História I Won't Give Up - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Angélica Vale, Jaime Camil
Personagens Angélica Vale, Jaime Camil
Tags Angélica Vale, Jaime Camil, La Fea Mas Bella, Lety Y Fernando, Valecamil
Visualizações 174
Palavras 4.294
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Essa é a minha primeira experiência na escrita de uma fanfic, por isso peço perdão se houver erros de concordância nos tempos verbais ou ortográficos. Mas enfim, espero muito que gostem.

Capítulo 1 - Capítulo 1


ANGÉLICA VALE

14 de fevereiro de 1993

 

Anotação em diário

Lá Lá Lá! Estou sorrindo igual criança quando ganha presente em noite de natal. Me dá vergonha de estar tão feliz, e até de estar escrevendo isso. Mas eu quero poder compartilhar o que me aconteceu com alguém, com alguma coisa, não me importo de ser com algumas folhas brancas. Bom, vamos lá. Hoje é o dia de San Valentin. Aeee, vamos celebrá-lo com muito amor, esbanjar solidariedade com o próximo, e comer muito, principalmente. Como já é de costume todos anos nessa época nós do meu bairro nos reunimos pra comemorar a data, esse ano foi na casa de uma das amigas de mamãe, a Vilma, uma mulher solitária que nunca casou, não tem filhos, e vive a vida por ajudar pessoas, tadinha. Mas bom, vou descrever a cena. Estava eu “conversando” com algumas velhas em uma área da casa, quando uma banguela má humorada de pano na cabeça me pediu, não, pelo tom de voz dela ela ordenou para eu trazer os comes e bebes que ficavam do outro lado da casa. Minha vontade foi de dizer “vai você sua velha imunda”, mas pensei “Hoje é dia de San Valentin, Angélica, esbanjar amor, é o que todos fazem, esbanjar amor”. Forcei um sorriso e disse “claro, com muito prazer”. Graças a Deus meus pais me ensinaram bons modos.

E lá vou eu outra vez trazer o restante de biscoitos pra mesa que, pro meu azar, ficava um pouco longe de onde estava as demais frutas que teria que levar pra lá. Lutando contra minhas duas mãos carregando várias vasilhas e jarras, e o medo de ser a “desastrada responsável por ficarmos sem comida” percorrendo em mim. Achei que Deus tinha me livrado de um micão quando cheguei à mesa, mas outro tomou seu lugar.

“Será se eu posso?” Pude sentir ele apontando o indicador para os biscoitos, mas foda-se os biscoitos, quem quer saber de biscoitos agora? Quando escutei aquela voz, meu único sentimento foi o AAAAAAA. Mas permaneci paralisada, com os olhos fixados nas vasilhas e as mãos apoiadas na mesa igual uma retardada.

“Oi, eii” ele estalava os dedos na minha frente e então eu caí na real. Não faça papel de estupida, Angélica.

 “Oi, claro que pode”. Me virei para olhá-lo e tentei ser natural, não sei se deu muito certo, mas tentei.

Ele está tããã TÃÃÃÃÃÃO lindo que rezei para que ele não tenha percebido minha cara de idiota o olhando. Ele havia mudado muito. Bom, mas também já tinha quase 5 anos que não via o Jaime, já era de se esperar. Ele vestia uma camiseta preta, de manga comprida, que seguia desde o centro do seu pescoço. Apesar de estar engraçado, lhe caía bem.

Mas o que eu não esperava era que ele fosse me reconhecer também. Quando ele soltou um “Angélica, é você?” Senti minhas pernas bambearem, principalmente quando ele percorreu seus olhos pelo meu corpo todo MEEU DEEEUSS. Estava usando uma saia um tanto curta, mas não me importava, ao contrário, CONTINUA OLHANDO GOSTOSOOOOOO AAAAAA. Ok, acho que me empolguei. Mas lá na hora não sabia o que dizer e acabei retribuindo o elogio, e pude perceber a modéstia transpassando pelo seu sorriso em forma de agradecimento. Mas caralho ele é muito lindo, já falei que ele é muito lindo? Conversamos por alguns minutos mais, ele me contou sobre a proposta que recebeu de uma rádio aqui do México pra ser locutor, parecia empolgado ao me contar, bom, acho que eu também fiquei por vê-lo assim.

