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História I wasn't made for you and you weren't made for me - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


escrevendo crackshipps de percy jackson pra lidar com a quarentena? certamente. espero que gostem :)
título da história foi tirada da música best friend, do rex orange county. se quiserem, recomendo que escutem enquanto lêem.

caso não fique claro: os dois estão solteiros nessa fic, ninguém está traindo ninguém.

Capítulo 1 - Capítulo único


Você não entende por que ela espera até que Sally vá embora, fechando a porta do quarto atrás de si, a tranca girando no silêncio que o “boa noite para vocês dois” dela deixou para trás, antes de finalmente te olhar, de lado, sem virar o rosto, e estender os lábios em um meio-sorriso. O rosto de Piper é tão absurdamente bonito de perfil que chega a ser injusto. Quase surreal. Não é realmente possível que algo tão detalhadamente perfeito, como se todas as partes houvessem sido feitas sob medida, possa existir.

Se existir uma quantidade limitada de poesia no mundo, você acredita que Piper roubou todos os versos para si.

É tarde, você sabe, mas as persianas do apartamento estão abertas e a luz que vem dos postes de luz na rua passa pelo vidro fosco, azulado, e banha vocês em uma penumbra neon, diluída, e você pensa no quão hilário – e inebriante – é fato de que algo tão mundano assim parece cinematográfico, ensaiado, pintado.

(Com certeza existe uma ironia aqui. Mas você está distraído demais para nota-la).

Vocês estão sozinhos na sala agora, sentados no carpete, costas contra o estofado e caixa de pizza vazia encima da mesinha de centro. A TV ainda está ligada, mas sem som. Você levanta a mão que estava apoiada encima de um dos joelhos dobrados e aumenta o volume, até que a voz do âncora do noticiário da meia noite preencha o cômodo inteiro. Alto o suficiente para alcançar Sally.

Há um momento de tensão, como um fio esticado até o seu máximo, vibrando no vazio, prestes a se arrebentar, ou um copo cuja água desafia a gravidade, teimando em não derramar pela borda. Vocês dois estão se segurando, porque, exatamente, você não compreende. Mas o ar entre vocês parece denso, palpável, e, quando Piper respira fundo, você observa a clavícula dela, a forma como mesmo na pele acobreada você consegue ver os princípios de um rubor.

Não é surpreendente que ela seja a primeira a se mover. Apesar de toda a sua coragem, você ainda é um garoto estranhamente tímido quando o assunto são meninas (ou meninos).

Piper é paciente, mas não enervante. Ela não desliza a mão pelo carpete até estar encostando no seu dedo mindinho, ou fica te olhando por minutos a fio, esperando uma reação. Ela apenas avança.

Os sons se misturam no fundo da sua cabeça. O jornal, os carros do lado de fora, o barulhinho do aquecedor de ar. Tudo fica em segundo plano quando você passa os braços pelas costas dela e a trás para mais perto.

 

Beijar Piper é sempre uma experiência surreal. É nisso que você pensa quando os dedos dela acariciam de leve o seu maxilar, lhe causando arrepios pela pele, um tremelique no lábio inferior, enquanto os seus olhos estão vidrados nos dela. São três da tarde, ou perto disso, mas o dia está nublado, frio e úmido, e os olhos dela estão assustadoramente violetas. Não é normal, você sabe. Ninguém deveria ser tão viciante assim.

Piper passa o nariz de leve pelo seu e você sente o hálito de menta dela, familiar. Está um pouco almiscarado porque vocês estavam tomando sorvete de baunilha ainda há pouco (as tigelas vazias ainda estão no braço do sofá, ameaçando cair a qualquer momento). O controle do console vibra encima do seu colo, te avisando que uma partida nova começou, mas você não tem a força de vontade necessária para desviar os olhos para a TV. Nem sabe se quer.

— Você não vai jogar? — Piper pergunta, com um risinho.

É você quem junta suas bocas dessa vez. Ela fica surpresa por um momento. A mão que ela tinha no seu queixo sobe até o cabelo, e você a sente passeando pelos anéis de fios escuros, suavemente, como se estivesse perdida neles. É meio desconfortável, assim, com ela de joelhos no chão e você deitado no sofá, mas se o preço a pagar pelo conforto é afastar-se, você está contente em adormecer assim.

Piper não beija com avidez. Ela não força nada, não morde, não acelera o ritmo. Parece gostar de beijar apenas por beijar. O faz sem pressa, sem angustia, aproveitando cada segundo tendo consciência que não é o último. E não é mesmo, você sabe. Se Piper quiser, você pode beijá-la até que a falta de ar queime os seus pulmões, e então mais um pouco.

