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História Ici C'est Fórmule 1 - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, meu amores.
Antes de irmos para esse capítulo eu queria dizer que nesses tempos horríveis que estamos vivendo, todo cuidado é pouco. Lembrem sempre de lavar as mãos, usar álcool em gel e, acima de tudo, ficarem em casa. Vamos seguir essa quarentena para termos nossas vidas normais de volta o quanto antes.

Agora eu quero que vocês aproveitem esse capítulo e eu vou fazer o possível para voltar logo e deixar vocês com algo divertido para ler. Obrigada por todo apoio e eu espero que vocês fiquem seguras, sejam cuidadosas e protejam aqueles que vocês amam.

Boa leitura!

Capítulo 9 - 8 - Aquele Do Grande Prêmio Do México - Parte I


Fanfic / Fanfiction Ici C'est Fórmule 1 - Capítulo 9 - 8 - Aquele Do Grande Prêmio Do México - Parte I

Um calafrio percorreu toda a extensão da coluna vertebral da engenheira britânica. Os olhos claros de Carmen pareciam analisar até mesmo a parte mais profunda de sua alma. A mais velha olhou-a de cima a baixo, parando diretamente nos olhos violetas de Victoria, que brilhavam em expectativa e, não tão secretamente, em desespero. Um desespero mudo disfarçado com um sorriso caloroso e afável que até mesmo Toto Wolff, não muito experiente na arte de fingir entusiasmo, foi capaz de perceber. Mas, felizmente, Lewis parecia completamente alheio a tudo, até mesmo sobre a breve troca de olhares entre o Team Principal e a diretora de performance, sorrindo enquanto apertava a madrasta, abraçando-a pelos ombros.

— Mães, pai, essa é a Victoria, nossa diretora de performance. — o inglês apresentou animadamente a mulher para a família, sorrindo o tempo todo no processo e fazendo as bochechas da inglesa adquirirem um tom adorável de rosa. — Vocês vão adorá-la!

— Senhora Lockhart, Senhor e Senhora Hamilton, é um prazer conhecê-los. Seu filho não me falou muito sobre vocês, mas imagino que devam ser os pais mais orgulhosos dessa cidade hoje.

Contrariando as expectativas de ambos Lewis e Victoria, a britânica mais velha apenas afastou Linda e ofereceu umas das mãos em um cumprimento amigável para a diretora de performance.

— Victoria, certo? É uma honra conhecer a garota que fez meu filho ficar quase uma hora no telefone conosco apenas falando sobre como a nova chefe dele é a pessoa mais adorável que ele já conheceu. — Carmen deu um passo à frente, sorrindo inocentemente, como se não tivesse dito nada demais, e fingindo que não havia acabado de entregar de bandeja o filho.

— O que é um grande feito, já que ele simplesmente odeia falar por ligação. — Linda completou, sorrindo cúmplice para Carmen.

Uma onde de constrangimento pareceu atingir a engenheira e o piloto ao mesmo tempo. Victoria, que já estava vermelha, parecia a personificação de Loria, Ferrari de Sebastian Vettel. A situação de Lewis não era muito melhor, o olhar de pânico e pequena crise de tosse do inglês deixaram bem claro que, se pudesse, o rapaz teria cavado um buraco no chão e se enfiado dentro sem a menor cerimônia.

— Meu Deus, você está bem? — Victoria deu um passo à frente, se aproximando do piloto e tentando checar se estava tudo certo.

— Não, quer dizer, sim. Tô bem, não se preocupe. — o campeão fez sinal para manter a mulher longe, evitando contato visual. — Eu... eu preciso ir. Angela já deve estar me esperando. Vejo vocês mais tarde. — apontou para o hospitality atrás de Toto e saiu, sem ao menos olhar para Victoria, que também desviara o olhar para o chão de asfalto do pit lane.

— Então acho que nós podemos ir para a garagem, não é? — Toto sugeriu com delicadeza.

— Ah, eu adoraria ir ao toalete antes. Será que você pode me acompanhar, querida? — Carmen olhou docemente para a engenheira, pedindo de maneira gentil.