Continuamos conversando, sobre assuntos aleatórios, a conversa fluía com muita facilidade impedindo qualquer silêncio constrangedor. Mas, apesar do curto tempo que ficamos juntos, eu percebi em muitos outros aspectos coisas que haviam mudado nele, e a aparência se tornou apenas um detalhe diante delas.

Fato número 1: Ele é um galinha. É o tipo de cara que transa muito, um cara que vive pulando de cama em cama com muitas mulheres e adora quando elas o elogiam. Ele é vaidoso e pretensioso.


Fato número 2: Aposto que os homens o odeiam. Ele parece o vilão riquinho que atormenta crianças diferentes e sensíveis, parece o cara que faz tudo de errado, mas sempre se sobressai como o herói. O cara que sempre ganha todas as mulheres que quiser só por ter uma beleza, não, melhor dizendo A beleza que deixa qualquer pessoa distraída, que faz os seus olhos revirarem e... Ok, acho que me empolguei de novo.

Fato número 3: Ele é um rapaz legal comigo. Pois é, digo isso porque antes ele não me dava a mínima e me deixava conversando sozinha indo brincar outros garotos da quadra. Mas agora ele está simpático até demais para o meu lado, e eu sei muito bem suas intenções.

Mas o motivo maior pela minha felicidade e o sorriso no meu rosto não é saber o que ele quer de mim. É o fato de termos nos reencontrado. Caramba, apesar de tudo eu sentia sua falta. Falta de quando eu passava os dias ansiando pelo fim de semana para outros garotos e eu irmos em sua casa pra brincarmos juntos. Sentia falta até de vê-lo fazendo umas mágicas idiotas enquanto eu observava com cara de idiota. Sentia falta de quando éramos crianças, sério.

Ele pediu meu telefone e disse que qualquer dia desses vai me ligar pra gente sair, jantar em algum lugar. Eu estou ansiosa para vê-lo de novo, confesso. Sei que ele vai continuar me flertando, assim como fez hoje, só na expectativa de quando irei cair em seus encantos.

 

 

                                                                    

 

JAIME CAMIL

À medida que nos aproximamos o som da música e conversas seguidas de risadas animadas se elevam. A risada dela, encantadora (e talvez um pouco escandalosa) como sempre, se destaca dentre as demais e só de ouvi-la mesmo sem ter a mínima ideia do motivo, instantaneamente me fez rir também. Paramos o carro em um local perto de sua casa, seguimos em direção à entrada e adentramos sem problemas, dando de cara com uma enorme área coberta de sua casa, cheio de plantas. Ela adora plantas. Ao meu lado uma pequena fileira de margaridas que segue como um labirinto, dividindo o caminho de passagem entre um gramado tão vivo que até parece artificial. Olho ao redor e a vejo sentada em uma poltrona conversando com outras mulheres distraidamente, mas pude perceber que a festa já acontecia e pelo som abafado, conclui que seria nos fundos.

Não demorou muito e seu olhar se desviou a mim, logo se levantou e com um lindo sorriso vem na minha direção e me envolve em um abraço apertado, me fazendo afundar em sua pele e sentir o delicioso aroma do seu pescoço. Acho que seu cheiro ficou grudado em mim.

- Jaime, já estava começando a pensar que não viria! – Disse se afastando e segurando brevemente minhas mãos, enquanto abria os braços pra minha esposa ao meu lado.

- Comadre, como estás?! – Dá um breve abraço em Heidi e um estalar de beijo na bochecha.

- Melhor agora, Angélica! E você?

- Tudo perfeito. – Ah, aquele sorriso que não saia nenhum momento dos seus lábios. - Mas bom, vamos entrar, a aniversariante está lá nos fundos.