Quando ela o beija assim, é difícil lembrar-se exatamente onde você estava. Tudo desaparece. Só o que existe é Piper, Piper, Piper. Piper e o seu beijo de menta com baunilha, suas mãos delicadas o puxando para perto, a respiração dela contra a sua.

Por isso, quando ela se afasta, você precisa de um momento para recobrar os sentidos.

A porta da frente se abre. Sally está com o cabelo um pouco molhado, mas não encharcado. As sacolas de tecido com as compras pressionadas contra o peito. Ela os olha por um segundo, e então suspira, mas há divertimento na sua voz:

— Espero que não tenham comido todo o sorvete — adverte.

Piper ri, daquela forma que mostra as suas gengivas e as covinhas nas bochechas, e, sem fôlego, você sente o peito despencar. Ela se levanta para ajudar sua mãe, pegando uma das sacolas, e depois é sua vez. Ainda está meio zonzo, joelhos fracos, mas consegue fazer tudo no automático.

Mais tarde, quando estão comendo macarronada assistindo ao jogo de beisebol, Piper se inclina por cima da sua cadeira para pegar o queijo ralado, falando alguma coisa com Sally, e você sente o cheiro do perfume dela.

 

Você acha que ela não te ama. Não da forma como já amou outras pessoas, pelo menos. Não daquela forma lasciva, faminta, que os filhos de Afrodite em sua maior parte parecem amar. Um sentimento que os corrói por completo, sem deixar sobrar nada.

Piper te ama de uma forma mais simples. Ela te ama porque você vai buscá-la no aeroporto com um chá gelado já em mãos, e porque a ajuda a levantar quando ela cai da parede de escalada. Ela te ama quando você abre a porta do quarto às oito da manhã, cabelo desgrenhado e shorts de desenho animado, e te ama quando você se revira na cama, corpo inteiro tremendo com outro pesadelo.

Piper te ama de uma forma pura, parece. Um tipo de amor mais seguro. Um tipo de amor que não vai quebrar os corações de vocês.

É o melhor que você pedir dela. É o melhor amor que tem para oferecer.

 

As pessoas perguntam sobre vocês. É difícil não reparar no garoto com olhar selvagem, quase maníaco, tatuagens misteriosas e cara de poucos amigos, andando com os dedos entrelaçados com os da menina mais bonita da cidade. Você vê a forma como as pessoas na arquibancada olham para ela, fissurados, e se pergunta se esse também é o seu semblante quando estão sozinhos. Você não sente ciúmes, percebe. Aquele monstro verde não tem mais espaço no seu coração. Mas você gosta de mexer com os outros, e, quando o árbitro apita, você deixa seu skate ainda rolando na prancha e se ergue na mureta para deixar um beijo na boca dela.

Piper ri. Não porque está apaixonada, mas porque sabe muito bem o que você está fazendo. E, então, te beija de volta.

 

Vocês vão ao shopping para comprar porcaria e assistir filmes ruins. Piper te exige um “juramento de escoteiro” antes de te contar qualquer boato podre sobre alguma celebridade do filme que vocês assistiram. Você descobre sobre casos amorosos de pessoas que você não conhece, e descobre que o cheiro de mostarda deixa Piper enjoada.

No fliperama, você perde para ela no hóquei de mesa, o que não é tão surpreendente assim. Vocês não andam de mãos dadas e não trocam selinhos. Hoje, vocês são só amigos. Ela te arrasta para uma livraria e te mostra uma coletânea de adaptações de clássicos para revistas em quadrinhos. Compra um boxe delas, e vocês as levam para a sua casa.

Você coloca o presente junto com os outros – uma miniatura de tubarão esmaltado, um globo de neve, e uma porção de outras coisas – na sua prateleira, e então vocês fazem pipoca de micro-ondas e jogam videogame até Sally voltar do trabalho.

Na TV, está passando um dos setecentos remakes de Ana Karenina. Sally gosta do filme, e você gosta da sua mãe, então, muito obedientemente, vocês três assistem ao filme. Quando a cena do baile começa, no entanto, Piper se levanta, te estende uma mão e ri.

Você fica vermelho.

— Não sei dançar — protesta, sentindo os músculos ficando tensos.

— Eu sei — ela diz. E você não sabe dizer qual o significado exato disso.

Sally os grava no modo vertical do celular, rindo, e dizendo o quão fofo vocês estão. É Piper quem conduz a dança, com uma mão na sua cintura, e os olhos cintilando, se divertindo por te deixar tão envergonhado. Mas eventualmente você ri também. Só há vocês ali. Você está seguro.

Quando Piper tenta te levantar, vocês tropeçam e caem no sofá, por cima de Sally. Ela faz carinho no rosto de ambos.

