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História I Won't Forget You - Capítulo 20


Escrita por:


Notas do Autor


capítulo light.
boa leitura. ❤

Capítulo 20 - Sobre Semi Expresso


Fanfic / Fanfiction I Won't Forget You - Capítulo 20 - Sobre Semi Expresso

POV's Janie O'Hara.

Acordei com um leve pesar no pescoço, provavelmente pela posição em que dormi. Sentei na cama sentindo um perfume diferente, só então notei que estou utilizando uma roupa que me era estranha. Depois de alguns segundos ainda despertando, percebo que aquele casaco preto na verdade era de Tommy, logo recordando-me do dia anterior.

E que dia.

Quem diria que em um mês na PHS coisas mirabolantes iriam ocorrer. Cocei os olhos, espreguicei-me, e saltei da cama rumo as escadas para o andar de baixo. Encontrei com Elizabeth na cozinha fazendo o café da manhã, eu não sabia que horas eram nesse exato momento, só tinha a sensação de que havia dormido bastante. Ao chegar próximo da mais velha, o olhar que ela me lança é totalmente reprovativo me provocando a arquear uma das sobrancelhas.

— Bom dia, Janie — A adulta deseja seca enquanto mexe os ovos na frigideira.

— Bom dia — respondo desconfiada.

— Quer dizer então que a bola da vez é o Tommy novamente? — Pergunta com um tom sarcástico.

— Do que você está falando? — Indago sem entender repousando as mãos sobre a mesa.

— Quando eu voltei do trabalho, vocês dois estavam no sofá — A dona do corpo esguio me encarou apontando a espátula — fazendo sabe-se-lá-o-quê! E ainda deixaram uma bagunça na cozinha com comida.

— Não me lembro de ter feito algo com ele — respondo pensativa — achei que gostasse do Tommy.

— Não me teste, garota!

— Tá bom — Reviro os olhos — por que você está tão rabugenta ultimamente?

— Rabugenta? — Elizabeth torna a mexer os ovos bruscamente — Não estou rabugenta, estou nervosa! Os seus pais chegam hoje em casa e imagina o que eles vão pensar quando souberem do que você vem aprontando?

Minha mente parou de funcionar ao ouvir que meus pais viriam hoje para casa. Era um fato que eu havia esquecido completamente.

— Eu vou tomar um banho — digo com um sorriso forçado nos lábios.

— Antes de você ir — Elizabeth me fita novamente — por que tem um frasco de analgésico sobre a mesa?

Desço meu olhar para o objeto, ele estava bem a minha frente. Timidamente escondido pela cesta de frutas.

— É do Tommy — minto — ele é muito bom jogador de basquete, deve ter se machucado. Acho que ele esqueceu aqui ontem.

— Sei — A mais velha estreita os olhos.

Peguei o frasco na mão.

— Vou por em minha bolsa pra devolve-lo amanhã!

Dei as costas e subi as escadas rapidamente. De volta ao meu quarto, tranquei a porta. Abri o frasco e tomei um comprimido, pois provavelmente já havia passado do horário de realizar tal ritual. A frase de que meus pais iriam para casa hoje ressoava repetitiva minha mente, eu não estava pronta para lidar com eles e precisava fazer algo em relação a isso. Peguei algumas roupas de meu guarda-roupa e joguei em cima da cama, dentro do local de madeira, havia uma mochila de viagem. Depositei as peças no interior da mesma e fechei o zíper, após isto, escolhi roupas caseiras e me dirigi ao banheiro para tomar um banho.

Assim que fiquei nua por completo dentro do local, encarei a mancha roxa que ainda se fazia presente na minha costela. Diferente de ontem, a marca não estava tão dolorida, provavelmente por conta do efeito causado pelos analgésicos, ressaltando que ainda era um local no qual eu recusava tocar. Tomei uma chuveirada rápida lavando o meu cabelo numa falha tentativa de lavar a alma.

Me encontro decidida no que vou fazer.



