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História Identity Crisis - Capítulo 25


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Notas do Autor


Capítulos 08 ao 30 sendo postados! :D

A seguir: intrigas de família!

Capítulo 25 - C24. Business


— Ei... Sr. Sieghart, você está bem? — indagou a professora, com um olhar preocupado.

Não. Definitivamente ele não estava bem neste momento, mas força para falar Sieghart não tinha, ou melhor, tinha, mas o choro provavelmente sairia também se o fizesse. Dio estava sentado longe, mas assim como toda a turma, olhou imediatamente para o Presidente, que não por acaso tinha os lábios secos, a pele extremamente pálida e o olhar totalmente desfocado, além de a postura estar estranha.

O italiano arregalou os olhos surpreso ao ver o moreno balançando em sua carteira e os olhos fechando rapidamente.

— Acho que ele está passando mal. Vou levar ele para a enfermaria, professora. — Dio rapidamente anunciou, chamando a atenção da sala, que estava entre “o que está acontecendo com Sieghart?” e “Os dois são amigos?”, coisas do tipo.

O italiano inclinou-se para pegar o braço do moreno e passar por seu ombro, ajudando-o a levantar, ao mesmo tempo chamando-o baixo enquanto caminhava.

— Sieghart. Sieghart.

O moreno, mole em seus braços, conseguiu murmurar algo e andar por conta própria depois de alguns segundos. Ele claramente estava em outro mundo.

— O que tá acontecendo?

— Você praticamente desmaiou agora há pouco. Estou te levando para a enfermaria agora. — explicou Dio, se perguntando se era sua culpa Sieghart não ter se alimentado de manhã.

Sieghart soltou-se de seus braços, balançando a cabeça.

— Não, eu tô bem. Só não dormi direito hoje.

Dio o segurou pelo braço, insatisfeito com essa resposta. Todos que passavam por ali podiam ver claramente que o Presidente estava esquisito e Dio sabia que não tinha só a ver com a comida... Tinha a ver com absolutamente tudo.

— Tá me machucando. — falou o moreno, franzindo a sobrancelha.

— Sem desculpa. Você dormiu muito bem essa noite, que eu sei. O que você tá precisando agora é um soro.

Sieghart baixou o olhar e deixou-se levar, coisa que estava acontecendo demais naquele dia. Enquanto sumiam das vistas das pessoas, o aperto no estômago aumentava mais e mais, uma vontade de debulhar-se em lágrimas começava a apossar-se do seu corpo violentamente, as memórias não paravam de vir, tudo num golpe só.

Quando a gentil enfermeira Diane os atendeu, Sieghart não pronunciou nenhuma palavra, então Dio explicou a situação por ele. Ela fez uns exames rápidos, os quais Sieghart respondeu com acenos de cabeça e depois ela o ajudou a se acomodar num espaço, levando alguns biscoitos, água e soro.

— Sr. Fiammeggianti, acho que está tudo bem agora. Pode voltar para a sala e avisar o professor. — Diane disse, dirigindo-se ao mais novo e sorrindo com delicadeza.

Dio assentiu com a cabeça, mas quando se virou para o moreno, ele estava com os olhos bem abertos e a mão dele segurou no pulso do italiano.

— Não, eu quero que ele fique. — disse com dificuldade na voz, mas com um olhar levemente intimidador para a mulher.

Diane deu de ombros, achando estranha a maneira de falar do herdeiro da Família Sieghart, como se estivesse zangado com algo. Ela apenas deu umas instruções para Dio e permitiu que eles ficassem a sós.

A sensação indescritível que o moreno sentia o venceu assim que a enfermeira fechou as cortinas e se afastou. Sieghart sentiu uma torrente de sentimentos confusos se espalhando por seu corpo.

Dio sentou-se, com seu olhar tipicamente sério, porém, era possível ver que ele estava ali porque estava preocupado. Ainda segurava a mão de Sieghart, que talvez inconscientemente a segurava de volta. Os olhos cinzentos não o encaravam, apenas olhavam para um nada, desfocados e imensamente vazios. Dio nunca tinha visto algo tão profundo e tão bagunçado ao mesmo tempo.

