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História .ice skating; minchan - Capítulo 2


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Notas do Autor


olha só quem voltou 🗣🗣
perdão a demora, eu pensei em várias alternativas e formas de desenvolver esse cap e cheguei a essa conclusão.
enfim, espero que vcs gostem 😔👍🏻

Capítulo 2 - .love me 'til the daylight


BANG CHAN

December, New York.

Um ano.

Exatamente um ano e vinte dias, era quanto tempo fazia desde que vi Minho pela primeira vez naquela noite no Rockefeller Center. Eu ainda tinha a memória vivida daquele garoto todo empacotadinho em roupas de inverno, escorregando no gelo enquanto tentava ficar em pé com os patins.

Três de Dezembro, foi quando o conheci.

Ele passou a me visitar outros dias no rinque de patinação, alegando por insistência dos amigos. Nós dois sabíamos que era mais uma de suas mentiras deslavadas que ele usava de desculpa para me ver. Não que eu estivesse reclamando, obviamente.

Com o tempo, ele melhorou muito suas habilidades na patinação — não como um patinador profissional, o rapaz apenas conseguia se equilibrar e deslizar no gelo sem precisar que eu o segurasse o tempo todo. Claro que isso não me impedia de também usar aquilo de desculpa para segurar sua cintura ou arrancar alguns beijos de Minho, de vez em quando.

Por Deus, como eu estava apaixonado por aquele garoto.

Por ele e seus olhos felinos, sorriso sarcástico, risada contagiante e lábios finos extremamente beijáveis. Eu poderia tagarelar por horas sobre todas as coisas em Lee Minho que me trazem a sensação de tranquilidade e calmaria, como uma suave brisa de verão numa praia ao pôr-do-sol, a maresia suave das ondas ao fundo e o sacolejar das árvores ao vento. 

Nos tornamos tão próximos um do outro, e descobri tantas coisas sobre ele. Minho foi emancipado pela tia ao passar na universidade de NYU, e desde então frequenta a faculdade de jornalismo em Manhattan. Ele também era, nada mais, nada menos do que estagiário do jornal New York Times, e toda vez que ele era responsável por alguma coluna de notícias eu era o primeiro a saber.

Aquelas pequenas coisas enchiam o meu peito de satisfação.

Ele tinha problemas com os pais que eram extremamente católicos e o expulsaram de casa ao se assumir bissexual. Por sorte, a irmã da sua mãe não deixou que ele vivesse sozinho, então passou a morar com ela antes de vir para os Estados Unidos. Ele sempre me disse que ela era uma mulher muito forte e determinada, o tipo de pessoa que você deseja se tornar um dia.

Minho também tinha os olhos repletos de saudades quando a mesma mandava fotos dela fazendo coisas bobas do dia a dia, como lavar louças ou sair para trabalhar. Ela sempre estava com os cachos ruivos desgrenhados, os olhos minúsculos e esticados escondidos sobre os óculos de lentes arredondadas e o sorriso idêntico ao do rapaz.

Também descobri que Minho era alguém extremamente inseguro, e tentava esconder essas inseguranças com grosserias gratuitas ou comentários maldosos, como um mecanismo de defesa. 

Ele era viciado em filmes da Marvel, e seus personagens preferidos eram Loki e Deadpool, pois, segundo ele, gostar de heróis era clichê, mas eu sabia que Minho gostava muito do Tony Stark, o suficiente para ele jamais admitir.

O Lee tentava se mascarar como uma pessoa fria e sem coração, mas era apaixonado por animações da Disney e Pixar, e toda vez que assistíamos Frozen Dois ele chorava quando Olaf se desfazia em neve. Essa era outra coisa que, por mais que fosse óbvio, ele jamais admitiria. Ele era orgulhoso demais.

Aqueles pequenos detalhes eram coisas que faziam parte da minha rotina, e eu simplesmente amava a sensação de ter alguém como Minho na minha vida.

Nós nunca oficializamos nada, estava mais para um acordo mútuo de não precisarmos de rótulos para definir nosso relacionamento, apenas iríamos deixar fluir.

Mas, ultimamente, o mais novo costumava tentar me abraçar e mexer no meu cabelo de uma forma que eu julgava ser um tanto desengonçada. Ele sempre parecia desconfortável, como se sentisse a obrigação de fazer aquilo.