— Claro, Senhora Lockhart. Como quiser. — Victoria respondeu e novamente um arrepio cruzou suas costas. Não sabia o motivo, mas havia algo muito errado no jeito meigo que a britânica mais velha estava-a tratando.

— Então nós vamos com Toto, tudo bem? — Anthony, que estava silencioso até o momento, se pronunciou, recebendo acenos positivos do restante do grupo.

Como em uma cena típica de filmes de terror com crianças que na verdade não são pequenos anjinhos, o olhar doce de Carmen desapareceu no mesmo instante em que foi deixada sozinha com Victoria. O calor das orbes azuis sendo substituído por uma frialdade inigualável, como um balde de água fria despejado sob a cabeça da mais nova.

Victoria deu um passo para trás quando o olhar gélido que a britânica mais velha concentrou em sua direção pareceu capaz de cortá-la ao meio sem o mínimo esforço, apenas para a satisfação de seu bel-prazer. A morena quis correr atrás de Toto, puxá-lo pelos cabelos e o fazer ficar ao seu lado o tempo todo somente para garantir que sairia viva dos breves momentos como guia, mas não iria parecer uma idiota medrosa em frente à Carmen, de jeito nenhum. Se a mulher estava disposta a jogar, jogaria com uma oponente à altura.

— Você tem alguma ideia do que está fazendo?

— Desculpe, eu não sei do que está falando. — cruzou os braços em frente ao peito.

— Não sabe? Então talvez eu precise deixar as coisas um pouco mais claras. Meu filho, vamos falar do meu filho enquanto você me leva até o toalete. — Carmen praticamente impôs para a engenheira que iniciou a caminhada até o Paddock.

— Como a senhora quiser, mas eu ainda não sei onde quer chegar.

— Vamos ser honestas, Lewis pode parecer indiferente durante boa parte do tempo, mas nós sabemos que ele simplesmente não consegue evitar cair de amores por garotas bonitas. — Carmen falou de maneira direta.

— E onde eu entro nessa história? — as mãos apertaram um pouco mais os braços, pressionando o tecido da camisa social da Mercedes contra a própria carne.

— A menina bonita da vez, adivinhe, é você. E há muito tempo eu não o ouvia falar de alguém como ele falou sobre a adorável diretora de performance, Victoria Blake. Eu me lembro de cada namoro que meu filho já teve, e nunca, em momento algum, ele usou tantos adjetivos derivados de incrível numa única frase para descrever alguém. Até ontem à noite. — fez uma pausa para abrir a porta do banheiro, segurando-a até Victoria atravessá-la — Eu estava esperando encontrar uma...

— Uma Nicole Scherzinger? — interrompeu. — Sinto muito pela frustração, mas eu sou apenas Victoria Blake, e infelizmente eu não posso controlar o que as pessoas acham ou deixam de achar sobre mim. Se eu tivesse esse poder, já estaria casada com Robert Lewandowski há muito tempo. — deu de ombros.

— Toto nos disse hoje mais cedo que você era uma parte muito importante da equipe, e se é tão importante assim, porquê vai ficar conosco e não lá dentro trabalhando? — questionou.

— Porquê, às vezes, as tarefas mais valorosas são aquelas em que a importância não consegue ser vista. E vocês são a família do nosso campeão, nossa prioridade sempre é fazê-lo feliz. — piscou delicadamente, se deliciando com a falta de palavras da mais velha.

— Que seja. — a britânica deu de ombros enquanto se enfiava em uma das cabines.

Victoria encostou em uma das paredes frias do lugar e respirou profundamente, caso contrário, perderia seu réu primário por atacar uma idosa usando um cartão de identificação.

▪️▪️▪️

— Chega, eu desisto! — Victoria bateu a bandeja de almoço com um pouco mais de força que o necessário na mesa dividida por Toto, Valtteri e James, jogando-se na cadeira mais próxima. — Ela me odeia. Eu não faço ideia do motivo, mas ela me odeia como se eu fosse o próprio mal encarnado. — havia acabado de acompanhar o trio britânico até o hospitality e, aproveitando-se da maneira com que Carmen praticamente a expulsou da sala dos pilotos antes de Lewis chegar, correu até onde os chefes e o amigo estavam. — Linda e Anthony são incríveis, mas ela é o mais próximo de uma bruxa má que eu já cheguei a conhecer. Eu não sei se eu quero gritar de raiva ou se eu quero sentar e chorar.