— Ercnard.

O moreno o fitou, mas sem falar nada. Dio também se perguntou o que deveria dizer, mas a resposta não vinha, então não havia mais nada a fazer do que se calar também. Ficaram ambos ali, num silêncio estranho. Sieghart em certo momento começou a chorar, primeiro com lágrimas quietas, depois ele começou a balançar a cabeça, fungando e fazendo expressões que Dio nunca imaginou ver.

Dio quis abraçá-lo, mas algo no ar dizia que eles não eram realmente próximos, como se os dois não se conhecessem e não tivessem intimidade suficiente para aquilo. No entanto, Dio era a pessoa que estava ali.

Sieghart limpava os olhos, mas uma sensação de dor inacabável fazia sua garganta apertar e seu corpo se retorcer sem seu consentimento.

Era difícil apenas estar no ambiente.

Quando Sieghart conseguiu parar, muitos minutos depois, Dio estava mentalmente exausto e para ele o moreno pareceu um ser humano comum pela primeira vez.

— Me desculpe. — Sieghart murmurou.

Dio balançou a cabeça levemente, remexendo-se na cadeira.

— Não tem por que se desculpar. — ele disse, fitando o moreno diretamente. — Está se sentindo melhor?

Sieghart assentiu que sim em resposta e bebeu água, evitando olhá-lo nos olhos. Sabia que Dio estava inquieto por que queria saber o que estava acontecendo e o que tinha deixado daquele jeito. O jovem herdeiro queria dizer, no fundo queria, mas sua boca parecia não funcionar. Ele só estava com tanto medo.

Dio queria perguntar se era sua culpa. Olhando o moreno daquele jeito o fazia querer consertar coisas que não podia ou se intrometer nas coisas em que não devia.

— Hoje mais tarde, quando você voltar, eu vou estar aqui se você precisar de um ouvido para desabafar. — sentenciou o mais novo, tentando soar o mais tranquilo possível. — Em todo o caso, volte para o dormitório e descanse.

Sieghart reuniu forças para dar um sorriso de deboche e soltar:

— Quem é você para mandar em mim, Fiammeggianti? Isso foi um simples descuido. — Sieghart olhou para a janela, sentindo seu rosto só um pouquinho quente.

— Realmente, você tem muitos simples descuidos.

Sieghart abruptamente virou ao sentir a voz diretamente em seu ouvido e o peso dos braços do italiano na cama. O rosto de Dio estava há centímetros do seu, a testa franzida. A mão larga agarrou sua bochecha para que ele não fugisse e, num pequeno instante, Dio conseguiu roubar um beijo.

— V-Você! — Sieghart gritou em silêncio, visivelmente envergonhado. — Some daqui!

Antes de sair, o Fiammeggianti parou. Agora, seu olhar era sério.

— Isso pode soar estranho agora, mas eu te entendo. O que está passando agora não é algo tão simples, é uma escolha que deve ser tomada por você, Ercnard, e só por você. A escolha apenas vai ser correta se for a que o seu coração realmente desejar.

Sieghart o fitava, atento. As palavras de conselho eram bonitas, mas doíam. Como alguém pode compreender por completo o que o coração deseja?

 

 

Mansão Sieghart.

 

É verdade que a mansão da família nunca tinha sido um lugar exatamente animado, todos sabiam bem disso. Claro que isso não quer dizer que nunca houve pessoas felizes vivendo ali, por exemplo, a mãe de Sieghart, Erika. Ela era uma pessoa que trazia bom humor naturalmente ao seu redor, deixando a casa escura um pouco mais agradável.

Ercnard atravessou os corredores com o estômago revirado, indo em direção à sala principal da família. À frente caminhava Estela, quem estava tensa desde o momento em que o recebeu e avisou que o chefe estava em casa e queria que o rapaz estivesse presente no almoço.

Quando entrou, fazendo um aceno encorajador para Estela, quem parecia estar morrendo de medo de encarar o chefe da casa de novo, o moreno assumiu uma face desprovida de emoções. Ele agora era outra pessoa, não o sempre feliz e atrevido, mas o sério e responsável. O falso.

