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História Iceberg - Imagine Jaehyun NCT - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Eu não sou boa em criar capas, mas a vida vai me ajudar a melhorar. Espero que gostem!
Fic dedicada a Mrs-Yoda que me deu essa ideia incrível de escrever com o Jaehyun sendo protagonista, te adoro.

Capítulo 1 - Suéter azul


Fanfic / Fanfiction Iceberg - Imagine Jaehyun NCT - Capítulo 1 - Suéter azul

S/N's pov:


"Acordo com batidas na porta de casa, tento ignorá-las e voltar ao sono. 

Provavelmente seriam os escoteiros do bairro. 

As batidas na porta continuam cada vez mais altas e em ritmo mais desesperado. Levanto nervosa e desço as escadas, um martírio para quem mora sozinha em uma casa enorme.

Abro a porta, fechando os olhos ao ver a claridade invadir a sala de estar. 

— Nem pra ajeitar o cabelo, porquinha. — Disse uma voz familiar, passando a mão na minha cabeça como se eu fosse um pastor alemão carente.

Olho irritada para Jaehyun, seu cabelo claro refletia com a luz do sol, usava um suéter azul bebê, um jeans preto, All Star velho e um sorriso bobo.

— Pode voltar pra casa, não são nem 6 da manhã! – Eu disse brincando, fechando a porta. Sua mão segurou a porta e a impediu de se fechar com tanta facilidade que me fez questionar a força que ele tinha.

— Eu me sinto sozinho, não seja má. — Ele disse, adentrando a sala de estar e tirando os sapatos ao pisar no carpete.

Os pais dele haviam ido viajar junto com os meus, não sei dizer se era coisa da idade, mas acho um absurdo alugar um trailer e ir pro meio das montanhas por dois meses. Jaehyun era muito apegado aos pais, na verdade, era muito apegado a todos que lhe dessem um pouquinho de atenção. Caminhei até a cozinha e coloquei a cafeteira para esquentar água enquanto o via jogado no sofá.

— Ok, mas seus pais são ricos. Você poderia ficar em casa com uma empregada ou um mordomo... Veio tirar meu sono logo cedo.

Jaehyun me olhou com um sorriso bobo, o mesmo de sempre. O mesmo sorriso que tenho evitado durante as férias de verão.

— Não finja que não gosta de mim, s/n. — Ele disse, sorrindo ao ver o ratinho Jerry bater com uma frigideira na cabeça de Tom.

Senti um arrepio percorrer minha nuca. Eu sabia que ele estava apenas brincando com meu mau humor das manhãs de segunda-feira, mas por um segundo parecia que ele sabia meu segredo.

Mandei três mensagens para a minha mãe:

"Ok, vou trabalhar no café hoje."

"Mas se aquela Blair me encher a paciência de novo, eu vou demitir ela. Eu sou sua filha, oras! Que ousadia falar mal de Titanic na minha frente!!!"

"Eu te amo."

Os pais de Jaehyun tinham uma empresa renomada, vendiam seguros de vida a basicamente todos os cidadãos de Nova Iorque, além de manter duas concessionárias na Coreia do Sul e uma na Flórida. 

Ricos, muito ricos.

 Meus pais têm um café bem popular no centro de Nova Iorque, mas aderiram ao estilo de vida budista e deixaram a casa enorme comigo. De vez em quando eles vêm me visitar, mas passam a maior parte do tempo viajando com o trailer novo e voltando apenas pra resolver as pendências do café. 

Ricos, mas nem tanto.

Obviamente, a ideia de viajar com os pais de Jaehyun foi deles. Os quatro fizeram faculdade juntos graças a uma bolsa que meus pais conseguiram na Coreia do Sul nos anos 80, são melhores amigos inseparáveis desde então. Assim como Jaehyun e eu.

Enquanto comia minha torrada e bebia o café, via Jaehyun comer o cereal. Ele sempre foi tímido, nunca se envolveu em brigas ou desentendimentos. Gostava de ouvir Beatles e andar de skate, era muito fofo desde pequeno, gostava de origamis, brownie e garotas loiras. Era inimaginável amar alguém assim. Ele era tão perfeitinho, chegava a ser sem graça.

Mas aconteceu e não tenho conseguido olhar para Jaehyun como antes desde então.

— Se você me abandonar na faculdade, eu te mato. — Ele disse, sem tirar os olhos da TV.

Jaehyun era tão ingênuo, parecia que não tinha espelho em casa. Todas as garotas na faculdade olhariam para seu cabelo perfeito e estilo minimalista, assim como eu tenho olhado ultimamente.

 Suspirei e o olhei com desprezo, já tinha uma resposta na ponta da língua, mas ele não estava olhando pra mim. Sua boca era quase rosa, a pele clara como neve e o sorriso de canto ao ver um simples desenho animado me fazia sentir vergonha. Enquanto o vapor do café esquentava meu rosto, sentia uma vontade imensa de matar o primeiro dia de aula e ficar deitada com ele, vendo aqueles desenhos bobos.