- Desculpa o atraso Angie, a culpa é dessa aqui que não programa as coisas cedo e acaba se enrolando toda. – Disse em tom de ironia apontando à Heidi e ela finge insulto, mas logo ignora meu comentário.

- Imagina, a festa acabou de começar. - Pausa. – Deveria ter deixado sua esposa terminar de se arrumar, James.

- Mais? – Não entendi muito bem o que ela quis dizer, mas logo soube o motivo quando percebi que estava prendendo o riso se aproximando dela e dizendo que lhe faltava um brinco.

- Ai meu Deus. – Seu rosto é confuso, mas também ria da situação. – Será que eu deixei cair ou já vim assim?

- Não faço a mínima ideia. – Lhe respondi, sinceramente.

- Bom, eu tenho que achá-lo. Já volto. – Ela já se virava pro portão.

- Espera espera, onde cê vai? – A seguro levemente pelo braço.

- Verificar no carro, talvez ele tenha caído por lá. Não me esperem, podem ir pra festa, já volto. - Antes que pudesse dizer mais alguma coisa ela me entrega o presente e sai. Me viro pra Angélica dando de ombros sem saber o que dizer, com o embrulho nas mãos. Ela ri e me puxa, me fazendo caminhar por um corredor vazio que acredito que seria um atalho dando acesso à parte detrás da casa.

- Vamos. Angie está ansiosa pra ver o padrinho.

 

                          .  .  .

 

O sol refletia nos enfeites das fantasias das crianças que correm sem parar pelo local aberto. O som toca alto uma música infantil. Está tudo simples no geral, mas muito bem organizado e simpático. Por acaso flagrei uma tentando pegar um doce na mesa perto de nós, mas logo foi interrompida por uma mulher, que suponho ser sua mãe, a mandando ter bons modos. Soltei uma risada mas fiquei com dó da garotinha. Há algumas poltronas à nossa frente, onde alguns pais estão sentados.

- E agora onde será que ela está?

- Deve estar se divertindo, brincando por aí.

- Vou procura-la.

- Deixa sua filha aproveitar a própria festa, Angélica. – Disse, em um tom condescendente.

Ela me lançou um olhar cínico, e inclinou levemente a cabeça para o lado. Eu sabia que estava concordando comigo.

- Bom, eu vou lá pra dentro ajudar a terminar de organizar as lembrancinhas. Fique à vontade, pode sentar se quiser. – Disse indicando aos assentos à nossa frente.

- Eu vou com você.

- Ahn? Não, não precisa Jaime.

- Claro que precisa. Eu tenho o dever de ajuda-la na comemoração do aniversário da minha afilhada, e não ouse me contradizer.

 - Tá, mas... Heidi... – Ela gesticulou com as mãos de uma maneira que me fez rir. – Ela... deve estar te procurando agora. – Senti essas palavras saírem com um tom de nervosismo em sua voz.

- Você acha? – Me virei olhando pelo largo e comprido corredor que finalizava na entrada da casa. – Parece que não. Certamente ainda está ocupada com o valioso brinco perdido. – Ironizei involuntariamente as últimas palavras.

- Humm. Então... pode vir comigo, se você quiser. A cozinha fica por aqui.


                          .  .  .

 

- {...} E além disso Niurka também se meteu com ela. Disse que ela tem mais silicone do que talento, acredita?

- Meu Deus, eu nem fiquei sabendo dessa treta, Jaime. – Disse atônita, segurando alguns doces e colocando dentro do saquinho. – E Ninel Conde não se manifestou sobre o assunto? Ouvi dizer que essa mulher adora um barraco.

- Que nada mulher! – Exclamei enquanto me encostava no balcão tomado pelos embrulhos. – Disse somente que elas sequer se conhecem pra cubana julgá-la gritando aos quatro ventos que ela é só um produto de marketing.

- Nossa. Mas, caramba, a Niurka também gosta de uma treta, não é?

- Sem dúvidas. Afinal, ela já criou polêmica com pelo menos metade dos famosos latinos.

- Então melhor tomarmos cuidado por que senão seremos os próximos. – Ela disse, me olhando divertida.