— O quê aconteceu, Kielo? — Valtteri se virou na direção da melhor amiga.

— O quê aconteceu? Aquela... aquela enviada de satã aconteceu! Desde o momento em que eu a levei ao banheiro ela está caçando motivos para me tirar do sério e me comparar com as ex-namoradas do Lewis, e eu nem tenho, e agora mais do que nunca não quero ter, nada com o filho dela! E estou surtando porquê se eu ouvir mais uma vez “ah, mas a Nicole...”, eu vou agredir uma idosa com a primeira coisa que minhas mãos alcançarem! — falou de uma vez, sem ao menos parar para respirar e deitou a cabeça em um pequeno espaço sobre a mesa. — Agora eu entendo as garotas das mídias, aquela mulher não é um demônio, é o inferno inteiro.

— Não acha que está exagerando? Talvez vocês só precisem... — Toto tentou começar um argumento, logo sendo interrompido.

— Exagerando? Toto, eu aguentei até onde deu. Nem o Nico tinha essa necessidade de jogar as pessoas para baixo como ela faz, eu prefiro ficar presa durante um mês com ele e a Vivian do quê passar um dia inteiro com Carmen Lockhart. Agora, quando eu levei os três até a sala do Lewis para almoçarem com ele, ela só faltou me empurrar porta afora dizendo que era “um momento em família” e que eu não deveria estar ali.

— Tem alguma coisa que eu possa fazer por você? — o finlandês acariciou os cabelos da engenheira que parecia prestes a cair em lágrimas.

— Depende? Você conseguiu a garrafa de Vodka com o Kimi?

— Hum... não, sinto muito.

— Então você não pode fazer nada, mas obrigada pela tentativa. — deu de ombros.

O restante do almoço foi feito em silêncio e, pouco antes da uma da tarde, Victoria foi arrastada por Valtteri até seu lado da garagem. O finlandês recusava-se a deixá-la voltar a ter qualquer contato com Carmen, mesmo que a britânica insistisse que já estava mais calma e que poderia tentar novamente garantindo que não atacaria a mais velha.

— Valtteri, ou você me deixa sair daqui ou eu vou te enfiar na W09 na porrada e de ponta cabeça. — Victoria ameaçou o amigo com uma chave de boca aproximando o objeto da garganta do homem.

— Eu deixaria ela passar. Victoria vai enfiar essa chave em você sem sentir nenhum remorso. — Claire apareceu atrás da dupla, segurando uma garrafa de água e com um pequeno pedaço de esparadrapo colado no topo da mão esquerda de maneira bastante visível.

— Olha só quem resolveu aparecer, lembrou que trabalha? — Tony parou de frente para a francesa, olhando-a com os braços cruzados.

— Boa tarde, Tony. Eu estou bem também, obrigada pela preocupação. — revirou os olhos.

— Uh, eu não quero ser indelicada nem nada, mas o quê é isso na sua mão? Um curativo? — Victoria largou a chave que estava usando para ameaçar Valtteri. — Aconteceu alguma coisa ontem que eu deveria estar sabendo para usar essa chave na pessoa certa?

— Longa história, mas relaxa, foi só uma pequena intoxicação alimentar de acordo com a plantonista do centro médico. Ela me deu um soro e me disse para tomar bastante água, já estou bem. Então nada de pânico e nada de agredir você-sabe-quem. Mais tarde eu explico o quê aconteceu. — a platinada gesticulou para a amiga se acalmar e colocou a garrafinha sobre a bancada. — Onde você colocou meus fones hein, Tony? Eu fico fora por algumas horas e você já some com as minhas coisas?

Victoria viu Claire se afastar e trocou um olhar intrigado com os dois homens.

— Eu vou atrás dela. — empurrou Valtteri para o lado e seguiu pelo corredor que dava acesso à sala de materiais da Bose.