— Você vai se atrasar. — Ele disse, sem tirar os olhos de Tom & Jerry — Meu cabelo não está perfeito, mas não precisa ficar encarando, porquinha.

Eu o odiava. Como ele podia ser tão apaixonante mesmo me dando aquele apelido infantil e ofensivo? Desde sempre Jaehyun me chamava assim, nunca me importei em me sujar de areia nos parquinhos ou trazer lagartas da rua pra morar em casa.

Subi as escadas e entrei em meu quarto, escolhi um jeans rasgado qualquer e uma camiseta amarela, com um solzinho sorridente estampado. Eu gostava de amarelo. Entrei no banheiro do quarto e fechei a porta, mas parecia que Jaehyun estava ali comigo durante o banho, igual como fazíamos aos 6 anos. 

O peculiar de estar apaixonada por meu melhor amigo de infância é que eu não conseguia imaginar momentos inapropriados, apenas sentir saudade de quando fazíamos tudo juntos. Por um segundo me imaginei lavando seu cabelo, e esse foi o sinal de que o banho já estava demorando demais.

Me enrolei na toalha, coloquei minha calcinha e sutiã no banheiro, como de costume. Quando saí do banho, me deparei com Jaehyun deitado na cama, lendo uma revista adolescente que eu lia antes.

Levei um susto imediato, sentindo meu corpo se encher de vergonha. Tentei fingir que estava tudo bem e me virei rapidamente para o guarda-roupa. 

Eu me trocava na frente de Jaehyun desde quando me conheço por gente, desde que estivesse usando roupas íntimas, afinal, crescemos juntos e o corpo do outro não era novidade. 

— Essas dicas pra conquistar garotos são uma mentira ridícula. — Ele disse, debochando da minha revista adolescente — Basta usar meias arrastão e gostar de música vintage.

Revirei os olhos.

— Nem todos são assim, garoto. 

— São sim, s/n. 

Termino de colocar minha camiseta e me viro de frente pra ele.

— Disse o cara que nunca teve namorada. — Brinquei com ele, cruzando os braços na defensiva.

— Mas que ao menos ficou por uns meses com a Blair Miller. — Ele disse, se defendendo. — E você? 

Certo, agora parecíamos dois amigos.

— Pegou a Blair Miller por seis meses, mas se apaixonou e ela te deu um fora, pateta. Sem contar que meus pais pegaram vocês na despensa.

Ele fechou os olhos em desaprovação, sentindo vergonha. Eu adorava ver Jaehyun tímido, embora o fato de ele ter passado uns meses com minha colega do café tenha sido um pouco frustrante.

— Merda... não lembra disso. — Ele disse, o que nos fez rir e lembrar das vergonhas que passamos no início do ensino médio.


---


Era intervalo da faculdade, Jaehyun havia combinado de me esperar na porta da sala de Publicidade, mas não estava ali. Caminhei pela faculdade, ainda perdida com a quantidade de turmas diferente num só campus.

Enquanto caminhava pelo refeitório, vi um garoto implicar com Jaehyun, ele parecia estar muito nervoso. Seu cabelo era escuro, talvez preto. Seus olhos eram claros e ele usava um moletom da faculdade, uma garota de cabelo loiro estava chorando ao lado de Jaehyun. 

Dei passos rápidos enquanto via aquela discussão acontecer, Jaehyun parecia tentar amenizar as coisas enquanto o cara dava tapas na mesa que assustavam o refeitório inteiro.

— Qual a necessidade de querer colocar medo em mim? Cara, ela já está assustada. — Jaehyun disse sério, referindo-se à garota loira que se escondia em seu ombro, chorando sobre seu suéter azul.

— Você se acha muito esperto, né? — O cara mais alto disse, puxando a garota pelo braço. — Cuida da sua vida.

Jaehyun se levantou e parecia querer agredir o cara mais velho, mas hesitou. Aquele momento de hesitação foi o suficiente para que o outro o desse um soco no rosto. O refeitório inteiro começou a gritar e conversar entre si, ocasionando um barulho ensurdecedor. Jaehyun simplesmente limpou o nariz que estava sangrando e puxou a garota de volta para si, o que me deixou assustada. Ele não era assim. Tentei invadir o espaço daquela situação, mas senti medo. Um dilema me impedia de sair de onde estava, não sabia se apanharia junto, mas não queria ver Jaehyun se machucar.

O veterano de cabelos escuros foi para cima de Jaehyun, que o empurrou para trás, fazendo-o cair e bater as costas contra a mesa de madeira. O barulho de suas costas chocando-se contra a mesa me fizeram arrepiar, era uma dor que podia facilmente ser imaginada. Jaehyun fugiu para fora do refeitório puxando a garota pelo braço, sem notar minha presença.