Minho nunca foi alguém de demonstrar afeto, e eu sabia disso. Na verdade, ele demonstrava estar presente e importar-se comigo nas mínimas coisas, como sempre pedir pizza de margherita pois era a minha preferida, ou quando às vezes ele ia até o meu estúdio de fotografia e levava o almoço que ele mesmo preparava, ou quando ele sempre fazia questão de colar post-its coloridos na minha agenda para caso eu esquecesse de algo importante.

Coisas tão supérfluas e nitidamente pequenas que passariam despercebidos por qualquer um, mas não para mim.

Minho sempre estava ali, independente de serem coisinhas bobas ou não, eram o suficiente para eu me sentir completo todos os dias. O castanho não era bom em expressar seus sentimentos ou exteriorizar com clareza as suas emoções, tampouco era um enorme apreciador de contato físico.

O garoto era alguém muito retraído, muitas vezes quieto e extremamente carente. Talvez aquelas fossem as consequências de crescer num lar tóxico e abusivo, e só de pensar no quanto o meu garoto poderia ter sido infeliz, meu peito se apertava e meu coração se retorcia em dor, e tudo o que eu mais queria era agarrá-lo em meus braços e protegê-lo.

Minho nunca tomava a iniciativa quando o assunto era me beijar, entrelaçar nossas mãos ou me abraçar; aquelas coisas sempre partiam de mim. E, sinceramente, eu não me importava nenhum pouco em fazê-lo, pois eu via em seus olhos aquelas palavras, mais nítidas e vivas do que nunca.

Minho também me amava, e eu nunca duvidei daquilo, sempre estive muito certo da conexão incrível que nós dois dividíamos e nunca suspeitei ser algo unilateral.

Era tão reciprocamente palpável aquele sentimento único que nos envolvia, algo que pertencia única e exclusivamente a nós dois. Algo que eu podia chamar de nosso.

Portanto, eu precisava esclarecer as coisas, e nada melhor do que fazer isso durante o Natal, ambos assistindo qualquer coisa — ou seja, a série que Minho estava viciado no momento que era Wanda Vision — no sofá da minha sala enquanto dividíamos uma garrafa de vinho e pizza, enrolados em edredons e cobertores quentes.

Havia de tudo para ser o feriado perfeito, a única coisa que faltava era eu tomar a iniciativa para convidá-lo.

Já passava das onze horas, e, apesar de ser inverno, não estava tão frio. A pista de patinação estava fechada, as luzes dos prédios próximos e das decorações de Natal refletindo na superfície de gelo sob meus pés. Eu estava me movendo de um lado para o outro com os patins, testando ângulos diferentes por trás das lentes da minha câmera. Aquele era realmente um lugar muito bonito.

A patinação sempre foi um hobbie para mim, então a oportunidade de conciliar algo que eu gostava com uma renda extra surgiu dois anos atrás quando eu comecei a trabalhar para o Rockefeller Center. O melhor de tudo era que eu só fazia aquilo durante aquela época do ano, e eu podia realizar minhas sessões de fotos com os clientes no estúdio normalmente durante o dia, sem interferir o meu cronograma — e, de quebra, a pista de patinação tinha um significado muito especial na minha relação com o Minho, e era o lugar perfeito para os nossos encontros no fim dos dias nebulosos e terrivelmente congelantes de Manhattan durante o inverno.

Uma perfeita quebra de rotina, eu diria.

Claro, durante o resto do ano nós saímos para o cinema, shopping e até passeamos pela Times Square de mãos dadas uma vez. Mas nada era como o nosso lugar, e meu coração se enchia de calor ao imaginar outra coisa que apenas eu e Minho tínhamos.

Eu estava perdido em pensamentos e muito provavelmente com um sorriso idiota agarrado aos lábios quando senti algo gelado tocar meu rosto. Olhei naquela direção e Minho me encarava com curiosidade, parecendo satisfeito em ter atraído minha atenção. Ele sorriu, e só então notei que ele tinha duas bebidas em mãos, e uma delas foi a coisa fria que havia encostado em minha bochecha.

— Você sempre está tão distraído, tem certeza que é da Grifinória? — Perguntou, arqueando uma sobrancelha e alargando o sorriso.

— Eu refiz o teste do Chapéu-Seletor, e adivinha só? Você tinha razão, eu sou absolutamente um Corvino.

— É claro que você é, e eu sempre tenho razão — Disse convencido, dando de ombros ao tentar soprar um floco de neve que havia caído em um de seus cílios.

