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História Identity Crisis - Capítulo 10


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Notas do Autor


19 de Fevereiro de 2021. É isso mesmo, do capítulo 08 pra frente, todos estão sendo postados hoje galerinha. BJS

Capítulo 10 - C09. Function


O calouro o fitava com atenção. Num centésimo de segundo a escolha tinha sido feita, o pé esquerdo moveu-se com velocidade, jogando a bola para a direita e avançando uns centímetros para então disparar, tirando-lhe o equilíbrio.

Dio olhou por cima do ombro, pego de surpresa pelo drible e levando o oitavo gol naquela hora.

— Uau. Agora se faz ankle break¹ no futebol? — indagou o rapaz, passando a mão pela testa para afastar o suor.

Sieghart, colocando as mãos na cintura, fitou-o e tomou fôlego, copiando o movimento. Seu olhar subiu ao céu e ele percebeu que estava calor demais para continuar em campo.

— Chuveiro, Fiammegianti.

Logo que o italiano se virou, sorrindo tão largamente quanto o Gato de Cheshire, Sieghart cuspiu para o lado.

“Pode ficar lá pra sempre, seu merda”.

Nesse momento o de cabelos roxos voltou a olha-lo. Havia um ar de cinismo no canto de seus lábios.

— Você vem, não é?

— Não, vai na frente. — Sieghart respondeu, balançando a mão e se pondo a guardar os equipamentos.

O Presidente ainda pode ouvir um queixar atrás de si, mas o italiano não insistiu mais e até pode ouvir seus passos se afastando.

“Acho que agora ele vai me deixar em paz. Nossa! Durante o jogo ele não calava a boca! Irritante!”.

Havia algumas garrafas, cones e bandeiras ainda espalhados pela grama e ele foi em busca de todos, excluindo de sua mente a existência de seus problemas. Se tinha algo que conseguia distraí-lo era quando a bola estava em seus pés. Era como se ele finalmente tivesse o controle sobre alguma coisa, mesmo que isso não mudasse nada em sua vida pessoal, mas bem... Seu hobby era um apoio psicológico que ele definitivamente precisava.

Enquanto agachava-se para pegar uma caneleira reserva, sentiu seus braços perdendo as forças e as coisas escapando de suas mãos para o chão. Então veio a realização de não conseguir se mexer direito, aprisionado por algo.

— Eu avisei para cuidar das suas costas. — a voz sussurrou em seu ouvido.

— E-Ei! — Sieghart exclamou, surpreso pelo arrepio que percorreu seu pescoço, fazendo-o perder um pouco do controle sobre seu próprio corpo, fechando os olhos e imediatamente reagindo. — Me solta!

O moreno se remexeu, tentando fugir dos braços, aliás, bastante fortes do italiano, e não teve sucesso. Dio o apertou um pouco mais contra si e parecia estar sorrindo quando disse:

— Você abaixou a guarda. — Dio provocou-o, movendo o quadril levemente contra o mais baixo. De sua parte, havia uma satisfação enorme em sentir as nádegas do moreno diretamente em sua virilha, porém, para Sieghart foi mais um choque. — Eu queria experimentar seu traseiro outra vez... Não dava para esperar.

— Já chega! — proferiu o capitão do time, movendo os braços com violência, quebrando o agarre de Dio e se movendo para frente, escapando completamente. Ele encarou seu atacante com repúdio, ainda que sua face estivesse queimando com o rubor, e mal sabendo o que devia dizer, voltou a pegar os objetos caídos. — Pare com essa brincadeira.  Eu não tenho tempo para isso.

Dio ouviu isso calado. Ele poderia não levar a sério esse cara que só tinha pose de forte. Mas pareceu que suas palavras não eram sem propósito. Certamente, ele devia estar cheio com alguma coisa. Todos tem a própria vida, afinal.

O Fiammegianti percebeu que não saber nada sobre Sieghart lhe dava uma desvantagem imensa. Conquistá-lo não ia ser tão fácil como ele esperava.

— Sieghart.

O moreno parou o que fazia e olhou-o por cima do ombro. O cabelo estava todo armado, empurrado para trás por causa do suor. Alguns fios caíam sobre sua testa, bem mais visível que antes, clara e lisa. Suas sobrancelhas eram finas naturalmente e davam um ar de inocência que contrastava com os olhos afiados como faca.

Ele realmente... Realmente era bonito. Dio sentiu que sua mente estava pregando-lhe peças, mas ele se sentiu muito constrangido por pensar muito sobre isso.

— O que é? Não está satisfeito? Eu mandei ir para o chuveiro, quer que eu te expulse do time? — questionou, mesmo que sua voz estivesse falhando e sua pressão nas alturas.

Dio piscou, parecendo acordar, e assentiu com a cabeça. Ele se virou e correu por poucos metros antes de parar mais uma vez.