Abriu a porta da sala com cuidado e, aproveitando-se de que não havia mais ninguém ali, trancou-a atrás de si. Deu pequenos passos até a prateleira onde Claire escolhia um headset novo, apoiando-se e cruzando os braços em frente ao peito.

— Você realmente não tem nada para me falar?

— Caralho, o quê você está fazendo aqui? — a francesa derrubou algumas caixas e olhou com surpresa para Victoria. — E não, eu não tenho nada para te dizer além de que você não escolheu um restaurante muito bom.

— Claire, você realmente passou mal ou alguma coisa aconteceu? — a morena insistiu um pouco mais, ainda não estava convencida da história da amiga.

— Victoria Schwartzmann Blake, enfia nessa sua cabecinha paranóica que eu apenas comi alguma coisa que me fez mal. Daniel não tem nada a ver com isso, ninguém tem. Eu apenas deveria ter tido mais cuidado com a minha comida, ponto. Não precisa querer interrogar até as paredes para descobrir algo que não existe. Relaxa e tenta se preocupar mais com a sua relação com dona Carmen, porque eu já soube de como ela te tratou. — Claire se aproximou da amiga, segurando seu rosto com ambas as mãos. — Não se importe tanto comigo porque eu sei me cuidar.

— Você é uma cabeça dura, eu só me preocupo com você, será que dá para entender isso? Eu só... — interrompeu-se — Está ouvindo isso?

— O quê?

— Vem cá! — Victoria puxou Claire pela mão, abrindo rapidamente a porta e dando de cara com uma pequena confusão no corredor.

Carmen e Lewis pareciam discutir entre si, o piloto visivelmente exasperado com a mãe.

— Você precisa para de agir como se eu fosse criança ou não soubesse fazer minhas próprias escolhas! — Lewis ergueu o tom de voz com a mãe.

— Gente, tá tudo bem aqui? — Victoria saiu da pequena sala e olhou para a dupla que era seguida por uma Angela acanhada e sem reação.

— A culpa disso tudo aqui é sua! — a mais velha apontou o dedo indicador no peito da engenheira, falando alto.

— Minha? O quê que eu fiz? — a confusão estampada de maneira clara no rosto da inglesa que teve o pulso segurado por Claire, que dizia em silêncio para que a amiga não comprasse a briga.

— O quê você fez? Olha só o que você fez, causou discórdia onde não havia. Nós só estamos discutindo por sua culpa!

— Dona Carmen, eu vou ser bem clara com a senhora. Eu não tenho absolutamente nada a ver com seus problemas familiares. E apenas três mulheres podem gritar comigo que eu abaixo a cabeça e não retruco, e nenhuma delas está aqui hoje. Então vamos ser justas, você não me envolve nos seus impasses e eu não acabo sendo rude com você. Eu vou voltar para o meu trabalho e fingir que não escutei nada, certo? — Victoria se soltou de Claire, sentindo cada parte de seu corpo se inundar de raiva.

— Não, fica. Eu quero falar com você. — Lewis segurou a mão da engenheira. — Mãe, eu acho melhor a senhora voltar para onde o pai e a Linda estão. Eu preciso de um tempo para pensar e eu entro naquela pista em menos de uma hora, não quero entrar pensando nessa briga idiota. Claire, você pode levar minha mãe para tomar um água?

— Claro, vamos dona Carmen. Tem um suco de Cranberry incrível no hospitality, a senhora vai adorar. — a britânica não ofereceu resistência em acompanhar a francesa junto com Angela, deixando o filho acompanhado de Victoria.

Sem pensar muito, Lewis puxou a engenheira para dentro da sala de onde ela veio, batendo a porta e abraçando-a com força enquanto descansava a cabeça sobre seu ombro.

— Me desculpa. Me desculpa. Me desculpa. — implorou de maneira ofegante.

— Shii... Não foi nada, querido. Não foi nada. — Victoria acariciou as costas do moreno, sentindo sua respiração acalmar ao poucos. 


Notas Finais


Obrigada por ler e cuidem-se!


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