— Isso foi algo tão Sonserino de se dizer — Respondi num murmúrio, me aproximando do corpo alheio e pegando o pedaço minúsculo de neve dentre meus dedos, vendo-o se desfazer com o calor.

Minho piscou algumas vezes, os olhos escuros cintilando tanto quanto estrelas e as pupilas dilatando lentamente. A ponta de seu nariz estava avermelhada devido ao frio, e seus lábios estavam lilases e ressecados. Ele riu soprado, deixando um beijo delicado na lateral do meu rosto e outro nos meus lábios, um selar tão suave que mal pude sentí-lo.

— Eu sei — Esticou os lábios num sorriso doce, olhando para os copos que ele estava segurando com as duas mãos — Eu trouxe Frappuccino de baunilha para você, mesmo que eu realmente não entenda como você consegue tomar esse troço gelado durante um clima tão frio quanto este. Você sabia que não vendem bebidas frias na cafeteria perto daqui? Eu tive que ir até o Starbucks do outro lado da cidade, e o meu carro estava na reserva, então precisei parar para abastecer num posto de gasolina. E ainda teve o babaca do meu chefe que me enviou relatórios justo no fim do meu expediente, e é óbvio que ele fez isso de propósito. Mas, veja, que culpa eu tenho se a esposa dele não aguenta mais ver aquela cara sebosa todos os dias e está entrando com um divórcio? Eu tenho pena da coitada da mulher, ela não está fazendo nada mais do que alguém com cérebro faria; eu mesmo já estou de saco cheio. Se eu não amasse meu trabalho, eu me demitiria e- Chris, você pode por favor parar de me olhar com essa cara de cão abandonado?

Eu realmente amava quando Minho falava sobre o seu dia, sua vida, seus gostos. Me trazia a sensação de intimidade e me fazia pensar que ele sentia-se confortável o suficiente comigo para tagarelar com tanta naturalidade sobre aquelas coisas. Talvez fosse aquela cara que ele estava vendo, de alguém completamente apaixonado.

Peguei o copo da sua mão, os cubos de gelo chocando-se uns nos outros e fazendo um som engraçado. Coloquei o canudo entre meus lábios e o segurei com a ponta dos dedos, e quando a bebida chegou a minha boca eu percebi que ela realmente estava tão gelada quanto Minho havia dito.

— Ya! Você acabou de me ignorar?! — Questionou ele, exaltando a voz em indignação.

Minho tinha muitas peculiaridades e manias ligeiramente excêntricas, uma delas era falar em coreano quando estava visivelmente irritado, por esse motivo eu frequentemente gostava de deixá-lo com raiva. Era engraçada a forma que sua voz em inglês parecia diferente do que em coreano, sua pronúncia era mais arrastada. Realmente adorável, eu diria.

Gargalhei, encarando suas sobrancelhas franzidas e o rosto torcido numa careta de desgosto.

— É claro que não, eu ouvi tudo desde o início. E obrigado pela bebida, eu fico feliz de ser tão importante na sua vida ao ponto de fazer você atravessar Manhattan por um Frapuccino.

— Tsc, o que eu posso fazer? Você ama esse treco — Deu de ombros, fingindo indiferença ao tomar um gole do seu café expresso. 

— Não mais do que eu amo um certo garoto que tem a mentalidade de um senhor de meia idade cansado da vida e extremamente ranzinza.

— Idiota — Resmungou ele, revirando os olhos enquanto deslizava com os patins até a cerca de segurança, impulsionando seu corpo para cima na grade da pista e sentando-se ali, com os ombros encolhidos e as mãos ao redor do corpo, agarradas a barra — Sinto muito por ter demorado… eu realmente- 


Me aproximei, encaixando a lateral do seu rosto sobre a palma da minha mão, vendo sua bochecha se espremer levemente e moldando um pequeno bico em seus lábios. Deixei um carinho delicado ali, esfregando meu polegar direito com suavidade e sorrindo para si no exato momento em que o garoto pendeu a cabeça para a direção do toque, fechando os olhos e se aconchegando ali. 

— Você veio e está aqui comigo, isso já é o suficiente — Respondi calmamente, sentindo Minho esticar sua mão até alcançar a minha destra que agora repousava em sua coxa — Suas mãos estão tão geladas, onde estão suas luvas?