---


Desde a discussão no refeitório, não tive sinais de que Jaehyun estava bem, ou se ao menos havia conseguido matar aula sem se dar mal ou ser pego pelo Conselho. Limpei a mesa do café preocupada, enquanto olhava pelo vídeo as ruas movimentadas da cidade. O cheiro de café era agradável, entrei na cozinha para fazer croissants recheados quando Blair apareceu também.

— Hoje de manhã estava cheio, a gente não deu conta. — Ela disse, colocando o avental. Havia acabado de voltar do horário de almoço. — Somos doze, mas parecíamos dois quando os executivos aquela empresa grande veio tomar café da manhã aqui. 

Coloquei um pouco de queijo branco e tomate em uma massa de croissant.

— Esse café está crescendo de forma assustadora desde que acrescentamos cardápio vegano. — Eu disse, sorrindo. — Vou sugerir que meus pais acrescentem mais funcionários, relaxa.

Ela sorriu, pegando o bloco de notas para anotar os pedidos dos clientes.

— E aí, já falou pro gatinho que você gosta dele? — Ela disse, me fazendo parar de fechar os croissants.

Blair havia sido a primeira pessoa a notar aquela paixão platônica. Embora fosse engraçado conversar sobre Jaehyun com uma garota que o tinha em mãos até dois anos atrás, eu sentia que podia confiar nela.

— Combinamos de olhar as estrelas do terraço da casa dele hoje, acho que posso tentar. — Eu disse, pincelando a massa com gemas de ovo.

— Nos pegamos algumas vezes depois de eu dar um pontapé nele, — Ela disse, prendendo os fios loiros curtos em um coque bagunçado — mas ele sempre falava no fim sobre alguma história engraçada de vocês. Acho que vai dar certo. — Ela disse, sorrindo pra mim.

Peguei a forma e coloquei um pouquinho de azeite para que os croissants não grudassem. Minha cabeça tentava dizer que estava tudo bem não ter notícias dele há cerca de quatro horas, mas eu sabia que aquilo era apenas ciúmes. Eu não queria que aquela garota da faculdade fosse a próxima Blair.

Jaehyun se encantava com as garotas facilmente, se eu não havia conseguido criar aquele vínculo em vinte anos de amizade, provavelmente não iria mais conseguir.

— Não sei, Blair. Se fosse pra dar certo, ele não estaria falando de mim após vocês se pegarem... — Coloquei os croissants alinhados dentro da forma, mas um não cabia de jeito nenhum. — Ele estaria comigo.

Ela riu da minha comparação, abrindo a geladeira.

— Se não fosse pra dar certo, ele falaria sobre mim após dar uns pegas, s/n. Não sobre a melhor amiga gata. — Disse, e bebeu uns goles de cerveja.

Sorri com o elogio de Blair. Coloquei os croissants no forno e peguei o bloco de notas de sua mão, abrindo a porta da cozinha do café.

Assim que cheguei até as mesas, vi Jaehyun conversando com a garota-de-cabelo-loiro de frente para Jaehyun. Ambos pareciam entretidos com a conversa. 

Senti uma pontada no peito, mas sabia qual era o nome daquele sintoma.

— Bem-vindos, o que vão pedir? – Eu disse, sem olhar para ela. Estava com vergonha de parecer nítido que eu sentia algo por Jaehyun.

– Deixa de ser formal, s/n. Senta aqui com a gente. — Ele disse, afastando a cadeira ao seu lado. Após isso, olhou para a garota loira – Samantha, essa é s/n, somos amigos desde sempre.

Sorri para Samantha, ela tinha sardas discretas no rosto e um delineado perfeito. Era linda, parecia o tipo de garota que partiria seu coração após duas ou três noites juntos. 

— Eu não posso, sou a chefona! — Disse, brincando, enquanto segurava a aba do meu boné com o nome do café — O que vocês vão pedir? 

Após alguns copos de cappuccino e uma torta de maçã, eu estava começando a me acostumar com a ideia de Samantha ser nossa colega na faculdade. Embora não tenhamos conversado muito, ela fazia Jaehyun rir alto, seríamos um trio engraçado.

Quando saí para atender a mesa deles, não os encontrei mais ali. Samantha havia deixado uma gorjeta alta para mim, ela era fofa. Coloquei os 50 dólares na caixinha de funcionários e limpei a mesa. Enquanto olhava o sol se pôr, olhei a paisagem da cidade que nunca parava, até perceber um suéter azul que já conhecia.

Jaehyun parecia envergonhado, colocando a mão na parte de trás do cabelo, como se tentasse distrair Samantha com seu sorriso gentil. Ela sorriu e se aproximou para um beijo. Samantha estava na ponta dos pés de seus Vans brancos, Jaehyun a beijava enquanto segurava a cintura de seu vestido rosa. Senti vontade de chorar baixinho, mas tinha empadas para assar.

Entrei na cozinha com o rosto triste, fazendo Blair me olhar preocupada.

— Não vamos olhar as estrelas hoje.

Blair me abraçou, sem entender o porquê das lágrimas repentinas."











Notas Finais


Espero que gostem. Perdão por qualquer erro, prometo melhorar!


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