- Vira essa boca pra lá mulher! – Brinquei jogando de leve meus ombros ao seu encontro que acabaram se chocando na sua cabeça (às vezes eu esqueço o quanto ela é baixinha). - Graças a Deus nós nunca tivemos qualquer tipo de desentendimento com ela.

- É, isso é. Na verdade, nós nunca nos desentendemos com ninguém do elenco de La Fea. – Ressaltou enquanto continuávamos com a ação mútua, abrindo e enchendo os pacotinhos.

Parei por um instante e refleti. – É verdade. Nunca tivemos alguma discussão que se sucedeu. Ao contrário, nos divertíamos muito. – Sorri pra ela e ela logo retribuiu.

- Sim, isso era. Se não considerarmos os nossos desentendimentos nos camarins. – Disse ela rindo, de cabeça baixa.

- Nossa, isso é verdade. – Disse, fechando os olhos me lembrando. – Mas também passávamos a maior parte do nosso tempo trabalhando, nos estúdios, era inevitável. – Ponderei, pensei por um instante. – Você acha que algum deles já... viram... escutaram...

- Mas com certeza. – Enfatizou, sorrindo. – Uma vez inclusive, já tive até que inventar um motivo que acabou saindo tão tosco, para uma suposta “briga” nossa depois que a Paty nos dedurou em uma entrevista.

- Ay Dios mío... – Sorri, olhando para o nada me lembrando de todos aqueles momentos, que apesar de simbolizar tantos sentimentos ruins, hoje levamos na boa. Se fosse a alguns anos atrás, por exemplo, se tocássemos nesse assunto já era motivo de briga na certa, os dois numa batalha travada procurando razões para culpar o outro. Mas hoje é diferente. Todos os ressentimentos que tínhamos um com o outro foram se desvencilhando com o passar do tempo, fomos nos permitindo a perdoarmos a si mesmos por todos os erros que cometemos no passado. Afinal, é passado, ficou para trás, bola pra frente. Remoer as falhas não irão revertê-las e muito menos mudar nosso presente, nossa realidade. Demorou muitos anos, mas amadurecemos juntos e passamos a entender e aceitar isso.

- Sabe que, apesar de tudo, sinto saudades daquela época. – Disse me olhando, depois de alguns minutos de silêncio. - Saudade das gravações, do elenco, dos diretores, dos câmeras – Disse, em meio a um riso.

- É, eu também. Nunca voltei a trabalhar com um elenco tão...tão unido como éramos. – Ela continuava me olhando pensativa, como se estivesse formulando alguma frase para me dizer, mas quando a vi abrindo a boca para falar, escuto gritos e passos seguidos de risadas e sinto braços envolvendo minha perna.

- PADRINHOOOO! – Ri olhando pra baixo me deparando com Angeliquita agarrada a minhas pernas. Sorrindo, olhei cúmplice pra Angélica, que não fez questão em esconder a alegria ao ver a cena.

- Mi amoor! – Eu disse pegando-a no colo – Feliz Cumpleee!

- Eu estava te procurando por toda a casa, mocinha. – Disse Angie, se aproximando.

- Desculpa mamãe. – Fez uma carinha de cachorro abandonado.

- Tudo bem. – A tranquilizou, enquanto passava a mão pelo seu cabelo, arrumando o penteado já bagunçado. – Escuta filha, você viu o papai?

Meu sorriso diminuiu ao escutar a última palavra. É passado, ficou para trás, bola pra frente. Isso Jaime Camil, repita comigo. É passado, ficou para trás, bola pra frente. Vamos lá, mais uma vez, entenda de uma vez por todas. É passado, ficou para trás, bola pra frente. Mais uma vez.

Calei a voz irritante na minha cabeça e voltei minha atenção à conversa.

- Sim mami. Está com a vovó no pátio.

- Tá bom então meu amor. Você pode fazer um favor pra mim? Quero que...