— Ah, estão no carro. O copo de plástico estava escorregando das minhas mãos por causa do tecido, e eu estava com medo de derramar, então… — Fez uma careta, segurando o copo com a bebida nas duas mãos dando um gole, e a nuvem de ar quente cheirando a café que saiu do copo se dissipou no ar.

Rodeei sua cintura com o rapaz ainda sobre a grade de proteção, enquanto ouvia um riso fraco deixar seus lábios. Ergui minha cabeça para alcançar seus olhos, e não resisti em deixar um afago delicado em seus cabelos castanhos, afastando uma madeixa que caia sobre um de seus olhos.

Ele abaixou um pouco sua cabeça e segurou meus entre as mãos, gélidas e macias. Seus cabelos caindo sobre minhas pálpebras causavam-me cócegas, e não pude deixar de rir com a sensação, sendo acompanhado pelo mais novo. Nossos narizes se encostaram sutilmente antes de Minho se inclinar, fechando os olhos e buscando meus lábios.

Os corações acelerados e as respirações se mesclando numa carga intensa de pura adrenalina.

Nossas bocas se encontraram e aquele famigerado frio na barriga me atingiu. Com Minho era assim, tudo parecia ser a primeira vez. O primeiro beijo, o primeiro abraço, a primeira conversa e o meu primeiro amor, meu primeiro e único amor. Eu amava estar apaixonado por aquele garoto, era a melhor sensação do mundo.

Só não era melhor do que beijá-lo.

Seus lábios gélidos se movimentando contra os meus, sua língua explorando cada pedaço da minha boca e o hálito de café que ele tinha naquele instante. Eu estava preso ali, naquela atmosfera maravilhosa de um céu negro, luzes coloridas, clima fresco e os lábios macios de Minho aos meus, num ritmo calmo e suave.

O ar me faltou os pulmões então gentilmente desvencilhei o beijo, me afastando apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos e me deparar com seu sorriso constrangido. Selei nossos lábios mais algumas vezes, antes de abraçar sua cintura e encaixar-me entre suas pernas ao puxá-lo para um abraço, repousando minha cabeça em seu peito e me sentindo relaxado com o sobe-e-desce que seu tórax fazia ao respirar compassadamente.

Senti seu corpo tencionar um pouco quando ele levou uma das mãos até meu cabelo, tentando de modo desengonçado e sem-jeito. Mesmo não conseguindo ver seu rosto, eu sabia que ele estava com aquela aparência aflita e envergonhada que ele fazia em momentos como aquele. Revirei os olhos e segurei em sua mão ainda sobre a minha cabeça, parando os movimentos desajeitados em meus fios e levando-a até o bolso do meu moletom, entrelaçando nossos dedos e deixando-as ali.

— Você não precisa fazer isso, Min — Balbuciei abafado, suspirando contra o tecido da camiseta de Star Wars que ele vestia e inalando profundamente seu cheiro.

— Eu sei, mas eu realmente quero tentar fazer essas coisas. Eu nunca, hum, fiz isso com alguém, então é um pouco novo para mim, mas realmente quero tentar.

— Tudo bem, apenas faça quando se sentir confortável. Vá com calma e no seu tempo, não se sinta forçado a nada, tudo bem? Isso é tudo que eu menos quero. 

Minho riu soprado e senti seu nariz se esfregar levemente contra o meu cabelo e ele se acomodar ali, devolvendo o abraço ao passar seus braços ao redor do meu corpo.

— Está tão frio, eu odeio sentir frio.

— É claro que odeia. Venha, eu vou aquecer você — Revirei os olhos e sorri com o comentário do mais novo, sentindo ele estremecer um pouco e ranger os dentes de modo audível. Céus, ele era tão dramático.

— Você é tão grudento, parece um chiclete.

— Você vive reclamando mas eu sei que você adora quando eu fico agarradinho em você desse jeito. Eu sou o seu chicletinho, Lee Minho, e não vou desgrudar de você tão cedo, sabe por que?

Ele negou, completamente divertido. Ergui minha cabeça, apoiando meu queixo em seu peito e encarando os olhos negros e bonitos que me observavam com um pequeno sorriso nos lábios.

— Porque eu amo você, Minho, eu absurdamente amo você, e eu quero que você saiba disso de todas as maneiras possíveis.