— Está atrasado. — Seth anunciou, também ele sustentando um olhar frio.

“Como se eu ligasse”. Pensou o moreno e foi se sentar num assento do lado direito do pai.

Além deles, estava Erika, completamente calada, mas sorridente para o filho, que conseguiu fazer um aceno educado para a adorável mulher. Também a tia avó Zhelia, que parecia não morrer nunca, cheia de julgamento no olhar e também um sorriso maldoso. E por último, o mais incomum de todos, Elscud, pai de Elesis.

— Bom dia, mãe. Bom dia, tio, bom te ver novamente. Tia Zhelia.

— Hunf, tão sem modos como sempre. — a tia reclamou num grunhido.

A refeição iniciou-se. Todos calados. O som dos talheres quase nulo. Eles sabiam que ao menor descuido com o gestual uma conversa poderia começar e a guerra aconteceria antes mesmo de a refeição terminar. Ercnard sabia se portar à mesa perfeitamente, porém, ele nunca tinha sido o filho exemplar. Ele sabia que depois de comer o pai iria soltar a bomba e ele não estava a fim de passar pelo sacrifício de estar naquela mesa com ele por mais tempo apenas para o pai destruir sua vida logo depois. Ele decidiu acabar com tudo de uma vez.

Ao o som da taça do herdeiro batendo com barulho na mesa, Seth levantou o olhar, detendo sua colher com sopa de mariscos. Sua mãe baixou os olhos, Elscud ajeitou o guardanapo e Zhelia arrumou os óculos, baixando o garfo.

Seth cruzou as mãos.

— Como está indo no colégio, Ercnard?

— Perfeito.

Nada pareceu tão claro para o moreno, apesar de ser uma mentira. Ele era uma faca nesse momento.

— Ótimo. E seus amigos?

— Estão bem.

O pai do moreno deu uma pausa, voltando a comer. Porém, não demorou a voltar no que viria a ser uma discussão fria.

— Pois eu percebo que a família Kaien está tendo problemas em quitar sua dívida e nossos esforços para manter essa situação em discrição parecem estar sendo insuficientes. O motivo disso parece ser o único herdeiro vivo que, de acordo com os rumores, assumiu um compromisso religioso e não vai ceder a um casamento arranjado. — comentou o homem, sua face demonstrando mínima emoção.

Ercnard sentiu seu estômago dando uma pontada. Não estava falando com Jin ultimamente, então claro que ele não sabia.

— Obviamente, há outras maneiras de lidar com essa situação. O Sr. Kaien fez essa decisão sabendo bem disso, sendo um administrador talentoso para sua idade. Afinal, não há causa maior que oferecer seus serviços aos céus. — disse Sieghart, mordendo-se por dentro. Ele não ia deixar barato, não ia deixar que o pai se atrevesse a falar do amigo e muito menos jogar indiretas dessa forma.

Erika olhava para o filho como que pedindo para o moreno não falar mais nada e Elscud ficou apenas observando.

— De fato, é uma grande causa. Porém, ele é o único filho restante da família e tem responsabilidades. Com a trágica morte dos Kaien, não é claro que são os céus dizendo que o menino deve tomar as rédeas dos negócios da empresa?

— Seth. — Zhelia interrompeu-os. — Os Kaien não são tão influentes e não apresentam um histórico de má conduta de nenhum ramo da organização que eles comandam. Independente de quem assuma, a organização estará em boas mãos. Ao contrário de nossa família, em que se escondem cobras por todos os lados.

O pai suspirou. A velha sempre mandava as farpas desse jeito, sempre querendo resolver tudo diretamente.

— Nossa família tem enfrentado um verdadeiro caminho de provações ao longo dos anos. Traição. Roubo. Filhos bastardos. Assassinatos. Membros fracos e ingênuos que mancharam o nosso nome e devidamente foram depostos e colocados em seus lugares. — Seth dizia bebendo de sua taça, profunda mágoa em seu olhar. — Não é novidade nenhuma para nós. Mas ainda assim, temos que manter a família unida, do contrário, poderemos cair mais cedo ou mais tarde.