- Licença, desculpa atrapalhar – Desvio meu olhar para a porta ao lado e vejo minha esposa. – Ah, Jaime, eu estava te procurando homem.  – Disse relaxada quando viu Angeliquita em meus braços. – Oi coisinha linda. – Brincando, apertou de leve as bochechas dela, que sorriu manhosa.

- Oi Heidi. Eu vim ajudar Angélica finalizar alguns detalhes... – Ela acenou pra Angie, que logo retribuiu, sorrindo.

- Não, não tem problema. – Disse relaxada enquanto mastigava um chiclete. – Se precisarem, eu to aqui.

- Não se preocupe, já terminamos. – Adiantou Angie apontando para os saquinhos em cima do balcão. – Eh, e o brinco, encontrou?

Ela segurou a ponta de um deles, na orelha que faltava. – Estava em cima do carpete do carro.

- E como diabos isso foi parar lá? – Perguntei confuso.

Ela ria enquanto fazia com as mãos que não sabia, balançando a cabeça.

- Bom, eu vou lá pra fora, se você quiser vir...

-Sim, vou contigo. – Olhei para Angélica, e ela fez que depois ia também.

- Tchau anjinho. Disse colocando Angeliquita no chão. – Me abaixo e depois de dar um beijo em sua testa, saio com minha esposa.


                           .  .  .


Algumas mulheres fantasiadas dançavam em frente ao público, induzindo as crianças a fazerem o mesmo. Eu, junto a uns conhecidos ríamos da inocência de alguns garotinhos que dançando, faziam movimentos um tanto eróticos e ainda mais com as fantasias a situação ficava cada vez mais engraçada; porém apesar das risadas incontroláveis, não deixamos eles saberem disso, bem, ou pelo menos tentamos. À minha frente havia uma mesa com 2 cestas tomadas de brinquedos e balas, o que não demorou muito para atrair a atenção das crianças, e bom, confesso que até a minha. Admito que alguns minutos atrás, quando ninguém estava olhando, fui até lá e comi 3 ou 5 balas, mas, apesar de ter feito disfarçadamente, senti olhares e risadas dirigidos a mim. Acho que estavam rindo mais pela idiotice minha de tentar e falhar na missão Faça Sem Ser Visto, do que ter pego as balas (o que é uma coisa normal, afinal, quem não come balas, cacete?). Me senti um tremendo idiota.

Depois de um tempo, o som tocava alto a música “Thriller”. E é claro, Angie pensou em tudo e contratou um rapaz para representa-lo; inclusive o avistei na entrada da casa, mas agora estava fantasiado como o Michael Jackson no clipe. Ele dançava e contagiava o público com os clássicos passinhos do rei do pop. Já no final da música ele chama Angeliquita a fazendo acompanha-lo enquanto ele realizava os passos com perfeição e ela tentava imitá-lo com toda a sua espontaneidade, o que me fez rir. Todos aplaudiram quando se surpreenderam com sua tamanha naturalidade ao fazer o famoso passinho do Michael, o moonwalk levando suas mãos à cabeça e deslizando os pés para trás. Ri empolgado e aplaudi enquanto ela se sentava na cadeira onde estava, induzindo o rapaz encerrar a apresentação.

E o resto da festa correu assim. Aparecia e reaparecia as mulheres fantasiadas das personagens da Disney, alguns imitando outros cantores como a Beyoncé ou a Madonna, e até a Angélica mostrou os seus dotes imitando a Shakira depois de muito pedirem, e como já era de se esperar todos amaram. Logo chegou a hora de cortar o bolo, e especialmente, foi o acontecimento mais engraçado da festa. Vamos lá, imagine a cena: Angélica Maria saindo da cozinha, sorridente como nunca, trazendo o pequeno bolo rosa numa bandeja enquanto todos berravam pela esperada hora dos parabéns. Passando pela porta distraída, não se deu conta que logo a sua frente havia o longo fio grosso que ligava à caixa de som e tropeçou desastrosamente, caindo em cima da Angie a lambuzando toda de chantilly. Só se ouviam gargalhadas e os pedidos de desculpas incessáveis de A.M para todos, principalmente à Angeliquita que ao contrário de sair chorando por todos os lados soltou uma risadinha sem muito ânimo. A Angie fez o mesmo, passando o dedo no chantilly em sua blusa e levando à boca.