De repente, senti o sorriso se desmanchar num ritmo letárgico e quase doloroso. Ele desviou o olhar, os traços de seu rosto carregados de preocupação e receio. Ele mordeu os lábios e subitamente temi ter dito algo errado.

— Você diz isso toda hora, sabe, que me ama e essas coisas… eu me sinto estranho pois eu acho que não estou retribuindo da forma que eu deveria, Chris — Ele tentou se afastar e desfazer o abraço, mas fui mais rápido em apertar sua cintura com firmeza. O moreno ainda evitava me encarar, verdadeiramente angustiado pela provável culpa que sentia.

— Ei, Min, olhe para mim — Segurei seu rosto entre as minhas mãos, sentindo os olhos pesarosos do rapaz se redirecionarem na minha direção. Os lábios franzidos e a expressão sôfrega nunca pareceram doer tanto quanto doíam-me naquele instante — Nunca mais fale isso, ok? Minho, não existe um jeito certo de amar alguém, o amor é especial pois cada um demonstra de um jeito. E o seu jeito de dizer "eu te amo" sempre está nas entrelinhas, nas coisas mais bobas e, muitas vezes, em atos inconscientes. Em cada uma dessas coisas tem um "eu te amo", seja ele verbalizado ou não, eu sei que ele está bem ali, escondido naquelas pequenas ações que para mim são mais do que suficientes.

Seu rosto suavizou, seus olhos oscilando enquanto ele me encarava profundamente com os lábios espremidos no que parecia ser o começo de um sorriso. Minho subiu as mãos frias até meus ombros e deslizou-as sobre meu pescoço, a sensação do seu toque gelado percorrendo todo o meu corpo num arrepio e fazendo os pelinhos da minha nuca se eriçarem, com a sensação gostosa de cócegas que suas unhas curtas faziam ao entrarem em contato com a pele sensível do meu pescoço, repousando as mãos ali e deixando um singelo carinho no lado esquerdo.

— Eu ia dizer que eu não mereço alguém como você na minha vida, mas algo me diz que você vai me dar um sermão de meia hora sobre o quão incrível eu sou e que não devo me inferiorizar desta forma, portanto eu vou me limitar em beijar você… — Ele começou, aproximando nossos rostos e depositando um selinho molhado e demorado nos meus lábios — … e dizer que você faz eu odiar menos as coisas e começar a apreciá-las, pois agora você faz parte de cada uma delas — Minho sussurrou ao separar os lábios, sibilando as palavras tão perto que sua respiração chocava-se contra meu rosto.

O encarei, completamente encantado. A sensação familiar de embrulho no estômago me atingiu, minhas pernas enfraqueceram e tudo ao nosso redor ficou embaçado e turvo. Eu só conseguia olhar para ele e seus malditos olhos, encarando-me numa ternura disfarçada por trás do brilho desafiador de suas íris. Embrenhei meus dedos em seus cabelos castanhos, sedosos e macios, deixando um afago carinhoso ali. 

Eu estava completamente entregue naquele sentimento que nos envolvia, tão real e palpável que eu poderia facilmente tocá-lo. Ainda completamente extasiado, a única reação que tive foi me esticar para selar nossos lábios outra vez, segurando as suas coxas e trazendo-o para meu colo. Minho arfou entre o beijo, surpreso, mas não hesitou em rodear minha cintura com as penas, aprofundando o contato dos corpos. Seus patins contra as minhas costas em minhas costas não pareciam tão incômodos quanto deveriam.

Ele se afastou e um estalo molhado que os lábios fizeram ao separarem-se do contato ressoou. Abri meus olhos e me deparei com o castanho fitando-me, o rosto ainda acima do meu e as orbes soltando fagulhas de felicidade.

— Viu só? Você acabou de dizer que me ama, de um modo um tanto implícito mas disse — Expliquei, ainda com o rosto levantado na sua direção e as mãos firmes ao segurar suas coxas.

— Eu disse? Não me lembro. De qualquer forma, saiba que eu amaria você mais ainda se comprasse ração para as minhas gatas. A Dori come tanto quanto um hipopótamo, sabia? Se elas continuarem comendo desse jeito eu vou falir!

Gargalhei, negando algumas vezes com a cabeça.

Aquele era Minho, o meu Minho.

Cuidadosamente o desci do meu colo, colocando-o no chão novamente e vendo ele me entregar o meu copo de Frapuccino que havia se perdido no meio da confusão que era ter Minho comigo, pois nós automaticamente nos fundíamos numa bolha e esquecíamos de tudo e todos ao nosso redor.