Olhei o relógio do corredor de acesso aos quartos da casa, marcavam 10:55 A.M, às 11A.M era o horário em que o ônibus semi expresso trafega pela parada de ônibus em frente à minha casa. Coloquei a mochila nas costas rapidamente e desci as escadas. Não fazia a mínima ideia de onde Elizabeth poderia estar.

— Madrinha, estou levando o lixo para fora! — gritei.

— Certo! — A ouço gritar de volta.

Deixo a casa rapidamente. No final da rua posso observar a locomotiva se aproximando do ponto de ônibus onde me encontro.

Desculpe Elizabeth.

~X~


Foram duas longas horas de viagem, o ônibus semi expresso transita por praticamente toda a Filadélfia até ir em destino a cidade vizinha. West Lawn. Saltei em uma esquina próxima a casa dos meus avós, respirei fundo apertando a alça de minha mochila. Pensando bem, talvez eu tivesse "fugido" de casa — entre  mil aspas — para não ter que ver os meus pais, todavia não era bem "fugir" se eu vim parar na casa dos meus avós. Quero dizer, foi o primeiro lugar que me veio à cabeça e que fica longe da Filadélfia. 

As casas em West Lawn são enormes e possuem aspectos interioranos, quando cheguei ao destino, fiquei encarando por um bom tempo a porta de madeira a minha frente. O coração disparava de uma maneira desastrosa, e eu honestamente me perguntava o porquê. Para a minha surpresa, vovó abriu a porta sem que eu tomasse qualquer atitude. Assim que nossas orbes entraram em contato, a mais velha demonstrou surpresa enquanto eu colocava um sorriso forçado nos lábios.

— Vovó! — Falei fingindo empolgação.

— Janie! — A mais velha exclamou me abraçando.

A força que a mesma colocava nos braços era gritante.

— Está me esmagando, vovó — reclamei.

— Desculpa — A mesma respondeu me largando — É que eu estava com muitas saudades.

— Eu estive aqui mês retrasado — retruco coçando a nuca.

— Você é a minha única neta que eu só vejo nas férias — disse a idosa com um ar triste.

Não deixo de me sentir tocada com aqueles olhinhos cabisbaixo.

— Eu senti sua falta, vó — declaro.

As íris tom de mel da outra cintilaram por trás dos óculos.

— Vamos, entre! O almoço ainda está quente.

— Obrigada.

Agradeci adentrando ao local assim que me fora permitida a passagem. A casa dos meus avós é enorme, totalmente emadeirada. O primeiro local que se é visto é a cozinha com uma vasta mesa retangular, pratos de porcelana, e talheres de inox. Seguindo pelo corredor, nos deparamos com uma sala de estar gigante, possuindo lareira e um tapete feito por couro de urso provavelmente de uma das caças do meu avô. Havia também um sofá de cor verde, e uma pequena poltrona flexível que era aonde o meu avô estava sentado lendo jornal.

— Querido, olha quem está aqui — Dizia vovó me empurrando para perto do mais velho.

Vovô elevou o olhar até mim, e um sorriso surpreso revelou os seus dentes falsos.

— Janie, que surpresa! — Disse — você está tão grande.

— Oi, vô — cocei a nuca.

— Visita inesperada, qual o motivo dela?

Engulo seco. Será que ele sabe de algo?

— É-Er — travo ao tentar responder.

Merda.

— Ah, querido! Ela precisa de um bom motivo para nos visitar? — Vovó pergunta pondo as mãos na cintura.

— Sei lá, nós somos velhos. Os jovens nunca querem passar um tempo conosco — retruca vovô voltando ao jornal.

— Só se for um carrancudo igual a você!

Deixo uma risada suave escapar pelos meus lábios enquanto retiro a mochila das costas. Eu mal havia percebido o quanto o clima aqui era aconchegante, a Filadélfia sempre possuiu um ar carregado.

— Eu estou com fome — declaro para vovó.