E então, quando o filme acaba, Piper estende um conjunto de lençóis no chão do seu quarto, liga o abajur que deixa as paredes estreladas, e vocês conversam sobre tudo, e nada, até que ela possa te ouvir roncando, da sua cama, e resolve dormir também. Você não sonha com a voz dela e, no dia seguinte, ela já foi embora, mas vocês vão se ver no final de semana, então não há nem sequer tempo para sofrer de saudade.

 

Está chovendo torrencialmente do lado de fora, trovões e tudo o mais, enquanto vocês aguardam o táxi dar a volta e vir pegá-los na saída do shopping. Estão sentados nos bancos de madeira, as mãos dela dentro do seu moletom porque está tremendo de frio, a cabeça dela descansando no seu ombro, e o cabelo dela tem cheiro de xampu de coco. Ela está falando sobre algum show de rock alternativo que vai rolar no final de semana, mas sua cabeça está distante. É tão.... Familiar. Confortável. Sua garganta se fecha quando você percebe:

— Acho que você é minha melhor amiga.

Ela para de falar de súbito, e parece remoer as palavras. Você tem medo que elas tenham mais peso do que você quis dar a elas, mas não vai retirar o que disse. A ansiedade, contudo, o faz tamborilar os dedos onde estavam apoiados no quadril dela.

Mas então, ela ri.

— Rachel sabe disso?

Outro tipo de melhor amiga — você resmunga.

— Não sabia que existiam tipos de melhores amigos — ela provoca, batendo de leve o ombro no seu, mas você a abraça mais um pouquinho.

Você também não sabe se existem. Se não existem, deveriam. O que você sente por Rachel é puro, completamente platônico. Você precisa dela da forma como ela precisa de você – um lembrete de que existe outro mundo, mágico para ela, mortal para você. Quando você a abraça, tudo o que você quer fazer é girá-la no ar, apertá-la até que ela esteja sem fôlego de tanto rir.

Mas com Piper é diferente. Ela nunca vai quebrar seu coração. Ela nunca vai te pedir em namoro, e, embora chame Sally de sogrinha, não realmente acredita que o que vocês têm é mais do que de fato é. Ela conhece os seus limites, e você conhece os dela. Você sabe que ela gosta de trilhas sonoras dos anos 50 e de livros ilustrados. Que ela sente frio com muita facilidade, mas aguenta qualquer molho picante que coloque na frente dela. Sabe que ela ri até chorar e que essa é a única ocasião em que derrama lágrimas.

Você decorou a sensação da boca dela na sua. Do cheiro dela, do gosto de chá. Você aprendeu a diferenciar o toque de cada um dos dedos dela na sua pele, passeando pelo seu cabelo, pelo seu pescoço. Você aprendeu a segurá-la nos braços com a mesma facilidade que aprendeu a segurar uma espada.

Você sabe que gosta dessa vida. Você sabe que gosta dessa paixão letárgica, preguiçosa. Sabe que ela não é rasa, mas que ela não vai te consumir por inteiro. Com Piper, sempre existirá uma parte de si que será somente sua.

Você gosta, principalmente, de saber que não a ama. Pelo menos não da forma como amou outras pessoas.

— Tudo bem, então — ela diz, bem-humorada. A chuva está chapinhando na calçada, respingando no jeans dela, e a luz fosca que atravessa o sol faz com que os olhos dela pareçam castanhos, como chocolate. — Então você também o meu.

Os dedos dela agarram sua camiseta, por dentro do moletom, quando ela te beija. Não é urgente. Não é passional. É um encaixe natural, dócil, e você inspira fundo, sentindo o cheiro da chuva e do batom clarinho dela. Ela aprofunda o beijo, e o táxi de vocês estaciona na calçada.

Ela se aconchega no seu ombro quando vocês entram, esfregando uma mão no jeans para aquecê-la e sorrindo, encantadora, para a motorista. A outra mão se entrelaça com a sua, encima do seu joelho. E então, como se só então houvesse se lembrado:

— Ah, mas não fala nada para o Leo, hein?

Você ri, e ela também. A motorista levanta uma sobrancelha pelo retrovisor. Você sabe no que ela está pensando. Mas não tem nada de impuro em vocês. Não tem nada de errado. Com Piper, o ar parece limpo, e a chuva, inofensiva. Você nem sabia que isso era possível.

Durante todo o caminho de volta, você traceja o braço dela com as pontas dos dedos, desenhando tridentes e passarinhos. Ela está te beijando assim que você abre a porta do apartamento vazio. A chuva faz eco lá fora, silenciando o resto do mundo, e, sorrindo contra a boca dela, você se concentra no seu.


Notas Finais


pov você é o percy completamente caidinho pela piper.
espero que tenham gostado, comentários são sempre apreciados ^^


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