O herdeiro não conteve um riso de escárnio.

Família. — debochou, seu sorriso amargo.

Seth ergueu os olhos para Ercnard e deixou o guardanapo cair sobre o prato.

— Me lembrei que nossos empregados têm entregado relatórios muito interessantes, Ercnard. — o homem disse, sério. — Você frequentava nossos clubes e boates numa frequência de três a cinco dias por semana num período regular desde o ano passado. Não coincidentemente, esse mês você apareceu uma única vez e logo depois você bloqueou contato com todas as suas amantes fixas. Além de tudo, houve uma diminuição de sua aparição em público com colegas do colégio e houve um afastamento razoável dos amigos. Tudo isso coincide com seu contato com um jovem transferido. Me pergunto... O que será que está acontecendo?

Sieghart suou frio, suas mãos geladas segurando o garfo. Ele definitivamente não estava bem. Aliás, ele não estava totalmente recuperado e mais ainda agora, saber que era constantemente seguido o fazia querer vomitar.

 — Bem, coincidências são chamadas assim por um motivo. Se eu parei com um padrão de vida vergonhoso como esse, deve ser porque estou em uma nova fase e refletindo sobre minha vida? Além de que eu não devo explicações para alguém que nunca me impediu de seguir um mau caminho.

Seth finalmente riu. Um sorriso de maldade, curto e escarnioso que fez Sieghart eriçar de ódio.

— Desculpas até mesmo um cão pode dar – retrucou o homem, deixando a taça e olhando diretamente para um Ercnard à beira de explodir, o rosto vermelhíssimo idêntico ao de Elesis, fazendo jus ao seu nome.

Ercnard mordeu o lábio por dentro, tentando não deixar seu coração enfraquecer. Erika estava prestes a se levantar para terminar o assunto quando o pai do moreno deu o golpe final:

— A Senhorita Agnecia pode confirmar isso.

O rapaz levantou a mão com violência e bateu na mesa, fazendo a louça tilintar e a garrafa de vinho tremer.

Zhelia quase deixou escapar um riso de deboche e Ercnard desejou que ela morresse nesse instante.

Seth nem mesmo levantou uma sobrancelha.

— Acho que essa conversa já foi longe o bastante. Que tal você me dizer o que ainda estou fazendo aqui ao invés de estar fazendo meus deveres? — Sieghart perguntou impaciente e já cansado de tantas farpas.

— Ercnard, você está no último ano, não? Já pensou qual carreira seguir depois que e formar?

O moreno franziu o cenho mais ainda, sentindo-se cada vez mais diminuído por ter sido tão obviamente ignorado e subestimado.

— Eu vou ser arquiteto.

O homem parou um segundo em sua cadeira e deu um suspiro que soou como se ele não esperasse grande coisa mesmo do filho.

— O que realmente impressiona é que você demonstra ser uma desgraça crescente para nossa família. — Seth disse, juntando as mãos e observando como o rapaz ficava branco e seu corpo respondia ficando cada vez mais duro.

Erika foi quem levantou dessa vez, seu olhar irado.

— SETH.

O homem suspirou, levantando-se também. Sieghart ficou pequeno, sentindo uma vontade gigante de se esconder numa caverna.

— De uma forma ou outra você não poderia me contrariar dessa vez. Aliás, você não quer estudar num colégio militar no exterior quer? — o homem sorriu maldosamente, mal disfarçando seu ar de superioridade. — Nesse momento a Princesa Marie Onette está descansando em um dos nossos aposentos e você está incumbido de dirigi-la à Academia Real. Estamos entendidos? Você tem o dever de cuidar da segurança dela dentro do colégio e atender aos pedidos que ela fizer. Saiba que os seguranças pessoais dela estarão por perto do prédio e sempre estarão de olho em seus movimentos.

O moreno não pode responder nada, consumido por sentimentos negativos. Em sua impotência a única coisa que pode fazer era obedecer.

Continua



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