— Vamos para a cozinha, a mesa ainda está posta — A mais velha dizia empolgada enquanto pegava a minha mochila — Vou deixá-la no quarto de hóspedes. E mais tarde iriei fazer um bolo mesclado, que tal?

— Irei adorar — Sorri.

Vovó vai para o corredor dos quartos enquanto eu me dirigi para a cozinha. Meu estômago roncava.


(...)


Pela noite, me acomodei bem no sofá enquanto comia uma fatia do bolo. Meus olhos estavam vidrados na MTV, tanto que o ronco do meu avô na poltrona não me era um incomodo. Vovó aproximou-se de mim momentos depois, ela sentou ao meu lado com um álbum enorme de fotos em sua mão.

Continuei assistindo TV.

— Cuidado para não melar o seu moletom de bolo, querida — Ela me alerta.

— Ok — respondo.

Pelo reflexo do olho, observo que a mais velha abriu o álbum de fotos em seu colo e começou a folheá-lo vagarosamente. Logo ouço uma baixa risada vir da mesma, o que me faz encará-la. Ela me mostra uma pequena foto.

— Esse é seu pai quando criança — explica.

Meus únicos avós são por parte de pai, os por parte de mãe me odeiam. Provavelmente porque apoiavam o sonho da minha mãe de seguir carreira de modelo, até a mesma engravidar de mim e tudo ir por água abaixo... Eles poderiam culpá-la, não tenho nada haver com isso.

— Ele parecia ser adorável — ironizo dando uma última garfada no bolo.

— Ele é adorável — A mais velha acaricia o retrato.

Acho que não, penso revirando os olhos. Minha avó folheia o álbum mais uma vez parando na foto de casamento da mesma com o seu cônjuge. Reparando na foto, e em como os dois são atualmente, até que envelheceram... Bem? Vovó deixa as madeixas esbranquiçadas — que um dia já foram louras — presas em um coque. Sempre está de vestido longo, e óculos de grau forte no rosto, possui um corpo robusto que foi perdendo altura com o passar dos anos. Já o meu avô tem fios ralos no topo da cabeça, um bigode esbranquiçado, óculos de lentes redondas, e sempre está trajado com suspensórios. Ele é centímetros maior que minha avó.

A mais velha foleou mais uma vez parando em uma foto minha com meus pais enquanto eu ainda era um bebê.

— Você está tão cute cute! — brinca vovó enquanto eu reviro os olhos — que família linda — ela suspira nostálgica.

— Sim, quando meus pais ainda me amavam — zombei.

— Eles ainda te amam — Retruca vovó em choque.

Abandono o prato com algumas migalhas de bolo no chão, em seguida abraço minhas pernas escondendo o rosto entre elas.

— Talvez até me odeiem — sussurro para mim mesma.

— O quê?! — Ouço a mais velha questionar sem entender.

Logo ergo a cabeça com um sorriso no rosto.

— Te amo, vó.

— Eu também te amo, minha neta.

Acomodei-me um pouco mais próximo da idosa, ficamos o resto da noite folheando o álbum enquanto a mesma me contava a estória por trás daquelas fotografias.

Apenas ela, os roncos de vovô, as labaredas da lareira, nossas sombras dançantes... E minhas incertezas.




Acordei pela manhã com o canto dos pássaros vindo do exterior. Saltei da cama de hóspedes ainda sonâmbula indo em direção a sala de estar. Antes de adentrar, ouço o meu avô ao telefone:

Então você está em casa, hein? ... Chegou ontem? ... Sim, sim... Como assim fugiu? — Sinto o meu coração acelerar — Ué, mas ela está aqui desde ontem... Como não avisou a vocês?

Merda, merda, merda! 

Corri de volta para o quarto e tranquei a porta. A única certeza que eu possuía naquele momento, era a que não podia mais ficar ali.

Meu peito pesava como nunca, o dia anterior havia sido incrível... Contudo, eu tinha que sair dali o quanto antes. Me perdoem, vovó e vovô.

Mas só havia um lugar que eu poderia ir agora.



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