- Tá quebrado mas tá gostoso! – Não contive minhas gargalhadas pelo seu comentário, o que a fez rir também. Depois de um tempo ela se virou pra mim e disse entre as risadas: – Pelo menos foi comigo ao invés de ser com um dos convidados, imagina que vergonha seria! – Tive que concordar com ela.

Por sorte não estragou muito do bolo, só a parte de cima mas logo conseguiram consertá-lo e tudo ocorreu bem.

Posso dizer que a festa já acabou, praticamente todos já foram embora. Só resta eu, minha esposa com outras duas mulheres que acabaram de se conhecer e a fofoca já rola a solta. Olho ao redor e já vejo algumas pessoas arrumando e esvaziando o local, mas meu olhar procura Angélica para me despedir, mas não a localizo em nenhum local daquele espaço. Avisto um corredor à direita de algumas plantas e adentro.

Chegando já no fim do corredor, me deparo com um local aberto e deduzo que é a área de lazer, já que reconheço o espaço; apesar que de onde eu estou só consigo ver 2 cadeiras ambas com guarda sois de madeira. Dou mais alguns passos à frente passando pelo portal, e já posso ver a piscina de formato irregular ao meu lado direito, e algumas orquídeas dispersas rodeando o baixo muro que cercava. O chão estava quase todo coberto pelo piso de madeira.

 

Play na música: Carlos Rivera – ¿Como pagarte?

 

Sentada no canto direito na borda da piscina e com os pés relaxados na água, ela cantava. Cantava maravilhosamente bem.

Ando alguns passos para frente afim de ouvi-la melhor. Sua voz é relaxante. Passo entre as cadeiras e apoio uma de minhas mãos na mesa, a admirando. Mesmo contra a minha vontade, me lembro de quando éramos jovens. De quando escrevi uma das minhas primeiras músicas, que até hoje eu não publiquei, (e não pretendo publicar) mas foi pra ela. Pensando nela. Posso imaginar agora, nesse momento, o seu cabelo amarrado do jeitinho dela em uma fita azul marinho, alguns cachinhos caindo em sua testa, seu sorriso de orelha a orelha revelando seus dentes pequeninos, seus olhinhos brilhantes me olhando enquanto eu tocava o violão. Foi uma época maravilhosa, e se pudesse daria o que fosse necessário pra poder revivê-la, nem que por poucos instantes.

Ela continuava cantando. Não sei o que deu em mim nesse instante, mas senti a necessidade de mostrar que eu estava ali, e como eu já sabia de có a letra do próximo refrão, decidi me aproximar cantarolando, divertido.

 

                                                                                      Pérdon, quisiera bajar las estrellas

                                                                                           Para regalarte una de ellas... 🎶

 

Ao ouvir minha voz, ela virou rapidamente seu tronco e me olhou assustada, mas logo abriu um largo sorriso e tirou os fones do ouvido.

Eu estava à sua frente, ela ainda estava sentada com a cabeça levantada para conseguir me ver. 

- Você me assustou! – Disse descontraída e um tanto aliviada. Me deu um leve tapa na perna. Eu ri.

- Não foi a intenção.

- Sei. – Ela me olhou desconfiada. - Senta aqui. – Disse ela batendo duas vezes no chão ao seu lado. Me sento, cruzo as pernas e a olho. Nesse momento reparo que ela havia trocado de roupa, seguramente pela tragédia do bolo. Está usando um leve vestido florido de alcinha que bate um pouco mais acima do seu joelho. Ao seu lado há duas sandálias rasteiras, perfeitamente alinhadas.

- Carlos Rivera. – Comentei ao vê-lo no spotify dela.

- Sim. Adoro as músicas dele.

- Eu também.

Ela olhava para a tela do celular e para mim.

- Que foi? – Disse rindo.