Tomei a bebida em goles lentos, observando Minho fazer o mesmo ao meu lado enquanto resmungava algo sobre seu café ter esfriado. Estávamos desfrutando do silêncio na companhia um do outro, observando a movimentação inquieta das pessoas que passavam por ali e, de vez em quando, rindo juntos sobre algum comentário idiota que ele soltava. Eu estava levando aos meus lábios o canudo mais uma vez, sugando o líquido que já estava quase no fim bem devagarzinho quando ele falou repentinamente.

— Vamos namorar.

Não consegui conter a surpresa com a frase que deixou os lábios do moreno de forma tão natural, e acabei me engasgando com a bebida, tossindo sem parar e escutando Minho tentar conter a risada enquanto esfregava as mãos sobre as minhas costas e falava sobre o quão vermelho estava o meu rosto. Ainda com o coração na mão e com a coragem iminente que havia me restado, encarei o Lee, sentindo uma pontada fraca no meu âmago.

— O que? — Foi tudo o que conseguiu proferir, vendo-o se afastar levemente, com uma repentina seriedade que causou-me uma estranha sensação de formigamento.

— Vamos namorar, oras — Deu de ombros casualmente, encolhendo os ombros até esconder as mãos no bolso do sobretudo preto que ele vestia. 

Pisquei algumas vezes, subitamente atordoado.

— Achei que havíamos concordado que não precisamos de rótulos para definir o que sentimos um pelo outro e-

— Você não quer? — Ele perguntou num fio de voz, disfarçando uma clara decepção, e que chegou aos meus ouvidos de forma tão dolorosa e melancólica.

Jurei ter sentido uma facada atravessar-me o estômago, e minha mente implorava para que eu me justificasse, mas as palavras pareciam morrer assim que alcançavam meus lábios, presas na garganta e formando um nó. 

— N-não foi isso o que eu quis dizer, eu só-

— Tudo bem se você disser que não quer, ou que não está pronto, Chan, de verdade. Eu também acho que realmente não há necessidade de rotular nosso relacionamento, mas as vezes eu sinto vontade de, você sabe, chamar você de meu namorado. Eu acho que seria… formidável…

Senti meu coração errar as batidas, e logo a sensação de culpa foi substituída por um sorriso. Outro fato extremamente adorável sobre Lee Minho: ele tinha o hábito de usar palavras deliberadamente difíceis quando estava nervoso, uma mania que ele adquiriu, segundo ele, durante as provas da faculdade de letras, onde ele memorizava sinônimos para não repetir palavras durante alguma produção textual. 

— Suas orelhas estão vermelhas! Caramba, eu não acredito nisso, Lee Minho está realmente corando! — Exclamei, não conseguindo conter a risada.

— Não seja estúpido, é por causa dessa droga de frio. Estamos dois graus abaixo de zero, sabia? — Ele franziu as sobrancelhas, olhando para o lado oposto numa tentativa falha de esconder seu rosto e levando as mãos até as orelhas.

— Por Deus, Minho, você é tão fofo!

— Vai se fo-

— Fofo, fofo, fofo, fofo, fofo! — Apertei suas bochechas, distribuindo beijos em todo o seu rosto.

O moreno não conseguiu mais forçar a careta de irritação, e logo ele revirou os olhos esticando os lábios num sorriso quase imperceptível.

— Cala a boca! Você é um imbecil — Resmungou ele, sem contestar quando eu o puxei para outro abraço.

Por um breve momento, eu havia me esquecido do pedido que o rapaz me fizera, e, parando para pensar naquele instante, eu não fazia ideia do porque eu reagi daquela forma, afinal eu queria aquilo tanto quanto ele.

— Vamos fazer isso.

— O que, exatamente? — Minho suspirou, repousando seu rosto na curvatura do meu ombro.

— Vamos namorar.

O garoto se afastou outra vez e me olhou nos olhos, parecendo conferir se o que eu havia dito era verdade. Então eu sorri, fazendo cafuné em seus cabelos quando ele assentiu num murmúrio e devolveu o sorriso.

— Tudo bem, então estamos namorando a partir de agora — Foi tudo o que ele disse, voltando a se aconchegar no abraço — E nem pense em se ajoelhar ou fazer alguma daquelas coisas ridículas de comédias românticas.