Sieghart tinha se levantado e ido levar os utensílios para o banco na outra extremidade do campo. Sua silhueta era de um rapaz comum, porém, cheio de responsabilidades. E cansado.

 

XXX

 

Quando Sieghart permitiu-se voltar ao próprio quarto, ele teve o alívio de encontrar apenas um de seus amigos.

O ruivo estava sentado na escrivaninha, concentradíssimo sob os óculos de grau, sem aro algum, apenas as lentes. Olhava para o livro aberto e o caderno, onde anotava com calma e letras redondas, a mão direita apoiando o rosto. Jin era canhoto.

— Ei. — Sieghart cumprimentou-o, aproximando-se da cama e sorrindo para Jin o máximo que conseguia.

O capitão do Kung Fu percebeu sua presença só então e surpreso entreabriu os lábios.

— Sieg! — ele exclamou, deixando imediatamente os estudos e se levantando para ir até a cama do moreno e colocar as mãos na cintura. — Você sumiu legal depois da aula de ciência, então imaginei que você fosse resolver os assuntos do Conselho Estudantil e ir no treino-, ... O que foi? Por que você está com essa cara?

Sieghart arregalou os olhos, pego em cheio pela perspicácia do monge.

Jin parou à sua frente, franzindo o cenho.

— É aquele cara ainda? Sieg, não me diz que é ainda aquele Dio. — Jin questionou-o, tirando seus óculos e sentando ao seu lado. — Você não quer me contar o que houve?

Seus olhos dourados pediam por confiança, mas Sieghart não podia dá-la, mesmo que fosse seu melhor amigo. Não podia contar algo tão constrangedor como isso.

— Eu não vou entrar em detalhes, Jin. — Sieghart disse, cruzando os dedos entre suas pernas. Ele preferiu olhar a luz da lâmpada do que olhar a compaixão de seu amigo, senão ele acabaria fraquejando. — Acho que o problema está em mim na verdade, então não precisa se preocupar. Não é nada demais.

Sieghart não viu, mas o ruivo mordeu o lábio, incomodado por isso.

— Você não precisa se fazer de forte.

— Não é isso, Jin.

O ruivo segurou seu braço.

— Eu não vou zombar de você, Sieg, independente de qualquer coisa que você me disser. Você foi a única pessoa que me acolheu quando cheguei aqui, você é um grande amigo. Eu faria qualquer coisa por você!

As palavras fizeram o moreno paralisar uns instantes, para só então olha-lo. Jin era tão sincero, tão puro. Ele não compreendia.

— Obrigado. Eu estou bem, Jin. Eu vou ficar bem, eu prometo.

Jin fingiu que acreditou e, ainda insatisfeito, recolocou os óculos e voltou a se sentar na escrivaninha, mesmo que não conseguisse se concentrar e guardasse todo o material.

— É bom mesmo ou vou arrancar a resposta de você. — Jin lhe apontou o dedo, parecendo chateado. Ele pegou algo na mesa e lançou. — Aqui.

Sieghart segurou no ar uma garrafa de 300ml de leite fermentado e fitou o melhor amigo, que estava meio vermelho.

— Eu imaginei que você não tinha nada para beber no quarto e que você teria esquecido de se hidratar depois do treino, como sempre. Vá tomar um banho e tome isso, depois vá dormir ou amanhã você não vai suportar todo o trabalho. — ele comandou, voltando-se para frente, como uma mãe atenciosa com o filho irresponsável.

Sieghart não conseguiu segurar o riso e fez o que lhe foi mandado.

— Mas hoje ainda tem a partida da seleção, Jinnn! — Sieghart fez manha, provocando o ruivo.

—Quem liga?! Vá descansar, idiota! — Jin rosnou, jogando um chinelo na direção do moreno, que se enfiou no banheiro antes de ser atingido.

Ainda encarando a porta, Jin tirou o ar dos pulmões. No fundo ele ainda sentia um aperto bom no peito quando estava a sós com Sieghart. Como se ele e apenas ele importasse. Era ridículo. Mas ele sabia que não tinha porque estragar essa amizade perfeita com seus sentimentos egoístas. Ele já tinha se conformado.

Batendo as palmas das mãos nas faces, ele murmurou “Vamos lá!” e ocupou sua mente com os estudos. Suas notas precisavam subir de qualquer forma ou adeus Academia Real... E adeus Sieghart.

Continua


Notas Finais


¹ankle break: se você assistiu Kuroko no Basuke então você sabe. Mas se não, é um movimento no basquete que confunde o adversário, fazendo-o perder o equilíbrio (caindo de bunda ou de joelho) quando se põe com o centro de gravidade no lugar errado.
Eu relendo essas coisas que eu escrevo sempre tenho a mesma impressão: o que que eu tinha na cabeça para escrever desse jeito?
Enfim, agradeço por ter lido o capítulo e espero que esteja se divertindo ><!


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