- Vocês se parecem. Um pouco. Se ele já estivesse na idade de ter barba e cabelos brancos.

- Está me chamando de velho, Vale? – Cruzei os braços.

- Eu? – Enfatizou, ironizando. – Mas é claro que não, você está muito bem pra sua idade, James.

- Ay caray, você acha? – Brinquei em tom modesto, passando as mãos nos braços.

- Essa é a parte que eu devo elogiar seu corpo musculoso? – Riu.

- Ah, então você acha que eu tenho corpo musculoso? – Provoquei.

- Ah James, você é tão infantil. – Disse em tom de pena enquanto passava a mão na minha perna. Eu ri.

Desvio meu olhar para as nuvens avermelhadas ao redor do sol já distante, quase invisível aos nossos olhos por conta das palmeiras cobrindo a paisagem. Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que me virei para ela e a peguei admirando o pôr do sol e não pude evitar de sorrir. Me lembro que ela adorava tudo que tinha a ver com a natureza, e vejo que isso não mudou nada.

Na verdade, Angélica continua a mesma de antes. A mesma que me encontrou quando eu era rodeado de mulheres. Quando eu tinha as modelos mais belas, bastava um estalar de dedos e qualquer uma delas estaria aos meus pés, ao meu dispor. E não é me gabando não, mas era a verdade. Minha vida amorosa era um ciclo de sexo sem compromisso, namoros vazios ou supostas amizades femininas que depois de uma noite caliente sempre me prometiam poder contar com elas pra o que eu precisasse. Mas, agora você me pergunta se alguma dessas mulheres cumpriam sua palavra quando estava passando por um momento difícil? Quando eu precisava de alguém pra desabafar? Pois é, nenhuma.

E eis que ela aparece, como se tudo já fizesse parte de um plano. Quando estava andando nos corredores de uma casa praticamente desconhecida, quase não a reconheço. Angélica, aquela menininha se transformou nesse mulherão? E então nos reconhecemos, nos conhecemos, e ela com seu jeitinho simples me ensinou tantas coisas. Sentimentos novos que eu sequer sabia que existiam. Momentos, anseios, alegrias, dores, lágrimas, sorrisos... passamos por tudo isso juntos. Juntos ajudamos um ao outro a superar nossos maiores traumas, nossos maiores medos. Seu sorriso de criança coloriu meus dias. Seus olhos me fizeram enxergar muito além do que eu era capaz de ver antes. Ela literalmente mudou a minha vida.

E foi aí que eu percebi que eu havia encontrado a mulher certa. A mulher que eu queria dividir o resto dos meus dias. A mulher que independentemente de tudo, sempre fez questão em demonstrar que estava ao meu lado para o que der e vier. Que me fazia rir como ninguém com suas brincadeiras, pelo simples fato de ser ela mesma. Que me presenteava com os seus mais sinceros conselhos, que me animava de uma maneira que ninguém mais conseguia. Que sabia dos meus defeitos e não fazia questão te tentar mudá-los, porque me aceitou do jeito que eu sou. Que me despertava o desejo de ficar junto a ela para sempre, porque sua alegria me contagiava. Que me deu seu ombro pra chorar, quando ninguém mais ofereceu.

E é por essas e muito mais que eu sou eternamente grato a ela. À sua fidelidade. Porque eu tenho certeza que se em algum momento de nossas vidas nada parecer fazer sentido, quando ninguém me entender, ela vai estar aqui pra me dar sua mão. Como sempre esteve.


Notas Finais


Então, o que acharam? Deixem nos comentários a opinião de vocês, é muito importante pra mim.
PS: Por ser minha primeira história, a fic vai ter poucos capítulos. Ahh, sobre a anotação do diário que eu coloquei no começo da história, a ideia para escrevê-la surgiu quando li uma parte de um livro da Gillian Flynn. Pretendo fazer essa alteração entre o presente e o passado em pelo menos metade dos capítulos. Vai ser um flashback da relação dos dois quando eram jovens, mas de uma maneira resumida.
Beijinhos e obrigada por lerem!


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