— Eu não vou, eu não faria nada que você não quisesse, Minho — O apertei em meus braços, dizendo calmamente enquanto tentava lhe passar segurança.

— Eu sei, eu sei — Ele desfez o abraço ligeiramente, revirando os bolsos do sobretudo e mordendo o lábio inferior — Eu, bom, uh… meio que trouxe uma coisa, é bem idiota na verdade mas, sei lá, achei que talvez pudesse ser legal e, parando para pensar agora talvez seja meio inapropriado, impertinente, incongruente, inoportuno ou até mesmo-

— Min, calma, não precisa ficar tão agitado — Toquei a lateral de seu rosto com delicadeza, fazendo-o olhar em meus olhos. Sua respiração se acalmou aos poucos e então eu olhei para a sua mão direita que ainda estava dentro de seu bolso — O que você tem aí?

Minho engoliu em seco, hesitante. Num ímpeto de coragem, ele puxou a mão e levou-a em minha direção, desvencilhando de seus dedos um ramo de visco, amarrado sobre uma fitinha vermelha e preso num laço. Fiquei observando a planta, completamente maravilhado. Meu coração se retorceu num aperto e meus olhos se encheram de lágrimas.

— Ridículo, não é? Eu não sei o'que eu estava pensando, é totalmente-

— Perfeito, Minho… é totalmente perfeito — Ergui meu olhar em sua direção, implorando que estivesse escuro o suficiente para que ele não visse meus olhos cheios d'água.

— Sério? Quer dizer, não parece inadequado ou estúpido? 

Soltei um riso nasal, segurando o pequeno ramo em meus dedos e levantando meu braço, colocando-o sobre de nossas cabeças e bem no resquício de espaço que ainda restava entre nós dois.

— É totalmente adequado — Disse por fim, encarando os olhos escuros do rapaz à minha frente.

Minho sorriu, com aquela expressão de alívio e ternura que eu tanto gostava nele. Se aproximou um pouco mais, quebrando o mínimo de distância que havia em meio à nós dois, então seus olhos se tornaram afiados e ligeiramente divertidos, brilhando em escárnio.

— Então eu posso beijar você agora? — Sussurrou provocativo, alternando o olhar entre meus olhos e lábios, soltando uma lufada de ar quando alargou o sorriso.

Eu amava aquela dualidade do garoto, era incrivelmente atraente e excitante.

— Desde quando o meu namorado precisa pedir? — Respondi, agarrando sua camiseta e selando nossos lábios.

Nos beijamos mais uma vez, num ritmo um tanto mais intenso, carregado de nossas emoções e sentimentos reprimidos que, muitas vezes, nós não conseguíamos expressar em meras palavras. Naquele simples movimentar de lábios afoitos, eu podia sentir o seu amor, seu carinho, seu cuidado, sua preocupação e cada uma das coisas que faziam eu me sentir especial na vida de Minho. Ele rodeou meu pescoço com os braços enquanto eu agarrava seus ombros e o trazia para mais perto, ao passo em que nossas línguas se encontravam e tudo o que existia era nós dois. Eu e ele. Bang Chan e Lee Minho.

A falta de ar fez-se presente, forçando-nos a desvencilhar o beijo. Depositei lentamente selares rápidos em seus lábios enquanto nossas testas se tocavam ao tentarmos acalmar nossas respirações falhas e descompassadas. Rocei meu nariz no do rapaz e ele sorriu, alcançando-me novamente para selar nossos lábios uma última vez.

— Você tem razão — Admiti, levando minhas mãos até sua cintura e deixando-as ali, estáticas, apenas com a certeza de que aquele momento era real, não apenas uma alucinação.

— Sobre o quê?

— É muito bom poder chamar você de namorado.

Minho sorriu, repousando a cabeça sobre meu ombro e beijando a minha clavícula.

— Eu já disse, Christopher Bang, eu sempre tenho razão.



Notas Finais


entao errr foi isso
ficou bem meloso na vdd, e esse não era o meu projeto inicial pra esse cap. eu fiquei um pouco insatisfeita por não ter acrescentado outras coisas q eu queria e que, eventualmente, no desenrolar da história acabei por me perder no contexto. por isso, vai haver um bônus do ano-novo dos minchan yeeeee 💃🏻💃🏻
quando vai sair? nao sei, mas pouco a pouco a gente vai caminhando 🙏🏻
espero q tenham gostado e beijinhosss


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