Eu o chamo de 'A Pintura Azul'. Esse não é o nome dela, o vendedor me disse que se chama 'Meditações'. Eu quero que você o entregue a Lisa, porque essa mulher da pintura realmente se parece com ela. É assim que eu a vejo em meus sonhos. É uma linda pintura, assim como ela. Michael."

Lisa acabou sorrindo ao ler aquelas palavras, principalmente porque aquela era realmente a sua assinatura. Os olhos dela se encheram de água, isso simplesmente pelas palavras dele. Michael sempre foi tão doce com suas palavras, e ainda mais se referindo a Lisa.

- Michael adora esse quadro. - Branca disse, apontando para a pintura a seu lado;

- Adorava... - Lisa o corrigiu - Eu também faço isso, às vezes. Falar dele como se ainda estivesse aqui. - ela voltou os olhos para a carta, passando o indicador pela assinatura.

- Acontece. Eu acabo deixando escapar. - John disse - Ah, e... Tem mais uma coisa. Janet disse que encontrou no quarto dele uns dias depois e... Não sei se vai quer, mas ele fala de você na fita.

Lisa acabou ficando ainda mais surpresa do que antes com essas palavras. John estendia uma fita gravada pra ela, parecia ser apenas um áudio, sem imagem na fita. Ela sabia muito bem que não seria fácil ouvir a voz dele agora, mas ela precisava saber o que tinha. Pelas palavras do advogado, Michael se referiu a ela na fita, e ele fez isso por algum motivo. Lisa precisava saber. Então, estendeu a sua mão para a frente e tomou a fita das mãos de Branca, verificando se havia alguma identificação ou algum nome escrito nela, mas não havia nada. Era realmente só um áudio.

. . . 

"- É uma boa forma de guardar uma conversa."

Lisa sorriu assim que ouviu a voz de Paris saindo da gravação. Havia colocado a fita pra tocar uns dez minutos atrás, mas só tomou coragem de apertar o play depois que respirou fundo e fechou os olhos.

"- Não sei quem disse isso pra você, mas eu não concordo."

Ela não conseguiu se segurar ao ouvir a voz dele no toca fitas. Baixou a cabeça e fechou seus olhos com força ao mesmo tempo que mordia seus lábios. Ela sentiu as lágrimas caírem pelo seu rosto, apenas ao ouvir a voz dele.

"- Você disse. - Paris riu - Tia Janet me perguntou sobre o quadro que nós compramos hoje. Ela riu quando eu disse o motivo.

- O que você disse pra ela?

- Que você achou parecido com a Lisa. Esse é o motivo, não é? Porque você comprou aquele quadro.

- Você acha que a mulher se parece com Lisa?

- Sim.

- Eu também acho. - Michael riu - Ela é muito bonita, não é?

- A pintura?

- Não, a Lisa. Se lembra do que eu disse ao dono da galeria? Você estava perto, deve lembrar do que eu disse."

Lisa sorriu, esperando que algo bom saísse da menina. Houve um curto período de silêncio na fita, e tudo que a mulher ouvindo pôde fazer foi esperar por algo.

"- Desculpa, - Paris lamentou. - eu não me lembro do que você disse. O que foi?

- Bem, - Michael começou. - eu disse que queria ver as melhores pinturas daquele lugar. Foi quando ele me mostrou esse quadro. Você se lembra o nome?

- Meditações.

- E se lembra de como eu o chamo?

- A Pintura Azul.

- Certo. Olha pra moça na pintura, lembra que se parece com alguém. Eu disse que se parecia com Lisa, que era assim que a via, Paris. Eu tinha que ter essa pintura. E..."

A fita de repente parou, e Lisa levantou a cabeça depressa assim que não conseguiu ouvir o final da frase. Ela rapidamente tentou bater em seu toca-fitas para que funcionasse, mas não dava certo.

- Por que isso só acontece comigo? - ela resmungou, segurando os cabelos por cima do ombro enquanto tentava arrumar - Não... Não para agora.

" - ... Essa é a forma com que ela se parece. Ela é a mulher mais linda do mundo."

Alguns segundos mais e a fita terminou. Foi apenas silêncio. O mais estranho disso tudo foi ouvir a voz dele sabendo que ele não estava mais aqui. Michael não estava em lugar nenhum, e por algum motivo conseguir ouvir a voz dele de novo, foi especial. Ela não conseguiu segurar as lágrimas ao ouvir a voz dele. Parecia tão feliz, tão saudável, e era como se ainda estivesse por aí. Lisa ficou sentada naquele mesmo sofá, como se estivesse esperando que ele fosse dizer mais alguma coisa, mesmo ela sabendo que não havia mais nada. Ela daria tudo pra ouvir a voz dele de novo, sua risada, ou até mesmo olhar pra ele, ver aquele sorriso de novo, os olhos dele, qualquer coisa. Mas ela sabia que só poderia mesmo sonhar com isso.

Ver Michael de novo... Isso era só um sonho.



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